Discernindo o Reino
Vendo o exemplo de Ana para nos ajudar a compreender que o filho só vem após sair da terra
(As velhas atitudes e a antiga forma de pensar)
ISam.1:4 –“No
dia em que Elcana sacrificava, costumava dar quinhões a Penina, sua mulher, e a
todos os seus filhos e filhas. Porém a Ana, embora a amasse, dava um só
quinhão, porquanto o Senhor lhe havia cerrado a madre. Ora, a sua rival muito a provocava para irritá-la, porque o
Senhor lhe havia cerrado a madre. E assim sucedia de ano em ano que, ao subirem
à casa do Senhor, Penina provocava a Ana; pelo que esta chorava e não comia”.
Ana passava por uma situação
complicada. Ela não tinha filhos porque o Senhor havia fechado sua madre. A
questão neste texto é entender por que a vontade de Deus era não permitir que
Ana tivesse filhos.
Vejamos o contexto em que Ana vivia:
Esta mulher dividia seu marido. A outra mulher se chamava Penina, e ela
podia dar ao seu marido o que Ana não era capaz, ou seja, pela lógica Ana seria
menos amada, ou menos respeitada como mulher, em relação ao principal papel
operante naquela época. Mas isto não aconteceu, podemos ver que a postura do
marido foi amá-la acima desta dificuldade.
Mesmo assim Ana permanecia sendo provocada
por Penina continuamente. O que nos leva a pensar sobre esta provocação é o
porquê deste comportamento de Penina.
Para Penina ter atitudes como esta,
com certeza seu interior estava inseguro em relação à sua posição no lar. Em um
momento estava num lugar firme e jamais substituído, por poder dar filhos a
Elcana, seu marido, e ao mesmo tempo sentia-se trocada, caso Ana pudesse dar
filhos. Penina sabia que se isto ocorresse, sua posição no lar estaria
comprometida. Deus podia intervir e acabar com esta situação. O Senhor poderia liberar
a madre de Ana, e fechar de vez com qualquer tipo de provocação de Penina, mas não
foi o que aconteceu. Ana teve de passar por essas afrontas, pois no seu caso, o
propósito do Senhor não era apenas lhe dar
um filho para sua satisfação
individual.
Deus não realizaria um desejo humano
para mostrar a Penina que Ana também poderia ser mãe. O plano do Senhor envolvia
algo além do que Ana poderia imaginar. Por trás deste sofrimento, o Senhor
estava trabalhando em Ana para o momento certo. Trazer um filho que não seria
dela e nem para seus caprichos, mas seria do Senhor e para sua vontade.
Podemos ver conforme a história que
enquanto Ana permanecia em seu lar e nas circunstâncias que vivia, ela apenas
chorava e não comia. É obvio que em seu próprio lar não havia como esta mulher
estar em paz, pois como estaria se a cada minuto poderia se deparar com Penina
ou com seus filhos.
Ana estava numa situação complicada,
seu convívio familiar não era favorável para poder criar um filho. Um filho
normal sim, mas um filho com propósitos não, pois vemos isto na vida de Samuel.
Note que enquanto Ana chora o Senhor
não ouve sua causa. Enquanto ela fica presa sobre a ideia de ser mãe para
competir com Penina, o Senhor também não lhe dá ouvidos. Por quê? Por que Ana
não era o ponto central, mas Samuel, seu filho.
Ana era apenas um instrumento, um
canal aonde o Senhor queria usar. Ela precisava estar com todos os fatores
favoráveis para o propósito que Deus tinha em mente. Ana desejava um filho para
si; um filho que cobrisse suas necessidades. Que crescesse em seu lar e que
fosse usado como escudo, ou como símbolo para competir sua posição no lar, como
mãe ou com outras quaisquer finalidades que beneficiariam a si própria.
Enquanto havia este sentimento em Ana, o Senhor não abriu sua madre.
Ana teve de entender que o filho que
tanto desejava, não seria para o que seu coração amargurado desejava,
mas este filho seria para aquilo que o Senhor tinha em mente. Ele era um plano
que estava se iniciando naquela época. Só quando Ana entende isso que o Senhor
ouve sua oração e abre sua madre. Podemos ver claramente Deus ouvindo
seu clamor no momento em que Ana está fora da sua “terra” (casa, mentalidade,
raiva de Penina, ódio, justiça própria) e dentro do “Templo” (lugar exato do
propósito, pois ali Samuel foi entregue e ali iria crescer) fazendo a “oração” correta (entregando seu filho para o Senhor).
A oração de Ana é ouvida num lugar favorável
Não podemos enfatizar propriamente a
terra em que vivia, mas as circunstâncias ao seu redor. Como podemos observar,
não era um lugar favorável para que Ana orasse e tivesse um posicionamento
certo para o plano de Deus. A conduta aguardada pelo Senhor só é encontrada
longe deste convívio, ou seja, no Templo a sós com o Senhor.
Vs.10- “Ela,
pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou muito. E fez um voto, dizendo: Ó Senhor dos exércitos! Se deveras
atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva
não te esqueceres, mas lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os
dias da sua vida, e pela sua cabeça não passará navalha”.
Quando Ana vai para o templo do
Senhor, ela toma um posicionamento diferente. Pois ao deixar sua casa, sua
terra, ela deixa também todas as suas vontades. Observe que em sua oração, não
há menção de nada que poderia misturar com seus desejos ou caprichos. Tudo
passa a ser um pedido voltado completamente para o plano do Senhor.
Podemos compreender que Ana não
estava mais pedindo como antes, ela praticamente entendeu que seus desejos não
estavam de acordo com o que o Senhor planejava. No momento em que decide deixar
tudo o que desejava para seu lar, sua casa e seu convívio, sua postura
passa a desejar o que Deus queria para aquele tempo. Um filho que crescesse na
presença do Senhor com um propósito específico.
Quem naquela época tomaria a postura
de Ana? Em entregar um filho para o Senhor. Um filho tão esperado e que mudaria
totalmente o quadro que estava vivendo? Vamos tentar imaginar a alegria das
pessoas ao redor de Ana, ao saberem do fato milagroso. Pessoas que iriam se alegrar com ela, ver que
seu sofrimento estava terminado, e nunca mais Penina iria atormentá-la. Os mais
próximos teriam observado seu período de sofrimento, e agora seu período de
triunfo sobre Penina. Isso poderia fazer com que Ana mudasse de ideia, em
relação ao voto que fez com o Senhor. Mas esta mulher entendeu perfeitamente os
planos Divinos, e se manteve firme no acordo. Não dá para imaginar as pessoas
que estavam próximas e felizes com a notícia, se depararem com outra realidade,
a entrega do tão milagroso filho para o Senhor. Com certeza foi um choque e até
uma alegria para sua rival Penina, que pela visão natural estaria novamente à
frente de Ana no lar.
Mas Ana estava curada deste mal, sua
mente e seu coração entenderam que o filho viria não para si, mas para um plano
que envolveria um propósito e que mudaria completamente o rumo da nação. Quando
Ana entende o plano, o Senhor confia a ela um filho, sabendo que por mais
absurda fosse a ideia perante a sociedade, Ana jamais voltaria atrás daquilo
que prometeu.
A questão de usarmos o exemplo de Ana
com o filho é reforçar a ideia de que o Senhor só lhe abriu a madre quando teve
absoluta certeza que ela realmente o entregaria. E para entregar, ela deveria
abandonar de vez as velhas atitudes. Samuel não era o caso de uma oferta
voluntária, que se tornou no futuro um grande profeta. Samuel era o propósito,
no qual o Senhor usaria para arrumar um reino para Si.
Se observarmos a história de Samuel,
iremos ver um contexto bem complicado. A palavra do Senhor era muito rara
naqueles dias e as visões não eram frequentes (3:1), nesta situação cresce Samuel e o Senhor era com ele. Não há
como crer que este menino tenha vindo do acaso, pois sua vida colaborou muito
para o que Deus queria fazer na nação de Israel. Por ele vemos seu importante
papel na vida de Davi, uma peça chave para grandes coisas que o Senhor realizou
com seu povo.
É claro que Ana não sabia destas
coisas, mas o Senhor sim, quando abriu sua madre e confiou a ela o amamentar e
depois o entregar. Para que isto acontecesse, Ana teve que realmente deixar de
lado sua velha forma de viver, para se entregar totalmente e ganhar a confiança
do Senhor.
Para crescermos com este exemplo,
precisamos olhar para nossa situação. Temos que reavaliar nossas vidas e nossas
petições. Há quanto tempo temos pedido um filho (mudança, avivamento, a geração de Samuel que trará o reino) para
mudar a nossa situação? O Senhor nos ouve, mas também vê a intenção do nosso
coração. Realmente queremos este filho para que os seus planos tornem-se
realidade, ou o usaremos como escudo para nossas afrontas? Sujeitando-o aos
nossos desejos, tornando-o preso e adiando novamente o plano de Deus na terra.
A Igreja atual vive pedindo o filho
da promessa (profetas, avivamento, terra
prometida) para viver a tão esperada conquista. Mas este filho ainda nem foi
gerado, pois as petições desta igreja estão vinculadas diretamente a uma linha
de pensamento que tem como objetivo, seguir caminho com sua velha forma de
viver e pedir apenas para si.
Ainda não ganhamos a confiança do
Senhor, pois Ele sabe que se abrir a nossa madre, não iremos entregá-lo, mas
criá-lo e dirigi-lo no contexto errado que vivemos. Com certeza iremos
segurá-lo com nossas ideias, formá-lo sobre o que cremos, esquecendo o pior,
nós mesmos e nossa velha forma viver.
Deveríamos seguir o exemplo de Ana,
lendo atentamente sua oração e aprendendo realmente o que estava por trás desse
clamor.
Ana se aproxima do Senhor nesta
oração sem nenhum desejo próprio (em usar
o menino para seu proveito). Essa mulher se achega perante Deus sem nenhuma
causa particular, e faz uma oração por uma causa coletiva. Não é
estranho? Como pode alguém orar por algo, deixando de lado aquilo que mais lhe
incentivava a orar?
Ana queria o filho, mas como pôde
desejá-lo e na mesma oração o entregá-lo? Foi o que ela fez. Orou por uma
situação que fosse certa e encaixasse exatamente naquilo que o Senhor queria
ouvir.
A vida de Ana, seu sofrimento, sua
madre fechada pelo Senhor, seu aborrecimento da mulher rival, a paciência do
marido e seu aprendizado, foram apenas para fazer uma oração correta, não foi
um ocorrido do acaso. Havia um propósito, o Senhor escolhera Ana para passar
por este contexto como forma representativa da situação do povo. Só assim Ana
oraria da maneira correta, sendo uma mulher com um forte desejo de ser
mãe.
A escolha de Deus
Deus escolheu o canal certo para
recomeçar o que foi perdido no Éden, por causa da abertura que o pecado causou,
distanciando a humanidade e segurando a benção completa do Senhor para todos os
homens. A atitude de Abrão é uma postura radical, indo em direção oposta ao
conceito humano daquela época.
Observe: Sal.90:10
-“A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez,
chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa
rapidamente, e nós voamos”.
Moisés escreve a forma racional de
ver a força do homem ir até um determinado tempo, após isto ele deveria
descansar e colher os frutos de uma vida. Esta deveria ser a postura normal de
um homem como Abrão. Com setenta e cinco anos, ele deveria (falando de uma maneira racional, de como o
pensamento naquela época não difere do pensamento atual) descansar, ficar tranquilo,
se acomodar, seguir o fluxo, caminhar da mesma maneira que outros na sua idade
estavam fazendo, colher os frutos de seu esforço, aguardar a morte e crer que a
vida seria dirigida pela natureza.
Mas o incrível é que Abrão com setenta
e cinco anos não aceitou este final. Ele fez o que o Senhor esperava. Foi
contra a maré, caminhou em direção contrária ao pensamento humano,
seguiu uma direção para abrir um novo caminho.
O que podemos entender com esta atitude
de Abrão? O que somos nesta época? Como igreja. Somos pioneiros de um novo
caminho, aonde o Senhor tem feitos grandes coisas, ou somos homens intitulados
Cristãos, que ao invés de passarmos para o mundo uma imagem de Jesus, estamos
passando a nossa imagem ainda imperfeita e cheia de falhas? É o nosso velho
contexto.
Somos uma igreja unida? Somos um só
corpo? Somos os filhos de Deus, aguardados com fortes expectativas pela
criação? (Rm.8:19) Temos tido uma
conduta correta o bastante para trazer o reino? Ou somos crentes estagnados em
ter uma maneira de viver, com uma postura dirigida pelo mundo, guiados pelo
sistema, com a nossa mentalidade idêntica a do homem carnal, competindo com a
trajetória que direciona este século, igualando nossas músicas, nossas formas
de pregar, de escrever, de orar, de se reunir, de falar, de fazer programas de TV,
de rádio, de encontros, de shows e de eventos. Estamos da mesma maneira que o
mundo, tocando apenas nas almas (áreas
emotivas do ser humano), trazendo uma momentânea emoção e consequentemente
seguindo o mesmo caminho de homens falhos e imperfeitos.
Abrão não quis seguir o mesmo rumo
que seu pai, ele não quis morrer em Harã. Ele ouviu a voz do Senhor e desejou
continuar para algo melhor. Existe algo maior e mais forte para nós como
Igreja, existe uma promessa que atingirá todas as famílias da terra, e o canal
é a Noiva de Cristo que exercerá em totalidade o poder conquistado pelo Senhor.
Mt.16:18,19 –“Pois também eu te digo que tu és
Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela, dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares,
pois na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado
nos céus”.
A Igreja precisa ter a mesma postura
de Abrão, sair desta terra que está vivendo há anos. Ela necessita seguir um
novo caminho, progredir em sentido anti-horário. Não será fácil, pois estamos
desta maneira ritualística há anos, mas necessitamos entender que a presença de
Cristo deve invadir nossos lares, empregos, famílias, escolas, seminários,
eventos, amigos, e nosso cotidiano sem quaisquer restrições. Chega de sermos
adoradores em horários reservados nos prédios chamados como igreja (Jo.4:23), ou de sermos apenas ouvintes
desesperados, procurando um ambiente para desabafar, mas sempre voltando
frustrados por não encontrar.
Que cesse a competição no nosso meio,
ou o favoritismo, as fofocas, as intrigas e os mexericos no corpo (1Cor.3:3). Chega das misturas (Lc.12:1/1Cor.5:7). Basta! Dos prédios
monstruosos de grande valor, enquanto que irmãos ao nosso lado estão passando
fome ou morrendo espiritualmente.
Ergamos uma afronta contra a
individualidade na fé, aonde uns tem para comer e outros não, ignorando a
família de Deus (1Cor.11:21). Os
roubos na igreja, escândalos, pecados horríveis que difamam o evangelho, homens
lobos que querem dinheiro e não se preocupam com as ovelhas. Chega de títulos
que visam apenas vangloriar uma elite, ou das divisões ocasionadas com homens
de Deus que atacam uns aos outros. Chega de irmãos amarem mais sua igreja local
do que a Noiva de Cristo.
Está na hora da Igreja assumir seu
verdadeiro papel na terra. Está na hora de nos unirmos como corpo, reconhecendo
que dependemos um do outro. É hora de o evangelho invadir nossas casas e elas
serem reconhecidas como casas de oração (Mt.21:13/Mc11:17/Lc.19:46).
Está na hora de vivermos o que pregamos; se pregarmos amor uns para com os
outros, vamos viver este verdadeiro amor.
É tempo de invadirmos os presídios
com o evangelho (Hb.13:3). É hora da
assistência social e as assistências de quaisquer áreas humanas do País, estar
no controle da Igreja, e não nas mãos de entidades demoníacas.
É momento de fecharmos as creches com
um coração solidário. Está no tempo da música evangélica tocar os céus (At.16:25), convocando os anjos, havendo
uma harmonia para sermos tocados no espírito (área de ligação sincera com o Trono). É momento de haverem
concentrações, não visando ver “artistas
evangélicos”, mas reuniões de clamor pela nação, uma assembleia solene de
arrependimento (Ne.8:18/Jl.1:14/2:15).
É tempo de não sermos mais reconhecidos por títulos, mas pela conduta e pelo
brilho em nossos rostos (Mt.5:16).
Precisamos restaurar a palavra para
separar a alma do espírito, a junta das medulas (Hb.4:12). Necessitamos clamar para o mover profético se manifestar,
tendo grande poder na terra (Ap.11).
É tempo dos milagres voltarem a manifestar o poder do evangelho (1Cor.4:20), paralíticos andarem, cegos
verem, mudos glorificarem ao Senhor, homens andarem como Cristo e serem imagens
d´Ele aqui nesta terra (1Jo.3:2/2Cor.4:10).
É momento da manifestação dos Filhos de Deus.
Rom.8:19 –“Porque a criação aguarda com
ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”.
Pr. Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)


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