O Profeta Jeremias e os pobres
Jeremias e a justiça social
O profeta Jeremias começa seu
atuar na nação ainda jovem, morador do vilarejo de Anatote, cerca de três
quilômetros ao norte de Jerusalém, no ano de 627 A.C.. Seu tempo profético
cobre alguns dos anos mais tempestuosos na história política do Antigo Oriente
próximo. Uma crise provocada pelo avanço do Império Babilônico rumo ao ocidente
e o sul (KAISER JR. 2011, p.210). Para Auneau,
o profeta Jeremias estava exercendo sua função, em uma sociedade isolada,
observe:
No fim do século VII, Judá foi arrastado para as turbulências da
política internacional. Riscando Israel do mapa (722 A.C.), os assírios
isolaram o reino do Sul, que, durante um século, não foi mais do que um
vassalo; e a história de Acaz mostra todo o peso dessa sujeição (2Rs 16:1-19)
(1992, p. 185).
Jeremias é um profeta
conhecido pela frase que sempre usou em suas chamadas: “Assim diz o Senhor”[1],
colocando-se como representante de Yahweh
diante do povo, e diante de outros profetas que falavam o oposto.
Várias crises ocorreram em
seu caminho, até um confronto entre profetas em público, episódio retratado no
capítulo vinte e oito. O falso profeta reconhecido pelo povo e pelo rei, é
contra as profecias de Jeremias que menciona a invasão da Babilônia; Ananias
profetiza a paz e tenta tranquilizar o povo, mas o desfecho é sua morte pelo
próprio Yahweh. Nesse ponto, Schultz
comenta que “Jeremias encontrou maior
oposição e teve de fazer frente a maior número de inimigos que qualquer outro
profeta do Antigo Testamento” (1995, p. 311).
O profeta é compreendido como
corajoso, pois confrontava a atitude dos reis que usavam seu poder para oprimir
aqueles que eram mais fracos. Na profecia de Jeremias, ele acusa o rei Joaquim
de usar os pobres, para construir-lhe uma casa. Entretanto, esses necessitados,
não eram pagos. Por sinal, essa era a mesma atitude que Faraó teve com os
hebreus no Egito: usá-los para construir
o antigo império. Assim, o rei de Jerusalém, está ultrapassando a lei de Yahweh, observe o relato:
Ai de quem constrói seu palácio de forma desonesta, e seus
aposentos superiores, pela injustiça; que faz o vizinho trabalhar de graça e
não lhe dá o salário (Jr 22:13).
Jeremias combate o trabalho
escravo, imposto por uma tirania e apoiado por homens que deveriam
posicionar-se contra o regime opressor tirano. Contudo, a situação sugere ser o
pior momento de Israel. Em determinados pronunciamentos do profeta, toda a população
pôde ser questionada de crimes sociais (Jr 7:1-15).
Yahweh menciona que não havia um
justo se quer (Jr 5:1). A prática da injustiça está em todas as camadas sociais
(Jr 5:4,5), incluindo até integrantes da própria família (Jr 7:18). O cerco
torna-se tão deprimente que chega a afetar os sentimentos do profeta. Jeremias
é conhecido pelas lágrimas, em seu discurso, e sua depressão, pedindo até a
morte (Jr 20:14-18). Jensen comenta sobre o estado da nação e como isso afetou
o profeta, observe: “Apesar de seus
constantes chamados ao arrependimento, não tem mais esperança de melhora do que
de ver um etíope mudar sua pele ou um leopardo sua manchas (Jr 13:23)”, (2006,
p. 182).
[1] Jr 2:2; 4:3; 5:14; 6:6; 7:3; 9:7; 10:2; 11:3; 12:14; 13:9; 14:10; 15:2;
16:3; 17:5; 18:11; 19:11; 21:4; 22:3; 23:2; 24:5; 25:8; 26:2; 27:16; 28:13;
29:4; 30:5; 31:12; 32:14; 33:2; 34:2; 35:13; 36:29; 37:7; 38:2; 42:9; 44:2;
45:2; 47:2; 48:1; 49:1; 50:18; 51:33.
Ronaldo José Vicente, pastor e marido da Clarissa Alster Vicente. A Igreja se reune na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
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Obs; Este texto é do livro "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576





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