O Profeta e o Êxodo
O Êxodo[1]
foi um acontecimento marcante e fundamental no começo da criação de Israel,
servindo como base importante na aliança. Até nos dias de hoje, os judeus devem
fazer sua oração diária, agradecendo a Yahweh,
pela libertação da escravidão no Egito. O Êxodo é o coração do Pentateuco,
focado no livramento no Egito, e a entrega do pacto da lei no Sinai, pois Deus
redime seu povo e o transforma em uma nação.
Este marco ficará para sempre
na nação de Israel, registrado por Moisés e sendo sustentado pelas leis de
Deus, devendo ser lembrado continuamente. A Torá estabelece festas[2]
anuais como a Páscoa, Pentecoste e Tabernáculos; obrigando ao povo sua
celebração e relembrando o acontecimento no Êxodo:
A páscoa e os pães asmos era uma das três convocações anuais (Páscoa,
Pentecoste e Tabernáculos) em que todos os homens hebreus tinham de ir a
Jerusalém a fim de participar de sua observação. Celebrava-se a saída do Egito,
e a redenção efetuada com o cordeiro pascoal (Êxodo 12:1 – 13:10). Portanto considerava-se
uma das festas mais importantes no calendário hebraico (HOFF, 2007,
p.185).
Os profetas portavam-se como luzes neste
acontecimento, caso Israel preferisse seguir o caminho do esquecimento, ou tornar
as festividades como festas apenas, uma comemoração sem um real sentido (Is
1:12-15; Jr 14:12; Os 2:11; Am 5:2; Ml 2:13). Entretanto, esta foi a grande
falha de Israel, em grande parte do tempo: optava-se por caminhos desaprovados
por Yahweh, ocasionando a fúria santa
dos profetas, que transmitiam o coração de Deus, lembrando e relembrando os
acontecimentos do passado:
O Decálogo inicia recordando que Deus é aquele que fez Israel sair
do Egito (Ex 20:2; Dt 5:6). Desta maravilhosa libertação de Deus, nasce a
aliança: Deus empenhou-se com seu povo
que lhe deve uma resposta adequada. Israel é, portanto, por definição “o povo do Êxodo”. Todavia agora, nos
tempos de Amós, o povo vive como se o êxodo nunca tivesse acontecido, como se
Deus nunca se tivesse empenhado por Israel e nada pedisse (BONORA, 1983, p.
75).
A maioria das palavras proféticas parecem girar
em torno de momentos de ingratidão da nação que insiste em prosseguir em um
estilo de vida ingrato, esquecendo-se o passado que se relaciona com a
intervenção divina de Yahweh.
Obviamente, esta seria uma conduta presente rebelde, de revolução e
independência da nação contra o senhorio de Deus, pois não há como Israel olhar
o passado e não submeter-se às leis de Yahweh.
Opta-se então por dois caminhos: primeiro, esquecer-se do passado, criando-se
uma geração que não se relaciona com episódios de comprometimento e aliança.
Assim, comportam-se como livres, sendo
escravos de um contrato (Jz 2:10). Segundo, lembram-se do passado, mas
interpretam-no de maneira particular e cultural. Toda a exigência da lei, cujo
propósito era de aquecer o coração do povo, visava sempre amar Yahweh. Entretanto, Israel a transforma
em ritos culturais, talvez criados com o tempo, ritos que ficam na história,
sem algo vivo.
Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça
Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente.
(ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576



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