Reavivamento em Kilsyth, Dundee, Perth, Canadá
Enquanto Burns ministrava na Igreja de St. Peter, Dundee, em Kilsyth o Senhor estava começando a se mover de uma maneira extraordinária. O pai de William decidiu pregar diante do monumento a James Robe, protagonista de um reavivamento na Igreja em Kilsyth à 100 anos atras. Seu objetivo era entusiasmar os crentes a orarem por um novo avivamento e pela salvação das almas perdidas. "Deus não está morto!" ele exclamava.
"O Evangelho não perdeu o seu poder. Somos nós que perdemos o nosso poder junto à Deus. Deus está pronto agora mesmo para nos dar a mesma benção que Ele deu a 100 anos atrás - e muito mais! Vocês estão prontos para deixar que Deus sonde os vossos corações, para ver que ali não há pecado que faça o Senhor voltar atrás em suas bênçãos?"
Durante a noite anterior, o povo de Deus se colocou em oração durante a noite toda, esquecendo-se das horas, tão ocupados estavam em suas orações. Por muitas semanas William Burns estavam tão ocupado em oração que nem ele descansou, nem Deus . Por causa da chuva, a grande multidão que tinha se ajuntado no mercado agora se reunia dentro da igreja, com suas roupas de trabalho, homens, mulheres e crianças , junto com alguns dos mais devassos pecadores do distrito. Eles cantaram o Salmos 102, e quando o narrador do hino leu as seguintes linhas:
"O tempo do seu favor chegou!
Atente bem, é agora vem o fim."
A palavra AGORA tocou seu próprio coração (o de William) e encorajou-o na esperança de que o tempo de Deus era agora, e estava em Suas mãos realizar um novo avivamento. O texto escolhido foi um outro salmo, o 110. Foi um sermão muito cuidadoso em sua ordem de exposição, e também evangelístico em seu ensino. Quando William ia chegando ao fim do seu sermão, ele subitamente sentiu-se guiado pelo Espírito Santo para contar alguns dos poderosos avivamentos na história da Escócia. Contou sobre John Livingstone, como Deus operara por meio dele no reavivamento à 100 anos atrás. Contou que Livingstone estava por terminar a mensagem, quando caiu uma chuva sobre o povo, e como o povo começou a se movimentar par ir embora, ele disse: "Se uns pequenos pingos de chuva tão facilmente afastam vocês de ouvir a mensagem de Deus, então que dirá no dia do julgamento, quando Deus fará chover fogo e enxofre sobre os que rejeitam a Cristo?"
Então Livingstone os incitava a buscar a "cidade de refúgio" em Cristo. O resultado disso foi que 500 pessoas foram convertidas por ocasião de seu sermão.
Enquanto Burns contava a história, a emoção ia tomando conta da multidão. O que se seguiu foi memorável. O próprio William narrou assim: " Eles (o povo) choravam e se lamentavam, intermeado com súbitos momentos de alegria e oração, junto com alguns do povo de Deus. A impressão que eu tive do púlpito era do estado dos ímpios na volta de Cristo, no dia do julgamento. Alguns demonstravam grande agonia - outros caiam no chão como mortos".
Este movimento prosseguiu durante semanas, permanecendo estável e aprofundando-se cada vez mais. William, que pretendia voltar a Dundee naquele dia, ainda pregou mais três vezes naquele mesmo dia, e nos dias seguintes. Mal acabava a primeira pregação já em seguida começava o outro. Às vezes ia até tarde da noite, e assim se sucedia no dia seguinte. Esse temor e emoção tomou conta da cidade e arredores, lembrando um pouco o avivamento que se deu nos EUA sob Jonathan Edwards. O tema das conversas era sobre as coisas do Senhor. Era verdadeiramente o céu na terra, na região de Kilsyth. Toda a Escócia ouviu a grande nova com alegria, e centenas de intercessores por avivamento literalmente saltaram de alegria.
O Reavivamento em Dundee e Perth
Ao retornar para Dundee em Agosto de 1839 William encontrou o mesmo cenário que havia deixado em Kilsyth. Se sua oração antes era cheia de poder, agora também tinha se tornada mais profunda. Robert McCheyne estava doente, quase à morte, no Líbano e William se colocou em oração junto à sua congregação em Dundee por McCheyne. No final da sua primeira pregação em Dundee, William fez um breve relato do que estava acontecendo em Kilsyth e chamou os não-convertidos a deixar a sua condição de pecado. Dr. Andrew Bonar narrou estes fatos assim: "de repente o poder de Deus pareceu descer, e todos começaram a chorar de grande emoção - a mão de Deus se revelou neste dia e nas semanas seguintes".Tão grande era a fome pela Palavra que Burns pediu ajuda a outros pregadores. Ele dificilmente encontrava tempo para comer ou dormir, porque a multidão seguia-o por onde ele fosse em Dundee. Era claro para todos que o jovem ministro tinha construído seu ministério em Kilsyth e Dundee sobre o fundamento que tinha deixado seu pai e McCheyne, mas também era claro que o fator principal do avivamento era o extraordinário poder de Burns na pregação e na oração. Como John Welsh, ele gastava noites em intercessão agonizante pelas almas dos perdidos. "Oh! Suas orações! Eu não consigo fugir delas" - disse certa vez um seu ouvinte.
"Com a calma da exaltação, com santa persuasão, e com riqueza suprema na exposição, ele podia mostrar a glória de Cristo e as maravilhas da redenção; então, com um brilho espiritual, terminava com uma visão que parecia que os céus se abriam para que eles o vissem, e centenas de corações se prostrassem em adoração, num senso de presença inefável de Deus", palavras estas ditas por outro ouvinte.
Em seguida, retornou McCheyne de sua viagem à terra santa, e juntou-se a William na tarefa de fortalecer os jovens convertidos na fé e levar mais almas à Cristo.
Convites de toda a Escócia chegavam ao jovem William, mas ele somente podia ir onde o Espírito Santo de Deus o enviasse. A próxima cena de poderosa visitação do Espírito Santo foi na cidade de Perth. William foi ali para pregar por três dias e acabou ficando três meses. Ele mesmo descreve o que aconteceu ali: " A igreja era uma massa sólida de vida, mas vida física e não espiritual. Eu tinha clara direção para falar baseado em Dt. 32:35 em meu sermão: "Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar". Eu tomei como base o sermão de Jonathan Edwards . Durante a pregação, estas afirmações foram acompanhadas de uma medida extraordinária do Espírito Santo, e o sentimento dos ouvintes se tornou tão intenso que, quando um homem nas galerias exclamou audivelmente, "Senhor Jesus, venha e me salve", a grande massa da congregação deu um audível sinal de emoção ao chorar em voz alta. Eu imediatamente comecei a repetir, como em Kilsyth, o convite de Isaías, dizendo que Jesus é o Dom de Deus que traz libertação. Homens e mulheres literalmente se banharam em choro, em agonia de alma."
Burns era um grande pregador ao ar livre. Onde os homens se congregavam, ele estava ali para pregar a eles: no mercado, nas feiras, nos parques. Ele era o homem dos homens. Centenas podiam ouvi-lo. Algumas vezes, como John Wesley, às cinco da manha se podia ouvir as suas palavras. Algumas vezes McCheyne deixava Dundee e se juntava a Burns em seus encontros evangelísticos. Como a multidão crescia cada vez mais, ele escreveu uma carta à McCheyne para que ele o ajudasse, e dedicasse a sua vida inteira à evangelização e ao fortalecimento na fé dos novos convertidos. Nessa carta ele clamou que McCheyne deixasse a acomodação. "Não espere pela chamada da igreja. A chamada de Cristo é melhor. Almas estão perecendo. Vamos socorrê-los. Não me entenda mal; eu não estou desvalorizando o trabalho pastoral, mas apenas vendo que a necessidade urgente está aqui". McCheyne respondeu dizendo que ele estava buscando cumprir o que o Senhor tinha para ele: "Nós não podemos ver com os olhos dos outros. Temos que cumprir o caminho que o Senhor tem para nós - isto é o mais importante. O trabalho de Deus pode florescer por nós, se ele florescer mais ricamente em nós". Pouco tempo depois o Senhor o chamaria para a glória (1843).
William Chalmers Burns pregou ainda em Dublin, Perthshire Highlands, em Blair Athol, Moulin, Loch Tay e outras cidades, espalhando o evangelho por toda a Escócia. Muitos livros podiam ser escritos demonstrando o caráter e o ministério dele. Mas creio que até aqui temos uma idéia de como era esse grande homem de Deus. Ele se tornou conhecido posteriormente porque foi um missionário ousado na China.
Do Canadá para a China
De Dundee, o Espirito Santo chamou Burns para ir ao Canadá, onde permaneceu dois anos, pregando em Montreal e outras cidades. Sofreu muito nas mãos dos romanistas, que dificultaram o evangelho; pregou ao povo de língua inglesa, francesa e aos de língua gálica que vieram da Escócia para o Canadá. Para isso estudou o gálico e o francês adquirindo proficiência nestas línguas, e ele tinha nitidamente um dom de aprender essas línguas, o que lhe dava grande vantagem na evangelização em relação à outros pregadores. Mesmo com o trabalho intenso, não negligenciava a comunhão pessoal com Deus: "Eu tenho algumas suaves e doces visões de Cristo assentado ao lado direito do Pai".Não devemos nos esquecer que a chamada original de Burns era para ir pregar o evangelho em terras distantes, aos pagãos. Lembre-se que ele se ofereceu à Sociedade Missionária da Universidade de Glasgow para ir à Índia, mas eles não puderam enviá-lo. Quando foi chamado ele estava no meio do reavivamento em seu país, e então não poderia deixá-lo; porém ele não se esqueceu do seu chamado. Agora no Canadá, ele sentiu que havia chegado o tempo de ir pregar a mensagem onde ainda não havia sido proclamada. Orava: "Óh, abençoado Espírito Santo, que terra pagã Tu queres me enviar agora?". Mais tarde veio uma carta de Londres, perguntando aos irmãos na Escócia se podiam recomendar algum missionário para ser enviado à China. Quando Burns tomou conhecimento da carta , entendeu ser este um sinal enviado por Deus para o seu chamado. Ele escreveu ao comitê em Londres: "Eu estou pronto a ser queimado pelo Reino de Deus. Eu estou pronto a sofrer qualquer dificuldade, se eu, por qualquer meio, possa salvar alguns. O desejo do meu coração é tornar conhecido meu glorioso Redentor para aqueles que nunca ouviram falar dele". O comitê em Londres recebeu a sua carta com grande entusiasmo, já que eles conheciam o sofrimento de Burns com os Romanistas na Escócia e Canadá, e sabiam que, se há um homem na Escócia que tinha paixão pelas almas, esse homem era William Chalmer Burns.
Então, após viver situações que lembravam o Pentecostes, esse ardente apóstolo foi abruptamente transferido para uma terra que não gosta de estrangeiros - uma terra de ídolos e adoradores pagãos. Ao invés de pregar para milhares, agora pregava para dois ou três. Tinha nesta ocasião a idade de 31 anos. Eu creio que nenhum outro episódio mostra tão claramente o caráter deste homem, como o fato de deixar popularidade, prestígio, saúde e o amor dos amigos e pelos amigos em função das almas perdidas num país distante. Perguntado pelo Sínodo quando ele estaria pronto para ir `a China, respondeu: "AGORA!", mesmo sem precisar voltar à Escócia.
Ele foi o primeiro missionário Inglês à China enviado pela igreja Presbiteriana.
Enquanto esperava a saída do navio em Junho, ele pregava diariamente na Inglaterra. Seus pais, seu irmão Isley e sua esposa vieram para visitá-lo e permaneceram até que ele deixou à Inglaterra. A sua saída da Inglaterra foi repentina. O navio à vela - The Mary Bannatyne - dependia dos ventos favoráveis para partir, então não havia dia marcado para sair. Num dia, ao anoitecer, após pregar na igreja escocesa de Woolwich, perto de Londres, veio a notícia de que o navio ia partir e o esperava em Portsmouth. William rapidamente partiu de trem até o local e embarcou no navio para a longa viagem. O último sinal que seu irmão - Isley - conseguiu ver de William foi ele estar em pé, junto ao convés, com a Bíblia levantada na mão direita, apontando para ela com a esquerda, "como se", disse Isley, "para dizer que ali estava a única coisa digna de viver em todo o mundo, e que a Bíblia era o meio de união eterna entre aquele que parte e aquele que fica. O navio ia desaparecendo na escuridão... Eu continuava a ver a William, na mesma atitude, mesmo que agora desaparecido totalmente na escuridão. Eu fui separado, não somente de um irmão, mas de um verdadeiro santo de Deus".
William embarcou, esperando nunca mais ver seus amados e sua amada Escócia novamente.
Seu diário durante a viagem é extremamente interessante. Era Junho quando deixou a Inglaterra e não chegaria a Hong Kong antes de Novembro. Durante este tempo William continuou como tinha começado, orando pela sua família em sua cabine ao amanhecer e ao anoitecer, e, quando o capitão permitia, em outras partes do navio. Estudava o chinês, usando o Novo Testamento em chinês do Dr. Morrinson, tomando conhecimento desta língua, e indo além de suas próprias expectativas, aprendendo rapidamente esta nova língua. Numa noite de Sábado, perto da ilha de Luzon, abateu-se-lhes uma violenta tempestade, a ponto de romper o mastro principal. A tempestade durou até Segunda-feira, deixando o barco à deriva, ao sabor das ondas, levando-o em direção da costa perigosamente. Porém, inesperadamente, o vento mudou de direção e os livrou. Mais tarde William acrescentou que acreditara ser esta tempestade para o bem espiritual de muitos dos seus companheiros de viagem. Certamente eles ficaram impressionados com a fé, a firmeza na verdade de Deus que William demonstrou neste período. O capitão permitiu que realizasse cultos de adoração no barco. Como ele disse, para ele morrer ou viver era algo de pouco valor , mas sim o salvar almas. E era isso que ele buscava fazer em qualquer circunstância.
Burns trabalhou em Canton onde ele tentou pregar em Chinês para prisioneiros em uma jaula comum. Dali ele foi para a ilha de Amoy e traduziu uma edição do "O Peregrino" e um livro de hinos. Depois, de cidade em cidade, ele ia distribuindo literatura evangelística e pregando ao ar livre. Durante uma destas viagens, ele parou em Pechuia, uma cidade central e comercial muito importante. Ali um avivamento começou, e foi tal que relembrava o avivamento que ele presenciou na Escócia. O povo voltava com grande comoção para os caminhos de Deus, e os chineses destruíam seus ídolos e símbolos ancestrais - objetos amados pelos chineses como símbolo de veneração. A simplicidade e o zelo destes novos convertidos literalmente estontearam a comunidade e o movimento alastrou-se espontaneamente como fogo, de vila em vila.

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