O Reino de Deus é Contínuo
Toda geração possui uma carga de responsabilidade diante da história, conscientes ou inconscientes, estão destinados a deixar um legado no período que dominam. A passagem de uma geração é séria, pois ela carrega em seu período o controle no avanço ou o declínio para a próxima época. Com esta idéia podemos visualizar o poder de um Pai e sua responsabilidade ao criar seu filho. Este Pai possui um poder incalculável em suas mãos. A criança que cresce debaixo de sua responsabilidade, é uma nova geração que terá um papel importante na sociedade; ela será um agente ativo na proclamação do reino de Deus e sua justiça na terra, ou será, um inimigo contra as verdades do reino.
Existe uma passagem interessante no livro de Provérbios que diz: (22:28), “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais”. Obviamente esta passagem está mencionando os limites estabelecidos para cada família em Israel, pois todos possuíam seu espaço de terra e deveria haver respeito. As tribos tinham seus limites estabelecidos e cada família possuía seu espaço estabelecido pelos antigos. Podemos aprender uma lição com este conselho de Salomão, da mesma forma que havia limites estabelecidos que deveriam ser respeitados, também existem limites no reino de Deus que devem ser respeitados. O maior problema que existe atualmente é uma geração que cresce sem respeitar o limites, crescem sem serem educados ou ensinados nos padrões estabelecidos por Deus. Encontramos no Pentateuco um forte esclarecimento das leis divinas para Israel, e como Deus desejava que essas leis fossem ensinadas de Pai para filho, com respeito e continuidade (Deut.6:6,7 –“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se”). Quando esta ordem de passagem e continuidade não é obedecida, podemos encontrar os desastres que ocorrem.
Uma geração foi dizimada no deserto por não obedecer as normas estabelecidas por Deus, um coração rebelde os fazia querer conduzir suas próprias vidas, e isso os levou a ruína. Uma nova geração cresce com o mau exemplo dos pais e conseguem entrar na terra de Canaã, mas também não cumprem a ordem da continuidade; que é passar para os filhos os limites estabelecidos por Deus, a lei, a santidade, a conduta e a separação do profano. Esta falha de Israel gerou o total declínio que conhecemos como o tempo angustiante do povo de Deus, onde suas vidas foram entregues nas mãos dos inimigos.
“Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR; pois serviram aos baalins. Deixaram o SENHOR, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o SENHOR à ira” (Jz.2:10-12)
FRASE - “Poderá ser decepcionante se não entendermos que estamos em uma equipe, e que o fracasso de meu irmão é meu fracasso. Por isso, devo me esforçar para cumprir cabalmente a minha parte, correr o melhor possível no meu turno e torcer para o meu sucessor. Seria uma tragédia se o atleta passasse o bastão e, depois, torcesse para que o sucessor falhasse, somente para demonstrar que ele corre melhor, e que sua técnica é mais eficiente”
(Artigo na Revista Impacto – PREPARANDO A PRÓXIMA GERAÇÃO “Jamê Nobre”)
História de Israel
Ao passar pela Bíblia encontramos o chamado de um homem chamado “Avram” (Abraão) e a promessa de Deus no livro de “B´reshit” (Gênesis), 12:1-3, “Ora, disse Adonai a Avram: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Este é o primeiro homem a ser chamado para o início de uma nação, onde Deus manifestaria toda sua glória para salvar futuramente a humanidade. Mas conhecemos a história de Israel e seu tempo de escravidão na terra do Egito (Ex.1:11,12), onde ocorre uma das histórias de intervenção divina mais espetaculares da Bíblia. Em meio esta intervenção, vemos Deus se aproximar do povo e liberando maravilhosas promessas, podemos ressaltar uma delas que se baseia no propósito ideal para todos, escrito também no livro de Sh´mot (Êxodo), 19:5,6, “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”. Observe que Deus deseja uma nação somente d´Ele, e que todos sejam um sacerdote. Mas, para se chegar a este ideal, precisava-se percorrer um caminho, um meio pelo qual o próprio Deus designou; e é nisso que está o segredo para o sacerdócio e um reino poderoso na terra.
FRASE - “Enquanto Ele não nos tiver em suas maõs, somos apenas potenciais inativos”
Ouvir e Guardar
Especificamente Deus pediu ao povo para ouvir sua voz, ou seja, ouvir a voz de apenas “UM” Deus e de ninguém mais. Este ouvir está totalmente ligado aos mandamentos do Senhor. Então, neste primeiro ponto vemos Deus exigir do povo uma total abertura em seus corações para ouvir, guardar, valorizar os mandamentos. Todos concordam que nestes tempos de informações constantes, ouvimos demasiadamente inúmeras coisas, e a maioria delas não permanecem em nosso coração, e não afetam nosso dia; porque são excluídas do nosso senso crítico, apenas guardamos aquilo que nos interessa.
Quando Deus liberou seus mandamentos ao povo, desejou atenção para que os guardassem em seus corações, e esta lei lhes servissem para honrar Seu nome. Vejamos como o Senhor é cuidadoso com sua lei, pois o próprio, disse a Moisés (Êx.20:1), “Então, falou Deus todas estas palavras”, seguindo assim o dez mandamentos. Observe que depois de falar a Moisés, o próprio Deus ordena que ele continue a falar ao povo (Êx.20:22,23), “Então, disse o SENHOR a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: Vistes que dos céus eu vos falei. Não fareis deuses de prata ao lado de mim, nem deuses de ouro fareis para vós outros”. Deus desejava uma continuidade através do ensinar, cada pessoa deveria ter para com o outro uma responsabilidade de repassar as leis de Deus, para que permanecessem vivo em seus corações; todos tinham a responsabilidade de ouvir e guardar a lei de Deus, havia uma grande importância nesta ordem.
FRASE – “É para isso que Deus nos deu a Lei: para mostrar quem realmente somos. A Bíblia não nos foi dada para aumentar nosso conhecimento, mas para mudar nossas vidas”.
(D. L. Moody)
A Lei
Deut.4:1-10, “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR, Deus de vossos pais, vos dá. Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando. Os vossos olhos viram o que o SENHOR fez por causa de Baal-Peor; pois a todo homem que seguiu a Baal-Peor o SENHOR, vosso Deus, consumiu do vosso meio. Porém vós que permanecestes fiéis ao SENHOR, vosso Deus, todos, hoje, estais vivos. Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos. Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos”.
Precisamos ler e reler esta ordenança do Senhor em cima daquilo que Ele falou ao povo de Israel; porque o desleixo deles custou toda história de fracasso que encontramos no Velho Testamento, e também tem custado toda esta confusão nestes dias com os cristãos. Observe que nos primeiros versículos (1 e 2), Deus está mostrando que a lei é boa e cuidará do povo. Eles precisavam valorizá-la, guardá-la e respeitá-la. Algo interessante é a palavra mencionada “acrescentar”. o Senhor disse para não fazer isto com a palavra que Ele estava entregando. Esta palavra no hebraico é “yacaph”, que também pode ser compreendida como “tornar a fazer”. Obviamente o Senhor não estava se referindo a cópias feitas da Lei, porque através de todo cuidado que o povo de Israel teve com o Pentateuco, temos hoje acesso a toda esta riqueza nas Escrituras. Deus estava se referindo a não refazer a lei que o Senhor ordenara de modo particular, ou segundo um conceito individualista de interpretação, onde pego apenas aspectos que me beneficiam, ou onde posso refazer segundo aquilo que acredito. Talvez isso seja um dos grandes problemas que enfrentamos atualmente, cada grupo interpretando de maneira particular aspectos difíceis da palavra de Deus, optar nesta questão seria mais um detalhe, esta questão é um dos desafios que a Igreja precisa enfrentar.
FRASE –“Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”
(Martinho Lutero).
A Glória de Deus na glória do povo
Dt.4:6,7 –“Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?”.
Novamente encontramos a palavra guardar e nela podemos aprofundar e descobrir significados mais abrangentes. A palavra no hebraico é “shamar”, que significa vigiar, observar, manter vigilância, proteger, reter, entesourar (na memória), celebrar e reservar. Todos estes aspectos relacionados ao desejo de Deus para que o povo atentasse para a lei.
Outra palavra que encontramos é “cumpri-os” que no hebraico é “asah” que significa fazer, realizar, trabalhar, agir, executar, atender e por em ordem. Note que as duas andam juntas, porque não há como separá-las. Uma palavra indica e força a sequência da outra, pois aquilo que o homem realmente guardar em seu coração, suas ações serão apenas a consequência (Mt.15:18). Então se formos colocar em sequencia os plano de Deus, começa-se pela escolha divina de um povo (Lv.25:55 –“Porque os filhos de Israel me são servos; meus servos são eles, os quais tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus”), caminha para um direcionamento seguro de leis e ordenanças, com o desejo de Deus para que cada homem os guarde em seu coração e tenha prazer (Salm.1:1,2 –“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”), obviamente as ações exteriores de cada homem estarão totalmente relacionadas a lei de Deus, e mais; haverá uma nação voltada aos princípios estabelecidos por Deus, e outras nações verão esta realidade e dirão: - “esta grande nação é, com certeza, um povo sábio e detentor de conhecimento, pois que grande nação existe com um Deus tão próximo como Adonai” (Versão Bíblia Judaica Completa, Editora Vida, 2010).
Frase - “A TAREFA DA IGREJA VISÍVEL É TORNAR VISÍVEL AO MUNDO O REINO INVISÍVEL DE CRISTO”
(Calvino)
Um Deus tão próximo
Estude um pouco sobre religiões e seus deuses, você notará como suas divindades eram distantes, ausentes, severas e completamente sem nenhum exemplo a ser seguido. Israel estava entrando em Canaã, uma terra que tinha muitos deuses, e um deles que sempre é citado no Antigo Testamento é o deus “Ba´al-P’or”. Baal é filho de um outro deus chamado El. El era o “senhor da terra”, mas Baal seu filho toma seu trono, rouba suas mulheres e o manda pro fundo do abismo (ELIADE, mircea, Zahar, 2010, História das crenças e das Ideias Religiosas, pag.152). Então podemos ver que, se um deus tem estas posturas, o povo deveria ter posições completamente piores, como sacrificar os próprios filhos (Jer.19:5 –“e edificaram os altos de Baal, para queimarem os seus filhos no fogo em holocaustos a Baal, o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me passou pela mente”). Israel seria uma nação que ao cumprir as ordenanças do Senhor, não só seria reconhecida como uma nação sábia, mas um povo que tinha um Deus completamente diferente de todas as nações, um Senhor justo, amoroso, soberano e paterno (Dt.1:31 –“como também no deserto, onde vistes que o SENHOR, vosso Deus, nele vos levou, como um homem leva a seu filho, por todo o caminho pelo qual andastes, até chegardes a este lugar”). A palavra próximo mencionada no versículo sete de Deuteronômio, “pois que grande nação existe com um Deus tão próximo como Adonai, nosso Deus…”(Versão Bíblia Judaica Completa, Editora Vida, 2010), no hebraico é “qarob”, que se refere à perto, relacionamento pessoal e até parentesco. Então podemos notar algo extraordinário, o Deus do Velho Testamento já estabelecia uma aliança com o povo baseado em um relacionamento, este Deus era totalmente diferente de todos os outros deuses da terra, que escravizavam pessoas, não tinham relacionamento e os usava para seus caprichos.
FRASE: “Deus pode ter sua obediência sem o seu amor, mas Ele sabe que, se tiver o seu amor, terá sua obediência”
(livro-Deus me ama, Wayne Jacobsen, pag.93)
Comparação com a realidade Cristã
Até agora trabalhamos neste artigo para tentar resgatar princípios do Senhor com seu povo, como Deus agiu em todo seu plano através da história. Da mesma forma que o Senhor tomou um povo para si, Ele ainda trabalha neste mesmo princípio, mas de uma maneira mais clara e individual; através de Cristo, Deus está escolhendo pessoas (Jo. 6:37,44,65 –“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”, “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”, “ E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”). Cristo está trabalhando em harmonia com o Pai, atraindo os filhos (Jo.12:32 –“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo”), Ele guarda todos aqueles que o Pai lhes entrega, todas as ovelhas que ouvem a sua voz (Jo.10:27-29, “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”). É fato nestas passagens o resgate de Deus sobre nossas vidas.
FRASE: “Fora de Cristo o mundo todo está em pecado”
(Lutero)
O Reino das Trevas
Existe um livro chamado “o corpo fala” de Pierre Weil e Roland Tompakow, que trata da questão das ações humanos, que todas elas estão transmitindo um recado; um aperto de mão, se sentar, inclinar a cabeça, olhar, mexer com os cabelos, estufar o tórax, roer as unhas, etc. Todas estas ações estão enviando recados para todos que estão ao redor. Sabemos que este é um livro voltado para a compreensão das condutas dos homens, que os o classificamos pelas Escrituras como não regenerados (Jo.3:5). Se aprofundarmos com mais detalhes na Bíblia, iremos captar uma série de condutas dos homens não regenerados; tais posturas podem muito bem serem observados no texto aos Gálatas, (5:19-21) “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”, note que no final do versículo vinte e um, esses que praticam tais condutas não herdarão o reino de Deus. Por que? Porque estes já pertencem a outro reino, são cidadãos do reino das trevas, escravos do pecado e filhos da ira; por isso suas condutas são pecaminosas, porque o que habita em seus corações é a maldade.
Não há nenhum segredo para se detectar o reino das trevas, não se precisa de um discurso ou de um agente secreto infiltrado para descobri-lo, nem de uma leitura específica na história para se levantar uma pesquisa de fatos; basta apenas olhar as condutas de seus cidadãos e saber, este é o reino das trevas, porque os homens são maus e escravos de seus pecados (Rm1:28-32, “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”).
FRASE: "Se Deus permitisse que as fontes do grande abismo da depravação se rompessem nos melhores homens que vivem neste mundo, eles se tornariam demônios tão maus como o próprio diabo; Mesmo no crente que está mais próximo do céu existe combustível suficiente para acender outro inferno, se Deus tão somente permitisse que uma chama caísse sobre ele"
Charles H. Spurgeon
(citado por W.Pink – doutrina, depravação)
O Reino de Deus
Em primeiro lugar o reino de Deus não se restringe apenas no anuncio, ou podemos dizer que não se limita apenas em uma palavra proclamada, a proclamação faz parte, mas ela é alicerçada em verdades praticas (Rm.14:17, “Porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz e na alegria do Espirito Santo”). Precisamos compreender como Cristãos, que as Escrituras precisam ser interpretadas por completo e não apenas através de fragmentos. Talvez alguém leia apenas os profetas do Velho Testamento e enfatize na própria vida ser um “anunciador” do Reino de Deus, mas suas atitudes estão completamente ao contrário de uma vida cristã normal. Observe como o autor de Hebreus nos traz um entendimento profundo sobre esta questão (1:1-3), “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”. Deus falou pelos profetas, os anunciadores do Reino, mas agora, o tempo que vivemos, Ele fala pelo Filho. O Filho é o resplendor da Sua glória e a expressão exata do seu Ser.
Certo dia um dos discípulos de Jesus lhe pediu algo ousado, ele disse: - Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos fará satisfeitos. Jesus lhe respondeu da seguinte forma segundo o evangelho de João (14:9), “Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”. O que Jesus estava realmente querendo dizer com esta afirmação: Que Ele era visto como o Pai apenas em suas pregações? Apenas no sermão do monte? Não! Jesus em todas as suas praticas, tanto nos ensinamentos, como nas atitudes, proclamava o Reino de Deus, e por isto alertou seus discípulos sobre a importância das condutas (Mt.5:16, “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”).
FRASE: “Os desejos dos santos, embora sérios, são desejos humildes: sua esperança é uma esperança humilde, e sua alegria, mesmo quando ela é indizível, e cheia de glória, é humilde, uma alegria de um coração quebrantado, e deixa o Cristão mais pobre em espírito, e mais semelhante a uma pequena criança, e mais disposto a uma submissão universal de comportamento”
(Religious Affections, New Haven: Yale University Press, 1959, pp. 339).
O Impacto do Reino
Uma das primeiras ações da força do Reino de Deus está em arrancar do homem, do seu coração, a raiz do pecado (Jo.1:29 –“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”), é esta força que o escraviza a ser um disseminador do reino das trevas. João Batista e Jesus pregavam a mesma mensagem, a vinda do Reino de Deus (Mat.3:2, “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”, 4:17, “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”). Note que existe uma mensagem central nos dois anúncios, tanto de João como de Jesus; arrependimento. Esta palavra no grego é “metanoeo”, que significa mudar a mente para melhor, emendar de coração e com pesar os pecados passados. Por isso Cristo ao falar com Nicodemos (Jo.3:5), diz que se não houver um novo nascimento, não há possibilidade de fazer parte do Reino de Deus. Algo que necessitamos entender é que não existe meio termo no homem, não existe possibilidade do homem não estar sendo um disseminador destes reinos; ou, ele está sendo um representando do Reino de Deus, ou ele será um atuante difundidor do reino das trevas.
O impacto do Reino de Deus se inicia libertando escravos do reino das trevas (Ef.2:2,3 –“nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”), isso é um grande modelo bíblico que precisa ser resgatado nos dias atuais. O coração de um cristão precisa ser conquistado para honra e glória de Deus; consequentemente, todas as suas ações estarão divulgando o que é o Reino de Deus (Cl.3:23,24 –“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”). Jesus falou aos seus discípulos um segredo da manifestação do Reino, algo relacionado a uma forma pratica que a Igreja necessita viver; “eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo.17:23).
FRASE: “O Evangelho não é uma doutrina de língua, senão de vida. Não pode assimilar-se somente por meio da razão e da memória, senão que chega a compreender-se de forma total quando ele possui toda a alma, e penetra no mais íntimo recesso do coração"
(João Calvino)
Cidadãos do Reino
Existe uma maneira de identificar o verdadeiro em qualquer situação pratica, essa maneira está em apontar aquilo que é falso. Se soubermos apontar com certeza aquilo que é falso, com certeza teremos total compreensão do que é o verdadeiro. A bíblia deixa claro o que é o reino das trevas e ao mesmo tempo também deixa claro o que é o Reino de Deus. O reino das trevas está sendo mantido por homens não regenerados, esses homens são totalmente responsáveis pela sua disseminação. Torna-se claro quando vemos o Senhor atuar nos homens trazendo arrependimento e mudando totalmente seus corações; ou seja, transformando completamente a mente de cada pessoa. É claro dizer biblicamente: Aqueles que praticam as velhas ações da carne, sendo mantidos como escravos do pecado, sendo um referencial do mal em qualquer lugar que estejam; estes não entrarão no Reino de Deus, não fazem parte deste Reino vindouro, não são cidadãos do Reino dos céus (Ef.5:3-5, “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus”).
Em uma de suas cartas para a Igreja de Coríntios, Paulo retrata claramente esta situação, ressaltando para os irmãos que aquele que está em Cristo é uma nova criatura (2Cor.5:17), ou seja, ele não dissemina mais com suas ações o reino das trevas, ele agora está livre do poder do pecado que o escravizava (Rm.6:18, “e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”). Paulo até pergunta aos irmãos: - “não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus?” Talvez esta mesma pergunta precisa ser feita em nossos cultos, para reflexão da Igreja sobre muitas condutas que persistimos manter, que contraria completamente em ser um servo da justiça (Icor.6:9-10, “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus”). O apóstolo esta lembrando um passado de escravidão de muitos irmãos da Igreja de Coríntios, por isso que no próximo versículo ele responde que agora, estes cristãos são santificados e justificados por Deus; são representantes do Reino de Deus e tem suas condutas totalmente mudadas, porque seus corações possuem a lei de Deus (ICor.6:11,“Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”).
Servos da Justiça
Iniciamos este tópico com a citação de Paulo aos Romanos que diz: (6:18), “e, depois de terem sido libertados do pecado, tornaram-se escravos da justiça” (Versão, Bíblia Judaica Completa, Editora Vida, 2010), esta palavra “escravo” no grego é “douloo” que também contribui no sentido de pegar alguém e reduzi-lo a escravidão. É surpreendente saber que a força do Reino nos liberta da escravidão do pecado, ou seja, nos livra de sermos agentes ativos da injustiça que contribui para a disseminação do reino das trevas. O poder do Reino de Deus nos impulsiona a sermos escravos da justiça do Senhor na terra. Esta justiça não é a justiça humana que muitas vezes está misturada com ira e a impaciência (Tg.1:20 –“porque a ira do homem não opera a justiça de Deus”), mas é uma justiça que vem do próprio Deus, e está no Evangelho verdadeiro (Rm.1:16,17 –“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”). Este é o evangelho de Deus (Rm.1:1 –“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus”), o evangelho do Filho (Rm.1:9 –“Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós”), sendo proclamado de forma pessoal pelo apóstolo Paulo (Rm.2:16 –“no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho”). Então podemos compreender com toda riqueza de entendimento que o evangelho proclamado nos últimos dias, não será apenas palavras vazias ou discursos convincentes, manipuladores ou chantagistas; mas uma palavra cheia do poder de Deus, fundamentada em uma Igreja que vive a pratica do evangelho, e tudo o quanto diz, tudo o que prega e anuncia, está enraizado em uma vida real. (Mt.24:14 –“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”).
FRASE: “Se conseguirmos pregar somente Cristo para nosso povo, teremos pregado tudo a eles”.
Richard Baxter
Continuidade do Reino, como?
Costumo fazer meu devocional usando sempre o livro de Provérbios e uma das coisas que me chama a atenção, são duas palavras que Salomão incentiva a buscar e a priorizar; a Sabedoria e a disciplina (Provb.1:2, “ajudarão a aprender sobre sabedoria e disciplina”).
Estas são as duas palavras chaves de todo o livro:
(Sabedoria1:20/2:2,4,6,7,10/3:13,19,21/4:5,6,7/5:1/7:4/8:11/9:10/14:33/15:33/16:16/17:24/23:23/24:14/29:3),
(Disciplina: 1:8/3:11/5:12,23/6:23/12:1/13:24/15:10,32/22:15/23:13/29:15). É muito interessante notar que Salomão incentiva sempre ao Pai e a mãe disciplinar os filhos, e aos filhos; a não negligenciar a disciplina vinda dos pais. tanto que aqueles que negam esta disciplina são tolos (1:7 –“O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e a disciplina”). Mas existe um ponto interessante que Salomão ressalta em seus conselhos, e está relacionado a continuidade, é aquilo que uma geração prioriza com valor no momento de sua atuação. O conselho de Salomão caminha tanto para pais, como para os filhos.
Pais
O primeiro conselho de Salomão é para os pais em uma geração, mas para entendermos isto, precisamos buscar o sentido exato desta palavra. A palavra “pai” no hebraico é “ab” e seu significado é “pai de um indivíduo, Deus como pai de seu povo, cabeça, fundador de uma casa, avô, antepassado, governante ou chefe”. Então podemos compreender que a palavra pai é rica, e restringi-la apenas aos cidadãos com filhos, é reter um significado maior em uma geração de representantes atuais.
Em toda geração irá haver estes pais, que entendemos serem os líderes atuais que estão contribuindo no momento. Estes líderes tem uma enorme responsabilidade diante de uma geração de filhos. Podemos enfatizar um aspecto importantíssimo: A clareza de uma missão. Todos sabemos que para uma flecha ser lançada, primeiramente aquele que domina o arco, precisa ter um alvo, se assim não o proceder, obviamente lançará a flecha em qualquer lugar sem propósito algum. Da mesma forma um líder necessita ter um alvo, é uma obrigação de responsabilidade. Este líder transmitirá a direção para sua geração prosseguir, e se o alvo ainda não foi alcançado pelos pais, existe um legado de continuidade para que os filhos conquistem. Como isto é extremamente importante para uma geração. A glória de um jovem não é ter experiência, isso pertence aos anciãos, mas o brilho do jovem é a sua força (Pb.20:29, “O orgulho do jovem é sua força; a dignidade do ancião são seus cabelos brancos”), esta força precisa ser conquistada por um referencial experiente, para direcioná-lo no âmbito certo para uma conquista. O apóstolo João fala aos jovens neste mesmo aspecto de luta, conquista e continuidade, observe: (IJo.2:14) “Eu vos escrevi jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o maligno”. Todo jovem é forte, e só precisa ser conquistado, para se entregar em uma causa certa e verdadeira. Que Deus nos ajude nestes últimos dias.
Frase: “O evangelho de um coração quebrantado começa com o ministério de corações que sangram. Quando paramos de sangrar, paramos de abençoar”.
(John Henry Jowett)
A Lei contínua por Cristo
Gl.6:2 –“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo”.
Algo interessante que precisamos ressaltar é a questão da lei de Cristo mencionada no Novo Testamento. Existem muitas discussões sobre esta lei, muitos não querem associá-la a Torah. Em uma versão judaica do mesmo versículo de Gálatas, diz o seguinte: -“carreguem as cargas pesadas uns dos outros, dessa forma, vocês cumprirão o verdadeiro significado da Torah sustentado pelo Messias”. Obviamente não estou tratando da lei como algo negativo e legalista, mas sim pelo aspecto mencionado por Cristo, onde o próprio diz que não veio revogar esta lei (Mt.5:17, “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”). Cristo veio cumprir, pois só Ele era capaz de realizar as exigências da Lei, (Rm.8:3,4 –“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”). Cristo cumpriu a lei e nos libertou da condenação da própria exigência da lei (Rm3:20, “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”), e só por Ele, através do Espirito que habita em nós, estamos sendo ensinados ao cumprimento da lei. Quando menciono lei, me refiro aquilo que o próprio Cristo ensinou, ao uso correto da lei que muda os corações. Leia as Bem-aventuranças e veja como a Torah é esclarecida de uma forma que os judeus não conseguiam entender e ensinar.
O próprio Cristo diz aos discípulos da responsabilidade do viver cristão baseado na lei de Cristo (Mt.5:20 –“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”), que deve ultrapassar o pensamento antigo sobre a conduta em relação a lei. Acredito que Cristo estava mostrando o aspecto fundamental Torah, onde Ele através da sua morte, cumpriria a promessa de escrever as leis em nossos corações (Jer.31:33 –“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”).
Não podemos pensar na Torah com um olhar negativo, imaginando festas judaicas e sacrifícios, porque era uma cultura de um povo que apontava para um Salvador; mas devemos também olhar a lei de Deus, os mandamentos, as condutas de um povo santo. Isto é mencionado no Novo Testamento de uma forma muito clara. Cristo através de sua morte deseja que vivamos na lei do Espírito da vida, e que a cada dia estejamos com sua lei gravada em nossos corações (Rm.8:1,2 –“Portanto, não há mais nenhuma condenação esperando por aqueles que estão em união com o Messias Yeshua. Por que? Porque a Torah do Espírito, que produz vida em união com o Messias Yeshua, me libertou da Torah do pecado e da morte”)
Pr. Ronaldo José Vicente











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