Comparando as Confissões Belga, Helvética e Westminster sobre a Palavra de Deus



Confissões

Iremos analisar três confissões, a confissão Belga de 1561, a segunda confissão Helvética de 1566 e a confissão de Westminster de 1647. Mas antes de compararmos as confissões, iremos dar uma breve analisada no contexto em que elas foram escritas.
A confissão Belga foi escrita em francês pelo pastor reformado Guido de Brès ou Guy, que após passar alguns anos na Inglaterra como refugiado, retornou a Bélgica. Os protestantes dos países Baixos sofriam intensa repressão da Espanha católica. O texto sustenta as convicções protestantes, como a autoridade única das Escrituras, a plena suficiência do sacrifício expiatório e da intercessão de Cristo, a natureza das boas obras e os dois sacramentos[1].
            A segunda confissão Helvética foi elaborada em 1561 por Heinrich Bullinger, e publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia, Hungria, Polônia e outras. Enfatiza-se a sagrada Escritura como verdadeira palavra de Deus e que ensina plenamente toda a piedade. Nesta Escritura Sagrada a Igreja Universal de Cristo tem a mais completa exposição de tudo o que se refere à fé salvadora e à norma de uma vida aceitável a Deus; e a esse respeito é expressamente ordenado por Deus que a ela nada se acrescente ou dela nada se retire[2].   
A terceira confissão é de Westminster (1647), foi um dos documentos aprovados pela Assembléia de Westminster (1643-1649), convocada pelo Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra[3].
  
 Comparando as Confissões – A Palavra de Deus

A confissão Belga defende que a palavra de Deus “não foi enviada e nem produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”[4], essa ênfase é fundamentada na pronuncia do apóstolo Pedro, em sua segunda carta (1.21). Na confissão Helvética eles defendem que “as Escrituras Canônicas dos santos profetas e apóstolos são a verdadeira palavra de Deus[5]. Podemos comparar essas duas confissões e depois observar a confissão de Westminster.
Na confissão Belga existe a defesa da palavra de Deus de um modo, que ataca qualquer pensamento que tente levantar a hipótese de ter qualquer tipo de “influência humana” nas sagradas Escrituras. Observe como eles iniciam defendendo de forma negativa: -“Confessamos que a palavra de Deus não foi enviada nem produzida por vontade humana”. Agora, na confissão Helvética, o pronunciamento não está na defesa e sim na afirmação, observe: “Cremos e confessamos que as Escrituras Canônicas dos santos profetas e apóstolos de ambos os Testamentos são a verdadeira Palavra de Deus”, aqui eles estão dizendo que a verdade, e toda a verdade está contida nas Escrituras; ao defender essa verdade, eles estão expondo que fora dela, das sagradas Escrituras, não há verdade. 
Observando a confissão de Westminster neste ponto, encontramos uma ênfase um pouco mais abrangente, pois seu pronunciamento engloba que não há como a Igreja sobreviver sem a sagrada Escritura – “por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja[6]. A confissão estabelece não apenas uma verdade contida nas Escrituras, mas estabelece que ninguém, inclusive a Igreja, consegue sobreviver sem ela. Aqui concordam a segunda confissão Helvética que também diz: “nesta Escritura Sagrada a Igreja Universal de Cristo tem a mais completa exposição de
tudo o que se refere à fé salvadora e à norma de uma vida aceitável a Deus”, observem quando usam o termo da confissão como “norma” de uma vida aceitável a Deus, ou seja, uma forma de viver que seja agradável a Deus. Da mesma forma podemos extrair um ponto da confissão Belga, quando enfatiza que as Escrituras foram escritas pelo dedo de Deus, e por isso devem ser consideradas sagradas e divinas (Êx 34:27; Sl 102:18), e com isso esclarecemos uma total reverência a ideia que, somente as Escrituras podem nos indicar um modelo de vida aprovado pelo próprio Deus. 
As Escrituras como modelo para toda organização


Encontramos um ponto na segunda confissão Helvética, que mantém uma ênfase das Escrituras serem o modelo, para organizar ou estabelecer qualquer direção, tanto para uma vida particular de piedade como uma direção para a Igreja –“As Escrituras devem derivar-se a verdadeira sabedoria e piedade, a reforma e o governo das igrejas, também a instrução em todos os deveres da piedade[7], baseado naquilo que o apóstolo Paulo diz: “Escrevo- te estas coisas, esperando ir ver- te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus...”[8] e também escreve: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra[9], aqui entendemos uma direção de vida tanto no modelo particular dos cristãos, como para toda uma localidade.
Da mesma forma existe um apoio na confissão de Westminster, que expõe de maneira mais objetiva este ponto:
Reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas[10]
adaptando-se e submetendo a uma vida, onde a regra de fé, o modelo e o padrão dos cristãos devem ser, direcionados pelas Escrituras.
Concordam que este modelo é estabelecido por Deus e já concretizado, ou seja, as Escrituras se completam, estando fechada e finalizada – não abrindo espaço para qualquer eventualidade de contribuição, assim defende a segunda confissão Helvética: “e a esse respeito é expressamente ordenado por Deus que a ela nada se acrescente ou dela nada se retire”[11], seguindo a própria direção do apóstolo João –“Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro[12].
Pr. Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)    
       

   
         
 

 
  




[1] MATOS, Alderi Souza, retirado do portal do Mackenzie, Movimento Reformado, As Confissões Reformadas - http://www.mackenzie.br/7055.html
[2] Segunda Confissão Helvética de 1562, retirado do site Monergismo - http://www.monergismo.com/textos/credos/seg-confissao-helvetica.pdf
[3] MATOS, Alderi Souza, retirado do portal do Mackenzie, Movimento Reformado, As Confissões Reformadas - http://www.mackenzie.br/7060.html
[4] Confissão Belga, 1561, Artigo 3, A palavra de Deus
[5] Segunda confissão Helvética, 1566, ponto 1 – Escritura Canônica
[6] Consissão de Westminster, 1647, Cap. 1 – Escritura Sagrada
[7] Segunda confissão Helvética, 1566, ponto 1 – Escritura ensina a piedade
[8] Bible Study, Revista Atualizada Almeida, 1 Tm.3.14
[9] Bible Study, Revista Atualizada Almeida, 2 Tm.3.16,17

[10] Consissão de Westminster, 1647, Cap. 1 – Escritura Sagrada - VI
[11] Segunda confissão Helvética, 1566, ponto 1 – Escritura Canônica
[12] Bible Study, Revista Atualizada Almeida, Ap.22.18-19

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