O Profeta Amós e os pobres


Os profetas caminhavam por um campo vasto em relação a justiça de Yahweh para com seu povo. Entretanto, alguns, dependendo do seu contexto, focaram em um sentido mais identificável de justiça. O profeta Amós, apresentado em seu próprio livro como um pastor, considerava-se como um vaqueiro e cultivador de sicômoros (Am 7:14). Seu ambiente de atuação está entre Samaria, Gilgal e Betel, até que um sacerdote de Betel o denuncia e o expulsa do reino do norte (Am 7:10-13). Neste ponto, Sicre (1990, p. 108) diz: “Muitos autores pensam que com isso termina a atividade profética de Amós; outros acreditam que continuou pregando no Sul”.
A atuação de Amós gira em torno de 760 A.C. nos dias do Rei Jeroboão II que vem da dinastia de Jeú, um general, que por meio de um massacre chegou ao poder (Os 1:4; 2Rs 9-10). Esse Rei ampliou as fronteiras de Israel, alcançando grandes êxitos com seu reinado (IIRs 14:23-29). Schwantes comenta que:

Amós não se defrontou com um Estado frágil. Deparou-se com o vigor militar e comercial de um soberano bem sucedido e de uma economia florescente. Sua análise crítica certamente não era compartilhada por toda a opinião pública, como se a opinião do profeta fosse consenso. O que Amós dizia contradizia a opinião promovida pelo Estado e pela religião (2004, p. 16).        


A mensagem do vidente Amós (Am 7:12) estende-se para várias nações, também para mulheres ricas que habitavam na região de Samaria (Am 4:1-3) e que oprimiam os pobres. Amós é considerado por muitos como um profeta da justiça: “De fato, ele lança seus anátemas contra todas as formas de injustiça social” (BONORA, 1983, p. 23). Para Jensen (2006, p. 101), “seria mais preciso dizer que ele é o profeta que apresenta a exigência de justiça feita por Deus ou chamá-lo do profeta da ira de Deus”.
O profeta não critica o comportamento injusto de cada indivíduo, mas sempre direciona a crítica a determinados grupos. Em exemplo, quando menciona pobres e necessitados que estão sendo pisados por classes mais dominantes (Am 5:11; 8:4,5). Na perspectiva de Amós, o pobre é um justo e tem direito de ter uma vida digna, porque assim Yahweh desejou com a lei (Am 2:6; 5:12).                             
Entretanto, a mensagem principal do vidente direciona-se contra toda injustiça social que condena a exploração dos ricos para com o pobres, reduzindo-os à escravidão (Am 2:6; 8:6). Os pobres, no contexto de Amós, estão sendo afligidos; subornos estão sendo aceitos em detrimento da falta de justiça ao necessitado, sendo que as portas do julgamento se fecham (Am 5:12) a toda procura por justiça de alguém nesse estado.
Schwantes (2004, p. 22) comenta que “a realidade das pessoas era exatamente o inverso do esplendor das elites e dos que usufruíam as benesses dos centros urbanos”.
O profeta parece combater um comércio de escravos, tratando os pobres com total desprezo e humilhação, diferente de todas as leis mosaicas, que procuravam estabelecer um padrão de respeito, para com o escravo (Am 8:1-4).

Havia uma manipulação através da própria lei, pois as pessoas mantinham-se através do plantio. Ocorrendo qualquer eventualidade, havia a obrigação de um empréstimo, restando-se apenas sua terra para compensar, se não, a si mesmo e seus filhos como escravos (2Rs 4:1). Isso era mantido pela lei mosaica, mas com equilíbrio, respeito e um manter social digno para cada pessoa (Ex 21:7-11, Lv 25:39; Dt 15:12). Recorda-se que, depois de cinquenta anos, a lei estabelecia o ano do jubileu (Lv 25:8-13). Assim, o pobre retornaria para sua casa; todavia, no tempo de Amós, parece que os poderosos, aproveitavam-se do recurso da lei de cobrar. Assim, deixavam seus escravos em mau estado, maltratando-os e esquecendo-se de seus benefícios.


Motyer (1991, p. 1) define a situação da seguinte forma:

Os pobres eram realmente pobres e desavergonhadamente explorados: eles sofriam extorsões imobiliárias (2:6,7), extorsões legais (5:10,12) e extorsões comerciais (8:5)...quando os pobres não podiam pagar os ricos, eram simplesmente ignorados para que se arruinassem (6:6). O dinheiro e a ganância governavam tudo: os homens viviam para seus negócios (8:5), as mulheres viviam para o prazer (4:1) e os governantes, para a frivolidade (6:1-6). 
    

Mesmo ocorrendo essa injustiça, os centros religiosos estavam lotados, os sacrifícios eram mantidos e a arte musical alcançava grande êxito (Am 4:4,5; 8:3,10). O profeta levanta uma profunda crítica contra esses que praticavam a injustiça e eram os principais nas cerimônias. Isso é tanto verdade que Yahweh mencionou não aceitar mais seus rituais e nem seus cânticos (Am 5:21-23).        

Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576



        

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