Crescer. Uma tarefa difícil, mas necessário.
Se formos analisar de forma natural, como é dolorido para uma mãe ouvir noites e noites seu filho chorando sem parar por causa de cólicas, ou de dores que a mãe desconhece. A criança não saber falar, precisa chorar para mostrar o que está sentindo, e a mãe, tentará de qualquer forma ajeitar a situação. Mas o choro, a amamentação, o tempo de vigilância é necessário para que o bebê cresça e se fortaleça e eventualmente se torne um homem. Mas não é só o alimento necessário para o crescimento.
Existem também as regras, a disciplina, a realidade da vida que faz de uma pessoa conseguir ter uma percepção maior na sociedade. Todos concordam como foi difícil passar por fases onde não sabíamos como lidar com determinadas situações, caíamos de cabeça e hoje temos marcas de frustrações em nossa realidade. Ao pensar então com nossa atual maturidade, obviamente mais esperta, com certeza agiríamos de maneira totalmente diferente, mas precisamos entender que para sermos maduros hoje, tivemos de aprender a crescer com situações que desafiaram nossas ações.
Nascidos em Deus
Quando um bebê nasce, ele é totalmente dependente dos pais. Mas essa dependência visa seu crescimento para que possa amadurecer e explodir sua identidade; na fala, nas ações, no comportamento e em sua decisão futura. A Bíblia mostra que nascemos em Deus, (Jo.1:12,13 –“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”) então não faz diferença se você tem oitenta anos ou vinte anos, quando nascemos em Deus passamos a crescer n’Ele e amadurecer na Sua vontade (Os.6:3).
Existe um relato maravilhoso nas Escrituras que mostra o desejo de Deus em gerar, ou seja , a necessidade de haver o novo nascimento no homem. Jesus revela esse desejo para um homem chamado Nicodemos e diz (Jo.3:3) –“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Jesus estava explicando que há um nascimento no interior do homem, e que é necessário para haver a entrada no Reino de Deus.
Mas o que realmente nasce no homem? É o espírito do homem que foi golpeado pelo pecado de Adão (Gn.2:17 –“mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”). O homem se tornou trevas, ou seja, nasce em trevas por que lhe falta a vida no seu espírito, aquilo que o liga com Deus (Ef.5:8 –“Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”). Jesus nos dá essa vida, nos faz nascer pela Vontade do Pai para que sejamos como Ele (Rm.8:29, “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”).
Quando o espírito do homem recebe a vida de Cristo, ele se torna como um bebê. E esse bebê (espírito) começa a ser alimentado por Deus, para que ouça a voz do Senhor e levante para conquistar seu espaço. Aquilo que foi perdido no Éden, o controle do corpo do homem, o domínio sobre a alma, o espírito passa a crescer para estar novamente na direção e submeter tanto a alma como o corpo para a Vontade de Deus (1Ts.5:23 –“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”). O homem com o espírito morto é comandado pela alma, e a alma é escravizada pelo pecado que direciona o homem a ser instrumento de pecados. Deus gera a vida no espírito do homem para sair daquilo que a alma o direcionava a fazer, e ele passe a ser agora um novo homem
(Ef.2:1-5, “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos”).
O domínio da alma
Imagine uma criança que não gosta de dividir seus brinquedos, apronta, nunca assume a responsabilidade e ainda consegue jogar a culpa em outras pessoas. Prossiga no pensamento e veja um jovem que para conseguir seus desejos (emprego, carro, namorada, titulo, poder, status) passa por cima de todos, trocando de amigos por interesse, disputando situações para alcançar sua finalidade e nessas disputas, terá de ser egoísta e machucará pessoas, mas não se importa, pois conquistar aquilo que sua alma deseja é o mais importante.
Quantos relacionamentos tem seu fundamento nas lágrimas de outros que foram trocados?
Quantos cargos invejáveis estão fundados na demissão injusta de pessoas que mereciam esses cargos?
Quantos benefícios alguns podem ter (salário, bom emprego, bens, titulos) enquanto que outros não recebem a mesma oportunidade e aqueles que recebem, se fecham no egoísmo para não encarar uma realidade justa, a alma se compraz nisso, porque o que ela deseja é reinar de forma injusta.
“Habitualmente os Cristãos choram e oram face a uma bela verdade, somente para afastar-se dessa mesma verdade quando chega a hora da difícil tarefa de pô-la em prática”
(A.W.TOZER)
A alma religiosa
O disfarce da alma religiosa está diversificada em varias ações. Uma das ações que podemos notar entre grupos religiosos é a falta de assumir honestamente aquilo que sentimos em relação ao próximo.
Existe hoje uma falsa humildade rondando nosso meio, e ela mostra que tentamos ser amáveis, humildes, sociáveis, mas, na realidade odiamos em nosso coração. Somos pessoas que preferem viver na mentira, odiando nosso próprio irmão no coração e ainda fingir o suportar pela imagem que criamos de sermos santos e perdoadores. A alma adora comandar desta forma nossas vidas. Porque a consequência desses atos é que nunca iremos falar a verdade para o próximo, e nunca iremos tratar nossas feridas. Tiago nos diz para confessarmos uns aos outros nossos pecados (Tg.5:16 –“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”). Na maioria das vezes nossa mente analisa pecados como prostituição, adúlterio e traição, nunca nas intensões já dominadas em nosso coração em relação ao nosso próximo.
A verdade é que nos odiamos e tentamos pela falsa imagem querer apagar esse ódio no coração, mas o ódio só cresce e sempre nos faz afastar dessas pessoas. Estamos repletos de exemplos de pessoas que passaram por nossas vidas, e alegres por terem ido embora. O dilema nesta questão, é; que aqueles que se foram também estão alegres de não nos verem mais. A alma conforta nosso coração em nos dar justificativas que estamos certos e eles errados; será mesmo essa a verdade?
“Ou vivemos todos juntos como irmãos, ou morremos todos juntos como idiotas."
Martin Luther King
A alma dirigindo o “crente
Atualmente estamos em um estágio de falta de discernimento. E está tão fraco que não conseguimos identificar atuações na alma que estão dominando nossas igrejas. Vemos pessoas pregando e que usam dos meios da oratória fazendo-nos emocionar, logo o classificamos como um “homem de Deus”, um ungido, mas, na realidade, aquele homem precisa avaliar sua própria postura e identificar que quando prega, seu único objetivo é ganhar aplausos, afirmação, honra, fama entre as pessoas.
Da mesma forma podemos ver quantos desejam ministrar, louvar, ter acesso ao microfone e na aparência parecem conduzir o povo a adoração, mas no fundo gostam de estar na frente, gostam de serem vistos, gostam de estar na boca da aprovação da congregação; tudo isso é o reino da alma na vida do “crente”.
Por outro lado, se não está atuando em público, ele irá agir na prática das boas obras, ou seja, irá fazer muito pelos outros na intensão de ganhar através das suas ações recompensas e aprovação de Deus.
Um homem pode ajudar a muitos, doar seu tempo, doar seus bens, agir de forma humanitária, mas em nenhum momento seu coração está naquelas pessoas, ele apenas deseja usar aquelas pessoas para ser grande em ações e reconhecido.
A alma nos faz ser interesseiros, usamos as pessoas e as nossas próprias ações simplesmente para alcançar aquilo que nosso coração doente deseja, um “trono” criado pela sociedade ou por igrejas evangélicas; titulos, aprovação, honra, status, fama, admiração, poder, dinheiro e lugares privilegiados.
"Nenhum homem é maior do que sua vida de oração. O pastor que não está orando está brincando, as pessoas que não estão orando estão desviando. O púlpito pode ser uma vitrine para mostrar os talentos de uma pessoa; já o quarto de oração não permite nenhum exibicionismo.”
(Leonard Ravenhil)
Tg.1:21 –“Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma”.
As obras da alma
Quantas produções já foram realizadas nessa Terra pelo homem. São os nossos relacionamentos, convívios, lutas, vitórias, derrotas, conquistas, frustrações ou libertações.
Em toda história você irá notar que apenas alguns episódios de toda totalidade de ações da humanidade é registrada. São episódios que marcaram, mudaram pensamentos, transformaram nações, abalaram estrutura ideológica e até hoje está vivo em nossos corações e influenciam nossa forma de viver e pensar.
Agora trazendo para nossa vida Cristã e nosso pensamento sobre a Soberania de Deus. Você também poderá analisar e ver que a história registrada é aquela que o Pai escreve. Deus sempre foi o Autor principal da história no Velho Testamento.
Ele está na Criação (Gn.1).
Ele está no relacionamento com o homem (Gn.3:8).
Ele está no controle (Gn.6).
Ele está na escolha (Gn.12), dialogando ou conversando (Gn.17:22/18:17,33).
Ele escolhe uma nação e caminha com eles pelo deserto (Dt.1:31). Escreve as leis e as entrega (Ex.31:18). Em todo momento Deus está atuando com seu povo escolhido, e tudo está sendo registrado, marcado, acontecendo, mudando e criando. Mas da mesma forma está se manifestando as obras da alma, situações ou criações que estão ocorrendo e que vão apenas causar um espanto momentâneo, ou um chacoalhar trazendo uma nova visão, com um novo pensamento, mas que não sobreviverá ao longo da história. Porque são como palha, e quando passa o fogo do controle Soberano sobre o que deve realmente permanecer para um plano vindouro, essas criações ou ações se queimam. Quantas canções surgiram mexendo com o pensamento da sociedade e fizeram estrago na mente dos jovens. Com o tempo foram esquecidas e não são mais lembradas e uma nova geração nem sequer ouve falar. Da mesma forma quantas criações feitas no “mundo evangélico” e que hoje ninguém se importa. Podem ser canções, pregações, movimentos, pensamentos, novas ideologias, previsões de catástrofes, fim do mundo; todas essas questões são originadas de uma alma que anseia ser o centro das atenções, mas essas obras não sobrevivem, porque não vêm da fonte correta, que á o Altíssimo. Elas não passarão pelo fogo, se queimarão (ICor.3:12,13, -“Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13 manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará”).
Atuação do espírito
Imagine um reino e nele está um regente, alguém que reina e coordena o reino porque o verdadeiro (filho do Rei) que deveria estar no controle ainda não surgiu. Então esse regente (alma) atua nesse reino com poder. Controla, é egoísta, independente e na maioria das vezes não ouve as ordens do Rei. Ele escraviza o reino (corpo) e o usa simplesmente para seus caprichos, porque esse regente (alma) é dominado por um desejo (pecado) de tomar posse do reino. Mas no momento certo, surge um bebê (espírito) que começa a crescer no reino. Esse bebê vai tomando espaço, e cada vez mais coloca novos padrões, uma nova forma de dirigir o reino (corpo) e tem prazer em se submeter ao Rei. As coisas começam a piorar porque o bebê (espírito) nasceu para submeter o reino (corpo) ao Rei e terá um forte inimigo para combater. A missão desse bebê (espírito) será fazer o regente (alma) sair do controle e se submeter. Então ocorrerá uma forte guerra (Gl.5:17 –“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”). O Espírito de Deus vem gerar vida no espírito do homem para tomar o controle da alma e do corpo. O desejo de Deus é santificar e gerar sua total vontade. O espírito do homem vai se fortalecendo com a Vontade de Deus e gerando esse dominio na vida do homem.
A prática do espírito
Existe uma frase mencionada pelo Watchman Nee que diz –“Oh Senhor, permita-me morrer para que outros possam viver”. A alma nunca faria uma oração como essa, porque ela deseja viver sugando a vida do próximo. Vamos observar as mensagens de Jesus:
Mt.5:11,12 –“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”
5:38-48, “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; 40 e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. 41 Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. 42 Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. 46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? 48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.
Lc.9:57-62, “Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que fores. 58 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 59 A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. 60 Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. 61 Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. 62 Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus”.
Lc.14:26,27 –“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”.
Podemos pensar nestas mensagens de Cristo por dois meios:
Primeiro, se olharmos pelo o analisar da alma (orgulho, independência, insubmissão) de maneira alguma conseguiremos cumprir os mandamentos. As bem-aventuranças (Mt.5-7) se tornarão um fardo impossível de viver, será um método de dor, sofrimento e perda. Não haverá alegria, só insatisfação.
Mas pela segunda forma de ver, através do espírito, iremos compreender que cumprir os mandamentos do Pai é o melhor. Pois, a lei do Espírito nos liberta da escravidão da alma insaciável (Rm.8:2 –“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”). Só pelo espírito que iremos compreender que ser servo neste mundo presente, nos faz ser grandes no reino. Estar entre os primeiros diante do Cordeiro, é agir como servo entre nossos irmãos (Mt.20:26,27 –“Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo”). Apenas quando tivermos o espírito dirigindo nossas vidas, entenderemos que andar na lei do espiríto é perder os caprichos da alma (Mt.10:39 –“Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á”). Mas isso nao deve ser torturante, terrível ou até um sofrimento eterno. Se ainda estamos sendo comandados pela alma (desejo, egoísmo), não haverá espaço para perder, pois nossa vida girará em torno apenas de buscas egoístas. Mas se estivermos sendo guiados pelo espírito, começaremos a ver que o anseio ardente da alma, como mérito, ganho, desejo e outras infinidades de caprichos, são perca de tempo, pois o espírito dentro de nós agora busca valores do alto e não mais da terra, nosso coração está no coração do Pai (Cl.3:1-3, “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. 2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; 3 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”/ Tg.3:17, “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”).
Apenas desta forma podemos entender como os discípulos sofriam e se alegravam, porque a alma não tinha mais domínio sobre eles, em querer contestar, duvidar, revidar ou se proteger, mas era o espírito dirigindo seus corações para a glória do Pai (At.5:40,41 –“Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. 41 E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome”/13:50-52, “Mas os judeus instigaram as mulheres piedosas de alta posição e os principais da cidade e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, expulsando-os do seu território. 51 E estes, sacudindo contra aqueles o pó dos pés, partiram para Icônio. 52 Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo”). A prática do novo homem significa escolher andar no espírito, Frost comenta:
"Meu verdadeiro eu é meu homem interior que é renovado todos os dias no amor de Deus e me dá poderes para receber Seu amor e compartilhá-lo com o próximo. Uma das bases principais para eu processar o amor do Pai todos os dias, e depois manifestar esse amor para minha família, é aprender a reconhecer qual voz estou ouvindo e escolhendo seguir hoje. Escolherei a voz calma em meu espírito (eterna), ou a voz guiada em minha alma (temporal)? Isso envolve escolher caminhar no que Deus me criou para ser, e me renovar todos os dias pelo Seu amor, ou caminhar na identidade do meu homem exterior" (Jack Frost. Sentindo o abraço do Pai, Ed BvBooks, 2014 p.232)
“Nós não somos o que gostaríamos de ser. Nós não somos o que ainda iremos ser. Mas, graças a Deus, Não somos mais quem nós éramos”.
Martin Luther King
As obras do espírito
Parece haver uma prática escondida no coração do Pai e essa prática ao ser descoberta, se torna uma ação marcante na humanidade gerando glória ao Eterno. Essa prática já foi criada e está na fase da descoberta para cada cristão (Ef.2:10, -“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”).
Jesus ao andar na terra, nos ensinou como andar no espírito sendo um homem natural. O segredo está em ver no espírito as obras que o Pai faz e copiá-las aqui na terra, como um filho que observa atentamente os passos de seu pai natural e por estar na fase de crescimento, o imita alcançando sua identidade (Jo.5:19-21, “Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer o Filho também semelhantemente o faz. 20 Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. 21 Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer”).
É tão impressionante ver que situações normais na vida de Jesus que são idênticas as nossas, tornam-se tão diferenciais na prática contínua da vida de Cristo na terra.
Expressões como Jesus “passou” (Lc.18:37/19:4,36), Ele “parou” (Lc.18:40), “viu” (Lc.18:24/19:5,41/21:1), “chorou” (Lc.19:41), “ouviu” (Lc.18:22), “retirou-se” (Lc.9:10), “levou consigo” (Lc.9:28,18:16,31,40), “tocou” (Lc.6:19/7:14/18:15/22:51), “repreendeu” (Lc.4:35,41/8:24/9:42,55), e “admirou” (Lc.7:9) são normais para a vida natural de um ser humano.
Todos nós passamos por vários lugares diariamente, paramos para prestar atenção em situações, choramos por algo que mexe com nosso emocional, nos retiramos para encontrar ambientes de sossego, repreendemos quaisquer afrontas, admiramos as ações heróicas ou fora do comum e sempre estamos vendo a vida passar por nós. Mas parece que essas nossas ações que são idênticas as de Cristo, não dão o mesmo resultado. O resultado de nossas ações são passageiros, momentanêos, sem propósito algum, enriquece apenas nossa alma, alimenta nosso ego, nos dá um alívio ilusório que resulta em acontecimentos esquecidos. As ações de Cristo que eram normais como de qualquer ser humano se transformaram em ações sobrenaturais. Um olhar, um passar, um tocar, um abraço e até um chorar marcaram a história. Deus conseguiu encontrar um homem de carne e osso que desejou andar conforme a Vontade do Pai (Jo.4:34, “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”). Por isso que todas as ações de Cristo são marcantes, porque elas são as ações de Deus na Terra através de Cristo.
A Parábola da Alma
Lc.12:15-21, “Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. 16 E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. 17 E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? 18 E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. 19 Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. 20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21 Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus”.
A alma sempre irá pensar em si e nunca no próximo e quando pensar no próximo, será pelo interesse de fazer uma boa ação voltando a recompensa para si mesmo.
Jesus fala de um rico que prosperava cada vez mais, derrubou os celeiros e fez outros maiores para poder guardar mais dos seus bens. Depois de ter feito isso disse a alma: -“descansa, come, bebe e regala-te”. Mas Jesus o chama de “louco”. Sabe porque? A alma nunca descansa. Jesus não está falando do ajuntamento de bens nesta parábola, mas do saciar da alma que sempre pede e pede cada vez mais escravizando o homem. O homem irá trabalhar incessantemente, porque todo o dia a alma irá ter um novo desejo. Ele será escravo, gastará todo seu tempo para tentar acabar com a sede de uma alma que não sacia com nada e no fim, terá de dar contas diante de Deus, porque é o Senhor que lhe pedirá a alma.
Todos nós precisamos entender que um dia estaremos diante do tribunal de Cristo e Ele nos dará aquilo que fizemos por meio do nosso corpo. Ou seja, quem estava no comando? A alma usando nosso corpo para seu desejo insaciável? Ou o espírito? Que se submete a vontade de Deus. Que possamos pensar sobre isso!
2Cor.5:10 –“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”
“Contentamento com os bens terrenos é sinal do santo; contentamento com o nosso estado espiritual é sinal de cegueira interior”
A.W.TOZER
Lc.21:19 –“É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma”
Obs; TRICOTOMIA, DICOTOMIA E HOLÍSTICO
Existem algumas
linhas de pensamento que tentam classificar e entender o homem como a tricotomia que afirma que através do seu corpo, o
homem relaciona-se com o ambiente, através de sua alma com os outros, e do seu
espírito com Deus. A outra ideia usualmente sustentada a respeito da
constituição do homem é a dicotomia,
diz que o homem consiste de corpo e alma. O pensamento holístico coloca o homem como um ser total, não separando nenhuma
parte. Não desejo entrar na discussão da dicotomia ou tricotomia e nem da
holística, mas caminhar pelo sentido que existe uma luta interna homem, você poderá pega a palavra usada como "alma" nesse texto e trocá-la por "carne". O foco do artigo é mostrar uma caminhada que cada cristão deve percorrer para amadurecer, uma luta interna e um novo caminhar cristão que precisa desenvolver - Uma nova criatura em Cristo.
Ronaldo, pastor







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