O Avivamento de um Monge







Quando veio o avivamento a Florença, na Itália, em 1496-1498, o instrumento humano de Deus foi o católico romano italiano Savonarola. Quando começou o avivamento de Savonarola, Martinho Lutero era apenas um pequeno menino na Alemanha. Savonarola estava chocado com o vício e a imoralidade do mundo a seu redor na Itália e pela corrupção da Igreja Católica Romana. Quando jovem, ele andava à margem do rio Pó, cantando a Deus e chorando pelos pecados, pelas injustiças e pela pobreza do povo a seu redor. Ele chorava e lamentava a impudicícia, o luxo e a crueldade de muitos líderes na igreja. Ficava deitado, prostrado, durante horas a fio, sobre os degraus do altar na igreja, chorando e orando pelos pecados de sua época e os pecados da igreja.
O que pôde um monge desconhecido fazer em tempo de imoralidade tanto da sociedade quanto da única igreja existente naquela época? Embora católico devoto, as orações de Savonarola e sua vida cheia do Espírito ajudaram a preparar o caminho para a Reforma Protestante. Martinho Lutero chamou-o de “mártir do protestantismo”. A sua vida é mais um exemplo glorioso de que um guerreiro de oração, pela graça de Deus, pode ser usado para virar a maré e preparar o caminho para um poderoso avivamento.
Aos 22 anos de idade, Savonarola escreveu um tratado, Desprezo do mundo, em que comparou os pecados da sua época com os de Sodoma e Gomorra. Saiu sem avisar sua família e entrou num monastério para dar início a uma vida de jejum e oração. Estava desesperado por ver Deus enviar o avivamento.
Durante anos, Savonarola estudou as Escrituras, esperava em Deus e orava. Um dia, Deus de repente deu-lhe uma visão: os céus se abriram, e uma voz ordenou que ele anunciasse ao povo as calamidades futuras da igreja. Transbordando de poderosa unção do Espírito Santo, Savonarola começou a pregar para a população.
Quando o Espírito de Deus vinha sobre ele, a voz de Savonarola trovejava ao denunciar os pecados do povo. Um poder avivador se apoderou de toda a região. Seus ouvintes – homens e mulheres, poetas e filósofos, artesãos e trabalhadores braçais – choravam aos soluços. As pessoas andavam pelas ruas tão impactadas pelo convencimento do Espírito Santo que durante dias ficavam pasmas e sem palavras.
Em diversas ocasiões, assentado no púlpito, o rosto de Savonarola parecia iluminado com um brilho celeste que todos na igreja viam, e ele subia ao púlpito em oração como que em transe, por até cinco horas de cada vez. As igrejas menores não suportavam mais as multidões que iam ouvi-lo pregar, e por oito anos Savonarola pregou na grande catedral de Florença, na Italia. As pessoas chegavam no meio da noite, esperando as portas da catedral se abrirem, para que pudessem entrar e ouvir a mensagem. Savonarola profetizou que estaria com eles apenas oito anos.


O Espírito do Senhor estava sobre Savonarola. Ele profetizou que o governante da cidade, o papa e o rei de Nápoles morreriam dentro de um ano, e foi o que aconteceu. Por meses ele profetizou que Deus puniria Florença com uma invasão vinda do outro lado dos Alpes. O rei Carlos VIII da França e seu exército atravessaram os Alpes e se prepararam para o ataque. Savonarola saiu sozinho para se encontrar com eles. Enfrentou sozinho e exército francês e duas vezes persuadiu o rei a voltar e não atacar Florença.
O governo ímpio foi deposto, e Savonarola ensinou o povo a estabelecer uma forma democrática de governo. Esse avivamento trouxe imensas transformações morais. O mundo parou de ler livros vis e mundanos. Os mercadores restituíram às pessoas os lucros excessivos que tinham extorquido. Criminosos e moleques de rua pararam de cantar cantigas pecaminosas e começaram a cantar hinos nas ruas. Foram proibidos e abandonados os carnavais. Foram feitas gigantescas fogueiras em que livros mundanos, máscaras, perucas e ilustrações obscenas foram queimados. As crianças faziam procissão de casa em casa cantando hinos, conclamando todos ao arrependimento e a tirar das casas toda espécie e “vaidade”.
Fez-se uma grande pilha octogonal de objetos mundanos na praça pública de Florença, em sete níveis, de cerca de dezoito metros de altura e 73 metros de circunferência. Enquanto soavam os sinos, o povo cantava, e o fogo ardia, lembrando a fogueira do avivamento do apóstolo Paulo em Éfeso séculos antes (At.19.18-20).

Martírio


O corrupto papa, os cardeais e os sacerdotes estavam enfurecidos. Com o tempo, inimigos políticos e religiosos incitaram uma rude turba a atacar Savonarola. Derrubaram portas do santuário do convento onde ele estava e o capturaram.
Savonarola foi torturado severamente, e seu inimigos tentaram fazer com que confesse heresia. Suas mãos foram amarradas por trás, ele foi içado a grande altura e deixado cair quase ao chão, e imediatamente içado de novo pela corda, puxando os ombros e rasgando seus músculos. Brasas vivas foram colocadas em seus pés para que ele abjurasse. Ele recusou. Isso foi repetido diversas vezes. De volta à sua cela, Savonarola se ajoelhava e pedia a Deus que perdoasse o povo.
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Finalmente, Savonarola e mais dois monges companheiros foram levados para a execução diante de uma multidão de milhares de espectadores. Terrível silêncio pairou sobre a turba. As últimas palavras de Savonarola foram: “Não deveria eu voluntariamente morrer por aquele que tanto sofreu por mim?”. Em seguida, comungou tão profundamente com Deus que parecia totalmente alheio ao que acontecia a seu redor. Ele e seus dois amigos foram enforcados na praça, e seus corpos, queimados.   
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(Retirado do livro: Fogo do Avivamento. Wesley L. Duewel. United Press. São Paulo. 2016)

   

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