O Profeta e a Torá


Devemos ressaltar que os profetas nascem em um contexto de falta de liberdade, para pensar fora dos padrões estabelecidos por Yahweh, na nação de Israel. Os dez mandamentos são um exemplo de como Israel estava preso à proposta estabelecida. O primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante de mim[1]; simplesmente, conclui o estabelecimento de um Senhorio. Os hebreus devem se sujeitar a isso e, a falta do cumprimento, geraria sérias consequências. Os profetas são honestamente fiéis aos mandamentos decretados por Yahweh. Sempre a palavra profética será motivada com a intenção de lembrar os hebreus, que um pacto foi feito, uma ordenança foi passada, uma posição de aceitação foi tomada. Agora, todas as vezes que surgem comportamentos de esquecimento, os profetas estão no caminho para lembrá-los.    

Sem a visão profética, o povo fica sem controle, mas aquele que busca a Torá é feliz... Meu povo é destruído por falta de conhecimento. Por ter rejeitado o conhecimento, eu também o rejeitarei como meu sacerdote. Por você se ter esquecido da Torá de seu Deus, também eu me esquecerei de seus filhos (Pv 29:18; Os 4:6)    

Os profetas são como uma rocha no meio da correnteza, não são levados para o esquecimento. Constantemente motivados por Yahweh, possuem a postura de invadir a realidade da nação, impondo a vontade de Deus como centro de toda vida social. Soares (2010, p. 50) diz que “o papel dos profetas do Antigo Testamento, como porta-voz de Deus e intérprete da Lei, era o de conscientizar o povo do seu compromisso assumido no Sinai, colocando em prática a aliança feita com seus pais”.


Os profetas compreendem a lei como fundamental, e seu cumprimento, alcançar o nível de uma tradição, respeitando o acordo feito com os primeiros pais. Qualquer desnível nesse prosseguir, torna-se papel do ministério profético, trazer de volta as exigências da tradição para um confronto real com a situação de adaptação (BRUEGGEMANN, 1983).  
O profeta não vem para estabelecer uma nova religião, e sim para reafirmar as palavras da Torá, alertando ao povo que não as transgrida. Entretanto, há casos em que o profeta indicará uma violação da Torá. Assim ocorreu com o profeta Elias, no monte Carmelo, que construiu um altar fora do Templo (IRs 18).


Conforme Rambam (2014, p. 148), o profeta teria autoridade para quebrar a lei da Torá, ainda que numa violação temporária, visando que o povo o desse ouvidos. Afinal, tratando-se de um profeta, foi também uma lei (Mitsvá) escutá-lo, já que pode-se aplicar o dito: “a ele ouvireis” (Dt 18:15). A mesma autoridade que nos ordenou guardar o Shabat (sábado), ordena-nos obedecer a um profeta. Entretanto, o profeta não poderia utilizar-se de sua autoridade para que o povo desobedecesse, ainda que temporariamente, à lei na questão de adoração de ídolos. (RAMBAM, 2014).

Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576






[1] Ex 20:3, Bíblia revista e atualizada, Oliver Tree.

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