Estarmos n`Ele antes de irmos para a Guerra


Texto Chave:

Mt 10.1-8, “Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu. A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai”.

Introdução


Relacionamentos são baseados em tempo de qualidade vividos nos momentos fora das funções missionárias. Existem responsabilidades que todo pai deve ensinar aos seus filhos, porém, primeiramente, como fundamento, deve haver momentos de intimidade. Assim, Deus estabelecia no primeiro homem um caminho de intimidade e depois de responsabilidade:

“...Façamos o homem à nossa imagem, conforme
a nossa semelhança; tenha ele domínio...[1]”.

Observe a explicação: façamos o homem da mesma forma que relacionamos. O homem deve ter uma família e nela momentos de intimidade, qualidade e amor – assim, a mesma união que há em Nós (Trindade), seja manifestado entre os homens na Terra. Após isso, – domine ele sobre os animais; ou seja, assuma suas responsabilidades no qual estamos designando-o. Neste ponto Bill Johnson comenta:  

“Fomos criados à imagem de Deus, para a intimidade, a fim de que o domínio pudesse ser expresso por intermédio do amor” (Bill Johnson. 2003, pg.28).

Para fecharmos essa introdução devemos compreender. O homem foi criado para viver primeiramente um relacionamento genuíno com Deus e através disso, gerar ações responsáveis. Da mesma forma, produzirá isso com seus filhos ou com os seus discípulos. 

1. Chamados exclusivamente para Ele. 


Quando notamos o inicio do versículo de Mateus conseguimos entender o seu verdadeiro propósito: “Tendo chamado os seus doze discípulos...[2]”. Isso é mais claro quando relembramos aquilo que o próprio Senhor menciona; ser o Bom Pastor que chama suas ovelhas pelo nome: “...ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora[3]”. Lembre-se de Lázaro: “...Lázaro, vem para fora![4]”. Lembre-se dos discípulos, Pedro e André: “...Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens[5]”. Necessitamos entender este chamado; primeiramente não visa uma missão, porém, visa exclusivamente um relacionamento.
O desenvolver do relacionamento desenvolve-se a responsabilidade da vocação. O próprio Cristo diz: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo[6]”, ou seja; arrancarei meus filhos das garras de satanás e os tomarei para estarem em meus braços. Em segurança estarão e quando assim fizer, lhes darei; “...a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar[7]”.    
Ao voltarmos para o primeiro versículo de Mateus no capítulo dez, observamos Jesus chamando-os para si.  A palavra chamar no original grego é προσκαλεομαι, (proskaleomai) que tem o sentido de “convocação”. As reuniões mais importantes no Antigo Testamento eram chamadas de convocações solenes[8]. Essas reuniões visavam conhecer a vontade de Deus. Era um momento importante de Deus com o seu povo. Um momento marcante entre o Senhor e os líderes da congregação. Rienecker comenta:  

Jesus chama os doze para junto de si. Antes de iniciarem seu serviço, seu serviço missionário, eles têm de chegar primeiro ao Senhor, a fim de receberam dele a vocação e a autorização. Somente depois disso poderão cumprir sua missão, sua tarefa, somente então poderão ir às pessoas. Isso é digno de nota. O envio somente é possível a partir da vocação pessoal (RIENECKER. 1997, p.111).  

Henry comenta:

Cristo deu-lhes poder para curar toda a doença. Na graça do evangelho há um escravo para cada ferida, um remédio para cada doença. Não existe uma doença espiritual, mas existe um poder em Cristo pela cura dela. Os nomes são gravados, e é a honra deles; mas eles tiveram mais motivos para se alegrar de que seus nomes estivessem escritos no céu, enquanto os altos e poderosos nomes dos grandes da terra estão enterrados no pó (RENRY’S)[9]

Cristo chama seus discípulos porque deseja comunicar algo importante. É a missão sendo confiada à aqueles que estão ao lado do Senhor. Entretanto, a missão não é uma confirmação de que aqueles que estão com Cristo, são realmente seus filhos, pois vemos a figura de Judas (vs 4, “...Judas Iscariotes, que foi quem o traiu”). A confirmação baseia-se primordialmente naqueles que entendem que, antes da expressão da missão, há o tempo de intimidade, de zelo e do conhecimento:  

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR...” (Os 6.3)

No texto de Oseias existe uma resposta humana. O homem é incentivado a correr intensamente atrás do Senhor. Usar todas as suas forças para descobrir os segredos de Deus. Observe a palavra conhecer em hebraico: ידע yada`- que quer dizer; aprender a conhecer, perceber, ver, descobrir e discernir, distinguir, saber por experiência, reconhecer, admitir, confessar, compreender, considerar, estar familiarizado. Observe também a palavra prosseguir em hebraico: רדפּ radaph – que pode ser entendido também como: estar atrás, seguir, perseguir, correr atrás, seguir no encalço de, acompanhar, procurar obter, buscar ardentemente, procurar alcançar ardentemente, perseguir[10].  

2. Mortos antes de partir para a Missão


Neste caminho de sermos chamados exclusivamente para o Senhor, deve ocorrer também um desejo interno de desejá-lO intensamente. Isso torna-nos aptos para a fidelidade na vocação. O Senhor envia, aqueles que morrem para o mundo e vivem uma nova vida proposta por Ele; “A estes doze enviou Jesus...[11]”. Nesta pequena frase há uma enorme obrigação de entendermos dois pontos:

A) Aquele que é enviado não possui autonomia. Entende-se autonomia como um termo de origem grega cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou autossuficiência[12]. Ao contrário do que isso propõe, podemos enfatizar a morte do “eu”, naqueles que desejam a Cristo, pelo fato de todos que querem segui-lo receberem a mensagem de carregar a própria cruz; deixar sua família, bens e outros valores importantes:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.37-39).


“Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe", e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25-27).
   
Todos estes versículos mostram que aquele que é enviado, passou pelo processo de destruição do próprio “eu”. Nega-se desejos internos em busca de um valor eterno: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas[13]”. Através deste caminho de compreensão, entendemos a vida de James Calvert[14] e sua resposta ao ser confrontado em uma missão:   

Quando James Calvert saiu como missionário para os canibais das ilhas Fiji. O capitão do navio tentou mudar seu pensamento, tentando persuadi-lo para voltar, dizendo:
- Você vai perder a sua vida e as vidas daqueles que estão com você, se for entre tais selvagens.
Calvert respondeu: - Nós já morremos antes de virmos para cá.

Os enviados podem ser comparados a uma flecha. Ela não tem autonomia, foi criada para atingir um determinado alvo escolhido por aquele que a lança. A flecha seguirá submissa a força do que a envia. Ela não reclama, não sugere, não teima e não se rebela contra um foco estabelecido; ela apenas obedece. Paul Cain explica o que é morrer segundo as Escrituras:

"Mas o que significa morrer a ti mesmo? Um bloqueio ou interrupção do curso normal de tua vida pela intervenção de Deus, isso é morrer a ti mesmo. Quando todos te esquecem ou te descuidam, ou a propósito te colocam de lado, e tu não alimentas tua dor, nem permites ao insulto ou ao desprezo ferir teu interior, senão que pelo contrário, consideras uma honra o poder sofrer por Cristo, isso é morrer a ti mesmo. Quando ainda daquele que fazes bem é criticado, e teus desejos são contrariados, teu conselho desprezado e tua opinião ridicularizada, e entretanto assim tu te recusas a deixar subir a ira a teu coração e não tomas nenhuma iniciativa para defender-te, senão que aceitas tudo com paciência e amor, isso é morrer a ti mesmo. Quando nunca fazes questão de ser citado ou reconhecido por outros, ou de divulgar tuas boas obras, senão que verdadeiramente tens prazer em ser desconhecido, isso é morrer a ti mesmo. Quando vês a teu irmão prosperar e que suas necessidades sejam supridas, e tu podes honestamente regozijar-te com ele no espírito, sem sentir inveja, nem questionar a Deus, apesar de ter tuas necessidades muito maiores que as dele e estar em circunstâncias muito mais desesperantes, isso é morrer a ti mesmo. Quando puderes receber correção e repreensão de pessoas que tem uma estatura e maturidade menor que a tua, e puderes submeter-te humildemente por dentro e não tão somente por fora, sem que surja ressentimento nem amargura em teu coração, isso é morrer a ti mesmo". (Paul Cain. Alerta para la Iglesia. Mensaje en Kansas, USA, diciembre./98.).

B) O enviado possui Heteronomia: Heteronomia significa dependência, submissão e obediência. É um sistema de ética segundo o qual as normas de conduta provêm de fora. Para este sentido podemos usar o texto Bíblico que compara os filhos à flechas sendo lançadas pelos pais:


Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta (Sl 127.3-5).

A responsabilidade do cumprimento da nossa missão não está no fato de a realizarmos corretamente, segundo a nossa administração. O segredo dos discípulos na realização e no sucesso da missão em Mateus dez é serem comparados a uma flecha. A função do discípulo é estar submisso ao envio no alvo que o Senhor determinar. A responsabilidade da concretização da missão está nas mãos daquele que possui o arco em suas mãos. Por isso Cristo diz no versículo cinco: “A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções...[15]”. Só teremos sucesso na missão confiando que aquele que nos envia, possui perfeita condições de acertar o alvo. O sucesso do nosso chamado é estar inteiramente submisso, Aquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade:

“...predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade...[16]
 
3. Seguindo e se submetendo totalmente a Sua vontade


Canção de George Matheson

Torna-me cativo, Senhor. Assim eu serei livre.
Obriga-me a entregar-te minha espada, e assim serei o vencedor.
Quando confio em mim mesmo, naufrago nos problemas da vida.
Aprisiona-me em teus braços e minha mão será forte.

Meu coração é fraco e pobre enquanto não encontrar um Senhor.

Ele não possui uma atitude segura, varia conforme o vento.
Ele não poderá ser livre, enquanto não o prenderes com a Tua corrente.
Cativa-o com teu imaculado amor e ele reinará imortal.

Minha força é pouca e fraca, enquanto eu não aprender a servir-te.
Ela não possui o fogo necessário; Ela não possui o vento que irá fortalecê-la.
Ela não poderá conduzir o mundo, enquanto ela mesma não for conduzida.
Sua bandeira só poderá ser desfraldada, se tu soprares do céu.
Minha vontade não será de fato minha, enquanto não a tornares Tua.
Se ela chegar ao trono de um rei, terás que renunciar à coroa.
Ela só permanecerá de pé, em meio às lutas da vida,
quando em teu peito tiver-se reclinado. E achado em ti sua vida.

Meu coração é fraco e pobre enquanto não encontrar um Senhor[17].



2. Para ter autoridade preciso reconhecer uma autoridade


Mt 10.1, “Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades”.

O texto de Mateus mostra que Jesus deu autoridade para seus discípulos. Conforme já vimos, antes de Jesus entregar funções, primeiramente ele visava um relacionamento. Entretanto, no caminho deste desenvolvimento, existe o reconhecimento de Sua autoridade. Não há como desejarmos ter autoridade, se antes, não reconhecermos ela em Cristo. O princípio de termos autoridade sobre outros, ou sobre o mundo espiritual é primeiramente, aprendermos a submissão. Cristo é o modelo perfeito de submissão:

Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (H 5.7-10).     

Jesus permitiu submeter-se as leis dos homens, de forma moral, social e natural. Por meio deste caminho, obteve mais e mais autoridade para cumprir a missão que o Pai lhe designara (Jo 5.19-27). Este é o modelo perfeito no qual o Senhor deseja que andemos. Vejamos o que Calvino diz:

Ele fez isso em nosso benefício, para apresentar-nos o exemplo e o padrão de sua própria submissão, mesmo em face da própria morte. Ao mesmo tempo, pode-se dizer realmente que Cristo, por sua morte, aprendeu perfeitamente o que significava obedecer a Deus, já que esse era o ponto no qual ele atingiu sua maior auto-renúncia (CALVINO, 2012. p. 130).        

Através da vida de Jesus podemos aprender: sua humildade ao submeter-se e ser batizado por João Batista (Mt 3.13-17); permitir-se ser conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mt 4.1); assentava-se para comer com pecadores (Mt 9.10); passava longos dias viajando para pregar o evangelho, curando pessoas (Mt 9.35); pagava tributo (Mt 17.24-27); ensinava que para ser grande no reino dos céus, deveria ser humilde como uma criança (Mt 18.1-4); Ele mesmo purifica o templo, expulsando dali aqueles que compravam e vendiam (Mt 21.12-17); permite ser traído e preso (Mt 26.47-56); lava os pés dos discípulos (Jo 13.1-9).
Quando a mãe de Tiago ousa pedir a ele uma posição de autoridade no reino, Ele menciona seu caminho de serviço e como deverá ser no Reino de Deus:    

Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.25-28).

O comentarista Champlin comenta:

A aristocracia do reino de Cristo é formada de servos e escravos, aqueles que se têm despedido de sua grandeza pessoal e aceitado a grandeza espiritual do humilde Jesus de Nazaré. Quão contrário isso é às nossas naturezas, pois todos nós preferimos conservar a atitude de Napoleão. Julgando tudo segundo os padrões terrenos! Quão repleta está ainda a igreja de ódio, contenda, descontentamento e muitas luta para obtenção das posições chaves! Quantas igrejas se têm cindido, tornando-se estéreis e repugnantes aos sentidos espirituais porque os homens dominam sobre outros homens, porque os homens traem o espirito de Cristo e desejam governar ou arruinar! Quão grande é a lição que ainda devemos aprender antes de apresentarmos qualquer coisa que seja uma autêntica expressão de Jesus a este mundo, na igreja! Quão equivocados temos estado em nossa compreensão sobre as exigências da ética crista. Quão bem sabemos o que Jesus disse; e no entanto, quão raramente obedecemos o que ele ordenou! Paulo deixou-nos exemplo, porque embora fosse grande á sua maneira, antes de sua conversão, tornou-se servo de todos os homens, para que pudesse conquistar alguns a Cristo. Ao assim agir, tornou-se um dos lideres entre os homens, embora se reputasse o último dus apóstolos, ou melhor, o menor do último de todos os santos (CHAMPLIN, 2000, p.594)

2.1 A autoridade de Jesus


Já observamos o caminho do serviço que Cristo percorreu sobre a Terra. Este caminho de serviço é o desenvolvimento que necessitamos, para termos reconhecimento da nossa autoridade na missão. O reconhecimento da nossa autoridade, apenas torna-se consequência, quando reconhecemos as autoridades estabelecidas por Deus. Jesus reconhece e respeita a autoridade na vida de Pilatos: “...Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...” (Jo 19.11).  
Ao notarmos este caminho de reconhecimento do próprio Senhor em relação as autoridades, observamos como assim crescia no reconhecimento entre o povo:

Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas...Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados -- disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. E, levantando-se, partiu para sua casa. Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens...Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia...E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava no sábado. E muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade...Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra é esta, pois, com autoridade e poder, ordena aos espíritos imundos, e eles saem? E a sua fama corria por todos os lugares da circunvizinhança. (Mt 7.28,29; 9.6-8; Mc 1.27,28; Lc 4.31,32; 4.36,37).

A autoridade exercida por Jesus produzia a vida de Deus nas pessoas. Nesta mesma autoridade, (nós) representamos Deus na Terra. Sobre nossos ombros recai a responsabilidade de sermos luz do mundo e o sal da terra (Mt 5.13,14). A autoridade de Cristo não é apenas o exercício de poder e, através dele, fazer com que as pessoas sejam escravas; mas, o contrário: servir as pessoas naquilo que precisam - para que através desta ação sejam tocadas em seus corações. Por isso, Cristo rejeita a autoridade oferecida pelo diabo, pois ela visava a deturpação da verdadeira autoridade representativa de Deus:

E, elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo. Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto (Lc 4.5-8)

2.2  A Autoridade do reino e, seu poder


“...deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 10.1)

Quando reconhecemos a força de uma autoridade, respeitamos aquilo que ela representam e aquilo que exerce. Governos possuem autoridade para praticar a justiça. Pais possuem poder e autoridade sobre seus filhos. Líderes possuem autoridade para proteger seus seguidores. Profissionais da saúde possuem autoridade para curar as pessoas. Entretanto, ao seguirmos este caminho de autoridade, deparamos com a autoridade do reino de Deus. Ela é um tipo de autoridade que exerce poder sobre as autoridades estabelecidas. O reino de Deus não é a destruição das autoridades estabelecidas, porém, é a influência para que elas se submetam de maneira justa ao Criador. Este era o tipo de poder que Jesus estava entregando nas mãos dos discípulos:  

E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do Juízo, do que para aquela cidade (Mt 10.11-15)  

O poder de liberar a paz em uma cidade ou para uma família, era a declaração de que aquele lugar, ou aquela autoridade que a representava – deveria se submeter a ordem do reino. Para entendermos a força desta palavra, precisamos lembrar que todo o mundo estava em trevas, ou seja, todos estávamos debaixo da ira de Deus; Cristo, o Cordeiro, é aquele que nos trouxe paz diante de Deus:

O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor... E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. (Lc 2.10,11,13,14)

Os discípulos enviados por Jesus tinham a função de se aproximar das autoridades estabelecidas com a mensagem: “...Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17), ou seja:

“Arrependam-se de terem exercido sua autoridade de forma autônoma. Reconheçam agora! O Salvador e Senhor! No qual, vocês devem se submeter, e prestar contas de tudo aquilo que realizam. Assim, vocês terão paz diante Daquele que está no trono”.

Os doze eram emissários de Jesus. Aqueles que os recebiam, recebiam a Jesus (“Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” v.40). A saudação deles tinha valor verdadeiro por causa de seu relacionamento com ele. A perda da saudação deles equivalia à perda da presença deles e, portanto à perda de Jesus. A família de Potifar foi abençoada por causa da presença de José (Gn 39.3-5). E muito mais o seriam essas casas que acolheram os apóstolos do Messias! O que era verdade para a casa se aplicava igualmente à cidade (v.14). O judeu piedoso, ao deixar o território gentio, devia remover de seus pés e roupa toda poeira da terra pagã, agora, sendo deixada para trás, desassociando-se, assim, da poluição dessas terras e do julgamento que as aguardava. Os discípulos fazerem isso para casa e cidades judias seria uma forma simbólica de dizer que, agora, os emissários do Messias viam esses lugares como pagãos, poluídos e passíveis de julgamento (At 13.51; 18.6). Os atos, embora excessivamente chocantes, estão de acordo com Mateus 8.11,12; 11.20-24. Sodoma e Gomorra enfrentaram destruição catastrófica por causa de seu pecado (Gn 19) e se tornaram exemplo de corrupção repugnante (Is 1.9; Mt 11.22-24; Lc 17.29; Rm 9.29; 2Pd 2.6; Jd 7). Embora haja coisa ainda pior a vir para eles no Dia do julgamento, há julgamento ainda mais terrível à espera dos que rejeitam a palavra e os mensageiros do Messias (Hb 2.1-3) (CARSON, 2010. p.294)         



Bibliografia

RIENECKER, Fritz. Comentário Esperança. Evangelho de Mateus. Ed Esperança, Curitiba, 1997.   
JOHNSON, Bill. Quando o céu invade a terra. Ed Vida, São Paulo: 2003.
CALVINO, João. Hebreus. Ed Fiel, São Paulo: 2012.
CARSON, D.A. Comentário de Mateus. Shed, São Paulo: 2010

CHAMPLIN, R.N. Comentário, o Novo Testamento Interpretado. Candeia, São Paulo, 2000.



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[1] Gn 1.26
[2] Mt 10.1
[3] Jo 10.3
[4] Idem 11.43
[5] Mt 4.19
[6] Jo 12.32
[7] Idem 10.28,29
[8] Joel 2.15,16; Lm 1.4
[10] Dicionário Strongs
[11] Mt 10.5
[13] 2Cor 5.17
[14] James Calvert (1813-1892), missionário Metodista Wesleyana, nasceu em 03 de janeiro de 1813 em Pickering, Yorkshire, Inglaterra, filho de David Calvert.
[15] Mt 10.5
[16] Ef 1.11
[17] Retirado – Livro Pregação no Espírito, Dennis F. Kinlaw (pag.120)

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