O Profeta e as emoções
Traçar uma
característica profética, mediante a atuação dos profetas com o povo de Israel,
pode ser um tanto perigoso. Há inúmeros
relatos de atuação e enquadramento do profeta, caracterizando-o como irado,
revoltado, amargo e descontente em todo o tempo. Alguns relatos bíblicos
favorecem essa ideia, pois encontramos o profeta Elias, mandando fogo do céu
nos profetas do rei Acabe e nos soldados enviados para capturá-lo (IRs 17; IIRs
1). Seu discípulo Eliseu, amaldiçoa quarenta e dois jovens por caçoarem de sua
calvície, e são mortos por duas ursas (IIRs 2:23,24).
Jeremias
escreveu cinco capítulos só de lamentação, contra a posição do povo diante de Yahweh. Estes dados parecem favorecer a uma
conclusão: o profeta é um agente mais propício a se manifestar com aspectos
negativos do que positivos. Entretanto, Jensen (2006, p. 129) sugere que “assim como Amós foi um profeta que
expressou a exigência de Deus quanto à justiça de Israel, Oseias é o profeta
que expressa o apelo de Deus à hesed de Israel”. Este termo “hesed” sugere uma lealdade, amor constante
e até piedade. É uma nova abordagem da figura do profeta. Ele repreende o povo
em determinados momentos, mas também executa ações de amor, fidelidade e
compaixão em tempos de grande necessidade.
Rambam (2014,
p. 138) comenta que “a profecia não pousa
sobre quem está triste ou deprimido, só pousa sobre quem está alegre”. Segundo
ele, a profecia cessou logo após a destruição do primeiro Templo devido às
dificuldades impostas pelo exílio que impediam o povo de sentir alegria
genuína. Essa seria a mesma razão que Jacó, após saber da morte do filho José,
ficou tanto tempo sem ter uma visão, pois uma grande angústia havia tomado sua
vida.
Desta
forma, os profetas sempre estavam com harpas, tambores, flautas e liras. Eles
estavam alegres e assim a profecia fluía de maneira eficaz[1].
Israel sempre foi conhecida por sua alegria. O povo era festivo, e, obviamente, não pode-se
dizer que os profetas não se enquadravam nessa realidade. Isso seria um pouco
fantasioso, pois a ideia de profetas enclausurados em cavernas, foge um pouco
da realidade histórica. Israel crescia como comunidade, e os profetas conviviam
no meio do povo.
Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça
Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente.
(ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576



Comentários
Postar um comentário