Os enigmas

Lá vai!
Sendo lançado como pacote completo, fechado, lacrado, confidenciado, nomeado e originado para um ser titulado, o guerreiro da luz.
Corre tão rápido que a própria velocidade visualiza seu passar.
Vem sem demora, chega sem pressa, permanece sem confusão, se estabelece para resolver uma determinada situação.
O pacote é a resposta de muitas lágrimas. Tantas! Que o cálice transbordou diante dos milhares de santos,
Os céus aplaudiram quando viram o grande pacote, sendo levado pelo Anjo da luz, que desceu tão rápido que muitos perderam a chance de ver.
É a esperada resposta, a tão grande ansiada que moveu dias e noites dos guerreiros terrenos.
Foi depositada! Entregue, dada, presenteada, alcançada, liberada, deixada.
O mundo se reúne para ver, as crianças choram para poder se aproximar,
Os jovens largam seus futuros promissores para estarem atentos, na abertura do pacote celestial.
Os velhos chegam a andar, os cegos sabem pegar o ônibus, os mudos não precisam de orientação, o lugar onde o pacote se estabilizou, gerou luz para toda a terra.
Fecharam-se os bares, os botecos, as esquinas, as vielas, os bordéis, os hotéis, os motéis, as zonas, as igrejas, as escolas, os seminários, o fumo, a boca, a chacina, o seqüestro, a rotina, a confusão, o assassinato, o roubo, a discórdia, a corrupção, a religião, a infâmia, a desunião e a maquinação.
Uniram-se os países, as localidades, as cidades, os bairros, as zonas urbanas, as zonas suburbanas, os rios, as correntes, as línguas, as visões, as palavras, as pregações, as torcidas, as facções, os times, as gangues, as igrejas, as comunidades, os irmãos, os cristãos, os primos, as tias, os padres, os bispos e os curiosos.
Sumiu por um tempo a mistura, o profeta, o apóstolo, o papa, o desordeiro, o famoso, o gospel, o pirata, a placa, o evangelista nacional, o pregador internacional, o vendedor, o promulgador da fé ou da interatividade, o revolucionário da causa, o patrocinador da elite, o destemido, o escolhido e o super-homem.
Tudo se parou! O silêncio reinou e a terra se aquietou.
Sem movimento, sem ordem, sem regras, sem leis, sem rotina, sem trabalho, sem dinheiro, sem morte, sem guerra, sem nada.
Cada atenção é voltada para o centro escolhido pelo pacote que se estabeleceu.
Até as moscas pousaram, a cigarra se calou, o cavalo deitou-se e o tatu sumiu do buraco.
Ninguém ousa abri-lo, não há na terra alguém disposto a correr o risco. Todos esperam ansiosamente sua origem, mas todos permanecem em estado de absoluta atenção, para o conteúdo que tanto se esperou.
Luzes! Sem câmera, mas com ação.
Abriu-se para a terra visualizar e nunca mais esquecer.
Tão claro, tão óbvio, tão fácil, tão simples, tão atraente, tão meigo, tão difícil, tão doloroso, tão mortal, tão complicado, tão responsável, tão compromissado, tão perigoso, tão valente, tão chamativo.
Alguns voltam, outros fogem, outros falam mal e muitos blasfemam.
Poucos são aqueles que permanecem.
Não ficam porque querem, mas pelo anseio de receber algo em troca.
Estão por si, fazem pelo nome que carregam em suas couraças.
Nomes herdados por ancestrais e que levantam nas praças, promovendo perante todos a honra dos burros.
Estes que ficam tentam receber o presente, para com ele poderem reparti-lo entre os guerreiros da luz.
Os enigmas saem visíveis, até os cegos decifram com a maior facilidade.
Os pássaros olham, e no amanhecer começam a elaborar novas músicas com seu conteúdo.
Os peixes mudam sua rota, por que discerniram um alerta nas mensagens camufladas.
Mas o autoritário presente, possuidor da vantagem de falar, ver e ouvir visualiza o sangue e discerne ser suco. Vê o pão e ostenta para uma festa interminável de orgia.
Nota um banquete familiar e interpreta como um pequeno reino, que pode ser dominado para construir uma torre, e titulá-la com o nome Babel das dores.
Enxerga muitas crianças, mas não dá atenção, por que não quer perder tempo, crê que são apenas lances de distração.
Observe as pérolas, o ouro, o diamante, as pedras de cores vivas. Mas age como porco, pois corre pra lama e se delicia com o prazer dos restos.
Vê uma cruz, e tenta passar fogo, queimá-la, destruí-la ou enterrá-la. Não quer abraçá-la, pois a teme com muito desprezo.
Os céus assistem o vexame dos escolhidos,
O tão esperado presente foi compreendido de uma forma e passado com outra, e em ambas se resumiu numa frase. Cada um o interpretou com a lógica da ignorância racional.
As nuvens se carregaram, pois as multidões que assistiam nas arquibancadas celestiais começaram a chorar e até hoje não pararam.
A conseqüência foi o distanciamento, a mentira e a ilusão que na atualidade comanda tanto a religião como a interpretação.
Ninguém entendeu o enigma dos céus, até o Anjo da entrega se espantou do quanto criaram ou elaboraram através do pacote.
A única palavra que estamos ouvindo do coral é: Que vergonha.
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