A Verdadeira Assembléia de Deus.

(קהל) qahal - procedente de 06950; DITAT- 1991a; n. m. 1) assembléia, companhia, congregação, convocação 1a) assembléia 1a1) para mau conselho, guerra ou invasão, propósitos religiosos 1b) companhia (de exilados que retornavam) 1c) congregação 1c1) como um corpo organizado        
O verbo qãhal transmite a idéia de reunir um grupo de pessoas, qualquer que seja o propósito de tal ação. É empregado no nifal e no hifil. A LXX freqüentemente traduz essa raiz por ekkaleõ. O nifal traz a idéia reflexiva de um grupo que se reúne. O objetivo da ação de reunir pode ser o de buscar a defesa mútua (Et 8.11; 9.2; 15-16, 18), entrar em guerra (Js 22.12; Jz 20.1), adorar (2 Cr 20.26), pedir a ídolos (Êx 32.1), ungir Arão (Lv 8.4), armar a tenda da congregação (Js 18.1), transportar a arca até o templo (1 Rs 8.2; 2 Cr 5.3), juntar uma turba contra alguém (Jr 26.9), rebelar-se contra alguém (Nm 16.3; 20.2; 2 Sm 20.14). O hifil, usado para designar a ação de convocar e reunir grupos de pessoas, tais como o povo (Dt 4.10), as autoridades e os anciãos (Dt 31.28) e as tribos (1 Rs 12.21), revela uma semelhante variedade de possíveis propósitos de tal ação. Além disso ocorrem assembléias para o recenseamento (Nm 1.18), para a purificação dos levitas (Nm 8.9), para a consagração de Arão (Lv 8.3), para fazer sair água da rocha (Nm 20.8), para ouvir as palavras da lei (Ex 35.1; Dt 31.12, 28) e para ouvir a mensagem de despedida de Moisés (Dt 4.10).
Qãhãl - Assembléia, grupo, congregação: Em geral a LXX traduz qãhãl por ekklêsia, mas em 36 casos traduz por sunagõgê.
Qãhãl é um substantivo masculino do qual deriva o verbo denominativo qãhal, mas alguns estudiosos levantam a hipótese de que o substantivo derive de qôl, "falar", surgindo, por conseguinte, a idéia de "convocação" (essa é a opinião de KB). O substantivo ocorre 22 vezes nos profetas, em sua maioria em Ezequiel. O verbo ocorre 39 vezes nas formas do nifal e do hifil, tendo o sentido de "reunir-se" ou "reunir". A raiz qhl aparece 13 vezes no material extrabíblico de Qumran, referindo-se a reuniões e a grupos de vários tipos, sendo que em apenas uma ocasião (Hodayot 2:20) a palavra aparece num contexto de adoração, fazendo paralelo com o uso encontrado em Salmos 22.23.  
Uma assembléia de qualquer espécie e objetivo pode ser designada pela palavra qãhãl. Pode ser para dar maus conselhos ou fazer coisas ruins (Gn 49.6; SI 26.5), para tratar de assuntos civis (1 Rs 2.3; Pv 5.14; 26.26; Jó 30.28) ou para fazer guerra (Nm 22.4; Jz 20.2; etc.). Os exércitos reunidos presenciam o combate entre Davi e Golias (1 Sm. 17.47). Em outros contextos o termo pode designar uma multidão de nações reunidas (Gn 35.11), povos reunidos (Gn 28.3; 48.4) ou mesmo mortos reunidos (Pv 21.16). Pode referir- se aos exilados que voltam (Jr 31.8; Ed 2.64), e então a comunidade restaurada em Jerusalém é um qãhãl (Ed 10.12, 14; Ne 8.2, 17).
Todavia, o qãhãl é especialmente uma assembléia que visa a propósitos religiosos. A experiência em Horebe, quando o povo recebeu a Lei, foi a do "dia da congregação" (Dt 9.10; 10.4; 18.16). Houve também assembléias em outras ocasiões de festa, jejum e adoração (2 Cr 20.5; 30.25; Ne 5.13; J1 2.16). Nesses casos qãhãl designa um ajuntamento que não envolve a totalidade do povo de Israel. Tal foi a assembléia quando Davi exortou o povo a construir o templo (1 Cr 29.1, 20). Depara-se também com a idéia de reunir (haqhil) a assembléia («qãhãl, Nm 10.7; 20.10), o que parece fazer distinção entre a assembléia reunida e a não reunida.  
Parece que é intencional a distinção entre êdâ e qãhãl em Levítico 4.13: "se toda a congregação [êdâ] de Israel pecar por ignorância, e isto for oculto aos olhos da coletividade [qãhãl]...”. Aqui qãhãl tem o sentido de representantes judiciais da comunidade. Existe também o caso em que certos israelitas não podem entrar no qãhãl (Dt 23.2). Mas em outras passagens os dois vocábulos são empregados em frases sucessivas tendo o mesmo sentido (Nm 16.3) e também são colocados juntos (Pv 5.14). Em geral os termos são sinônimos.  
Qãhãl também pode designar a congregação como um corpo organizado. Existe o qehal yiérã 'êl (Dt 31.30), o qehal YHWH (Nm 16.3; etc.) e o qehal 'êlõhim (Ne 13.1), e então, em outras vezes, simplesmente "a assembléia" (haqqãhãl). Ainda se vêem as expressões "a assembléia da congregação de [qehal 'ãdat] Israel" (Êx 12.6, IBB) e a "assembléia do povo de Deus" (Jz 20.2, IBB). De especial interesse é a expressão "congregação do SENHOR [qehal YHWH]", da qual existem 13 exemplos (Nm 16.3; 20.4; Dt 23.2-4; Mq 2.5; 1 Cr 28.8). É, no AT, o mais próximo equivalente de "igreja do Senhor". A LXX traduz a expressão por ekklêsia kuriou[1].
A definição bíblico-filológica[2] da igreja


Ekklesia (εκκλησια), embora seja uma palavra comum, suas ocorrências estão desproporcionalmente distribuídas no NT. As únicas ocorrências nos Evangelhos então em Mateus 16.18 e 18.17, e ambas são um tanto controversas. A palavra não aparece em 2Timóteo, Tito, 1Pedro, 2Pedro, 1João, 2João e Judas, mas encontrado em 3João (1.6), em 1Timóteo (3.5,15; 5.16) – mais surpreendente, no entanto, é sua ausência nas cartas de Pedro[3].              
Mas a palavra Ekklesia (εκκλησια) aparece em vários textos nas Escrituras, como no livro de Atos (5.11; 8.3; 9.31; 11.22,26; 12.1,5; 13.1; 14.23,27; 15.3,4,22; 18.22; 20.17,28), no livro de Romanos (16.1,5,23), no livro de 1Coríntios (1.2; 4.17; 6.4; 10.32; 11.18,22; 12.28; 14.4,5,12,19,23,28,35; 15.9; 16.19) e 2 Coríntios (1.1), e Gálatas (1.13), Efésios (1.22; 3.10,21; 5.23,24,25,27,29,32), Filipenses (3.6; 4.15), Colossenses (1.18,24; 4.15,16), Tessalonicenses (1.1), 2Tessalonicenses (1.1) 1Timóteo (3.5,15; 5.16), Filemom (1.2), Hebreus (12.23), Tiago (5.14), 3João (1.6,9,10) e apocalipse (2.1,8,12,18; 3.1,7,14)[4].
No pano de fundo do AT. encontramos dois termos hebraicos, קהל (qãhãl) e עדה (`edâh). O primeiro termo קהל (qãhãl), talvez derivado da palavra para voz, refere-se a um chamado a uma assembleia e ao ato de se reunir. Não é tanto uma especificação dos membros da assembleia quanto uma designação da ocorrência da assembleia. Às vezes, um significado religioso está atrelado à palavra (Dt.9.10; 10.4; 23.1-3). O termo também pode denotar uma assembleia mais geral de pessoas (IRs.12.3); mulheres (Jr.44.15) e mesmo crianças (Ed.10.1; Ne.8.2) estão incluídas. Ele também é utilizado em referência à reunião de tropas e, em Ezequiel, refere-se às outras nações (Egito, 17.17; Tiro, 27.27; Assíria, 32.22). 
O outro termo hebraico relevante para nosso estudo é עדה (`edâh). Ele aparece especialmente no Pentateuco, e mais da metade de suas ocorrências está em Números. Refere-se ao povo, especialmente quando reunido diante da Tenda do Encontro. O fato de que o termo ocorre pela primeira vez em Êxodo 12.3, “Falai a toda a congregação (עדה, `edah) de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família” – sugere que a “congregação” de Israel veio à existência com a ordem de celebrar a Páscoa e deixar o Egito. A palavra (עדה, `edah), aponta para a comunidade no sentido de centralizada no culto ou na Lei.

Lothar Coenen explica da seguinte forma:

Se comparamos o uso das duas palavras hebraicas, torna-se claro, com base nos textos, que ambas ocorrem no mesmo contexto (Êx.12.1; 16.1; Nm.14.1; 20.1; IRs.12.1) e que `edah é o termo claro e permanente para a comunidade cerimonial como um todo. Por outro lado, qãhãl é a expressão cerimonial para se referir à assembleia que resulta da aliança, à comunidade do Sinai e, no sentido deuteronômico, à comunidade em sua forma presente. Também pode representar a assembleia regular do povo com propósitos seculares (Nm.10.7; IRs.12.3) ou religiosos (Sl.22.26), bem como uma multidão reunida (Nm.14.5; 17.12).[5]

Quando observamos as palavras gregas usadas na Septuaginta[6] para traduzir esses termos hebraicos, vemos que Ekklesia (εκκλησια) é usada frequentemente para traduzir קהל (qãhãl), mas nunca (עדה, `edah). Este último termo é geralmente traduzido por sinagoga (συναγωγη), que também é usado para traduzir קהל (qãhãl)[7].

A igreja e o reino


Evidentemente, há uma ligação muito próxima entre o reino e a igreja. De fato, Jesus, tendo anunciado que edificaria sua igreja e que o poder da morte não prevaleceria contra ela, imediatamente prosseguiu dizendo a Pedro: “Eu te darei as chaves do reino dos céu” (Mt.16.18,19). A partir disso, seria possível deduzir que a igreja é sinônimo do reino. Georg Ladd diz que o reino deve ser concebido como o reino de Deus.  A igreja, por sua vez, é um domínio de Deus, as pessoas que estão sob seu governo. O reino é o governo de Deus, enquanto a igreja é a comunidade humana debaixo desse governo:

1. A igreja não é o reino.     
2. O reino cria a igreja.
3. A igreja testemunha do reino.
4. A igreja é o instrumento do reino.
5. A igreja é a guardiã do reino[8].

A igreja é uma manifestação do reino ou reinado de Deus, a forma que ele assume na Terra, em nosso tempo. É a manifestação concreta do governo soberano de Deus em nosso coração. Sob a antiga aliança, a forma de expressão que o reino assumiu era Israel. O reino pode ser encontrado em todo lugar em que Deus governa nos corações humanos, mas, mais do que isso, é encontrado onde quer que sua vontade seja feita. Assim, o reino estava presente no céu mesmo antes da criação dos seres humanos, pois os anjos estavam sujeitos a Deus e lhe obedeciam. Eles estão incluídos em seu reino agora, e assim estarão no futuro. Mas eles nunca foram e nem serão parte da igreja. A igreja é somente uma manifestação do reino[9].                  

EKKLESIA (εκκλησια).

(Em seu sentido primário - uma Assembleia reunida. Significado da palavra Ekklesia)

Igreja / Eclésia significa “chamados para fora” no Novo Testamento?


Você já ouviu alguém falando que igreja é no original ekklesia significa “chamados para fora”, então “a igreja é um povo chamado para fora do (inclua aqui tudo o que a pessoa não concorda: mundo, sistema religioso, parede e por aí vai)”. O problema é que a raiz de uma palavra nem sempre fornece o significado no tempo em que foi usada. Por exemplo, entendemos hoje gentileza como cortesia, mas no latim gentilis era quem pertencia à mesma família ou clã. Então, apesar de algumas vezes útil devemos tomar cuidado com o “significado oculto da raiz da palavra”. Veja o que Robert Cara, em artigo bem interessante chamado “Cuidado com o Significado Oculto da Raiz de uma Palavra“, escreve sobre ekklesia:
No grego, mais do que no português, muitas palavras são uma combinação de duas outras palavras, mas geralmente o estudo etimológico do porquê e de quando essas palavras foram combinadas é completamente desconhecido pelo autor do Novo Testamento. A palavra grega ekklesia, que é geralmente traduzida por “igreja”, é uma combinação das palavras chamar e fora.

Palavras – εκ + κλητος: εκκλησια (transliteração: ek + kletos: ekklesia ), fora + chamado: Igreja - chamados (para) fora

Fora (εκ ek ou εξ - preposição primária denotando origem (o ponto de onde ação ou movimento procede), de, de dentro de (de lugar, tempo, ou causa; literal ou figurativo) prep 1) de dentro de, de, por, fora de) – Hb.8.9 –“não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor”.

Chamado (κλητος, kletos - adj 1) chamado, convidado (para um banquete) 1a) convidado (por Deus na proclamação do Evangelho) a obter eterna salvação no reino por meio de Cristo 1b) chamado a (o desempenho de) algum ofício 1b1) selecionado e designado divinamente (Rm1.1 –“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus[10])

Contudo, os dicionários gregos acadêmicos não dão a definição de “os chamados para fora” para a palavra ekklesia, porque ela não está sendo usada dessa maneira no Novo Testamento. Embora seja teologicamente verdadeiro que cristãos tenham sido chamados para fora do mundo pecaminoso para ser a igreja, essa verdade não é derivada da palavra ekklesia. Semelhantemente, no inglês moderno a palavra butterfly (borboleta) é claramente composta das palavras butter (manteiga) e fly (mosca), mas isso não nos ajuda a entender melhor o inseto.
A Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã traz a seguinte definição para igreja: “No NT, “igreja” traduz a palavra grega ekklēsia. No grego secular, ekklēsia designava uma assembléia pública, e este significado ainda foi mantido no NT (At 19.32, 39, 41).
No AT hebraico a palavra qahal designa a assembléia do povo de Deus (e.g. Dt 10,4; 23.2-3; 31.30; Sl 22.23), e a LXX, a tradução grega do AT, traduz esta palavra por ekklēsia e synagōgē, igualmente. Até mesmo no NT, ekklēsia pode significa a assembléia dos israelitas (At 7.38; Hb 2.12); mas, à parte destas exceções, a palavra ekklēsia no NT designa a igreja cristã, tanto local (e.g. Mt 18.17; At 15.41; Rm 16.16; 1 Co 4.17; 7.17; 14.33; Cl 4.15) quanto universal (e.g. Mt 16.18; At 20.28; 1 Co 12.28; 15.9; Ef 1.22).
É interessante notar que algumas das pessoas que enfatizam o “chamados para fora” são também contra a reunião dos crentes em um prédio para cultuar a Deus. Contudo, como o uso do termo ekklēsia mostra, a igreja é uma assembléia (ou seja, uma reunião) e a igreja em Atos se reunia sim em locais fechados para cultuar a Deus, orar e ouvir a Palavra[11].

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ECLESIA NO GREGO CLÁSSICO[1]

Liddell e Scott definem eclesia como "uma assembléia de cidadãos convocado pelo pregoeiro; assembléia legislativa". (R. Scott e H. G. Liddell, Uma Léxica Greco-Inglesa). # A léxica de Thayer diz: "uma assembléia de pessoas convidadas a ir ao lugar público de concílio com o propósito de deliberarem" (J. H. Thayer, Uma léxica Greco-Inglesa do Novo Testamento) # Trench dá o significado como "a assembléia legal, numa cidade grega livre, de todos os possuidores dos direitos da cidadania, para a transação de negócios públicos" (R. C. Trench, Sinônimos do Novo Testamento, 7a edição).# O dicionário de Seyffert afirma "A assembléia de pessoas, que em cidades gregas tinham um poder da decisão final em negócios públicos" (Oscar Seyffert, Um dicionário de Antigüidades Clássicas).# Thomas diz: Era assembléia organizada de eleitores autorizados da comunidade local, reunidos para resolver negócios de interesse comum. Corresponde à reunião da cidade na Nova Inglaterra nos últimos dias. (Jesse B. Thomas, A Igreja e o Reino).# Ewing escreve: Em cada caso, a palavra significa um corpo organizado, em oposição a uma reunião casual. A assembléia em Éfeso não parece ser exceção a esta interpretação, quando as pessoas evidentemente se reuniram para ter uma assembléia judicial em sua capacidade coletiva, com tudo tumultuosa em suas deliberações. Eles invadiram o teatro, como os atenienses faziam com freqüência em "bou leuterion", ou fórum, quando Demostenes discursava a eles. (Greville Ewing, Uma Léxica Grego-inglesa, 3a edição).# O Livro de Dana diz: No uso clássico eclesia significa "uma assembléia". Era derivada de uma combinação de raiz grega e preposição prefixada, com significado final que era chamada - Sentido de Convocação.
Comumente era usada em referência as corporações de representantes qualificados "chamados = convocados", para funções legislativas. (H. E. Dana, Um Manual de Eclesiologia, 2a edição).#
Estas citações são um exemplo justo de eruditos competentes sobre o significado da palavra eclesia no grego clássico. A opinião é unânime de que a palavra significa uma assembléia de cidadãos de uma cidade em particular, que se reuniam de tempos em tempos, para resolverem negócios de sua cidade.
Poucas palavras deviam ser ditas sobre a etimologia de eclesia, antes de passarmos ao próximo capítulo. A léxica de Thayer afirma: "francês" = "ekkletos" - uma reunião dos cidadãos convocados das suas casas para um lugar público = uma assembléia, e esta palavra veio da palavra raiz = "ekkaleo" (J. H. Thayer, Op. Cit.). Esta parece ser a opinião unânime de todos os eruditos gregos. Uma distinção deve ser mantida entre a etimologia (ou raiz) de uma palavra e seu significado em algum tempo particular na história. Ás vezes os dois são o mesmo; muitas vezes são completamente diferentes." “Const? vel" veio de "camis est? bule" que significava ‘assistente de est?bulo’ hoje significa um oficial de paz. "Eclesia" veio de "ekkeletos" que significava "convocar", mas no tempo anterior ao Novo Testamento significava assembléia ou assembléia convocada. Dizer que ela significa o chamado não é certo. Broadus escreve:
A palavra grega eclesia significou primeiramente a assembléia de cidadãos num estado auto governado, sendo derivada de ekkaleo "para convocar"; no sentido como por exemplo fora de suas casas ou lugares de negócio, para convocar, como dizemos ao convocar a milícia. A noção popular que ela significa chamar no sentido de separação dos outros, é um erro (John A. Broadus, Comentário sobre o Evangelho de Mateus, volume 1 de um comentário americano sobre o Novo Testamento).# Hort também confirma isto ao escrever: Não há fundamento para a noção amplamente espalhada de que eclesia signifique um povo ou um número de indivíduos "chamados para fora" do mundo ou raça humana (F. J. A. Hort, Op. Cit.)[2].

Καλεω, kaleo - 1) chamar 1a) chamar em alta voz, proferir em alta voz 1b) convidar 2) chamar, i. e., chamar pelo nome 2a) dar nome a 2a1) receber o nome de 2a2) dar um nome a alguém, chamar seu nome 2b) ser chamado, i. e., ostentar um nome ou título (entre homens) 2c) saudar alguém pelo nome[3].

Mt.5.9 –“Bem- aventurados os pacificadores, porque serão chamados (Καλεω, kaleo) filhos de Deus

A Assembléia de Deus


O termos ekklesia é a tradução grega do termo qãhãl, usado no Antigo Testamento, e escreve uma assembléia. Mateus usa ekklesia ao registrar as palavras de Jesus a Pedro: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (εκκλησια, ekklesia), e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt.16.18). Tanto ekklesia quanto qãhãl denotam uma assembléia real, e não uma congregação (que pode ou não estar congregada). Uma assembléia qualquer pode se reunir em torno de si mesmo ou de petições que defendem. Lucas registra seu uso pelo administrador da cidade de Éfeso, que lembra à multidão que suas acusações contra os cristãos poderiam ser feitas perante uma assembléia legal – uma reunião urbana apropriada (At.19.39 –“Mas, se alguma outra coisa pleiteais, será decidida em assembléia regular. Porque também corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo motivo algum que possamos alegar para justificar este ajuntamento. E, havendo dito isto, dissolveu a assembléia”). Os Israelitas foram uma assembléia porque eles se reuniram diante de Deus, comparecendo à Sua presença (Dt.4.10 –“Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne (קהל, qahal) este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos”).
As assembleias posteriores de Israel recordavam essa grande assembleia. A trombeta de Deus, que ressoou na assembleia do Sinai, ecoou novamente mais tarde, quando os sacerdotes tocaram duas trombetas de prata para reunir o povo de Israel às portas da casa de Deus (Nm.10.1-10). Deus reuniu seu povo diante de si para renovar sua aliança (Js.24.1 –“Depois, reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém e chamou os anciãos de Israel, os seus cabeças, os seus juízes e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus”; 24.25 –“Assim, naquele dia, fez Josué aliança com o povo e lha pôs por estatuto e direito em Siquém”).
A assembleia de Deus inclui todos os seus “santos”: hostes angelicais e santos terrenos. No monte Sinai, Deus estava presente com milhares de seus anjos quando reuniu o povo aos seus pés (Dt.33.2,3 –“Disse, pois: O SENHOR veio do Sinai e lhes alvoreceu de Seir, resplandeceu desde o monte Parã; e veio das miríades (רבבה, rababah - multidão, miríade, dez mil) de santos; à sua direita, havia para eles o fogo da lei. Na verdade, amas os povos; todos os teus santos estão na tua mão; eles se colocam a teus pés e aprendem das tuas palavras”; Sl.68.17, “Os carros de Deus são vinte mil, sim, milhares de milhares. No meio deles, está o Senhor; o Sinai tornou-se em santuário”). 
Embora Deus tenha aparecido no fogo e na nuvem do Sinai para se encontrar com o povo resgatado de Israel, ele não fez do monte o seu santuário perpétuo. Em vez disso, ele conduziu as tribos através do deserto até o Monte Sião. Ali Ele fixou sua morada, encheu o templo com sua glória e chamou seu povo para suas festas. O Sinai queimou com fogo físico, e o céu queima com o fogo da presença de Deus (Hb.12.18, “Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade”; 12.29 –“porque o nosso Deus é fogo consumidor”). Corajosamente nós podemos participar da assembleia celestial, corajosamente nós podemos nos reunir com a miríades de anjos e com as hostes de redimidos. Corajosamente nós podemos nos aproximar do próprio Deus, o Juiz de todos, porque Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, abriu o caminho.
Cultuar nessa assembleia é pertencer à ekklesia de Deus. Nós nos reunimos aqui na terra (Hb.10.25 –“Não deixemos de congregar- nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”), porque nos reunimos lá, onde Jesus está. Os cristãos desfrutam da herança dos santos na luz (Cl.1.12 –“dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz”), sua vida já é no céu com Cristo (Cl. 3.1-4). Cristo é o cabeça de seu corpo como uma assembleia celestial (Cl.1.18 –“Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”; Ef.1.3 –“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”; 2.5,6 –“e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo,-- pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”; Fp.3.19,20; Gl.4.25,26). Quando os cristãos coríntios se reuniam (ICor.11.18; 14.26,28), eles se juntavam a todos aqueles que “em todos os lugares invocam o nome do Senhor Jesus Cristo” (ICo 1.2)[1]. 
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[1] Série Teologia Cristã – A Igreja, Edmund Clowney, pg.26-29, Ed. Cultura Cristã, 2007


[1] O dialeto ático, falado em Atenas entre 500 a.C e 300 a.C e também chamado de Grego Clássico, deriva do antigo dialeto iônico e foi utilizado por alguns dos mais importantes autores gregos, dentre eles Tucídides, Eurípides, Platão e Demóstenes.

[2] Edward Hugh Overbey, Digitação: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos 09-02, Revisão e editoração: Calvin, David and Daniel Gardner 03-03, www.palavraprudente.com.br 
[3] Dicionário Hebraico e Grego, Strongs, Bíblia Oliver Tree – Revista e Atualizada



[1] Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, R. Lairds Harris, Gleason L. Archer, Jr. Bruce K. Waltke, Ed. Vida Nova, 1998, pg.1325
[2] estudo científico de uma língua e análise crítica dos seus textos
[3] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. p. 996
[4] VICENTE, Ronaldo José. Igreja Higienópolis, São Paulo: 2015
[5] LOTHAR, Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 2000 (Citado por ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. p. 998)  
[6] Designação por que é conhecida a mais antiga tradução em grego do texto hebreu do Antigo Testamento, feita para uso da comunidade de judeus do Egito no final do sec. III a.C. e no II a.C.; teria sido realizada por 72 tradutores, donde o nome (por simplificação: LXX, em latim) inicial ger. maiúsc.
[7] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. p. 998
[8] LADD, George E. Jesus and the Kingdom, New York: Harper & Row, 1964, p.259-73 (Citado por ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. p. 1006 )
[9] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2015. p. 1006
[10] Dicionário Hebraico e Grego, Strongs, Bíblia Oliver Tree – Revista e Atualizada
[11] Vinícius Musselman Pimentel, 2014, Voltemos ao Evangelho. Website: www.VoltemosaoEvangelho.com. Original: Igreja/Eclésia significa “chamados para fora” no Novo Testamento?






Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo. 



Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
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 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:

Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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