O Evangelho



Imagine uma terra perdida, homens caídos e dominados por seus desejos. Filhos sem um referencial de Pai, famílias sem uma estrutura adequada aos princípios cristãos, um governo sem misericórdia e uma religião morta, que aprisiona pessoas ao invés de libertá-las. Este foi o mundo que Jesus enfrentou, para inserir nele o verdadeiro evangelho.

Jo.3:16 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Mt.4:23 – “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”.

     Com estes dois versículos vemos duas questões importantes: primeiro não havia vida no mundo, pois o pecado trouxe morte a todos (Gn.2:17,Rm.5:12/6:4/7:5/8:2/1Cor.15:21/2Cor.1:9/2Tm.1:10/Hb.2:14), era o reino da morte imperando e separando os filhos da comunhão do Pai, da vida, da graça, da permanência, este era nosso primeiro estado de fracasso. Mas neste contexto encontramos a resposta para nosso destino de morte, Deus enviando seu filho para morrer e nos resgatar, trazendo em si mesmo a resposta para todas as nossas aflições.

     O segundo ponto é o evangelho de Cristo, a esperança da humanidade, é nele que encontramos a verdadeira vida, e quando Jesus se revelou ao mundo, suas ações foram de proclamar este evangelho.

Podemos então começar nosso estudo sobre o evangelho. O que é ele realmente? O que ele traz? Qual sua finalidade? Ao entendermos estas questões, iremos ver que recebemos algo tremendo para revelarmos Cristo ao mundo.

O poder do evangelho


     Não havia como Jesus estar em algum ambiente e não mudá-lo, em todos os lugares em que o Mestre passou algo extraordinário aconteceu. Nele não tinha limites para o poder de Deus se manifestar, sua vida transmitia um espalhar da glória do Senhor, em cada episódio, em cada situação, algo evidente era posto diante dos olhos de todos.

Ele curava a todos (Livro de Mateus)


8:16 – “E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos”.

12:15 – “Jesus, sabendo isso, retirou-se dali, e acompanharam-no grandes multidões, e ele curou a todas”.

14:36 – “E rogavam-lhe que ao menos eles pudessem tocar a orla da sua roupa; e todos os que a tocavam ficavam sãos”.

15:30 – “E veio ter com ele grandes multidões, que traziam coxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos, e os puseram aos pés de Jesus, e ele os sarou”.

19:2 – “E seguiram-no grandes multidões, e curou-as ali”

21:14 – “E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os”.

     Isso acontecia porque em Jesus estava o puro evangelho, algo queimando em seu interior e sendo exposto de forma impactante em qualquer lugar. Era a fonte necessitando explodir para gerar vida em corações amargurados (Jo.7:38). Jesus discernia este presente que carregava, não havia como o Mestre caminhar ou entrar nos lares e não passar uma dádiva que o Pai lhe concedeu.

Jo.3:34-36, “Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”.

     Na mente de Jesus havia o entendimento completo daquilo que carregava em seu interior. Era o presente para livrar a humanidade do inferno, os corações presos, as almas aprisionadas e a injustiça imperando na terra. Jesus trouxe a resposta de Deus para salvar o mundo, e o fato de haver esta compreensão, o levou a andar e entender o quanto é grande o poder do evangelho. Desta forma passamos a compreender porque o Messias fez o seu primeiro pronunciamento numa sinagoga, usando o texto do profeta Isaías.

Lc.4:18,19 – “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do SENHOR”.

     Era visível a todos a manifestação do poder do evangelho, porque em Jesus havia este milagre. Deus liberou para seu filho o Espírito sem medida, e por esta razão cada localidade que Jesus passava, fatos extraordinários aconteciam.

Os discípulos recebem este poder


     Se Jesus morresse e não fizesse nenhum discípulo, creio que seus ensinamentos seriam perdidos e o evangelho não estaria espalhado por toda terra. Mas o Senhor sabia o valor que carregava, era a pérola que não podia ser entregue aos porcos (Mt.7:6), e sim para pessoas preparadas, discipulos, trabalhados, para que houvesse o entendimento do evangelho (1Ts.2:4).

     No começo os discípulos tiveram grandes dificuldades para entender aquilo que Jesus estava trazendo (Lc.9:45/19:42/24:16) até o Senhor lhes abrir o entendimento (Lc.24:45 – “Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras”), e através disto começarem a praticar o verdadeiro evangelho.

     O resultado desta ação é a explosão da Igreja de Atos (2:41-47/4:32-37) e a proclamação do evangelho. O que vemos no livro de Atos não é um cristianismo sem vida, sem poder, sem milagres, sem a comunhão entre os irmãos, mas um evangelho trazendo o reino de Deus naquela localidade.

O poder do evangelho em Atos


2:43 – “E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos”.

4:30,31 –“ Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus. E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus”.

5:12 –“E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão”.

6:8 – “E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”.

8:6,7 –“E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados”.

9:34 – “E disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou”.

14:3 – “Detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios”.

19:11,12 – “E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam”.

O ataque ao Evangelho

     Como já vimos o evangelho é baseado na manifestação visível do poder de Deus, e não há como crer em algo sem vida, sem poder, ou sem fundamento, e ainda ser como representante de Deus. Mas foi isso que começou a contaminar o puro evangelho, desde a época dos apóstolos, o homem passou por si próprio a tentar trazer no meio da Igreja requisitos humanos, normas, conteúdos criados para estabelecer regulamentos. O próprio Paulo confronta estas idéias porque sabia que o evangelho não pode ser dominado pelo homem.

Os judeus tentavam por novamente a lei

Gl.5:1,2 – “ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará”.

A Igreja de Roma desejava aproveitar da graça para pecar

Rom.6:1,2 –“QUE diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

A Igreja de Coríntios aceitava o pecado

1Cor.5:6,7 – “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”.

A Igreja de Éfeso caiu em atividades e deixou o primeiro amor

Ap.2:2-4, “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.

A Igreja de Pérgamo aceitava a doutrina de Balaão

Ap.2:14 – “Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem”.

A Igreja de Tiatira tolerava o domínio de Jezabel

Ap.2:20 – “Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”.

A Igreja e Laodicéia brincava com Deus

Ap.3:15 –“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!”

     Todos estes textos mostram um grande ataque das trevas para contaminar o evangelho, mas naquele tempo existia a proteção da Igreja, os cinco ministérios fluindo para guardar o evangelho de qualquer contaminação (Ef.4:11). Os ministérios eram homens que sabiam quando o pecado ou as idéias humanas interferissem, o poder baseado na pureza seria perdido e teriam uma religião morta, palavras de sabedoria humana e mais nada (1Cor.1:17/4:20).

     Mas como todos sabem a era apostólica passou, e a proteção da Noiva se foi e uma nova era dominou a Igreja, eram homens comandando e nomeando cleros e separando leigos. O Espírito Santo foi deixado de lado e o poder do evangelho foi enterrado, os homens passaram a valorizar mais as coisas terrenas, dividiram a Igreja com cargos e títulos e a competição começou a reinar.

     Os milagres foram desaparecendo, a comunhão foi extinta, os lares não serviam mais para cear e para a Igreja se reunir de forma diária, mas foram fechados e todos passaram a se reunir em prédios, escondendo-se com seus pecados e conhecendo seus próprios irmãos superficialmente.

     O homem passou a centralizar o poder da reunião em uma pessoa, foram descartados o presbitério, a comunhão entre pessoas do mesmo nível, o uso dos dons, a contribuição de cada integrante do corpo de Cristo (1Cor.14:26). A era negra da Igreja se iniciou quando os ministérios defensores desapareceram, e o homem montou seu reino de morte sobre a terra usando o nome de Deus.

O evangelho atual


     É fato vermos que desde 1.500 através da vida de Martinho Lutero, a Igreja começou novamente a cavar aquilo que se havia perdido. A revelação da palavra começou a despertar os Cristãos e depois muitos avivamentos explodiram ao longo da história. Na Inglaterra o avivamento Wesleyano em 1739, depois o avivamento do General William Booth em 1865, nascendo o projeto exército da salvação, depois o forte avivamento da rua Azuza, em Los Angeles em 1901, abrindo as portas para o avivamento no País de Gales em 1904, depois o avivamento nas Ilhas Hébricas em 1949, recentemente o de Toronto em 1994, em 1995 o fogo caiu na igreja Brownsville Assembly of God, na cidade de Pensacola, Flórida – EUA, também em Smithton, Missouri – EUA, 1996, e em Moçambique,1998.

     Todos estes avivamentos começaram a desenterrar os entulhos lançados pela humanidade na fonte do evangelho, mas ainda não foram suficiente para realmente proclamarmos como Jesus, a profecia de Isaias 61, e prosseguir para a manifestação do reino na terra.

     Ainda vemos muita sujeira que precisa ser tirada do nosso meio, muito domínio humano, reuniões que deveriam aparecer com muita evidência à exaltação do Senhor, mas sempre nos deparamos com homens cheios de dons promovendo sua própria figura. Ou quando temos de ir numa reunião do corpo de Cristo (assim dizem) tendo que pagar uma entrada (também dizem que é para gastos necessários) para louvar a Deus. Será mesmo? Ou estamos iguais ao mundo, correndo para ver artistas cristãos lançados pelas gravadoras gospel.

     Se o nosso evangelho estivesse completamente sarado, estaríamos vendo uma palavra separando a alma do espírito (Hb.4:12), uma adoração apresentando Cristo ao mundo e não apenas artistas. Uma Igreja apaixonada e cheia do amor de Deus (1Cor.13), trazendo a mensagem da Cruz e promovendo loucura no mundo (1Cor.1:18).

     Atualmente o que vemos são apenas placas e mais placas de novas Igrejas se abrindo em bairros, novas cidades e novos centros. Homens preocupados com prédios e títulos, ovelhas defendendo seus pastores com visões e doutrinas sendo passadas como verdades absolutas. Convivemos numa Igreja e percebemos uma juventude bombardeada pelo prazer da vida, estão com o Senhor e ao mesmo tempo estão inseridos de forma preocupante com o mundo. Não fazem diferença, não criam polemica por serem apaixonados pelo Senhor, não são temidos pelo evangelho, são apenas respeitados, porque atualmente o evangelho se tornou sociável, é algo agradável, e ainda promove ao homem muitos recursos para ser bem sucedido. Casas, carros, esposas e outras coisas complementares de uma vida digna, está a disposição desta nova Igreja do século XXI, até parece um anúncio de propaganda vendendo um produto que vale a pena comprar. Nossa Igreja tem um prédio bonito, cadeiras estofadas, ótimos músicos, pessoas bem sucedidas, que se vestem bem, falam de maneira correta e são homens respeitados na sociedade.

     Esta é a cara do evangelho atual, não causa medo, terror para a humanidade, não traz o juízo de Deus contra o pecador que blasfema sem arrependimento, não traz vida para aquele que está morrendo de depressão, não traz amor para causar espanto num mundo tão sofrido. 

Onde está a mensagem da cruz? 
Onde está a geração que realmente levantará uma bandeira contra o pecado? 
Onde estão os pais que adotarão filhos e os ensinarão ao caminho da verdade?

     A Igreja deste século tem muito o que trilhar e precisa incessantemente clamar ao invés de apenas cantar músicas de alegria em tempo de choro. Não há chuvas em tempos de deserto, não há colheitas em tempos de plantio, não há luz para nascer uma nova geração enquanto que as madres estão fechadas.

Jr.31:15 – “Assim diz o SENHOR: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem”.

Precisamos continuar a buscar um evangelho puro, sem legalismo ou libertinagem, algo que será pregado em toda terra, sem teorias humanas, levando e revelando aos povos a Pessoa completa de Jesus, este é o verdadeiro evangelho, algo que muda vidas e as transforma na Sua própria imagem.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)


Ronaldo José Vicente, pastor e marido de Clarissa Alster Vicente. A Igreja se reune na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha). 

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