Estamos próximos ou distantes?
Algo que tem incomodado a maioria dos cristãos é a luta de permanecer próximos de Deus. Todos que amam ao Pai e entendem o caminho da santificação, passam a ter em seus dias uma luta constante, é a guerra da carne contra o espírito (Gl.5:17 – “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”). É algo inevitável, todos os dias travamos uma forte batalha para nos mantermos vigilantes contra as ações carnais, e atentos para ouvir a voz de Deus em meio a tantas lutas.
Olhando por este meio creio que um sentimento de impossibilidade penetra nosso entendimento sobre a conduta correta de ser um cristão. Eu sei que preciso estar todos os dias com atenção dobrada contra minha carne que se levanta como um leão, preciso morrer todos os dias (1Cor.15:31 – “Eu protesto que cada dia morro, gloriando-me em vós, irmãos, por Cristo Jesus nosso Senhor”). Também sei que estando no meio de um trabalho, sendo cobrado, precisando cumprir minhas tarefas como funcionário, ouvindo conversas torpes, presenciando condutas que são atrativas para minha queda, tenho que me manter fiel e ainda mais, arranjar um meio de ouvir Deus falando e desejando proclamar sua glória através da minha vida.
Todas estas coisas são reais no nosso cotidiano, é a batalha de todo cristão, mas quando ocorre uma entrega e as forças se vão para continuar lutando, o pecado não freia em investir e estragar nossas vidas e ministérios. Então levanto algumas perguntas que irão abrir o sentido desta palavra: Até quando iremos lutar constantemente contra a carne? Será que nossa vida espiritual sempre estará inconstante, em tempos somos espirituais e em determinados tempos somos carnais? Estamos próximos ou estamos distantes quando pecamos? Todas estas questões precisam ser compreendidas para nosso caminhar com Cristo.
A luta contra a carne
Todos sabem do princípio do pecado na humanidade ocorrido pela desobediência de Adão (Gn.3), é neste ponto que começou a grande batalha que enfrentamos todos os dias. Mas algo surpreendente esteve incluído no plano vindouro, através da vinda de Jesus. Seu puro sangue pagou nossos pecados e nos fez estar próximos de Deus, esta é a obra da cruz, o pacto da nova aliança, o grande plano maravilhoso de Deus (Hb.9:14 – “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”).
Cristo pagou através do seu sangue eterno, a obra da cruz é perfeita e nela não há problema. Então porque pecamos? Porque estamos caindo nas mesmas situações e progredindo na derrota? Cristo cravou nossas falhas num madeiro, mas uma origem pecaminosa ainda persiste dentro do nosso interior.
Observe: Rm.7:22,23 – “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros”.
Em nós está à lei do pecado, a origem da desobediência que afastou a humanidade da presença eterna de Deus. O sangue de Cristo é poderoso para ligar toda a humanidade com Deus, isto é fato, mas sempre quando nos ocorre um pecado a nossa primeira ação é se esconder como Adão (Gn.3:10 – “E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me”). Por isso o primeiro pensamento que cada cristão deve ter enraizado em seu coração é que Cristo pagou todos os seus pecados (Rm.3:25/4:7,25/5:8,19,20/Hb.1:3/9:26/10:12/1Pd.2:24/3:18/1Jo.1:7/2:2,12/3:5/4:10/Ap.1:5), sendo assim, não importa o que fazemos, ou o que pensamos, por Ele e pelo seu sacrifício estamos apto a assentar na sua mesa e cear pela eternidade.
Mas há dois pontos que precisamos entender, o primeiro é como já estamos trabalhando. Por Cristo houve a remissão total dos meus pecados. O outro ponto é a origem do pecado enraizado na minha carne. O que fazer? Se a origem está na minha carne e por Cristo tudo já foi pago, então posso permanecer no pecado, pois por Ele tudo já foi remido? É neste ponto que permanece o segundo passo da revelação do cristianismo. O primeiro é a obra da redenção, por Ele toda a humanidade foi recuperada, e neste intervalo existe o agente opressor, o pecado enraizado em nossa carne, mas é nesta questão que muitos estão vacilando e permanecendo em oscilações com sua vida espiritual.
O sangue de Cristo nos redimiu de todo pecado, e quando entendemos isso, nosso corpo não está mais sujeito a esta ordem espiritual de ser escravo novamente do pecado. Morremos! Não somos mais servo dele e nosso prazer está em ser escravos da vontade divina, por isso que não servimos mais ao pecado, mas a Deus. Vejamos o que Paulo nos fala:
Rm.6:1,2 – “QUE diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?
(Vs.6) - Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.
(Vs.10-14) - Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”.
O segundo ponto necessário a ser compreendido por nós cristão é que a luta contra a carne vai permanecer, mas o fator da revelação que deve ser recebido é que ao aceitar o sacrifício de Cristo, recebemos também a revelação de que nosso corpo ou nossa velha vida morreu para o pecado, e ele não reina mais em mim.
Muitos apenas aceitam o sacrifício porque é benéfico, permaneço pecando e ainda sou aceito por Cristo, a graça me faz estar perto, sou salvo e ainda participo da mesa do Senhor. Este é um discurso evidente em nossos dias, o homem olha para o privilégio da cruz e rejeita a caminhada da santificação. Mas não percebem que ao aceitar a obra da cruz, não se pode negar a origem por completo, o primeiro passo é a graça, sem dúvida, mas o segundo é a morte por completo com as obras da carne.
Deus é muito claro quando expõe sobre o pecado (Is.59:2 – “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça”), ou quando Paulo, o apóstolo nos diz que devemos lutar até o sangue contra seu levante
(Hb.12:4 – “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado”). Este é o caminho que cada um de nós precisa travar, a luta é constante, cristo nos resgatou de todo pecado, mas a revelação deseja nos fazer participantes da santificação (Hb.12:10) e o pecado não pode reinar nas nossas vidas.
1Jo.3:9 – “ Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus”.
Próximos ou distantes?
Algo que ainda permanece com grande força nesta caminhada com Deus é nosso instinto de avaliação, cremos conhecer a Deus e a sua justiça e por mais, saber convictamente quando somos aceitos através de nossas condutas. Se eu “oro, jejuo, leio a Bíblia, vou freqüentemente a Igreja, tenho conversas santas, procuro alinhar meus pensamentos em Deus”, é instantâneo assumir um pensamento de estar próximo Dele. Digo pela boca que estou no colo do Senhor através do sangue, mas meu interior não assume estar ligado ao trono por causa das minhas ações.
Isto se torna conseqüência nas outras semanas que enfrento quando minha vida espiritual está inconstante. Não assumo que penso estar próximo de Deus através das minhas ações, e quando deixo de praticá-las (orar, ler a bíblia, jejuar, fazer meus devocionais) é instantâneo receber um martírio da minha própria consciência que me põe fora do arraial, ou fora da presença de Deus. Então deixo de vir a Igreja, de cumprir minhas responsabilidades, tocar, pregar, desenvolver algum papel ministerial no corpo de Cristo, de falar de Jesus para alguém, porque minha própria mente me excluiu. Por isso existem semanas que estou santo e próximo de Deus e outras que estou totalmente carnal, tentando fazer obras santas para me aproximar Dele novamente.
Há quanto tempo estou nesta corrida? A quantos longos anos estou vivendo escravo das minhas próprias ações? Esta inconstância espiritual é fruto da nossa ignorância em receber a verdadeira remissão dos nossos pecados.
Quando aceito a graça entendendo o plano da redenção, nada mais pode me afastar de Deus, sou filho, escravo do amor eterno do Pai. Não adianta fazer obras para me aproximar, não é por elas, é por Ele e por aquilo que foi feito. Minhas obras são apenas conseqüência do seu infinito amor, não jejuo para me aproximar, mas jejuo para conhecê-lo cada vez mais e crescer em maturidade. Da mesma forma não leio a palavra para estar mais perto de Deus, pois nunca saio do seu colo como filho, eu a leio por saber que nela estão os atributos do Pai, e quanto mais eu medito, mais o conheço e sei quantos são infinitos os seus atributos.
Jo.17:3 – “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
A proximidade com Deus não depende das nossas ações, porque se dependesse delas, poderíamos anular o sangue e nomearmos independentes de Jesus. Mas sabemos que não somos capazes e sempre iremos vacilar, estando totalmente dependentes da obra da cruz, e é só ela que nos aproxima do Pai.
Somos praticantes das ações crendo que delas não há proximidade com o Pai ( porque essa aproximação só ocorre através do sangue), mas por elas crescemos em maturidade espiritual, conhecemos os atributos divinos, vemos a manifestação do reino de Deus, os milagres ocorrem no meio da congregação, vidas são saradas, homens com corações duros são libertos, pessoas incrédulas são restauradas pelo evangelismo. Tudo isso é feito através das ações, é a fé explodindo mediante os homens que amam ao Pai, estão próximos pelo sangue e desejam a cada dia usar sua força para promover a glória do Reino de Deus.
Tg.2:17 – “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”.
Então lembre-se sempre, você nunca está distante independente do que faça, o sangue de Cristo é eterno e infinito e quando você o aceita, passa a viver totalmente para Ele. Em seu corpo e em suas ações reinam apenas a vontade Soberana de Deus, é a santidade até o encontramos.
Não se martirize com suas próprias idéias e não viva escravo de ações santas para estar perto de Deus, porque você só estará perto através do sangue, mas continue fazendo-as para apenas conhecê-lo e promover na terra a glória do Senhor.
Is.55:9 – “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”.
Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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