Escatologia. Mateus 24. O Início das dores! Ponto de vista - PRETERISTA PARCIAL.



Harold R. Eberle e Martin Trench

Introdução

Como pastores, nós – Harold Eberle e Martin Trench – costumávamos acreditar na visão futurista e ensiná-la. Entretanto, mesmo na época em que ensinávamos às nossas congregações as ideias relacionadas a essa visão, ambos percebíamos que existem muitas passagens bíblicas que simplesmente não se encaixam no cenário dos eventos propostos pelos futuristas. Depois de vários anos de estudos profundos, passamos a acreditar que a visão preterista parcial é a mais fiel as Escrituras. Isso é o que demonstraremos nas páginas a seguir. 
Além de estudar passagens bíblicas específicas, também iremos inserir algumas citações de pregadores, mestres e reformadores famosos, que mostram como os pais da fé compartilhavam a ideia de uma escatologia vitoriosa. É fato que nem todo líder ao longo da história do Cristianismo explicou cada versículo da Bíblia da mesma maneira que nós; entretanto, a visão fundamental de que a Igreja sem levantará em vitória e poder antes da volta de Jesus Cristo tem sido a visão predominante na Igreja durante os últimos 2 mil anos.         
  

“É evidente que...toda forma de adoração será destruída, exceto a religião de Cristo, que será a única a prevalecer. Ela deveras um dia triunfará, e os seus princípios tomarão posse da mente dos homens cada vez mais a cada dia[1]

Orígenes[2]
   
“Todas as pessoas destituídas de preconceitos poderão ver com os próprios olhos que Ele [Deus] já está renovando a face da terra. E temos fortes razões para esperar que Ele terminará a obra que iniciou até o dia do Senhor Jesus; que Ele nunca interromperá essa obra abençoada do Seu Espírito até que tenha cumprido todas as Suas promessas, até que Ele tenha posto fim ao pecado e à miséria, à enfermidade e à morte; e restabelecido a santidade e a felicidade universal, feito com que todos os habitantes da terra cantem juntos aleluia[3]” (John Wesley)[4]   

“O reino visível de Satanás será destruído e o Reino de Cristo será estabelecido sobre as suas ruínas, em todo o lugar por todo o globo habitável[5]”.

Jonathan Edwards[6]

“Creio que o Rei Jesus reinará e os ídolos serão completamente exterminados; mas espero que o mesmo poder que transtornou o mundo uma vez, ainda continuará a fazê-lo. O Espírito Santo jamais suportaria a acusação de ter atribuído ao Seu santo nome o fato de não ter sido capaz de converter o mundo[7]”.

Charles Haddon Spurgeon[8]
  
Entendendo Mateus 24


“No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século” (24.3).

Nos versículos que se seguem a este, o nosso Senhor deu respostas que iremos examinar. A maneira como você entende as respostas de Jesus determina o que você acredita sobre o fim dos tempos, a tribulação, o anticristo e o desenrolar de todos os acontecimentos futuros.  

Quando sucederão estas coisas?

A primeira pergunta que os discípulos fizeram a Jesus foi: “Quando sucederão estas coisas?” Antes de analisarmos a resposta de Jesus, precisamos identificar o que são “estas coisas” sobre as quais os discípulos estavam perguntando.
Os cristãos que foram ensinados sobre a visão futurista pensam imediatamente que “estas coisas” se referem aos acontecimentos que precederão a Segunda Vinda de Jesus e o fim do mundo. Mas chegaremos a um entendimento muito diferente se compreendermos o contexto dessa passagem da Bíblia.
Mateus 23 nos fala sobre um dia em que Jesus estava pregando no Templo de Jerusalém. Em primeiro lugar, Ele advertiu as multidões e os Seus discípulos que tomassem cuidado com os escribas e os fariseus (2 a 12). Então, começando em Mateus 23.13, Jesus deixou os discípulos de lado por um instante e dirigiu Suas palavras diretamente àqueles líderes religiosos. Podemos sentir o tom da Sua mensagem observando as primeiras palavras de cada versículo. Jesus estava repreendendo os líderes religiosos bem ali no Templo deles (23.14-16, 23-29). Jesus foi intensificando Sua repreensão até chegar a um clímax no qual Ele declarou um juízo severo contra aqueles líderes religiosos:

Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração (Mt 23.33-36).        

Quando Jesus declarou o juízo vindouro, Ele se referiu ao sangue de toda pessoa justa, desde Abel a Zacarias. Isso é significativo porque na Bíblia hebraica Abel está no primeiro livro e Zacarias está no último livro. Portanto, Jesus estava dizendo aos líderes religiosos que o julgamento pelo sangue de toda pessoa justa – desde o início do seu Livro Santo até o fim – viria sobre eles e na geração deles! O juízo havia sido decretado!

De modo que agora uma punição está determinada, uma punição que traz um pavor tremendo e que implica a destruição de toda a cidade (CRISÓSTOMO)[9]   

O juízo cumpriu-se no ano 70 D.C.


As palavras de Jesus se cumpriram? Bem, elas teriam de se cumprir por volta do ano 70 D.C., porque Jesus fez essa declaração por volta do ano 30 D.C. Historicamente, alguma coisa aconteceu? Sim, no ano 70 D.C. Jerusalém foi destruída. Quarenta anos depois de Jesus ter declarado o juízo, vinte mil soldados romanos, sob o comando do General Tito, cercaram a cidade e cortaram todos suprimentos de alimentos por quatro meses para que o povo morresse de fome. Então, os soldados entraram na cidade e mataram impiedosamente mais de um milhão de judeus. Os soldados incendiaram o Templo e levaram 97 mil judeus cativos[10] 
Naquele momento, a população judia foi dizimada. Historicamente, pouco se sabe sobre a vida dos judeus nos sessenta anos seguintes. Foi somente por volta do ano 130 a 135 D.C. que eles começaram a se reunir novamente com força suficiente para tentar uma última rebelião contra Roma. Então, depois de três anos de lutas, os romanos conseguiram esmagar essa rebelião matando 580 mil judeus, e Israel deixou de ser reconhecida como nação (até 1948). Foi também nesse período que o comandante romano ordenou que o Templo de Jerusalém fosse completamente demolido, que cada pedra fosse levada embora e que a terra sobre a qual o Templo havia estado fosse arada. O Templo foi totalmente destruído, como Jesus disse que seria[11].       

Quando eles [os soldados romanos] entraram nas casas para saqueá-las, encontraram dentro delas famílias inteiras de homens mortos... o que significa que haviam sido mortos pela fome: então, eles ficaram horrorizados com essa visão e saíam sem tocar em nada. Mas embora tivessem essa piedade por aqueles que haviam sido destruídos daquela forma, não tinham o mesmo sentimento por aqueles que ainda estavam vivos, pois matavam todos os que encontravam e obstruíam as vielas com seus corpos mortos, fazendo toda a cidade escorrer sangue, a tal ponto que o fogo de muitas das casas era apagado pelo sangue daqueles homens (JOSEFO)[12]   

Tudo isto ocorreu dessa forma, no segundo ano do reinado de Vespasiano [ano 70 D.C.], de acordo com as previsões do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (JOSEFO. História Eclesiástica, III:7)

Isto se cumpriu meticulosamente: depois que o templo foi queimado, Tito, o general romano, ordenou que até os fundamentos fossem escavados, e em seguida a terra sobre a qual ele havia estado foi arada por Turnus Rufus...”Esta geração de homens que agora vive não passará até que todas estas coisas sucedam” – essa expressão implica que grande parte daquela geração teria morrido, mas não toda ela. E assim sucedeu, exatamente, pois a cidade e o templo foram destruídos trinta e nove ou quarenta anos depois (As obras de John Wesley. 1985).

Muitos afirmarão ser o Cristo


E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos (Mt 24.4,5).

Os cristãos que ouviram apenas a visão futurista sobre as passagens bíblicas citadas imediatamente colocam essas palavras de Jesus no futuro, pouco depois do fim do mundo. Eles estão olhando ao redor, procurando algum líder mau ou vários líderes que comecem a afirmar serem o Cristo.
Esse é o primeiro erro que precisamos corrigir. Jesus estava respondendo à pergunta com respeito à quando Jerusalém e o Templo seriam destruídos.
Isso aconteceu historicamente? Sim. Logo depois da morte de Jesus, muitos líderes se levantaram capturando o coração do povo judeu. Pode parecer difícil para nós entendermos isso hoje, mas precisamos ter em mente a cultura daquele tempo. O povo judeu estava procurando desesperadamente por um Messias – alguém para libertá-los do domínio romano. A esperança deles e muito do seu sistema religioso se baseava em um Messias vindouro. Quando Jesus morreu, muitos dos seu seguidores desistiram de crer que Ele era o Messias, e outros líderes se levantaram rapidamente, atraindo grandes multidões.

E, realmente, nunca apareceram tantos impostores no mundo como alguns anos antes da destruição de Jerusalém, sem dúvida porque aquele era o tempo em que os judeus em geral esperavam pelo Messias (John Wesley. Notas explanatórias sobre o Novo Testamento).    

Depois que o Senhor foi elevado ao céu, os demônios levantaram determinado número de homens que afirmavam ser deuses (A História da Igreja, 1965, II:I3).

Um grande número de impostores apareceu antes da destruição de Jerusalém, divulgando que eram ungidos de Deus...(Charles Spurgeon. O Evangelho do Reino. 1974, p. 213).

Pregando o evangelho do Reino a todo o mundo


“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mt 24.14)

Se você foi ensinado com base na visão futurista, sabe que esse versículo geralmente é citado para encorajar os cristãos a ajudarem a fazer com que o evangelho seja pregado em todo o mundo, a fim de que Jesus Cristo possa voltar.
Mas nós iremos mostrar outra maneira de entender essa passagem bíblica. Jesus disse que todos os acontecimentos dos quais Ele falou ocorreriam naquela geração. Se quisermos acreditar nas palavras de Jesus de modo literal, então devemos procurar compreender como esse versículo podia ter se cumprido no primeiro século.
Qualquer estudo sério das sagradas Escrituras deve aplicar os princípios fundamentais do estudo bíblico. Um desses princípios diz que outras passagens bíblicas sobre o mesmo tópico devem ser lidas antes de se tirar quaisquer conclusões sobre o que uma passagem específica significa. Assim, permitimos que a Bíblia interprete a si mesma, com menos mal-entendidos, devido às nossas inclinações e influencias culturais.
Por exemplo, para entendermos Mateus 24.14 será útil descobrir se existem outras passagens bíblicas que falam sobre o Evangelho ser pregado por todo o mundo. Se você fizer isso em seu próprio estudo, descobrirá cinco passagens que tratam desse assunto. É impressionante que todas as cinco passagens nos revelam como o Evangelho foi proclamado a todas as nações dentro da geração dos apóstolos. Vamos ver essas cinco passagens.
Em primeiro lugar, examine as palavras de Paulo em Romanos 1.8: “Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé”.
A fé deles estava sendo proclamada – durante o tempo em que Paulo era vivo – por todo o mundo. Paulo deixa isso ainda mais claro em Romanos 10.18:

“Mas pergunto: Porventura, não ouviram? Sim, por certo: Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”.

Paulo faz essa afirmação novamente em Romanos 16.25-26: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações”.
E Paulo o repete novamente em Colossenses 1.5,6, “por causa da esperança que vos está preservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que chegou até vós; como também, em todo o mundo, está produzindo fruto e crescendo, tal acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes e entendestes a graça de Deus na verdade”.
Eis outra vez. O Evangelho estava dando fruto em todo o mundo – no tempo em que Paulo era vivo. Finalmente, vamos ver a declaração mais clara que Paulo fez sobre esse assunto: Cl 1.23, “se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro”.
Será que Paulo poderia ter afirmado isso de maneira mais clara? O Evangelho havia sido proclamado “a toda criatura debaixo do céu”.
Quando as pessoas leem essas passagens, elas podem ser perguntar se as palavras “em todo o mundo”, “confins do mundo”, “todas as nações” e “a toda criatura debaixo do céu”, realmente significam o mundo inteiro que o entendemos hoje. Alguns podem questionar se essas palavras significariam dizer o mundo, na dimensão que os discípulos conheciam, ou apenas o Império Romano.
Nessas passagens há duas palavras gregas diferentes que foram traduzidas pela palavra “mundo”. Paulo usou a palavra grega kosmos em Romanos 1.8 e em Colossenses 1.6. A palavra kosmos pode ser traduzida como “mundo” ou “terra”, mas de uma maneira ou outra, ela inclui o mundo inteiro. A outra palavra grega para mundo é oikoumene, que pode ser traduzida como “terra inabitada” ou “terra civilizada”. Paulo usou essa palavra em Romanos 10.18, quando declarou que a Palavra havia alcançado “até os confins do mundo”. Jesus também usou essa palavra, oikoumene, Mateus 24.14. Por conseguinte, entendemos que em sua declaração original Jesus disse que os discípulos teriam tempo para pregar o evangelho do Reino ao mundo civilizado.
Seja como for que as vejamos, as palavras de Jesus se cumpriram dentro da geração dos primeiros discípulos. Eles realmente viraram o mundo de cabeça para baixo.

O ensinamento da nova aliança alcançou a todas as nações, e de uma só vez os romanos sitiaram Jerusalém e destruíram a cidade e o Templo (Eusébio. A prova do Evangelho, 1920, I:6).            

Vocês pregarão em todos os lugares...Então ele acrescentou: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, como testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. O sinal definitivo deste tempo do fim será a queda de Jerusalém  (João Crisóstomo. O Antigo Comentário cristão; 2002. Ib: I9I).

De Jerusalém saíram pelo mundo homens, em número de doze...pelo poder de Deus eles proclamaram a toda raça de homens que haviam sido enviados por Cristo para ensinar a todos a Palavra de Deus (Justino Mártir. Os pais ante-nicenos. 1989, primeira apologia, XXXIX).

Houve um intervalo suficiente para a plena proclamação do Evangelho pelos apóstolos e evangelistas da Igreja Cristã Primitiva, bem como para a congregação daqueles que reconheciam o Cristo crucificado como o verdadeiro Messias. Depois veio o terrível fim que o Salvador previu e predisse, cuja expectativa extraiu de Seus lábios e de Seu coração o triste lamento que se seguiu à Sua profecia sobre a condenação que aguardava a Sua capital culpada (Charles Spurgeon. Exposição popular de Spurgeon sobre Mateus. 1979, p. 2II).

Depois que eles pregassem o Evangelho com êxito, Jesus disse: “Então virá o fim” (Mt 24.14). A que fim Ele estava se referindo? Lembre-se de que Jesus estava respondendo à pergunta dos discípulos: “Quando Jerusalém e o Templo serão destruídos?” Esse é o “fim” sobre o qual Jesus estava falando. Na verdade, essa destruição foi o que Jesus mencionou em seguida.

A abominação no lugar santo.


Agora, precisamos examinar a que Jesus estava se referindo quando advertiu os discípulos sobre o momento em que o abominável da desolação fosse visto no lugar santo.
Como mencionado anteriormente, os mestres que defendem a visão futurista supõem que o abominável da desolação é o anticristo, que colocará um ídolo em um templo futuro ou que, na verdade, entrará nesse templo e se declarará Deus.
Para constatar o quanto esse entendimento é infundado, observe primeiramente que o anticristo nunca é mencionado em Mateus 24 (nem em qualquer dos evangelhos). Observe, também, que Jesus estava falando aos Seus discípulos e dizendo-lhes que eles testemunhariam esse acontecimento. Jesus não estava falando sobre um anticristo que viria centenas ou até milhares de anos depois, mas sim de uma abominação que seria vista enquanto eles ainda estivessem vivos.
Em seguida, podemos identificar onde a abominação deveria aparecer. Mateus se refere ao “lugar santo” e Lucas se refere a “Jerusalém”. Qual autor está certo? Ambos. Quando Mateus menciona o lugar santo, ele estava se referindo ao mesmo local indicado por Lucas quando falou de Jerusalém. Podemos confirmar esse fato examinando a terminologia “lugar santo”, que foi traduzida a partir das palavras gregas hagios topos. Essa terminologia não é usada em nenhum lugar da Bíblia referindo-se ao Templo ou ao Santo dos Santos no Templo. Como qualquer pessoa com um dicionário de grego pode aprender, a palavra hagios significa “santo” e a palavra topos se refere a uma “localidade”. Esse termo é usado em expressões do tipo “um lugar deserto”, mas nunca em referência a um prédio.                  
Como vemos que Lucas se refere a este lugar santo como “Jerusalém”, conclui-se que Jesus estava se referindo a Jerusalém na passagem paralela de Mateus.
Em seguida, o que é abominável da desolação? Quando falamos em uma abominação, estamos nos referindo a algo horrível, detestável e repulsivo. Lucas nos diz que a abominação eram os exércitos que estavam cercando Jerusalém. O que poderia ser mais detestável para o povo judeu? Os exércitos pagãos se reuniram para tornar a cidade santa uma desolação.
Esse argumento corresponde às evidencias históricas? Perfeitamente! Conforme observamos, no ano 70 D.C., 20 mil soldados romanos se enfileiraram nas montanhas ao redor de Jerusalém, cercando a cidade santa.

O abominável da desolação significa o exército pelo qual a cidade santa de Jerusalém se tornou um lugar desolado (João Crisóstomo. Os pais anti-nicenos. I dez, 07).    

Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas (Dn 9.26).

De fato, os soldados foram para Jerusalém com o objetivo de destruir a cidade. Durante quatro meses eles fizeram o povo morrer de inanição; então eles desceram sobre a cidade como uma inundação se derramando dentro de um vale. 

Uma grande tribulação


Jesus advertiu os discípulos para que fugissem da Judeia (Mateus 24.15-20). Então Ele profetizou a grande tribulação que se seguira:

Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados (Mt 24.21,22)

Os mestres futuristas dizem que essa grande tribulação acontecerá no futuro, imediatamente antes do fim do mundo, e que ela se espalhará por toda a terra. Essa tribulação vindoura é tão comentada em alguns círculos cristãos que chegou a desenvolver uma identidade própria, sendo chamada de “A Grande Tribulação”.
Na verdade, Jesus estava falando sobre a destruição de Jerusalém no ano 70 D.C. Ele estava respondendo à pergunta dos discípulos: “Quando Jerusalém e o Templo serão destruídos?”.
Se Jesus estava realmente falando sobre os acontecimentos do ano 70 D.C., então temos outra pergunta a responder. Como Ele poderia ter dito que nada de tão terrível ocorreu desde o princípio do mundo até agora, nem nunca acontecerá? Não aconteceram coisas mais terríveis que a destruição de Jerusalém? E quanto ao holocausto no século 20, no qual 6 milhões de judeus foram assassinados? E quanto a outros tempos de guerra e de destruição em massa? A destruição de Jerusalém não foi a maior em magnitude, mas Jesus estava falando em termos de ser ela a maior calamidade no sentido de sofrimento e angústia.
Josefo descreve o que realmente aconteceu no ano 70 D.C. Depois que a cidade foi lacrada pelos soldados romanos, Josefo conta como os judeus cometeram atrocidades terríveis, como o canibalismo que ocorreu durante a fome. Ele narra um relato abominável de uma mulher assassinando seu filho pequeno, cozinhando-o e comendo a metade dele, e depois discutindo com ladrões, que invadiram sua casa em busca de comida, sobre quem comeria a outra metade.
Durante a fome, os judeus também engoliram diamantes e pedras preciosas na esperança de fugir e levá-los em segurança para outros lugares. Conhecendo esse fato, os soldados romanos capturavam as pessoas da cidade e abriam seu estômago e suas entranhas, cortando-os à procura de qualquer coisa que pudessem encontrar.
Depois que o General Tito pôs um fim às buscas por pedras preciosas um novo tipo de tortura teve início. Josefo escreveu que quando os homens tentavam fugir da cidade ou se esgueirar para fora a fim de encontrar comida, os soldados romanos cortavam suas mãos e os mandavam de volta para dentro da cidade. Quando os soldados romanos finalmente tiveram ordem para descer sobre Jerusalém, Josefo conta que mais de 500 homens eram aprisionados por dia, depois chicoteados, torturados e crucificados. Homens eram pregados a cruzes na frente da cidade até não haver mais espaço. Finalmente, os soldados entraram na cidade, e todas as pessoas foram mortas, com exceção de 97 mil, que foram levadas para serem escravas nas minas egípcias ou dadas como presentes a diversas províncias para que pudessem ser mortas nas arenas[13].

A destruição de Jerusalém foi mais terrível do que qualquer coisa que o mundo jamais testemunhou, quer antes ou desde então. Até Tito pareceu ver na sua obra cruel a mão de um deus vingador. Verdadeiramente, o sangue dos mártires mortos em Jerusalém foi amplamente vingado quando toda a cidade se tornou um verdadeiro Aceldama, ou campo de sangue (Charles Spurgeon)[14]  

E quanto ao fim dos tempos?


“Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24.36).

Quando a Bíblia usa a terminologia “dia e hora”, ou o “Grande Dia”, ou o “último dia”, ou em alguns contextos “o dia”, ela se refere ao dia do juízo, e não simplesmente a qualquer dia do juízo, mas ao dia do grande juízo final quando Deus chamará todas as pessoas para prestarem contas no fim do mundo (Mt 7.22; Lc 10.12; Jo 6.39; 12.48; Rm 2.16; ICo 1.8; 3.15; 5.5; Fp 1.6, 10; 2Ts 1.10; 2Tm 1.18; 4.8; Hb 10.25; 2Pd 3.10, 12; Jd 1.6).
Aquele dia do juízo final é o tópico sobre o qual Jesus fala no restante do capítulo 24 de Mateus e de todo o capítulo 25. Jesus compara o dia do grande juízo com o julgamento da inundação de Noé (Mt 24.37-39), com dois homens em um campo (40,41), com um ladrão chegando à noite (42-44), com um senhor voltando para exigir que seus servos lhe prestem contas (45-51), com um noivo voltando para a sua noiva (Mt 25.1-13) e com um senhor voltando para ver como o seus servos haviam usado os seus talentos (14-30). Jesus termina o seu grande ensinamento falando sobre o Filho do Homem vindo em glória com todos os anjos, e então as nações sendo reunidas perante Ele (31-46).

Há uma mudança manifesta nas palavras do nosso Senhor aqui, que indica claramente que elas se referem à Sua última grande vinda para o juízo (Charles Spurgeon)[15]     

Resumo

O entendimento preterista parcial de Mateus 24 que acabamos de apresentar a você é apoiado por uma parte significativa do Corpo de Cristo em todo o mundo. O motivo pelo qual mencionamos esse dado é para deixar que não apresentamos uma doutrina bizarra na qual ninguém mais acredita. Milhares de mestres da Bíblia explicariam Mateus 24 da mesma maneira que acabamos de explicar.
Se passar a aceitar a visão preterista parcial de Mateus 24 adotará muitas ideias que podem ser novas para você, sendo o ponto mais importante o fato de que não haverá mais sinais precedendo a Segunda Vinda de Jesus ou o fim do mundo. Jesus não sabia sobre nenhum sinal, e mais ninguém tampouco poderá saber a respeito deles. Jesus foi enfático acerca desse ponto, contando nada menos do que seis parábolas diferentes para se certificar de que os Seus seguidores entendessem que esse acontecimento será uma surpresa total para todos, exceto para o Pai.
Isso é contraditório ao que é dito pelos mestres futuristas, que amam criar nos seus ouvintes uma expectativa sobre a Segunda Vinda falando sobre guerras, fome e terremotos crescentes, falsos líderes religiosos e pessoas se desviando da fé. Na verdade, todos esses sinais precederam a destruição de Jerusalém no ano de 70 D.C. Quando Jesus voltar em algum momento no futuro, você estará comendo e bebendo, dirigindo o seu carro, dormindo em sua cama ou trabalhando no seu emprego. Então, de repente, Jesus Cristo aparecerá no céu. Sem aviso e sem sinais.


[1] Orígenes contra Celso, 1660, 8.68.
[2] Orígenes nasceu por volta de 185 EC, em Alexandria, no Egito. Obteve amplo conhecimento da literatura grega, mas seu pai, Leonides, o obrigou a dedicar-se igualmente ao estudo das Escrituras. Quando Orígenes tinha 17 anos, o imperador romano baixou um decreto transformando a mudança de religião em crime. O pai de Orígenes foi preso porque havia se tornado cristão. Jovem e cheio de zelo, Orígenes estava determinado a juntar-se ao pai na prisão e no martírio. Ao perceber isso, a mãe dele escondeu suas roupas para impedir que fosse embora de casa. Por carta, ele implorou a seu pai: “Cuidado! Não mude de ideias por nossa causa.” Leonides continuou firme e foi executado, deixando a família na pobreza. Mas Orígenes já estava bem adiantado nos estudos, o suficiente para poder sustentar a mãe e seis irmãos mais novos dando aulas de literatura grega. Com o tempo, Orígenes tornou-se erudito notável e escritor prolífero. Alguns disseram que ele escreveu 6.000 livros, embora é provável que isso seja um exagero. Sua obra mais conhecida é a Hexapla, uma gigantesca versão de 50 volumes das Escrituras Hebraicas. Ele dispôs a Hexapla em seis colunas paralelas, contendo: (1) o texto hebraico e aramaico, (2) uma transliteração desse texto para o grego, (3) a versão grega de Áquila, (4) a versão grega de Símaco, (5) a Septuaginta grega, que ele revisou para corresponder mais exatamente ao texto hebraico, e (6) a versão grega de Teodocião. “Com essa combinação de textos”, escreveu o erudito bíblico John Hort, “Orígenes esperava elucidar o significado de muitas passagens nas quais o leitor grego ficaria confuso ou seria enganado caso tivesse diante de si apenas a Septuaginta”/ https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2001529
[3] The Works of John Wesley. As obras de John Wesley. 1985, p. 499.
[4] John Wesley (1703-1791) foi um reverendo anglicano e teólogo britânico. Foi o líder e precursor do Movimento Metodista ocorrido na Inglaterra no século XVIII. Nessa época, a Inglaterra vivia uma Revolução Industrial, e o número de desempregados e mendigos era enorme, levando John Wesley a se interessar pela questão social e pela miséria. Passou a fazer pregações, onde reunia um grande número de pessoas na Inglaterra e na Irlanda. Fez campanhas para diversas questões sociais, entre elas, a reforma do sistema educacional e prisional. John e Charles organizaram pequenas sociedades e classe dentro da Igreja da Inglaterra, com o objetivo de estudar a Bíblia, orar e pregar. Seus trabalhos logo foram difundidos em vários países, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra, reunindo milhares de integrantes, deixando um legado de 300 pregadores itinerantes e mil pregadores locais. Só após a morte de Wesley, a Igreja Metodista se organizou como Igreja propriamente formada. Primeiro nos Estados Unidos e depois na Inglaterra. John Wesley faleceu em Londres, Inglaterra, no dia 02 de março de 1791/ https://www.ebiografia.com/john_wesley/
[5] The Works of Jonathan Edwards. As obras de Jonathan Edwards, 1974, p. 488.  
[6] Jonathan Edwards, um pastor congregacional que viveu no século XVIII, é hoje considerado pelos historiadores um dos maiores teólogos e pensadores da história dos Estados Unidos. Ele foi não somente um dos instrumentos do primeiro grande reavivamento ocorrido naquele país, mas o maior estudioso e intérprete desse fenômeno.
[7] The life and Work of Charles Haddon Spurgeon. Vida e Obra de Charles Haddon Spurgeon. 1992, 4:210. 
[8] Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (19 de junho de 1834 — 31 de janeiro de 1892), foi um pregador Batista Reformado, nascido em KelvedonEssex na Inglaterra. Converteu-se ao cristianismo em 6 de janeiro de 1850, aos quinze anos de idade. Aos dezesseis, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854, Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano, transferindo-se para novo prédio. Desde o início do ministério, seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E sua excelência na pregação nas Escrituras Bíblicas lhe deram o título de O Príncipe dos Pregadores e O Último dos Puritanos/ https://www.projetospurgeon.com.br/quem-foi-spurgeon/quem-foi-charles-haddon-spurgeon/
[9] João Crisóstomo. O Evangelho de Mateus, Homilia 74.3
[10] Flavio Josefo, Josephus: The Complete Works. Traduzido por William Whiston (Nashville, TN: Thomas Nelson Publishres, 1998), The Wars of the Jews, vi:ix:3.
[11] O muro Ocidental atual (também chamado de Muro das Lamentações) em Jerusalém nunca fez parte do Templo que existia nos dias de Jesus. Ele era parte do parapeito que o rei Herodes havia construído ao redor do Templo.
[12] The Wars of the Jews, 1998. Vi: viii; 5).
[13] Flavio Josefo, The Wars of the Jews, 1998, v:xi: I-2: vi:ix:2-3.
[14] Exposição popular sobre Mateus. 1979, p. 211.
[15] O Evangelho do Reino. 1974, p. 218.

Bibliografia

·      Harold R. Eberle e Martin Trench. Escatologia Vitoriosa. Uma visão preterista parcial. Chara. Brasília. 




Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé́. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.


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 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:

Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).

Comentários

  1. Eu, quero agradecer imensamente a vocês. Eu estava com bastante dúvidas, acerca desse sermão profético de Jesus; mas quando li essa explicação,nossa,é como se um balde de entendimento tivesse derramando sobre a minha cabeça.
    .
    Obrigado!

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