Livres ou Escravos?
Vamos imaginar a vida de um presidiário, toda sua trajetória está baseada em leis que lhe foram impostas para restringir sua conduta. As leis dentro de um presídio servem para que esse indivíduo se mantenha debaixo de um sistema escravo, que engana dizendo ser um ambiente para educá-lo novamente a sociedade. Todos sabem que as leis dentro de uma cadeia apenas contribuem para piorar os homens, e mesmo assim permanecem estabelecidas como fator enganoso. Então eu te pergunto: Como uma lei que não produz resultado permanece ativa? Como um ambiente escravo ainda se mantém tão operante na vida de pessoas?
Este é apenas um exemplo de um sistema que opera em um determinado lugar, dominando pessoas e contribuindo para que se destruam. Mas o ponto importante que desejo chamar sua atenção nesta palavra, está em pensarmos se pelo fato de não estarmos dentro de um presídio estamos realmente livres? Ou, estamos num ambiente que se mostra aparentemente livre. Podemos sair, passear, entrar em um restaurante, caminhar numa praça, estar no shopping, mas viver uma enganosa liberdade, pois somos escravos de um sistema invisível.
Com essa introdução iremos meditar naquilo que o Espírito deseja falar. Se somos livres, então vivemos o pacto da Nova Aliança, mas se somos escravos, permanecemos debaixo de um sistema que comanda nossas vidas e apenas contribui para que nosso futuro seja de opressão.
O sistema opressor
Uma liberdade mentirosa
O Brasil é presenteado com uma liberdade invejável para outros povos, você possui muitos direitos e muitas opções, e nelas você caminha progredindo com seus sonhos. O problema não está nesta liberdade, mas no engano que ela produz, pense comigo sobre esta questão: A liberdade lhe dá a opção de você buscar a Deus ou de gastar este tempo passeando em um shopping, ela lhe dá o direito de freqüentar uma reunião de oração ou de usar este tempo para permanecer em casa assistindo um programa qualquer.
A liberdade que temos nos faz sermos membros de uma Igreja, mas ao primeiro tratamento de Deus, nossa reação é abandonar aquele lugar e procurar outro que nos deixa em paz e ainda deficientes. Eu sou livre! Sou apto para escolher com quem desejo conversar, com quem posso me relacionar e qual seria o melhor lugar para me reunir. Possuo uma Bíblia, ela tem cores e muitos enfeites, como dicionários, fotos e temas, mas eu a leio quando desejo, pois minha liberdade me dá o direito de agir desta forma. Também tenho muitos CDs de louvor e de adoração, mas apenas ouço quando desejo aliviar minha atenção, pois pelo fato de ser livre creio discernir o momento exato que necessito louvar a Deus.
Essa é a liberdade que temos, dirigimos nossas vidas nesta questão colocando horários, condutas e ações, apenas em momentos que cremos ser o correto, mas não estamos vendo que essa liberdade está nos fazendo ser negligentes com o Senhor. Nossas ações são uma espécie de oração, baseadas no nosso desejo de querer agradar a Deus. Mas o problema está nesse querer aliado à carne e a nossa própria vontade, que brinca com essa liberdade e apresenta a Deus uma oferta que não lhe agrada.
Vejamos um exemplo:
Gen.4:1-5, “E CONHECEU Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante”.
Vamos olhar para este texto e encontrar a liberdade. Onde ela está? Ela está nas ações de Caim, que são feitas com sua motivação em preparar da forma que queria uma oferta para o Senhor. Caim era livre, estava no campo, naquele ambiente podia promover o que desejava, caçar sem regras, sem limites, estabelecer seus próprios horários e escolher pela própria vontade uma oferta ao Senhor.
Seria esse o fator predominante que fez Deus recusar a oferta de Caim? Com certeza, pois foi por causa dessa liberdade que Caim matou Abel. É neste ponto que está o engano.
Observe os próximos versículos: 6,7-“E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”.
Caim era responsável por aquilo que fazia, suas ações estavam baseadas em uma liberdade que cria levá-lo para Deus, mas era um enorme engano. Foi à liberdade que o motivou entregar uma oferta ao Senhor, mas essa oferta não foi aceita, pelo fato de estar enraizada numa má intenção, feita conforme sua própria vontade e não naquela que Deus desejava receber.
Esta é a liberdade enganosa que está matando os cristãos atuais, todos fazem aquilo que desejam e ainda trazem ofertas fora da vontade de Deus. Muitos estão progredindo no campo como Caim, se sentem livres e fazem aquilo que desejam, ditam suas regras, seus horários, escolhem qual dia vão buscar a Deus e numa data especifica (domingo) trazem sua oferta enraizada numa vontade carnal, e ainda desejam que Deus receba.
Deus nunca irá receber essas ofertas, pois estão vindo de pessoas que dizem com a boca serem servos de Deus, escravas do seu querer, mas são donas do seu nariz, comandam suas vidas sem a orientação de Deus.
A liberdade enganosa na Religião
A Igreja que tem em mente a liberdade da expressão, da motivação, de fazer os cultos na hora que deseja, de educar as crianças com o conteúdo que crê ser verdade. Não percebe que está se perdendo no relaxo de oferecer a Deus ofertas enraizadas na sua própria vontade. Pense comigo: Os Cristão se reúnem quando desejam, ou quando existe um horário estabelecido por um sistema religioso, caso contrário não existiria um culto. As pessoas oram no templo, quando existe alguém incentivando para que façam isso, ou adoram a Deus quando um esperançoso permanece como animador de platéia, gritando em um microfone que adorar a Deus é bom, alivia a alma, o Pai gosta e por assim vai.
Sabe como podemos titular essas condutas, como “liberdade enganosa”, todos são livres para adorar a Deus, mas decidem fazer isso quando querem, e ainda formam suas ofertas e entregam a Deus como Caim, desejando que Deus receba.
Deus falou sobre isso pelo profeta Isaías.
1:11-15, “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue”.
Deus havia estabelecido o pacto com o povo de Israel, os livros de Êxodo e Levítico mostram muito claro as ordens do Senhor, mas nesta questão vemos uma dúvida, porque o Pai estabelece uma maneira de cultuá-lo e depois Ele mesmo diz estar farto disso? O problema não estava na ordem de Deus ou no pacto, e sim no naquilo que estamos tratando, a “liberdade enganosa”.
O povo sabia o que Deus estabeleceu, mas suas ações eram feitas através de desejos carnais, cumpriam essas vontades soberanas de forma religiosa. É assim que se cria a religião, eu sei das vontades divinas, mas procuro efetuá-las através das minhas próprias ações, meus próprios desejos.
O fundador dessa façanha foi “Caim” (Gn.4). O filho que sabia dos desejos do Pai e agiu através da liberdade que cria levá-lo ao agrado do Senhor, mas que no final ocorre dois incidentes. O primeiro foi à rejeição de Deus para com a oferta, e o segundo foi à morte se deparar com sua segunda ação.
Caim recebeu a rejeição de Deus por trazer o sacrifício e através das suas próprias ações, recebe a morte como herança. Será que a Igreja não está nesta mesma situação? Os homens se reúnem para adorar ao Senhor, trazendo suas ofertas como sacrifício, e conseqüentemente ocorre sua rejeição, pelo fato da oferta não estar de acordo com a vontade de Deus. Após isso podemos ver na atualidade da Igreja, a morte espiritual reinando sobre a Noiva.
Caim mata Abel, o seu irmão, por causa da liberdade enganosa, a Igreja mata seus próprios irmãos, desde que o homem começou a se sentir livre para buscar ou encontrar algo, saindo do corpo com a finalidade de começar outro corpo.
É a mesmo situação, a Igreja está como Caim, trazendo ofertas rejeitadas e com o final de divisão, matando o próprio irmão para saciar seu desejo de vingança. Por isso Jesus usa o exemplo de Abel contra os fariseus.
Mt.23:33-39, “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno? Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade; Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor”.
Exclua a liberdade
Exclua da sua vida a liberdade dada pelo homem, ou criada pela religião, porque ela é falsa e lhe faz escravo da negligência, do relaxo, do abandono e dos desejos carnais. Ela faz de você um terrível religioso, criador de normas, com um comportamento aparentemente certo, mas motivado pelas suas próprias ações carnais.
Mt.23:13 – “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando”.
Esta liberdade está reinando em um sistema invisível, lançando um véu (1Cor.3:14) no entendimento dos homens para que creiam estarem na plena vontade Soberana, mas na realidade estão cegos (Mt.23:16).
Enquanto os Cristãos manterem essa liberdade, sempre irão causar divisão e difamação no evangelho, a realidade dessa liberdade enganosa é a conseqüência que possuímos nesta geração. Os homens oram quando querem, as Igrejas se dividem de uma forma descontrolada, os divórcios estão como normal diante do povo, os filhos podem optar estar aos pés do Senhor ou do mundo e os pais respeitam isso sem contestar. Tudo isso é fruto da liberdade, que ao invés de conscientizar cada mente de assumir cada qual sua responsabilidade como sacerdotes (1Pd.2:9), está lhes dando oportunidade de criarem uma religião, que cresce e o homem faz o que quer, adora quando quer e presta contas quando achar necessário, podemos titular isso também de “Babel” (Gn.4), um torre feita de tijolos, uma invenção humana.
Fure sua orelha
Ex.21:2-5, “Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça. Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sua mulher sairá com ele. Se seu senhor lhe houver dado uma mulher e ela lhe houver dado filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e ele sairá sozinho. Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre; Então seu SENHOR o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre”.
Com esta passagem eu pergunto a todos, somos livres ou somos servos sem liberdade em viver para o Senhor? Saiba diferenciar duas coisas irmão. Se você considera-se livre com essa liberdade enganosa que o mundo lhe oferece, fazendo aquilo que deseja, então está completamente enganado, seu espírito é de “Caim”, suas ofertas sempre serão rejeitadas e suas ações futuras serão de matar seu irmão. Mas se você entende que a liberdade vêm através do espírito (Gl.5:1) e ela lhe faz andar segundo a lei do Espírito, para que suas ações sejam baseadas na vontade plena de Deus, então diga que ama ao seu Senhor e vá diante de um Juiz e deixe que fure sua orelha, esteja preso em Deus.
Rm.8:2 – “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”.
Sou escravo de Cristo sem a liberdade enganosa do mundo, pois esta liberdade me leva sempre a pecar. Sou livre em Cristo que me leva a caminhar na lei do Espírito, vivendo assim a justiça do reino.
8:10 – “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça”.
Com isso voltamos ao principio desta palavra. Na realidade quem está preso, aquele que permanece dentro de um presídio, ou nós? Com essa liberdade enganosa. A resposta são as duas questões, aquele que está a mercê de um sistema falido entre quatro paredes e nós, livres de aparência, mas escravos dos nossos próprios desejos, enganos, relaxos, indisciplina, rebeldia e divisão. A única maneira de encontrarmos liberdade é sermos escravos da vontade de Deus, rejeitarmos a nossa e progredirmos para cumprir a Sua.
Jo.8:36 – “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
Rm.6:18 – “ E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”.
Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)
Ronaldo José Vicente, pastor e marido de Clarissa Alster Vicente. A Igreja se reune na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
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