A presença de Cristo no Culto


Jesus Cristo inaugurou a adoração da Igreja quando instituiu a celebração da Ceia do Senhor. Prometeu estar com o que são seus até ao fim do mundo (Mt.28.20 –“ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”), e estar no meio deles quando dois ou três estivessem reunidos em Seu nome (Mt.18.20 –“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”). Ao reunir-se em torno de Cristo, a Igreja não está vivendo de ilusões, como se lembrasse uma bela esperança desvanecida, como o fizeram os discípulos naquele primeiro dia de Páscoa, antes de o Senhor ressurreto aparecer no seu meio. Ao contrário, em cada ato de adoração ela passa novamente pela experiência do milagre da vinda do Cristo ressurreto para estar com os Seus seguidores.

A)   O culto cristão é, nas palavras de A. Muller, “a forma mais vívida, mais palpável, mais central e simples de atualização da presença de Cristo”. Mas tal presença não é diretamente aparente. Trata-se de uma presença “sacramental”. Assim como é impossível, sem fé, reconhecer em Jesus de Nazaré o Cristo, o Filho do Deus vivo, assim também na adoração cristã não é possível, sem fé, estar seguro da Sua presença e contemplar a Sua realidade viva. A igreja não tem a presença divina à sua disposição e não pode ordenar que ela se manifeste mediante um processo automático de que ela pudesse lançar mão quando bem lhe aprouvesse.

B)   Essa presença de Cristo é imperfeita. Só com o advento da “parousia[1]” ela será completa e plena. Embora o prefigure concretamente, a adoração da Igreja não é ela mesma o próprio Reino. Comparada com a do banquete messiânico, a presença do Cristo na adoração cristã é, por assim dizer, parcial e fragmentária. Isso equivale a dizer que essa presença só é perceptível mediante a fé.       
         
Embora seja uma presença real, com a qual o fiel pode contar, à semelhança de todas as demais promessas do Senhor, a Igreja, no entanto, não é a dispensadora da presença do Cristo na adoração. Tal presença é fruto da ação livre de Cristo[2].

Novamente observando o texto chave que diz: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20). Para Ralph Martin essa referência deve ser entendida com base nas fontes rabínicas. O rabino Ananias disse: "Se dois se sentarem juntos e as palavras da Lei (forem proferidas) entre eles, a Presença divina - a Shekinah - repousará entre eles". Para os crentes em Cristo, a promessa do Senhor é de uma presença e de um poder muito mais ricos. Os dois ou três reunidos (por ele) em nome dele recebem a certeza de sua presença viva no meio deles. Essa verdade aplica-se ao culto do domingo e, de fato, a todas as vezes que a igreja se reúne (1 Co 5.4). O bispo Inácio comentava: "Onde Cristo estiver presente, ali estará a igreja universal"[3].   



[1] παρουσια [parousia] (Substantivo feminino). Presença, vinda, advento. A palavra grega Parousia era usada com o sentindo de presença ou vinda. Seu uso técnico indicava a presença ou chegada de um rei ou governante. No Novo Testamento ela é usada designar a presença (vinda) de Cristo novamente a Terra, primeiramente para os fieis e depois para os infiéis.
[2] O Culto Cristão, Teologia e Prática, J.J. Von Allmen, Ed. Aste, 2006, pg.26
[3] Adoração na igreja primitive. Ralph Martin, Vida nova. p. 41

(Retirado do livro, O Culto cristão de Von Allmen - estudo realizado na igreja de Higienópolis pelo Pr. Ronaldo José Vicente, ronjvicente@gmail.com)


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