Lei e Evangelho


 Willem A. VanGemeren, Greg L. Bahnsen,
Walter C. Kaiser Jr, Wayne G. Strickland, Douglas J. Moo.  

Estudo realizado na Igreja PorTuaCasa pelo pastor Ronaldo José Vicente no ano de 2017. O intuito do estudo é se aprofundar nas doutrinas cristãs e promover edificação na igreja. A apostila é entregue gratuitamente aos irmãos, não visa lucro e contém todos as fontes originais para respeitar os autores. 

Lei e Evangelho[1].

Segue a aula em audio: 

               

1. Reformado não-Teonômico.

Willem A. VanGemeren

Na administração mosaica tanto as promessas quanto as ameaças estavam vinculadas à obediência e à lei. Certamente, as ameaças tinham a intenção de estimular os pecadores a se arrependerem e a buscarem a sua graça. As ameaças, entretanto, apresentam uma função da lei que é antitética[2] ao evangelho. A lei nos deixa sem desculpas, exclui-nos das promessas da vida, condena-nos (v. Rm 5.20; Gl 3.19) e “mantém-nos muito distantes das bênçãos que promete aos que lhe obedecem” e não pode ser cumprida e obedecida na carne em virtude da fraqueza da nossa natureza (Rm 8.3). Há esperança somente no evangelho, porque a lei de Moisés exige obediência e justiça perfeita (v. Rm 10.5). A lei não é defeituosa, mas as pessoas são. Elas não podem ser justificadas pelas obras da lei porque falham na obediência à lei. “...a lei e o evangelho não estão em conflito, exceto que, em relação à justificação, ou a lei justifica uma pessoa pelo mérito das obras, ou a promessa confere justiça graciosamente”. A lei sem Cristo e sem o Espírito é morta e traz condenação. O equilíbrio entre a lei e o evangelho está em Jesus Cristo. Ele oferece a perspectiva verdadeira sobre a lei por meio da boa nova de que o pecado foi expiado e de que a culpa foi removida. Ele mantém unidas as administrações da lei e do evangelho “pois ambas atestam que a bondade do Pai e as graças do Espírito Santo nos são oferecidas em Cristo”[3].           

2. Reformado Teonômico.

Greg L. Bahnsen


Algumas passagens do NT parecem advogar uma atitude positiva em relação à lei do AT. Paulo afirma que “a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom” (Rm 7.12); ele cita a lei do AT como garantia de autoridade para os juízos éticos (e.g., 1Co 9.9; Ef 6.1,2). Paulo escreveu abertamente: “No íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22). Tiago ensina que os seus leitores fazem bem em obedecer à “lei do Reino”, e os adverte para que não desobedeçam a nenhum aspecto dela (Tg 2.8-10); de acordo com ele, a nossa função é sermos praticantes da lei, não juízes dela (4.11,12). Pedro desafia os crentes a viverem vidas santas baseadas nas exigências da lei (1.15,16), e João identifica cumprir a lei tanto com conhecer a Deus quanto com amá-lo. (IJo 2.3,4; 5.3; 2Jo 6). De alguma maneira importante para a vida cristã, a lei do AT é incontestavelmente mantida pelos autores do NT[4].       

3. Lei como estimulo à Santidade.

Walter C. Kaiser Jr


O fundamento da lei no AT é que ela procede de Deus. Em seguida vem o corolário[5] de que a base para toda a obrigação de obedecer à lei é a redenção e a libertação do povo por intervenção de Deus. O Decálogo[6] não começou no âmbito da graça e da redenção ao dizer: “Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirou do Egito, da terra da escravidão” (Êx 20.2)? Um terceiro fator está posto no exemplo do nosso Senhor quando disse: “Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo” (Lv 19.2; v. 11.44,45). Esses três fatos apontam para a prioridade e o fato de a lei moral estar estabelecendo precedentes, o que vem do caráter e da natureza de Deus. Posto que o caráter de Deus não muda nunca, a lei moral fundamentada nele é tão permanente e absoluta quanto os atributos, qualidades e natureza do próprio Deus. Esse mesmo reconhecimento da prioridade da lei moral como base interpretativa para a compreensão das leis de Deus pode ser visto nos profetas anteriores e posteriores, sem falar dos salmistas. Aliás, Miquéias 6.6-8 introduz a mesma questão que Deuteronômio 10.12 apresenta: “E agora, ó Israel, que é que o Senhor, o seu Deus, lhe pede [...]?”. A resposta foi a mesma: justiça, misericórdia e um relacionamento genuíno e fraternal – esses eram os pré-requisitos de Deus para a obediência às suas leis. É o que Samuel tinha de ensinar a Saul em 1 Samuel 15.22 e o que Davi teve de aprender novamente em Salmos 51.16-19; isto é, o coração obediente era mais importante do que todas as formas rituais e sacrifícios. Além disso, os profetas nunca se cansavam de censurar seus ouvintes pela esterilidade religiosa apresentada como substituta das normas morais que Deus queria ver como base para todo ato de adoração ou dedicação. Muitos textos comprovam esse principio: Isaías 1.11-18; Jeremias 7.21-24; Oséias 6.6; Amós 5.21-24; 7.21-23; e Miquéias 6.6-8[7].               

4. Dispensacionalista.

Wayne G. Strickland


Israel não tinha opção de ignorar uma categoria ou outra da lei (Lv 26.14,15; Dt 11.1). Moisés não ofereceu nenhuma hierarquia das leis como justificativa para uma obediência seletiva, até mesmo durante um período posterior. Em vários contextos do AT, os alegados aspectos morais e cerimoniais pareciam intimamente entrelaçados (e.g., Ex 23; Lv 19; Dt 22-23). G. J. Wenham comenta corretamente: “A arbitrariedade da distinção entre a lei moral e a lei civil é reforçada pela organização do material em Levítico. O amor ao vizinho precede imediatamente a proibição de cruzamento de animais de espécies diferentes; o lema da santidade vem justo antes da lei sobre a execução de filhos rebeldes (19.18; 20.7-9). Além disso, o NT trata toda a lei mosaica, em um sentido Dispensacionalista, como uma unidade. Paulo faz isso em Gálatas 5.3, argumentando que o crente deve andar pelo Espírito, e não tentar viver pela lei, pois isso exigiria da pessoa que obedecesse a “toda a lei”. Ele nunca oferece diretrizes que proporcionem um quadro geral para a distinção entre os aspectos temporais e os aspectos permanentes da lei. Tiago, da mesma forma, adverte contra a transgressão de qualquer parte da lei (Tg 2.8-10); se alguém tentar viver de acordo com a lei, tem de viver de acordo com toda a lei[8].       

5.Luterano Modificado.

Douglas J. Moo


A afirmação de Paulo de não estar debaixo da lei [mosaica], em 1 Coríntios 9.21, é seguida imediatamente pelo seu lembrete de que não está, por isso, “livrei da lei de Deus” mas está, de fato, “sob a lei de Cristo” (ennomos Christou). Essa talvez seja a afirmação mais clara de Paulo acerca da situação do cristão com respeito à lei de Deus. Como temos ressaltado, a Escritura apresenta a lei de Moisés como uma codificação específica da vontade de Deus para uma situação específica: Israel sob a aliança sinaítica. Paulo declara que a partir dessa lei os cristãos, que vivem sob a nova aliança iniciada por Cristo, foram libertos. Mas os cristãos agora estão sujeitos à lei de Deus em outra de suas manifestações: a lei de Cristo. Argumentarei que essa “lei de Cristo”, a forma da nova aliança da lei de Deus, não é um código ou um conjunto de mandamentos ou proibições, mas é composto os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos e da influência orientadora do Espírito Santo. O amor está no coração dessa lei, e há forte continuidade com a lei de Moisés, pois muitos dos mandamentos especificamente mosaicos são admitidos e incluídos nessa “lei de Cristo”. A justificativa para entender a lei de Cristo dessa maneira vem particularmente do contexto da única ocorrência bíblica dessa frase: Gálatas 6.2. Em vista da insistência de Paulo, de que os crentes não estão “debaixo da lei [mosaica]” é impossível sustentar que queira dizer com essa frase a lei mosaica de maneira “cristianizada”[9].               

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[1] 5 pontos de vista retirados do livro: Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003.
[2] Significado de Antitético. Antagônico; baseado numa oposição; em que há antítese; oposição, numa mesma frase, duas palavras ou pensamentos de sentido oposto. Etimologia (origem da palavra antitético): do grego antithetikós.é.ón.
[3] Willem A. VanGemeren. Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003, p.53-54.
[4] Greg L. Bahnsen. Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003, p. 101.
[5] p.metf. lóg proposição que deriva, em um encadeamento dedutivo, de uma asserção precedente, produzindo um acréscimo de conhecimento por meio da explicitação de aspectos que, no enunciado anterior, se mantinham latentes ou obscuros. Consequência, resultado, decorrência, desfecho, efeito, consectário, desenlace, sequela, seguimento. Proposição que se deduz de outra já demonstrada: 2 conclusão, dedução, inferência, ilação, indução
[6] Os Dez Mandamentos ou o Decálogo é o nome dado ao conjunto de leis que segundo a Bíblia, teriam sido originalmente escritos por Deus em tábuas de pedra e entregues ao profeta Moisés.
[7] Walter C. Kaiser Jr. Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003, p. 212-213.
[8] Wayne G. Strickland
[9] Douglas J. Moo. Lei e Evangelho. São Paulo: Vida, 2003, p. 401.


Ronaldo José Vicente, pastor e marido de Clarissa Alster Vicente. A Igreja se reune na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha). 

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"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576

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