O Profeta que Vê o que ninguém está vendo





I Reis 22.6 – "Então o rei de Israel ajuntou os profetas, cerca de quatrocentos homens, e perguntou-lhes. Irei à peleja contra Ramote-Gileade, ou deixarei de ir? Responderam eles. Sobe, porque o Senhor a entregaras nas mãos do rei".

22.13 –19 - "O mensageiro que fora chamar Micaías falou-lhe, dizendo. Eis que as palavras dos profetas, a uma voz, são favoráveis ao rei. Seja, pois, a tua palavra como a de um deles, e fala o que é bom. Micaías, porém, disse. Vive o Senhor, que o que o Senhor me disser. Isso falarei.
Quando ele chegou à presença do rei, este lhe disse. Micaías, iremos a Ramote-Gileade a peleja, ou deixaremos de ir? Respondeu-lhe ele. Sobe, e serás bem sucedido, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei. E o rei lhe disse. Quantas vezes hei de conjurar-te que não me fales senão a verdade em nome do Senhor? Então disse ele. Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não tem pastor, e disse o Senhor. Estes não tem senhor, torne cada um em paz para sua casa.
Disse o rei de Israel a Jeosafá. Não te disse eu que ele não profetizaria o bem a meu respeito, mas somente o mal? Micaías prosseguiu. Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, a sua direita e a sua esquerda".

     Essa é umas das histórias mais espetaculares da Bíblia, que mostra de forma clara como um verdadeiro Profeta vê o que ninguém esta vendo. O rei de Israel precisava de uma palavra otimista, para ir para a guerra e obter a vitória. O texto mostra que o rei já tinha a resposta, vindo da boca de quatrocentos profetas que lhe diziam o que seu coração desejava ouvir, mas faltava um profeta, e o rei necessitava ouvir, seu nome é Micaías.

     Atualmente existem muitos profetas que estão se levantando como Micaías, e por isso, iremos enfatizar três tópicos da sua vida, para podermos identificar como isso esta ocorrendo nos nossos dias. Será bem mais fácil, pois iremos analisar como vivia esse profeta e como agia mediante a situação de Israel.

Primeiro: Ele não estava no grupo dos quatrocentos.

     O texto mostra que existia uma equipe de profetas, que eram aqueles que tinham a confiança real. Todo reino naquela época tinha seus sacerdotes, videntes, pessoas especializadas nessa área, de ouvir deuses e passar as informações ao rei. Os quatrocentos que vemos no relato da Bíblia, pertenciam aos caprichos reais. Eram homens que permaneciam debaixo da autoridade do rei, para oferecer todos os serviços que lhe agradassem, da melhor forma possível.

     O problema nesta questão, é que a maioria dos reis eram ditadores, e agiam com afronta diante de seus profetas, e eles por sua vez, atuavam debaixo dessa ameaça, sendo influenciados por ela. Conseqüentemente diziam aquilo que agradava ao rei, senão suas cabeças estariam na primeira fila e sua sobrevivência cortada, por estarem se mantendo dos benefícios reais.

     Esses profetas não atuavam com verdade, eles eram escravos daquele sistema real. Comiam dele, viviam nele e agiam de maneira mentirosa. Porque o rei não desejava a verdade e quem lhe opusesse, o próprio fazia questão de tirar do seu caminho.

     Micaías não estava no meio dessa confusão, ele não pertencia a esse grupo, que era direcionado a entregar ao rei palavras que seu coração desejava ouvir. Podemos ver isso no próprio relato do rei, quando diz odiar Micaías, por sempre ir contra tudo.

     Concluímos essa parte, relatando que o profeta Micaías não tinha uma ligação de aliança com o grupo de profetas, pois se tivesse, estaria profetizando o mesmo que os outros profetas. Podemos dizer também, que ele não tinha nenhum vinculo com o sistema real, estando desligado literalmente de qualquer benefício, que poderia colocá-lo em submissão aos caprichos reais, fazendo dele mais um profeta comprado.

Segundo: Ele era imparcial sobre o rei.

     Micaías não tinha medo e nem interesse de desejar algo que vinha das mãos do rei. Ele era um profeta que amava Israel e ouvia a voz do Senhor, relatando as palavras proféticas sem perder tempo. Não vemos o profeta ofendendo o rei com ira, e nem guardando mágoa em seu coração por algum acontecimento anterior. Por outro lado, também não vemos o profeta olhando para algum interesse relacionado a dinheiro, fama, honra, ou qualquer outro tipo de coisa, que poderia mudar a palavra profética que sairia da sua boca.

     Nesse segundo ponto de vista, podemos ver esse homem livre de qualquer laço que poderia freá-lo, estagná-lo, pará-lo ou contaminá-lo. Micaías estava livre das circunstâncias visíveis, como recursos naturais ou meios de ligação. Seu comportamento prova que não havia nele nenhuma desavença relacionada ao rei, que imperasse sobre sua conduta, em transmitir a palavra do Senhor de forma pura.

Terceiro: Ele via ao Senhor.

     Esse é o mais importante dos tópicos abordados, e serve como alavanca para definir de vez o chamado profético. Micaías difere dos outros profetas, como já vimos nas questões abordadas do primeiro e segundo tópico. Mas nesse tópico, ele avança num perímetro inalcançável, quando existe em seu ministério a total ligação com a fonte, que gera a poderosa palavra profética. O privilégio de Micaías ao ver o Altíssimo, trouxe força, determinação, coragem, ousadia e uma conduta profética. Para se opor aos quatrocentos profetas e suas palavras, e também para ir contra um rei que a qualquer momento poderia matá-lo.

     Micaías viu o Senhor, e por não estar vinculado com aquele sistema real, obteve ousadia de ir contra todos que apoiavam a direção ignorante do rei. A salvação do profeta, não foi sua coragem, nem por estar desligado daquele contexto impuro. Mas sua salvação foi ter visto o Senhor e recebido sua palavra, isso gerou total confiança para se opor, não levando em conta qual seria a conseqüência que o atingiria.

     Naquele momento Micaías não mediu o que poderia lhe acontecer, nem pensou o que os próprios profetas poderiam fazer. Tudo isso porque não agia como um titulado vidente, mas como um profeta que via o que estava no coração de Deus, e isso o fazia agir sem pensar nas coisas naturais.

Conclusão


     Segue agora algumas observações, para pensarmos e refletirmos sobre o ministério profético atual, a exemplo do que vimos do profeta Micaías.

     Quantos profetas estão atualmente como os quatrocentos? Vinculados num sistema, tornam-se inoperantes na verdade, porque sobrevivem dele, e se mantém a sua mercê, tanto por sobrevivência como também por medo de serem banidos e não encontrarem outro lugar para se estabelecerem.

     Outra questão para pensarmos é o envolvimento emocional com lideranças reais. Muitos preferem conviver com a mentira, a baterem de frente com a verdade. Não falam e nem apontam, conscientes de ferir ao Senhor, por estarem ligados de uma maneira emocional. Amizades, casamentos, alianças antigas entre ministério. Esses profetas sentem o coração de Deus gritar, mas não querem sacrificar esses caprichos humanos, porque não desejam perder o que consideram aparentemente agradável.

     Outros caem no erro da calunia, da briga, do motim, da revolução sem causa, da inveja, da ira, da mágoa, gerando por si própria mais desavença do que concerto. Espalham mais do que ajuntam e a conseqüência é apenas mais difamação no evangelho.

     Para finalizar, entramos na última e mais importante questão. Os profetas estão sendo levantados realmente por Deus? Ou, são voluntários que apenas simpatizam uma causa atrativa? Creio que a segunda questão pode explicar melhor a situação atual dos profetas. Por que a maioria esta igualada aos quatrocentos, que se venderam e estão aprisionados no sistema, e isso os faz verem de tudo, menos o Senhor. Mas aquele que verdadeiramente vê o Senhor como Micaías, sabe dentro de si, que não existem simpatizantes, mas existe uma verdade absoluta, que sai limpa do trono e desce para finalizar uma história, e ela precisa de canais para pronunciá-la, canais que não estão apegados aos caprichos terrenos.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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