Os Pequeninos


     Se compararmos o ministério de Elias com o ministério daqueles sete mil que estavam guardados, chegamos à seguinte conclusão. Aparentemente Elias sobressaiu com seu ministério, roubando a cena com poder, milagres e maravilhas que fez ao longo da sua vida. Mas a grande pergunta é: E depois? Elias fez algo poderoso, seu discípulo Eliseu também fez? Após ele, tudo passou. Ao contrário da época de Jesus.
     João Batista veio com uma forte palavra profética, fez sua parte no plano Divino em preparar o caminho. No dia da revelação do Cordeiro, entendeu que era hora de se ausentar, para o outro batalhão vir e assumir o rumo da história.

Mat. 3.11 - "Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento, mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alpacas, ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo".

            Jesus sabia que sua hora havia chegado, e à hora de João Batista passado. A visão do ministério de Jesus era diferente, por isso repreende seus próprios discípulos, que agiam com desejo de mandar fogo do céu como Elias. 
     Podemos comparar Jesus com Obadias, mas apenas como figura. Porque Jesus não só guardou seus futuros discípulos, mas depois os orientou para qual deveria ser sua missão. Os sete mil que estavam guardados é a forma que estamos comparando os profetas na atualidade, que estão sendo preparados. São pessoas guardadas na espera de agirem conforme o coração do Senhor.

Pense comigo: Os sete mil são diferentes do ministério de Elias. Como os discípulos são diferentes do ministério de João Batista. Elias era do deserto. Os sete mil, possivelmente tivessem uma vida completamente diferente, não por serem mais fracos, mas por possuírem funções diferentes. Do mesmo modo os discípulos de Jesus, que são completamente diferentes de João Batista. João cresceu no deserto, enquanto os discípulos trabalhavam na pescaria e outro como cobrador de impostos, mas mesmo assim, sendo preparados para algo futuro.

     A diferença entre esses dois contextos é a figura de Jesus, que entrou em cena para não deixar o mover passar novamente. Orientando de forma clara e decisiva qual era o próximo percurso. Pode ser por isso, que os sete mil que estavam guardados, tenham ficado a mercê do anonimato e de qual próximo passo deveriam seguir, ocorrendo por si próprio o erro de não acertar o alvo.

     Mas na época de Cristo foi bem diferente, Jesus entrou para arrumar os pedaços e por a nova equipe que vinha sendo preparada de forma diferente. Por isso Jesus gastou tempo com seus discípulos, mandando-os para o campo de batalha para exercerem funções práticas igual a Ele. Jesus sabia que em breve não estaria mais presente, mas era de extrema sabedoria, saber que se não houvesse alguém para continuar o que por Ele foi começado, tudo poderia ser em vão, por isso os acompanha de perto, com muita cautela e rigor.

     Podemos comparar os discípulos como aqueles sete mil que estavam guardados. Da mesma forma que os sete mil foram escolhidos por Deus, os discípulos também foram escolhidos por Jesus para uma outra função. Os discípulos foram ensinados de forma diferente, eles não poderiam agir como João, e João também não agiu como eles.

Vejamos alguns versículos.

Mat. 10.41.42 Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, recebera a recompensa de profeta, e quem recebe um justo na qualidade de justo, recebera a recompensa de justo.
E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perdera a sua recompensa.

Mat.11.25- Naquele tempo falou Jesus, dizendo. Graças te dou, ó Pai, Senhor dos céus e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos.

Mat.18.6,10,14Mas qualquer que fizer tropeção um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar.

Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai, que estás nos céus.

Assim também não é da vontade de vosso Pai que esta nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.

Mat.25.40, 45Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Ao que lhes responderá. Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de fazê-lo a mim.

     Todos esses versículos falam dos pequeninos, que Jesus compara com crianças. Mas na realidade, o Senhor usa a figura das crianças como analogia para mostrar que esse batalhão é puro como elas. São puros e ao mesmo tempo são soldados, que estão sendo vigiados por anjos, que vêem a face de Deus diariamente. Homens que aonde vão, devem ser recebidos como o próprio Senhor, porque fazem parte Dele e atuam por meio Dele, contribuindo para a expansão do Reino.

     O título de profeta usado em Mateus no capítulo dez é mencionado no envio dos apóstolos, para expandir o reino de Deus. Ao mencionar a ida do profeta numa casa, o versículo seguinte orienta os hospitaleiros para recebê-los com muita dignidade, titulando-os como pequeninos. É contraditório olharmos o termo pequeninos, e concluirmos que são crianças. Porque jamais o envio dos apóstolos e profetas, poderia ser comparado apenas a uma criança. Mas a figura da criança é usada para expor de maneira analógica, que esse batalhão vem como crianças, no sentido de puros e altamente dependentes de um Pai, mas que atuam como fortes soldados para a batalha.

Por isso no mesmo capítulo vemos esse versículo, Mat. 10.16 – "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos, portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas".

     Para concluirmos essa parte, podemos dizer que os pequeninos são como os discípulos. Atualmente são pessoas que estão vivendo e sendo trabalhadas pelo Senhor, para algo que irá se revelar no futuro, após a manifestação do primeiro batalhão, que vem com poder para julgar a terra com sinais. Há dois exemplos disso, Elias e João Batista.


     Os pequeninos que formam o segundo batalhão estão em toda parte. Nas escolas, no trabalho, nas igrejas, nas catedrais, nos presídios, nas faculdades, nas casas, nas ruas, nos campos missionários. Estão sendo trabalhados pelo Senhor para um plano final. Todos esses estão vivendo normalmente, mas dentro de seus corações, carregam um peso que cresce de forma incontrolável. Esse peso é o coração do Senhor, que irá se revelar nos fins dos tempos.

Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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