O Profeta e a profecia




Existe uma relação intrínseca entre o profeta e a profecia. Para Grudem (2001, p. 362): “acreditar em Deus era acreditar em seus profetas (2Cr 20:20; 29:25; Ag 1:12), pois as palavras dos profetas eram as próprias palavras de Deus” (2Cr 29:25). Portanto, desobedecer ou não acreditar no verdadeiro profeta era desobedecer ou não acreditar no próprio Deus, fazendo com que o ouvinte fosse responsabilizado (ISm 8:7; IRs 20:36; 2Cr 25:16; Is 30:12-14; Dt 18:19).
Há homens identificados na Torá como profetas, mas não temos registros de suas profecias. Podemos citar o próprio patriarca Abraão, mencionado por Yahweh como um de seus profetas. No episódio relatado em Gênesis 20, Abraão mente ao rei de Gerar, Abimeleque, que Sara é sua irmã com medo da morte. O rei Abimeleque toma Sara para ser uma de suas mulheres, e Deus aparece em sonhos decretando sua morte, pois Sara era esposa de Abraão. Entretanto, é neste ponto que obtemos uma orientação de divina, pois Deus diz ao rei Abimeleque para pedir a Abraão que interceda por ele, pois é um profeta. Essa é a primeira vez que o termo Nabiy` (profeta) é mencionado na Torá. Abraão enquadra-se nos profetas de que não temos registros de suas palavras, mas sabe-se que desenvolveu um forte estilo de vida, causando impacto em gerações futuras. Grudem (2001, p. 354) diz que, “isso sugere que o profeta tinha um relacionamento especial com Deus, e suas orações eram respondidas”.
A mensagem do profeta era ligada com seu estilo de vida, e, às vezes, ações simbólicas acompanham a mensagem:

O profeta Aías rasgou uma capa nova em doze pedaços e deu dez a Jeroboão para simbolizar a divisão do reino (IRs 11:30,31); Eliseu fez com que o rei Jeoás atirasse uma flecha, simbolizando a vitória sobre os Sírios (IIRs 13:15-18); Jeremias quebrou um vaso de barro para simbolizar o irreparável julgamento que viria sobre Jerusalém (Jr 19:10-13); Ezequiel fez um buraco no muro da cidade e passou por ali sua bagagem, simbolizando o exílio que estava por vir (Ez 12:3-6). Tais atos simbólicos não adicionavam simplesmente um impacto inesquecível à mensagem, uma vez que as própria ações eram a forma pela qual a mensagem era transmitida (GRUDEM, 2001, p. 362).



Também acontecimentos trágicos, familiares e incompreensíveis, naquele tempo, serviram como base para sustentar uma mensagem profética: Isaías andou, por três anos, descalço e nu, para que a esperança que Israel depositava, no Egito e na Etiópia, fosse aniquilada (Is 20:1-3). Deus, com um “golpe”, matou a esposa do profeta Ezequiel, o desejo dos seus olhos. Yahweh diz para o profeta não chorar e nem lamentar, mas gemer em silêncio. Aquilo que ocorreu ao profeta serviria de palavra profética contra à nação (Ez 24:15-17). Oseias é outro profeta que nos fornece mais exatidão deste foco temático: Deus o manda casar com uma prostituta e ter filhos. Essa relação também serviria como uma palavra profética à nação (Os 1-2). 
Ressalta-se que o sofrimento profético não veio montado na esfera humana intencional. Isso porque não existia possibilidade de criação de profecias falsas, por cada profeta, através de sofrimentos planejados.


O Deus de Israel mantinha seus profetas em um estilo relacional de vida, interferindo na realidade de cada um, chamando-os para um aprendizado divino. Tal estilo, tomava-os em tudo o que exerciam, a fim de que estivessem aptos para transmitir à mensagem profética.

De qualquer forma, é uma reivindicação de que aqui, nesse momento de pronunciamento, mediou-se a pessoas específicas em Israel, e por meio delas, em momentos e lugares específicos, um veredito ou manifestação que surge além da produtividade humana (BRUEGGEMANN, 2014, p. 815).      


Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576




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