O Profeta
O Ministério Profético
O que realmente é o ministério profético? Para entendermos o ministério
profético, podemos começar por aquilo que ele não é. O ministério profético
não é algo que apareceu com o tempo, mas veio da eternidade, saiu dos
conselhos eternos. O Ministério profético não é algo que você assume, é algo
que você é. Nenhuma academia pode fazer de você um profeta.
Como podemos definir o ministério profético? O ministério profético é
aquele ministério que, embora muito detalhe ainda tenha que ser revelado, é
aquele que tem, pelo Espírito de Deus, enxergado o propósito de Deus, de
forma original e final. No profeta há uma identificação entre ele e seu
ministério, é o próprio âmago do pensamento Divino. Um homem é chamado
para representar os pensamentos de Deus, e para representá-los naquilo que ele
é, e não naquilo que ele faz.
Se o profeta estiver submisso ao Espírito Santo, Ele irá transformá-lo;
isto é, Ele irá tornar a profecia algo que tenha encontrado lugar, de modo que
aquilo que o profeta fale, seja apenas vocalizar algo que tem acontecido, que
tem sido produzido em sua vida.
A função do Profeta tem sido quase que invariavelmente aquela de
recuperação. Isto implica que a sua ocupação se relaciona a algo perdido. A
função do ministério profético é trazer de volta a exigência da tradição do
Amado, para um confronto real com a situação da adaptação. O ministério
profético deve alimentar, nutrir, fazer surgir uma consciência e uma percepção
alternativa à consciência e a percepção culturais dominantes à nossa volta.
A função profética é a de levar as coisas para o pleno propósito de Deus,
e por isso, trata-se de algo reacionário, pois a essência do ministério profético é
a interpretação de todas as coisas do ponto de vista espiritual; é trazer os
significados espirituais das coisas, do passado, do presente e do futuro, para o
povo de Deus, dando a compreensão do significado das coisas em seu valor e
sentido espiritual.
Há uma grande e terrível necessidade de um ministério profético em
nosso tempo, o mundo hoje está bastante carente de um verdadeiro ministério
profético no seguinte sentido; uma voz que interprete a mente de Deus para as
pessoas. O Profético entende a mente de Deus, interpreta, e passa ao povo. Pois
os Profetas ficavam no meio da correnteza (normalmente uma correnteza
rápida e impetuosa) como uma rocha; o curso das coisas se precipitava sobre
eles. Eles desafiavam e resistiam aquele curso, e a presença deles no meio da correnteza, representava a mente de Deus como que contrária ao curso
predominante das coisas.
Os profetas são videntes, homens que viam, pois enxergavam o que
nenhum outro homem enxergava. Eles viam aquilo que era impossível às
outras pessoas verem, mesmo os religiosos, pessoas que temiam a Deus. Os
profetas viam por revelação. O profeta era um homem que sempre recorria a
Deus, e não saía para falar até que Deus lhe mostrasse a próxima coisa1.
Podemos citar o texto chave para os profetas que diz: “Certamente, o
SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos
seus servos, os profetas” (Am.3.7), pois os profetas são convocados para estar
em uma reunião secreta, íntima e familiar com o Todo Poderoso: “Porque
quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem
esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?” (Jr.23.18), assim esteve o
profeta: “Prosseguiu o Profeta Micaías: Ouve, pois, a palavra do SENHOR: Vi
o SENHOR assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele,
à sua direita e à sua esquerda” (IRs.22.19).
A função do ministério profético é manter juntos o espírito crítico e o
espírito ativo, porque um e outro isolados, não tem correspondido à
necessidade de nossa era. O papel do profeta é encorajar o povo para se engajar
na história e isso significa a recordação de clamores que esperam resposta,
ensinando-os e dirigindo-os a quem os leva a sério e a não olhar para as forças
inertes e adormecidas, que jamais souberam responder. O papel do profeta é
dar expressão às novas realidades contra as mais conhecidas, por estarem
adormecidas e controladas.
O profeta pode orientar dinamicamente para um futuro que é
genuinamente novo, e não derivado de dimensões humanas anteriormente
existentes. Uma comunidade profética deve refletir seriamente sobre as pré-
condições da doxologia, que é dirigida ao Único; sobre o que acontece, quando
são substituídas pelos jingles da televisão, os quais nos levam a cantar a
ideologia do consumismo para nós mesmo e para outros.
A vocação do profeta é conservar viva a função da imaginação,
relembrando e propondo futuras alternativas a cada um daqueles, aos quais, um
sistema opressor quer persuadir de que uma única forma de vida é possível. O
profeta valoriza a prática da imaginação criativa, porquê vê o presente como
provisório e recusa-se a considerá-lo como absoluto. O profeta sempre irá
afirmar, a possibilidade de um futuro que não seja continuidade do presente,
pois o objetivo de qualquer regime opressor é querer forçar o futuro, a ser uma
continuação inconteste do presente.
O profeta conserva viva a função da imaginação, relembrando e
propondo futuras alternativas, a cada um, daqueles aos quais o regime opressor
persuadiu de que há apenas uma forma de vida possível. O objetivo de um
regime opressor é trazer as pessoas um torpor – mas a função da imaginação
profética é acabar de uma vez com o torpor, penetrar a autodecepção, de tal
forma que o Deus nas coisas finitas seja proclamado Senhor2.
Quem ama Yahweh procura, ama e ouve os Profetas!
Pr. Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com)
1 SPARKS, Austin: Ministério Profético.
2 BRUEGGEMANN, Walter. A Imaginação Profética. São Paulo: Edições Paulinas.
2 BRUEGGEMANN, Walter. A Imaginação Profética. São Paulo: Edições Paulinas.




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