A Visão do Homem da Montanha
Numa tarde estávamos orando e pude visualizar um grande mar, ele estava intenso. As ondas batiam e se erguiam numa altura incrível. O mar era negro, sua imagem era escura, as ondas quebravam uma nas outras e faziam um som assustador, parecia que o próprio mar tinha uma característica de devastação, e sua intensidade era de destruir qualquer coisa.
Por um tempo vi todo o mar e sua origem, mas após esse tempo, de longe, pude enxergar um pequeno barco. Sua estrutura era pequena, comparado à imensidão do mar. O barco parecia uma pequena semente dentro de uma grande piscina.
Ao me aproximar do barco, vi sua estrutura gasta, havia buracos e comportava peso demais. O barco era velho, sua madeira em partes estava quebrada e em outras partes estava podre, passava a impressão de que em qualquer momento iria naufragar. Dentro do barco, vi uma grande multidão, havia pessoas de todas as formas. Homens, mulheres, crianças, idosos, todos estavam vivendo dentro do barco. Também pude ver casas, ruas, prédios, praças, reuniões, hospitais, faculdades e muitas outras coisas.
Todas as coisas estavam depositadas no barco. Tudo isso pesava na estrutura, quando olhei, vi que ela não iria agüentar por muito tempo, sua madeira estava rachando, havia buracos que permitiam a entrada das águas negras.
Notei alguns homens que vinham a todo o momento com baldes furados, tentavam jogar a água para fora do barco, outros, ficavam gritando para a multidão, dizendo que estava tudo bem, para não se preocuparem, pois eles estavam em segurança. Falavam com fé que o barco iria agüentar.
Notei no interior do barco duas multidões, uma na parte direita e outra na parte esquerda. Aquela que estava na parte direita, remava rumo há direção do nascer do sol, já aquela que estava na parte esquerda, remava rumo à direção do por do sol. As duas multidões usavam muita força, parecia uma competição, mas elas não percebiam que não estavam saindo do lugar.
No momento em que remavam, entre as duas multidões, havia uma espécie de palanque de apresentação. Era um lugar alto, como um palco, onde todos do barco podiam visualizar. Em certos momentos, pude ver que subiam neste palco pessoas bem vestidas, elas argumentavam esperança para a grande multidão.
Por outro tempo vi no palanque, homens de roupa branca, eles vinham com grandes cestos e lançavam uma grande quantidade de pães para a enorme multidão. Também vi homens com vestes de palhaço, eles faziam muitas brincadeiras. Notei que enquanto havia essas apresentações, o barco era violentamente confrontado com as águas do mar negro, elas batiam com força na estrutura do barco.
A cada batida, um tremor balançava o barco violentamente. O barco ia se quebrando com enormes buracos. Nesses buracos, a água entrava e conseguia sugar pessoas que estavam estabelecidas no barco. Dependia da onda, quanto mais ela batia, mais buracos e aberturas ela fazia e mais pessoas eram tragadas.
Notei que a furiosa água do mar, vinha com desejo de tragar tudo o que estava no barco. Havia ondas que vinham com sutileza, mas também havia ondas enormes que vinham com grande força. As ondas sutis entravam no barco sem ninguém notar, e com o tempo elas levavam uma enorme quantidade de pessoas que iam sem lutar contra as águas, parecia que essas pessoas eram atraídas, pelas águas que vinham de forma inesperada, essas pessoas até nadavam em sua direção e acabavam no destino do grande mar negro.
As pessoas do barco não estavam preocupadas com as ondas pequenas e sim com as grandes, por isso, havia no barco um compartimento, que identificava quando a onda grande estava se formando e posteriormente quando ela viria. Era uma espécie de controle, que avisava com antecedência, para que todos pudessem se preparar. Mas quando cheguei perto desta sala, notei o homem que vigiava a sala. Ele estava branco, não tinha vida, estava morto e não havia mais ninguém para avisar a todos se a onda estava vindo.
Depois vi uma grande onda se formando no mar negro, ela girava com força, e neste momento ouviam-se gritos de um exército que estava pronto para atacar. A grande onda se preparava, mas ao mesmo tempo, saia dela ondas que vinham com força e batiam no barco. Essas ondas iam à frente para arrancar as últimas forças do barco, mas a grande onda se preparava para um ataque final.
Quando as ondas atacavam o barco, as pessoas estavam desprevenidas, elas agiam normalmente e não sabiam, porque o vigia não as avisava. A onda vinha com tanta força que conseguia levar muitas pessoas, casas, ruas, prédios e até árvores sólidas, que há muito tempo estavam enraizadas no barco.
Quando o ataque era feito, um grande medo se iniciava no barco, a multidão sentia o abalo, mas nesse momento, os palhaços e os homens bem vestidos vinham com uma grande quantidade de sextos de pães, sobre o palanque para distrair toda a multidão do barco. Senti que eles estavam ali para desviar a atenção da multidão, para que não vissem o que estava acontecendo, depois tudo se iniciava novamente.
Isso ocorreu pelo tempo determinado da visão, depois notei que diante do barco, numa pequena distância, havia uma grande montanha. Ela era enorme, seu pico atingia os céus. Estava fundamentada no mais profundo, ao vê-la, me espantei por ser tão firme e forte. Ela não era formada de um material terreno, havia nela pedras fortes, que transmitiam uma cor brilhante. Havia pedras de ouro, pedras vermelhas da cor do rubi, pedras que pareciam diamantes, havia nesta montanha uma variedade de pedras que quando a luz do sol batia, iluminava toda a terra. Não havia mais noite, porque a escuridão da noite não conseguia tragar a luz, que irradiava através das pedras que estavam postas na montanha.
Percebi que havia partes na montanha que faltavam pedras, essas partes ainda estavam em construção, alguns homens desciam no mais profundo oceano, lá no fundo eles permaneciam por um tempo e depois subiam com pedras que brilhavam intensamente. Essas pedras eram postas nas montanhas. Quando colocadas, a montanha se firmava cada vez mais com uma estruturava inabalável.
Na medida em que a montanha se estabelecia, ela também crescia, tanto para o alto como para os lados, ela se organizava para tomar todo espaço possível que havia em toda a terra. Por um tempo olhei o formato da montanha, mas depois fui levado para o alto.
O Alto da Montanha
No alto da montanha vi uma numerosa quantidade de Águias que se estabeleciam por ali. Eram águias de todas as formas e tamanhos, Havia águias brancas, vermelhas, pretas, amarelas, coloridas. Todas essas cores não eram transmitidas de forma terrena, eram cores que passavam uma imagem celeste. Essas grandes águias voavam sobre o alto da montanha, nunca desciam, apenas rodeavam o pico da montanha. Depois vi pequenas águias, estavam guardadas pelas grandes, essas pequenas águias eram totalmente submissas as grandes, mas notei que as pequenas tinham algo diferente.
Os olhos das grandes águias eram da cor azul, já as pequenas, tinham os olhos azuis misturado com a cor do fogo. Em todo o tempo, as pequenas águias mantinham seus olhos fixos em tudo o que estava acontecendo, elas eram submissas, convictas, atuantes e aguardavam.
As grandes águias não desciam para caçar alimento para as pequenas, mas subiam para as mais altas nuvens, e de lá traziam alimento para as pequenas. Todas as águias no alto da montanha não ficavam paradas, ali elas faziam seus vôos. Era assustador. As águias saiam nas manhãs e faziam seus vôos com força. Quando saiam, um som de guerra invadia todo o ambiente, o sentimento era o preparo de um ataque que seria feito em breve. O vôo das águias mexia com a montanha e com os céus.
Quando as águias saiam, a montanha crescia, as pedras brilhavam e um alto som tremia toda a terra. Os céus abriam uma camada mais clara sobre o alto da montanha, e tudo era feito com propósitos que viriam a ser realizados no porvir.
Depois vi um grande cavalo branco, seu branco era brilhante como a luz. O cavalo estava impaciente, não parava. Batia suas patas com força. As batidas mexiam com a montanha e deixava as águias mais intensas. O cavalo não saia do lugar, permanecia ali por um tempo. Senti que já estava naquele local há tempo. No cavalo não havia nada, ele não estava vestido para a guerra.
Ao lado do cavalo havia um grande Homem, ele era formoso, estava vestido do mesmo branco que o cavalo. Suas vestes eram lindas, seus pés eram brancos. Ele estava parado observando tudo o que acontecia, mas seus olhos ficavam mais atentos para o barco que estava dentro do grande mar negro.
O Homem da montanha não se mexia, apenas olhava. Seu olhar era intenso sobre as águias, elas se comunicavam através do olhar. Quando ele as olhava, uma ordem era transferida, não havia necessidade de palavras para direcioná-las, apenas um olhar.
Senti que aquele era o tempo onde o homem da montanha estava se familiarizando com as águias, parecia que ao mesmo tempo em que nasciam livres, elas já tinham sido laçadas por Ele. Elas o pertenciam, e Ele estava ali para treiná-las. A visão foi até aí.
Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)




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