Escatologia. APOCALIPSE. Ponto de vista - PRETERISTA PARCIAL.


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Harold R. Eberle e Martin Trench

Apocalipse

Veremos que uma parte da Revelação contida nele já se cumpriu e o restante ainda se cumprirá, Não examinaremos ada versículo, mas trabalharemos progressivamente por meio de passagens-chave que nos permitirão vê-lo não como um livro sobre a destruição de Deus a um mundo maligno, mas como uma descrição do Reino de Deus se expandindo sobre toda a terra e Jesus Cristo sendo revelado em glória.
O futurista e os preteristas parciais geralmente concordam quanto ao significado dos três primeiros capítulos do livro de Apocalipse. Eles reconhecem o capítulo I como um relato do encontro de João com Jesus. Os capítulos 2 e 3 são sete cartas escritas às sete igrejas. É com relação ao entendimento sobre as mensagens a partir do capítulo 4 até o fim do livro que os futuristas e os preteristas parciais discordam.

O entendimento preterista parcial

Em contrapartida, os preteristas parciais acreditam que boa parte do livro de Apocalipse já se cumpriu. Para sustentar essa visão, eles indicam as referências temporais feitas dentro do texto bíblico. Por exemplo, Jesus inicia o livro dizendo que Ele iria revelar “as coisas que em breve devem acontecer” (Ap 1.1). Jesus não estava revelando coisas que aconteceriam centenas ou milhares de anos depois. Ele estava revelando coisas que começariam a se desenrolar na vida dos leitores originais do livro. A menos que as pessoas racionalizem que “em breve” não significa realmente em breve, podemos observar que Jesus enfatizou novamente esse ponto ao dizer: “...o tempo está próximo” (Ap 1.3). Os cristãos que têm uma visão preterista parcial do livro de Apocalipse interpretam essas palavras literalmente, portanto entendem que o que João viu e relatou teve início durante o período em que ele estava vivo no primeiro século.
Há variações entre diferentes mestres dessa visão, mas a maioria dos preteristas parciais considera que o livro de Apocalipse se desenrola progressivamente desde o tempo em que João estava vivo em diante. Essa visão, de que o livro de Apocalipse se desenrola ao longo do curso da história, é rotulada nos círculos teológicos como visão historicista.
Essa visão historicista foi a mais predominante visão sustentada pelos líderes da Reforma Protestante. Eles podem não ter explicado todas as passagens da maneira que o faremos nas páginas seguintes[1], mas líderes como Lutero, Knox, Calvino e Huss entendiam que o livro de Apocalipse era um retrato do plano de Deus se desenrolando ao longo do curso da História, e não acontecimentos comprimidos em um período de sete anos de tribulação no futuro. A visão historicista era tão comumente sustentada durante a Reforma Protestante que era mencionada como a “visão protestante”.

Panorama do livro de Apocalipse

O capítulo I do livro de Apocalipse é uma introdução no qual Jesus se revela a João. Jesus também declarou o propósito do seu aparecimento: “...para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” (Ap 1.1). Então Jesus comissionou João para escrever as coisas que seriam reveladas (Ap 1.9).
Não examinaremos o capítulo I em mais detalhes porque a visão preterista parcial e a visão futurista concordam quanto ao seu conteúdo e significado claros. A única coisa com relação à qual elas discordam é quanto ao significado da expressão “em breve”. Os preteristas parciais dizem que os acontecimentos profetizados no livro de Apocalipse começaram a se desenrolar durante o período da vida de João, no primeiro século. Os futuristas dizem que esses eventos profetizados somente começam a se cumprir pelo menos 2 mil anos depois.
Os capítulos 2 e 3 são sete cartas às sete igrejas que existiram no primeiro e no segundo séculos. A cada igreja Jesus tinha uma mensagem para João entregar.
No capítulo 4 e 5, lemos que João foi levado ao céu para ver a sala do trono de Deus. Nela, Jesus está sentado à destra do Pai e Ele é revelado como Aquele que é digno.
Nos capítulos 6 a 18, o Reino de Deus é progressivamente estendido sobre todo o mundo até que todos os reinos deste mundo se tornam reinos do nosso Deus. Os principais argumentos que apresentaremos a seguir serão para explicar a expansão desse Reino.
Dentro dessa expansão do Reino, há três profecias principais de juízo que teriam de se cumprir. A primeira tinha a ver com os judeus: o reino sendo retirado deles (Mt 21.33-43) e Jerusalém sendo destruída (Mt 23.34-38). Veremos esse primeiro juízo ao estudarmos os capítulos 7 a 11.
Em segundo lugar, há um julgamento do Império Romano que teria de se cumprir para a expansão do Reino de Deus. Como estudamos anteriormente, Daniel escreveu que a Rocha viria à Terra e esmagaria todos os outros reinos (Dn 2.31-45). Essa Rocha veio há cerca de 2 mil anos e esmagou o Império Romano.
Em terceiro e lugar, veremos que o Reino de Deus deve se expandir até que encha toda a terra como Daniel profetizou (Dn 2.35, 44).
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Todos esses três eventos profetizados – com relação aos judeus, ao Império Romano e depois a toda a terra – não foram profecias menores e insignificantes. Eles foram e são importantes para as Escrituras e para o estabelecimento do Reino de Deus. Ao longo do livro de Apocalipse veremos Deus progressivamente estendendo o governo do Reino sobre a terra. É uma tomada de poder do Reino em progresso, na qual os reinos deste mundo estão se tornando o Reino do nosso Deus.
O capítulo 19 nos mostra a Segunda Vinda de Jesus e as bodas do Cordeiro com a Sua Noiva.
O capítulo 20 nos mostra o Reino de Jesus Cristo e o Seu juízo final sobre os maus.
Os capítulos 21 e 22 descrevem as recompensas que esperam por aqueles cujos nomes estão escritos no Livro da Vida. Haverá um novo céu e uma nova terra. No meio dessa revelação, a Nova Jerusalém descerá à Terra, de onde Jesus governará para sempre. Aleluia!

Duas Testemunhas em Jerusalém


“Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco” (Ap 11.3).

Quem são essas duas testemunhas? Agora, quais foram as testemunhas que deram testemunho ao povo judeu ao longo de sua história? Não foram somente Moisés e Elias, mas em um sentido mais amplo, foram a Lei e os profetas. Moises foi aquele que deu a Lei, e Elias foi o maior dos profetas do Antigo Testamento. Então, vemos a Lei e os profetas, mas também Moisés e Elias como a personificação da Lei e dos profetas.

A Mãe e seu Filho Varão


“Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz” (Ap 12.1,2).

Quem é essa mulher? E quem é o filho a quem ela dá à luz? Sabemos que essa mulher tinha grande autoridade, pois nos é apresentada com uma coroa de estrelas na cabeça e a lua sob seus pés. Quando lemos sobre uma mãe dando à luz o Filho Varão, vemos essa mãe ao longo das eras. Começando lá atrás, no Jardim do Éden, Deus prometeu a Eva que a sua semente esmagaria a cabeça de Satanás (Gn 3.15). Ele prometeu a Abraão que a semente dele – isto é, Jesus – se tornaria uma benção para toda a terra (Gl 3.16). Para Davi, Deus prometeu que um dos seus descendentes estabeleceria um reino que duraria para sempre (ICr 17.11,12). Ao povo judeu, Ele prometeu repetidas vezes que um Messias viria deles. Finalmente, Maria realmente deu à luz o Filho.
Quem então é a mãe que deu à luz Jesus? É Eva. É Abraão. É Davi. É o povo judeu. É Maria. É o coração de Deus, são as Suas promessas sendo recebidas pelo povo de Deus. É o Espírito de Deus fazendo o papel de mãe do Seu próprio Filho para que o Filho pudesse vir ao mundo.

O que o Dragão Vermelho representa


“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Ap 12.9).

Na linguagem apocalíptica, diversos animais se referiam a reinos, reis ou às espirituais por trás desses reinos. Por exemplo, Daniel explicou como os animais nas suas visões representavam vários reinos (Dn 7.23, “O quarto animal será um quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços”). Ele também observou como os animais podem representar os reis de certos reinos (Dn 7.17, “Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra”). Em algumas passagens Daniel especificou vários tipos de animais que representam certos reinos. Por exemplo, em Daniel 8.20, ele explicou que um carneiro com dois chifres representa os dois reis da Média e da Pérsia. Ele afirmou que em uma de suas visões um bode representava o reino da Grécia (Dn 8.21). Nessa visão, ele também se referiu a outros reinos como outros animais (Dn 8.4).
Qual, então, era o governo natural através do qual o grande dragão vermelho estava agindo na terra?
Bem, a Bíblia nos diz que o dragão tentou matar o Filho Varão. Quem tentou matar Jesus no seu nascimento? Espiritualmente foi Satanás, mas no mundo natural foi Herodes, que estava atuando na sua autoridade sob o governo romano. Então, podemos ver uma correlação entre Satanás e a sua obra através do governo romano.
Temos outros indicadores de que o dragão operava através do governo romano quando lemos que o grande dragão vermelho tinha “sete cabeças e dez chifres” (Ap 12.3). No livro de Daniel nos é mostrado que cabeças e chifres representam diversas figuras de autoridade dentro dos governos. Por exemplo, Daniel 7.24 nos diz: “Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão”. Mais adiante em Apocalipse, nos é dito especificamente que “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis” (17.12). Assim, as sete cabeças e os dez chifres do dragão representam sete e dez autoridades governamentais dentro do Império Romano.
Ao estudarmos a história, aprendemos sobre uma correspondência impressionante entre os lideres do Império Romano e as sete cabeças e os dez chifres mencionados em Apocalipse. Houve sete césares sobre o Império Romano: Júlio César, seguido por seu filho adotivo Augusto e os cinco membros da família de Augusto, que governaram até o ano de 68 D.C. Esses sete correspondem às sete cabeças do dragão.
Também sabemos que o Império Romano foi dividido em dez regiões com dez líderes governando cada uma delas. Isso corresponde aos dez chifres do dragão.

As dez províncias do Império Romano

·      Acaia
·      África
·      Gália
·      Germânia
·      Ásia
·      Bretanha
·      Egito
·      Itália
·      Espanha
·       Síria

Agora pense no Império Romano em termos espirituais. João está no céu observando a dinâmica espiritual que tem consequências neste mundo natural. Por conseguinte, entendemos que o dragão não é apenas o governo romano, mas é a força espiritual por trás dele. Isso não significa que tudo acerca do Império Romano era maligno, mas sim que Império Romano era o governo mais forte do mundo naquela época, e Satanás era o deus do mundo. Satanás – na forma do dragão vermelho – era capaz de controlar e manipular a humanidade por intermédio dos lideres romanos. A evidência mais óbvia disso é o fato de que os líderes romanos tentaram matar Jesus na ocasião do Seu nascimento e finalmente se tornaram aqueles que o crucificaram. Mais tarde, eles se tornaram aqueles que matariam centenas de milhões de cristãos durante as grandes perseguições do primeiro e segundo séculos.

A marca da Besta


“A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis” (Ap 13.16-18).

João deu um número pelo qual a besta poderia ser identificada. 666. Esse número levantou uma enorme controvérsia na Igreja moderna e tem sido usado por pregadores, escritores e cineastas para insuflar medo no coração de milhões. Nós, porém, deveríamos tentar entendê-lo como ele teria sido entendido pelo povo que leu pela primeira vez os escritos de João.
É fato conhecido que o nome de Nero equivale a 666. Isso é verdadeiro, porque as letras do alfabeto hebraico possuem valores numéricos. É semelhante à maneira como certas letras do alfabeto romano são usadas como numerais: “I” significa 1; “V” significa 5; “X” significa 10; “L” significa 50; e “C” significa 100 e “D” significa 500. Portanto, se vemos os seguintes algarismos romanos, DCLXVI, saberemos que eles equivalem numericamente a 666. Isso não é algo difícil de entender para ninguém que conheça os numerais romanos. Nem foi difícil para qualquer erudito judeu ler o numero do nome de Nero. A ortografia hebraica de Nero era Nrwn Qsr (que se pronuncia Neron Kesar). O equivalente hebraico para esse nome é 666.
A palavra “anticristo” nunca é mencionada, nem sequer uma vez em todo o livro de Apocalipse. O único lugar onde a palavra “anticristo” é usada é nas epístolas 1 e 2 de João. Não existe fundamento bíblico para igualar a besta do Apocalipse com o anticristo mencionado nas cartas de João. Você sabia que a marca de Deus, o selo de Deus e o nome de Deus, que estão escritos na fronte do Seu povo, são mencionados no livro de Apocalipse exatamente o mesmo número de vezes que a marca da besta? Ambos são mencionados sete vezes. Esse dado deveria nos dizer algo. Como cristãos, não deveríamos estar mais interessados na marca de Deus – que está viva hoje e ativa em nossa vida.
Além do mais, precisamos entender a marca da besta a partir de uma compreensão semelhante à que temos da marca de Deus. Queremos dizer com isso que se a marca da besta deve ser entendida literalmente, então devemos entender a marca de Deus literalmente. Por outro lado, se interpretarmos a marca da besta espiritualmente, então devermos interpretar a marca de Deus espiritualmente. Ambas as marcas são mencionadas no livro de Apocalipse e inclusive aparecem juntas no mesmo capítulo. Os preteristas acreditam que ambas as marcas precisam ser entendidas em um sentido espiritual. As pessoas que se dedicam às obras de Satanás terão a marca do mal em seus pensamentos e nas obras de suas mãos. Os que se entregam a Deus terão a marca de Deus em sua mente e nas obras de suas mãos. O selo de Deus sobre o Seu povo é o Seu Espírito. Do mesmo modo, aqueles que entregam a vida e o coração a Satanás serão marcados pelo espírito do maligno.   

Apocalipse 20 – A Visão Pós-Milenar


A maioria dos preteristas parciais, adota a visão pós-milenar. Essa visão vê Apocalipse 20 como uma recapitulação dos 19 capítulos anteriores. Portanto, os partidários dessa visão entendem que o Reino milenar de Jesus teve início há 2 mil anos, quando Jesus subiu ao céu e sentou-se no Seu trono. Isso significa que estamos vivendo no Reino milenar agora. Os pós-milenistas acreditam que Jesus voltará à Terra no fim do Seu Reino milenar. Assim, a visão deles se chama pós-milenismo, referindo-se à volta de Jesus após o milênio.
        O capítulo 20 do livro de Apocalipse nos diz que Jesus reina por mil anos, mas os pós milenistas explicam que o número mil não significa mil literalmente. Por esse entendimento, então, Jesus pode reinar por tanto tempo quanto desejar. Mil é uma figura de linguagem, e no contexto de Apocalipse 20 ele está se referindo a todos os anos que sucederão entre a Primeira Vinda de Jesus e a Sua Segunda Vinda. Esse entendimento acerca dos mil anos sendo um período indefinido tem sido adotado por muitos grandes líderes da história da Igreja, como Agostinho, Eusébio, João Calvino, John Calvino, John Knox e John Wesley. A visão pós-milenista era a visão mais popular do milênio entre os cristãos evangélicos durante os anos 1800.     

“Mas um pouco depois se seguiram os milenários, que limitavam o Reino de Cristo a mil anos. Ora, a ficção deles é infantil demais quer para necessitar quer para ser digna de refutação” (João Calvino. Institutas. Vl 2:995).

Apocalipse 20 – A Visão Pré-Milenista


        Embora a maioria dos preteristas parciais adote o pós-milenismo, alguns – adotam a visão pré-milenista. Essa visão considera que os eventos de Apocalipse 20 seguem-se aos eventos de Apocalipse 1 a 19. Portanto, Jesus voltará a Terra antes (pré) do Seu Reino Milenar.
    É importante entender que há duas visões pré-milenistas: o pré-milenismo dispensacional e o pré-milenismo histórico.
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           O primeiro, o pré-milenismo dispensacional é adotado pelos futuristas de hoje. Como explicamos, eles consideram que os eventos de Apocalipse 4 a 19 acontecerão durante um período de tribulação de sete anos que precede a Segunda Vinda de Jesus. Portanto, eles visualizam o cenário do fim dos tempos (terremotos, fome, guerras, anticristo, destruição) precedendo o Reino milenar de Jesus.
        A visão dos futuristas acerca do milênio é chamada de “dispensacional” porque ela está intimamente associada com a teologia dispensacional e foi desenvolvida a partir dela, que divide a história em diferentes períodos. A Bíblia de Referência Scofield é mais conhecida por popularizar esse estilo de pensamento.
       Outra forma de pré-milenismo – o pré-milenismo histórico – considera que Jesus voltará antes do seu Reino milenar, mas é chamada de “histórica” porque ao longo da história da Igreja vemos essa visão sendo adotada por diversos lideres. Por exemplo, essa visão foi adotada por muitos dos pais da Igreja Primitiva, inclusive; Irineu, o Mártir; Papias; e Tertuliano.
      Alguns opositores do pré-milenismo histórico o confundem com o pré-milenismo dispensacional e supõem que diversos cenários catastróficos estão implícitos no pré-milenismo histórico. Esse é um mal entendido. Quando vários lideres ao longo da história se referem a um Reino milenar futuro de Jesus, geralmente eles não estão sugerindo nada além disso. É simplesmente um Reino milenar futuro – nada mais, nada menos. Esse Reino milenar pode ser um Reino literal de mil anos, ou pode ser entendido em um sentido figurativo, e assim, Jesus pode reinar por tanto tempo quanto desejar.
          Quando um preterista parcial adota o pré-milenismo histórico, uma visão interessante resulta dessa escolha. Como você pode ver, o preterista parcial acredita que o Reino de Deus foi estabelecido na Primeira Vinda de Jesus. O Reino está crescendo na terra como as sementes no solo ou como o fermento na massa de farinha. É a Rocha de Daniel que está crescendo e que continuará a crescer até que encha toda a terra (Dn 2). O Reino está aqui, e ele é progressivo no sentido de avançar continuamente na terra.
           Essa distinção entre o pré-milenismo dispensacional dos futuristas e o pré-milenismo histórico dos preteristas é crucial. Os futuristas acreditam que o Reino de Deus não virá a Terra ou sequer estará disponível aos cristãos até depois da Segunda Vinda de Jesus. Em contrapartida, os preteristas parciais acreditam que o Reino de Deus tem estado em ação, crescendo na terra e disponível desde os últimos 2 mil anos.
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     Os preteristas parciais que adotam o pré-milenismo histórico também fazem uma distinção entre o Reino agora e o Reino durante um reinado futuro de mil anos. Atualmente Deus, o Pai, está governando sobre o Reino. Durante o futuro milênio, Jesus estará governando sobre ele. 
     Esse entendimento se torna claro quando lemos a explicação de Pedro no dia de Pentecostes, com respeito a como Jesus subiu ao céu, e depois o Pai falou a Seu Filho:

“Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés” (At 2.34,35).

Jesus está assentado a destra do Pai há dois mil anos, mas é o Pai que tem estado ativamente subjugando inimigos e estabelecendo o Reino do Seu Filho.
Paulo nos disse a mesma verdade: “Porque convém que ele [Jesus] reine até que [Deus Pai] haja posto todos os inimigos debaixo dos pés” (ICo 15.25).
Nos versículos que seguem esse último, Paulo confirma que é Deus Pai quem está fazendo todas as coisas se curvarem a Jesus (“Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” [27,28]).
Isso é importante para os preteristas parciais que adotam a visão pré-milenista histórica porque eles acreditam que o Reino de Deus está aqui agora (sendo governado pelo Pai) e que ele está crescendo na terra. Depois que o Pai sujeitar todas as coisas ao Filho, então Ele entregará o Reino ao Filho, que o manifestará plenamente na terra. Então Jesus governará sobre o Reino com Sua Noiva por um milênio. 

Apocalipse 20 – As Duas Visões Vitoriosas


Duas visões adotadas pelos preteristas parciais são vitoriosas. Ambos creem que o Reino de Deus veio à Terra há 2 mil anos. Ambos creem que os cristãos podem experimentar o Reino de Deus agora, enquanto estamos vivos na terra.
Uma diferença, porém, tem a ver com quem atualmente está no controle do Reino. O preterista parcial pós-milenista acredita que nós estamos agora no Reino milenar de Jesus Cristo e, portanto, Jesus está governando este Reino há 2 mil anos. Em contrapartida, o preterista parcial pré-milenista histórico acredita que Deus Pai está governando o Reino, e que Ele continuará a fazer isso até que todos os inimigos se curvem a Jesus, e então entregará o Reino a Seu Filho para um Reino milenar futuro. Fomos ensinados a orar: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.9,10). O Reino pertence ao Pai. É a Ele que oramos. É o Seu Reino que estamos vendo ser liberado aqui sobre esta terra.
Deus Pai primeiro está vencendo todos os inimigos antes de entregar o Reino ao Seu Filho. Esse é o motivo pela qual em Apocalipse 4 a 18 é o Pai que vemos executando os juízos. É o livro de decretos do Pai que é aberto. É o Pai que envia anjos. É o Pai cuja taça de cólera são derramadas. As únicas coisas que vemos Jesus fazer ao longo desses capítulos são: desatar os selos do livro do Pai e fazer uma colheita de almas (Ap 14.14-16). O Reino não é entregue a Jesus até depois da festa das bodas no capítulo 19. Somente então o Reino é dado a Jesus e à Sua Noiva.
Por outro lado, a visão pós-milenista é ainda mais vitoriosa que a visão pré-milenista. Isso é verdadeiro por dois motivos importantes.
Em primeiro lugar, o Apocalipse 20 começa dizendo que Satanás foi preso no inicio do Reino milenar (verso 1 e 2). Se, realmente, o Reino milenar de Jesus começou a 2 mil anos, então Satanás está amarrado há 2 mil anos. Os pós-milenistas dizem que Satanás não foi totalmente amarrado, mas apenas no sentido de que ele não pode mais “enganar as nações” (Ap 20.3), e assim, o Evangelho tem seguido em frente livremente há 2 mil anos. Os pós-milenistas indicam que isso corresponde à Primeira Vinda do nosso Senhor, quando Ele amarrou o valente para poder facilmente saquear a sua casa (Mt 12.28,29). Ver Satanás preso há 2 mil anos, e não no início de um futuro Reino milenar, geralmente gera uma confiança maior na qual os cristãos podem andar hoje.
O segundo motivo pelo qual a visão pós-milenista é mais vitoriosa que a visão pré-milenista histórica é porque Apocalipse 20 nos diz que a primeira ressurreição ocorre no inicio do Reino milenar de Jesus, para que os crentes possam governar e reinar com Jesus (Ap 20.4). Se o Reino milenar começou há 2 mil anos, então a primeira ressurreição ocorreu há 2 mil anos. Como isso pode ser possível? Os pós-milenistas acreditam que a primeira ressurreição é o poder que foi liberado quando Jesus ressuscitou dos mortos. Este poder é liberado em cada indivíduo quando ele nasce de novo. Nesse momento, a vida de Jesus é liberada no ser do individuo, e ele ressuscita para uma nova vida em Cristo. No mesmo instante ele passa a sentar-se com Cristo nos lugares celestiais. Por conseguinte, pode governar e reinar com Cristo agora, enquanto está vivo na terra.

Apocalipse 21 - A nova Jerusalém


            No centro da cena está a Nova Jerusalém descendo do céu para a nova terra: “a qual tem a glória de Deus. O seu fulgor era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina” (Ap 21.11). Vemos essa cidade tanto literal quanto simbolicamente. Ela deve ser interpretada literalmente por causa de pontos descritivos, tais como o fato de que ela é medida com uma vara: “Mediu também a sua muralha, cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, isto é, de anjo” (Ap 21.17). Isso indica uma correlação entre o espiritual e o natural.
            Entretanto, precisamos ver também a cidade como simbólica, pois nos é dito que a Nova Jerusalém é a Noiva. Além do mais, podemos ler ao longo do Novo Testamento frases nas quais a Igreja é retratada como um edifício sendo bem ajustado, construído sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Ef 2.19-22). Paulo escreveu como todos nós precisamos tomar cuidado com a maneira como construímos, com ouro, prata e pedras preciosas (ICo 3.11,12). João também escreveu como as pessoas que venceram serão colunas no templo de Deus, e não terão de sair dele, mas terão escrito sobre elas “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome” (Ap 3.12).
João descreveu como a Nova Jerusalém descerá do céu como uma Noiva adornada para o Seu Esposo.

Bibliografia

·      Harold R. Eberle e Martin Trench. Escatologia Vitoriosa. Uma visão preterista parcial. Chara. Brasília  
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[1] A distinção mais óbvia entre a visão historicista apresentada aqui e a visão dos reformadores protestantes está na ânsia dos reformadores em ver a Igreja Católica Romana e os Papas como o poder maligno e os indivíduos malignos mencionados no Apocalipse.  



Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo. 



Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/ 


 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:

Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
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