O Profeta que vê o Dia do Senhor.





Amós 5: 18 – “Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Ele é trevas e não luz”.

    Todos os profetas são instrumentos de uma causa final, o que quero dizer: Todos cooperam para a finalização do plano vindouro na terra, o plano que o Senhor deseja a todo instante concretizar, mas existe uma guerra, que precisa ser vencida para sua realização.

     Os profetas são servos que vêem todo estágio do plano, para alguns é revelado o início, como tudo começou, a origem de todo propósito. Podemos ver isso com Moisés, ao escrever o Pentateuco.

     Para outros é revelado os passos ao meio da trajetória, a forma como andam as coisas, como andam os planos, se houve desvio, se está ocorrendo algum passo errado, uma troca, uma visão errada, uma posição antecipada, que pode levar a um caminho obscuro, ou um tijolo errado, sendo inserido num ponto central da construção, podendo levar futuramente tudo a ruína.

    Todos esses estágios são revelações dadas aos profetas, que vêem como andam o plano vindouro. O exemplo disso são os profetas menores usando a força da palavra, para endireitar o povo que se encontra num caminho errado, também temos Daniel (Cap.9) que vê o povo em terra estranha e clama para que voltem.

     Outra parte dos profetas recebe revelação do dia do Senhor, como será, como vai ocorrer, qual será sua ordem, sua postura e todos os meios que irão ser levados para sua finalização. Um exemplo muito forte desse ponto de vista é o Apocalipse, escrito por João, que viu em grande proporção o plano de Deus para a terra.

     Todos são usados para um meio, de alertar a Noiva para qual postura ela deve seguir. Todos os profetas são usados para garantir o preparo da Noiva, para o agrado do Noivo. Como já falamos, os profetas vêem o estágio em que ela se encontra, e a alertam com a palavra vinda do próprio Noivo, que quer garantir que ela esteja da maneira que Ele gosta.

O Tempo

     Independente do tempo que vivemos, ou seja, nosso relógio terreno. Não podemos identificar uma parte dos profetas, como aqueles que vêem o final, porque o tempo celeste é diferente do terreno. Um profeta pode estar neste tempo presente, vendo coisas do início, como pode estar no início e ter revelações do final. Vamos abrir para entender melhor.

     João estava no início da Igreja, e teve revelações do final da história, mas esse final, ele não saberia que poderia ser dois mil anos depois. Também no meio de suas revelações, teve visões do início, anterior ao começo da história humana, que foram as revelações sobre a rebelião de satanás, e o cordeiro morto antes da fundação do mundo. (Ap.12 e 13)

     Observe que para nós, que estamos neste tempo, parece que essas duas revelações estão numa época distante, mas na realidade, estão no “agora”, analisando através do ponto de vista existente na era celestial.

     Quando João vê o final, ele esta vendo o início, e quando vê o início, ele está vendo o final. Porque esses dois tempos não se separam, eles são um e se completam.

     O passado e o futuro são inexistentes na esfera espiritual, por isso que quando um profeta tem a revelação de um acontecimento, ele o deseja no agora, do tempo terreno, ou seja, o mundo presente. Mas ele pode ter visto algo, que vai ocorrer num outro tempo, da esfera espiritual, mas vai correr mil anos no mundo terreno, que é comandado pelo relógio cronológico.

     Para nós um fim, segundo aquilo que identificamos como final, através de um discernimento, de uma determinada visão, pode ser o começo, estabelecido no tempo do agora, da era celeste, sendo revelado, porque precisa ser arrumada uma falha existente. Essa falha é aquilo que já mencionamos, um tijolo errado que pode danificar toda a construção.

     Por isso que as visões do profeta João e de outros, como Ezequiel, que vêem a restauração do templo, boa parte é mistério para nossa compreensão, porque enxergamos através do ponto de vista, passado, futuro, ou começo, meio e fim. Que são formas que usamos para identificar meios que vivemos, mas não são bases reais, para depositarmos total confiança no discernimento delas.

     Toda essa introdução servirá de base, para entendermos a profecia de Amós, que vem com força para um acontecimento presente, mas que ainda aguarda o tempo exato, para seu cumprimento.

     O versículo de Amós é chave, para todos os que aguardam o dia do Senhor, crendo que esse dia será de festa. Esse pensamento estava na cabeça do povo que agiam e se comportavam como homens à espera de um grande evento.

     Para Amós proferir uma palavra profética neste sentido, obviamente todo o povo aguardava com muito desejo, a vinda do Senhor na terra. Precisamos entender o pensamento do povo em relação a esta palavra.

     Para estar esperançoso com a volta do Senhor, é lógico que o povo garantia sua conduta perante o Altíssimo. Ninguém espera um Rei, ou uma celebridade, ou um Imperador, devendo. Caso isso aconteça, à pessoa não esperaria e sim fugiria. O povo tinha total confiança em crer, que sua ficha estava limpa, perante os olhos do Senhor, e isso lhes dava crédito para viverem com seus corações ansiosos, para esperar algo que os beneficiaria, talvez a luz que supostamente aguardavam, e que o profeta diz com veemência, ao invés de luz será trevas.

A palavra profética vem contra esperar

     Para entendermos a palavra profética de Amós, iremos analisar o capítulo anterior, que nota a razão do significado dessa mensagem. No capítulo quatro de Amós, podemos ver o Senhor enviando vários alertas ao povo, desejando que ouvissem e entendessem que deveriam mudar de conduta, sobre atos que estavam fazendo, e que não agradavam ao Senhor.

Amós 4:6-12 – “Por isso também vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades, e falta de pão em todos os vossos lugares; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor”.

     Além disso, retive de vós a chuva, quando ainda faltavam três meses para a ceifa; e fiz que chovesse sobre uma cidade, e que não chovesse sobre outra cidade; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, secou-se.

      Andaram errantes duas ou três cidades, indo à outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor.
Feri-vos com crestamento e ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras, foi devorada pela locusta; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor.

     Enviei a peste contra vós, a maneira de Egito; os vossos mancebos matei a espada, e os vossos cavalos deixei levar presos, e o fedor do vosso arraial fiz subir aos vossos narizes; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor.

     Subverti alguns dentre vós, como Deus subverteu a Sodoma e Gomorra, e ficastes sendo como um tição arrebatado do incêndio; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor.

“Portanto assim te farei, ó Israel, e porque isso te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus.”

     Como podemos ver nesta passagem, o Senhor vinha alertando o povo com vários acontecimentos naturais, desejando apenas uma coisa, que reconhecessem e voltassem para Ele. Não podemos definir o tempo em que ocorreu cada acontecimento relatado nesta profecia, tudo pode ter acontecido em um ano, dois, dez, vinte, cinqüenta ou cem. Pode ter começado antes de Amós nascer, e continuado após ele morrer. Não sabemos onde Israel estava naquele momento da profecia, poderiam estar no início, ou no fim, mas o foco central dela, é que estavam com suas vidas completamente fora, daquilo que o Senhor queria.

     Quando Deus manda todos esses acontecimentos, seu único desejo é ter Israel de volta, aos seus braços e para o centro da sua vontade. Naquele momento, o Senhor não usou profetas para alertar o povo, não usou videntes para dizer ao povo que estavam errados, mas o Senhor usou outros meios, os recursos naturais, para ver se entendiam que estavam em desagrado para com o Senhor.

     O profeta só surge após os acontecimentos, para ser testemunha daquilo que o Senhor fez, ou estava fazendo. Ele usa a mensagem profética como alerta, dos acontecimentos duvidosos na mente do povo. Pense comigo: Se o profeta não houvesse mencionado os acontecimentos naturais, que estavam sendo visíveis sobre o povo, nunca Israel saberia que isso vinha da parte de Deus, como um alerta. O povo não entendeu a mensagem, eles continuavam fugindo e escapando de qualquer provação, quando faltava água, se locomoviam para outra cidade, viviam na provação e mesmo assim era o povo escolhido do Senhor.

     Este é um ponto central da nossa observação, o povo servia ao Senhor de uma maneira, e criam que suas condutas estavam corretas, agiam normalmente com seus mitos religiosos, achando estarem no agrado de Deus, mas na verdade estavam longe do seu desejo. Israel não parou de servir ao Senhor (Am. 5.21) com festas, assembléias solenes, ofertas, holocaustos, cânticos e melodias. Isso era normal para suas vidas, mesmo agindo desta maneira, fazendo seus rituais ordenados pelo próprio Deus, o Senhor envia acontecimentos naturais de provação, para alertá-los que estavam fora da sua vontade.

     Como pode um povo estar fazendo aquilo que o Senhor ordenou, festas, assembléias, ofertas, e mesmo assim não estar agradando a Ele? Israel fazia aquilo que o Senhor tinha estabelecido como ordem, e se mantinha fora da vontade do Soberano. O ponto central é que eles estavam com suas vidas religiosas normais, caminhando do mesmo jeito, faziam há anos a mesma coisa, e não entendiam os recados do Senhor, que não se agradara mais daqueles rituais.

     Com essa conduta eles aguardavam o dia do Senhor, totalmente errados, cegos e ouvidos tapados. Esperavam desejosos o dia em que o Senhor viria encontrá-los. Através disso podemos dizer, que aguardavam esse dia, esperando vir luz, paz, alegria, festa, regozijo, esperança, libertação, providência, finalização das provas que estavam passando.

     Para resumirmos tudo o que vimos, traçamos esse paralelo com a nossa realidade. A Noiva atual aguarda o Senhor, e o deseja com festa, crendo estar perfeita para seu encontro, mas esta tão fora da Sua vontade que não consegue discernir seus acontecimentos. Atualmente têm ocorrido inúmeros acontecimentos naturais no mundo, e dentro da Igreja. Em Israel também, existem inúmeros acontecimentos, tudo isso é um alerta do Senhor, mas a Igreja e os profetas não conseguem ver, ouvir, entender e explicar. É a mesma história e a mesma mensagem profética, estamos no mesmo contexto, caminhando em meio a muito sofrimento, e agindo como se estivéssemos corretos.

     Não paramos com nossos cultos religiosos, os domingos estão lotados, os cultos continuam da mesma forma, as ofertas não param, os shows continuam para a alegria dos crentes, as bandas gravam, as gravadoras vendem, a Igreja incha e se mantém com um vivo e forte pensamento: Aguardando desejosos pelo Dia do Senhor.

     Como a Igreja aguarda atualmente o dia do Senhor? Com festa, é óbvio. Todos querem logo esse dia, para saírem desta terra, verem a luz e andarem nas ruas de ouro. Quem não quer ser livre, de tantos acontecimentos horríveis presentes no nosso dia a dia. Como todos dizem: O mundo já é do maligno, então para que desejar continuar aqui, sofrer tantas provações se podemos aguardar desejosos o dia do Senhor.

     Estamos como Israel, com uma conduta errada, sendo fofoqueiros, difamadores, amantes do erro, amigos do pecado, caluniadores, amantes da religião mais dividida desse planeta. Titulados possuidores da verdade, mas o mundo, nem ousa nos perguntar o que achamos de algum acontecimento natural, ao contrário dos profetas antigos, que todos vinham atrás para consultarem sobre qualquer decisão. Precisamos avaliar nosso esperar.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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