Pode-se provar a existência de Deus?
Pode-se provar a
existência de Deus
Expondo o pensamento
de cada Filósofo
Iremos falar sobre a
existência de Deus e neste texto buscaremos avaliar o entendimento de três
filósofos, Anselmo (1033-1109), Tomás de Aquino (1221-1274) e Pascal (1623-1662). A existência de Deus
pode ser provada por meio de um raciocínio lógico? Essa é a pergunta central
que direcionará todo o conteúdo deste artigo, estes três pensadores tentarão
chegar de uma maneira lógica, o mais próximo possível para esclarecer essa
questão.
Anselmo argumenta em
relação a provar a existência de Deus com o pensamento de “perfeição”, ou seja,
existem dois tipos de perfeição, uma realmente existente e a outra imaginada
pela mente. Pode-se imaginar que a segunda é superior à primeira, e o que lhe
falta é apenas uma importante característica; a existência. Deus é totalmente
perfeito e necessariamente existente, e sua definição como aquilo ao qual nada
é maior implica a sua existência. Anselmo pressupõe que Deus é definido como
perfeição, nada é maior; assim ele diz: -“Na
verdade, nós acreditamos que tu és algo maior do que tudo que se poderia pensar”.
Tomás de Aquino
caminha por outro meio, ele mostra as provas da existência de Deus por meio da
experiência e não da lógica. Tomás elabora cinco pontos nos quais podemos
conhecer. Primeiro ele diz sobre o
movimento, ou seja, é certo que existem coisas neste mundo que se movem, mas
tudo o que se move é movido por outra coisa, nada se move se não estiver em
potência em relação ao que se move; e nada se move a não ser que esteja em ato.
Portanto é necessário chegar a um primeiro motor que não é movido por mais nada
e esse primeiro motor é compreendido como Deus. No segundo pensamento Tomás diz sobre o encadeamento de causas e
efeitos, pois nas coisas da vida, encontramos uma ordem das causas eficientes,
mas não encontramos uma causa eficiente de si própria, logo é necessário situar
uma causa eficiente antes, a que todos denominam Deus. O terceiro ponto fala sobre a “contingência”, onde os seres humanos
podem ser ou não ser, isso implica que alguma vez este ser não foi e passou a
ser e ainda vem a não ser novamente. Mas do nada, nada vem, e por isso esses
seres dependem de um ser necessário para fundamentar suas existências e este
ser só pode ser Deus.
No quarto ponto Tomás fala sobre os
“diversos graus de perfeição”, ou seja, todos olham algo e podem comparar com
uma perfeição máxima, essa máxima está além de qualquer toque humano, é a
perfeição completa, isso é Deus. E na quinta
posição de Tomás ele fala sobre o “finalismo”, que está relacionado com a ordem
que existe em todas as coisas, e essa tem um proposito e uma finalidade; essas
coisas só podem ser mantidas por um Deus que controla tudo com ordem e
finalidade.
Agora iremos ver o pensamento
Pascal e ver que o filósofo exclui a possibilidade de provar Deus com
argumentos lógicos ou considerações racionais sobre a perfeição da natureza,
pois acreditava que não provavam a obra de um divino criador, mas só aqueles
que decidiram escolher a fé. Então Pascal propõe colocar a existência de Deus
como um jogo de azar. A aposta é muito razoável porque o jogador aposta um bem
finito, que é a própria vida terrena, para ganhar um premio infinito. Para
compreendermos, devemos ver que Pascal vê a crença
ou a descrença que pode implicar uma aposta, pois se Deus existe e a Sagrada
Escritura é verdadeira, sua crença vai dar-lhe infinita felicidade após a
morte. Se Deus não existe, tudo o que você tem a perder acreditando n' Ele são
os prazeres finitos de uma vida finita. Mesmo se você acha que as chances da
existência de Deus são próximas de zero, Pascal sugere que elas estão perto de
50 %. A única coisa racional que você pode fazer é jogar o jogo. Logo, a razão
mostra que você deve acreditar em Deus.
Comparando os três
pensamentos
Vamos comparar os três
pensamentos e chegar numa explicação mais clara sobre aquilo que os filósofos
defendem: Anselmo diz desejar procurar um argumento lógico que pudesse
demonstrar por si só, sem ajuda de qualquer outro argumento que Deus existe e
que é o bem supremo, não precisa de nada e de quem todo o resto necessita para
ser e para ter valor. Obviamente Anselmo retrata este argumento com a
“perfeição”, aquilo que falamos no texto acima, que existem dois tipos de
perfeição, uma realmente existente e a outra imaginada pela mente. Pode-se
imaginar que a segunda é superior à primeira, e o que lhe falta é apenas uma
importante característica; a existência. Deus é totalmente perfeito e
necessariamente existente, e sua definição como aquilo ao qual nada é maior
implica a sua existência. Deus é definido como perfeição, nada é maior; assim
ele diz: -“Na verdade, nós acreditamos
que tu és algo maior do que tudo que se poderia pensar”. Da mesma forma
poderíamos observar a defesa de Tomás com seus cinco argumentos, que não
caminham para a lógica, mas para a experiência; em seu terceiro argumento sobre
a “via do contingente e do necessário”, diz que no
mundo podemos constatar as coisas contingentes, pois elas poderiam ser ou não
ser, existir ou não existir.
O ser
humano pode estar dentro da categoria dos contingentes, pois uma hora existimos
e numa outra hora não existimos mais. Mas se toda sorte de coisa é contingente,
então em algum momento elas deixarão de existir. Devido ao absurdo dessa
consideração, é preciso de alguma coisa que seja necessária para dar origem aos
contingentes, entretanto, se regredirmos ao infinito nas coisas necessárias
será impossível, pois é preciso um necessário por si que seja a causa primordial
de outros necessários e essa primeira coisa necessária causadora de outras
coisas é Deus. Note que para Anselmo um reconhecimento de “perfeição” se torna
necessário para o entendimento completo de existência do homem, o homem se
completa e se entende a partir do seu reconhecimento de um Ser perfeito; Tomás
baseia esse seu argumento no existir do homem, que é finito, passageiro, mas ao
mesmo tempo ligado à existência de um ser primeiramente infinito que dá suporte
a existência humana.
Já Pascal diz que ao
pensarmos em Deus, nossa razão não poderá decidir sua existência, mas podemos
apostar em uma opção sobre a existência ou não de Deus. Pascal caminha um pouco
para a lógica de apostar e não para a lógica de provar Deus. Temos duas coisas
a perder, a verdade e o bem, e duas coisas a empenhar, nossa razão e nossa
vontade, nosso conhecimento e nossa beatitude. Nossa natureza tem duas coisas a
evitar, o erro e a infelicidade.
Conclusão
Podemos fechar esse texto concluindo que os três filósofos Anselmo (1033-1109),
Tomás de Aquino (1221-1274) e Pascal (1623-1662) caminham por linhas diferentes
de pensamentos, mas com a mesma finalidade, crença em Deus. Alguns optam pela
razão e outros pela experiência. Anselmo caminha pelo pensamento da lógica,
supondo o exemplo de um pintor que imagina o que está para pintar, esse
imaginar está sem seu intelecto, mas não acredita que exista aquilo que ainda
não pintou. Quando ao contrário, já o pintou, tem o que pintou no intelecto e
acredita que ele existe. Pascal define essa perfeição armazenada na cabeça do
pintor como a ideia logica de Deus. Mas para Tomás, a lógica não seria tão
lógica em provar a existência de Deus, em seu ponto de argumentação sobre “os graus de perfeição”, Tomás diz se
observável que, no mundo, as coisas que chegam a nosso entendimento através de
nossos sentidos contém um determinado grau de perfeição, ou seja, esse grau para mais ou para menos, segundo
nosso julgamento diante de coisas. Estando esses graus presentes desde os
objetos mais comuns e até os sentimentos mais obscuros ou nobres, julgamos
sobre tais coisas tendo como referência alguma coisa de grau máximo. Mas esses
graus máximos que temos como referência para determinada coisa é o que da existência
de todos. Ainda mais, se para cada coisa existente existe um grau máximo,
portanto, deve existir um Ser que contém todos os atributos e coisas possíveis
em seus graus de perfeição no máximo e que seria geradora de todas as coisas em
grau de perfeição e esse Ser é Deus. Para finalizar esse seu argumento, Tomás
diz que não somente Deus pode ter algo em seu grau de perfeição máximo como
todo e qualquer ser pode assim ter esse grau máximo, bastando participar da
Suma Perfeição. Ou seja: uma coisa ou ser somente consegue chegar a seu grau
máximo de perfeição caso participe da perfeição do Ser mais perfeito, pois Deus
é fonte de toda coisa ou ser, transcendendo a ordem natural do mundo devido a
sua perfeição.
Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)

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