Artigo de Exposição de Romanos 8.26,27
ROMANOS 8. 26-27
A GRATIFICANTE FUNÇÃO DO
ESPÍRITO
“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza;
porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós
sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual
é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede
pelos santos.[1]”.
INTRODUÇÃO
Expor os versículos estudados da epístola de Romanos nos leva a um
patamar de profundidade e conhecimento sobre aspectos da função do Espírito. É proveitoso poder explorar este assunto, pois nele podemos captar, uma
tranquilidade sobre o Seu cuidado para conosco, e ao mesmo tempo, uma segurança no nosso amadurecimento, pois o Espírito; fornece-nos acompanhamento no caminho de desenvolver a nossa salvação. Um dos pontos a serem abordados neste
artigo, terá domínio no assunto, é a compreensão da palavra: “assiste”, que no grego é “συναντιλαμβανομαι” (sunantilambanomai),
que pode ser traduzido como “nos ajuda em
conjunto, ou, trabalha junto com, lutar para obter algo juntamente com, ou,
trabalhar lado a lado com alguém[2]”. Neste
sentido, temos duas abordagens essenciais: Primeiro, temos paz que Ele luta ao nosso favor e segundo,
recebemos segurança porque Ele nos ensina a lutar.
Essa abordagem nos levará a uma compreensão precisa que, os propósitos
de Deus em nosso favor, caminham através de todos as coisas; cooperando, pois
elas se submetem a este trabalho do Espírito Santo.
ESPLANANDO A ESTRUTURA DO
TEXTO
O ESPÍRITO
Devemos saber com enorme clareza a bela função do Espírito,
principalmente quando se trata do Seu trabalho específico em nossa realidade. Primeiro, precisamos compreender que
este Espírito, não é um “agente”
iluminado vazio, sem manifestações de posição em relação a um querer – Ele é
ativo em declarar Sua vontade segundo o coração do Pai. Podemos usar algumas
ilustrações ocorridas no contexto de Atos,
quando o Espírito pede, em uma
reunião de oração, para separar à obra Barnabé e Paulo[3]. Depois
encontramos este mesmo Espírito, atuando nas missões de Paulo, proibindo-o de
seguir direção para a Ásia (Ασια), e
depois para Bitínia (βιθυνια)[4]. Este é
o Espírito classificado por Jesus como o Consolador
(παρακλητος, parakletos)[5],
destinado apenas aos Cristão, porque o mundo não consegue reconhecê-lo. Jesus
disse que este Consolador, nos ensinaria todas as coisas e nos lembraria das
Suas palavras[6],
estes são pontos fundamentais para sabermos que o Espírito é uma Pessoa viva e
atuante em Sua manifestação para conosco. Barth
menciona que o “Espírito de Deus entra
visivelmente na ambiguidade, de forma total e absoluta; de maneira alguma
escapamos dela; a sua realidade é inequivocamente clara e se manifesta
amplamente[7]”.
O ESPÍRITO AGE EM NOSSO
FAVOR E TRABALHA CONOSCO
Iremos analisar agora este ponto do texto: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza”,
e chamo a atenção na palavra chave “assistir”
em se tratando da nossa forma de compreender, assistir está relacionado à
alguém, de longe, ou com os braços cruzados, vendo outra pessoa em algum
exercício da vida. Este sentido figura a Pessoa do Espírito de Deus como um
telespectador, mas a origem do texto grego, nos fornece outra ideia. A palavra assistir
é “συναντιλαμβανομαι”,
(sunantilambanomai), um verbo presente do indicativo, que demonstra atuação, ou
seja, o Espírito está presente, atuando e movendo como deseja. Podemos traduzir
essa palavra de uma maneira mais próxima do seu sentido original, como “trabalhar junto”, estar em atividade ao
nosso lado, mas sendo aquele que dirige.
Em algumas traduções podemos observar que seguem este sentido valioso,
da atuação do Espírito ao nosso lado, na Holmam
Standard Bible Christian se coloca da seguinte forma: “o Espírito se une para ajudar na nossa fraqueza[8]”,
mostrando uma clara atividade em nós, mas também conosco. Neste ponto podemos
citar Lloyd Jones que diz: “o Espírito Santo está em ação para nos
socorrer e nos ajudar, principalmente na oração[9]”. É
valioso ressaltar essa atuação do Espírito em trabalhar conosco, pois ao mesmo
tempo que Ele não é um telespectador despreocupado com nossas ações, Ele também
não é um atuante em totalidade, nos deixando irresponsáveis – o Espírito nos
ensina a trabalhar da maneira que Ele deseja, pois sabe atuar corretamente em
nossa fraqueza. Champlim define
fraqueza como nossa condição mortal, pois apesar de já sermos filhos de Deus,
ainda estamos enclausurados nestes corpos mortais[10], Já Barth define de uma maneira interessante,
colocando os dois pontos de vistas de forma clara, o atuar do Espírito em nós e
a intervenção em nossa fraqueza:
O Espírito opera em causa
própria e segue seu próprio caminho; não somos nós que o possuímos, porém é ele
quem nos tem. Ele chega primeiro e se “antecede à nossa fraqueza”. Ele é o
CREATOR SPIRITUS, pois o nosso gemer é fraqueza, é carnalidade, e não Espírito;
é humano e não divino; é pecaminoso e não justo: se o nosso aiar for aceito e
ouvido perante Deus, então ele é ouvido (e aceito como justo) perante Deus e
Deus somente[11].
Estes dois pontos precisam ser colocados de maneira clara, o Espírito
está atuando em nossa fraqueza, nossas debilidades, Ele sabe a maneira correta
de interceder, trabalhando conosco, somos levados a essa função de atuar como
Ele quer. Lloyd Jones explica este sentido da seguinte forma: “O apóstolo não está ensinando uma doutrina de passividade, o Espírito
vem em nosso auxílio. Dá-nos Sua mão de ajuda e pega no trabalho junto conosco;
e assim, agindo juntos, o problema é resolvido”[12].
NÃO SABEMOS NADA
– ELE CONHECE TUDO
É incontestável reconhecer que Ele, o Espírito
Santo de Deus é definitivamente correto nas petições, Aquele que é exposto por
Paulo como um conhecedor profundo da mente de Deus (ICor.2.10), Ele esquadrinha
as profundezas do Senhor, é o Espírito que intercede por nós. Uso o sentido
desta tradução para colocar, que primeiro deve haver reconhecimento humano, das
nossas limitações e compreensão que Ele é o mais apto para clamar por nós.
Observe que o texto diz: “não sabemos
orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós[13]”, é
enfático o termo “não”, pois
significa uma ênfase absoluta, ou seja, uma afirmação incontestável que nós
como homens, somos impossibilitados à orar de uma maneira mais correta que o
Espírito de Deus. Wilson comenta da
seguinte forma: “A incapacidade de orar
não é tão-somente uma ilustração da fraqueza do crente, mas é também uma
explicação dela. Ele não sabe nem o que pedir, nem apresentar as suas petições como deve[14]”.
O Cristão deve aprender que o Espírito de Deus
intercede, essa palavra em grego é “υπερεντυγχανω”
(huperentugchano), que pode ser compreendido como “clama por alguém”. Existe
uma forma bem definida por Stern a
esse respeito: “o Espírito intercede
devidamente pelos desejos mais profundos de nosso coração, mesmo quando,
conscientemente, não sabemos como fazê-lo[15]”. É
algo certeiro, uma oração estritamente de Quem nos conhece e sabe pedir da
maneira que precisamos. Lloyd Jones
sugere este ponto como um advogado, que coloca palavras na boca do homem,
ensina-lhe o que dizer; assim o Espírito faz conosco, Ele formula petições para
nós[16]. Esta
função é tão relevante e surpreendente, que muitos comentaristas consideram e
comparam com o mesmo sentido da palavra,
a intercessão de Cristo por nós (Rm.8.24), mas o grau de intercessão do
Espírito é no uso de nossas próprias emoções, o Espírito habita em nós
(ICor.3.16), e através do que somos e possuímos, Ele intercede – Champlin menciona a citação de Alford da da seguinte forma:
O próprio Espírito Santo intercede em nossas orações, provocando em nós
desejos mais elevados e santos do que podemos expressar por meio de palavras,
mas que só podem ser expressos através de suspiros e aspirações[17]
O Espírito em nós exerce sua função usando nossas emoções, gemidos, para
interceder mediante nossas debilidades. Lloyd
Jones diz que: “Deus não ouve apenas
nossos gemidos, Ele os entende, Ele consegue interpretá-los[18]”.
O ESPÍRITO É
FIEL A VONTADE DE DEUS – ELE É INIMIGO DA NOSSA VONTADE
Outro ponto de extrema importância é notar o texto
quando diz: “segundo a vontade de Deus é
que ele intercede pelos santos”, deve ser claro este princípio, o Espírito
só clama segundo a vontade do Pai, ou seja, sua intercessão está pedindo
segundo aquilo que o Senhor tem para seus filhos. Ele, o Espírito, não se
submete a nossa vontade carnal, ou aos nossos caprichos, Ele está intimamente
ligado ao plano do Altíssimo, e é fiel nessa obra. Um texto relevante que
podemos citar para enriquecer nossa defesa é o que Paulo escreve aos Filipenses:
“Estou plenamente certo de que aquele que
começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus[19]”,
notamos na fala do apóstolo, um caminho a ser seguido por cada Cristão e uma
intervenção do próprio Senhor, em realizar essa obra – nesse mesmo sentido, é
que o Espírito intercede, é segundo o plano que Deus preparou para cada um de
nós. Lloyd Jones coloca da seguinte
forma: “Essa oração é um dos meios
designados e selecionados por Deus para conduzir-nos à glória final e suprema
que nos aguarda”.
A vontade do Pai para seus filhos é mais valiosa em
relação as nossas próprias percepções, pois triunfa um caminho de obras
realizadas antes que tivéssemos nascido (Ef.2.10), o Espírito se alia a essa
obra e esforça para sua concretização. Champlin
coloca que o “Espírito Santo intercede de
conformidade com Deus, de conformidade com a sua natureza, da qual somos participantes[20]”.
Encontramos grandes verdades no texto ao
aprofundarmos no original, com outras versões e com o elaborar de uma
estrutura, podemos concluir que o Espírito de Deus possui uma função
extremamente preciosa – Ele caminha ao lado do Pai, em unidade de pensamento,
trabalhando na vida dos Cristãos. O Espírito Santo demonstra funções através de
manifestações, elas visam direcionar cada filho de Deus, para um caminho
planejado pelo Senhor antes de seu próprio nascimento. A glória de Deus, é
levar seus filhos para que a obra do Filho seja completa e realizada em suas
vidas.
Observamos que o Espírito de Deus, se submete a
Vontade do Pai e por ela Ele trabalha na vida dos filhos – estes filhos, eram
do reino das trevas, mas hoje são resgatados e precisam trilhar um caminho de
regeneração. As antigas paixões, e vontades rebeldes, não são forte o
suficiente para convencer o Espírito na intercessão, pois Ele, está totalmente
ligado a perfeita vontade de Deus, e sua união o faz interceder de maneira
precisa, na raiz da fragilidade humana, para que haja cura e correção.
(Artigo
de exposição sobre o texto de Romanos 8.26,27, para o 5 Semestre do curso de
Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, disciplina Exegese do Novo
Testamento, Prof. Dario, Aluno Ronaldo José Vicente - ronjvicente@gmail.com)
1. Bible
Oliver Tree, Versão Almeida Revista e Atualizada, Dicionário grego com
Strongs
2. F.F. Bruce, Ed. Cultura Bíblica,
Romanos, Introdução e comentário, 2002
3. BARTH,
Karl, Carta aos Romanos, Ed. Fonte Editorial, 2009
4. Bible
Hub, http://biblehub.com/
5. JONES,
Martyn Lloyd, Romanos, Exposição Capítulo 8:17-38, A Perseverança final dos
Santos, Ed.Pes, 2002
6.
CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento
Interpretado, Romanos, V.III, Ed. Candeia, 1998
7. WILSON,
Geoffrey B. Romanos, Ed. Pes, 2007
8. ESTERN,
David. H. Comentário Judaico do Novo Testamento, Ed.Atos, 2008
9.
ALFORD, Citado por Champlin, R.N. O
Novo Testamento Interpretado, Romanos, V.III, Ed. Candeia, 1998
[9] JONES, Martyn Lloyd, Romanos, Exposição Capítulo
8:17-38, A Perseverança final dos Santos, Ed.Pes, 2002, pg.160
[10]
CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado, Romanos, V.III, Ed. Candeia,
1998, pg.722
[12] JONES, Martyn Lloyd, Romanos, Exposição Capítulo
8:17-38, A Perseverança final dos Santos, Ed.Pes, 2002, pg.177
[16] JONES, Martyn Lloyd, Romanos, Exposição Capítulo
8:17-38, A Perseverança final dos Santos, Ed.Pes, 2002, pg.181
[17] ALFORD,
Citado por Champlin, R.N. O Novo Testamento Interpretado, Romanos, V.III, Ed.
Candeia, 1998, pg.722
[18] JONES, Martyn Lloyd, Romanos, Exposição Capítulo
8:17-38, A Perseverança final dos Santos, Ed.Pes, 2002, pg.185.




Que riqueza! Glorificado seja Deus!
ResponderExcluirMaravilhosa explanação. Deus continue abençoando sua vida.
ResponderExcluirLouvado seja Deus por sua explanação desses versículos altamente relevantes em nossa vida cristã.
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