Escatologia. O ponto de vista PRETERISTA.


A palavra “preterista” está baseada em uma palavra latina “praeteritus” que significa “o que se passou”, i.e., passado. Quanto mais o tempo passa, mais distante estamos dos eventos do Apocalipse. Essa reivindicação, tão notável resume o ponto de vista preterista evangélico do Apocalipse. O “preterismo” assegura que grande parte das profecias de João ocorreu no século I, logo após o livro ter sido escrito por ele. Embora as profecias estivessem no futuro quando João escreveu, e seu público as leu, elas agora estão em nosso passado (GENTRY. 2002, p. 39).     

Kenneth L. Gentry Jr. 

Os pós-milenistas apóiam a interpretação preterista, que afirma que quase tudo o que está neste livro já se cumpriu no primeiro século. O Apocalipse foi escrito num tempo de perseguição e tribulação para a igreja, não com o propósito de satisfazer a curiosidade do povo quanto aos eventos do futuro, mas sim de lhe dar uma esperança concreta, fundamentada na vitória final de Deus, por intermédio de Cristo, sobre todos os inimigos de seu povo. Em meio a todas as imagens misteriosas e difíceis do livro, emerge uma verdade nítida: ao fim, Jesus será vitorioso. Sobre isso, todos os intérpretes cristãos estão de acordo. A discussão versa exatamente sobre como Cristo vencerá. (FERREIRA. 2007, p. 1130)

1. Preterista

Marvin Pate

O ponto de vista preterista considera a interpretação histórica do Apocalipse seriamente, relacionando-a com seu autor original e o público. Isto é, João destinou seu livro para as verdadeiras igrejas que enfrentaram terríveis problemas no século I d.C. Dois dilemas em particular providenciaram o ânimo para escrever o livro. Kenneth l. Gentry Jr. Escreve sobre isso:

O Apocalipse tem dois propósitos fundamentais relativos aos seus ouvintes originais. Em primeiro lugar, foi projetado para fortalecer a igreja do século I contra uma tempestade de perseguições que estavam, por conseguinte, provocando um crescente enfraquecimento. Uma característica nova e principal daquela perseguição foi a entrada imperial de Roma no cenário. A primeira perseguição histórica da igreja pelo império de Roma foi por César Nero de 64 d.C. a 68 d.C. Em segundo lugar, foi para reforçar a igreja para uma reorientação principal e fundamental no rumo da história redentora, reorientação necessária para a destruição de Jerusalém (o foco não era somente da aliança antiga de Israel, mas o cristianismo apostólico [At 1.8; 2.1; 15.2] e o templo [Mt 24.1-34 e Ap 11])[1].    

Assim,  a tentativa contínua de firmar o cumprimento das profecias divinas do Apocalipse no século I d.C. constitui a abordagem distintiva dos preteristas.
A origem do preterismo pode ser traçada ao sistema teológico conhecido como pós-milenarismo, que ensina que Cristo voltará após o milênio, um período de felicidade na terra trazida pela conversão das nações por causa da pregação do evangelho. O crédito para formular a doutrina pós-milenar normalmente é dado a Daniel Whitby[2] (1638-1726), ministro unitarista[3] da Inglaterra. O ponto de vista de Whitby do milênio foi adotado por teólogos liberais e conservadores. John F. Walvoord comenta:

Seus ponto de vista do milênio provavelmente nunca seriam perpetuados se eles não estivessem tão afinados ao pensamento daquela época. Uma maré ascendente de liberdade intelectual, ciência e filosofia, o humanismo, como também aumentara o conceito de progresso humano e deu uma clara visão geral do futuro. O ponto de vista de Whitby de uma era áurea para a igreja por vir era exatamente o que as pessoas queriam ouvir [...] Não é estranho que teólogos que competem para os reajustamentos em um mundo de mudanças devam achar em Whitby a chave fundamental que precisavam. Era atraente a todos os tipos de teologia. Isso proveu para o conservador um princípio aparentemente mais viável de interpretar as Escrituras. Afinal de contas, os profetas do AT sabiam sobre o que estavam falando quando predisseram uma era de paz e retidão. O conhecimento crescente pelo homem das melhorias mundiais e científicas que estavam vindo poderiam se ajustar nessa conjuntura. Por outro lado, o conceito estava agradando ao liberal e ao cético. Se eles não acreditavam nos profetas, pelo menos acreditaram que o homem era capaz de melhorar o seu meio ambiente. Acreditaram, também, que uma áurea era dourada estava por vir[4].              

Essa aceitação por parte de muitos resultou em dois tipos de pós-milenarismo, conforme as anotações de Paul N. Benware: “pós-milenarismo liberal” e “pós-milenarismo bíblico”.[5] O primeiro teve seu apogeu no século XIX em associação ao “evangelho social”, cuja missão era a liberação da humanidade dos males sociais (pobreza, racismo, doença, guerra, e injustiça). A pressuposição dessa escola de pensamento, de que a humanidade era basicamente boa e que enfim a sociedade melhoraria, resultava em uma era dourada na terra. Porém, louvável como essa tentativa, o evangelho social sofreu duas falhas: abandonou a pregação do evangelho, e fundamentou sua visão da história ingenuamente no processo evolutivo. O tempo desferiu um sopro mortal ao pós-milenarismo liberal – os eventos catastróficos do século XX resultaram em uma posição insustentável (duas guerras mundiais, a grande depressão, a ameaça de destruição nuclear).
Junto com o pós-milenarismo liberal estava o seu correlato bíblico. Os teólogos dos séculos XVIII e XIX que seguem essa abordagem mantiveram seus compromissos para com o evangelho e para com o seu poder transformador. Stanley J. Grenz relata assim:

Suas perspectivas diferem fundamentalmente tanto do cristianismo secular quanto do cristianismo liberal utópicos. Eles era otimistas e confiantes em relação ao futuro. Mas o otimismo deles originou de uma convicção no triunfo do evangelho no mundo e a operação do Espírito Santo que traria o reino, e não de qualquer concepção errônea relativa à bondade inata da humanidade ou a habilidade da igreja para converter o mundo por seu próprio poder[6].      

Atualmente, o pós-milenarismo bíblico ressalta as catástrofes da história e está experimentando um ressurgimento de influência, especialmente o reconstrucionismo cristão[7]. Sua convicção é admirável – apesar de a igreja pregar o evangelho e executar seu papel como o sal da terra, o reino de Deus avançará até que o mundo inteiro um dia alegremente se curvará à autoridade de Cristo. O meio para realizar essa meta será a lei de Deus que impacta a igreja e, por conseguinte, o mundo[8].
Os preteristas localizam a cronometragem do cumprimento das profecias do apocalipse no século I d.C., especificamente logo antes da queda de Jerusalém em 70 d.C. (entretanto alguns também vêem seu cumprimento nas quedas de Jerusalém [séc. I] e de Roma [séc. V]). Apesar de a opinião de muitos que o apocalipse foi escrito na década de 90, durante o reinado de Domiciano (81-96), o preterismo mantém, em grande parte a data do livro como neroniano (54-68).

Três argumentos básicos são aplicados para defender aquele período.


1) Há alusões a Nero ao longo do Apocalipse como o imperador da época (6.2; 13.1-18; 17.1-13).

2) A condição das igrejas na Ásia Menor para a qual João escreve suas cartas (caps. 2 e 3), correlaciona-se melhor com o cristianismo judeu anterior ao ano 70, tempo que testemunhou a ruptura entre o cristianismo e o judaísmo. De fato, o Apocalipse atesta a perseguição dupla do cristianismo judaico – pelos judeus e pelos romanos. A antiga perseguição aos cristãos pelos judeus, devido à sua fé em Jesus como Messias, de forma que eles foram expulsos das sinagogas, o que, por conseguinte, os expôs à veneração a Cézar[9]. Os romanos, subsequentemente, tentaram forçar os cristãos judeus a venerar César. Para julgar os judeus do século I por perseguir os cristãos, João prediz que Cristo virá em poder para destruir Jerusalém, usando o império romano para fazê-lo (1.7,8; 22.20; caps. 2 e 3; 11.17 e 18) – uma advertência que se tornou verdadeira com a queda de Jerusalém em 70 d.C.
3) De acordo com Apocalipse 11, o templo parece ainda estar erguido (quer dizer, durante todo o período da escrita do livro).

Baseado em argumentos anteriores, poderíamos esboçar o Apocalipse assim:

·      Cap. 1: A visão de João de Jesus ressurreto.
·      Caps. 2 e 3: A situação do antigo cristianismo judaico.
·      Caps. 4 e 5: A cena divina do reinado de Cristo.
·      Caps. 6-18: Julgamentos paralelos a respeito de Jerusalém.
·      Caps. 19: A vinda de Cristo para completar o julgamento de Jerusalém.
·      Caps. 20-22: O Reinado de Cristo na terra.                 

Com respeito à filosofia da história presumida pela maioria dos preteristas, como mencionado anteriormente, ela é positiva (contra Jay Adams e Cornelis Vanderwaal). O mundo melhorará por causa do triunfo do evangelho. Nesse sentido, o pós-milenarismo alinha mais com o papel do profeta do AT, cuja mensagem proclamou a intervenção de Deus na história, do que com a destruição apocalíptica e com previsões de trevas do futuro[10].      

1. Preterista


Kenneth L. Gentry Jr.

A palavra “preterista” está baseada em uma palavra latina “praeteritus” que significa “o que se passou”, i.e., passado. Quanto mais o tempo passa, mais distante estamos dos eventos do Apocalipse. Essa reivindicação, tão notável resume o ponto de vista preterista evangélico do Apocalipse. O “preterismo” assegura que grande parte das profecias de João ocorreu no século I, logo após o livro ter sido escrito por ele. Embora as profecias estivessem no futuro quando João escreveu, e seu público as leu, elas agora estão em nosso passado.
Antes de iniciar minha pesquisa, tenho de apontar o que a maioria dos cristãos suspeita e o que praticamente todos os estudiosos evangélicos (excluindo os dispensacionalistas clássicos) reconhecem com referência ao livro: o Apocalipse é um livro altamente figurativo que não podemos abordar a partir de um literalismo direto e simples. Porém, após fazer essa declaração, o ponto de vista preterista entende as profecias do Apocalipse refletindo eventos históricos atuais solidamente no futuro próximo de João, entretanto eles estão fixados no drama apocalíptico e ornados em hipérbole[11] poética. Como o comentarista pré-milenarista Robert Mounce observa: “Que a linguagem da profecia é altamente figurativa e não tem nada a ver com a realidade dos eventos preditos. O simbolismo não é uma negação da historicidade, mas um assunto de gênero literário”.[12] Verifique os seguintes impedimentos de um literalismo preconcebido:

1) A declaração sobre conteúdo. Em sua declaração de abertura, João nos informa que sua revelação foi dada “para mostrar” (gr. deixai) a mensagem e para isso “enviou seu anjo para torná-la conhecida” [gr. esçmanen] pelo seu anjo” (Ap 1.1). Conforme Friedrich Dusterdieck comenta: “O deixai ocorre do modo peculiar a semainein, isto é, a indicação do que é significado por meio de “figuras significativas”[13]. Na realidade, 41 vezes, João diz que ele “vê essas profecias (1.12,20; 5.6; 9.1; 20.1). Além disso, algumas das visões são obviamente simbólicas, como o cordeiro morto (caps. 4 e 14), a besta de sete cabeças (caps. 13 e 17), e a prostituta babilônica (cap 17).
Em seu evangelho, João mostra o problema do literalismo entre os primeiros ouvintes de Cristo: eles interpretam mal seu ensino referente ao templo (Jo 2.19-22), ao nascer de novo (3.3-10), ao beber água (4.10-14), ao comer sua carne (6.51-56), ao ser livres (8.31-36), ao ser cegos (5.39,40), ao dormir (11.11-14), e Jesus como Rei (18.33-37). Essa abordagem errônea é exagerada se usada na revelação de João. A natureza visual no conteúdo do Apocalipse – não somente o método de sua assimilação – requer interpretação simbólica. Quer dizer, com exceção de poucos casos (Ap 1.20; 4.5; 5.6,8; 7.13,14; 12.9; 17-7-10), os símbolos não são interpretados para nós. E em um desses exemplos em que aceitamos uma interpretação angelical (17.9-12), a besta de sete cabeças não é literalmente uma besta de sete cabeças de modo algum.

2) O precedente dos profetas antigos. Os profetas do AT empregam linguagem figurativa para um dos dois propósitos: relacionar verdades espirituais majestosamente, ou simbolizar eventos históricos dramaticamente. Por exemplo, Deus está cavalgando em uma nuvem “que vai para o Egito” (Is 19.1; v. A seguir; “O tema Apocalíptico”) e a destruição da linguagem (Ao 13.10; v. a seguir “O sexto selo”) fala da queda de cidades antigas. Terry oferece muita ajuda a este respeito,[14] diz que “uma interpretação literal rígida da linguagem apocalíptica inclina-se a confusão e equívocos infinitos”[15]. Até o literalista Robert Thomas admite que “a fluidez da linguagem metafórica nas Escrituras é inegável”[16].   

3) Dificuldade do literalismo consistente. Alguns exemplos do literalismo parecem estranhos, irracionais, e desnecessários. Por exemplo, Robert Thomas assegura que os gafanhotos assustadores em Apocalipse 9 e as rãs estranhas em Apocalipse 16 são demônios que literalmente assumem essas formas físicas; que os dois profetas em Apocalipse 11 literalmente vomitam fogo de suas bocas; que toda montanha no mundo será abolida durante o julgamento das sete taças; que a destruição literal da cidade da Babilônia por fogo acontecerá lentamente por mais de 1 000 anos; que Cristo retornará do céu para a terra em um cavalo, literalmente; e que a Nova Jerusalém é um cubo de 1 500 milhas de altura[17].                          

A expectativa Temporal (Ap 1.1-3)


Volto-me agora a uma pesquisa do livro de Apocalipse. Platão, em A república, afirma uma máxima singular: “O começo é a parte mais importante do trabalho”. Esse princípio assegura um significado especial para o pretensioso intérprete do Apocalipse. O preterista insiste que a chave para o Apocalipse seja encontrada em abertura. Note a introdução de João:     

Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu. Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. (Ap 1.1 a 3).

Agora – antes que as visões dramáticas brilhem em cena e a imagem altamente forjada confunda o leitor – João fornece uma pista indispensável para interpretar o seu livro: Os eventos de Apocalipse devem acontecer [gr. tachos] “em breve” (v. 1) porque “o tempo está próximo” [gr. engys]”. Os teólogos notam que referências para “o tempo” indicam com frequência um “tempo de crise” especial. A próxima crise no Apocalipse, como mostrarei, é o “Dia de Deus” julgamento em Israel em 67-70 d.C. (Atos 2.16-20; Its 2.14-16).
Os léxicos gregos e as traduções modernas concordam que essas condições indicam proximidade temporal. Ao longo do NT, tachos significa “depressa”, imediatamente, sem demora, brevemente. O termo engys (“próximo”) também fala de proximidade temporal: do futuro (Mt 26.18), do verão (24.32) e de um festival (Jo 2.13). O apóstolo João, inspirado, informou claramente há quase dois mil anos ao seu público da época que eles deveriam esperar as profecias “acontecer” (Ap 1.1) no tempo de vida deles. Como observa Milton Terry, os eventos do Apocalipse são referentes “só a alguns anos no futuro após João escrevê-lo”[18].      
O significado dessas palavras não se encontra somente na introdução ao Apocalipse, mas também na conclusão de sua obra. Assim, eles são um parênteses que qualificam o livro todo. Note como termina:

Disse-me ainda: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer... Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo. (Ap 22.6,10).

Ainda mais, os termos aparecem com frequência em Apocalipse, mostrando a ênfase urgente de João na expectativa temporal.  

O Tema Apocalíptico (Ap 1.7)


O que, então, João espera no futuro próximo de seu público original? Como pode qualquer evento do século I se encontrar até o drama do Apocalipse?

O foco de atenção principal do Apocalipse (entretanto não seu único ponto) é isto: Deus julgará os judeus do século I por rejeitar e crucificar seu Filho, o Messias. Quer dizer, os julgamentos do Apocalipse vêm especialmente contra aqueles que clamaram: “Crucifica-o! “...Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!” (Mt 27.22,25; Jo 19.1-6). João afirma seu tema em sua introdução em Apocalipse 1.7, logo após ele declara a proximidade dos eventos (1.1,3), tema que é diretamente pertinente às circunstancias do século I. Observe particularmente as seguintes traduções literais:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!

Muitos supõem que o segundo advento está à vista aqui. E à primeira vista isso parece apropriado. “Não obstante, em seu contexto definido para o versículo 7 aponta para a destruição de Jerusalém e seu templo em 70 d.C., que produz vários resultados dramáticos: Traz a ira de Deus sobre os judeus por rejeitar seu Messias (Mt 21.33-44); conclui a antecipação da aliança antiga (Jo 4.20-23; Hb 1.1; 12.18-29) que está se tornando “antiquada” e “envelhecido” e “está a ponto de desaparecer” (Hb 8.13); fecha finalmente e para sempre o sistema de sacrifício tipológico, reorientando a adoração a Deus (Hb 9 e 10); e universaliza a fé cristã efetivamente, livrando-a de todos os constrangimentos judaicos (Mt 28.18-20; Ef 2.12-22) isso tende a “perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.7; At 15.1; Gl 4.10; Cl 2.16).
Eu acredito que Cristo virá pessoalmente, visível e gloriosamente para terminar a história com a ressurreição dos mortos e o grande julgamento de toda a humanidade (Mt 24.36-25.46)

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. (Mt 25.31-36)

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Ap 20.7-15)   

O Milênio (Ap 20)


Quanto mais próximo João chega à sua conclusão, mais aparece o glorioso resultado. Em Apocalipse 20, ele olha o futuro distante (o milênio começa no sec. I, mas o período necessariamente requer sua extensão além do espaço de tempo do próximo/breve tempo de estrutura do livro). Na realidade, ele fornece a consequência do longo-duradouro, da destruição de Israel e da proteção do reino de Cristo.

Os mil anos

Somente um lugar em toda a Escritura limita o reinado de Cristo a mil anos: Apocalipse 20.1-10, meio capítulo do livro mais figurativo na Bíblia. O número 1 000 seguramente é uma soma simbólica que representa perfeição quantitativa. As Escrituras, com frequência, empregam esse número de um modo não-literal: Por exemplo, Deus possui o gado apenas aos milhares nas colinas? (Sl 50.10, “Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas”).

A prisão de Satanás

Agora João aborda e inverte um tema anterior. Em 9.1, Satanás caiu do céu (gr. Ouranos) e foi dada a chave do poço do abismo. Em 20.1, Cristo desce do céu (gr. ouranos) e trazia na mão a chave do abismo para prender Satanás e lançá-lo no abismo.
As Escrituras informam explicitamente que Cristo prendeu Satanás durante seu ministério no século I. Em resposta às acusações que ele estava exorcizando demônios pelo poder de Satanás, o Senhor respondeu: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa” (Mt 12.28,29). A ascensão de Cristo ao Reino de Deus implicou exercer seu poder sobre o reino de Satanás. Visto que ainda estamos no milênio, Cristo atualmente continua despojando a casa de Satanás, pregando o evangelho que salva as pessoas da escuridão e as transporta para seu Reino (Cl 1.13; At 26.17,18).
Cristo prendeu Satanás para um propósito bem definido: “para assim impedi-lo de enganar as nações” (Ap 20.3; grifo do autor). No AT somente Israel conheceu o verdadeiro Deus (Sl 147.19,20; Am 3.2; Lc 4.6; At 14.16; 17.30). Mas a encarnação de Cristo mudou isso, conforme o evangelho começou a fluir a todas as nações (Is 2.2,3; 11.10; Mt 28.19; Lc 2.32; 24.47; At 1.8; 13.47). Na realidade, Cristo julgou os judeus e abriu seu reino aos gentios (Mt 8.11,12; 21.43; 23.36-38).

A lei de Cristo


1. Cristo estabeleceu seu reino no século I. Mateus 12.28,29 compara o pensamento de Apocalipse 20.1-6 claramente, porque nos dois lugares vemos a relação do reino de Cristo e a prisão de Satanás. Realmente, o reino esteve próximo no primeiro ministério de Cristo porque “o tempo é chegado” (Mc 1.14,15). O poder de Cristo sobre os demônios mostra a presença do reino durante seu ministério na terra (Mt 12.28; 8.29; Mc 1.24; 5.10; Lc 8.31); seu reino não espera alguma vinda futura, visível (Lc 17.20,21; Cl 1.13). Por conseguinte, Cristo reivindicou ser Rei quando estava na terra (Jo 12.12-15; 18.36,37), e Deus o entronizou como Rei após sua ressurreição e ascensão (At 2.30-36). Desde sua ressurreição, Cristo tem “toda a autoridade nos céus e na terra” (Mt 28.18), porque ele está à destra de Deus, dominando o seu reino (Mc 16.19; Lc 22.69; At 2.33; 5.31; 7.55,56; Rm 8.34; 14.11; Ef 1.20-23; Cl 1.18; 3.1; Hb 1.3,13; 8.1; 10.12; 12.2; IPd 3.22; Ap 17.14; 19.16). Como resultado, os cristãos do século I o proclamaram Rei (Mt 2.2; At 17.7; Ap 1.5), e novos convertidos entraram em seu reino (Jo 3.3; Cl 1.12,13; ITs 2.12).

2. A outra realidade envolve nosso governo presente com ele, em seu reino. João diz às sete igrejas do século I que Cristo “nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai” (Ap 1.6). Essa realeza sacerdotal presente é exatamente o que Apocalipse 20 relata no reino milenar: “Serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante mil anos” (20.6).
Paulo menciona nosso governo presente também: “Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6; 1.3; Cl 3.1-4). Quaisquer respostas surpreendentes que pudessem surgir contra esse ponto de vista, um fato permanece: a Bíblia nos ensina que estamos agora “assentados com ele”.               

A Noiva do Céu (Ap 21 e 22)


João agora chega à sua conclusão – e que gloriosa conclusão! Como o leitor pode presumir agora, o preterista entende essa passagem de forma bem diferente do futurista e nesse ponto está mais próximo ao do idealista. No capítulo 21, João testemunha a noiva de Cristo, adornada gloriosamente, descendo dos céus para uma nova criação: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo” (Ap 21.1,2).

A noiva identificada

Entender essa passagem requer analisar a nova imagem da nova criação/nova Jerusalém à luz das Escrituras anteriores. Uma vez que façamos isso, veremos que a nova criação começa no século I.

1) A época de João requer um contexto do século I. A descrição da nova criação e da nova Jerusalém, cidade-noiva, se desdobra de Apocalipse 21.1 a 22.5. Logo a seguir, lemos: “Disse-me ainda: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” (Ap 22.6). E para se ter um bom parâmetro, quatro versículos à frente João acrescenta: “Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo” (22.10). Um retardamento de milhares de anos anularia a sadia exegese dessas claras declarações temporais.

2) A sequencia do Apocalipse supõe um estabelecimento no século I. Como observa Robert Thomas, há uma “antítese principal entre as duas mulheres nos capítulos finais do Apocalipse”. Minha compreensão dessa antítese é que a nova Jerusalém está substituindo a antiga Jerusalém. A vinda da nova Jerusalém dos céus (caps. 21 e 22) deveria, logicamente, seguir a destruição da antiga Jerusalém na terra (Ap 6-11, 14-19), em vez de milhares de anos de espera.
Lembrem-se, as cenas de julgamento do Apocalipse focalizam principalmente Israel, a esposa de Deus do AT. Deus a está julgando por rejeitar seu Messias (Ap 1.7; 5.1; 11.8; v. Mt 23.37-24.2; Jo 19.12-16; Gl 4.25-31) e por perseguir seus seguidores (Ap 6.10-12; 16.6; 17.6; 18.24; v. Mt 23.34-36; ITs 2.14-16). Isto é, ela está sendo castigada por cometer adultério espiritual. O anjo fala a João que ela embriaga os habitantes da terra “com o vinho da sua prostituição” (Ap 17.2) que inclui o ser “embriagada com o sangue dos santos” (17.6). Depois que Deus anuncia o seu decreto de divórcio (cap. 5), ele condena a prostituição de Jerusalém com pena de morte (caps. 6-11; 14-18) e é o anfitrião do banquete do casamento real (19.7-20); logo após, a nova Jerusalém aparece “preparada como uma noiva adornada para o seu marido” (21.2).

3) A linguagem da nova criação sugere um ambiente do século I. A nova criação começa o curso na história antes da consumação final (que estabelecerá uma completa e nova ordem física, 2Pe 3.10-13). A passagem da nova criação exemplar, que serve como pano de fundo de João, é Isaías 65.17,20:

Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas [...]
Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado.

Aqui Isaías escreve claramente que essa nova criação ainda experimenta o pecado, o envelhecimento, e a morte. Assim, não pode recorrer ao céu ou à nova criação, consumada e eterna. Paulo usa linguagem semelhante à de João (Ap 21.1) quando descreve a nova condição do cristão em Cristo: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Cor 5.17; Ef 2.10; 4.24; Gl 6.15).

4) A teologia do NT sustenta um panorama do século I. No NT, a igreja aparece como a noiva de Cristo (Ef 5.25-28’2Cor 11.2; Jo 3.29). Essa nova noiva (a igreja internacional) deve substituir a antiga esposa (a igreja alicerçada em um povo, Israel). Essa mudança é finalizada dramaticamente em 70 d.C., quando Deus removeu o templo físico da terra. João retrata finalidade do julgamento de Israel até mesmo como o banquete do casamento (Ap 19.9).
O NT antecipa essa mudança iminente da era do templo tipológico para a nova era final de adoração espiritual:

Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (Jo 4.21,23)

A experiência de Pentecostes em Atos 2 se antecipa ao dia da próxima vinda do Senhor contra Jerusalém por crucificar Cristo (At 2.16-23, 36-40). A presença de línguas estrangeiras em Israel, evidencia o julgamento de Deus (Dt 28.49; Is 28.11; Jr 5.15; ICo 14.21,22). Assim, a experiência de línguas do Novo Testamento serve como um sinal da ira de Deus sobre ela. Veja a expectativa em Mateus 23.36-24.3,34; 26.64; Marcos 9.1; João 4.20-24; Romanos 13.11,12; 16.20; I Coríntios 7.26,29-31; Colossenses 3.6; I Tessalonicenses 2.16; Hebreus 2.5; 10.25,37; 12.18-29; Tiago 5.8,9; I Pedro 4.5,7; e I João 2.17,18.

A noiva descrita


Mas que dizer de todas as expressões majestosas em Apocalipse 21 e 22? O preterista acredita que João está expressando, por meio de uma imagem poética elevada, a glória da salvação. Nisso divergimos dos intérpretes que se esforçam em favor do literalismo. Robert Thomas, por exemplo, escreve da cidade de 1 500 milhas cúbicas (21.16): “Um tanto incrível à mente humana [...] uma cidade de 2 200 quilômetros de altura e 2 200 quilômetros de cada lado é tão inimaginável como uma pérola grande o bastante para servir como o portão da cidade ou o ouro tão transparente como o vidro”. (Deveríamos observar isso na exegese literalista, essa cidade é 1 920 quilômetros mais alta do que as órbitas do ônibus espacial!) Novamente, as restrições de espaço permitem somente uma pesquisa breve sobre o assunto.
A ausência do mar (21.1) fala de harmonia e de paz nesse contexto. Nas Escrituras, o mar simboliza, com frequência, discórdia e pecado (13.1,2; Is 8.7,8; 23.10; 57.20; Jr 6.23; 46.7; Ez 9.10). O cristianismo oferece o oposto: paz com Deus e entre os homens (Lc 2.14; Rm 5.1; Ef 2.12-18; Fp 4.7,9).
A igreja-noiva é o templo-tabernáculo de Deus (Ap 21.3) porque Deus mora nela; não há necessidade de nenhum templo literal (21.22; Ef 2.19-22; ICo 3.16; 6.19; 2Co 6.16; IPe 2.5,9). A antiga Jerusalém com seu tabernáculo/ templo “feito por homens” (Hb 9.24) está chegando ao seu fim, enquanto o novo templo de Jerusalém o substitui (Hb 8.13; 9.11,24; 12.18-28). Isto finalizou em 70 d.C.
Hebreus 12 é uma passagem importante para mostrar a mudança de eras (que é a mensagem da carta inteira). O autor está escrevendo aos cristãos judeus que estavam correndo o risco de apostatar, abandonando a Cristo para retornar ao judaísmo. Conforme se aproxima de sua conclusão, ele compara os dois mundos: o do judaísmo (12.8-20) e do cristianismo (12.22-28). Sua descrição do cristianismo tem pontos de contato com João, em Apocalipse:

Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel [...] Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor (Hb 12.22-24, 28).

Apocalipse 21.1-8 informa que essa nova salvação da criação remove as aflições (1Co 15.55-58; ITs 4.13; Tg 1.2-4), pois introduz o individuo na família de Deus (Ap 21.7; Jo 1.12,13; 1Jo 3.1-3), e traz vida eterna (Ap 21.6).
Apocalipse 21.9-22.5 fala da majestade da noiva, a igreja. Ela resplandece brilhantemente como a luz (21.10,11; Mt 5.14-16; At 13.47; Rm 13.12; 2Co 6.14; Ef 5.8-14). Ela é preciosa a Deus e tão cara quanto o ouro e joias (Ap 21.11, 18-21; 1Co 3.12; 1Pd 1.7; 2.4-7). Ela tem um alicerce seguro e paredes inconquistáveis (Ap 21.12-21; Is 26.1; 60.18; Mt 16.18; At 4.11; 1Co 3.10-15; Ef 2.19,20). Assim, ela é destinada para ter uma poderosa influencia no mundo (Ap 21.16; Is 2.2-5; Ez 17.22-24; 47.1-11; Dn 2.31-35; Mq 4.1; Mt 13.31,32; 28.18-20; Jo 3.17; ICo 15.20-28; 2Co 5.19). Ela é cuidada pela provisão de Deus com a água da vida (Ap 21.22; 22.1-5; Jo 4.14; 7.37,38; 6.32-35). Assim ela traz cura às nações pela sua presença (Ap 22.2,3; Is 53.5; Ez 47.1-12; Mt 13.33; Lc 4.18; Jo 4.14; Gl 3.10-13; Hb 5.12-14; IPd 2.2,24).

Conclusão

O entendimento dos preteristas do Apocalipse está arraigado na hermenêutica confiável e em princípios teológicos – e contém uma verificação histórica surpreendente. As observações temporais do Apocalipse são levadas a sério (1.1,3; 22.6,10,12), observa cuidadosamente o contexto histórico de Apocalipse (caps. 2 e 3), e ouve atentamente os profetas do AT apocalíptico (Is 13; 34; Ez 32). Explica a enorme mudança redentora-histórica da antiga para a nova aliança. Nesse processo o preterismo também fornece encorajamento aos crentes hoje, ao mostrar os grandes julgamentos do Apocalipse já cumpridos, possibilitando e antecipando nossa completa esperança do futuro conforme a glória da igreja se desdobra na história.      
     
        Uma visão preterista diferente: o “milenismo realizado”.


Jay E. Adams

1. O livro de Apocalipse, em sua maior parte, já se cumpriu. Ele trata de coisas que ocorreriam pouco depois de ser escrito.

2. Ele lida com a perseguição dos cristãos sob o judaísmo e Roma, e prediz o juízo de Deus sobre esses inimigos da igreja. Seu propósito, portanto, é fortalecer e encorajar os cristãos em um período de provação. Esse é um fato importante do ponto de vista homilético.

3. O Reino de Deus foi estabelecido nos dias do Império Romano, e por meio da pregação o Evangelho subjugou este último, deixando-o em pedaços. O reino é o quinto reino prometido por Daniel.

4. O milênio, como o livro de Apocalipse, já está realizado. Ele é contemporâneo à assim chamada era da igreja, e coetâneo com o tempo do Reino mundial de Deus, que substitui o reino mundial de Satanás.

5. O Reino não é, e nunca teve o propósito de ser, uma época áurea [...] A época áurea da Escritura é perfeita [...] e [...] virá depois do juízo geral.

6. Os mil anos depois de Apocalipse 20 referem-se à “era da igreja”, em que os mártires primeiro recebem o privilégio especial de “ressuscitar e reinar” com Cristo, de que todos os cristãos desfrutarão no estado eterno[19].        
                                 

Bibliografia

PATE, Marvin. As interpretações do Apocalipse. Vida. São Paulo: 2003.
FERREIRA, Franklin. Teologia Sistemática. Vida Nova. São Paulo: 2007.
ADAMS, Jay. E. Teologia Sistemática de Robert D. Culver. Shed. São Paulo: 2012.




[1] Before Jerusalem fell: dating the book of Revelation, Tyler: Institute for Christian Economics, 1989, p.15-6. Porém, deve se lembrar que o preterismo inclui dois campos – um que localiza o cumprimento do Apocalipse basicamente no século I, uma referência à queda de Jerusalém, e outro que vê o cumprimento do Apocalipse tanto no sec. I (a queda de Jerusalém) quanto no sec. V (a queda de Roma).      
[2] Daniel Whitby (1638-1726) foi um teólogo Inglês. Um ministro arminiano na Igreja da Inglaterra, Whitby era conhecida por ser fortemente anti-calvinista e mais tarde deu evidências de uma forte tendência ariana e unitária. Ele atacou John Mill, em trabalho variantium Examen Lectionum Johannis Milli (Londres 1709). Em 1710 ele havia escrito seu Discurso sobre o "Cinco Pontos" [do Calvinismo, que acabou atraindo respostas calvinista do Inglês João Batista Gonçalves em sua causa de Deus e da Verdade (1735) e American Congregationalist Jonathan Edwards em sua liberdade da Vontade (1754). Whitby é considerada por muitos a ter sistematizado Pós-milenismo, mesmo que as sementes dessa crença milenarista foram plantadas muito antes com pessoas como Agostinho. Apesar de Whitby pode ter sido um ministro arminianoPós-milenismo agora é comumente associado com as igrejas calvinistase Pactual, igrejas especificamente Reconstrucionismo/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Whitby
[3] O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo. O primeiro, constituído pelos unitários bíblicos que consideram a Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas, exceto, no que diz respeito à concepção unitária de Deus. Mais recentemente, surgiram os unitários universalistas nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria Verdade e a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas e doutrinas. Os unitários não devem ser confundidos com os unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um e único, o Pai de Jesus Cristo.[1] Já os unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas manifestações diferentes do mesmo Deus.[2] Apesar de sua origem em igrejas cristãs, é geralmente identificado com as correntes de combate ao trinitarianismo, teve diversas manifestações ao longo da História, com apoio por vezes parcial ou total com outros movimentos que compartilham seu comum desacordo com o dogma da Trindade, como o subordinacionismo, o arianismo, o serventismo ou o socianismo. Desde o século XIX, uma ala do unitarismo contemporâneo, conhecido atualmente nos Estados Unidos como unitarismo universalista, deixou de impor credos ou de fazer provas de doutrina como critério de participação, enquanto a ala mais antiga, conhecido como unitarismo bíblico ou restauracionista procura seguir os preceitos cristãos conforme ensinados na Bíblia Sagrada/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Unitarismo
[4] The Mellennial Kingdom, Findlay: Dunham, 1963, p – 22-3. Em uma recente correspondência, Ken Gentry fornece duas clarificações proveitosas da apresentação que fornecemos referente à conexão entre o preterismo e o pós-milenarismo. Primeiro é simplista restringir a visão preterista ao pós-milenarismo. Muitos amilenaristas também se alinham com essa interpretação (Jay Adams, Cornelis Vanderwaal). Segundo, se dê o crédito a Whiby como o responsável por popularizar o pós-milenarismo de fato é Thomas Brightman, (1562-1607) quem merece esse crédito. Além disso, há um pós-milenarismo/ preterismo nascente de alguns dos pais da igreja (por exemplo, Orígenes, Eusébio, Atanásio, Agostinho).        
[5] Understanding endtimes prophecy: a comprehensive approach, Chicago: Moody, 1995, p.120-2.
[6] The Millennial maze: sorting out evangelical options, Downers Grove: IVP, 1992, p.66.  
[7] Reconstrucionismo  cristão é um movimento fundamentalista [1] reformista teonômico que se desenvolveu sob as ideias de Rousas RushdoonyGreg Bahnsen e Gary North;[2] tem tido uma influência importante no direito cristão nos Estados Unidos.[3][4] Os reconstrucionistas defendem a teoria e a restauração de certas leis bíblicas na aplicabilidade. O movimento diminuiu na década de 1990 e foi declarado morto em um artigo Church History de 2008,[5] embora organizações cristãs reconstrutivistas, como a Fundação Chalcedon e a American Vision, atuem hoje.[6]Reconstrucionistas cristãos são geralmente pós-milenismo e seguidores da apologética pressuposicional de Cornelius Van Til. Uma denominação cristã que defende a visão do reconstrucionismo cristão é a Igreja Presbiteriana Reformada nos Estados Unidos.[7] A maioria dos cristãos reformados, no entanto, desacreditam o reconstrucionismo cristão e mantêm a teologia da aliança clássica, a visão tradicional reformada da relação entre a Antiga Aliança e o cristianismo.[8]/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Reconstrucionismo_crist%C3%A3o
[8] Autores que se identificam com a interpretação preterista do Apocalipse incluem David Chilton, The days of vengeance: an exposition of the book of Revelation (Forth Worth: Dominion, 1987) e Gary DeMar Last Days madness: obsession of the modern church (Atlanta: American Vision, 1994).   
[9] Roma permitiu a liberdade de crença para o judaismo. Estar separado disso era perder a posição social privilegiada. 
[10] PATE, Marvin. As interpretações do Apocalipse. Vida. São Paulo: 2003. p. 21-25.  
[11]  Em termos simplificados, a hipérbole consiste na expressão evidentemente exagerada de uma ideia. É habitual na linguagem corrente, como quando se diz: "Já te avisei mais de mil vezes!".
[12] Robert H. Mounce, The book of Revelation, NICNT; Grand Rapids: Eerdmans, 1977, p.218. Para uma discussão útil, sucinta da hermenêutica apocalíptica, v. Vern S. Poythress, Genre and hermeneutics in Rev 20.1-6, JETS 36, Mar. 1993, p. 41-54.     
[13] Critical and exegetical handbook to the Revelation of john, 6 ed., tradução Henry Jacobs, Winona Lake, Ind: Alpha, rep. 1980 (1884), p. 96.
[14] Biblical Apocalyptics, cap. 19: “The Apocalypse of John”; v. tb. Milton S. Terry Biblical Hermeneutics: a treatise on the interpretation of the Old and New Testaments, 2 ed., Grand Rapids: Zondervan, rep. 1974 [n.d.], cap. 26: “The Apocalypse of John”.    
[15] Biblical Apocalyptics, p. 228.
[16] Revelation 8-22, p. 372.
[17] Revelation 1-7, p. 455.
[18] Biblical Apocalyotics, p. 277.
[19] ADAMS, Jay. E. Citado na Teologia Sistemática de Robert D. Culver. Shed. 2012, p. 1504.




Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo. 


Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/ 


 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
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