Sentimento
Você consegue compreender um sentimento tão forte que se cria dentro do nosso coração, que ele vai apertando com o tempo, criando saudades inexplicáveis, vontades acima do nosso controle, e por fim, atitudes que nos levam a sair da linha do equilíbrio? Creio que todos nós conseguimos identificar um sentimento de amor, de paixão, que toma nossas vidas em propósito de outra pessoa.
Um dos maiores problemas que enfrentamos em nossos dias, é ter uma geração que descobriu o amor e ao mesmo tempo o desvalorizou.
Pense comigo: as pessoas amam tudo ao mesmo tempo e após algum tempo não amam mais nada, e isso ocorre novamente. Faça uma pergunta a si mesmo: Quantas pessoas você já amou e hoje não tem mais contato? Quantos lugares você freqüentou, em que o momento seria eterno, mas por algum desentendimento você se fechou, rompeu os laços e não mais manteve contato com aquelas pessoas? Quantos vizinhos você já teve, quantos amigos, quantas namoradas (o), quantos irmãos de igreja e por fim, quanto amor apareceu e do nada também desapareceu?
Nascemos numa geração que foi educada na exploração dos sentimentos, desde infância, sempre houve uma liberação para que nossos sentimentos fossem lançados em nossas ações, ou em nossas decisões. O grande problema nesta questão, é que os sentimentos passaram a ser temporários, pelo fato de não haver controle sobre eles. Por isso vemos o mal que tem afetado nossa geração; amigos temporários, relacionamentos já com um tempo estabelecido para um rompimento e o mais agravante (creio), irmãos que em tempos vivem em comunhão uns com os outros, mas que hoje não se suportam mais, havendo rompimento em Igrejas e a abertura de novas denominações, que são geradas através de ferimentos graves.
Quem está te controlando?
Pense de forma justa ao avaliar sua trajetória em todas as situações que ocorre em sua vida. Decisões, lugares, pessoas, acordos, relacionamentos e Igreja. Seja honesto: O que lhe motiva estar nesses ambientes ou com essas pessoas? O que lhe dá forças para depois de um dia cansativo de trabalho, se arrumar, trocar um tempo de descanso para estar com um grupo ou um determinado local?
Obviamente para estar neste ambiente você irá concordar comigo que um sentimento prazeroso lhe motiva, mas o foco desta matéria não está no andar do encontro, e sim o que lhe motiva a caminhar até ele. Então é fato, (concorde) pode ser um sentimento de saudade, de interesse, de sedução, de atração, de carência, de alegria, de companhia, de expectativa e outra série de questões que lhe motiva em ir a esse ambiente; da mesma forma, ele pode ser oposto, sendo negativo, controlando suas ações para não ir.
Vejamos um exemplo para podermos entender melhor: Você tem um encontro com um grupo de amigos, mas naquele exato momento, lhe surge algo mais atrativo, outro ambiente (pode ser outra pessoa ou uma atividade que lhe seja mais agradável) e conseqüentemente você muda de decisão optando para aquilo que mais lhe agrada. Parece algo tão insignificante colocando coisas simples do nosso cotidiano, mas o problema que essa simples direção guiada pelo sentimento, vai explorando nosso senso de decisões e não percebemos, quantas decisões mais sérias precisam ser tomadas, então nos vemos sendo guiados pelo sentimento para decidir sobre assuntos mais difíceis.
É só você refletir e notar que na maioria das vezes, seu sentimento comanda suas decisões de estar andando com alguém ou estar freqüentando algum lugar. Todos nós estamos neste ambiente, fomos ensinados a agir dessa forma.
Se você deseja entender melhor vejamos um ponto mais explicativo para abrir nossa reflexão: porque as pessoas mudam de Igreja? Por estarem insatisfeitas naquele ambiente. Porque procuram outras Igrejas? Por se sentirem satisfeitas em outro ambiente. Porque você troca de amigo, de namorado, de casa, de marido, de cidade e de trabalho? Porque você está insatisfeito, ou melhor, dizendo, – “ Estou infeliz, quero encontrar minha felicidade”. Percebe? Todos nós estamos tendo direções baseadas em nossos sentimentos, aquilo que me agrada então gasto tempo, anos e projeto, coloco todas as minhas forças, mas se não me agrada, corto definitivamente, mudo minha visão, olho para outros meios que podem me gerar novamente um sentimento agradável e assim prossigo minha vida. Muitos amigos, muitos empregos, muitos relacionamentos e muitas histórias, mas com isso podemos notar, que dificilmente geramos algo raro e duradouro, porque esse tipo de sentimento, deixa um rastro de dor, de lágrimas e passados que não queremos lembrar. Momentos de alegria se tornam tristes, momentos de ternura em cortes ocasionados por opções diferentes e no final vemos apenas pessoas machucadas.
Jefté – fidelidade acima do sentimento
Creio que todos conhecem a história de um homem chamado “Jefté”, um Juiz levantado por Deus para livrar Israel das mãos dos inimigos. Mas algo surpreendente que ocorreu na vida desse homem ou podemos dizer, desse pai de família, é seu posicionamento diante de Deus e diante do desejo de livrar seu povo.
Juízes 11:29-31, “Então o Espírito do SENHOR veio sobre Jefté, e atravessou ele por Gileade e Manassés, passando por Mizpá de Gileade, e de Mizpá de Gileade passou até aos filhos de Amom. E Jefté fez um voto ao SENHOR, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto”.
Através do voto feito ao Senhor, Jefté alcançou uma grande vitória, livrando o povo de Israel e cumprindo a vontade do Senhor (Jz.11:32,33), mas ainda havia o cumprimento ocasionado de sua parte, e algo tão inesperado ocorre. Talvez possamos pensar que Jefté estivesse louco ou algo parecido, mas creio que nunca passou por sua cabeça que o sacrifício seria alguém que lhe custaria muita tristeza.
Juízes 11:34-35, “Vindo, pois, Jefté a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a única filha; não tinha ele outro filho nem filha. E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e estás entre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca ao SENHOR, e não tornarei atrás”.
Nunca que um pai (Jefté) entregaria seu próprio filho como sacrifício sem total compreensão do fato, ele não sabia que ao chegar em casa depois da guerra, sua filha o receberia com adufes e danças. Esse homem está diante de uma situação muito complicada, em primeiro ele se depara com o próprio voto (a palavra), mencionada diante do Senhor, o trato, o cumprimento, sua parte no acordo. Mas também se depara com seus próprios sentimentos, a tristeza, o arrependimento, a família e o sentimento paterno. Esse juiz está diante de uma decisão.
Todos sabemos que Jefté não voltou atrás, mesmo diante do choro da filha ou talvez da tristeza em redor e dos seus próprios sentimentos. A palavra lançada no meio da guerra como voto ao Senhor falou mais forte, Jefté cumpriu com sua parte.
Neste episódio chamo nossa atenção na seguinte questão: quantas vezes estamos diante de situações, em que nossa decisão está diante de nossas presentes emoções, e também diante da palavra (como voto de alguma coisa ou promessa), e nisso colocamos uma balança para ver qual é mais forte para que tomemos uma decisão correta.
Falando desta forma, ainda conseguimos enxergar uma justa comparação nas duas questões (sentimento e nossa palavra como direção), mas o problema atual, é que a palavra (uso esse termo como ação que dizemos uns aos outros) está se tornando tão fraca, que ninguém mais acredita uns nos outros.
Podemos até meditar um pouco mais e puxar do nosso histórico: quantas vezes falamos algo para alguém, como cumprimento ou promessa, mas no decorrer do dia, nossos sentimentos mudaram repentinamente, e nossa palavra (promessa) foi lançada no esquecimento. Brincamos com o sentimento e colocamos a palavra como letras ao acaso, deixamos o sentimento comandar nossas decisões, não importando se ela irá machucar as pessoas (na maioria das vezes, machucamos e somos machucados).
Deveria ser o contrário, a palavra como guia em nossas vidas e o sentimento como aroma para alegrar nossas decisões. Seria como visualizar uma refeição e o tempero que nela acompanha; a refeição estaria associado a força, ou a palavra, pois é ela que supre nossas necessidades, mas sem o tempero, ela se torna sem sabor. Da mesma forma, a decisão necessita do sentimento, mas ele não pode ser o essencial. Pois se você comer apenas o tempero não irá matar sua fome.
(Obs; Usei o exemplo de Jefté para dar um exemplo sobre palavra e sentimento, devemos aprender que Jefté era homem para cumprir sua palavra, mas também devemos saber, que a atitude deste homem, sobre o seu voto, não foi aceito por Deus - o contexto de Juízes, era um tempo, onde não havia sacerdotes ensinando a lei, então, cada pessoa fazia aquilo que acreditava ser o certo. Obviamente, Jefté estava longe de compreender a lei de Deus, por isso fez um voto tolo, e teve de sacrificar sua filha. Deus nunca pediu isso, Ele era um Deus de vida e não de morte. O ponto de atenção no texto, é a palavra de Jefté e não sua ação, pois ela não era correta. Que possamos fazer votos ao Senhor com sabedoria).
Deus: sentimento X palavra
Quando você imagina Deus sobre esses dois aspectos, qual lhe dá mais força para acreditar. Um Deus que em tempos lhe ama, vê graça em sua vida, mas em breve por um descuido, Ele deixa de lhe amar e passa a ter outros caprichos em sua visão! Creio que ninguém gostaria de visualizar um Deus desta forma, é bem melhor crer que Deus é como a palavra (Joao 1), o Verbo que se mantém em total decisão correta, nos ama e sempre nos amará.
Da mesma forma que é bem mais compreensível (não por dedução) crer que Deus é a Palavra, pelo fato de entendermos que n’Ele está todas as coisas, inclusive a certeza de nos amar por toda eternidade.
João 15:3 – “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”.
Frase: “Crer na palavra é também crer na certeza de que Deus não muda”.
Malaquias 3:6 – “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”.
Dessa forma gostaria que juntos compreendêssemos que em Deus está a palavra que se dirige até nós. Seu amor imensurável, sem sombra ou variação de qualquer mudança (IJo.4:19 – “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro”). Seria como um casamento, antes do acontecimento, sabemos dos votos matrimoniais, todos já participamos de algum e ouvimos os noivos jurarem amor eterno, não trair, e cuidar um do outro.
Alguém pode ouvir esses votos e vê-los como temporais, ou baseados no cumprimento conforme as circunstâncias em que a vida ocasionará, mas sabemos que na origem do voto, ele não é temporal, mas eterno segundo a duração do casal (até que a morte os separe). Parece que o símbolo do casamento terreno mostra de forma profética o amor que o Pai tem por cada um de nós.
Ele fez o voto matrimonial com cada um, sabendo das nossas falhas, mas nunca o sentimento de paixão, raiva ou outro comanda suas ações. Primeiramente existe o voto da palavra, que é nos amar, e como dissemos, o sentimento é uma conseqüência, que apenas saboreia nossa relação.
“Deus não se deleita em você por causa de seus feitos ou oferendas. Ele se deleita em você simplesmente porque você é d’Ele”
(livro - Deus me ama, Wayne Jacobsen, pag.73)
Sentimentos que te levam ao fracasso
Quantas vezes você prometeu algo, disse alguma coisa e pela motivação até convenceu e deu esperanças para as pessoas a sua volta, mas na hora do cumprimento, você fugiu, cancelou, terminou ou fingiu que nunca havia prometido. Saiba, o nome dessa pessoa se chama “sentimento” que em um determinado momento se encheu de empolgação, criou sonhos sem fundamento, gritou algo e ainda quis arranjar algum adepto. Todos sabemos do final, mais corações machucados.
Não fique triste com isso se ocorreu com você, saiba, que não é o primeiro e nem será o último; na Bíblia temos inúmeros casos de pessoas dirigidas por sentimentos, e que na hora do cumprimento, vemos o fracasso, a derrota e a fuga. Vejamos um episódio que podemos nomeá-lo como o clássico dos sentimentos.
Mateus 26:33-35, “Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo”.
Quanto sentimento nessa conversa, e não digo ruim, eram sentimentos de proteção, de desejo de fidelidade, alguns até de interesse em mostrar ao Mestre uma boa motivação em estar ao seu lado em um momento de dor. Todos sabemos a realidade dessa história, traíram Jesus, fugiram, não cumpriram o prometido e novamente, o sentimento falou mais alto e a palavra de homens falhos ficou no esquecimento. Sabe porque? Ainda não entendemos o amor de Deus.
João 3:16 – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Consegue entender esse amor, sem condição, sem expectativa para que você devolva a Ele aquilo que Ele fez por você na cruz? Precisamos entender esse amor, concorda comigo?
“Seu plano não era satisfazer uma necessidade Sua a custa da vida de Seu Filho, e sim satisfazer uma necessidade nossa a Sua própria custa”
(livro - Deus me ama, Wayne Jacobsen, pag.101)
Ele nos quer acima de nossa própria vontade
Consegue imaginar um homem que se interessa por uma mulher, ele a nota, se admira e então por um sentimento começa de variadas formas tentar conquistar seu coração. Um homem apaixonado recebe um não e entende que é sim, recebe um desprezo e alimenta um sentimento de desafio, corre contra o tempo, força a esperança, age com audácia, porque deseja conhecer e conquistar essa mulher.
Existe uma mensagem espetacular que me chama a atenção, creio que pode nos mostrar como Deus nos ama.
Apocalipse 13:8 – “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.
I Pedro 1:19-20, “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós”
Antes de tudo existir, Ele já havia se entregado por nós, Cristo já havia dado seu passo de amor para nos conquistar. Consegue compreender a dimensão desse amor e a voluntariedade desse desejo em nos ter ao seu lado? Pois é, esse amor nos constrange.
RONALDO, Pastor - ronjvicente@gmail.com







É Zé, como sempre usundo o don que o Senhor lê deu muito bém...
ResponderExcluirFoi bom ler isso...
Parabens!