A Visão dos Dois Exércitos
Vi um enorme terreno plano, e nele havia um numeroso exército que marchava em círculos. Eles eram fortes. Todos estavam armados, mas notei que suas faces estavam bem cansadas. Estavam esgotados e não tinham desejo de permanecer naquele local. Parecia estarem por um bom tempo fazendo à mesma coisa, mas não o faziam de todo coração e sim por obrigação.
O exército não marchava numa direção diferente, eles permaneciam andando em círculos, como um redemoinho. Notei que não saiam do mesmo lugar e isso os fazia cansar, pois estavam gastando energia e tempo para nada. Quando marchavam, dos pés subia muita terra, essa terra ia com o tempo se incorporando em seus uniformes, deixando-os pesados para marcharem. Parecia que a terra tinha vida, e ela tomava o corpo dos soldados com ira, para deixá-los cansados e desanimados.
Após isso notei que a terra subia até os ouvidos dos soldados, tapando-os para que não ouvissem nada, e em seguida indo até seus olhos, para os cegarem, para que não notassem o quanto rodavam com o batalhão. Todos os soldados do exército iam se tornando surdos e cegos, na medida em que marchavam e deixavam o pó da terra os dominar.
O pó da terra que subia tinha desejo de se apossar do rosto dos soldados. Vi que a terra se ajuntava nas suas faces, escondendo cada uma delas e transformando-as da forma que desejava. Cada soldado perdia sua aparência com o pó da terra, que tomava seu rosto e os fazia ter fisionomias horríveis e mudáveis em todo o tempo. O exército não conseguia ouvir e nem ver. Tinham suas faces mudadas pela terra que subia, por estarem andando em círculos sem propósito algum. A única coisa que eles faziam, era proporcionar cada vez mais pó de terra para o alto. O ar e o ambiente se tornavam pesado, porque cada vez mais que eles andavam em círculos, lançavam mais pó de terra para o ar, chegando a tapar o sol sobre suas cabeças.
No meio deles não existia mais a luz do sol, eles estavam em trevas, porque a poeira subia de tal forma, que tapava o sol sobre o exército. Os soldados permaneciam em trevas e caminhavam em círculos sem a luz do sol.
Por um tempo me vi no meio deles. As trevas aumentavam e cada fisionomia era mudada. Depois fui tirado desse meio e levado para outro ambiente, onde vi no alto de uma montanha, um Leão que estava assentado, observando o exército que andava em círculos.
A cada tempo conforme a contagem da visão, o Leão soltava um rugido para a direção do exército. Percebi que o Leão e o Sol estavam de acordo. Quando o Leão rugia o Sol se enfurecia em cima do exército, e a força do rugir do Leão aumentava de volume, chegando a tremer todo local.
Quando isso acontecia, o volume da terra e do pó que envolvia os soldados caia por terra, fazendo-os ficar limpos novamente. Tudo voltava ao primeiro estágio da visão, os soldados estavam livres daquela terra que os cegava. Mas isso permanecia por apenas um tempo, pois os soldados começavam a caminhar, por estarem livres e se sentirem leves. O exército voltava a marchar em círculos e tudo passava a ocorrer novamente, conforme a visão já mencionada. A terra não cansava de cegá-los, e os soldados continuavam sempre naquele mesmo jeito por muito tempo.
O Segundo Exército
Depois vi o Leão e o Sol se fixarem um ao outro, e num breve instante se virarem para trás. Quando olhei, encontrei outro exército que estava parado, todos posicionados, um atrás do outro. Eles se mantinham calados, atentos e não havia neles movimento algum. Estavam armados, como os outros soldados, completos, mas aguardavam algo.
Sobre o segundo exército o Leão e o Sol se olhavam novamente e entravam em acordo. O Leão rugia e o Sol aumentava seu tamanho, clareando fortemente os soldados a ponto de ver tudo e todos. O rugir do Leão lançava sobre o exército um forte vento, que levava dos seus pés toda poeira, os soldados eram limpos de toda terra que poderia estar por perto.
Na medida em que a poeira saia, o Sol vinha com uma forte intensidade de luz e calor sobre o chão, em que os soldados estavam posicionados, fazendo-o ficar duro, para quando os soldados andarem não levantar poeira. O vento que vinha do rugir do Leão, também trazia uma força gigantesca de água. Essa água limpava diariamente a armadura dos soldados, deixando-os sempre brilhando, não permitindo nenhum pó ou sujeira nas armaduras. Na medida em que a água passava, limpando os soldados, o Sol vinha com muita intensidade e secava-os, deixando-os tão brilhantes, que a luz do Sol era refletida através das armaduras, numa intensidade incalculável.
Quando isso acontecia, o aumentar da luz era de tal forma que o Brilho se estendia por toda terra. A luz era tão forte que não dava mais para distinguir com quem estava a luz, com o Sol ou com os soldados. As duas figuras passavam a ser apenas uma. A luz que vinha do Sol deixava de ser apenas Dele, e passava naquele momento a ser bem maior na armadura dos soldados, sendo refletida inúmeras vezes com mais intensidade para a terra.
Neste tempo vi que as águas que vinham do rugir do Leão, se centralizavam com muita força num lugar, na face dos soldados. A água vinha com muita força e batia com violência, era tão forte que a face dos soldados era desfigurada. Vi a violência das águas batendo em seus rostos e arrancando toda carne humana. A água tinha vida, e quando ela batia, penetrava por si própria, arrancando toda pele e carne humana de cada soldado. Os soldados sentiam muita dor, alguns gritavam e outros suportavam calados. Mas nenhum deles saia da posição, continuavam esperando com muito desejo o próximo passo. O Leão não parava de rugir, enquanto ainda via uma face. Ele rugia com força, até ver que todas as faces estavam sendo desfiguradas através da água.
Depois conforme o tempo da visão, a água arrancou de todos os soldados a face. O Leão rugiu novamente e dessa vez a altura tremeu toda a terra, e das águas saiu o formato da face do Leão. Essa face foi levada através das águas para cada soldado. Quando olhei, a face do Leão que rugia sobre a montanha se formava nos soldados.
Quando a água formava no rosto dos soldados a figura da face do Leão, o Sol vinha novamente com muita intensidade e queimava o rosto de cada soldado. Cada soldado passava a ter seu rosto queimado pelo Sol, que fazia isso com muita violência. Cada soldado passava a ter o rosto idêntico ao do Leão que rugia sobre a montanha, a visão teve fim aí.
Ronaldo José Vicente (ronjvivente@gmail.com)


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