A História do Avivamento AZUSA (por FRANK BARTLEMAN)
1° Parte – O Começo do Avivamento
Na presença da morte, como se tornam reais os assuntos eternos!
“Algumas igrejas vão se surpreender quando Deus as deixar para trás e usar outros canais que se rederam a Ele. É preciso humilhar-nos para que Ele venha. Estamos rogando: ‘Pasadena para Deus! (cidade dos EUA)’. As pessoas cristãs estão muito satisfeitas consigo mesmas e têm pouca fé e pouco interesse pela salvação das outras. Deus as humilhará deixando-as de lado. O Espírito está orando através de nós por um grande derramamento em toda parte. Grandes coisas vão acontecer. Estamos pedindo coisas tremendas para que o nosso gozo seja completo. Deus está se movendo. Estamos orando pelas igrejas e seus pastores. O Senhor visitará aqueles que quiserem se render a Ele”.
(retirado do diário de Bartleman)
É preciso que sejamos humildes – e que vejamos a nós mesmos como insignificantes (possamos reconhecê-lo com os nossos próprios olhos). O fracasso ou o sucesso, em última analise, dependerá disto. Se nos considerarmos importantes, já estamos derrotados. A história sempre se repete, neste particular. Deus sempre procurou um povo humilde. Ele não pode usar outro tipo de pessoas
Martinho Lutero escreveu:
“Quando o Senhor Jesus diz ‘Arrepende-te’, Ele quer dizer que toda a vida do crente na terra deve ser um constante e permanente arrependimento. Arrependimento e dor, isto é, verdadeiro arrependimento, são constantes enquanto o homem não está satisfeito consigo mesmo – ou seja, até que vá para a eternidade. O desejo de se auto-justificar é a causa de todo o sofrimento do coração”.
Nosso coração sempre precisa de muita preparação, em humildade e separação, antes que Deus possa vir de forma persistente. A profundidade de qualquer avivamento será determinada precisamente pela profundidade do espírito de arrependimento que produziu. É esta, aliás, a chave de todo avivamento verdadeiramente nascido de Deus.
O peso pelo avivamento me consumia.
Havia tanto peso na vida de Jesus que fluía oração de todos Seus poros. Isto é alto demais para a maioria das pessoas. Contudo, não seria esta a última chamada do Senhor?
(extraído de um artigo escrito em maio de 1905 por Frank Bartleman)
Só o homem que vive em comunhão com a realidade divina está habilitado a levar as pessoas a Deus.
• Reúna o povo que está disposto a fazer um entrega total.
(extraído de uma carta que Evan Roberts mandou em resposta a Bartleman)
Grandes coisas se iniciam a partir do grão de trigo que estivesse disposto “a cair na terra e morrer”: havia promessa de grandes colheitas. Mas, para os insensatos espirituais, tudo isso não passava de bobagem.
Naquele tempo a verdadeira oração não era bem compreendida. Era difícil achar um lugar quieto onde não se fosse incomodado. Ter experiência de Getsêmani com Jesus era raro entre os santos naqueles dias.
Os gemidos não são muito populares em algumas igrejas, assim como não são agradáveis os gritos de uma mulher dando à luz. A angústia demonstrada na intercessão não é uma companhia agradável para os que apenas desejam uma vida egoísta neste mundo. Entretanto, almas não são ganhas sem esta prática. O esforço exigido para dar à luz não é considerado um exercício agradável, hoje em dia.
Durante as noites de luar, derramei meu coração diante de Deus, e Ele veio estar comigo. Havia muito ruído de “carroças (corações) vazias” no acampamento. A maioria buscava bênçãos egoístas; estavam ali como grandes esponjas para absorverem o maior número de bênçãos possível. ALGÚEM PRECISAVA ESPREMÊ-LOS UM POUCO!
Sem dúvida os movimentos feitos por homens precisam ser sacudidos.
Os oficiais da igreja haviam se cansado das inovações e queriam voltar ao estilo antigo. Disseram-lhe (para o Pr. Smale) que parasse o avivamento ou saísse. Sabiamente ele escolheu a segunda alternativa. Mas que posição horrível para uma igreja assumir: colocar Deus para fora! Da mesma maneira, também puseram, mais tarde, o Espírito do Senhor para fora das igrejas do País de Gales! Cansaram-se de Sua presença, desejando voltar aos velhos padrões frios e eclesiásticos. Como são cegos os homens!
O Espírito de intercessão se apossara de mim de tal maneira que eu orava noite e dia; jejuava tanto que minha esposa de vez em quando achava que eu ia morrer.
Alguns temiam que eu estivesse ficando desequilibrado. Não conseguiam compreender a profundidade do meu comprometimento. Os homens egoístas não podem entender tal sacrifício. É sempre mais fácil escolher o que é secundário. Uma vida de oração é muito mais importante do que os prédios e organizações.
À noite, eu mal podia dormir, de tanto sentir a necessidade de orar. Jejuava muito, pois, sob tal peso de intercessão, não sentia tanta necessidade de alimento. Em certa época, fiquei em angustiosa intercessão por vinte e quatro horas seguidas, sem interrupção. Acabei ficando muito esgotado. As orações praticamente me consumiam. Comecei a gemer até quando dormia.
“País de Gales, 14 de novembro de 1905.
Meu caro companheiro:
O que posso lhe dizer que o encoraje nesta grande luta? Vejo que é uma luta terrível: o reino do mal está sendo atacado por todos os lados. Oh! São milhares de orações – não só orações formais – mas a própria alma chegando diretamente ao Trono Branco! O povo de Gales tem aprendido a orar neste último ano. Que o Senhor os abençoe com um grande derramamento. Em Gales, parece que o Senhor está sobre a congregação, esperando que os corações dos seguidores de Cristo se abram. Tivemos um grande derramamento do Espírito Santo na última noite de sábado. Antes disto, o conceito que
o povo tinha do verdadeiro louvor foi corrigido. Vimos que devemos:
1. Dar a Deus, e não receber.
2. Agradar a Deus, e não a nós mesmos.
Oramos, então, olhando para Deus e não para o inimigo, nem para o medo dos homens, e o Espírito do Senhor se fez presente. Tenho pedido a Deus em oração para manter você forte na sua fé e para salvar a Califórnia.
Permaneço seu irmão na luta. Evan Roberts”.
“O Avivamento no País de Gales não vem dos homens: é obra de Deus. Ele está muito próximo de nós; não há problemas de crenças ou dogmas neste movimento. Não estamos ensinando nenhuma doutrina sectária, só a maravilha e a beleza do amor de Cristo. Perguntam-me sobre meus métodos, mas eu não os tenho. Nunca preparo o que vou dizer, mas deixo tudo para Ele. Eu não sou a fonte deste avivamento, mas apenas um agente entre tantos outros que estão se transformando numa multidão.
Não espero que as pessoas me sigam, mas quero o mundo para Cristo. Eu creio que o mundo está às portas de um grande avivamento espiritual e oro, todos os dias, para que eu possa ajudar na sua realização. Coisas maravilhosas têm acontecido em Gales, mas ela são apenas o principio. O mundo será varrido pelo Espírito Santo, como por um vento forte e poderoso. Muitos que agora são cristãos silenciosos liderarão o movimento. Verão uma grande luz e refletirão essa luz sobre milhares que estão nas trevas. Milhares se levantarão e farão mais do que nós jamais conseguimos realizar, à medida que Deus lhes der poder”.
Evan Roberts
Que humildade maravilhosa! Este é sempre o segredo do poder.
Uma testemunha inglesa do avivamento de Gales escreveu: “Tanta angústia na intercessão pelas almas dos não-salvos nunca antes presenciei. Vi o jovem Evan Roberts transtornado pela dor, e convidando o auditório a orar. ‘Não cantem’, ele suplicava, ‘é terrível demais para cantar! ’”.
(A convicção do pecado muitas vezes é perdida pelo povo, quando se canta demais.)
Comecei uma pequena reunião em um lar onde tínhamos mais liberdade de orar e esperar no Senhor. O Espírito de oração estava sendo impedido nas reuniões formais da igreja.
“Devagar, porém cada vez mais, há uma crescente convicção entre os santos do sul da Califórnia de que Deus vai derramar o Seu Espírito, como o fez no País de Gales. Temos fé em coisas que antes nem sonhávamos existir e que ocorrerão em um futuro próximo. Estamos certo de que haverá nada menos que um ‘Pentecoste’ por todo o país. Jamais haverá, entretanto, resultados pentecostais sem o poder pentecostal. Isso significa manifestações pentecostais. Poucos querem ver Deus face a face! ‘Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus’”.
“O avivamento atual está passando por nossa porta. Havemos de lançar-nos no seu poderoso seio a fim de sermos transportados à gloriosa vitória? Um ano de vida agora, com todas as maravilhosas possibilidades de servir a Deus, vale mais do que cem anos da vida que estamos acostumados a levar".
O Pentecoste’ está batendo às nossas portas. O avivamento de nosso país não é mais uma dúvida. Devagar, mas visivelmente, a maré está crescendo, até que, em breve, teremos uma enchente de salvação que tocará a todos que estão diante de nós. O País de Gales não estará mais solitário neste grande triunfo para o nosso Cristo. O espírito de avivamento está vindo sobre nós, impulsionado pelo sopro de Deus, o Espírito Santo. As nuvens estão chegando rapidamente, carregadas da grande chuva que em breve cairá.
Heróis surgirão do pó de circunstâncias pouco reconhecidas e até desprezadas, mas seus nomes serão alardeados nas páginas da fama eterna, nos céus. O Espírito paira sobre nossa pátria como no alvorecer da criação, e a ordem de Deus é ouvida: ‘Haja Luz!’.
Irmãos e irmãs, se todos cressem, o que poderia acontecer? Muitos de nós aqui vivemos só para isso. Um grande volume de orações dos que crêem está subindo ao trono de Deus, noite e dia. Los Angeles, o sul da Califórnia e todo o continente encontrar-se-á, dentre em breve, em um poderoso avivamento pelo poder de Deus”.
Março de 1906, folheto intitulado A ÚLTIMA CHAMADA.
E agora, mais uma vez, no final desta era, Deus faz a última chamada: a chamada da meia-noite está sobre nós, ressoando claramente em nossos ouvidos. Deus concederá mais uma oportunidade, a última chamada, um avivamento mundial. Depois virá o julgamento de todo o mundo. Um acontecimento tremendo está para acontecer!”.
2° Parte – O Fogo Cai em Azusa
Os pioneiros haviam preparado o caminho para que as multidões pudessem agora entrar. Era evidente que, afinal, o Senhor encontrara o pequeno grupo através do qual poderia atuar. Não havia outra missão no país onde a mesma ação pudesse ser realizada. Todas eram controladas por homens, por isso o Espírito não podia operar. Outras obras bem mais pretensiosas haviam fracassado. Tudo o que aqueles homens estimavam havia sido rejeitado e o Espírito, mais uma vez, nascia em uma humilde estrebaria, fora dos pomposos estabelecimentos eclesiásticos.
Os Humildes Começos
É indispensável que o corpo seja preparado através do arrependimento e da humildade para que haja o derramamento do Espírito. As pregações da Reforma forma iniciadas por Martinho Lutero em um prédio em decadência, no meio da praça pública, em Wittenberg. D’Aubigné o descreve desta maneira:
“No meio da praça de Wittenberg estava uma velha capela de madeira, com dez metros de comprimento e seis metros e meio de largura, cujas paredes – estaqueadas de todos os lados – estavam prestes a cair. Um velho púlpito de tábuas de um metro de altura recebia o pregador. Foi neste lugar desprezível que a pregação da Reforma começou. Foi da vontade de Deus que o movimento que restauraria Sua glória começasse num ambiente o mais humilde possível. Foi aí neste lugar desditoso que Deus ordenou, de forma figurada, que Seu filho amado nascesse pela segunda vez... Entre as milhares de catedrais e paróquias que enchiam a terra, não houve uma sequer, naquela época, que Deus escolhesse para a pregação gloriosa a respeito da vida eterna”.
No avivamento de Gales, os grandes pregadores da Inglaterra tiveram de vir e sentar-se aos pés de mineiros trabalhadores e rudes para ver as obras maravilhosas de Deus. Escrevi para o jornal WAY OF FAITH naquela ocasião:
“A coisa genuína está aparecendo entre nós; o Altíssimo mais uma vez lutará contra os mágicos de Faraó. Porém muitos O rejeitarão e blasfemarão. Muitos não O reconhecerão, mesmo entre aqueles que se consideram Seus seguidores. Temos orado e temos crido em um Pentecostes. Será que o reconheceremos quando chegar?”.
A presente manifestação pentecostal não irrompeu num instante como se fosse um imenso incêndio de pradaria para por fogo no mundo inteiro. Na realidade, nenhuma obra divina aparece desta maneira. É preciso tempo para a preparação. O produto acabado não é reconhecido desde o principio. Os homens indagarão de onde veio tudo aquilo, pois não tomaram conhecimento da preparação; no entanto, esta preparação é sempre uma condição essencial.
O inimigo forjou muitas falsificações, mas Deus manteve a criancinha bem escondida dos diversos Herodes por uma temporada, até que pudesse adquirir força e discernimento, pela mão do Senhor, dos ventos das críticas, dos ciúmes, da incredulidade e outras coisas semelhantes. O TRABALHO PERFEITO DE DEUS É REALIZADO DENTRO DA IMPERFEIÇÃO HUMANA.
D’Aubigné disse:
“Um movimento religioso quase sempre excede a justa moderação. A fim de que a natureza humana possa dar um passo para frente, seus pioneiros devem estar muitos passos na vanguarda”.
John Wesley:
“Senhor manda-nos o antigo avivamento sem seus defeitos; mas, se não for possível, manda-o de volta com todos os seus defeitos. Precisamos de um avivamento!”.
Adam Clark:
“A natureza (como também Satanás) sempre se mescla tanto quanto possível com o verdadeiro trabalho do Espírito de forma a levá-lo ao descrédito e a destruí-lo. Assim, em todos os grandes avivamentos religiosos, é quase impossível impedir que o fogo estranho se misture com o verdadeiro fogo”.
Dr. Seiss:
“Nunca houve uma semeadura de Deus na terra que não fosse super-semeada por Satanás; nem houve crescimento vindo de Cristo sem que as ervas do maligno se misturassem para impedir o crescimento. Aquele que pretende achar uma igreja perfeita, em que não haja elementos indignos nem imperfeições, almeja tarefa impossível”.
Os jornais começaram a ridicularizar e a debochar das reuniões, oferecendo-nos, desta maneira, muita publicidade gratuita. Isto trouxe as multidões. O diabo superou-se a si mesmo outra vez. Perseguições externas nunca fazem mal à obra. Tínhamos de nos preocupar mais com os espíritos malignos que trabalhavam dentro da obra. Não ousávamos chamar muito a atenção do povo para o que o maligno tentava realizar, pois o resultado seria medo. Só podíamos orar. Então Deus deu-nos a vitória.
Um certo escritor disse bem:
“No dia de Pentecoste, o cristianismo enfrentou o mundo; era uma nova religião, sem universidade, sem povo ou qualquer patrocinador. Tudo o que era antigo e venerável se levantou em oposição maciça contra ele, e ele não bajulou ou procurou sistemas existentes e todos os maus costumes, queimando à medida que passava todas as inumeráveis formas de oposição. Isto realizou só com sua língua de fogo”.
Outro escritor disse:
“A apostasia da igreja primitiva veio porque os cristãos queriam ver seu poder e governo se espalhar, mais do que a transformação de vida de cada um dos seus membros. No momento em que nos regozijamos com as multidões que aderem à nossa versão ou conceito da verdade, em lugar de buscarmos a transformação de vidas individuais de acordo com o plano divino, já estamos andando na estrada da apostasia que leva a Roma e às suas filhas”.
Sentia-me indignado que os pregadores fossem usados por Satanás para abafar a voz do Senhor.
Houve muita perseguição, principalmente por parte da imprensa. Eram escritas coisas escandalosas, mas isso só fazia com que mais gente viesse. Muitos deram ao movimento seis meses de vida. Em pouco tempo, entretanto, havia reuniões noite e dia sem interrupções.
O amor divino se manifestava maravilhosamente nestas reuniões. Não se permitia nem sequer uma palavra indelicada contra os inimigos ou outras igrejas. A mensagem era o amor de Deus. Nós nos submetíamos ao Seu julgamento, em todos os assuntos, nunca buscando defender nosso trabalho ou a nossa pessoa. O falso era separado do real pelo Espírito de Deus. A própria palavra de Deus era que resolvia todos os assuntos. Tornar-se membro do grupo não era, em qualquer hipótese, uma brincadeira. “Ninguém ousava ajuntar-se a eles” (At. 5:13) a não ser que levasse as coisas a sério, e intencionasse prosseguir até o fim.
O que aconteceu parecia fazer cessar toda crítica e oposição, e era difícil até para os ímpios negá-lo ou ridicularizá-lo.
Mais tarde, começaram a desprezar este dom, quando o espírito humano se arvorou, outra vez, como senhor da obra. Colocaram os cânticos espirituais para fora, substituindo-os pelo uso do hinário e hinos selecionados pelos líderes. Era como assassinar o Espírito, e isto entristecia muito a alguns de nós; porém, a corrente contrária era forte demais. Os hinários hoje em dia são, em grande parte, uma produção comercial, e não perderíamos muito se não os tivéssemos. Os velhos hinos são violados pelas mudanças, e procuram produzir novos estilos todos os anos para que haja mais lucro. Há muito pouco espírito de adoração neles. Mexem com os pés, mas não com os corações dos homens!
O povo vinha se encontrar com Deus. Ele estava ali. Por isto, a reunião era contínua e não carecia de liderança humana. A presença de Deus tornava-se mais e mais maravilhosa. Naquele velho prédio de teto baixo e piso descoberto, Deus fazia em pedaços homens e mulheres fortes e tornava a ajuntá-los outra vez, para Sua glória. Era um tremendo processo de desmontagem e revisão geral. O orgulho e a auto-afirmação, a auto-importância e a auto-estima não podiam sobreviver naquela situação. O ego religioso pregava rapidamente seu próprio sermão de enterro.
Nenhum assunto ou pregação era anunciado de antemão, e nenhum pregador especial havia para aqueles encontros. Ninguém sabia o que iria acontecer e nem o que Deus faria. Tudo era espontâneo, comandado pelo Espírito. Queríamos ouvir Deus através de quem falasse. Não fazíamos acepção de pessoas. Os ricos e cultos eram iguais aos pobres e ignorantes, e era muito mais difícil para aqueles morrerem. Só reconhecíamos a Deus.
Todos eram iguais. Nenhuma carne podia se gloriar na Sua presença, e Ele não podia usar quem tivesse opiniões próprias. Eram reuniões do Espírito Santo, guiadas pelo Senhor. O avivamento precisava começar em um ambiente humilde, para que o elemento egoísta e humano não entrasse. Todos caiam aos seus pés, com humildade. Todos se assemelhavam e tinham tudo em comum, neste sentido de humildade, pelo menos. O teto era baixo e por isso as pessoas altas deviam dobrar-se. Ao chegarem a Azusa, já haviam se humilhado, e estavam preparadas para as bênçãos. A forragem estava preparada para as ovelhas, não para girafas. Todos podiam alcançá-la.
Fomos libertos ali mesmo das hierarquias eclesiásticas e dos seus abusos. Queríamos Deus. Quando chegávamos à reunião, evitávamos o Maximo possível cumprimentar e conversar uns com os outros. Queríamos primeiro chegar a Deus. Colocávamos a cabeça embaixo de algum banco, em oração, e entravamos em contato com os homens somente no Espírito; não os conhecíamos mais na carne. As reuniões começavam espontaneamente com testemunhos, louvor e adoração. Os testemunhos nunca eram apressados pela agitação do homem. Não tínhamos um programa preestabelecido que necessitasse ser empurrado de qualquer maneira. Nosso tempo pertencia a Deus.
Eram ouvidos verdadeiros testemunhos, vindos diretamente de corações vibrantes com as experiências. Se não for assim, quanto menores forem os testemunhos, melhor. As reuniões eram controladas pelo Espírito, diretamente do Trono da Graça. Verdadeiramente, foram dias maravilhosos. Eu, muitas vezes, disse que preferiria viver seis meses naquela época do que cinqüenta anos de uma vida normal. Mas Deus ainda é o mesmo hoje: nós é que mudamos.
Homens presunçosos, às vezes, apareciam no nosso meio, especialmente pregadores que tentavam espalhar suas próprias idéias e se auto-promover. Seus esforços, porém, duravam pouco. Ficavam sem fôlego. Suas mentes vagavam, seus cérebros pareciam girar. Tudo ficava escuro diante de seus olhos. Não podiam continuar. Nunca vi alguém que alcançasse sucesso pessoal naqueles dias, pois estavam lutando contra o próprio Deus. Ninguém precisava interrompê-los. Simplesmente orávamos, e o Espírito Santo fazia o resto.
O Senhor me disse que eu esquecesse cada boa ação, como se nunca houvessem acontecido, assim que fossem realizadas; e que prosseguisse adiante como se nunca tivesse feito nada para Ele, para que minhas boas obras não se tornassem numa armadilha, voltada contra mim mesmo.
Os pregadores é que custavam a se entregar. Tinham muito para entregar à morte. Tanta fama e boas obras! Quando, entretanto, Deus finalizava Sua obra neles, com alegria viravam uma nova página e começavam outro capítulo. Portanto, havia uma razão para eles lutarem tanto. A morte não é uma experiência agradável, e os homens fortes custam a morrer!
Escrevi no WAY OF FAITH:
“Alguém disse que não é quem pode preparar a maior fogueira, mas quem pode acendê-la primeiro que vai iluminar todo o país. Deus não pode esperar um instrumento perfeito surgir, pois estaria esperando até agora. Lutero mesmo declarou que era um rude lenhador com o papel de cortar árvores. Os pioneiros são homens assim. Deus tem também homens refinados como Melanchthon, que virão depois para cortar e arrumar a madeira de forma simétrica. Uma carga de dinamite não produz o produto final. Mas ajuda a soltar as pedras que depois serão transformadas em monumento pela mão talentosa do escultor. Muitos altos dignitários da Igreja Católica Romana no tempo de Lutero estavam convencidos de que seria necessário uma reforma, e consideravam que ele estava no caminho certo. Mas declararam, em resumo, não poderem aceitar que essa nova doutrina viesse de origem tão insignificante: ‘Que fosse um monge, um simples monge, que presumiu nos reformar a todos’, disseram eles, ‘é o que não podemos tolerar!’ ‘De Nazaré pode sair alguma coisa boa?’”.
Mesmo na melhor forma possível, a humanidade caída é algo extremamente peculiar, despedaçado e imperfeito.
A perseguição está forte. A policia chegou a ser chamada para acabar com as reuniões. A obra foi atacada também pelos espírito fanáticos, facilmente encontrados nesta cidade. Deus e Satanás se encontram num tremendo embate. Pouco podemos fazer além de orar e observar. O Espírito Santo mesmo está tomando a liderança, deixando toda liderança humana de lado. Ai dos homens que ficam no caminho procurando, de modo egoísta, mandar ou controlar! O Espírito não aceita interferências deste tipo.
São dias de privilégio, responsabilidade e perigo.
3° Parte – Ainda Mais Profundo
Formar um corpo separado é fazer publicidade de que falhamos como povo de Deus, provando ao mundo que somos incapazes de viver juntos, em vez de levar os povos a crer na salvação que anunciamos: “A fim de que todos sejam um, (...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17:21). A igreja é um organismo, não uma organização humana.
O ambiente era terrível para os pecadores e desviados. Uma pessoa tinha de acertar totalmente a sua vida para conseguir permanecer naquele lugar.
Tínhamos muito trabalho com pregadores estranhos que queriam pregar. De todos, parecia que eram eles os que tinham menos juízo. Não sabiam o bastante para ficarem quietos na presença de Deus. Gostavam de ouvir a si mesmos.
É impossível descrever a experiência com precisão. Deve ser experimentada para ser apreciada.
Nada impede tanto a fé e a operação do Espírito como a auto-suficiência da mente humana. Tudo isto precisava ser crucificado. E aí começa a luta. Precisamos nos tornar totalmente desfeitos, insuficientes, incapazes em nossa própria consciência, totalmente humilhados, antes de podermos ser possuídos pelo Espírito Santo. Queremos possuir o Espírito Santo, mas a verdade é que Ele nos quer possuir primeiro.
Verifiquei que meu pouco desejo de servi-lO era apenas o que Ele conseguira transmitir a mim de Sua grande vontade, interesse e propósito. Há um abismo a ser atravessado entre a razão e a revelação.
Oh, que nos tornássemos tolos, que nada soubéssemos de nós mesmos, a fim de recebermos na sua plenitude a mente de Cristo, e que só o Espírito Santo nos ensinasse e nos guiasse, a todo o momento!
Oh, que profundidade há em uma entrega total, quando todo o egoísmo se vai! Ter consciência de nada saber, de nada possuir a não ser o que o Espírito nos ensina e inspira.
Desde que a igreja primitiva perdeu o Espírito, grande parte do conhecimento dos cristãos a respeito de Deus tem sido um conhecimento intelectual. Seu conhecimento da Palavra de Deus e dos Seus princípios é intelectual, na maior parte, fruto da razão e da compreensão humanas. Há pouca revelação, iluminação ou inspiração vindas diretamente do Espírito de Deus.
“Minha formosura religiosa se transformou em corrupção!”
Sem dúvida, até a menor satisfação que dermos ao nosso “eu”, com relação ao trabalho religioso, irá se constituir no maior impedimento às bênçãos e ao favor de Deus. Isso deve ser evitado como se evita uma serpente.
Deus me mostrou que desejava uma obra mais profunda ainda do que havíamos alcançado até então. Ainda havia muita religiosidade e manifestação do nosso eu entre nós. O trabalho deveria ter a função de um hospital militar de campanha – improvisado no campo de batalha -, onde se trataria os problemas de ações carnais, manifestações falsas e o ego religioso em geral. Estávamos buscando uma experiência que fosse real, permanente e bem fundamentada, que produzisse o caráter de Deus, e que não sofresse contínuas recaídas.
Por um lado, o diabo não tem consciência, e por outro, a carne não tem juízo.
Nada sabíamos dos métodos apressados de hoje. Todo sistema é um produto bastardo, no que se refere à Pentecoste. Leva tempo para sermos santos. O mundo está com pressa, mas isto não os leva a Deus. As pessoas tentavam ficar quietas, deixando em paz suas mentes e espíritos excessivamente ativos, escapando do mundo, por algum tempo, e ficando s sós com Deus.
Milhares estão presos a sistemas eclesiásticos, dentro de barreiras sectárias, enquanto a grande pastagem de Deus está aberta para todos, cercada apenas pela Palavra de Deus. A teologia tradicional, as verdade e as revelações parciais logo se transformaram em lei. A consciência é totalmente amarrada e fechada contra qualquer progresso futuro.
O Espírito Santo nunca desvia a atenção de Cristo para si mesmo, mas revela Cristo de maneira mais completa. Não há nada mais profundo ou mais alto do que conhecer a Cristo.
“Não podemos ter uma doutrina nem buscar um experiência a não ser em Cristo. Muitos querem buscar poder de qualquer fonte disponível, de maneira a fazer milagres, atrair a atenção e a adoração do povo para si mesmos, tirando de Cristo toda a glória, e ostentando-se na carne. A maior necessidade religiosa de nossos dias é de verdadeiros seguidores do manso e humilde Jesus. O entusiasmo religioso acaba logo. O espírito humano é tão predominante, este espírito religioso que quer se mostrar. Mas precisamos nos apegar ao nosso texto, que é Cristo. Só Ele salva. A atenção do povo deve estar, antes de mais nada e sempre, voltada para Ele.”
Um verdadeiro Pentecoste produz poderosa convicção do pecado e uma volta para Deus. As manifestações falsas produzem apenas excitação e admiração. Pecado e egoísmo não sofrerão nenhum perigo substancial por causa deste tipo de manifestação.
No principio tiraram-se, o máximo possível, as plataformas e os púlpitos. Não havia uso para eles. Classes sacerdotais e abusos eclesiásticos deixaram de existir. Todos eram irmãos e estavam livres para obedecer a Deus, que podia falar através de quem quisesse. Só homenageávamos os homens por seus dons e ministérios dados por Deus. Quando o movimento foi se apostatando, começaram a ser feitas plataformas mais altas, as roupas ficaram mais solenes, os corais forma organizados e as orquestras de instrumentos de cordas apareceram para deslumbrar o povo. Os reis voltaram a seus tronos; não eram mais irmãos, e por isto as divisões se multiplicaram. Enquanto o irmão Seymour manteve sua cabeça na velha caixa de madeira, tudo ocorreu bem em Azusa. Depois, fizeram um trono para ele, também. Agora não temos só uma hierarquia, mas muitas.
“Temos estado por tanto tempo na escuridão da descrença – causada pela queda da igreja – que nossa tendência é resistir à luz, pois nossos olhos estão fracos.”
Procuremos sair, pela graça de Deus, de um cristianismo corrupto, retrógado e espúrio. As sinagogas de uma igreja orgulhosa e hipócrita estão voltadas contra nós, para desacreditar-nos. Os mercenários clamam por nosso sangue. Os escribas e os fariseus, os sumos sacerdotes, os principais das sinagogas estão contra nós, e contra Cristo.
“Se algum dia os homens tentarem controlar, enquadrar ou se apropriar dessa obra de Deus para sua própria glória ou a da organização, descobriremos que o Espírito se recusará a agir. A glória nos deixará. Se neste trabalho se der a Deus o Seu devido lugar, tornar-se-á um trabalho tal qual os homens jamais sonharam ver. A satisfação com nosso próprio ‘eu’ nos levará à derrota.”
Não podemos mais ajuntar tudo o que queremos para nós mesmos e depois jogar para o Senhor algumas moedas, das quais, na verdade, não precisamos. Invertemos totalmente a ordem depois da queda da igreja primitiva. Deus requer exatamente a mesma consagração de todos. Não é um décimo que Deus quer nesta dispensação, mas tudo. Em nenhum sentido somos donos de nós mesmos. A igreja está cheia de egoísmo, desobediência e corrupção. Seu reino se tornou “deste mundo”, ao invés de ser um chamamento de cidadania celestial, com armas espirituais.
As pessoas precisam do Cristo vivo, não de contendas dogmáticas sobre doutrina.
Os homens precisam conhecer suas próprias fraquezas antes que haja esperança de conhecer a força de Deus. A força natural e a habilidade humana são as maiores barreiras à obra e operação de Deus.
Os santos estão sempre dispostos demais a servir um sistema ou partido, e a lutar por interesses religiosos, egoístas ou partidários. O povo de Deus está preso em gaiolas denominacionais. A questão é Cristo, não alguma doutrina a Seu respeito.
TEMOS EXCESSO DO ESPÍRITO DE LIDERANÇA. ESTE ESPÍRITO DIVIDE O CORPO E SEPARA OS SANTOS.



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