O que é o Inferno?
1. Tormento Eterno
2. Metafórico
3. Universalista
4. Aniquilacionismo
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Introdução.
O inferno é uma doutrina bíblica. Mas que espécie de inferno? Um lugar onde os pecadores impenitentes queimam para sempre e conscientemente sofrem dor num fogo eterno que nunca termina? Ou um julgamento penal pelo qual Deus aniquila pecadores e pecado para sempre?
Tradicionalmente, através dos séculos, as igrejas têm ensinado e pregadores têm proclamado o inferno como tormento eterno. Mas em tempos recentes, raramente ouvimos os sermões de “fogo e enxofre”, mesmo de pregadores fundamentalistas, que podem ainda estar comprometidos com tal crença. Sua hesitação em pregar sobre tormento eterno provavelmente não é devida a uma falta de integridade em proclamar uma verdade impopular, mas a sua aversão de pregar uma doutrina na qual dificilmente creem.
Afinal, como é possível que o Deus, que tanto amou o mundo que enviou Seu Filho unigênito para salvar pecadores, pode também ser um Deus que tortura as pessoas (mesmo o pior dos pecadores) para sempre, indefinidamente? Como pode Deus ser um Deus de amor e justiça e ao mesmo tempo atormentar os pecadores para sempre no fogo do inferno?
Este paradoxo inaceitável tem levado estudiosos de todas as persuasões a reexaminar o ensino bíblico quanto ao inferno e o castigo final. A questão fundamental é: O fogo do inferno tormenta os perdidos eternamente ou os consome permanentemente? As respostas a esta questão variam. Duas interpretações recentes visando tornar o inferno mais humano merecem uma breve menção[1].
Samuele Bacchiocchi
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1. Tormento Eterno.
“E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno [onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga]. E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” (Mc 9.43-48)
Inferno: γεεννα; geenna de origem hebraica - "Geena" ou "Geena de fogo" traduz-se como inferno, isto é, o lugar da punição futura. Designava, originalmente, o vale do Hinom, ao sul de Jerusalém, onde o lixo e os animais mortos da cidade eram jogados e queimados. É um símbolo apropriado para descrever o perverso e sua destruição futura[1].
A realidade bíblica sobre o inferno[2]
Marcos 9.43b,44,45b,46,47b,48
Introdução
O debate sobre o inferno tem sido reacendido. Por diversas vezes, pregadores conhecidos e desconhecidos têm procurado dar suas visões acerca do inferno. Mais recentemente, um famoso preletor para jovens negou que o inferno seja real e/ou eterno. Alguns de seus livros têm sido traduzidos para nossa língua, bem como a sua série Nooma. Estou falando do Rob Bell, que recentemente causou estranheza no mundo cristão ao afirmar: um Deus amoroso jamais sentenciaria almas humanas para o sofrimento eterno. Será?
Parece que tem sido moda (ou ressurgimento de antigas heresias) negar a existência e eternidade do inferno. Tudo em nome de anunciar uma mensagem que transija com o “bem-estar” e, principalmente, com a filosofia pluralista e a pseudotolerância de nosso século. A fim de transmitir a imagem de “pastores e pregadores” contemporâneos, tolerantes e “bona fide”, esses tais reformulam o amor de Deus, ensinando que “um Deus de amor não lançará ninguém no inferno”. Será contraditório um Deus de Amor condenar homens ao inferno? Se Deus realmente é amor, então como ele pode mandar alguém para o inferno?
No texto que lemos encontramos a seriedade com que Jesus alertou sobre esse terrível lugar. Jesus não disse que era um estado espírito, como querem alguns “pregadores modernos e adocicados”. Na verdade, nesta exposição temática, veremos o que a Escritura ensina sobre esse lugar terrível e algumas objeções levantadas por aqueles que negam o caráter eterno da punição. Rogamos a Deus que nos conceda cuidado, compaixão e, sobretudo, fidelidade ao pisar nesse terreno.
OPÇÕES OFERECIDAS PARA O DESTINO FINAL – SÃO BÍBLICAS?
Não parece ser uma boa opção alguém passar a eternidade em sofrimento. É isto que se deduz da palavra “inferno” e das expressões usadas por Jesus: tormento e sofrimento. No entanto, têm-se oferecido outras opções sobre o destino eterno dos homens. Quero avaliá-las nesse momento, pois elas respondem à pergunta: o que acontece conosco quando morremos? A seguir nos voltaremos para o texto bíblico em exame. São elas:
I. Reencarnação – tem sido a visão mais popular. Os que ensinam essa concepção nos dizem que temos múltiplas e sucessivas vidas. No túmulo de Alan Kardec tem o seguinte lema: “Nascer, morrer, renascer e progredir sempre; está é a lei”. A Escritura não ensina reencarnação. Antes, ela diz: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9. 27).
II. Materialista/Naturalista – este grupo, embora menor, tem forte expressão. Eles nos dizem que não temos alma, que somos apenas corpo e que, ao morrer, deixamos de existir. Tomando as Escrituras como autoritativa, encontramos o Senhor Jesus dizendo: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28).
III. Universalistas – alguns contemporâneos têm adotado essa visão. Entre eles o próprio Rob Bell. É também a teoria exposta no livro A Cabana (William P. Young, Ed. Sextante, 2008). Eles ensinam que no final todos que estão no inferno serão salvos e o inferno esvaziado. Por pensarem que todas as religiões conduzem a Deus, entendem então que todas as pessoas serão salvas. Porém, não é isso que Jesus Cristo ensinou. Na verdade, a própria morte de Jesus é sinal de que apenas alguns serão salvos (Cf. Mt 202.8; Mc 10.45). Também disse Isaias ecoado em Paulo: “Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rm 9.27).
IV. Purgatório – esta é a doutrina esposada pelo Catolicismo Romano. De fato, a não ser no Livro Apócrifo de 2 Macabeus 12.46, as Escrituras não reconhecem tal doutrina. O que ela ensina? Ouçamos o que diz o Catecismo Católico: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu”(C.C, 1030 – 1032).
v. Aniquilacionismo – é a crença de que os incrédulos não irão sofrer eternamente no inferno, mas que, após algum tempo, serão extintos e deixarão de existir. Embora homens de Deus como John Stott tenham crido nesta doutrina, à luz das Escrituras e da História da Igreja como registrada nas Confissões, a posição cristã tem sido de que os ímpios sofrerão eternamente no inferno. Ouça o que diz a Escritura: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”(Ap 20.10; Cf. 14. 9 -11; 19.20).
II. Materialista/Naturalista – este grupo, embora menor, tem forte expressão. Eles nos dizem que não temos alma, que somos apenas corpo e que, ao morrer, deixamos de existir. Tomando as Escrituras como autoritativa, encontramos o Senhor Jesus dizendo: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28).
III. Universalistas – alguns contemporâneos têm adotado essa visão. Entre eles o próprio Rob Bell. É também a teoria exposta no livro A Cabana (William P. Young, Ed. Sextante, 2008). Eles ensinam que no final todos que estão no inferno serão salvos e o inferno esvaziado. Por pensarem que todas as religiões conduzem a Deus, entendem então que todas as pessoas serão salvas. Porém, não é isso que Jesus Cristo ensinou. Na verdade, a própria morte de Jesus é sinal de que apenas alguns serão salvos (Cf. Mt 202.8; Mc 10.45). Também disse Isaias ecoado em Paulo: “Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (Rm 9.27).
IV. Purgatório – esta é a doutrina esposada pelo Catolicismo Romano. De fato, a não ser no Livro Apócrifo de 2 Macabeus 12.46, as Escrituras não reconhecem tal doutrina. O que ela ensina? Ouçamos o que diz o Catecismo Católico: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu”(C.C, 1030 – 1032).
v. Aniquilacionismo – é a crença de que os incrédulos não irão sofrer eternamente no inferno, mas que, após algum tempo, serão extintos e deixarão de existir. Embora homens de Deus como John Stott tenham crido nesta doutrina, à luz das Escrituras e da História da Igreja como registrada nas Confissões, a posição cristã tem sido de que os ímpios sofrerão eternamente no inferno. Ouça o que diz a Escritura: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”(Ap 20.10; Cf. 14. 9 -11; 19.20).
O ENSINO BÍBLICO SOBRE O INFERNO
Por três vezes no texto, Jesus adverte aos discípulos: “melhor é para ti entrares na vida-reino de Deus – aleijado, coxo e cego – do que ires para o inferno” (v. 43, 45, 47). A cada advertência Jesus também acrescenta algo sobre o inferno: “para o fogo que nunca se apaga [ARA- inextinguível] (2x)” seguida de outro qualificativo: “onde o seu bicho não morre”. Que descrição terrível vindo da doce voz do Senhor!
Precisamos lembrar que os discípulos não se impressionaram com a descrição. Por quê? Embora fosse uma nova revelação no ministério de Jesus, a descrição já era conhecida pelos discípulos na leitura dos Profetas: “e sairão [os eleitos], e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo nunca se apagará; e serão um horror a toda a carne” (Is 66. 24). Diante das palavras de Jesus e, agora, considerando o todo da revelação bíblica, vejamos qual é o ensino bíblico sobre esse lugar.
Primeiro, o inferno é um lugar real – Jesus diz que as pessoas “vão para o inferno”. O verbo (eiseltein) usado implica em “deslocar-se” ou “separar-se”. No nosso texto usa-se com a preposição (eis) e o substantivo ten geennan. Essa construção gramatical dá a noção espacial . Desse modo, o que Jesus quer dizer é que alguém é “separado para dentro da Geena”.
Mas, o que era a Geena?
A palavra traduzida por “inferno” (geena) era uma referência a um lugar chamado de “Vale de Hinom” (Cf. Js 15. 8; 16.18; 2 Rs 23. 10; 2 Cr 33.6). Ficava ao sul de Jerusalém e lá, os antigos judeus apóstatas, sacrificaram seus filhos ao deus pagão Moloque (Cf. 2 Cr 16.3; 21.6; Jr 7. 31; 19.5,6; 32.35). Foi o Rei Josias quem pôs fim a essa prática e transformou o lugar num lixão da cidade. Ali eram jogadas as carcaças de animais que eram queimadas dia e noite. Havia um fogo por baixo do monturo e, por não faltar carniças, nunca deixava de haver vermes.
Veio a ser, portanto, o designativo do lugar de juízo de Deus e se passaria a chamar “Vale da Matança” (Cf. Jr 7. 32; 19. 6, 7). Ao dizer, então, que os ímpios “vão para a Geena [inferno]” têm-se uma ideia acerca do horrível lugar. Decerto que não havia outra figura para demonstrar quão terrível e miserável é o inferno. Não havia descrição mais chocante para descrever sofrimento e tormento. Então, afirmamos à luz das Escrituras, o inferno é um lugar real.
Segundo, é um lugar de consciência – ora, ao dizer que “é melhor isso do que aquilo”, Jesus Cristo revela que aqueles que vão para o inferno estão conscientes de suas escolhas. Poderiam ter escolhido “ficar sem uma mão, um pé ou um olho” e entrar no reino de Deus, mas preferiram perder a sua vida. Semelhante imagem apresenta no v. 42 – “melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado no mar” – em que aquele que fosse motivo de tropeço para um crente mais pequenino estava ciente do tropeço causado. Também o causador de tropeço estava consciente de sua pedra no pescoço e do lugar onde estava se lançando. De igual modo, aqueles que vão para o inferno saberão onde estão e por que estão ali.
Terceiro, é um lugar de permanente sofrimento – quando Jesus diz que “o fogo nunca se apaga e o verme não morre”, aponta para uma realidade permanente. O que mantém o fogo aceso é a existência de material para combustão. No inferno não faltará material para combustão. Claro que, ao usar a referência de “fogo” pode-se muito mais falar do sofrimento sob o juízo divino do que sob “chamas literais”, de acordo com alguns comentaristas. Diz Anthony Hoekema: “O objetivo das figuras, porém, é que o tormento e angústia internos, simbolizados pelo verme, nunca terão fim e os sofrimentos exteriores simbolizados pelo fogo nunca cessarão. Se as figuras utilizadas nesta passagem não significam sofrimento sem fim, então elas não significarão coisa alguma”.
Terceiro, é um lugar de permanente sofrimento – quando Jesus diz que “o fogo nunca se apaga e o verme não morre”, aponta para uma realidade permanente. O que mantém o fogo aceso é a existência de material para combustão. No inferno não faltará material para combustão. Claro que, ao usar a referência de “fogo” pode-se muito mais falar do sofrimento sob o juízo divino do que sob “chamas literais”, de acordo com alguns comentaristas. Diz Anthony Hoekema: “O objetivo das figuras, porém, é que o tormento e angústia internos, simbolizados pelo verme, nunca terão fim e os sofrimentos exteriores simbolizados pelo fogo nunca cessarão. Se as figuras utilizadas nesta passagem não significam sofrimento sem fim, então elas não significarão coisa alguma”.
Por diversas vezes, Jesus usa figuras semelhantes para falar do sofrimento eterno. Por exemplo, Jesus disse que é um lugar descrito como uma “fornalha de fogo” onde “haverá choro e ranger de dentes” (Mt 13.50; ); Jesus disse que os justos irão para vida eterna, mas os ímpios para “o tormento eterno” (Mt 25.46). Ora, não faria sentido pensar que os justos estarão junto a Deus por toda eternidade e, no mesmo texto, Jesus pensar que o tormento é temporário. O inferno também é chamado de “trevas” (Mt 25.30; 22.13). Em outra designação é que os que são destinados ao inferno “ira e indignação [...] tribulação e angústia”(Rm 2. 6-9). De acordo com João, os ímpios serão “atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos” (Ap 20.10). De acordo com Apocalipse 19.20, a Besta e o Falso Profeta foram lançados vivos no “lago de fogo e enxofre”. Porém, depois de Mil Anos eles ainda estavam lá, onde receberão a companhia do diabo (Cf. Ap 20.10).
Quarto, o inferno é o lugar da Ira de Deus – quando Jesus diz “fogo que nunca se apaga”, isso nos fala não apenas do sofrimento, mas também da ira de Deus. Em mais de 600 lugares, a Bíblia fala sobre a ira de Deus. No caso específico do inferno, o fogo não é purificador, mas o “fogo da ira de Deus”. Alguns há que costumam colocar os atributos de Deus uns contra os outros, como se, porventura, algum atributo de Deus prevalecesse sobre os demais. Porém, a justiça de Deus, bem como seu amor e soberania, exigem a existência do inferno4 . Porque Deus é justo, ele não pode contemplar os pecados (Hb 1.13). Porque Deus é amor e amou ao mundo, aqueles que rejeitam esse grande amor rejeitam tão grande salvação (Hb 2.3). Porque Deus é soberano, o mal precisa ser derrotado. Deus vencerá no final (Ap 20). O inferno, portanto, é o efeito da Ira de Deus. Conclui-se daí que o inferno não é governado por Satanás, mas Deus Reina também no inferno. Como disse William Hendriksen:5 “o inferno é inferno porque Deus está lá, Deus em toda a sua ira (Hb 12.29; Ap 6.16). O céu é céu porque Deus está lá, Deus em todo o seu amor. É desta presença de amor que o ímpio é banido para sempre.”
Quinto, Jesus ensina que é possível livrar-se de ir para o inferno – ao dizer “melhor é isso do que aquilo”, Jesus apresenta uma maneira de ser lançado no inferno. Diante do contexto maior (8.34ss), fica claro que os “seguidores de Jesus Cristo”, porque renunciaram aos seus pecados, negaram-se a si mesmo, tomaram a sua cruz e, até mesmo, perderam a sua vida “por amor de mim [Jesus Cristo] e do Evangelho” (Cf. 8.35). Assim, ao fazer a comparação entre o que é “melhor”, estamos diante do teste do Senhor para saber quem é seu discípulo ou não. Aqueles que não renunciam seus pecados aqui terão de sofrer com eles longe da Glória de Deus, em eterno sofrimento. Jesus apresentou o preço a se evitar.
Quarto, o inferno é o lugar da Ira de Deus – quando Jesus diz “fogo que nunca se apaga”, isso nos fala não apenas do sofrimento, mas também da ira de Deus. Em mais de 600 lugares, a Bíblia fala sobre a ira de Deus. No caso específico do inferno, o fogo não é purificador, mas o “fogo da ira de Deus”. Alguns há que costumam colocar os atributos de Deus uns contra os outros, como se, porventura, algum atributo de Deus prevalecesse sobre os demais. Porém, a justiça de Deus, bem como seu amor e soberania, exigem a existência do inferno4 . Porque Deus é justo, ele não pode contemplar os pecados (Hb 1.13). Porque Deus é amor e amou ao mundo, aqueles que rejeitam esse grande amor rejeitam tão grande salvação (Hb 2.3). Porque Deus é soberano, o mal precisa ser derrotado. Deus vencerá no final (Ap 20). O inferno, portanto, é o efeito da Ira de Deus. Conclui-se daí que o inferno não é governado por Satanás, mas Deus Reina também no inferno. Como disse William Hendriksen:5 “o inferno é inferno porque Deus está lá, Deus em toda a sua ira (Hb 12.29; Ap 6.16). O céu é céu porque Deus está lá, Deus em todo o seu amor. É desta presença de amor que o ímpio é banido para sempre.”
Quinto, Jesus ensina que é possível livrar-se de ir para o inferno – ao dizer “melhor é isso do que aquilo”, Jesus apresenta uma maneira de ser lançado no inferno. Diante do contexto maior (8.34ss), fica claro que os “seguidores de Jesus Cristo”, porque renunciaram aos seus pecados, negaram-se a si mesmo, tomaram a sua cruz e, até mesmo, perderam a sua vida “por amor de mim [Jesus Cristo] e do Evangelho” (Cf. 8.35). Assim, ao fazer a comparação entre o que é “melhor”, estamos diante do teste do Senhor para saber quem é seu discípulo ou não. Aqueles que não renunciam seus pecados aqui terão de sofrer com eles longe da Glória de Deus, em eterno sofrimento. Jesus apresentou o preço a se evitar.
Outra coisa, por duas vezes Jesus diz “entrares na vida” (v. 43, 45) e uma vez diz “entrares o reino de Deus”. Ficamos sabendo pelo interlocutor João que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo (Jo 3.7). Por “novo nascimento” o cristianismo ensina ser “a alegria sincera em Deus, por Cristo (1) , e o forte desejo de viver conforme a vontade de Deus em todas as boas obras (2). (Is 57:15; Rm 5:1,2; Rm 14:17. (2) Rm 6:10,11; Gl 2:19,20)” (Catecismo de Heidelberg, p. 90).
O próprio Jesus reconheceu que o inferno não foi preparado primeiramente para o homem, mas para o “Diabo e seus Anjos” (Mt 25.41). E para livrar o homem de ir para o inferno, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(Jo 3.16). Porém, porque o homem permanece indiferente a Jesus Cristo, ou seja, não crê no Filho, então “não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (Jo 3.36).
E, ENTÃO?
Existem temas nas Escrituras que são dolorosos. Falar sobre o inferno é um desses temas. Porém, a doutrina sobre o inferno é parte da Teologia Bíblica, e como prova disso, o Senhor Jesus e seus apóstolos a ensinaram repetidamente. Como disse o Bispo John Ryle, “não há misericórdia alguma em ocultar dos homens o assunto a respeito do inferno. Por mais temível e tremendo que seja o inferno, ele deve ser uma realidade fortemente inculcada sobre todos, como uma das grandiosas verdades do cristianismo. O apóstolo João, no livro de Apocalipse, com frequência o descreveu. Os servos de Deus, hoje, não devem sentir-se envergonhados de confessar a sua crença nesse assunto. Se não houvesse ilimitada misericórdia em Cristo, para todos aqueles que nele creem, bem poderíamos nos esquivar desse temível tópico” (1994, p. 119).
Não pensem que é fácil falar sobre os milhões que passarão a eternidade no lago de fogo. Alguns amigos até acham minha posição meio dantesca e, por isso, medieval. No entanto, minha tarefa como ministro do Evangelho é falar a verdade, seguir os passos do Mestre, mesmo que, ao expor essa doutrina, alguns se sintam incomodados com ela. Muitos estão a passos largos no caminho do inferno, caminhando sobre um grande abismo que não se abre para engolir alguns dos tais, tal como engoliu vivo a Datã, Coré e Abirão (Nm 16. 30-33) por causa das muitas misericórdias de Deus, desse mesmo Deus que eles provocam a sua ira.
Muitos ainda amam os seus pecados e, de forma enganosa, acreditam que podem desfrutar da eternidade com Deus sem seus pecados serem perdoados. Qual não será a surpresa de muitos ao perceberem que estão debaixo da Ira de Deus, simplesmente porque relutam em amar a Deus. Não é amor aos amigos e inimigos se não se anunciar o perigo que estão correndo. Talvez seja preciso que alguns precisem sentir o fogo do abismo queimando sob seus pés.
Dirijo-me àqueles que ainda não despertaram para conversão e para o perigo que estão correndo.
O inferno é para todos que não estão em Cristo. Hão de suportar o peso da ira de Deus. Foi João quem disse que Deus mesmo pelejará contra os que não se converteram ou que pensam que são convertidos. O Senhor Disse: “Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura” (Is 63.3). Outra vez João, o Discípulo do Amor, viu a cena terrível: “E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”(Ap 19.15).
Não há nada entre eles e o inferno a não ser a misericórdia de Deus. Mas lembrem-se: Ele está irado e quem pode lhe impedir de agir contra os seus pecados? Alguns supõem equivocadamente que está tudo bem com eles porque têm saúde, prosperidade, alegria, vão à igreja e desfrutam das bênçãos comuns de Deus. Mas isso não é garantia de que serão livres do inferno. A única garantia encontra-se no Cordeiro de Deus, que sofreu a Ira de Deus pelos homens. Se isso não é amor de Deus, em entregar o seu Filho por pecadores, não sabemos, então, o que é amor.
E estou a par de que essa mensagem não é popular. Sei também que alguns encontrarão pessoas que procurarão lhes dissuadir da realidade do inferno. Mas, “por que a cruz e todo sofrimento [de Jesus ], a não ser que haja o inferno? A morte de Cristo perde o seu significado eterno a não ser que haja uma separação de Deus da qual as pessoas precisam ser salvas” 6. Não pense, também, que o inferno é apenas uma ameaça, e não uma realidade. Se assim o fosse, Deus seria mentiroso. Deus não usa mentiras para atrair aos homens.
Como disse, essa não é uma mensagem popular. Mas ela é verdadeira porque a Bíblia é verdadeira, porque Jesus Cristo é verdadeiro e não pode mentir. Seja Deus verdadeiro e os homens mentirosos (Rm 3.3). Meus amigos, a visão que temos de nossos pecados não é um mínimo daquilo que Deus vê em nós. Certa vez, o pregador Jonathan Edwards, amparado numa visão estritamente bíblica, nos deu um quadro dos pecados dos homens:
Vossas iniquidades vos fazem pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus permitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Vossa saúde, vossos cuidados e prudência, vossos melhores planos, toda a vossa retidão, de nada valeriam para sustentar-vos e conservar-vos fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da vossa corrupção. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz vos alumie para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer vossa luxuria. Nem está disposta a servir de palco à exibição de vossas iniquidades. Não é voluntariamente que o ar alimenta vossos corpos, mantendo viva a chama dos vossos corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana dAquele a quem vocês tanto tem ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre vossas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheia de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, vossa destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento"
Portanto, Deus está exortando-lhes, em nome de Cristo, por essa palavra rogando-lhes que se reconciliem com Deus (2Co 5.11-20). Não há muitas opções. É estar em Cristo ou longe dele. É céu ou inferno. Não brinque de cristão, não brinque de crente, não brinque de religiosos ou mesmo ateu. O Senhor Jesus é o seu Deus e Salvador? De fato, você já o recebeu e, portanto, pode ser contado entre os Eleitos do Senhor? O machado já está posto à raiz e “toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo” (Mt 7.19), disse o Senhor Jesus. Onde estão os frutos? O Senhor ainda disse: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” (Jo 15. 6). Se isso não for uma realidade em sua vida, então a Ira de Deus permanece sobre você e você será lançado no inferno, no lugar que foi criado para o diabo e seus anjos. Rejeitando a presença de Deus, você estará em companhia do diabo e seus anjos. Fuja para os braços misericordiosos do Senhor Jesus enquanto é tempo!
2. Metafórico.
Opinião metafórica do inferno. A interpretação metafórica mantém que o inferno é tormento eterno, mas o sofrimento é mais mental do que físico. O fogo não é literal, mas figurativo, e a dor é causada mais por um senso de separação de Deus, do que tormentos físicos[4].
Billy Graham expressa esta opinião metafórica quando afirma: “Tenho-me perguntado muitas vezes se o inferno não é um fogo queimando dentro de nossos corações por Deus, para comunhão com Deus, um fogo que nunca podemos apagar”[5]. A interpretação de Graham é engenhosa. Infelizmente ela ignora o fato que a descrição bíblica do “queimar” refere não a um queimar dentro do coração, mas a um lugar onde os ímpios são consumidos.
William Crockett também favorece a opinião metafórica:
“O inferno, então, não devia ser imaginado como um inferno vomitando fogo como a fornalha ardente de Nabucodonosor. O máximo que podemos dizer é que os rebeldes serão expulsos da presença de Deus, sem nenhuma esperança de restauração. Como Adão e Eva serão expulsos, mas desta vez para uma ‘noite eterna’, onde alegria e esperança estão para sempre perdidas”.
O problema com esta opinião do inferno é que ela quer substituir tormento físico por angústia mental. Alguns podem duvidar se angústia mental eterna é realmente mais humana do que tormento físico. Mesmo que fosse verdade, a diminuição do grau de dor num inferno não literal não muda substancialmente a natureza do inferno, pois ele ainda permanece um lugar de tormento sem fim. A solução se encontra não em humanizar ou sanear a opinião tradicional sobre o inferno de modo a torná-lo um lugar mais tolerável onde os ímpios passarão a eternidade, mas em compreender a natureza verdadeira do castigo final o qual, como veremos, é aniquilamento permanente e não tormento eterno.
Por: Samuele Bacchiocchi, Ph.D.
3. Universalista.
A opinião universalista do inferno. Uma revisão mais radical do inferno tem sido tentada por universalistas que reduzem o inferno a uma condição temporária de castigos graduados que no fim levam ao céu. Os universalistas creem que Deus afinal terá êxito em levar a todo ser humano à salvação e à vida eterna de modo que ninguém será condenado no julgamento final ao tormento eterno ou ao aniquilamento[6].
Ninguém negará o apelo que o universalismo tem para a consciência cristã, porque toda pessoa que sentiu o amor de Deus almeja vê-lo salvar a todos. Todavia, nossa apreciação pelo interesse do universalista de defender o triunfo do amor de Deus e para refutar a opinião não bíblica do sofrimento eterno não nos devia cegar ao fato que esta doutrina é uma distorção séria do ensino bíblico. Salvação universal não pode ser correta somente porque sofrimento eterno é errado. O alvo universal do propósito salvífico de Deus não deve ser confundido com o fato que aqueles que rejeitam Sua dádiva de salvação hão de perecer.
Embora as opiniões metafórica e universalista representem tentativas bem intencionadas para abrandar o conceito do sofrimento eterno, deixam de reconhecer os dados bíblicos e consequentemente representam mal a doutrina bíblica da punição final dos que não se salvam. A solução razoável dos problemas das opiniões tradicionais se encontra, não diminuindo ou eliminando o grau de dor de um inferno literal, mas em aceitar o inferno tal como ele é: o castigo final e o aniquilamento dos ímpios. Como a Bíblia diz: “O ímpio não existirá” (Salmo 37:10) porque seu “fim é a perdição” (Filipenses 3:19).
Por: Samuele Bacchiocchi, Ph.D.
4. Aniquilacionismo.
“Aniquilacionismo é
uma doutrina escatológica minoritária que diz que as
almas dos pecadores serão aniquiladas após a morte
de seus corpos físicos”.
“Aniquilacionismo é a doutrina que afirma que tudo o que não puder ser redimido por Deus será exterminado.”
Gregory A. Boyd
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O que é
Aniquilacionismo?[1]
Pablo Tadeu
A ideia de inferno sempre
me incomodou. Para muitos cristãos o inferno seria algo como aquele descrito
por Dante Alighieri na “Divina Comédia”.
A Igreja Católica se apossou da ideia do purgatório e chegou até a vender
salvação, na forma de indulgência, em certos períodos de sua história. Os
gregos tinham suas várias histórias sobre o Reino de Hades. O fato é que
o destino do homem após sua morte é um tema controverso e antigo, muito antigo.
Tão antigo como a discussão sobre o lar do diabo e das almas condenadas. Para
onde vão? De alguma forma aquela visão clássica de um satanás vermelho, com
rabos e chifres, sentado no trono de um deserto árido de fogo, cheio de lava
fumegante e derretida, repleto de inúmeras almas gritando e gemendo em dor e
sofrimento eterno, não se associavam com o conceito que tenho sobre a bondade e
misericórdia de um Deus que se fez homem para pagar por nossos pecados. Como
poderia Deus permitir que algo assim existisse? Como poderia Deus obter uma
vitória completa se, coexistindo com um novo Reino, onde viveremos todos na
presença completa de Deus, haveria um local de tamanho sofrimento e agonia?
John Stott
disse o seguinte: “Eu acho o conceito de tormento consciente eterno
emocionalmente intolerável e não compreendo como as pessoas conseguem conviver
com isso sem cauterizar seus sentimentos ou esfacelá-los com a tensão. Mas as
nossas emoções são um guia instável, não confiável para nos conduzir à verdade
e não devem ser exaltadas ao lugar de suprema autoridade em determiná-la. Então
minha pergunta deve ser — e é — não o que me diz o meu
coração, mas, o que diz a Palavra de Deus?”[2]
O conceito do inferno
como aniquilamento.
Por: Samuele Bacchiocchi, Ph.D.
A crença no aniquilamento dos perdidos é baseada em
quatro considerações bíblicas:
1. A morte como castigo do pecado.
2. O vocabulário sobre a destruição dos ímpios.
3. As implicações morais do tormento eterno.
4. As implicações cosmológicas do tormento
eterno.
1. A morte como
punição do pecado.
O aniquilamento final dos
pecadores impenitentes é indicado, em primeiro lugar, pelo princípio bíblico
fundamental que o castigo final do pecado é a morte: “A alma que pecar morrerá” (Ezequiel 18:4, 20); “O salário do pecado é a morte” (Romanos
6:23). A punição do pecado compreende não somente a primeira morte, a qual
todos experimentam como resultado do pecado de Adão, mas também o que a Bíblia
chama a segunda morte (Apocalipse 20:14; 21:8), que é a morte final e
irreversível a ser sofrida pelos pecadores impenitentes. Isso significa que o
salário final do pecado não é o tormento eterno, mas morte permanente.
A Bíblia ensina que a morte
é a cessação da vida. Não fosse pela segurança da ressurreição (I Coríntios
15:18), a morte que experimentamos seria a terminação de nossa existência. É a
ressurreição que converte a morte de ser o fim da vida em ser um sono
temporário. Mas não há ressurreição para a segunda morte, porque aqueles que a
sofrem são consumidos no “lago de fogo” (Apocalipse 20:14). Este será
o aniquilamento final.
2. O vocabulário
bíblico sobre a destruição dos ímpios.
A segunda razão compulsiva
para crer no aniquilamento dos perdidos no julgamento final é o rico
vocabulário de destruição usado na Bíblia para descrever o fim dos ímpios.
Segundo Basil Atkinson, o Velho Testamento usa mais de 25 substantivos e verbos
para descrever a destruição final dos ímpios.
Diversos salmos descrevem a
destruição final dos ímpios com imagens dramáticas (Salmos 1:3-6; 2:9-12;
11:1-7; 34:8-22; 58:6-10; 69:22-28; 145:17, 20). No Salmo 37, por exemplo,
lemos que os ímpios logo “murcharão como a verdura” (v. 2);
eles “serão desarraigados... e não existirão” (vv. 9, 10); eles "perecerão... e em fumo se desfarão” (v.
20); os transgressores “serão a uma destruídos” (v. 38).
O Salmo 1 contrasta o
caminho do justo com o dos ímpios. Dos últimos ele diz que “não subsistirão no juízo” (v. 5);
mas serão “como a moinha que o vento espalha” (v. 4); “o caminho
dos ímpios perecerá”(v. 6). No Salmo 145, Davi afirma: “O Senhor
guarda a todos que o amam; mas todos os ímpios serão destruídos” (v.
20). Esta amostra de referências sobre a destruição final dos ímpios está em
perfeita harmonia com o ensinamento do resto das Escrituras.
Os profetas frequentemente
anunciam a destruição final dos ímpios em conjunção com o dia escatológico do
Senhor. Isaías proclama que os “transgressores e os pecadores
serão juntamente destruídos, e os que deixarem o Senhor
serão consumidos” (Isaías 1:28). Descrições semelhantes se encontram
em Sofonias 1:15, 17, 18 e Oséias 13:3.
A última página do Velho
Testamento provê um contraste impressionante entre o destino dos crentes e o
dos incrédulos. Sobre aqueles que temem o Senhor, “nascerá o sol da
justiça e salvação trará debaixo das suas asas” (Malaquias 4:1). Mas para
os incrédulos o dia do Senhor “os abrasará... de sorte que não lhes
deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).
O Novo Testamento segue de
perto o Velho ao descrever o fim dos ímpios com palavras e imagens que denotam
aniquilamento total. Jesus comparou a destruição total dos ímpios a coisas como
o joio atado em molhos para serem queimados (Mateus 13:30, 40), o
peixe ruim que é lançado fora (Mateus 13:48), as plantas daninhas
que serão arrancadas (Mateus 15:13), a árvore sem fruto que
será cortada (Lucas 13:7), os ramos ressequidos que são lançados
no fogo (João 15:6), os lavradores infiéis que serão destruídos (Lucas
20:16), os antediluvianos que foram destruídos pelo dilúvio (Lucas
17:27), o povo de Sodoma e Gomorra que foi consumido pelo fogo (Lucas
17:29), e os servos rebeldes que foram mortos à volta de seu Senhor
(Lucas 19:27).
Todas estas ilustrações
descrevem de modo gráfico a destruição final dos ímpios. O contraste entre o
destino dos salvos e o dos perdidos é um
de vida versus destruição. Aqueles que apelam às referências de
Cristo ao inferno ou fogo do inferno (gehenna, Mateus 5:22, 29, 30; 18:8, 9;
23:15, 33; Marcos 9:43, 44, 46, 47, 48) para apoiar sua crença num tormento
eterno, deixam de reconhecer um ponto importante.
Como John Stott
assinala:
O fogo
mesmo é chamado ‘eterno’ e ‘inextinguível’, mas seria muito estranho se
aquilo que nele fosse jogado se demonstrasse indestrutível. Esperaríamos o
oposto: seria consumido para sempre, não atormentado para sempre. Segue-se que
é o fumo (evidência de que o fogo efetuou seu trabalho) que ‘sobe para todo o
sempre’ (Apocalipse 14:11; ver 10:3)[3].
A referência de Cristo
a gehenna não indica que o inferno seja um lugar de tormento infindo.
O que é eterno ou inextinguível não é o castigo mas o fogo que, como no caso de
Sodoma e Gomorra, causa a destruição completa e permanente dos ímpios, uma
condição que dura para sempre.
A declaração de Cristo de
que os ímpios “irão para o tormento eterno, mas os justos para a vida
eterna” (Mateus 25:46) é geralmente considerada como prova do sofrimento
eterno e consciente dos ímpios. Esta interpretação ignora a diferença
entre punição eterna e o ato de punir eternamente. O termo
grego aionios (“eterno”)
literalmente significa “aquilo que dura um período”, e frequentemente refere
à permanência do resultado e não à continuação de um processo.
Por exemplo, Judas 7 diz que
Sodoma e Gomorra sofreram “a pena do
fogo eterno”. É evidente que o fogo que destruiu as duas cidades é eterno,
não por causa de sua duração mas por causa de seus resultados
permanentes.
Outro exemplo se encontra em
II Tessalonicenses 1:9, onde Paulo, falando daqueles que rejeitam o evangelho,
diz: “Os quais, por castigo,
padecerão eterna destruição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder”.
É evidente que a destruição dos ímpios não pode ser eterna em sua duração,
porque é difícil imaginar um processo de destruição eterno e inconclusivo.
Destruição pressupõe
aniquilamento. A destruição dos ímpios é eterna, não porque o processo de
destruição continua para sempre, mas porque os resultados são
permanentes. A linguagem de destruição é inescapável no livro do Apocalipse. Lá
ele representa a maneira de Deus vencer a oposição do mal a Si mesmo e a Seu
povo. João descreve com ilustrações vívidas o lançamento do diabo, da besta, do
falso profeta, da morte, de Hades e de todos os ímpios no lago de fogo que é
a “segunda morte” (Apocalipse 21:8; cf. 20:14; 2:11; 20:6).
Os judeus frequentemente
usavam a frase “segunda morte” para
descrever a morte final e irreversível. Exemplos numerosos podem ser achados no
Targum, a tradução e interpretação em aramaico do Velho Testamento. Por
exemplo, o Targum sobre Isaías 65:6 diz: “Seu castigo será em Gehenna onde
o fogo arde todo o dia. Eis, está escrito diante de mim: ‘Não lhes darei
descanso durante [sua] vida mas lhes darei o castigo de sua transgressão e
entregarei seus corpos à segunda morte’”[4]
Para os salvos, a
ressurreição marca o galardão de outra vida mais elevada, mas para os perdidos
marca a retribuição de uma segunda morte que é final. Como não há mais morte
para os remidos (Apocalipse 21:4), assim não há mais vida para os perdidos
(Apocalipse 21:8). A “segunda morte”, então, é a morte final e irreversível.
Interpretar a frase de outro modo, como um tormento eterno e consciente ou
separação de Deus, nega o significado bíblico da morte como uma cessação de
vida.
3. As implicações
morais do tormento eterno.
Uma terceira razão para
crer no aniquilamento final dos perdidos e a implicação moral inaceitável da
doutrina do tormento eterno. A noção de que Deus deliberadamente tortura
pecadores através dos séculos sem fim da eternidade é totalmente incompatível
com a revelação bíblica de Deus como amor infinito. Um Deus que inflige tortura
infinda a Suas criaturas, não importa quão pecadoras foram, não pode ser o Pai
de amor que Jesus Cristo nos revelou.
Tem Deus duas faces? É Ele
infinitamente misericordioso de um lado e insaciavelmente cruel de outro? Pode
Ele amar os pecadores de tal modo que enviou Seu Filho para salvá-los, e ao
mesmo tempo odiar os pecadores impenitentes tanto que os submete a um tormento
cruel sem fim? Podemos legitimamente louvar a Deus por Sua bondade, se Ele
atormenta os pecadores através dos séculos da eternidade? A intuição moral que
Deus plantou em nossa consciência não pode aceitar a crueldade de uma divindade
que sujeita pecadores a tormento infindo. A justiça divina não poderia jamais
exigir a penalidade infinita de dor eterna por causa de pecados finitos.
Além disso, tormento eterno
e consciente é contrário ao conceito bíblico de justiça porque tal castigo
criaria uma desproporção séria entre os pecados cometidos durante uma vida e o
castigo resultante durando por toda a eternidade.
Como John Stott pergunta:
Não haveria,
então, uma desproporção séria entre pecados conscientemente cometidos no tempo
e tormento conscientemente sofrido através da eternidade? Não minimizo a
gravidade da pecado como rebelião contra Deus nosso Criador, mas questiono se
tormento eterno consciente é compatível com a revelação bíblica da justiça
divina”[5]
4. As implicações
cosmológicas do tormento eterno.
Uma razão final para crer
no aniquilamento dos perdidos é que tormento eterno pressupõe um dualismo
cósmico eterno. Céu e inferno, felicidade e dor, bem e mal continuariam a
existir para sempre lado a lado. É impossível reconciliar esta opinião com a
visão profética da nova terra na qual não mais “haverá morte, nem pranto,
nem clamor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).
Como poderiam pranto e dor
serem esquecidos se a agonia e angústia dos perdidos fossem aspectos permanentes
da nova ordem? A presença de incontáveis milhões sofrendo para sempre tormento
excruciante, mesmo se fosse bem longe do arraial dos santos, serviria apenas
para destruir a paz e a felicidade do novo mundo. A nova criação resultaria
defeituosa desde o primeiro dia, visto que os pecadores permaneceriam como uma
realidade eterna no universo de Deus.
O propósito do plano da
salvação é desarraigar definitivamente a presença de pecado e pecadores deste
mundo. Somente se os pecadores, Satanás e os diabos são afinal consumidos no
lago de fogo e extintos na segunda morte que verdadeiramente poderemos dizer
que a missão redentora de Cristo foi concluída. Tormento eterno lançaria uma
sombra permanente sobre a nova criação. Nossa geração precisa desesperadamente
aprender o temor de Deus, e esta é uma razão para pregar o juízo final e
castigo.
Precisamos advertir as
pessoas que aqueles que rejeitam os princípios de vida de Cristo e a provisão
de salvação experimentarão afinal um julgamento terrível e “padecerão eterna
perdição” (II Tessalonicenses 1:9). Precisamos proclamar as grandes
alternativas entre vida eterna e destruição permanente. A recuperação do ponto
de vista bíblico do juízo final pode soltar a língua dos pregadores, porque
podem pregar esta doutrina vital sem receio de retratar a Deus como um monstro.
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Heresias que teremos
de admitir se o tormento for eterno.
Se há um “inferno” ardendo em chamas na
atualidade; e se o diabo for atormentado por um período sem fim, juntamente com
os pecadores, teremos de aceitar pelo menos quatro heresias:
1. heresia: O diabo, os demônios e os pecadores são eternos, ou
seja, Deus não conseguirá um dia destruir o diabo e os pecadores
definitivamente. O que dizer dos seguintes textos: 1 João 3:15; Malaquias
4:1-3; Romanos 16:20; Hebreus 2:14?
2. heresia: O pecado é eterno. Se os ímpios fossem atormentados
com o diabo eternamente, nunca iriam deixar de ter raiva de Deus por estarem no
fogo, e continuamente blasfemariam dEle. Estariam em constante pecado, por toda
a eternidade.
3. heresia: Muitas pessoas que pecaram 70 ou 80 anos irão
sofrer a mesma penalidade que satanás, que pecou desde o princípio (João 8:44)
e que foi o originador do pecado. Nada mais injusto. Isso não estaria de acordo
com os seguintes textos: Apocalipse 20:11-13; Lucas 12:47 e 48 (alguns receberão
“muitos açoites” e outros, “poucos açoites”).
4. heresia: Deus nunca irá terminar com o sofrimento. A Bíblia
ensina claramente que um dia não existirá mais o sofrimento (Apocalipse 21:4).
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Reconsiderando o
Aniquilacionismo Evangélico.
Uma Análise do
Pensamento de John Stott
sobre a Não-Existência
do Inferno
James I. Packer
O evangelicalismo é
definido de várias maneiras por diversos tipos de pessoas. Eu o defino como a
religião dos crentes da Bíblia Trinitariana que se gloriam na cruz de Cristo
como a única fonte de paz com Deus e buscam compartilhar a sua fé com os
outros; e eu noto que o evangelicalismo ocidental (para não irmos mais
adiante), como o liberalismo protestante, o catolicismo romano de toda espécie,
e o ortodoxismo oriental, tem um padrão propriamente seu. Dentre os fatores que
formaram esse padrão durante os últimos cinqüenta anos incluem-se o ensinamento
dogmático, devocional, apologético e ativista ministrado nas igrejas
evangélicas e em movimentos paraeclesiásticos; a literatura (livros, jornais,
revistas) produzida pelos evangélicos; a sensação de uma fidelidade superior à
Bíblia, seu Deus e seu Cristo, que as instituições evangélicas cultivam; uma
sensação de estar sendo ameaçado pelos enormes batalhões do protestantismo
liberal, catolicismo romano e instituições seculares, que os leva a vociferar
quando esses fundamentos ideológicos são discutidos; a obstinação por um
evangelismo atuante; e o costume de transformar estudiosos e líderes em gurus,
de onde surge um sentimento de ultraje e traição se percebem que eles estão andando
fora da linha. Dentro da distintiva identidade corporativa do evangelicalismo
introduziram-se uma consciência de privilégio e vocação, uma mentalidade
envolvente e persistente, a discussão de temas irrelevantes, uma certa
violência verbal e uma tendência de atingir nossos próprios feridos.
Ainda não está claro se o
recente restabelecimento da confiança e o crescimento de uma vida intelectual [1] do movimento estão ou não amadurecendo esse padrão
ainda verde; entretanto, sem dúvida alguma, os fatores citados acima se
tornaram evidentes enquanto os evangélicos discutiam o aniquilacionismo entre
si nos últimos dez anos.
Ideias aniquilacionistas
têm sido debatidas entre os evangélicos por mais de um século [2], mas nunca se tornaram parte da corrente principal
da fé evangélica [3], nem sequer foram
largamente discutidas no meio evangélico até recentemente. Em 1987, Clark
Pinnock escreveu um artigo bombástico de duas páginas entitulado “O Fogo, e Nada Mais” [4], mas que, apesar de amplamente lido, não provocou
maiores discussões do que uma exposição de quinhentas páginas sobre o assunto:
“O Fogo que Consome” (1982),
publicada por Edward William Fudge [5],
talentoso leigo das Igrejas de Cristo. Entretanto, em 1988, surgiram dois
curtos trabalhos de defesa, ambos de veteranos evangélicos anglicanos: oito
páginas de John Stott em “Essentials”
[6], e dez do falecido Philip Edgecumb Hughes
em “A Verdadeira Imagem” [7], que puseram o gato no meio dos pombos.
Em uma conferência de 350
líderes em Deerfiield, Illinois, no ano de 1989, eu li um documento
pomposamente entitulado “Evangélicos e o
Caminho da Salvação: Novos Desafios ao Evangelho: Universalismo e a
Justificação pela Fé” [8]. No documento eu
ofereci uma linha de pensamento contrária à posição desses dois respeitáveis
amigos [9]. A reação foi tal que a conferência
se dividiu ao meio sobre a questão da aniquilação. O relatório
da Christianity Today (periódico evangélico) dizia:
“Surgiram
fortes desentendimentos sobre a posição do aniquilacionismo, doutrina que
afirma que as almas não salvas deixarão de existir após a morte... a
conferência foi quase que dividida ao meio ao tratar do assunto em suas
declarações, e nenhuma renúncia a essa posição foi incluída na resenha final da
conferência”. [10]
Depois disso, a pedido de
John White, então presidente da Associação Nacional de Evangélicos, o falecido
John Gerstner escreveu uma resposta a Stott, Hughes e Fudge sob o título “Arrependei-vos ou Perecereis” (1990) [11]; e em 1992 os documentos apresentados na quarta
Conferência sobre Dogmas Cristãos de Edinburgo foram publicados com o título “Universalismo e a Doutrina do Inferno” [12], juntamente com “O Argumento a Favor da Imortalidade Condicional”, de John W. Wenham
e “O Argumento Contra o Condicionalismo:
Uma Resposta a Edward William Fudge”, de Kendall S. Harmon.
E isso não foi tudo. Livros
reafirmando a realidade e eternidade do inferno começaram a aparecer: “Questões Cruciais Sobre o inferno”
(1991) [13], de Ajith Fernando; “Um Deus Irado?” (1991) [14], de Eryl Davies; “O Outro Lado das Boas Novas” (1992) [15],
por Larry Dixon; “Quatro Opiniões sobre o
Inferno” (1992) [16], por William Crocket,
John Walvoord, Zachary Hayes e Clark Pinnock; “A Estrada Para o Inferno” (1992) [17],
de David Pawson; “O Que Aconteceu Com o Inferno?” (1993) [18], de John Blanchard; “A Batalha Pelo Inferno: Uma Visão Geral e Avaliação do Crescimento do
Interesse Evangélico pela Doutrina da Aniquilação” (1995) [19], por David George Moore; “O Inferno Em Julgamento: O Argumento a Favor do Castigo Eterno”
(1995) [20], de Robert A. Peterson. Todos estes
contestando mais ou menos elaboradamente o aniquilacionismo. Continuava assim a
discussão.
O que está em questão aqui?
A questão é essencialmente exegética, embora com implicações pastorais e
teológicas. E se resume a se, quando Jesus disse que aqueles banidos no
julgamento final “irão para o castigo
eterno” (Mt 25:46), Ele tinha em vista um estado de tormento que não terá
fim, ou um irrevogável fim da existência consciente; em outras palavras (pois
assim é colocada a questão), um castigo que é eterno em sua extensão ou no seu
efeito. A corrente principal da cristandade sempre afirmou o primeiro, e
continua a fazê-lo; evangélicos aniquilacionistas, juntos com muitos
Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia e liberais — na realidade quase
todos os que não são universalistas — defendem o último. Entretanto desse ponto
em diante os evangélicos aniquilacionistas se dispersam e não há unanimidade [21].
Alguns têm asseverado que o
aniquilamento ocorrerá imediatamente após a sentença de Jesus no Juízo Final,
após um período de tormento no estado intermediário; outros têm pensado que
cada pessoa banida da presença de Jesus passará por algum tormento, proporcional
em intensidade e extensão ao que cada um merece, até que venha o momento da
aniquilação. Alguns baseiam o seu aniquilacionismo em uma antropologia
adaptada. Eles argumentam que uma existência eterna não é natural; e que, pelo
contrário, desde que nós somos seres pessoais (almas) que vivem por meio de
corpos, a separação entre a alma e o corpo extinguirá a consciência.
Então, depois da nossa
separação inicial (a primeira morte) não há um estado intermediário, apenas uma
inconsciência que continuará até a ressurreição, e depois dos descrentes
ressuscitados serem banidos da presença de Cristo, as suas consciências
finalmente cessarão (segunda morte) quando, e porque, os seus corpos
ressurretos deixarão de existir. Entretanto, alguns que raciocinam desta forma,
na verdade, afirmam que há um estado intermediário consciente, com alegria para
os santos e sofrimento para os ímpios, como sempre foi o consenso geral da
Igreja. Todos que adotam essa antropologia denominam a sua posição de
imortalidade condicional, expressão cunhada para mostrar que a existência após
a morte que as religiões imaginam e que a maioria, se não todas, deseja, é uma
dádiva que Deus concede somente aos crentes, enquanto que Ele, cedo ou tarde,
simplesmente extingue o resto de nossa raça. A existência eterna está,
portanto, condicionada à fé em Jesus Cristo, e a aniquilação é a alternativa
para os demais [22].
Historicamente, essas são
opiniões do século passado. O século dezenove foi uma era de audaciosos
desafios a suposições antigas, sonhos audaciosos de fazer as coisas melhores, e
empreendimentos audaciosos, tanto intelectuais como tecnológicos, para
realizá-los. O ensinamento cristão histórico sobre o inferno era posto em
questão à luz da convicção utilitariana e progressista de que a retribuição em
si, sem qualquer perspectiva de alguma coisa ou alguém ser melhorado por ela,
não é justificativa suficiente para a punição, desconsiderando o castigo
eterno. Partindo desse ponto de vista a ideia de que o ato de Deus manter
alguém em permanente tormento após a morte era indigno dEle e, portanto, a
posição tradicional sobre o castigo eterno deve ser abandonada, devendo-se
encontrar outra maneira de explicar os textos que parecem ensiná-la.
Revisionistas da Bíblia
desenvolveram duas maneiras de fazer isso, ambas essencialmente especulativas,
à maneira de Orígenes, que usava a filosofia da época para estabelecer uma
estrutura da forma de interpretação dos textos e para preencher as lacunas nos
seus ensinamentos. O primeiro método era o universalismo, que diz que todos os
seres humanos estarão por fim no céu, e especula em como, através de dolorosas
experiências, os que morrem na incredulidade conseguirão isso. A segunda
maneira é o aniquilacionismo, o qual afirma que os que estarão no céu serão por
fim todos os humanos, e especula sobre quando os incrédulos serão aniquilados.
Os argumentos utilizados pelos aniquilacionistas de hoje são essencialmente os
mesmos dos seus predecessores do século passado.
Duas advertências pastorais e teológicas devem preceder
nossas considerações a esses argumentos.
1) Opiniões sobre
o inferno não devem ser discutidas
fora das linhas do Evangelho.
Por quê? Porque é somente em
conexão com o Evangelho que Jesus e os autores do Novo Testamento falam do
inferno, e a maneira bíblica de lidar com temas bíblicos é levar-se em
consideração tanto as suas conexões bíblicas, quanto a sua substância bíblica.
Como diz Peter Toon:
“... a
pregação e o ensino de Jesus com relação ao Geena, trevas e condenação estavam
relacionados com a Sua proclamação e exposição do reino de Deus, salvação e
vida eterna; eles nunca são expostos como assuntos independentes para reflexão
e estudo. Renomados teólogos [23] têm muito
enfatizado este último ponto. ... o inferno é parte integrante do Evangelho e
portanto não pode ser deixado de fora ... . Advertir as pessoas para que evitem
o inferno significa que ele é uma realidade, ou pode vir a ser uma realidade.
Portanto, é inevitável que tentemos oferecer uma descrição do inferno pelo
menos em termos de poena damni (dor pela perda da alegria) e possivelmente de
poena sensus (dor dos sentidos, ou seja, através dos sentidos) mas ... sempre
reconhecemos que falamos figuradamente”. [24]
A ideia cristã do inferno
não é um conceito isolado de sofrimento apenas por sofrimento (a divina “selvageria”, “sadismo”, “crueldade” e “vingança”
do qual os aniquilacionistas acusam os crentes que declaram o inferno eterno) [25]; mas uma noção biblicamente formada por três
misérias equivalentes, que são: a exclusão da presença e comunhão graciosa de
Deus, em castigo e com destruição sobre aqueles que, ao negarem as
misericórdias de Deus, já rejeitaram o Pai e o Filho nos seus corações. A
justiça do juízo final de Deus, o qual Jesus administrará, de acordo com o
Evangelho, está em duas coisas: primeiro, o fato de que o que as pessoas
recebem não é apenas o que elas merecem, mas o que elas na verdade
escolheram — isto é, existir para sempre sem Deus e consequentemente
sem nenhum dos bens que Ele concede; segundo, o fato de que a sentença é
proporcional ao conhecimento da Palavra, obra e vontade de Deus, que foram
desconsideradas (Cf. Lc. 12:42-48; Rm1:18-20, 32, 2:4,12-15). De acordo com o
Evangelho, o inferno não é uma selvageria imoral, mas uma retribuição moral, e
discussões sobre a sua extensão para os seus habitantes devem ocorrer dentro
desse quadro.
2) Opiniões sobre
o inferno não deveriam ser determinadas por considerações do bem-estar.
Diz John Wenham:
“Acautelai-vos
da imensa atração natural por qualquer saída que os livre da idéia de pecado e
sofrimento sem fim. A tentação de torcer o que deveriam ser declarações
completamente rígidas das Escrituras é intensa. É a situação ideal para uma
racionalização inconsciente” [26].
Diz John Stott:
“Eu acho o
conceito de tormento consciente eterno emocionalmente intolerável e não
compreendo como as pessoas conseguem conviver com isso sem cauterizar seus
sentimentos ou esfacelá-los com a tensão. Mas as nossas emoções são um guia
instável, não confiável para nos conduzir à verdade e não devem ser exaltadas
ao lugar de suprema autoridade em determiná-la ... minha pergunta deve
ser — e é — não o que me diz o meu coração, mas, o que diz
a Palavra de Deus?” [27].
Ambos adotaram o
aniquilacionismo, no que estão errados, mas eles o admitem por uma justa razão
— não porque é uma idéia que se ajustou confortavelmente às suas convicções,
apesar de tê-lo feito, mas porque eles pensaram tê-lo encontrado na Bíblia.
Qualquer que seja nossa posição sobre a questão, nós também devemos ser guiados
pelas Escrituras e nada mais.
1) O primeiro argumento é a necessidade de
explicar “castigo eterno” de Mateus
25:46, que está diretamente relacionado com “vida eterna”, sem que traga necessariamente a implicação de
eternidade. Admitindo-se que, como é corretamente defendido, “eterno” (aionios)
no Novo Testamento significa “que
pertence à era porvir” em vez de expressar qualquer noção diretamente
cronológica, os escritores do Novo Testamento são unânimes em concluir que o
tempo porvir será eterno. Então o problema dos aniquilacionistas permanece no
mesmo lugar que estava. A afirmação de que, na era por vir, a vida é alguma
coisa contínua, enquanto que o castigo é algo com um final, torna a questão
evasiva. Basil Atkinson, “um excêntrico
bacharel acadêmico”, de acordo com Wenham [28],
mas um filologista profissional, e mentor de Wenham e Stott nessa matéria,
escreveu:
“Quando o
adjetivo aionios significando “eterno” é usado no grego juntamente
com substantivos de ação, ele se refere ao resultado da ação, não ao processo.
Assim a expressão “castigo eterno” é comparável a “redenção eterna” e a
“salvação eterna”, todas expressões bíblicas ... os que se perdem não passarão
eternamente por um processo de castigo mas serão punidos uma vez por todas com
resultados eternos”. [29]
Embora essa declaração seja
constantemente feita por aniquilacionistas, que de outra maneira não poderiam
erigir sua posição, ela carece de apoio gramatical e em qualquer caso torna a
questão evasiva quando assume que o castigo é um evento momentâneo ao invés de
contínuo. Embora, porventura, não seja absolutamente impossível, o raciocínio
parece artificial, evasivo, e, em uma avaliação final, desamparado.
2) O segundo argumento é que, uma vez que a ideia
de imortalidade intrínseca da alma (isto é, do indivíduo consciente) deixa de
ser considerada como uma intromissão platônica na exegese do segundo século,
parecerá que o único significado natural de morte, destruição, fogo e trevas no
Novo Testamento como indicadores do destino dos ímpios é de que tais pessoas
deixam de existir. Mas tal afirmação quando submetida à prova mostra estar
errada. Para os evangélicos, a analogia das Escrituras, isto é, o axioma da sua
coerência e consistência intrínsecas e sua capacidade de elucidar ela mesma os
seus ensinos, é uma regra para toda interpretação, e, embora haja textos que,
tomando-os isoladamente, podem conter implicações aniquilacionistas, há outros
que de forma alguma podem se encaixar nesse esquema. Mas nenhuma teoria que se
propõe a explicar o significado da Bíblia e não abrange todas as Suas
principais declarações pode ser verdadeira.
Judas 6 e Mateus 8:12;
22:13, 25:30 mostram que as trevas significam um estado de privação e aflição,
mas não de destruição no sentido de deixar de existir. Somente aqueles que
existem podem chorar e ranger seus dentes, como é dito dos que serão lançados
nas trevas.
Em nenhuma parte a morte
significa extinção; morte física é a partida para outra forma de existência
chamada sheol ou hades, e morte metafórica é uma existência sem Deus e Sua
graça; nada na terminologia bíblica garante a idéia, encontrada em Guillebaud [30] e outros, de que “a segunda morte” de Apocalipse 21:11, 20:14, 21:8 significa ou
refere-se à extinção da existência.
Lucas 16:22-24 nos mostra,
como também uma grande quantidade de linguagem apocalíptica extra-bíblica, que
fogo significa uma existência continuamente em tormento, e as arrepiantes
palavras de Apocalipse 14:10, 19:20, 20:10 e de Mateus 13:42,50 confirmam isso.
Em 2 Tessalonicenses 1:9
Paulo explica, ou amplia, o significado de “sofrerão
penalidade de eterna (aionios) destruição” adicionando “banidos da face do
Senhor” — expressão que, por denotar exclusão, joga por terra a idéia de que “destruição” significa extinção. Somente
aqueles que existem podem ser excluídos. Tem sido freqüentemente demonstrado
que no grego o significado natural das palavras relacionadas a destruição
(substantivo, olethros; verbo, apollumi) é arruinar, de forma que o foi
destruído fica, a partir de então, inutilizado, ao invés de propriamente
aniquilado, de maneira que passa a não mais existir de forma alguma.
Os aniquilacionistas se
defendem com especial argumentação. Às vezes, eles argumentam que tais textos
que falam de um tormento contínuo fazem referência somente a uma experiência
temporária para os que se perdem antes de deixarem de existir, mas isso é
tornar a questão evasiva através de uma exegese especulativa e renunciar a sua
declaração original de que o Novo Testamento, quando fala de perdição eterna,
sugere naturalmente a extinção. Peterson cita John Stott, no que ele chama de “o melhor argumento aniquilacionista” [31]. O trecho a seguir faz comentários às palavras “A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos
dos séculos” de Apocalipse 14:11.
O próprio fogo é chamado “eterno” e “inextinguível”, mas seria muito estranho se o que fosse ali atirado
provasse ser indestrutível. A nossa expectativa deveria ser o oposto: o que for
ali atirado deve ser consumido eternamente, não atormentado eternamente. Por
isso existe a fumaça (evidência de que o fogo fez o seu trabalho) que “sobe pelos séculos dos séculos”.
“Pelo
contrário”, contra-argumenta Peterson, “nossa expectativa seria de que a fumaça
se extinguiria uma vez que o fogo já tivesse terminado o seu serviço ...”. O
restante do verso confirma nossa interpretação: “e não têm descanso algum, nem
de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem” [32].
Para isso parece não haver
resposta. Portanto, o argumento linguístico fracassa em todos os seus pontos.
Dizer que alguns textos, tomados isoladamente, poderiam significar a
aniquilação, não prova absolutamente nada quando outros evidentemente não o
fazem.
3) O terceiro argumento é o de que o fato de Deus aplicar eternamente um castigo aos perdidos seria algo injusto e desproporcional.
Stott escreve:
“eu questiono
se o 'tormento eterno e consciente' é compatível com a revelação bíblica de
justiça divina, a menos que talvez (como tem sido argumentado) a impenitência
dos ímpios também perdure ao longo da eternidade” [33].
A incerteza expressa pelo “talvez” de Stott é estranha, por isso
não há nenhuma razão para se pensar que a ressurreição dos ímpios mudará o seu
caráter, e sim toda a razão para se supor que a sua rebeldia e impenitência
continuarão enquanto eles existirem, tornando o eterno exílio da comunhão de
Deus plenamente apropriado; mas, deixando isso a parte, é evidente que o
argumento, se fosse válido, provaria coisas demais e terminaria solapando a própria
causa aniquilacionista.
Mas se, como sugere o
argumento, é desnecessariamente cruel para Deus manter os que se perdem
existindo para serem atormentados, porque a Sua justiça no caso não requer
isso, como os aniquilacionistas podem justificar, em termos da justiça de Deus,
o fato dEle os fazer passar por qualquer tipo de tormento após a morte. Por que
a justiça, que desse ponto de vista requer a aniquilação de qualquer forma, não
se satisfaz com uma aniquilação no momento da morte?
Os aniquilacionistas
bíblicos, que não podem escapar da expectativa bíblica da ressurreição final de
crentes e incrédulos para o julgamento, também admitem que haverá alguma dor
imposta após o julgamento e antes da extinção; mas se a justiça de Deus não
requer nada além da aniquilação, e portanto não requer essa dor, ela se torna
uma crueldade desnecessária, sendo Deus assim, consequentemente, acusado de
cometer a mesma falta da qual os aniquilacionistas ansiosamente querem provar
que Ele é inocente e também condenam a corrente principal do pensamento cristão
por sua inferência. Enquanto que, se a justiça de Deus realmente não requer
nenhuma punição em adição à aniquilação, e a contínua hostilidade, rebeldia e
impenitência dos ímpios para com Deus permanece uma realidade após suas mortes,
não haverá momento algum em que seja possível tanto para Deus como para o homem
dizer que castigo suficiente já foi aplicado, que já não merecem mais do que já
receberam, e qualquer punição a mais além disso seria injusta. Dessa forma o
argumento retorna aos seus proponentes como um bumerangue, impelindo-os de
volta e deixando-os sem poder escapar das garras do seu dilema. Basil Atkinson
foi mais sábio e declarou:
“eu tenho
evitado ... qualquer argumento sobre o estado final dos ímpios baseado no
caráter de Deus, o que eu consideraria uma irreverência tentar avaliá-lo” [34].
Sem dúvida ele anteviu as dificuldades a que tal
argumento conduz.
4) O quarto argumento é o de que a alegria dos
santos no céu seria arruinada pelo fato de saberem que alguns continuam debaixo
de merecida punição. Mas não se pode dizer isso de Deus, como se a manifestação
da Sua santidade na punição doesse mais a Ele do que aos ofensores; e desde que
no céu os cristãos serão semelhantes a Deus, amando o que Ele ama e se
regozijando em toda manifestação Sua, incluindo a manifestação da Sua justiça
(na qual os santos, pelas Escrituras, na verdade já se alegram neste mundo),
não há razão para imaginar que a sua alegria eterna será prejudicada dessa
forma [35].
É desagradável contestar
honrados colegas evangélicos através de uma matéria impressa, alguns dos quais
são bons amigos e outros (eu falo particularmente de Atkinson, Wenham e Hughes)
agora já se encontram com Cristo. Portanto, paro por aqui. Meu propósito era
apenas reconsiderar o debate e avaliar a força dos argumentos utilizados, e
isso eu fiz. Eu não estou certo se concordo com Peter Toon quando diz que
“discussão sobre se o inferno significa castigo eterno ou aniquilação após o
juízo ... é tanto perda de tempo como uma tentativa de saber daquilo que não
podemos saber” [36], mas eu estou convencido de
que ele está certo em dizer que o inferno “faz parte do Evangelho” e que “advertir as pessoas para que evitem o
inferno significa que ele é uma realidade” [37].
Todo aquele que se decide por advertir as pessoas para que evitem o inferno
pode andar em comunhão no seu ministério e legitimamente reivindicar ser um
evangélico. Quando John Stott argumenta que “a aniquilação final do ímpio deveria ser aceita como uma alternativa
legítima e biblicamente fundamentada para o eterno e consciente tormento” [38], ele pede demais, pois os fundamentos bíblicos
dessa posição, quando examinados, provam, como vimos, que são inadequados.
Seria errado porém, se essas diferenças de opinião quanto ao assunto levassem
ao rompimento da comunhão. Entretanto seria uma boa coisa se elas fossem
resolvidas.
Notas:
[1] - No Place for
Truth (Nenhum Lugar para Verdade - Grand Rapids: Eerdmans, 1993) de David
Wells e Mark Noll, The Scandal of the Evangelical Mind (O Escândalo da Mente
Evangélica - Grand Rapids: Eerdmans, 1994), contam só parte da história.
Admitindo-se que a teologia evangélica em algumas partes e sobre alguns
aspectos tem sido deformada e fragmentada, a energia que atualmente vem sendo
dedicada para recuperá-la aqui, é notável.
[2] - Detalhes podem ser recolhidos
de LeRoy Edwin Froom, The Conditionalist Faith of Our Fathers (A Fé
Condicional de Nossos Pais - Washington, D. C.: Review and Herald, 2 vols.,
1965-66), e de David J. Powys, “The Nineteenth and Twentieth Century Debates
about Hell and Universalism”, (O Debate sobre Inferno e Universalismo no Século
19 e 20 - Uníversalism, Paternoster Press, e Grand Rapids: Baker, 1992), 93138.
[3] - Eu declarei isto em “The
Problem of Eternal Punishment” (O Problema do Castigo Eterno - Crux XXVI.3 -
23/09/90. John Wenham desafiou fundamentado em que os evangélicos falaram muito
sobre o assunto na segunda metade do século 19, que ele chamou “o auge do
condicionalismo entre evangélicos” (Universalism. ., 181 e nota 27). Mas
conversação e convicção não são a mesma coisa. A evidência para minha afirmação
encontra-se no fato de que três dos “quatro melhores livros que defendem o
aniquilacionismo” segundo Robert A. Peterson, (Hell on Trial - Inferno em
Julgamento - Phillipsburg: Presbyterian & Reformed Publishing, 1995,
161-62); The Righteous Judge, de Harold E. Guillebaud (O Justo Juiz -
publicação independente, 1964); Basil F. C. Atkinson, Life and
lmmortality (Vida e Imortalidade - publicação independente, n.d.c. 1968; e
Edward William Fudge, The Fire That Consumes (O Fogo Que Consome),
não foram publicados por nenhuma publicadora evangélica influente.
[4] - Christianity
Today (Cristianismo Hoje), 20 de março de 1987, 40-41. Pinnock ampliou sua
linha de pensamento em “The Destruction of the Finally Impenitent” (A
Destruição do Impenitente a Final - Criswell Theological Review 4 (Primavera
1990), 243-59.
[5] - Houston: Providential Press,
(Imprensa providencial), 1982. O livro de Fudge foi notado e respondido de
forma breve por Robert UM. Morey, Death and the Afterlife(Morte e a Vida
após a morte - Minneapolis: Bethany House, 1984), 124ff., 205. Uma edição
revisada e reduzida, com as respostas de Fudge aos críticos, apareceu em 1994 (Carlisle,
Reino Unido,: Paternoster Press).
[6] - David L. Edwards e John
Stott, Essenhals (Londres: Hodder & Stoughton, 1988), 313-20.
[7] - Grand Rapids: Eerdmans, e
Leicester, Reino Unido,: Inter-Varsity Press, 1989, 398-407.
[8] - Kenneth Kantzer e Carl F. H. o
Henry, eds., Evangelical Essentials (Grand Rapids: Zondervan, 1990), 107-36.
[9] - A linha de pensamento foi
desenvolvida no artigo de Crux (Ponto Crucial), nota 3.
[10] - Christianity Today
(Cristianismo Hoje), 16 de junho de 1989, 60,; 63.
[11] - Ligonier, Pennsylvania,: Soli
Deo Gloria Publications (Soli Deo Gloria Publicações), 1990.
[12] - Veja nota 2.
[13] - Eastbourne, Reino Unido,:
Kingsway, 1991.
[14] - Bridgend, Reino Unido,:
Evangelical Press of Wales (Imprensa Evangélica de Gales), 1991.
[15] - Wheaton: Bridgepoint Books
(Victor Books), 1992.
[16] - Grand Rapids: Zondervan,
1992.
[17] - Londres: Hodder &
Stoughton, 1992.
[18] - Darlington, Reino Unido,:
Evangelical Press (Imprensa Evangélica), 1993.
[19] - Lanham, Maryland,: United
Press of América, 1995.
[20] - Veja nota 3.
[21] - Para uma consideração geral,
veja David J. Powys, ""The Nineteenth & Twentieth Century Debates
about Hell and Universalism," in Universalism. . ., (Debate sobre Inferno
do Século 19 e 20 e Universalismo), em Universalism. . ., 93-129.
[22] - Além de seus expoentes
evangélicos modernos, o condicionalismo tem tido o apoio de uma grande parte do
protestantismo mundial durante os últimos 150 anos. Veja B. B. Warfield, "
Annihilationism" (Aniquilacionismo-Grand Rapids: Baker, 1981), ix.,
447-57; Peter Toon, Heaven and Hell (Céu e Inferno - Nashville: o Thomas
Nelson, 1986), 17S81;artigos "Annihilationism" (Aniquilacionismo) e
Conditional Immortality" (Imortalidade Condicional - Dicionário Evangélico
de Teologia - Walter UM. Elwell, ed. Grand Rapids: Baker,1984).
[23] - Ibid., 199.
[24] - Ibid., 200-201.
[25] - “Selvageria” é de Michael
Green, Evangelism through the Local Church (Evangelismo pela Igreja Local -
Londres: Hodder & Stoughton, 1990); “sadismo” é de J. W. Wenham, Universalism.
. . (Universalismo ...), 187; as outras duas palavras são de Clark Pinnock,
Criswell Theological Review 4 (1990), 246.
[26] - Wenham, The Enigma of
Evil (O Enigma do Mal - Grand Rapids: Zondervan, 1985), 37-38.
[27] - Stott, Essentials, 315-16.
[28] - Wenham, Universalism ...
(Universalismo...), 162, note 3.
[29] - Atkinson, Life and
lmmortality (Vida e Imortalidade), 101.
[30] - H. E. Guillebaud, The
Righteous Judge (O Justo Juiz), 14.
[31] - Peterson, Hell on Trial
(Inferno em Julgamento), 162. Wenham descreve as páginas de Stott como um
“tratamento leve”, (Universalism. . ., 167). O julgamento de Peterson me parece
mais perspicaz.
[32] - Ibid., 168-69; Stott citando,
Essentials, 316.
[33] - Ibid., 319.
[34] - Ibid., iv.
[35] - Estas sentenças são
principalmente retiradas de Packer, art. cit, 23. 36 Ibid., 201.
[37] - Ibid., 250.
[38] - Ibid., 320.39 Fonte: Revista
Fides Reformata
Dr. James Packer, antigamente
Professor de Teologia no Regent College, Vancouver; desde 1979, Editor Senior
da Chrishanity Today e um professor muito ocupado. Ele disserta amplamente,
escreve extensivamente, e é o distinto autor de numerosos best-sellers. Ele
contribuiu para Reformation & Revival Journal.
Este site da web (monergismo) é uma realização de Felipe Sabino de Araújo
Neto.
=====================================================================
'Estudo realizado na Igreja PorTuaCasa. O intuito do estudo é educar os cristãos em uma teologia Bíblica. A apostila é gratuita e nela contém as referências do autor e do tradutor, respeitando-os.
Mestre na apresentação: Pr Ronaldo José Vicente (ronjvicente@gmail.com/ www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br).
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
[3] John Stott e David L. Edwards, Essentials: A
Liberal-Evangelical Dialogue (London: Hodder and Stoughton, 1988),
pág. 316.
[4] M. McNamara, The New Testament and the Palestinian
Targum to the Pentateuch (New York: Pontifical Biblical Institute,
1978), pág. 123.
[3] Gaspar de Souza; Professor de Teologia Exegética e Apologética no Seminário
Presbiteriano do Norte. Professor Visitante no Seminário Martin Bucer (São José
dos Campos, SP) e na Escola Teológica Charles Spurgeon (Fortaleza, CE).
Mestrando em Teologia Filosófica com Especialização em Exegese Bíblica. Pastor
Efetivo da Igreja Presbiteriana dos Guararapes, Jaboatão dos Guararapes, PE.
[4] Ver William V. Crocket, “The Metaphorical View”, em William
Crockett, ed., Four Views of Hell (Grand Rapids, Mich.:
Zondervan, 1992), págs. 43-81.
[5] Billy Graham, “There is a Real
Hell”, Decision 25 (Julho-Agosto 1984), pág. 2. Noutro
lugar Graham pergunta: “Poderia ser que o fogo do qual Jesus falou é uma eterna
busca de Deus que nunca é satisfeita? Isso, com efeito seria inferno. Estar
separado de Deus para sempre, separado de sua Presença”. Ver The Challenge:
Sermons From Madison Square Garden (Garden City, N.Y.; Doubleday,
1969), pág. 75.
[6] Basil F. C. Atkinson, Life and Immortality:
Examination of the Nature and Meaning of Life and Death as They are Revealed in
The Scriptures (Taunton, England: E. Goodman, n.d.), págs. 85, 86.














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