Aprendendo a pensar com a Sociologia, Zygmunt Bauman e Tim May (Resumo para a disciplina de sociologia da religião, na faculdade Presbiteriana Mackenzie)
A
sociologia engloba um conjunto disciplinado de práticas, mas também representa
considerável corpo de conhecimento acumulado ao longo da história. Essa ciência
configura-se, assim, uma via de constante fluxo, e os novatos acrescentam
ideias e estudos da vida social às estantes originais.
A
sociologia é um espaço de atividade contínua que compara o aprendizado com
novas experiências e amplia o conhecimento, mudando, nesse processo, a forma e
o conteúdo da própria disciplina.
A
sociologia representa certo corpo de conhecimento e certas práticas que
utilizam esse conhecimento acumulado. Entretanto, o que faz esses conteúdos e
essas práticas serem sociológicos? Em muitas bibliotecas, as estantes mais
próximas às de sociologia têm etiquetas como história, antropologia, ciência,
política, direito, políticas públicas, ciências contábeis, psicologia, ciências
da administração, economia, criminologia, filosofia, serviço social,
linguística, literatura, e geografia humana. Considera-se que o tema central da
sociologia deve estar mais próximo desses corpos de conhecimento que de outros.
Em busca
da diferença que faz a diferença, deparamos com a questão, em que as práticas desses
ramos de estudo diferem umas das outras? Todos buscam coletar fatos relevantes
e garantir sua validade, e então, testam e voltam a testar esses fatos no
sentido de confirmar a confiabilidade das informações a respeito deles.
A
sociologia, aliás, como outros ramos da ciências sociais, possui sua própria
perspectiva cognitiva que estabelece questões a lançar acerca das ações
humanas, assim como seus próprios princípios de interpretação.
Desse
ponto de vista, podemos dizer que a sociologia se distingue por observar as
ações humana como elementos de figurações mais amplas. Aprender a pensar
sociologicamente é uma atividade que se distingue também por sua relação com o
chamado senso comum. Talvez mais ainda que em outras áreas de estudo, a relação
com o senso comum é, na sociologia, conformada por questões importantes para
sua permanência e sua pratica.
Devemos
agora lembrar algumas questões mais sociológicas, a produção de conhecimento
científico contém fatores sociais que informam e conformam suas práticas,
enquanto as descobertas científicas podem ter implicações sociais, políticas e
econômicas a respeito das quais, em qualquer sociedade democrática, a última
palavra não será dos cientistas. Com um modo de pensar, ele nos fará questões
do tipo, como nossas biografias individuais se entrelaçam com a história que
partilhamos com outros seres humanos. Ao mesmo tempo, sociólogos, são da parte
dessa experiência e, como tal, não importa quão arduamente tentem manter
distancia de seus objetos de estudo, tratando as experiências de vida como
objetos de fora.
Entretanto,
há muito mais a ser dito sobre a relação entra a sociologia e o senso comum. Os
objetos da astronomia precisam ser nomeados, alocados em um conjunto ordenado e
comparados com outros fenômenos similares. As ações humanas e as interações que
os sociólogos estudam já receberam nomes e já foram analisadas pelos próprios
atores, e, dessa maneira, são objetos de conhecimento do senso comum. Por essas
razões a sociologia está intimamente ligada ao senso comum, ela empenha-se em
subordinar às regras rigorosas do discurso responsável. Trata-se de atributo da
ciência para se distinguir de outras formas de conhecimento, sabidamente mais
flexíveis e menos vigilantes em termos de autocontrole.
Mas a
sociologia se opõe ao modelo que se funda na particularidade das visões de
mundo, como se elas pudessem, sem problema algum, dar conta de um estado geral
de coisas, quanto ao que usa formas inquestionáveis de compreensão, como se
elas constituíssem um modo natural de explicação de eventos, como se eles
pudessem ser simplesmente separados da mudança histórica ou das localidades
sociais de que emergiram.
Tratando-se
o pensamento sociológico, como um poder antifixação, é, dessa maneira, um poder
em seu próprio direito. Ele torna flexível aquilo que pode ter sido a fixidez
opressiva das relações sociais e, ao fazer isso, abre um mundo de
possibilidades. Há também o que se encontra para além de nós como indivíduos.
Dissemos que a sociologia pensa de forma relacional para nos situar em redes de
relações sociais. Faz, assim, uma apologia do indivíduo, mas não do
individualismo. Nesse sentido, pensar sociologicamente, significa entender de
um modo um pouco mais completo quem nos cerca, tanto em suas esperanças e
desejos quanto em suas inquietações e preocupações. Isso significa selecionar
seus projetos de vida, definir-se e defender sua própria dignidade, assim como
os demais defendem a deles, diante de obstáculos com que todos se deparam, em
variados graus.
Pensar
sociologicamente, então, tem um potencial para promover a solidariedade entre
nós, uma solidariedade fundada em compreensão e respeito mútuos, em resistência
conjunta ao sofrimento e em partilhada condenação das crueldades que o causam.
Ação, identidade e entendimento da vida cotidiana
Ter a
sensação de livre e concomitantemente não ser, entretanto, é parte comum de
nossas experiências cotidianas – é também uma das questões que mais confusão
provocam, desencadeando sensações de ambivalência e frustração, tanto quanto de
criatividade e inovação. Em um nível somos livres para escolher e acompanhar
nossas escolhas até o fim. Sua habilidade para tomar decisões conscientes é,
nesse sentido, um exercício de sua liberdade.
Escolha, liberdade e convivência com os outros
Nossas
escolhas, evidentemente, nem sempre são produtos de decisões conscientes, pois
muitas de nossas ações decorrem do hábito, e como tal, não são alvo de escolha
ampla e deliberada, mas nossas decisões nos tornam responsáveis por qualquer
resultado que produzam. De modo similar, se quebramos regras feitas para guiar
a conduta das pessoas, podemos ser punidos. Pretende-se que o ato de punição
seja uma espécie de confirmação da ideia de que somos responsáveis por nossas
ações.
Há muitas
situações equivalentes, nas quais nossa liberdade para agir é limitada por
circunstâncias sobre as quais não temos controle. Nesse sentido, portanto, uma
coisa é ter a habilidade de alterar ou modificar nossas competências, outra
muito diferente é ser capaz de alcançar as metas que buscamos.
Ao buscar
uma vaga na universidade, podemos descobrir que a concorrência é de 20
candidatos por vaga disponível, e que a maioria deles possui as qualificações
necessárias. Nossas ações, tornam-se dependentes do julgamento de pessoas, uma
avaliação sobre a qual exercemos controle limitado. Essas pessoas estabelece as
regras do jogo e são, ao mesmo tempo, os árbitros de seu cumprimento e quando o
fazem estabelecem os limites de nossa liberdade.
Nossa
liberdade de escolha não garante nossa liberdade de efetivamente atuar sobre
essas escolhas nem assegura a liberdade de atingir os resultados desejados.
Pensamos limitados pelo dinheiro que dispomos, embora também consideremos as
fontes simbólicas de limitação, nesta caso, nossa liberdade pode não depender
do que fazemos, mas de quem somos, no sentido de como os outros nos veem. Nossa
liberdade de agir no presente é desse modo conformada por nossas circunstancias
passadas e experiências acumuladas. Essas experiências conformam também o modo
como nos sentimos em relação às situações em que nos envolvemos no presente.
Alguém com o outro: perspectivas sociológicas
George
Herbert Mead ofereceu uma compreensão de como internalizamos entendimentos de
grupos, ele dividiu nossa percepção do self em duas partes, o “Eu e o Mim”. O
“Eu” pode ser pensado como uma conversação, que tem lugar dentro de nós, na
qual a linguagem atua como meio que permite esse processo, bem como nos pensar
como um “todo”. O “Mim” por outro lado, refere-se ao modo como organizamos
nossas expectativas de grupo em nossas ações. Respondemos aos outros em termos
de como nos vemos, o que é constantemente modificado de acordo com os
diferentes parâmetros sociais de nossa rotina.
Esse
processo de estabelece em três etapas de nosso desenvolvimento, primeiro o
estágio preparatório, em que nossa percepção do self é passiva, em outras
palavras, uma crescente consciência de nós é derivada das respostas alheias.
Depois no estagio de atuação , encenamos diferentes outros, na forma de papéis
que, entretanto, não são interligados e carecem de organização global. Em
terceiro é o estágio do jogo ou de atuação segundo as regras do jogo. A ideia
de Mead não é a de ser passivo, atividade e iniciativa marcam os dois lados da
interação.
Socialização, importância e ação
O processo
de formação de nosso self e de como nossos instintos podem ou não ser
suprimidos costuma ser denominado socialização. Somos socializados,
transformados em seres capazes de viver em sociedade – pela internalização das
coerções sociais. Considera-se que estamos aptos para viver e agir em grupo
quando adquirimos as competências para nos comportar da maneira aceitável e,
então, somos considerados livres para assumir a responsabilidade de nossas
ações.
De
particular importância em meio a esses grupos são família, amigos, professores
e nossos chefes no trabalho. Ainda que essas pessoas estejam na posição de
responder a nossas ações, podem não se tornar grupos de referência, o que só
ocorre quando lhes atribuímos importância.
Outra
instância de influência, além dos contextos imediatos de nossas ações, são os
grupos de referência comparativos. Trata-se de grupos aos quais não
pertencemos, ou porque estamos além de seu alcance, ou porque eles estão além
do nosso. Assim vemos o grupo sem ser por ele vistos.
Como
resultado, o papel de grupo de referência comparativo na formação de nosso
senso contemporâneo do self é mais pronunciado.
Observação e sustentação de nossas vidas
Fundamentamos
nossas vidas interagindo, entendimento e distância social, com pessoas
indispensáveis no nosso dia a dia. Essas pessoas fazem parte da multidão
desconhecida que possibilita nossa liberdade de selecionar a maneira de viver
que mais nos agrada ou a restringe. Além disso, há os que, preocupados com seus
próprios objetivos, produzem poluição e lixo industrial, com consequências de
longo prazo para a qualidade de nossas vidas, para o ambiente e para a vida
selvagem em geral. Também há pessoas que encontramos habitualmente, nas quais
sabemos o que podemos e não podemos esperar. Há ainda os lugares em que nos
encontramos, pertencentes ao que chamou de ordem da interação. Nela, estamos
preocupados com aqueles espaços que não são pessoais, com as regiões e
situações em que interagimos com os outros. Os conteúdos das interações nesses
lugares podem ser funcionais, por exemplo, quando tiramos dinheiro do banco,
vamos ao dentista ou compramos doce na confeitaria.
Além de
nossos contemporâneos, há aqueles que habitam nossos mapas mentais como
predecessores e sucessores. Nossa comunicação com eles é unilateral e
incompleta. Ao mesmo tempo, porém, tais comunicações, talvez herdade sob a
forma de mitos, podem nos ajudar a resolver contradições contemporâneas sobre
nossas identidades.
Laços para falar em “nós”
Pode ser
chamado de comunidade um grupo de pessoas não claramente definidas nem
circunscritas, mas que concordem com algo que outras rejeitem e que, com base
nessa crença, atestem alguma autoridade. O ponto mais forte e mais seguro de
pertencimento a uma comunidade é atingido quando acreditamos que não a
escolhemos de propósito e nada fizemos para sua existência, de modo que nossas
ações não a podem transformar.
Os laços
comuns aparecem mais nos indivíduos isolados que conduzem sua vida inteira, do
nascimento à morte, em companhia das mesmas pessoas e que nunca se arriscam em
outros lugares nem são visitados por membros de outros grupos. Qualquer
referência a algum estado natural com relação à ideia de comunidade é em si um
fator para tornar efetivos os apelos à unidade. Os mais potentes são aqueles
que vão além da interpretação e do controle humanos, fazendo alusão a elementos
como mesmo sangue. O objetivo é estabelecer uma comunidade de fiéis com aqueles
que são unificados pela dedicação a alguma causa a eles revelada por fundador
santificado ou líder político perceptivo e de visão aguda. Atos abertos de
conversão são considerados libertação e começo de uma nova vida e não se trata
de ação do destino, mas de ato marcado pelo livre-arbítrio e entendido como manifestação
verdadeira de uma liberdade recém-descoberta.
Cálculo, racionalização e vida grupal
Há
comunidades que mantém pessoas reunidas com o único objetivo de realizar
tarefas definidas. E, uma vez que sua finalidade é limitada, o controle sobre o
tempo, a atenção e a disciplina se seus membros também podem ser restringidos.
A autolimitação deliberada e abertamente declarada talvez seja a característica
mais explícita e distintiva desse tipo de comunidade. A maioria das
organizações possui estatutos escritos, detalhando as regras institucionais a
que os membros devem aderir. Isso por definição implica que os aspectos da vida
não regulados por esses preceitos permanecem livres da interferência da
entidade. O papel de cada membro não é estabelecido independentemente, mas em
relação aos de outros membros daquele grupo.
Espera-se
que os participantes de uma organização abracem seus papéis a fim de se dedicar
a seu desempenho trabalhando para a entidade. Ao mesmo tempo, há uma
expectativa de distância, para que não fiquem somente refletindo sobre seu
desempenho com o intuito de melhorá-lo, mas também não confundam direitos e
deveres associados a determinado papel com os que dizem respeito a outra
atividade ou posto. De acordo com essa análise, é importante que todos na
organização ajam exclusivamente em termos de sua racionalidade funcional, tal
como estabelecido pelas regras atreladas aos papéis que executam.
O fator
chave dos grupos é o postulado que as decisões e as escolhas comportamentais de
todos devem ser subordinadas aos objetivos globais da organização.
Comunidades
e organizações costumam atuar como se houvesse um pressuposto de liberdade
entre seus membros, mesmo que suas práticas não estejam de acordo com suas
próprias expectativas. Os membros podem então sair ou agir de maneira contrária
às expectativas dominantes.
Decisões e ações: poder, escolha e dever moral
Quando se
trata de buscar explicações na forma de resultados de uma causa, em geral já
satisfazemos nossa curiosidade concluindo que o evento era inevitável ou pelo
menos altamente provável. Uma vez que há maneiras potencialmente diferentes de
atuação, os eventos não podem ser considerados inevitáveis. Como auxilio da
revisão, podemos interpretar uma ação em termos de determinadas regras ou
disposições contextuais que antes de mais nada devem ser seguidas ara a ação
ser posta em prática.
As ações
humanas podem variar sob condições similares com motivações compartilhadas. As
pessoas são capazes de extrair diferentes conclusões de seu ambiente ou
rejeitar motivos e ignorar circunstancias. Sabemos bem que uma mulher e um
homem podem ter comportamentos diferentes em circunstancias objetivas
idênticas.
O segundo
tipo de ação não reflexiva é aquela que brota das emoções fortes. As ações
afetivas são caracterizadas por suspensão dos cálculos racionais que informam
as finalidades e as possíveis consequências da ação.
Ações habituais e afetivas
são frequentemente descritas como irracionais. Isso não implica que sejam
insensatas, ineficazes, equivocadas ou prejudiciais. Nem sugere qualquer
avaliação de utilidade, pois muitas rotinas são eficazes e úteis. A ação racional
é caracterizada por escolha consciente de um plano de ação, entre diversas
alternativas orientadas para a realização de determinado fim. A ação racional
orientada segundo valores é assim, motivada por considerações do que é caro ao
coração de alguém, atraente, desejável e mais estreitamente vinculado à
necessidade do momento.
Ao
escolher nossos cursos de ação por meio de deliberação consciente e racional,
também antecipamos prováveis resultados. Isso exige o exame da situação real na
qual a ação terá lugar e dos efeitos que com ela esperamos alcançar.
Moralidade e ação
Motivos
morais chocam-se com os do ganho porque a ação moram exige solidariedade,
auxilio desinteressado, vontade de ajudar o próximo em sua necessidade sem
pedir ou esperar recompensa. Uma atitude moral encontra expressão na
consideração pela necessidade alheia e na maior parte das vezes leva ao
conhecimento e à renúncia voluntária de ganho pessoal.
Há um
silenciador da moralidade, que é a multidão – o mais selvagem dos
comportamentos pode de repente espalhar-se por uma multidão de modo só
comparável a um incêndio florestal, uma rajada de vento ou contágio. Nem todos
os membros da espécie humana podem ser incluídos no universo das obrigações
morais. Muitas tribos primitivas deram-se nomes que significam seres humanos. O
status de humanidade limitada significou na prática que a exigência essencial
de uma atitude moral – respeito às necessidades de outra pessoa, o que inclui,
primeiro e acima de tudo, o reconhecimento de sua integridade e da santidade de
sua vida.
Os negócios da vida cotidiana
Essas
questões são de fundamental importância, pois se referem às maneiras pelas
quais organizamos nossa vida e podemos ter esperanças – não só para nós, mas
também para os outros. Nossa dependência pela tecnologia cresceu ao longo do
tempo, elas apresentam problemas e quando isso ocorre, costumamos nos deparar
com vendedores que anunciam novos modelos no mercado e informam que as peças de
reposição de produtos ultrapassados já não estão disponíveis.
A cada
compra tecnológica, novas habilidades são exigidas e elas podem ampliar nossas
capacidades gerais. A cada mudança tivemos que adquirir novas habilidades, mas
seu impacto sobre nossa vida depende das condições sociais em que nos
encontramos. Ao mesmo tempo temos ainda de nos convencer de que, a cada passo,
passamos a necessitar de tecnologias mais complexas, sempre mais exigentes em
relação a nossas habilidades. Também temos de assimilar as formas de interação
com essas tecnologias. Desse modo, elas tornam antiquadas nossas habilidades anteriores, ampliando ainda mais nossa
necessidade de mudar a fim de permanecer em sintonia com o ritmo acelerado de
seu desenvolvimento.
Também
precisamos de habilidades novas pra substituir as antigas, obsoletas e
esquecidas, porém nem toda a tecnologia hoje disponibilizada substitui as
tarefas antes realizadas de outras maneiras. Há coisas consideradas
fundamentais para a vida de muitas pessoas, que nunca faríamos sem a tecnologia
que as viabiliza.
O olhar sociológico
O
entendimento está no núcleo da vida social e segundo o filósofo Charles Taylor,
podemos utilizar esse conceito em dois sentidos. Em primeiro há o entendimento
das coisas que diz respeito ao seu lugar, em uma ordem dotada de significados.
Em segundo trata-se de do conhecimento tácito que extraímos rotineiramente de
nossas ações e sem o qual não poderíamos concretizar e orientar nossa vida.
Pensar
sociologicamente é central para essa tarefa, mas seu sucesso depende dos
fatores externos à influência de toda a disciplina. Problemas de enquadramento
que exigem agir, assim como a capacidade de promover mudanças.
O papel da
sociologia como modo disciplinado de pensar é dar forma a esse processo. Nessa
medida, ela oferece algo fundamental à vida social em geral, uma interpretação
das experiências por meio dos processos de entendimento e de explicação.
Caracterizamos a sociologia como um comentário da vida social.
As
diferenças que podemos experimentar entre o antes e depois da leitura de
estudos sociológicos não são apenas aquelas que existem entre o erro e a verdade.
A sociologia ilumina os meios pelos quais conduzimos nossa vida e também
questiona tal adequação com a produção de estudos e pesquisas que incitam e
desafiam a imaginação. O conhecimento sociológico pode suprir ambas as
expectativas, embora possa também questioná-las, por sua recusa em encerrar o
que há de aberto ou ambivalente em nossa vida. Por isso, levanta-se a
possibilidade de se pensar de modo diferente, incluindo aqueles aspectos da
vida por rotina colocados entre parênteses.
Conclusão pessoal
O autor
Zygmunt Bauman e Tim May expõe em seu livro aprendendo a pensar com a
sociologia, explicações contundentes sobre a forma de pensar e conduzir de
maneira clara o pensamento sociológico. O ser humano e sua forma de conviver,
com grupos e sua noção de liberdade, mas restrita, pelo fato de estar sobre um
contexto onde há normas e limitações. O aspecto de convivência, que relaciona o
interagir do ser humano, criando uma maturidade na identidade e nas relações de
interação.
O autor
coloca a importância dos grupos, mas ao mesmo tempo, a influência desses grupos
para com a formação da visão individual. Grupos que se estabelecem de forma
oriunda, com detalhes na visão dos líderes, que propõem fidelidade de seus
membros, que devem caminhar de maneira que sua crença, estabeleça um alicerce
para conviverem com uma unidade local. Há valores inclusos, onde torna-se um
fundamento aprendido, adaptado e relacional, de convívio com próximos ou até de
relação com aqueles que estão se envolvendo em negócios da vida.
A
tecnologia e sua influência que fazem parte da nossa realidade, todos estes
aspectos estão intimamente ligados, com o que somos, ou fazem parte daquilo que
nos tornamos, existem papéis fundamentais, negócios da vida que não se fariam
sem a tecnologia, mas ao mesmo tempo, nos impulsionou a uma realidade
dependente e compulsória, valorizando meios, ou adaptações e desprezando
realidades de mais valor.
A
sociologia nos dá um pensamento mais abrangente para com a realidade, mas nos
leva para direções extremas de conceitos que ainda não foram realizados, isso
se deve ao fato de pensarmos de um modo mais amplo. As questões sociais, os
reparos, as brechas, as relações, o modo de vida, as localidades, os extremos,
as adaptações conforme o progresso humano – todos esses aspectos são avaliados
para um ponto de vista, um olhar sociológico que define a vida humana.
Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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