A Revelação do Reino

A REVELAÇÃO DE BUSCAR UMA NOIVA

(Abraão envia um servo para buscar uma noiva; Deus envia profetas para despertar sua Noiva)


Abraão e o Servo


Gn.24:1-10,E era Abraão já velho e adiantado em idade, e o SENHOR havia abençoado a Abraão em tudo. E disse Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo SENHOR Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito. Mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque. E disse-lhe o servo: Se porventura não quiser seguir-me a mulher a esta terra, farei, pois, tornar o teu filho à terra donde saíste? E Abraão lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho. O SENHOR Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho. Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento; somente não faças lá tornar a meu filho. Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio. E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que todos os bens de seu senhor estavam em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia, para a cidade de Naor”.

     Estamos no quinto capítulo do livro, baseando nossos princípios no livro de Gênesis, e aqui vemos uma surpreendente história. Abraão pede ao seu único servo para buscar uma esposa para seu filho Isaque, e o faz jurar diante deste pedido. O servo atende ao pedido do seu senhor, e segue rumo a uma terra estranha, com todos os bens de Abraão. Há neste episódio quatro figuras importantíssimas. Abraão, o servo, Isaque e Rebeca. Iremos estudar estes quatro personagens e entender a revelação que Deus quer nos trazer. A princípio começaremos por Abraão e o servo.

Abraão




     Foi separado por Deus, seu nome significa “Pai das Nações”, vamos refletir. Deus escolheu um representante na terra, alguém para iniciar um plano de redenção. Em Abraão esta o início da Igreja, da família guiada pelo Senhor. Antes dele, havia apenas homens crescendo sozinhos e de forma individual, como Enoque, Sete, Noé, Abel, e outros. A partir de Abraão, começa uma peregrinação coletiva, seu próprio nome sugere a cobertura de outros que viriam.

     Abraão não só recebe uma direção para ser próspero, ou ser compensado pela exclusividade da escolha do Senhor. Ele é escolhido para receber de Deus um plano que atingiria toda a raça humana. O andar de Abraão, sua peregrinação, suas lutas, seus problemas com Ló, seu teste com Isaque e sua decisão de mandar Ismael embora. Tudo isto preparava Abraão para ser figura de algo que deveria ser visível na terra.

Observe Gl.3:7,8 – “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”.

Jo.8:56 –“Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se”

     Abraão viu demais para o interpretarmos como um simples cristão, ou um simples pai de família. Deus escolheu Abraão para por nele sua própria figura, e a partir disto começar a expandir seu reino que abrangeria todas as raças.

     Não estou dizendo que Abraão era Deus, mas estou crescendo numa revelação de que em Abraão podemos ver um pouco da grandiosidade de Deus, como Pai. Abraão recebeu de Deus a autoridade de ser figura na terra, passado através da sua vida uma imagem de quem era Deus, até então obscuro diante da raça humana. Pensem comigo. Quando Felipe perguntou para Jesus que mostrasse o Pai, Ele disse:

Jo.14:8 – “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

     O Pai revelou sua Glória através de Jesus, e isto aconteceu de forma visível e não apenas por atos passados. A imagem de Deus como Pai, foi passada pela imagem terrena de Jesus para os discípulos. Jesus veio quebrar na mente do povo um Deus intocável e distante.

     Jesus veio ensinar não apenas através de palavras, mas com ações cotidianas mostrando o caráter de Deus. Vemos isto no novo testamento, mas e no velho? Confesso crer que em Abraão havia a figura de Deus, sendo passada através de sua imagem terrena nas ações aqui na terra.
Abraão é o início, o Senhor se revelou a este homem de uma forma diferenciada de outros personagens. Todos vêm dele, por que nele está a escolha do Senhor para atingir outros.

     Abraão era um homem carnal e sujeito a falhas. Há situações que vemos este homem cometendo erros visíveis e suas conseqüências são vistas por todos até os dias atuais. Mas precisamos separar que de Abraão não veio à redenção do mundo, por que ela só poderia vir de Jesus. O que estamos trabalhando é que em Abraão, veio à inicialização de um plano, e Deus ao se revelar a este homem, derramou nele parte da sua característica.

     Deus chama Abraão para andar com Ele, e neste caminhar, sua velha criatura é deixada (personalidade, característica, velhas maneiras, pensamentos), para aprender ou receber de Deus, sua santa personalidade que havia se perdido no Éden.

At.4:13 –“Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”.

    Os discípulos em Atos foram chamados de Cristãos (Atos 11:26), não por que tinham Bíblias nas mãos e andavam de terno e gravata. Ou por andarem com um CD gospel passando a imagem de apaixonados por Jesus. Não! Eles foram chamados por lembrarem aqueles que os observavam, de como era Jesus. Era visível entre o povo olhar os discípulos e lembrar-se de Jesus. Esta era a maior arma dos Apóstolos em Atos.

    Hoje muitos pedem sinais, maravilhas e poder, baseando suas crenças no livro de Atos para que a Igreja cresça. Pensam ser a maior arma dos Cristãos naquela época. Mas esta não era a arma principal, e sim o passar da imagem através de suas próprias características de como era Jesus.

    Os discípulos andaram com o Mestre e adquiriram sua personalidade, a mente, o olhar, o falar e o agir. Sua conseqüência foi o poder para operar sinais e maravilhas.
Quem anda com o Mestre passa a ser como Ele, o próprio Jesus disse em Mateus (10:25),“Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?” É fato que Jesus chamou os doze para que em três anos, andassem e adquirissem sua personalidade.

    Abraão foi chamado por Deus para andar com Ele, e nessa caminhada que durou uma vida, o Senhor passou para este homem um pouco de quem Ele era. Através de Abraão, podemos ver quem é Deus. Por que este homem andou com o Autor da vida.

    Para finalizarmos este primeiro ponto, precisamos ter em mente que Abraão era um homem sujeito a falhas, e não veio dele a redenção das nações. Mas nele está o princípio do plano que envolveu a todos. Então podemos olhar a figura de Abraão como imagem de Deus, para entendermos a revelação da palavra baseado no livro de Gênesis.

O Servo




    Vamos abrir esta parte para meditarmos nas ações do servo de Abraão. Naquele tempo, todo senhor que tinha um determinado nível de riqueza, contratava um servo para que o ajudasse. Este servo seria o braço direito, atingiria confiança com o tempo, e ao passar dos anos, mantendo-se em fidelidade, até poderia ser inserido em outros contextos de mais confiança.

    Da mesma forma que Abraão andava com Deus, o servo também começou a andar com Abraão. Mas nos dois havia uma diferença. Abraão foi convidado há andar com Deus, e neste convite, passa a conhecê-lo. Só que havia em Abraão uma disponibilidade, uma curiosidade, uma expectativa e por fim, uma admiração. Abraão amava ao Senhor, e este sentimento foi se criando com o decorrer dos anos.

    Tratando-se do servo, não havia esta disponibilidade. O que havia era apenas uma obrigação em se manter sempre vigilante com os desejos do seu Senhor.
Jesus nos fala algo sobre a obrigação do servo (João 15:15 – “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer”), nesta passagem Jesus nos dá a entender que um servo não sabe por completo o desejo do seu senhor. Por quê? Porque o servo trabalha por obrigação, pelo dinheiro, e por qualquer outro tipo de interesse.

    Esta seria a conduta lógica do servo de Abraão. Trabalhar mas não se comprometer a compreender os desejos ou segredos do seu senhor. Então levanto uma questão: Seria este mesmo o comportamento do servo de Abraão? Ou, podemos crer que da mesma forma que Abraão andou com Deus e aprendeu a ser amigo, preocupando-se com os interesses do Pai, este servo andou com Abraão e esteve aberto para não ser apenas como outro qualquer, e sim ganhar a confiança do seu senhor para exercer algo além de uma obrigação.

    No mesmo versículo de João, Jesus diz que não mais chamaria os discípulos de servos, por que eles já haviam passado este estágio. O estágio da ignorância, do interesse, da obrigação (Lc.17:10). Este tempo era passado em suas vidas, porque eles andaram com Jesus, e nessa caminhada, o próprio Senhor pôde abrir o seu coração confiando a eles o segredo do Pai.

    É a mesma situação com Abraão. O servo não era do seu sangue, ele foi inserido ao seu contexto e passou a peregrinar ao seu lado. Pense comigo: Quando Jesus passava por lutas, os discípulos também passavam, porque andavam com Ele, estavam inseridos no mesmo contexto que Jesus. Um forte exemplo seria o episódio do Getsêmane (Mt.26/Mc.14/Lc.22/Jo.18), onde todos os mais próximos foram afetados por aquilo que o Mestre estava passando e iria enfrentar.

    Aquilo que ocorre com o senhor, atinge também aquele que o serve. Abraão passou por inúmeras situações, e conseqüentemente o servo teve de conviver com isto, ajudando da forma que fosse possível. Chamo nossa atenção sobre algumas frases, que Abraão fala para o servo.

    Vejamos: Gn.24:2,3 – “E disse Abraão ao seu servo, o mais antigo da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe a tua mão debaixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomarás para meu filho mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito”.

    Este servo havia passado pela fase da obrigação. O que quero dizer? Quero ressaltar que o convívio com Abraão o fez estar mais próximo, ao ponto do próprio revelar a ele os segredos que Deus o havia prometido. Olha que responsabilidade!

    Abraão confia ao servo os segredos que Deus havia prometido em sua caminhada. Este servo não era um estranho para Abraão, não era alguém visto por ele como mais um empregado. O servo era mais do que isso, podemos dizer que este servo era um amigo para Abraão, pelo fato dele abrir o seu coração, confiando-o uma promessa Divina que envolvia sua família.

    Da mesma forma Jesus disse aos discípulos, ao abrir o seu coração confiando os segredos do Pai, chamando-os de amigos. Sabemos que todo homem só abre o seu coração para o outro, quando vê no próximo confiança para fazê-lo, principalmente quando o assunto é intimo e traz responsabilidades.

    O servo se tornou um amigo que Abraão viu motivos para confiar, e mais, depositar todas as forças. Observe que no texto o servo era o mais antigo da casa, e possuía governo sobre tudo o que Abraão possuía. Ele estava inserido por completo na vida do seu senhor, e tudo o que caminhava em torno de inúmeras atividades ou responsabilidades, o servo estava envolvido.

Vejamos outro versículo: Gn.24:10 – “Tomou, pois, o servo dez dos camelos do seu senhor, porquanto todos os bens do seu senhor estavam em sua mão; e, partindo, foi para a Mesopotâmia, à cidade de Naor”.

     Nenhum homem depositaria total confiança em outro, ao ponto de deixar em suas mãos tudo o que possui se não houver realmente um forte laço de amizade. O texto mostra que Abraão deu a este homem tudo o que possuía. Pensem comigo: Um grande empresário tem um empregado de confiança, e prevê em mente fortes investimentos sobre determinados negócios. Este empresário já vem ao longo da vida, investindo e aguardando o tempo correto para iniciar o negócio. Mas ele próprio não pode fechar o plano, e por isso manda alguém de extrema confiança, e que tenha capacidade para realizar, senão, tudo poderia dar errado. É o negócio da vida e do futuro de todos da empresa.

    Abraão seria este empresário, ele estava entregando nas mãos deste servo a realização de um negócio importantíssimo, e ainda investindo para que tudo desse certo. A escolha de Rebeca era algo precioso, ela seria a companheira do prosseguir de uma nova linhagem, não poderia haver erros nesta caminhada. Por isso Jesus menciona a parábola do servo e uma revelação no livro de João.

Lc.12:43,44 – “Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá ”.

Jo.16:15 – “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar ”.

     Ele recebeu do Pai algo valioso, era o sonho de Deus para toda a humanidade. Um presente que foi se desembrulhando com muito cuidado e amor. Deveria haver pessoas certas para recebê-lo, Jesus encontrou essas pessoas, andou com elas, ensinou, mostrou, teve paciência, e o resultado foi a Igreja de Atos que explodiu, promulgando ao mundo o sonho de Deus.

Observe o texto de Atos 10:41, “Não a todo o povo, mas às testemunhas predeterminadas por Deus, a nós, que comemos e bebemos juntamente com Ele, depois que ressurgiu dentre os mortos ”.

     Jesus depositou nos discípulos total confiança, expondo em particularidade o sonho de Deus (Mt.13:11). Os segredos do Pai, foram investidos em pessoas que caminharam, comeram e beberam com o Mestre, homens que estavam convivendo com Jesus. O peregrinar do dia a dia gerou confiança, amizade, relacionamento e comunhão. A conseqüência destas ações foram os segredos depositados, havendo o compartilhar de fortes responsabilidades que prosseguiram para a realização de um plano.

O servo andou com Abraão, recebeu essas responsabilidades e também total confiança para executar o trabalho. Então fechamos esta parte definindo o servo como amigo de Abraão, por aceitar o pacto que fez e por posteriormente concluí-lo com muito zelo.

A Voz de um servo


Mt.25:6 -“Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí-lhe ao encontro.”

    Como vimos em todo este tópico, o servo simplesmente desaparece em sua origem, transmitindo através de suas ações apenas uma mensagem; A vontade soberana do seu Senhor. Neste texto de Mateus vemos a última chamada, o soar da trombeta esperada por séculos. Mas algo surpreendente que nos passa despercebido é o precursor da mensagem.

    Observe pelo texto que o Noivo vem, e existem noivas prontas e noivas despreparadas. Mas antes do Noivo, existe uma voz que grita para despertá-la, pois todas estão dormindo. De onde vem esta voz? Quem é esta voz? Qual sua origem? Qual a sua genealogia? Estas respostas não importam, não fazem diferença, pois o papel importante da voz é gritar para acordar as noivas, pois o Noivo vem para encontrá-las.

    Esta voz segue a mesma linha do servo, ela não vem para mostrar quem é, ou qual seu desejo, finalidade ou vontade própria. Ela vem sem nome, sem face, sem carga, peso, ministério, placa, doutrina, regras, normas, religião, criação, invenção, requisitos, conteúdos, filosofias, meios ou estratégias. Ela vem com apenas um objetivo, acordar a noiva, pois o Noivo vem para encontrá-la.

Isaque e Rebeca



     Vamos falar agora sobre o filho Isaque, aquele que representa o caminho inicial da promessa. Neste texto não vemos a atuação de Isaque sobre a escolha da Noiva, e nem alguma ação na ajuda com o servo. Isaque é ausente no texto, ele é apenas alguém que está aguardando.

     Poderíamos afirmar que Isaque era manso, sossegado demais, ao ponto de não se importar com as promessas de Deus para seu pai Abraão. Mas neste texto, Isaque realmente deveria estar ausente, porque sua posição já havia sido conquistada, ele não necessitava fazer um trabalho no qual já era apto a recebê-lo como herança.

    Vamos abrir melhor para entender: Isaque é o filho aguardado, nele está à origem de um novo povo, é por ele que terá início a uma nova linhagem planejada pelo Senhor. Mas Isaque teve de provar sua capacidade, teve de passar por algo que ninguém havia passado.

Gn.22:2 - “Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar ”.

     Não há muito segredo em lermos novamente esta história, por ser muito conhecida. O que precisamos entender é a palavra baseada naquilo que o Espírito deseja falar. Isaque é identificado como figura de Cristo por inúmeras revelações, mas existe um fato em especial que iremos tratar neste livro.

    Isaque venceu a si mesmo, reprimindo sua própria vontade para realizar o desejo de seu pai Abraão. O filho não contesta ao pai, mas segue suas orientações em silêncio de obediência, sabendo que seu fim seria a morte.

Gn.22:6-10 - “Tomou, pois, Abraão a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho; tomou também na mão o fogo e o cutelo, e foram caminhando juntos. Então disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois iam caminhando juntos. Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o altar e pôs a lenha em ordem; e amarrou a Isaque, seu filho, e o deitou sobre o altar em cima da lenha. E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho”.

    Isaque era um adolescente, e já tinha percepção suficiente para entender as situações recorrentes ao seu redor. No texto vemos o menino perguntando ao pai sobre o cordeiro, neste momento é obvio que havia um sentimento de curiosidade sobre o que haveria de acontecer. Isaque não era inocente, ele sabia muito bem que havia algo de estranho.

     Ao subir a montanha com o pai seria visível notar Abraão atemorizado pelo pedido do Senhor. Esta caminhada para Isaque deve ter sido horripilante, seus pensamentos, suas emoções, suas vontades, sua vida, tudo concentrava forças no medo, que surgia de uma percepção em saber a verdade, e que em breve poderia contestar a atitude do pai, esta seria uma reação lógica de um ser humano em perigo.

    Mas quando vemos no texto que Abraão fez o altar diante do menino, e depois o amarrou, e mesmo assim Isaque não proferiu uma palavra, então se torna profético.

Note Isaías 53:7 - “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é lavado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca”.

     Não havia como Isaque permanecer calado, principalmente sendo um adolescente. A reação natural seria gritar, espernear, chorar, suplicar, mas o menino ficou calado e com certeza, seu olhar era fixo ao do pai. Nesta ora temos de separar com clareza dois pontos. Primeiro, ele era um menino normal, que cresceu e se casou. Tornou-se pai de Jacó, também um homem sujeito a falhas.

    O segundo ponto seria abrir nosso entendimento para receber a compreensão que na figura do menino, estava à figura de Jesus. São suas ações, seus passos e sua luta em vencer a própria vontade.

    A vontade de Isaque naquele momento era de gritar, de fazer qualquer coisa, isso é inevitável, todo homem possui esta defesa. É um instinto que o leva a reagir de uma maneira que espante o causador da dor, aquele que vem sem misericórdia.
Isaque estava sendo amarrado, vendo o próprio pai fazer o altar, ele sabia que o pai não estava de brincadeira, ele o conhecia, na cabeça do menino a morte se aproximava.

Vamos observar alguns textos sobre Jesus e a sua vontade


João 6:38 - “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

4:34 - “Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra”.

5:30 - “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.

Lc.22:42 - “Dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”.

    É visível ver nestes textos a luta entre duas vontades. A vontade do homem e a vontade de Deus. Jesus era homem, e recebeu a herança de Adão em sua carne. Esta herança pode ser definida como vontade própria, ambição, egoísmo, reino do homem versus reino de Deus, partidarismo, individualismo, orgulho, soberba. É a carne reinando no ser humano, é o ego dominando todas as ações do homem.

    Jesus recebeu toda esta carga, mas não se dobrou diante deste poder que vinha ao longo dos séculos arrasando a vontade de Deus na terra. A vontade do homem sempre foi um terrível inimigo, que se opôs por muito tempo a vontade de Deus.

    No velho testamento podemos ver claramente o homem reinando com a sua vontade e através dela excluindo Deus, se afundando no pecado (1Rs.11:4/12:8/15:3/21:25).
Jesus lutou contra este mal, enquanto que em sua carne desejava comer, a vontade de Deus era praticar a obra. A vontade da sua carne era fugir da cruz, mas a vontade de Deus era enfrentá-la e aniquilá-la de uma vez por todas.

    Jesus caminhou para a cruz calado, em silêncio, sabendo que a morte O esperava. Era o Pai (Abraão como figura de Deus) fazendo o altar (a Cruz) para aniquilar o filho (Isaque como figura de Jesus).

Is.53:10 - “Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em suas mãos ”.

     A vontade de Deus foi aniquilar a vontade que havia na carne do filho. O inimigo dos planos do Altíssimo. Jesus dominou essa vontade, guardou-a dentro de si, como presa, e a levou para a cruz, para ser destruída de uma vez por todas. Na cruz estava à vontade de Deus, a própria cruz é a vontade do Todo-Poderoso, e com ela a posição de destruir para sempre a origem do pecado.

    Jesus foi até ela calado, sendo amarrado pelo próprio Pai, através dos homens, e se entregando, confiando que era a atitude correta de se fazer.

    Isaque é a figura de Jesus, ele venceu sua vontade, pois ela lutava dentro de si para não deixar seu pai Abraão amarrá-lo. A vontade de Isaque era gritar, era correr, até lutar contra o próprio pai, pois sua vida estava em jogo. Mas ele confiou como Jesus, e simplesmente aceitou a vontade do pai.

A Ausência de Isaque


     Vamos concluir esta parte meditando sobre a ausência de Isaque na escolha de Rebeca. Jesus ao passar pela cruz concretiza seu trabalho, cumprindo a vontade de Deus e se assentando aonde só Ele poderia estar, um lugar que impera apenas a vontade do Soberano Deus.

Efésios 1:22 - “e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu a Igreja”.

3:10 - “Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada, por meio da Igreja aos principados e potestades nas regiões celestes”.

    Jesus sujeitou tudo debaixo dos seus pés e depois Ele o deu a Igreja para que prosseguisse nesta mesma luta. A Igreja são os servos, que fazem a vontade de Deus, enquanto que o Filho aguarda.

Note outros versículos At.3:21 - “ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio”.

Hb.10:12,13 - “mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre a direita de Deus, daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo os seus pés”.

    Isaque esperava o servo voltar com a sua escolhida, ele não se levantou para ir junto, ele não opinou, não fez força, apenas aguardou como Jesus hoje também aguarda que todos os inimigos sejam submetidos aos seus pés, e sua Noiva pronta.

Rebeca


    Vamos terminar nosso último personagem, que faz parte deste maravilhoso texto. Seu nome é Rebeca, a mulher que pode ser comparada a figura de Eva, não por ser a mãe da raça humana, mas por ser a escolhida que iria gerar uma nova geração (Gn.4).

    Temos que tomar cuidado ao olhar Rebeca e distingui-la como uma deusa, uma virgem imaculada, uma santa, uma prometida desde o ventre, ou qualquer outro tipo de nomeação. Deve haver um amadurecimento na interpretação para encararmos que ela era uma mulher normal como outras, mas havia um ponto que a diferenciou.

Note este versículo, Gn.24:11 - “Fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto ao poço de água, pela tarde, à hora em que as mulheres saíam a tirar à água”.

    Nesta parte do texto podemos ver Rebeca inserida no contexto de outras mulheres. Ela era mais uma que fazia o mesmo trajeto das outras. Havia no cotidiano destas mulheres, uma espécie de obrigação, que podemos nomeá-la de sistema, ritual, operação, ordem criada pelo homem em que as mulheres eram obrigadas a fazer. Era um trabalho sem opção de negação, e em termos obrigatórios por estarem crescendo naquele ambiente.

    No texto não vemos Rebeca ser diferenciada das outras no aspecto de beleza, virgindade, família, obrigação ou simpatia. O que Rebeca fazia normalmente no dia, as outras mulheres também faziam, podemos afirmar que havia outras donzelas virgens, formosas que estavam buscando água, mas suas características não são mencionadas no texto. Precisamos descobrir qual foi o verdadeiro motivo, que fez Rebeca ser escolhida pelo servo.

    Muitos podem achar que foi pela virgindade, pela beleza, pelo esforço de Rebeca em alimentar os camelos, e por outras afirmações. Respeito estas idéias, mas gostaria de aprofundar em outra revelação.

    Existem dois motivos certos para podermos crescer no texto e entender a revelação neste episódio. Em primeiro lugar, o servo não procurava beleza, nem esforço e nem algo superficial. Ele estava procurando aquela que iria lhe dar água, para ele e para seus camelos.

Gn.24:14 - “Faze, pois, que a donzela a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro, peço-te, para que eu beba; e ela responder: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; seja aquela que designaste para o teu servo Isaque. Assim conhecerei que usaste de benevolência para com o meu senhor”.

     O servo usa apenas um requisito para identificar aquela que seria a mulher do seu senhor, e esta forma de identificar foi receber desta escolhida água para beber. O servo podia pegar água sozinho, ele também poderia usar outro método para encontrar a escolhida, mas optou em seguir desta forma.

    O servo vem pela ordem de Abraão, mas quando se depara na responsabilidade de escolher e vê tantas, consegue identificar um meio de encontrá-la. Esta forma foi receber dela água para beber. Em Efésios (5:25-27) diz, - “Vós, maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível ”. Existe um mistério que precisamos entender sobre esta questão. Jesus veio e deu várias analogias usando a figura da água, e o texto de Efésios fala que Cristo amou a Igreja e a purificou. Esta água é a palavra verdadeira que se infiltrou na Igreja, para limpá-la, de qualquer mácula. Quando Cristo lavou a Igreja, esta água passou a estar nela. A Igreja bebeu desta água, teve vida por ela, recebeu a santidade e adquiriu esta autoridade.

    Quando Jesus finaliza seu trabalho na terra se entregando pela Igreja, ele passa toda a sua autoridade, por isso podemos acreditar que a própria Noiva guarda a água que a purifica.

    Voltando ao texto podemos observar que Rebeca possuía um cântaro, onde carregava a água. O cântaro representa a possibilidade de armazenar, um lugar onde alguém podia carregar água e fazer dela o que quiser.
    Rebeca é a Igreja verdadeira, pelo fato de doar desta água ao servo. As outras mulheres também possuíam cântaros, mas retém a água, guardando-a e direcionando para outros meios.

     A escolhida se diferencia das outras e é identificada pela postura em não reter a água, mas de doá-la para quem está necessitando. O servo encontra a Noiva para Isaque, quando acha por ela água para matar sua sede. Rebeca é identificada por poder dar água. Ela tinha possibilidade de oferecer ao servo algo que mataria sua sede. O instrumento estava em sua mão, o cântaro estava sobre sua guarda, e nele ela podia carregar água e fazer dela o que quiser. Por que o cântaro era sua própria vida.

Vejamos o textoJo.4:14 - “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”.

     Jesus podia dar desta água, por que Ele era a água viva. Ele era o cântaro que carregava a água para derramar em qualquer servo. A samaritana estava com sede, como o servo de Abraão, e ao pedir água para Jesus, ela recebe algo que terminaria de vez com sua sede. Esta água Jesus liberou para a Igreja, para que a própria libere ao mundo, onde existe milhões que estão morrendo de sede.

    O servo de Abraão identifica a verdadeira Igreja, quando encontra nela água que vai matar sua sede. Este é o ponto fundamental em primeira ordem, para que Rebeca fosse identificada como escolhida para Isaque.

Após achar água, o servo encontra um lugar para pousar

Gn.24:23-25 - “E perguntou: De quem és filha? Dize-mo, peço-te. Há lugar em casa de teu pai para pousarmos? Ela lhe respondeu: Eu sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor. Disse-lhe mais: Temos palha e forragem bastante , e lugar para pousar”.

     Para finalizarmos a parte de Rebeca, vamos centralizar nossa última observação no segundo pedido do servo. Na primeira opção, nós o vemos pedir água, depois podemos notar através do texto que sua próxima petição é encontrar um lugar para pousar.

     Este lugar de pouso após sua viagem é resultado do cansaço e da fadiga pelo duro caminho. O servo vinha com camelos e outros empregados, então o esgotar das forças era inevitável. Tudo isto sendo visto pelo lado natural, a viagem, o cansaço, os empregados, a sede e depois o repouso.

     Mas vamos tentar nos aprofundar um pouco mais na revelação. Vejamos um texto que pode nos ajudar a entender melhor: João 14:2,3 - “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.

     O texto de João nos fala sobre morada, muitas pessoas o interpretam sobre o céu, a morada celestial. Mas gostaria de fazer um aprofundamento sobre esta passagem. Jesus sabia que já havia um lugar perto do Pai, onde as pessoas eram recebidas, senão antes d ´Ele para onde iriam? Ele veio de lá, esteve no início de tudo (Cl.1:15-17/Jo17:5), e depois abriu mão da glória para habitar entre os homens (Flp.2:7). Mas o ponto central da questão não é o que havia antes dele, e sim o que realmente a palavra proferida por Jesus estava escondendo.

     O propósito de Jesus sempre foi unir o Pai aos filhos que estavam distantes. Por isso no mesmo capítulo Ele diz ser o Caminho, e sem Ele, ninguém vai ao Pai. Jesus sendo o Caminho origina o ligar dos filhos ao Pai, este era seu principal papel.

     Então levantamos uma pergunta: Se Jesus veio ligar os filhos ao Pai, por que estava preocupado em criar uma morada no céu? A resposta a esta indagação vem no próprio texto. Vejamos João 14:23 -“Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada”.

     O desejo de Jesus era fazer-nos morada para Deus, independente de ser na terra ou no céu. O tempo era “o agora” não importando onde estivéssemos. Jesus veio para nos aproximar de Deus, criar em nós uma habitação, uma morada para receber o Senhor.

     O texto diz que se alguém amar ao Senhor, guardando a sua palavra, ele se torna habitação d´Ele (ICor.3:16/6:19/IICor.4:10/6:16). Jesus nos deu muito através da sua vinda na terra, dons, poder, sinais e palavras. Mas neste texto estamos enfatizando o milagre da morada, a habitação do Senhor entregue a todo homem.

     Como já vimos em textos anteriores, Cristo entregou a Igreja tudo o que conquistou. E este ato, também é entregue para sua Noiva, como dádiva de sua supremacia. A verdadeira Igreja possui a morada conquistada por Cristo, só ela pode ter um habitar onde Deus deseja estar.

     Voltando ao texto de Rebeca, notamos o pedido do servo em encontrar esta morada, e como Rebeca representa a Igreja, contém condições de prover este lugar para receber o servo.

     Este é o segundo ato que identifica Rebeca como a Igreja verdadeira. O primeiro foi possuir a água que mataria a sede do servo, e o segundo foi ter a possibilidade de dar ao servo casa, moradia, habitação para recebê-lo. Quando o servo recebe a casa para pousar, ele recebe pela revelação que estamos tratando, a moradia de receber ao Senhor. Esta era a morada que Jesus estava reservando para seus filhos.

Jo.17:20-23 - “E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um; eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim”.

Resumindo


     Iremos concluir o capítulo cinco deste livro, ajuntando as quatro figuras e entendendo o recado do Senhor para todos nós. Todos sabem do grande plano de Deus para a humanidade, são suas promessas que estão firmadas na palavra (At.3:21/1Cor.15:28/Ef.1:10/5:25-27/Hb.2:8/10:12,13). E como vimos pela figura de Abraão, através deste texto podemos tentar definir de forma mais clara, alguns passos que podem nos ajudar a caminhar.

     Deus é como Abraão neste texto, possui seus servos (no caso somos nós), servindo-o em sua casa todos os dias, caminhando e conhecendo-o cada vez mais. Existe em Deus um desejo, de ver seu filho se casando (no caso Isaque representando Jesus). O filho não irá atrás da sua Noiva, mas o servo que jura pelo senhor, este sim vai encontrar a escolhida.

     Os servos são os pioneiros, aqueles que a palavra profética tem nomeado como sem face, sem nome, sem nada terreno. No texto não vemos menção alguma das características do servo, em todo o tempo ele se diz representante de Abraão. Em cada ação somente um nome é usado, o nome do seu senhor. Os servos são aqueles que já morreram para si (2Cor.5:17/Rm.6:10), são homens que representam apenas o Senhor, e o único título que podem carregar é, serem servos. O enviado de Abraão tinha um nome, ele se chamava “Eliézer” (Gn.15:2), mas em nenhum momento o mencionou.

Gn.24:34 - “Então disse: Eu sou o servo de Abraão”.

     O verdadeiro servo não deseja a glória para si, em todo o tempo, mesmo recebendo os bens do seu senhor, se mantém fiel ao propósito. Ao mesmo tempo em que o servo sabia em mente que seguia um juramento a Abraão, e carregava sobre sua responsabilidade todos os bens, o servo sabia que este pacto envolvia tanto o pai como o filho. Conseguia diferenciar o desejo do pai Abraão, e por ele faz o juramento. Também entendia respeitar a espera do filho, sabendo que era o herdeiro de tudo o que pertencia ao pai. Por isso o servo vai representando o nome do pai, mas sabendo que era para o filho o valor da sua ida.

Gn.24:36 - “E Sara, a mulher do meu senhor, mesmo depois de velha, deu um filho ao meu senhor, e o pai lhe deu todos os seus bens”.

    Nós podemos titular este servo com nomes que o identificariam, e nos daria maior compreensão. Podemos chamá-lo de Davi, que cresceu no aprendizado com as ovelhas, mas não descansou até encontrar uma habitação com o Senhor.

Sal.132:2-5 - “Como jurou ao Senhor, e fez voto ao Poderoso de Jacó, dizendo: Não entrarei na casa em que habito, nem subirei ao leito em que durmo; não darei sono aos meus olhos, nem adormecimento às minhas pálpebras, até que eu ache um lugar para o Senhor, uma morada para o Poderoso de Jacó”.

    Também poderíamos chamá-lo de Daniel, que mesmo recebendo muita responsabilidade, em nenhum momento se desviou de ser servo do Altíssimo. Daniel estava numa terra estranha, mas ao mesmo tempo recebe revelação para encontrar morada com o Senhor em Jerusalém e não na Babilônia.

Dn.1:8 - “Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”.

9:2 - “No ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as desolações de Jerusalém, era de setenta anos”.

    Por fim podemos comparar este servo com João Batista, preparando o caminho para Jesus e sabendo diferenciar seu tempo e seu ministério. João soube a hora de se revelar e depois deixar o Messias tomar a direção. Ele nunca quis roubar a glória, como o servo recebeu tudo de Abraão para ir buscar Rebeca, João recebeu de Deus revelação para começar seu ministério, abrindo caminho, sabendo muito bem quem ele era e para quem estava trabalhando.

Jo.3:27-29 - “Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou eu o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo”.

    O servo ouve o seu senhor e sabe qual é o seu desejo, ele sabe que não pode ficar com a escolhida do seu mestre, por que ele é o amigo do noivo. O amigo ouve o noivo, se regozija com ele, mas não se apossa da noiva, por que sua função é preparar o caminho para o encontro dos dois.

Os enfeites para adornar a Noiva


    O servo possui o enfeite da noiva, ele recebeu do pai que ao mesmo tempo é do filho. É do agrado do filho ver a noiva com seus presentes, com seus caprichos, com seus gostos. O servo que entende aquilo que recebe, vem com esta preciosa arma para marcar a noiva.

Gn.24:47 - “Então eu lhe pus o pendente no nariz, e as pulseiras sobre as mãos”.

    O primeiro presente do servo vem para separar a Noiva, é a fase onde se inicia o familiarizar com a prometida. Ele precisa ganhar sua confiança, pois a decisão de ir com o servo para se encontrar com o Noivo é dela.

24:58 - “Irás tu com este homem? Respondeu ela: Irei”.

   Não é um pedido obrigatório, mas um convite feito por um representante, no caso, o servo. Ele vem com o nome do Senhor, com seus presentes, e precisa convencê-la que há um escolhido a amá-la por toda eternidade. Após esta fase de ganho de confiança, temos a fase da entrega total ao gosto do seu senhor.

24:53 - “E tirou o servo jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos, e deu-os a Rebeca”.

    Estes presentes são o desejo do Rei. Isaque queria ver sua noiva ornamentada com presentes, era seu gosto, era seu capricho para com sua escolhida.
     Jesus quer encontrar sua Noiva vestida com seu gosto, ele não quer um vestido que não lhe agrade, uma roupa suja, e uma Igreja fedendo a pecado. Por isso está levantando seus servos e entregando tudo em suas mãos, para que encontrem sua escolhida e a produzam conforme deseja (Ap.21).
Na profecia de Ezequiel podemos ver algo fantástico, os mesmos presentes entregues pelo servo a Rebeca, foram mencionados por Deus a Israel.

Observe, Ez.16:9:12, “Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo. E te vesti com roupas bordadas, e te calcei com pele de texugo, e te cingi com linho fino, e te cobri de seda. E te enfeitei com adornos, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao redor do teu pescoço. E te pus um pendente no nariz, e brincos nas orelhas, e uma coroa de glória na cabeça”.

    A maneira como Deus preparou Israel com presentes, foi à forma que o servo de Abraão conquistou e enfeitou Rebeca para Isaque. Precisamos crer que os servos atuais recebam a revelação desta palavra, e comecem a procurar a Noiva, por que já possuem do Pai autoridade para produzi-la conforme o gosto do Senhor.

    Os servos só podem ornamentar a Noiva com os bens de seu senhor, e estes presentes estão relacionados à prata, ouro e vestidos. Nada, além disso, pode ser entregue a escolhida, porque o gosto do Noivo está girando em torno dos presentes que estão sendo enviados pelo seu representante.

    Os servos necessitam peregrinar (Gn.24:10), por que nesta caminhada rumo ao cumprimento do pacto, aquilo que pode estar interferindo deixará de existir. O andar do servo com Abraão e sua viagem para encontrar Rebeca, lhe serviram para se purificar de qualquer contaminação com a prometida, que seria trazida por ele e entregue a vista esperada do seu senhor.

    Imagine se o servo desse a Rebeca um vestido sujo? No qual ele tivesse prejudicado ao longo de sua trajetória. Ou, se o tivesse rasgado, e para se salvar, fizesse um vestido de palha? E assim o entregasse a prometida do seu senhor. Pior seria se o servo apossa-se das jóias de prata e no lugar delas desse de presente, fetiches de feno, para querer enganar a Noiva.

    Abraão também corria o risco do servo querer as jóias de ouro, e para compensá-las, colocaria por disfarce criações humanas feitas por madeira. Porque estou comparando vestido com palha? Prata com feno? E ouro com madeira? Por causa deste texto.

Vejamos, ICor.3:12,13 - “E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”.

    Todos nós como servos estamos caminhando para encontrar Rebeca, e ao encontrarmos, iremos entregar o que estamos levantando com nossas obras.

    Atualmente a Noiva está vestida de palha, por que os servos sujaram seu vestido com difamação, vergonha, pecado e divisão. A imagem da Noiva para o mundo é a sujeira dos homens, a morte dos inocentes, o pecador excluído, o órfão expulso e a prostituta sem lar.

   O vestido que deveria ser carregado com muito cuidado, foi sujo pelos servos, que se intitularam deuses e vestiram a Noiva com suas próprias imundícias.
As jóias de prata e ouro foram levadas para os caprichos humanos, o verdadeiro valor foi trocado pelo desejo doentio do homem, em querer moldar a Igreja conforme está seu contaminado coração.

    Os prédios são mais valorizados do que as vidas. Os títulos são mais procurados do que o amor. Os números são mais valiosos do que a excelência. As finanças são mais faladas do que a entrega. A promessa é mais pregada do que a cruz. O ajuntar é mais ensinado do que a renúncia. Perdeu-se a expectativa nas jóias do amor, da imagem do filho, da graça do Pai, da soberania celeste, da renúncia, da entrega, da fidelidade, da autoridade, do poder, da amizade, do discipulado; da comunhão, dos sinais, das maravilhas, do crescimento, do abalo, da manifestação visível dos filhos de Deus, da imagem gloriosa do filho sobre muitos servos que honram ao seu senhor.

    Tudo o que foi entregue para enfeitar a Noiva, que submete todas as coisas para se encontrar com o Messias (Ef.3:10), ainda não foi entendido pelos servos.

   Que possamos ser despertados por esta revelação, para que em breve estejamos transportando a verdadeira Noiva, para ver a tão glória harmonia entre os dois, o nosso Senhor se encontrando com ela. Que sejamos os servos presentes ao acontecimento do século.

Gn.24:63-67 - “Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos. Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou do camelo e perguntando ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? Respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se cobriu. Depois o servo contou a Isaque tudo o que fizera. Isaque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela lhe foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe”.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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