Estarmos n`Ele antes de irmos para a Guerra
Texto Chave:
Mt 10.1-8, “Tendo
chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos
imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. Ora,
os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e
André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e
Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão,
o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu. A estes doze enviou Jesus,
dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em
cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da
casa de Israel; e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos
céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios;
de graça recebestes, de graça dai”.
Introdução
Relacionamentos
são baseados em tempo de qualidade vividos nos momentos fora das funções missionárias.
Existem responsabilidades que todo pai deve ensinar aos seus filhos, porém,
primeiramente, como fundamento, deve haver momentos de intimidade. Assim, Deus
estabelecia no primeiro homem um caminho de intimidade e depois de responsabilidade:
“...Façamos
o homem à nossa imagem, conforme
a nossa
semelhança; tenha ele domínio...[1]”.
Observe a explicação: façamos o homem da mesma forma que relacionamos. O homem
deve ter uma família e nela momentos de intimidade, qualidade e amor – assim, a
mesma união que há em Nós (Trindade), seja manifestado entre os homens na
Terra. Após isso, – domine ele sobre os animais; ou seja, assuma suas responsabilidades
no qual estamos designando-o. Neste ponto Bill
Johnson comenta:
“Fomos
criados à imagem de Deus, para a intimidade, a fim de que o domínio pudesse ser
expresso por intermédio do amor” (Bill Johnson. 2003, pg.28).
Para
fecharmos essa introdução devemos compreender. O homem foi criado para viver
primeiramente um relacionamento genuíno com Deus e através disso, gerar ações
responsáveis. Da mesma forma, produzirá isso com seus filhos ou com os seus discípulos.
1. Chamados exclusivamente para Ele.
Quando
notamos o inicio do versículo de Mateus conseguimos entender o seu verdadeiro
propósito: “Tendo chamado os seus doze
discípulos...[2]”.
Isso é mais claro quando relembramos aquilo que o próprio Senhor menciona; ser
o Bom Pastor que chama suas ovelhas
pelo nome: “...ele chama pelo nome as
suas próprias ovelhas e as conduz para fora[3]”. Lembre-se
de Lázaro: “...Lázaro, vem para fora![4]”.
Lembre-se dos discípulos, Pedro e André:
“...Vinde após mim, e eu vos farei
pescadores de homens[5]”. Necessitamos
entender este chamado; primeiramente não visa uma missão, porém, visa exclusivamente
um relacionamento.
O
desenvolver do relacionamento desenvolve-se a responsabilidade da vocação. O
próprio Cristo diz: “E eu, quando for
levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo[6]”, ou
seja; arrancarei meus filhos das garras de satanás e os tomarei para estarem em
meus braços. Em segurança estarão e quando assim fizer, lhes darei; “...a vida eterna; jamais perecerão, e
ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que
tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar[7]”.
Ao
voltarmos para o primeiro versículo de Mateus
no capítulo dez, observamos Jesus chamando-os
para si. A palavra chamar no
original grego é προσκαλεομαι, (proskaleomai)
que tem o sentido de “convocação”. As
reuniões mais importantes no Antigo Testamento eram chamadas de convocações solenes[8]. Essas
reuniões visavam conhecer a vontade de Deus. Era um momento importante de Deus
com o seu povo. Um momento marcante entre o Senhor e os líderes da congregação.
Rienecker comenta:
Jesus chama os doze para junto de si. Antes de iniciarem seu serviço,
seu serviço missionário, eles têm de chegar primeiro ao Senhor, a fim de
receberam dele a vocação e a autorização. Somente depois disso poderão cumprir
sua missão, sua tarefa, somente então poderão ir às pessoas. Isso é digno de
nota. O envio somente é possível a partir da vocação pessoal (RIENECKER. 1997,
p.111).
Henry
comenta:
Cristo deu-lhes poder para curar toda a doença. Na graça do evangelho há
um escravo para cada ferida, um remédio para cada doença. Não existe uma doença
espiritual, mas existe um poder em Cristo pela cura dela. Os nomes são
gravados, e é a honra deles; mas eles tiveram mais motivos para se alegrar de
que seus nomes estivessem escritos no céu, enquanto os altos e poderosos nomes
dos grandes da terra estão enterrados no pó (RENRY’S)[9]
Cristo
chama seus discípulos porque deseja comunicar algo importante. É a missão sendo
confiada à aqueles que estão ao lado do Senhor. Entretanto, a missão não é uma
confirmação de que aqueles que estão com Cristo, são realmente seus filhos,
pois vemos a figura de Judas (vs 4, “...Judas
Iscariotes, que foi quem o traiu”). A confirmação baseia-se primordialmente
naqueles que entendem que, antes da expressão da missão, há o tempo de
intimidade, de zelo e do conhecimento:
“Conheçamos
e prossigamos em conhecer ao SENHOR...” (Os 6.3)
No
texto de Oseias existe uma resposta
humana. O homem é incentivado a correr intensamente atrás do Senhor. Usar todas
as suas forças para descobrir os segredos de Deus. Observe a palavra conhecer em hebraico: ידע yada`- que quer dizer; aprender a conhecer, perceber, ver, descobrir e discernir, distinguir,
saber por experiência, reconhecer, admitir, confessar, compreender, considerar, estar familiarizado. Observe
também a palavra prosseguir em
hebraico: רדפּ radaph – que pode ser entendido também como: estar atrás, seguir, perseguir, correr atrás,
seguir no encalço de, acompanhar, procurar obter, buscar ardentemente, procurar
alcançar ardentemente, perseguir[10].
2. Mortos antes de
partir para a Missão
Neste caminho de sermos
chamados exclusivamente para o Senhor, deve ocorrer também um desejo interno de
desejá-lO intensamente. Isso torna-nos aptos para a fidelidade na vocação. O
Senhor envia, aqueles que morrem para o mundo e vivem uma nova vida proposta
por Ele; “A estes doze enviou Jesus...[11]”.
Nesta pequena frase há uma enorme obrigação de entendermos dois pontos:
A) Aquele que é
enviado não possui autonomia. Entende-se autonomia como um termo de origem
grega cujo significado está relacionado com independência,
liberdade ou autossuficiência[12].
Ao contrário do que isso propõe, podemos enfatizar a morte do “eu”, naqueles que desejam a Cristo, pelo
fato de todos que querem segui-lo receberem a mensagem de carregar a própria
cruz; deixar sua família, bens e outros valores importantes:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do
que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim
não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de
mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha
causa achá-la-á” (Mt 10.37-39).
“Grandes multidões o acompanhavam, e
ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e
mãe", e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida,
não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim
não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27).
Todos estes versículos
mostram que aquele que é enviado, passou pelo processo de destruição do próprio
“eu”. Nega-se desejos internos em
busca de um valor eterno: “E, assim, se
alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que
se fizeram novas[13]”.
Através deste caminho de compreensão, entendemos a vida de James Calvert[14]
e sua resposta ao ser confrontado em uma missão:
Quando James Calvert saiu como missionário para os
canibais das ilhas Fiji. O capitão do navio tentou mudar seu pensamento,
tentando persuadi-lo para voltar, dizendo:
- Você vai perder a sua vida e as vidas daqueles que
estão com você, se for entre tais selvagens.
Calvert respondeu: - Nós já morremos antes de virmos
para cá.
Os enviados podem ser
comparados a uma flecha. Ela não tem autonomia,
foi criada para atingir um determinado alvo escolhido por aquele que a lança. A
flecha seguirá submissa a força do que a envia. Ela não reclama, não sugere,
não teima e não se rebela contra um foco estabelecido; ela apenas obedece. Paul Cain explica o que é morrer segundo
as Escrituras:
"Mas o
que significa morrer a ti mesmo? Um bloqueio ou interrupção do curso normal de
tua vida pela intervenção de Deus, isso é morrer a ti mesmo. Quando todos te
esquecem ou te descuidam, ou a propósito te colocam de lado, e tu não alimentas
tua dor, nem permites ao insulto ou ao desprezo ferir teu interior, senão que
pelo contrário, consideras uma honra o poder sofrer por Cristo, isso é morrer a
ti mesmo. Quando ainda daquele que fazes bem é criticado, e teus desejos são
contrariados, teu conselho desprezado e tua opinião ridicularizada, e
entretanto assim tu te recusas a deixar subir a ira a teu coração e não tomas
nenhuma iniciativa para defender-te, senão que aceitas tudo com paciência e
amor, isso é morrer a ti mesmo. Quando nunca fazes questão de ser citado ou
reconhecido por outros, ou de divulgar tuas boas obras, senão que
verdadeiramente tens prazer em ser desconhecido, isso é morrer a ti mesmo.
Quando vês a teu irmão prosperar e que suas necessidades sejam supridas, e tu
podes honestamente regozijar-te com ele no espírito, sem sentir inveja, nem
questionar a Deus, apesar de ter tuas necessidades muito maiores que as dele e
estar em circunstâncias muito mais desesperantes, isso é morrer a ti mesmo.
Quando puderes receber correção e repreensão de pessoas que tem uma estatura e
maturidade menor que a tua, e puderes submeter-te humildemente por dentro e não
tão somente por fora, sem que surja ressentimento nem amargura em teu coração,
isso é morrer a ti mesmo". (Paul Cain. Alerta para la Iglesia. Mensaje en
Kansas, USA, diciembre./98.).
B) O enviado possui
Heteronomia: Heteronomia
significa dependência, submissão e obediência. É um sistema de ética
segundo o qual as normas de conduta provêm de fora. Para este sentido podemos
usar o texto Bíblico que compara os filhos à flechas sendo lançadas pelos pais:
Herança do SENHOR são os filhos; o
fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os
filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será
envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta (Sl 127.3-5).
A responsabilidade do
cumprimento da nossa missão não está no fato de a realizarmos corretamente,
segundo a nossa administração. O segredo dos discípulos na realização e no
sucesso da missão em Mateus dez é serem comparados a uma flecha. A função do discípulo
é estar submisso ao envio no alvo que o Senhor determinar. A responsabilidade
da concretização da missão está nas mãos daquele que possui o arco em suas
mãos. Por isso Cristo diz no versículo cinco: “A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções...[15]”.
Só teremos sucesso na missão confiando que aquele que nos envia, possui
perfeita condições de acertar o alvo. O sucesso do nosso chamado é estar
inteiramente submisso, Aquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua
vontade:
“...predestinados segundo o propósito
daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade...[16]”
3. Seguindo e se
submetendo totalmente a Sua vontade
Canção de
George Matheson
Torna-me cativo, Senhor. Assim eu serei
livre.
Obriga-me a entregar-te minha espada, e
assim serei o vencedor.
Quando confio em mim mesmo, naufrago
nos problemas da vida.
Aprisiona-me em teus braços e minha mão
será forte.
Meu coração é fraco e pobre enquanto
não encontrar um Senhor.
Ele não possui uma atitude segura,
varia conforme o vento.
Ele não poderá ser livre, enquanto não
o prenderes com a Tua corrente.
Cativa-o com teu imaculado amor e ele
reinará imortal.
Minha força é pouca e fraca, enquanto
eu não aprender a servir-te.
Ela não possui o fogo necessário; Ela
não possui o vento que irá fortalecê-la.
Ela não poderá conduzir o mundo,
enquanto ela mesma não for conduzida.
Sua bandeira só poderá ser desfraldada,
se tu soprares do céu.
Minha vontade não será de fato minha,
enquanto não a tornares Tua.
Se ela chegar ao trono de um rei, terás
que renunciar à coroa.
Ela só permanecerá de pé, em meio às
lutas da vida,
quando em teu peito tiver-se reclinado.
E achado em ti sua vida.
Meu coração é fraco e pobre enquanto
não encontrar um Senhor[17].
2. Para ter autoridade preciso
reconhecer uma autoridade
Mt 10.1, “Tendo
chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos
imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades”.
O texto de Mateus mostra que Jesus deu autoridade
para seus discípulos. Conforme já vimos, antes de Jesus entregar funções,
primeiramente ele visava um relacionamento. Entretanto, no caminho deste
desenvolvimento, existe o reconhecimento de Sua autoridade. Não há como
desejarmos ter autoridade, se antes, não reconhecermos ela em Cristo. O
princípio de termos autoridade sobre outros, ou sobre o mundo espiritual é
primeiramente, aprendermos a submissão.
Cristo é o modelo perfeito de submissão:
Ele, Jesus, nos dias da sua carne,
tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia
livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo
Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido
aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe
obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de
Melquisedeque (H 5.7-10).
Jesus permitiu submeter-se as leis dos homens, de
forma moral, social e natural. Por meio deste caminho, obteve mais e mais
autoridade para cumprir a missão que o Pai lhe designara (Jo 5.19-27). Este é o
modelo perfeito no qual o Senhor deseja que andemos. Vejamos o que Calvino diz:
Ele fez isso em nosso benefício,
para apresentar-nos o exemplo e o padrão de sua própria submissão, mesmo em
face da própria morte. Ao mesmo tempo, pode-se dizer realmente que Cristo, por
sua morte, aprendeu perfeitamente o que significava obedecer a Deus, já que
esse era o ponto no qual ele atingiu sua maior auto-renúncia (CALVINO, 2012. p.
130).
Através da vida de Jesus podemos aprender: sua
humildade ao submeter-se e ser batizado por João Batista (Mt 3.13-17);
permitir-se ser conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo
(Mt 4.1); assentava-se para comer com pecadores (Mt 9.10); passava longos dias
viajando para pregar o evangelho, curando pessoas (Mt 9.35); pagava tributo (Mt
17.24-27); ensinava que para ser grande no reino dos céus, deveria ser humilde
como uma criança (Mt 18.1-4); Ele mesmo purifica o templo, expulsando dali
aqueles que compravam e vendiam (Mt 21.12-17); permite ser traído e preso (Mt
26.47-56); lava os pés dos discípulos (Jo 13.1-9).
Quando a mãe de Tiago ousa pedir a ele uma posição de
autoridade no reino, Ele menciona seu caminho de serviço e como deverá ser no
Reino de Deus:
Então, Jesus, chamando-os, disse:
Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem
autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser
tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o
primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio
para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt
20.25-28).
O comentarista Champlin comenta:
A
aristocracia do reino de Cristo é formada de servos e escravos, aqueles que se
têm despedido de sua grandeza pessoal e aceitado a grandeza espiritual do
humilde Jesus de Nazaré. Quão contrário isso é às nossas naturezas, pois todos
nós preferimos conservar a atitude de Napoleão. Julgando tudo segundo os
padrões terrenos! Quão repleta está ainda a igreja de ódio, contenda,
descontentamento e muitas luta para obtenção das posições chaves! Quantas
igrejas se têm cindido, tornando-se estéreis e repugnantes aos sentidos
espirituais porque os homens dominam sobre outros homens, porque os homens
traem o espirito de Cristo e desejam governar ou arruinar! Quão grande é a lição
que ainda devemos aprender antes de apresentarmos qualquer coisa que seja uma
autêntica expressão de Jesus a este mundo, na igreja! Quão equivocados temos
estado em nossa compreensão sobre as exigências da ética crista. Quão bem
sabemos o que Jesus disse; e no entanto, quão raramente obedecemos o que ele
ordenou! Paulo deixou-nos exemplo, porque embora fosse grande á sua maneira,
antes de sua conversão, tornou-se servo de todos os homens, para que pudesse
conquistar alguns a Cristo. Ao assim agir, tornou-se um dos lideres entre os homens,
embora se reputasse o último dus apóstolos, ou melhor, o menor do último de
todos os santos (CHAMPLIN, 2000, p.594)
2.1 A autoridade de Jesus
Já observamos o caminho do serviço que Cristo
percorreu sobre a Terra. Este caminho de serviço é o desenvolvimento que
necessitamos, para termos reconhecimento da nossa autoridade na missão. O
reconhecimento da nossa autoridade, apenas torna-se consequência, quando
reconhecemos as autoridades estabelecidas por Deus. Jesus reconhece e respeita
a autoridade na vida de Pilatos: “...Nenhuma
autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...” (Jo 19.11).
Ao notarmos este caminho de reconhecimento do próprio
Senhor em relação as autoridades, observamos como assim crescia no
reconhecimento entre o povo:
Quando Jesus acabou de proferir
estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele
as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas...Ora, para que
saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados
-- disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua
casa. E, levantando-se, partiu para sua casa. Vendo isto, as multidões,
possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos
homens...Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser
isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e
eles lhe obedecem! Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções,
por toda a circunvizinhança da Galiléia...E desceu a Cafarnaum, cidade da
Galiléia, e os ensinava no sábado. E muito se maravilhavam da sua doutrina,
porque a sua palavra era com autoridade...Todos ficaram grandemente admirados e
comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder,
ordena aos espíritos imundos, e eles saem? E a sua fama corria por todos os
lugares da circunvizinhança. (Mt 7.28,29; 9.6-8; Mc 1.27,28; Lc 4.31,32;
4.36,37).
A autoridade exercida por Jesus produzia a vida de
Deus nas pessoas. Nesta mesma autoridade, (nós) representamos Deus na Terra.
Sobre nossos ombros recai a responsabilidade de sermos luz do mundo e o sal da
terra (Mt 5.13,14). A autoridade de Cristo não é apenas o exercício de poder e,
através dele, fazer com que as pessoas sejam escravas; mas, o contrário: servir
as pessoas naquilo que precisam - para que através desta ação sejam tocadas em
seus corações. Por isso, Cristo rejeita a autoridade oferecida pelo diabo, pois
ela visava a deturpação da verdadeira autoridade representativa de Deus:
E, elevando-o, mostrou-lhe, num
momento, todos os reinos do mundo. Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta
autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem
eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua. Mas Jesus lhe
respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto
(Lc 4.5-8)
2.2 A Autoridade do reino e, seu poder
“...deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos
para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 10.1)
Quando reconhecemos a força de uma autoridade,
respeitamos aquilo que ela representam e aquilo que exerce. Governos possuem
autoridade para praticar a justiça. Pais possuem poder e autoridade sobre seus
filhos. Líderes possuem autoridade para proteger seus seguidores. Profissionais
da saúde possuem autoridade para curar as pessoas. Entretanto, ao seguirmos
este caminho de autoridade, deparamos com a autoridade do reino de Deus. Ela é
um tipo de autoridade que exerce poder sobre as autoridades estabelecidas. O
reino de Deus não é a destruição das autoridades estabelecidas, porém, é a
influência para que elas se submetam de maneira justa ao Criador. Este era o
tipo de poder que Jesus estava entregando nas mãos dos discípulos:
E, em qualquer cidade ou povoado em
que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. Ao
entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela
a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém
não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou
daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor
haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade (Mt
10.11-15)
O poder de liberar a paz em uma cidade ou para uma
família, era a declaração de que aquele lugar, ou aquela autoridade que a
representava – deveria se submeter a ordem do reino. Para entendermos a força
desta palavra, precisamos lembrar que todo o mundo estava em trevas, ou seja,
todos estávamos debaixo da ira de Deus; Cristo, o Cordeiro, é aquele que nos
trouxe paz diante de Deus:
O anjo, porém, lhes disse: Não
temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o
povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o
Senhor... E, subitamente, apareceu com o anjo
uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas
maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. (Lc
2.10,11,13,14)
Os discípulos enviados por Jesus tinham a função de
se aproximar das autoridades estabelecidas com a mensagem: “...Arrependei-vos, porque está próximo o reino
dos céus” (Mt 4.17), ou seja:
“Arrependam-se de terem exercido sua autoridade de
forma autônoma. Reconheçam agora! O Salvador e Senhor! No qual, vocês devem se
submeter, e prestar contas de tudo aquilo que realizam. Assim, vocês terão paz
diante Daquele que está no trono”.
Os doze eram emissários de Jesus.
Aqueles que os recebiam, recebiam a Jesus (“Quem vos recebe a mim me recebe; e
quem me recebe, recebe aquele que me enviou” v.40). A saudação deles tinha
valor verdadeiro por causa de seu relacionamento com ele. A perda da saudação
deles equivalia à perda da presença deles e, portanto à perda de Jesus. A
família de Potifar foi abençoada por causa da presença de José (Gn 39.3-5). E
muito mais o seriam essas casas que acolheram os apóstolos do Messias! O que
era verdade para a casa se aplicava igualmente à cidade (v.14). O judeu
piedoso, ao deixar o território gentio, devia remover de seus pés e roupa toda
poeira da terra pagã, agora, sendo deixada para trás, desassociando-se, assim,
da poluição dessas terras e do julgamento que as aguardava. Os discípulos
fazerem isso para casa e cidades judias seria uma forma simbólica de dizer que,
agora, os emissários do Messias viam esses lugares como pagãos, poluídos e
passíveis de julgamento (At 13.51; 18.6). Os atos, embora excessivamente
chocantes, estão de acordo com Mateus 8.11,12; 11.20-24. Sodoma e Gomorra
enfrentaram destruição catastrófica por causa de seu pecado (Gn 19) e se
tornaram exemplo de corrupção repugnante (Is 1.9; Mt 11.22-24; Lc 17.29; Rm
9.29; 2Pd 2.6; Jd 7). Embora haja coisa ainda pior a vir para eles no Dia do
julgamento, há julgamento ainda mais terrível à espera dos que rejeitam a
palavra e os mensageiros do Messias (Hb 2.1-3) (CARSON, 2010. p.294)
Bibliografia
RIENECKER, Fritz. Comentário Esperança. Evangelho de
Mateus. Ed Esperança, Curitiba, 1997.
JOHNSON, Bill. Quando o céu invade a terra. Ed Vida,
São Paulo: 2003.
CALVINO, João. Hebreus. Ed Fiel, São Paulo: 2012.
CARSON, D.A. Comentário de Mateus. Shed, São Paulo:
2010
CHAMPLIN, R.N. Comentário, o Novo Testamento
Interpretado. Candeia, São Paulo, 2000.
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
[14] James Calvert (1813-1892), missionário Metodista
Wesleyana, nasceu em 03 de janeiro de 1813 em Pickering, Yorkshire, Inglaterra,
filho de David Calvert.











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