O Caminho do Reino



Com o velho sendo presente em nossa realidade, é impossível Deus liberar algo novo, por que seus planos podem ser contaminados. Jesus disse no livro de Mateus, “Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam”. É provável entendermos a revelação do velho que ainda se faz presente em nossas vidas. Aquilo que rege nossas Igrejas e nossos cultos. Este velho precisa ser excluído, arrancado e abandonado para abrirmos espaço para o novo que ainda está oculto.
O versículo de Mateus é uma resposta de Jesus para os fariseus e para os discípulos de João, que vieram até Ele contestar sobre as atitudes de seus discípulos que não estavam jejuando. Jesus responde de forma clara, quando diz que estando ao lado do Noivo, não há razão para fazer o que outros estavam praticando. Mas menciona que quando o Noivo for tirado eles jejuariam, e por fim, solta a revelação do velho que não pode receber o novo, porque se o novo vier em conteúdos velhos, estragará sua origem.
O que Jesus estava querendo dizer? Ele estava desejando mostrar que o momento era de preparação e não de recebimento. Os discípulos de João e os fariseus jejuavam por causas, querendo recebê-las independente da forma que estavam, ou seja, como barros velhos, esperando algo novo descer. Não havia nenhuma preocupação em suas mentes, sobre se estavam preparados para receber algo. Suas orações estavam focadas no adquirir aquilo que poderia vir através de suas posturas religiosas.
Os discípulos de João e os fariseus podem ser igualados aos cristãos atuais. O pensamento que rege nossa teologia cristã é focado neste mesmo seguimento. Todos estão “jejuando” como eles. O que quero dizer com isto? Todos estão se movendo dentro da igreja, atuando em algum ministério porque não podem ficar parados. Estão exercendo algum trabalho que envolva o interagir das pessoas. Não param de elaborar alguma nova campanha, porque sabem que por ela as igrejas caminham.
Este pensamento é originado deste conteúdo, o mesmo que havia naquela época é presente nesta nossa realidade. Por isto Jesus os abate, porque sua vinda e a chamada dos seus discípulos foram anos de ensino, para que houvesse neles uma preparação sobre algo que viria.
Os discípulos do Senhor estavam sendo moldados conforme a palavra. Vejamos algumas ocasiões em que Jesus retira o velho que guiava o pensamento dos seus discípulos, para uma nova forma conforme a palavra.

Mt.19:13,14 – “Trouxeram-lhe, então, alguns meninos, para que sobre eles pusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus”.

Mc.4:35-41- “E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?”

Mc.12:41-44 – “E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.

Mc.14:3-9 – “E, estando ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça. E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de unguento? Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela. Jesus, porém, disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra. Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes. Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória”.

Lc.17:5-10 - “Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé. E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria. E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa? E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer”.

Jesus caminhava com seus discípulos e em todo tempo através da palavra, retirava-os da velha forma de pensar. Porque sabia que esta velha conduta religiosa, iria contaminar o novo que estava por vir. Mostramos algumas passagens que transmitem com claridade de como Jesus estava trazendo um novo modo de pensar que os discípulos não tinham. Podemos observar que em todas as passagens, os discípulos são repreendidos ou são advertidos sobre uma nova visão do reino de Deus.
Em Mateus os discípulos impediam as crianças de se aproximarem do Mestre. Jesus os repreende, e diz que delas é o reino dos céus. Eles criam estar fazendo o correto, mas suas ações eram idênticas as dos fariseus, e por isso que o Senhor ensina-os a lançar fora esta velha forma de agir. 
Outro exemplo seria o de Marcos, quando uma mulher quebra o vaso com um óleo de muito valor sobre a cabeça de Jesus. Imediatamente os discípulos ostentaram em fazer uma boa ação, que seria não desperdiçar aquele perfume. Até seria uma verdade para nós, creio que muitos cristãos da atualidade teriam a mesma conduta. No entanto, Jesus foi tocado por aquilo, e o ato daquela mulher foi louvado como uma profecia daquilo que viria a acontecer com Jesus, e que os próprios discípulos não entendiam.
Existem outros exemplos que podemos meditar, mas creio que cada um já entendeu o espírito da palavra. A diferença da mente de Jesus é visível nos relatos Bíblicos. Suas ações sempre visaram engrandecer a Deus em todas as situações presentes do dia a dia.
A maior diferença daqueles que estão sendo preparados para os que creem já estar, é que visam apenas receber algo novo, estando ainda com o velho presente em suas vidas; mas aqueles que estão sendo moldados, caminham em diversas situações sempre promovendo oportunidade para dar Glória ao Único Rei - Jesus.
Esta é a diferença que Jesus sempre teve. Em nenhum momento desejou a glória, e em todas as ações promoveu situações no qual o Pai fora exaltado de forma explícita. Isso é tão importante, porque com esta atitude, Jesus ensinava o principal sentido do reino para seus discípulos - a glória pertence a Deus.  
O Mestre que esteve presente na criação, não ousou receber na terra nenhuma honra que era merecida. Jesus merecia louvor, ele é o primogênito, mas se ausentou desta glória, para nos ensinar que a honra e a soberania pertencem ao Rei. Este ensino destrói por completo a velha forma de pensar, e é nela que devemos nos apegar para receber o novo. Pois o novo possui apenas uma Coroa, e ela já tem um nome, Jesus, o eterno Cordeiro e único que pode abrir o livro. (Apc.5) 

Jo.6:15 – “Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte”.

A missão de Jesus em acabar com o velho na mente dos seus discípulos foi um trabalho constante no período em que esteve aqui na terra. Era de extrema importância, pois em breve viria o Espírito Santo (vinho novo, João 14) e que não podia estar sendo derramado em uma estrutura velha.
Quando Jesus deixa seus discípulos após a ressurreição (At.1), é claro vermos sua ordem para esperar o Consolador. Neste período, não vemos mais o Senhor tratando seus discípulos como nos evangelhos, ensinando-os ou exortando-os. Parece que a primeira lição havia passado, e Jesus sentia ter completado esta obra, tirando aquele velho pensamento antes de vir o Espírito Santo. Ao ocorrer o pentecostes, podemos crer que muitos pensamentos antigos que regiam as obras dos discípulos, foram deixados pelos ensinamentos do Mestre através de sua palavra.
Por isso a Igreja de Atos explodiu com sinais e prodígios (At.2:43), porque algo novo estava sendo derramado em mentes que haviam deixado a velha religiosidade. Este foi um ponto central para que o evangelho se expandisse em Roma, os discípulos aprenderam por meio de Jesus a deixar o velho conceito de vida.
A prova da transformação da mente dos novos cristãos em Atos é ver o princípio da operação do Espírito Santo, onde houve claramente a distinção em um ponto. Em todo o tempo a glória é entregue a Jesus. O Senhor através dos discípulos é exaltado com ênfase, em cada ação realizada pelo Consolador, usando os Apóstolos.
Podemos observar nos capítulos dois, três e quatro do livro de Atos, o auge da Igreja sendo luz naquele período. Nestes capítulos poderia haver a soberba do homem, fazendo-se sócio da glória. Eles teriam todos os motivos, pois era evidente a manifestação do Espírito Santo, e muitos sinais estavam sendo realizados. Mas ao lermos, notamos que a honra em todo tempo foi entregue somente a Jesus. Ele é o ponto central de qualquer manifestação realizada nestes capítulos.

Para concluirmos esta parte, vejamos o que o livro de Lucas relata sobre a palavra, “velho”.

Luc.5:39 – “E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho”.

É a mesma passagem, mas no livro de Lucas existe um ponto diferenciado e creio que tenha uma forte revelação. Observe que nela é usado o termo beber (provar, experimentar, ou se contaminar). Por quê? Porque o novo deixa de ser requisitado por alguém que bebe do velho? Não é estranho? Como alguém pode não desejar o novo, optando pelo velho? 
Parece estranho, mas é uma realidade. Vejamos; Digamos que eu tenha oitenta anos, e com esta idade pude ver o crescimento da tecnologia. Quando criança e até minha juventude, passei por várias ocasiões e aquilo que hoje é facilidade, na minha época era dificuldade. Por exemplo, não havia como saber no mesmo instante um acontecimento desastroso do outro lado do mundo. Também não havia como falar com alguém, do outro lado de qualquer país, sem estar próximo. É evidente que a tecnologia atual, diferenciou em inúmeras vantagens a situação arcaica de oitenta anos atrás. Nisto que está o ponto. Se eu passar todo este tempo vivendo com o passado, ignorando esta nova tecnologia em minha mente, a velha forma de viver sempre será melhor que a atual, porque definitivamente, estou ignorando o novo que está chegando.
Era isto que Jesus estava falando. Os judeus estavam com seus velhos pensamentos e algo novo se aproximava. Mas o novo que Jesus trazia, não contradizia a soberania de Deus e sim a deixava mais clara. Infelizmente o velho pensamento se esquivava em conteúdos criados pela mente humana, é a religiosidade sem vida. O sujeito vive no velho, cria uma norma, se diferencia dos outros e ainda coloca uma placa de aprovação de Deus.
Bebe continuamente do velho, ignorando o novo por várias questões. Uma delas se chama orgulho, de homens que se acham especialistas na verdade, mas estão como o próprio Jesus disse em Mateus (23:24), “Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo”.

Que possamos estar receptivos ao novo e aberto para deixar de lado o velho, que persiste em contaminar aquilo que vem trazendo a glória de Cristo na terra. Depois que entendermos isto, passaremos ao próximo passo que é estar no lugar determinado pelo Senhor e nesse patamar prosseguiremos para outras atitudes.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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