VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR



Todos entendemos a origem do primeiro amor, passamos por isto, tivemos em nossas vidas um tempo que é memorável. Foi um período que nossos dias respiravam somente Jesus, era uma tremenda expectativa acordar nas manhãs aguardando uma reunião à noite. Era muito fácil sentir a presença do Espírito Santo, ao ouvir uma canção, seu agir se tornava inevitável em qualquer lugar onde estivéssemos. Mas parece que isto durou apenas um tempo, muitos acabaram se esfriando, outros abandonando e alguns ainda lutam para retornar a este primeiro amor.

Então começamos nosso artigo baseados neste tema. O que realmente é este primeiro amor? Qual é a sua origem? Qual é a sua finalidade? Porque o Senhor nos chama para retornarmos a este primeiro amor? Precisamos avaliar todo contexto que vivemos e recebemos, para tentar entender o que é este primeiro amor, e que estejamos com nossas mentes abertas para compreender a orientação do Espírito.

A origem do primeiro amor.


Gn.1:27 – “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

3:8 - “E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim”.

    Deus criou o homem a sua imagem, e nele desejou crescer todos os seus atributos. Aquilo que se origina em Deus foi depositado na criação do homem, para que pudesse viver em crescimento alcançando a natureza Divina. O homem foi criado perfeito naquilo que saiu das mãos de Deus, mas ainda imperfeito naquilo que Deus desejava que ocorresse com o tempo. Havia em si a possibilidade de crescer em perfeição segundo os atributos de Deus.

    Crer que o homem foi criado perfeito em sua origem e ainda imperfeito naquilo que poderia se tornar não invalida a perfeição do Criador, Deus é totalmente perfeito e aquilo que parte da sua criação são origem do que Ele realmente é, mas no caso do homem não haveria uma finalidade já concretizada, ele teria de crescer como uma criação diferenciada das outras.

    Para compreendermos melhor é só compararmos os homens e os anjos. Os anjos são seres criados sem expectativas Divinas, Deus não deseja que os anjos arrependam-se dos seus pecados, ou que lavem suas vestes no sangue do Cordeiro, e no caso de Satanás, que volte para a casa do “Pai” como o filho pródigo. Não! Os anjos foram criados (perfeitos) sem nenhuma expectativa Divina, Não havia neles um projeto para haver crescimento, eles são ministros, servos e adoradores (Hb.1:7/Sl.104:4). Por isso no caso dos anjos que se rebelaram, não há nenhum plano de redenção, não há remissão ou uma nova busca para que voltem a sua origem, eles estão perdidos. Isto significa que alguns anjos são perfeitos e outros não, pelo fato de terem caído? De maneira alguma, toda criação de Deus é perfeita (2Sm.22:31), mas neste caso houve uma opção para o mal e o problema não estava na criação e sim no rumo que ela decidiu tomar.

    No exemplo dos anjos, eles foram criados sem possibilidade de haver algum crescimento na natureza Divina. Esta é a diferença com o homem, que foi criado perfeito pelas mãos de Deus, mas tinha que haver um processo para caminhar em crescimento naquilo que Deus tinha em mente.

    O homem tinha em seu corpo através da criação uma origem embrionária da natureza Divina, que precisava se desenvolver para alcançar em Deus sua própria natureza santa. Então como o homem teria de se desenvolver? Como a criação iria amadurecer para caminhar segundo as orientações de Deus? Através da comunhão com o Pai. Nisto vemos Deus sempre vindo ter comunhão com Adão, para que através destas ligações houvesse no homem um interagir daquilo que era da vontade Divina.

     A origem do primeiro amor está ligada na pura comunhão que havia entre o Criador e a criação. A obra perfeita de Deus (Adão), tinha em seu corpo a origem embrionária para crescer nos atributos da natureza Divina, desenvolvendo a cada dia seu papel de amadurecimento. Mas algo terrível aconteceu, o pecado entrou e estragou todo o plano do Pai.

Distanciamento e individualidade


     O pior distanciamento não está na ignorância da palavra, mas na incompreensão do sangue. Todos sabemos que o sangue nos resgatou, para nos fazer novamente próximos do Pai (Ef.1:7/2:13), mas muitos ainda estão mudando a origem dos valores. “Procuro estar próximos de Deus por meio de obras ou ações realizadas como frutos diante do corpo de Cristo, evangelizo, oro, leio a Bíblia, faço campanhas, estou em vigílias, jejuo várias vezes por semana, tenho uma boa palavra, freqüento uma boa Igreja, temos um grupo de jovens animado, somos diferentes;”, mas esquecemos de algo, perdemos o primeiro amor.

Ap.2:2-4, “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.

     Não adianta termos boas obras, fazermos milagres, termos uma Igreja gloriosa, numerosa, com cultos excepcionais, palavras maravilhosas, choros, manifestações visíveis do Espírito, enquanto que ainda não entendemos o plano de Deus. Como vimos o primeiro amor está na comunhão genuína com Deus, que foi interrompida pelo pecado, e para recuperar novamente este propósito, teríamos de compreender a vontade de Deus.

     O Sangue de Cristo nos trouxe de volta, mas ainda estamos mais preocupados com as obras do que com a comunhão que nos levará ao primeiro amor. Temos que entender que as obras são conseqüência deste renovar, (o primeiro amor) e não levar nossas obras como principio para alcançar este amor. O mistério de alcançarmos novamente este amor é baseado na compreensão e no arrependimento em querer voltar.

Ap.2:5 – “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”.

     Precisamos compreender a palavra e se arrepender em cima dela, para podermos voltar à origem do primeiro amor. Da mesma forma que Deus vinha ter comunhão com Adão e nesta havia o desenvolver do homem segundo a natureza Divina, também deve haver em nós o entendimento sobre o que a comunhão pode realizar em nossas vidas.
Neste século a Igreja foi bombardeada com a individualidade, todos estão tão preocupados consigo mesmo, que acabam sendo egoístas em suas vidas sociais e ministeriais. “Procuro adquirir para estar melhor e viver feliz e com isto promover alegria para aqueles que amo, tendo romper ministerialmente para produzir em minha Igreja local algo melhor;” estes pensamentos têm assolado a Igreja, trazendo apenas indivíduos lutando sozinho dentro de um corpo.

     Voltar ao primeiro amor está baseado na origem da comunhão, Deus com Adão e Adão com Eva. Adão tinha que compartilhar com alguém aquilo que aprendera com Deus, e no caso era Eva crescendo com seu companheiro (Adão) sobre o que aprendeu com Deus. O meu crescimento está dependendo da compreensão do meu irmão para com Deus e o seu amadurecimento, está esperando a minha contribuição através de Deus. A Igreja de Atos entendeu este mistério.

At.2:42 – “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”.

    A Igreja que entende o propósito da cruz discerne que o caminho é a doutrina da palavra sem o engano, que produz amadurecimento, corta a alma do espírito (Hb.4:12), e produz frutos perfeitos (Lc.8:15). Ela também entende que para haver crescimento, precisa haver comunhão (1Cor.1:9/10:16/2Cor.13:13/1Jo.1:3/1:7) e com esta comunhão voltar a estar novamente ao primeiro amor.

Voltar ao Jardim de Deus


Ap.2:7 – “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”.

Deus deseja que voltemos ao paraíso para comer novamente da árvore da vida, enquanto que o primeiro homem escolheu a árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn.3:6), o Senhor deseja que sua Noiva volte a dançar nos braços do Amado.

Voltemos ao Amado da nossa Alma.

Ronaldo, Pastor (ronjvicente@gmail.com)

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