O Conhecimento dos Dons Espirituais
Os dons foram entregues
pelo Espírito Santo (ICo 12.11) para equipar a Igreja e prepará-la para a volta
do Cordeiro. Na carta aos Coríntios podemos encontrar Paulo enfatizando este
ponto:
“De maneira que nenhum dom (charisma; favor que alguém merece sem mérito próprio)
vos falta, enquanto aguardais a manifestação (apokalupsis;
aparecimento) de nosso Senhor Jesus”[1].
Aos Coríntios, o apóstolo relaciona a atuação dos dons entre ascensão[2]
de Cristo e a volta do Senhor; “mas recebereis
poder (dunamis; poder, força, habilidade), ao descer sobre vós
o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria e até aos confins da terra”[3]. Contudo, os ensinamentos de Paulo direcionam a
Igreja a compreender que entre a ascensão e a volta do Senhor - existe uma poderosa
ferramenta de edificação para com a Noiva de Cristo - preparando-a para o
Noivo:
“E ele mesmo concedeu uns para
apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para
pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento (katartismos; capacitação)
dos santos para o desempenho (ergon; negócio, serviço, tarefa) do seu serviço, para a
edificação (oikodome; construção) do corpo de Cristo, até
que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento (epignosis; conhecimento
preciso e correto) do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da
estatura da plenitude de Cristo”[4].
Este tempo de atuação dos dons espirituais se encerrará com a volta de Cristo.
O perfeito aniquilará o imperfeito; “O
amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte,
conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o
que é perfeito (teleios; levado ao seu fim, finalizado), então, o que é
em parte será aniquilado”[5].
Algo de extrema relevância que precisamos compreender é a participação de
Deus para com a Igreja no seu exercício. Deus não está distante ao ponto de capacitar-nos
de poder e o controlar do seu trono - de maneira ríspida - se estamos usando-o
de forma correta sem se importar verdadeiramente conosco. Cristo está sempre
por perto (Mt 28.20). O Espírito Santo habita em nossos corações (ICo 3.16). É
mencionado por Cristo, como Aquele que não nos deixaria só, mas estaria conosco
até a volta do Cordeiro; “O Espírito da
verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece vós o
conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”[6].
Encontramos uma forte relação de intimidade entre aqueles que atuam nos
dons - pois não deve ser um poder sobrenatural distante da relação entre servo
e Senhor - mas sim um interagir de proximidade; fazendo-nos atuar mediante uma comunhão
relevante que deve amadurecer nossos corações.
A este respeito o
Pastor Sam Storms diz:
Deus e seus dons ou Deus em seus dons? Existe um
princípio crucial que precisamos compreender como ponto de partida: quando Deus
concede dons espirituais, Ele não está dando ao seu povo algo que está fora
dele. Eles não são algo tangível ou uma substância que pode ser separada de
Deus. Os dons espirituais são nada menos do que o próprio Deus em nós,
fortalecendo nossas almas, transmitindo revelação às nossas mentes, infundindo
poder em nossas vontades e operando seus propósitos soberanos e cheios de graça
por meio de nós. Os dons espirituais nunca podem ser vistos de maneira
deística, como se um Deus lá do alto tivesse enviado alguma coisa para nós que
estamos aqui embaixo. Os dons espirituais são Deus se fazendo presente nos
pensamentos humanos, nas ações humanas, nas palavras humanas e no amor humano,
manifestando-se neles e por meio deles (Storms, 2014, p.14)
2. A atuação nos dons antecipa a era do porvir.
A pratica nos dons espirituais deve alcançar um entendimento mais profundo.
Existe um propósito para que o presente receba demonstrações sobre o poder de
Deus. A Igreja na atualidade, deve apontar para um Reino, onde a justiça de
Deus será vivida. A Igreja experimenta vislumbres daquilo que ocorrerá em seu
momento de restauração completa.
Podemos explorar a vinda de Cristo e a sua
pregação do evangelho; observando como a mensagem do Reino (Mt 4.17) vinha
acompanhada com manifestações de dons espirituais. Note que o contexto irá
descrever Cristo manifestando o Reino de Deus através dos dons espirituais;
“Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando
nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e
enfermidades entre o povo. E a sua fama correu por toda a
Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias
enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os
curou”[7].
Jesus Cristo manifestou o Reino de Deus através de palavras e com a manifestação
de poder através dos dons espirituais. Da mesma forma, ensinou seus discípulos
para levar a mensagem do evangelho com palavras, ações e demonstração de poder;
“e, à medida que seguirdes, pregai que
está próximo o reino dos céus. Curai enfermos (dons de
curar), ressuscitai mortos (operadores de milagres), purificai os leprosos
(misericórdia), expeli demônios (discernimento de espíritos); de graça
recebestes, de graça dai”[8].
Desta forma, Paulo reconhece entre os cristãos de Coríntios a importância
da atuação nos dons, edificando o corpo de Cristo - e os relaciona com a volta
do Cordeiro;
“porque, em tudo (pas; todas as coisas, qualquer coisa), fostes
enriquecidos (ploutizo; estar ricamente suprido) nele, em toda a
palavra (logos; os ditos
de Deus) e em todo o conhecimento (gnosis; um conhecimento mais profundo e mais
inteligente); assim como o testemunho de Cristo tem sido
confirmado em vós, de maneira que não vos falta nenhum dom,
aguardando vós a revelação (apokalupsis; aparecimento) de nosso Senhor Jesus Cristo”[9].
Assim, compreendemos a importância que o apóstolo demonstrava em desejar estar
na igreja de Roma, para revelar dons que seriam essencial no corpo de Cristo; “Porque muito desejo ver-vos, a fim de
repartir convosco algum dom (charisma) espiritual, para que sejais confirmados”[10].
Grudem comenta da
seguinte forma:
Os dons que o espírito Santo nos dá são uma amostra de
uma obra mais plena que Ele fará e que será nossa no tempo que ainda vai
chegar. Desse modo, os dons de discernimento prefiguram um discernimento muito
maior que teremos no tempo do retorno de Cristo. Os dons de conhecimento de
sabedoria prefiguram uma sabedoria muito maior que será nossa quando
conhecermos plenamente, da mesma forma como somos plenamente conhecidos. Os
dons de cura dão uma antevisão da saúde perfeita que será nossa quando Cristo
nos conceder os corpos ressuscitados (GRUDEM, 2012, p. 439).
Atualmente enfrentamos um terrível
momento, pois o evangelho está sendo transmitido sem poder. É uma pregação
cheia de ideias, porém, com pouco alcance para penetrar no coração de pedras
dos pecadores. Paulo deixou bem claro em sua carta aos coríntios. Ele não foi
até eles com palavras persuasivas de sabedoria, mas com demonstração do
Espírito e de poder (ICor 2.1-5).
Pregadores
ensinam sobre a Bíblia e as pessoas roncam. Donas de casa compartilham sua fé,
mas ela cai em ouvidos surdos. Vidas são quebrantadas, porém raramente
consertadas. Corpos estão sofrendo, mas poucos são curados. Casamentos estão
morrendo e as pessoas simplesmente desistem. Diante das tentações, o pecado
floresce. Os pobres estão famintos e assim continuam (Storms, 2014, p.
9-10)
Deus promete que nos
últimos dias escreverá a lei nos corações dos escolhidos, entretanto, antes,
quebrará os corações de pedra e limpará com água pura;
“Então, aspergirei (zaraq; espalhar, atirar, lançar) água
pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de
todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração
novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e
vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu
Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os
observeis”[11].
Este purificar está relacionado a um fluxo intenso
e contínuo de água caindo sobre os corações, destruindo toda insensibilidade
que impede o homem de ser vivo e praticante da palavra. Observe o termo “aspergir”[12],
onde relaciono-o com a força do “atirar”,
sendo um forte impacto através do uso da força da água sobre um determinado
alvo. A força da água sendo constante pode destruir elementos impregnados, ou
seja, uma sujeira habituada que reside a muito tempo - Deus deseja limpar e dar
um coração novo. Jesus disse aos seus discípulos que já estavam limpos pela
palavra; “Vós já estais limpos (katharos; purificados pelo fogo) pela palavra que vos tenho falado”[13]. Note o sentido da palavra “limpo”, pois no grego
quer dizer – “purificados com fogo”,
ou seja, uma palavra que queima e destrói todo caráter rebelde para construir
um novo homem. Este é o poder de Deus, o poder do evangelho; “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder (dunamis; poder, força, poder para realizar milagres) de Deus para a salvação de
todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”[14].
Este é o poder que está no evangelho para impactar
o homem, destruir seu caráter, levá-lo ao arrependimento para ver com seus
olhos quem é Deus. Paulo disse aos Coríntios ter demonstrado este poder, ou
seja, exibiu-o como prova aos irmãos. Da mesma forma, as multidões ficavam impressionadas com a autoridade de Jesus - Ele tinha poder;
“Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam
as multidões maravilhadas (εκπλησσω, ekplesso; ficar espantado, assombrado,
chocado) da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem
tem autoridade e não como os escribas”[15].
Sam Storms comenta:
Minha
conclusão é a seguinte: os problemas reais, as lutas dolorosas e o declínio da
nossa influência não serão resolvidos com outra coisa a não ser uma nova
infusão de poder – não qualquer tipo de poder, preste atenção, mas poder
espiritual, o tipo de poder que a carne humana é incapaz de produzir, a
formação acadêmica é incapaz de conceber, e para o qual programas reformulados
são incapazes de criar estratégicas. A Igreja precisa desesperadamente do poder
do seu Senhor, e da energia e da atividade do Espírito Santo (Storms, 2014, p.
9-10).
Diversidade nos dons
“Ora, os dons (charisma; dom da graça divina) são diversos (διαιρεσις, diairesis;
divisão, distribuição, distinção, diferença), mas o Espírito é o mesmo.
E também há diversidade (διαιρεσις, diairesis; divisão, distribuição,
distinção, diferença) nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E
há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”[16].
O diferente nos assusta,
pois não somos acostumados com aquilo que não temos controle. Desejamos saber e
adaptar as coisas segundo as nossas aprovações, para que caminhem em um
processo de segurança naquilo que optamos provar e aprovar. No início da igreja
também houveram diversas manifestações, elas assustaram e criaram certa
necessidade de orientação apostólica. A tendência humana é privar-se daquilo
que é desconhecido, entretanto, através dos conselhos de Paulo, os cristãos
tiveram que se organizar e se abrir para aquilo que o Espírito Santo estava
operando;
“Porque, assim como o corpo é um e tem
muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim
também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos
nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer
livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”[17].
Carson comenta a
respeito:
A preocupação
de Paulo não é tanto com a unidade, mas sim com a diversidade. O Deus Triúno
ama a diversidade – tanto que, como foi dito por alguém, quando ele envia uma
nevasca, faz cada floco ser diferente do outro. Nós fabricamos cubos de gelo.
Sem dúvida, a igreja é, de alguma forma, como um poderoso exército, mas isso
não significa que devamos pensar de nós como pessoas em uniformes camuflados
que não se podem diferenciar. Deveríamos ser mais como uma orquestra: cada
parte fazendo sua contribuição única para a harmonia sinfônica. Ditadores da
direita e da esquerda tentam estabelecer sua marca de harmonia pela imposição
forçada de uma igualdade monótona, buscando limitar as diferenças. Deus
estabelece sua marca de harmonia pelo derramar de uma grande diversidade de
dons, cada um contribuindo para o corpo como um todo (CARSON, 2013, p. 33,34).
O apóstolo Paulo está preocupado com o andar da igreja e, de maneira
nenhuma aprova um caminhar onde a diversidade é desculpa para divisões
internas. Paulo combate o início das divisões internas na igreja causadas pelas
atitudes carnais (ICo 3.1-3); combate as divisões pelas opções de favoritismo
nos líderes (ICor 3.4-6). O compromisso de Paulo é amadurecer a Igreja para
apresentá-la pura a Cristo (2Cor 11.2). Nas orientações paulinas, nota-se um valor
nas manifestações dos dons em diversidades, pois, todas elas trariam
crescimento para que a Igreja alcançasse o padrão que Cristo deseja;
“há somente um corpo e um Espírito, como
também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há
um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de
todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos...com vistas
ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a
edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à
unidade (ενοτης, henotes; unanimidade, consentimento) da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo”[18].
Orientações acerca dos dons
4. Não sermos
ignorantes
“A respeito dos
dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes (αγνοεω, agnoeo; não
conhecer, não entender, desconhecer, errar, ou pecar por ignorância)”[19].
Neste ponto da mensagem, Paulo chama a atenção usando o termo “ignorante”. Este termo precisa nos levar
a um entendimento maior, pois é desta forma que o apóstolo deseja chamar a
atenção da igreja para um fundamento importante da fé cristã. O mesmo termo é
usado para a doutrina da ressurreição dos mortos (ITs 4.13)[20].
Para Carson:
Este termo que Paulo usa, “não ser ignorante”, é uma
expressão paulina pela qual o apóstolo assegura que aquilo que será transmitido
é parte do patrimônio central da fé cristã, e às vezes a expressão introduz um
conteúdo que não pode ser mais do que um lembrete de um material ensinado
anteriormente (CARSON, 2013, p. 26).
Ele continua definindo que neste texto o apóstolo está enfatizando a
possibilidade de quem estar sendo usado nos dons não há similaridade com as
trevas. A explicação mais comum é que existe uma ideia de que aqueles irmãos
vinham de práticas pagãs, nos quais exerciam poder e blasfemavam o nome de
Cristo. Paulo está desejando mostrar que ao estar envolvido nos dons
espirituais, não há como estar em rebeldia com as realidades cristãs;
“Sabeis que, outrora, quando éreis gentios,
deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. Por
isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma:
Anátema (αναθεμα, anathema; maldição, praga), Jesus! Por outro lado, ninguém
pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”[21].
Entretanto, há uma outra explicação nesta questão que ajunta os versículos 1 e
2 para compreender o versículo 3, ou seja, os dois primeiros versículos nos dão
a base para compreender o terceiro.
Não quero que vocês sejam ignorantes quanto a certas verdades
centrais (v.1). Vocês sabem, com certeza, que, quando eram pagãos, sua
ignorância quanto a essas questões era profunda (v.2). Agora (já que não quero
que sejais ignorantes nestas questões, v.1,2), eu as torno conhecidas a vocês
(CARSON, 2013, p.28).
Contudo, observamos uma forte separação na Igreja de Coríntios daqueles que
criam estar nos dons espirituais e queriam aprovação de Paulo - contra aqueles
que não criam; havia também aqueles que não acreditavam e buscavam aprovação
para proibi-los;
“Se alguém se considera
profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo.
E, se alguém o ignorar (αγνοεω, agnoeo; não conhecer, não entender,
desconhecer, errar, ou pecar por ignorância), será ignorado. Portanto, meus
irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais (κωλυω, koluo; impedir,
opor-se) o falar em outras línguas. Tudo, porém, seja feito
com decência e ordem”[22].
Paulo mostra que aqueles que estão atuando nos dons não dizem que Jesus é anátema,
ou praguejam a Cristo. Esta é a ênfase que podemos por no versículo três e aprofundá-lo
no seguinte versículo - onde há diversidade de dons através do mesmo Espírito,
que é a sua fonte. Então Paulo responde aos dois pensamentos (a favor e aos
contra), equilibrando para haver unidade. Carson finaliza:
“Os carismáticos não deveriam se sentir como
se tivessem algum direito exclusivo ao Espírito, e os não carismáticos não
deveriam excluí-los” (CARSON, 2013, p.28).
Paulo concretiza a situação no versículo três, não como uma chave para
detectar aquilo que é falso ou aquilo que é verdadeiro. Porém, uma chave de
autenticação sobre cristãos que têm o Espírito Santo de Deus - esses de maneira
alguma levantam maldições com o nome de Jesus. Pois pelo Espírito é que eles
podem dizer que Jesus é o Senhor.
5. Desejar o dom e servir
aos irmãos
Paulo chama a atenção de Timóteo para não “negligenciar” o dom. Na mente do apóstolo existe uma enorme
importância no desenvolvimento desta ferramenta; pois ela beneficia aquele que
a usa e traz edificação para outros na igreja;
“Não te faças negligente (αμαλεω,
ameleo; descuidado) para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido
mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério”[23].
Paulo também o aconselha a procurar os dons, em uma busca sincera e ousada,
porém, no caso específico de Timóteo, deveria haver um reviver de algo que
está esquecido. O texto demonstra ter havido na vida do jovem Timóteo, um tempo
de esfriamento nos dons – então o apóstolo aconselha o retorno e a recuperação
com desejo e paixão;
“Por esta razão,
pois, te admoesto (αναμιμησκω, anamimnesko; trazer a mente, lembrar, advertir,
recordar e levar em consideração) que reavives (αναξωπυρεω, anazopureo; acender,
por fogo, inflamar a mente, reavivar, ser, ter fervor ) o dom de Deus que há em
ti pela imposição das minhas mãos”[24].
Este é o mesmo caminho que Paulo ordena com uma mensagem apostólica a
igreja de Coríntios. Deveria haver uma busca, um zelo enorme para usufruir e
saber a importância dessas ferramentas;
“Entretanto, procurai, com
zelo (ζηλοω, zeloo; arder em zelo, estar cheio ou ferver de ciúmes, ódio,
raiva, desejar sinceramente, enciumar), os melhores (κρειττον, kreitton; mais
útil, mais vantajoso, mais aproveitável, mais excelente) dons”[25].
Observe também; “Segui o amor e procurai (ζηλοω , zeloo; arder em
zelo, estar cheio ou ferver de ciúmes, ódio, raiva, desejar sinceramente,
enciumar), com zelo, os dons espirituais, mas
principalmente que profetizeis”[26].
Da mesma forma, observe;
“Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais,
procurai (ζητεω, zeteo; procurar a fim de encontrar, empenhar-se pelo
pensamento ou meditação, pedir enfaticamente, exigir algo de alguém) progredir
(περισσευω, perisseuo; exceder em número previsto, ter a mais ou acima de um
número previsto, sobrar, ter muito, em abundância, algo que transborda ), para
a edificação da igreja”[27].
Paulo os menciona e os incentiva
a todos os irmãos, porém os direciona para que esses dons sejam para edificar a
Igreja, ou seja, servir aos irmãos. Esta é uma batida forte contra a
individualidade nos dons e contra o partidarismo. Individualidade em tentar ser
insubmisso no contribuir para todos os irmãos na cooperação dos dons.
Partidarismo em direcionar o uso dos dons para uma classe de pessoas;
“Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais,
procurai progredir, para a edificação (οικοδομη, oikodome; processo de
construção) da igreja”.
Por outro lado, vemos
também Pedro aconselhando aos irmãos em servir uns aos outros nos dons
espirituais;
“Servi (διακονεω,
diakoneo;
atender, ministrar, oferecer comida e bebida aos convidados) uns aos outros,
cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros (οικονομος, oikonomos; administrador
do lar, gerente de uma fazenda concedida sobre a confiança de um patrão) da multiforme (ποικιλος,
poikilos; vários tipos) graça de Deus. Se alguém fala, fale
de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus
supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus
Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”[28]
Grudem coloca da seguinte forma:
O resultado
prático desta discussão é que devemos ter o desejo de reconhecer e apreciar as
pessoas que têm dons que diferem dos nossos e de nossas expectativas do que
certos dons deveriam representar. Ademais, uma igreja sadia terá uma grande
diversidade de dons, e essa diversidade não deve conduzir à fragmentação, mas à
unidade maior entre os crentes na igreja. O argumento integral de Paulo na
analogia do corpo com muitos membros é dizer que Deus colocou-nos no corpo com
essas diferenças de modo que pudéssemos depender uns dos outros. “O olho não
pode dizer à mão: Não preciso de você! Nem a cabeça pode dizer aos pés: Não
preciso de você! Ao contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são
indispensáveis (GRUDEM, 2012, 440)
O apóstolo Paulo orienta os cristãos da seguinte
forma:
Não podem os olhos
dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de
vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais
fracos (ασθενης, asthenes; frágil, delicado) são necessários; e os que nos parecem menos dignos (ατιμος,
átimos; desonrado, desprezível, de baixa estima) no corpo, a estes damos muito
maior honra (τιμη, time; reverência); também os que em nós não são decorosos
revestimos de especial honra. Mas os nossos membros nobres
não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito
mais honra àquilo que menos tinha[29].
TABELAS:
PRIMEIRA LISTA
Classificação
dos Dons ( ICor. 12:8-10)
Dons de
revelação (saber, conhecer,
discernir)
ü
Palavra de
Sabedoria
ü
Palavra de
Conhecimento
ü
Discernimento de
Espíritos
Dons de
Inspiração ou Expressão (dizer,
declarar, falar)
Dom de Profecia
ü Ministério
profético (profecia, dom, ministério e
ofício)
ü Instrumento; visões, sonhos e sensibilidades proféticas
Dom de Variedades de Línguas
Dom de Interpretação de Línguas
ü Interpretação de
outras línguas
ü Interpretação de sonhos
ü Interpretação de visões
Dons de
Poder (fazer, realizar, agir)
ü Dom de Fé
ü Dom de Operação de Milagres
ü Dons de Curar
SEGUNDA LISTA
Dons mencionados em passagens
diferentes do N.T.
ICor.12:28
–“A uns estabeleceu
Deus na igreja, primeiramente, apóstolos (αποστολος, apostolos; alguém enviado
com ordens), em segundo lugar, profetas (προφητης, prophetes; interprete de
oráculos), em terceiro lugar, mestres (διδασκαλος, didaskalos; professor)
depois, operadores de milagres (δυναμις, dunamis; poder, força, habilidade)
depois, dons de curar (ιαμα, iama; um meio de cura, remédio, medicamento), socorros
(αντιληψις, antilepsis; auxiliar, ajudar), governos (κυβερνεσις, kubernesis; administração),
variedades de línguas”.
1. Apóstolo
2. Profeta
3. Mestre
4. Milagres
5. Dons de Curar
6. Prestar ajuda
7. Administração
8. Línguas
ICor.12:8-10, “Porque a um é
dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria (σοφια, sophia; inteligência ampla
e completa) e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento (γνωσις,
gnosis; conhecimento mais profundo) a outro, no mesmo Espírito, a fé (πιστις,
pistis; convicção da verdade de algo) e a outro, no mesmo Espírito, dons de
curar (ιαμα, iama; meio de cura, remédio, medicamento) a outro, operações (ενεργημα, energema;
aqueilo que foi feito, resultado) de milagres (δυναμις, dunamis; poder, força,
habilidade) a outro, profecia (προφητεια, propheteia; discurso que emana da
inspiração divina) a outro, discernimento (διακρισις, diakrisis; habilidade de
discernir, julgamento) de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro,
capacidade para interpretá-las”.
9. Palavra de Sabedoria
10. Palavra de Conhecimento
11. Fé
(5) Dons de Curar
(4) Milagres
(2) Profecia
12. Discernimento de espíritos
(8) Línguas
13. Interpretação de línguas
Ef.4:11 –“E ele mesmo
concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas (ευαγγελιστης
, euaggelistes; aquele que traz boas novas) e outros para pastores (ποιμην, poimen;
pastor) e mestres (διδασκαλος, didaskalos)”.
(1) Apóstolo
(2) Profeta
14. Evangelista
15. Pastor – mestre
Rm.12:6-8, “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi
dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé, se ministério (διακονια, diakonia;
serviço), dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta (παρακαλεω, parakaleo;
chamar para o meu lado, convovar) faça-o com dedicação; o que contribui (μεταδιδωμι,
metadidomi; dar, compartilhar), com liberalidade; o que preside (προισθημι, proistemi;
estar a frente, coloca sobre), com diligência; quem exerce misericórdia (ελεεω,
eleeo; ajudar o aflito, levar ajuda ao miserável), com alegria”.
(2) Profecia
16. Serviço
(3) Ensino
17. Dar ânimo
18. Contribuição
19. Liderança
20. Misericórdia
ICor.7:7 – “Quero que todos os
homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu
próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro”.
21. Casamento
22. Celibato
(Livro –
Manual de Doutrinas Cristãs, Wayne Grudem, editora vida, pag.439)
TERCEIRA LISTA
LISTA DE DONS
ESPIRITUAIS DO NOVO TESTAMENTO
ICor.12:8-10, “Porque a um é
dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria (σοφια, sophia; inteligência
ampla e completa) e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do
conhecimento (γνωσις, gnosis; conhecimento mais profundo) a outro, no
mesmo Espírito, a fé (πιστις, pistis; convicção da verdade de algo) e a outro,
no mesmo Espírito, dons de curar (ιαμα, iama; meio de cura, remédio,
medicamento) a outro,
operações (ενεργημα, energema; aqueilo que foi feito, resultado) de milagres
(δυναμις, dunamis; poder, força, habilidade) a outro, profecia (προφητεια, propheteia;
discurso que emana da inspiração divina) a outro, discernimento (διακρισις,
diakrisis; habilidade de discernir, julgamento) de espíritos; a um, variedade
de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las”.
Palavra de
Sabedoria
Palavra de Conhecimento
Fé
Dons de Curar
Milagres
Profecia
Discernimento de
espíritos
Línguas
Interpretação de
línguas
ICor.12:28
–“A uns estabeleceu
Deus na igreja, primeiramente, apóstolos (αποστολος, apostolos; alguém enviado
com ordens), em segundo lugar, profetas (προφητης, prophetes; interprete de
oráculos), em terceiro lugar, mestres (διδασκαλος, didaskalos; professor)
depois, operadores de milagres (δυναμις, dunamis; poder, força, habilidade)
depois, dons de curar (ιαμα, iama; um meio de cura, remédio, medicamento), socorros
(αντιληψις, antilepsis; auxiliar, ajudar), governos (κυβερνεσις, kubernesis; administração),
variedades de línguas”.
Apóstolos
Profetas
Mestres
Os que realizam
Milagres
Os que têm Dons de Curar
Os que Socorrem os outros
Administração
Os que falam Variedades de Línguas
Rm.12:6-8, “tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi
dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé, se ministério (διακονια, diakonia;
serviço), dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta (παρακαλεω, parakaleo;
chamar para o meu lado, convovar) faça-o com dedicação; o que contribui
(μεταδιδωμι, metadidomi; dar, compartilhar), com liberalidade; o que preside
(προισθημι, proistemi; estar a frente, coloca sobre), com diligência; quem
exerce misericórdia (ελεεω, eleeo; ajudar o aflito, levar ajuda ao miserável),
com alegria”.
Profecia
Serviço
Ensino
Encorajamento
Contribuição
Liderança
Uso de Misericórdia
Ef.4:11 –“E ele mesmo
concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas
(ευαγγελιστης , euaggelistes; aquele que traz boas novas) e outros para
pastores (ποιμην, poimen; pastor) e mestres (διδασκαλος, didaskalos)”.
Apóstolos
Profetas
Evangelistas
Pastores
Mestres
IPd.4:11 –“Se alguém fala,
fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que
Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de
Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos.
Amém!”
Falar
Servir
A manifestação do Espírito, D.A.Carson, pag.38, Edit. Vida
Bibliografia
CARSON, A.D. A manifestação do Espírito. São Paulo: Ed Vida, 2013
GRUDEM, Wayne. Manual de doutrinas cristãs. São Paulo, Ed Vida,
2012
Storms, Sam. Dons Espirituais. Curitiba, PR: Ed AD, 2014
Artigo escrito pelo Pr
Ronaldo José Vicente
Igreja PorTuaCasa
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[2] A Ascensão de Jesus foi um
evento na vida de Jesus relatado no Novo Testamento de que Jesus ressuscitado foi elevado ao céu com seu
corpo físico, na presença de onze de seus apóstolos, ocorrendo no quadragésimo dia da ressurreição. Na
narrativa bíblica, um anjo informa os discípulos que
a segunda vinda de
Jesus irá
ocorrer da mesma forma que a sua ascensão.
[12] זרק, zaraq: espalhar, aspergir, atirar, lançar,
espalhar abundantemente, salpicar. Dicionário Strong





Ho glória à Deus
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