Escatologia. Os Últimos Dias! Ponto de vista - IDEALISTA.
“O
idealista reconhece que o livro contém algumas predições de eventos
específicos, como a Segunda Vinda de Cristo, assim como algumas instruções epistolares,
como aquelas achadas em suas cartas às igrejas. Porém, esse reconhecimento não
significa que o idealista nega a realidade da profecia bíblica específica. A
Bíblia tem várias profecias que foram cumpridas em um momento e lugar
específico, notavelmente aqueles relativos ao Messias. Porém, o idealista não
acredita que o intérprete pudesse esperar achar muitas profecias específicas no
Apocalipse de João”.
Sam Hamstra Jr
“O
idealista não interage com o preterista, o dispensacionalista progressivo e o
dispensacionalista clássico. Cada uma dessas abordagens do Apocalipse
interpreta o texto como se seu propósito primário fosse predizer o
desdobramento de eventos futuros; o intérprete identifica o cumprimento de cada
episódio do Apocalipse com um evento específico ou do primeiro e do último
século, ou os dois. O intérprete idealista não está interessado em perder tempo
em tal empenho. Em vez disso, ele ou ela busca entender a ideia, a verdade
espiritual, ou o tema transmitido pela visão. Em resumo, a pressuposição
hermenêutica do idealista é claramente distinta daquela defendida em comum
pelas três outras abordagens apresentadas (preterista, o dispensacionalista
progressivo e o dispensacionalista clássico)”.
Sam Hamstra Jr
“A
perspectiva simbólica ou idealista sustenta que os eventos descritos não devem
ser concebidos de forma alguma em uma sequência temporal. Eles se referem a
verdades de natureza atemporal, não indicando ocorrências históricas
particulares[1]”.
Millard J. Erickson
Introdução
Neste tempo que estamos vivendo, o ser humano precisa de segurança.
Atualmente, é preciso ter esperança, porque as coisas não são como realmente
deveriam ser; as dificuldades afetam nossa vida em todos os aspectos[2].
Entre os muitos problemas, uma doença que está matando a mulher ou o marido, o
filho que rejeitou a fé pela qual morreria, a filha que é assediada por um
homem casado que tem um cargo na igreja, e seu cargo profissional de gerência
que foi despedido devido à redução de custos. Além dessas calamidades, a
luxúria, a ganância, e o orgulho estão entrincheirados no vazio do seu ser e
afetam todo o seu pensamento e atitudes. Sua esperança para se assemelhar a
Cristo está desvanecendo.
Politicamente, está claro que vivemos em uma sociedade pós-cristã. As
escolas públicas não têm lugar para Deus. Os tribunais lutam entre o direito de
escolher e o direito de morrer. Grupos distintos exercem influência junto às
autoridades em prol do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A herança
judeu-cristã de nosso país é uma lembrança. De forma global, a escassez, a fome
e as doenças ceifam indiscriminadamente a vida de crianças e adultos, de
crentes e incrédulos. Direitos humanos básicos são violados à medida que o rico
oprime o pobre, e o poderoso o fraco. A principal indústria no planeta é a
guerra, privando o mundo de uma nova geração de líderes talentosos, enquanto
homens e mulheres jovens caem mortos, não em campos abertos de batalha como nos
séculos passados, mas em ruas de cidades flanqueadas por espectadores
inocentes.
Finalmente, a igreja de Jesus Cristo, seu amor e sua vida, cedeu em suas
convicções, perdeu sua referência, e diminuiu sua influência, a ponto de a
palavra de um papa ser negligenciada e a palavra de um missionário resultar em
sua morte. Cada geração de fiéis se distancia cada vez mais do entusiasmo e da
convicção daqueles que os precederam. A igreja local não fica para trás também,
pois sofreu sua segunda divisão – a primeira porque o pastor foi pego na cama
com a organista da igreja, e a segunda porque alguns preferem o céu para todos
em vez do inferno para alguns. Outras congregações oferecem pouca esperança.
Sofrem de indiferença, uma condição pior do que a oposição direta à fé.
Você mora em uma ilha chamada Patmos. Como Davi, você clama “Meu Deus, por que me abandonastes?” Como
Jó, você pergunta a si mesmo por que o ímpio e o mal prosperam. Como os santos
ao longo das gerações, você questiona a soberania de um Deus que prometeu vida
abundante em Jesus Cristo. Você precisa de uma palavra do Senhor.
O Deus da graça, que estabeleceu aliança com suas crianças, ouve seu
clamor e responde com uma série de visões, reunidas em um livro chamado o
Apocalipse de João. A mensagem transmitida por essas visões é simples: embora,
neste momento, os filhos de Deus sofram em um mundo onde o mal parece ter o
controle, Deus é soberano e Jesus Cristo foi vitorioso. Sim, você sofre como
morador deste mundo que carrega a marca do pecado de Adão. Sim, você sofre
perseguição como propagador do evangelho, mas Deus o Pai o preservará e o
protegerá como também a cada um de seus filhos de modo que nenhum se perca[3].
Além disso, Cristo executará a última vitória sobre Satanás e suas hostes,
quando ele julgará e punirá os perversos. Então, aguente firme. Não desista.
Permaneça fiel ao seu chamado como um filho de Deus. Viva pela fé, não por você
mesmo, porque seu Senhor soberano derrotou Satanás. Você reinará com Cristo,
porque o reino deste mundo se tornou o reino de nosso Senhor, Jesus Cristo.
Esta palavra do
Senhor vem como nenhuma outra. Não vem na forma de carta, como aquela do
apóstolo Paulo que, afirma palavras de esperança – “nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá
separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm
8.39), e “Sabemos que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo
o seu propósito” (Rm 8.28). Você não recebe uma simples declaração da
verdade como a de Efésios 6.12: “porque a
nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e
potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes”. Tampouco recebe uma palavra
reconfortante de vitória nos relatos históricos da vida de Cristo que proclamou
vitória sobre o mundo (Jo 16.33). Mais propriamente, pela inspiração do
Espírito Santo, você recebe a mensagem de Deus por uma série de visões que
desfilam perante seus olhos como um filme animado, impressionando-o com
desenhos gráficos e símbolos coloridos.
Os estudiosos descrevem essa apresentação pictórica[4] da verdade
como apocalíptica, um estilo de comunicação e escrita caracterizada por cores
que intensificam o relato, imagens vívidas, símbolos exclusivos, um enredo
simples, um herói, e um final feliz. Assim, em Apocalipse você conhece anjos,
animais e números. Vê raios e ouve trovões. Presencia terremotos e batalhas.
Observa o cintilar das joias e uma mulher vestida com o sol que enfrenta um terrível
dragão. Vê um cavaleiro em um cavalo branco e ouve a letra do coro. Aleluia.
Você aborda a literatura apocalíptica de forma distinta da que faria com
uma carta ou um dos Evangelhos. No Apocalipse, as palavras substituem pigmentos
e pincéis para criar uma imagem projetada para visualizar grandes princípios,
não incidentes particulares. Ao resistir à tentação de analisar a imagem
descrita em cada visão, você permite que a visão como um todo o impressione. E
certamente impressionará. O Apocalipse de João, como parte do cânon bíblico, a
Palavra inspirada de Deus para seus filhos, iluminará de uma maneira nova os
relevantes ensinamentos encontrados ao longo da Bíblia.
Em tempos como estes, você precisa de uma palavra do Senhor. Você não
precisa de uma lição de história da igreja militante do século I, tampouco do
último século. Você não precisa de uma visão profética de um dia que você
jamais experimentará nesta vida. Neste momento, em sua luta com o pecado e o
mal, você precisa de uma palavra cheia de esperança do Senhor. Você precisa do
Apocalipse de João neste exato momento.
Revisão do Apocalipse
Apocalipse 1.1-20
O capítulo de abertura do Apocalipse apresenta ao leitor o livro inteiro
e guarda a chave de sua interpretação. Pode ser dividido em três partes: a
introdução, a saudação e a visão inicial de Jesus ressurreto.
A
introdução (v.1-3) transmite cinco conceitos importantes:
1) Informa-nos que o livro não se originou de
qualquer ser humano. É revelação de Deus o Pai e Deus o Filho, enviado a João
pela ação sobrenatural de um anjo. Esse fato se provará útil ao leitor, quando
for levado a rejeitar elementos fundamentais do Apocalipse, como a destruição
total do mal.
2) O narrador ou autor do Apocalipse é João.
Embora o livro contenha pouca informação biográfica sobre o autor, quase todo
estudioso ao longo dos séculos acredita que João é o apóstolo amado de Jesus, o
autor do quarto evangelho e das três cartas.
3) a introdução mostra que o Apocalipse contém
uma mistura de estilos literários. É predominantemente apocalíptico (v.1), mas
também profético (v.3) e epistolar, conforme comprovado pelas referências
tradicionais de saudação e de benção.
4) O livro se destina a abençoar o leitor.
Para muitos, inclusive eu, o Apocalipse é uma fonte de frustração. Os cristãos passam
horas lutando com a identidade do anticristo, o período da tribulação, e a
natureza do milênio. João assegura que suas visões são registradas para nos
abençoar.
5) A introdução relata a urgência. O
Apocalipse revela “o que em breve há de acontecer” (1.1; 22.6), porque “o tempo
está próximo” (1.3). Essas palavras confirmam várias abordagens ao Apocalipse,
incluindo a idealista, que está convencida de que o Apocalipse descreve a era
completa entre a primeira e a Segunda Vinda de Cristo.
A visão inicial do Cristo exaltado (v. 9-20) é o foco ou centro da
primeira visão. Nossa imaginação vai além da capacidade, conforme tentamos
imaginar o Cristo descrito por João, cujo uso frequente da palavra “semelhante”
adverte que não deveríamos entendê-lo literalmente. Ele usa linguagem terrena
para descrever o que está além da descrição. O resultado final é uma imagem
brilhante do Cristo exaltado que derruba João por terra. Uma verdade fica
clara: o Cristo nessa visão não é o Jesus do Evangelho de João, quer dizer,
Jesus em um estado de humilhação. Em Apocalipse, Jesus é o Filho do homem
vestido com majestade e armado com uma espada de dois gumes, a Palavra, para a
batalha contra aqueles que se recusam a se arrepender (2.16).
As cartas às Igrejas (Ap 2.1-3.22)
A descrição das sete igrejas desse tempo é uma franca ilustração do que
pode acontecer na vida congregacional constantemente e em todos os lugares. As
cartas fornecem um olhar mais íntimo da noiva de Cristo, o que ajuda o leitor a
entender sua origem divina e a fragilidade do ser humano. Pelas cartas, testemunhamos
sua graça e defeitos, seu zelo e indiferença, suas alegrias e tristezas, sua
proteção por Cristo e a vitória final após muitas lutas[5]. Claro que
as sete ilustrações dos problemas congregacionais não se igualam a um catálogo
completo das possibilidades de fracasso. Os perigos para as igrejas da Ásia
foram relacionados às condições daquela parte do mundo naquele tempo. Os
perigos para as igrejas de hoje estão relacionados as condições de vida como existem
aqui e agora. Mas o significado desses perigos é sempre o mesmo: qualquer outra
coisa (não importa o quê) pode desviar a atenção da igreja em relação a Cristo,
a verdadeira vida e significado da igreja, onde quer que ela esteja[6].
Cristo é o mensageiro apropriado, porque ele é o Senhor da igreja
(1.12,13), que sabe (2.2) o caráter e a vida de cada congregação, como também a
posição e os problemas de cada membro.
O Cordeiro e os selos: Apocalipse 6.1-8.1
Em Apocalipse aprendemos que o Cordeiro de Deus é vitorioso, que Deus
julgará cada adversário que perseguir a igreja, e que a ira de Deus é tão
terrível que cada oponente do Senhor se refugia embaixo de pedras cadentes.
Agora esperamos o sétimo selo ser aberto, mas o estilo de João é tal
que, antes de qualquer manifestação crítica da ira de Deus, ele fornece uma
visão de conforto e esperança[7].
João segue o padrão de Ezequiel que logo antes da destruição de Jerusalém,
descreveu a preservação do crente no meio do julgamento do iníquo. A mensagem dessa
visão é simples: A igreja universal – isto e, os 144 mil selados – estão
seguros no meio do julgamento do iníquo provocado pelos quatro ventos.
A
identidade dos selados, como a igreja universal, necessita de evidencias.
1) O Apocalipse não distingue entre cristãos
judeus e gentios. João não apresenta nenhuma tendência particularista em
contradição com o universalismo Evangelho. Para João, a igreja é uma só.
2) João tende a espiritualizar nomes judeus e
imagens, como em 21.12, onde as doze tribos claramente incluem todos os crente.
3) O número dos remidos, múltiplo de mil, é
simbólico de um número grande de indivíduos que, apesar da rejeição do mundo,
aceitaram o Cordeiro e têm o selo de Deus em suas testas[8]. O número,
múltiplo de doze, também é simbólico, representa perfeição, indicando que
nenhum membro da igreja será perdido.
Enquanto uma multidão rejeita o Cordeiro e descobre que seu modo de vida
foi um engano terrível, há aqueles que aceitam o Cordeiro, que têm o selo de
Deus em suas testas e a herança do futuro. Essa perspectiva transmite
significado e propósito aos seguidores do Cordeiro na terra. Como nos primeiros
seis selos, essa visão não aponta para qualquer período especifico na história,
nem descreve qualquer série específica de eventos no futuro próximo ou
distante. Antes, fala da situação em todos os períodos históricos. A descrição
de desastres naturais não é uma pré-estréia do fim do mundo, mas uma maneira
vívida de dizer que até a natureza não manterá aqueles que rejeitam a redenção
de Deus em Cristo.
Vários personagens e eventos (Ap 12.1-14.20)
A primeira visão dessa seção introduz os personagens principais na luta
entre Cristo e Satanás (12.1-13.1). A primeira personagem é a mulher que
simboliza as pessoas aparentemente insignificantes de Deus, ou seja, a igreja
(Ef 5.32; Is 50.1; Os 2.1). Da perspectiva do céu, são brilhantes e gloriosos.
Essa igreja gera a criança, a semente da mulher, o Cristo. O personagem final é
o dragão, simbolizando Satanás (20.2), que tem domínio sobre o mundo (sete
coroas) e que tem um tremendo poder destrutivo (dez chifres). A ação dessa
visão envolve a tentativa do enorme dragão vermelho para devorar a semente da
virtuosa mulher quando ela dá à luz, e a proteção e preservação da mulher e seu
filho pelo Deus Todo Poderoso. Esta interpretação apocalíptica de Gênesis 3.15
resume a história do povo de Deus por meio da vida de Cristo como uma única e
completa: a última luta original entre o bem e o mal, entre a semente da mulher
e o dragão, com Cristo que esmaga a cabeça de Satanás[9].
Em 12.7-12, vemos o efeito do nascimento de Cristo, redenção e ascensão
ao trono no céu. Há uma batalha no céu com dois generais adversários e seus
exércitos. Miguel ataca e derrota o dragão, expulsando o monstro do céu. O
quadro ilustra como o sacrifício de Cristo devido ao pecado tirou de Satanás
deu poder acusatório contra os crentes (Rm 8.33). Além disso, quando Satanás é
derrotado, o poder de Deus é vindicado, aqueles que estão no céu se alegram e
Satanás fica cheio de ira.
Babilônia (Ap 17.1-19.21)
A identidade da Babilônia foi um assunto de debates. Duas opções parecem
viáveis.
a) A Babilônia representa a cidade mundana ou
o centro de maldade que fascina, tenta, e leva as pessoas para longe de Deus
(Ez 27 e 28). A Babilônia é o mundo louco, prazeroso e arrogante, com todo o
seu luxo sedutor e prazeres, com sua filosofia e cultura anticristã, e com suas
multidões que abandonaram a Deus e viveram de acordo com a luxúria da carne e
os desejos da mente[10].
João não condena a sociedade, mas o tipo de sociedade que se rebela contra Deus
– uma sociedade em que não há lugar algum para Deus e para a redenção feita por
Cristo. No século I, a Babilônia era Roma. Duas gerações atrás era Berlim.
Hoje, talvez, seja Las Vegas ou até mesmo um campus universitário. A Babilônia
pode ser encontrada em todos os lugares ao longo da história do mundo. É o
centro da sedução anticristã em qualquer época da história.
b) A segunda opção é que a Babilônia
representa o mundo na igreja[11],
o elemento não espiritual ou o elemento terrestre que infiltrou no corpo de
Cristo, ou até mesmo uma falsa igreja como Jerusalém. Seis razões apoiam essa
teoria:
1) Em 2.9, João conhece uma comunidade que
reivindica ser uma congregação do Deus vivo, mas é realmente uma sinagoga de
Satanás.
2) Apocalipse 17 ecoa Êxodo 16 e 23, em que
Israel é marcado como uma meretriz que não guarda a aliança divina.
3) A grande cidade é mencionada em Apocalipse
11.8, em que uma interpretação cultural política está fora de cogitação, pois
há uma sugestão de que a Babilônia não deveria ser interpretada como entidade
política cultural nos capítulos 17 e 18.
4) Os oficiais de Jerusalém, durante o seu
ministério terrestre, se opuseram a Jesus e encorajaram Roma a crucificá-lo (At
2.23; 3.13; 4.10; 5.30; 7.52).
5) Quando a meretriz é destruída (Ap 18.20),
Deus ajusta contas pelo que ela fez aos profetas e apóstolos (IRs 19.10).
6) Apocalipse 18.22,23 repete Jeremias 25.10,
uma passagem que lida com Jerusalém.
A nova criação (Ap 21.1-22.5)
A cena de uma novo céu e nova terra (21.1-8), enriquecida pela cidade
santa e um jardim semelhante ao Éden, ilustra semelhanças notáveis a seu
predecessor, como descrito no primeiro livro da Bíblia. Em Gênesis, Deus criou
o céu e a terra; em Apocalipse lemos sobre um novo céu e nova terra (21.1). Em
Gênesis, os luminares são chamados à existência; em Apocalipse, a glória de
Deus ilumina a cidade. Em Gênesis, lemos a respeito do astuto poder de Satanás;
em Apocalipse o diabo é preso e lançado no lago de fogo (20.10). Em Gênesis,
lemos sobre o paraíso perdido; em Apocalipse, o paraíso é restabelecido.
Gênesis descreve o divórcio da humanidade, quando Adão e Eva fogem de Deus; em
Apocalipse, os remidos desfrutam a comunhão íntima do casamento com o Cordeiro.
Em Gênesis, a natureza ameaça a segurança e fere a humanidade; em Apocalipse, a
natureza sustenta e conforta as pessoas. Em Gênesis, a arvore da vida é
protegida por um anjo para que ninguém coma o seu fruto. O Apocalipse
restabelece o acesso da humanidade ao fruto (22.14). Essa correlação óbvia
entre o primeiro e o último livro da Bíblia ilustra o cumprimento da primeira
profecia messiânica (Gn 3.15) e a fidelidade de Deus à aliança (Ap 21.3).
A maior parte da visão trata do desvelamento da cidade santa, a Nova
Jerusalém, a noiva do Cordeiro (21.2). A descrição vívida e detalhada de João
da cidade santa deixa de observar uma verdade importante: a nova Jerusalém não
é um lugar, mas um povo![12]Não
é o último lugar dos remidos; são os remidos! A nova Jerusalém é um símbolo da
noiva, a igreja. É uma comunidade de indivíduos real e preciosa que têm
comunhão com Deus. A cidade (Sl 48; Is 26.1; 40.9) retrata a condição ideal do
rebanho de Cristo, desfrutando sua vitória em Cristo sobre o pecado e a morte.
O casamento de Cristo com a igreja ilustra o cumprimento da completa e
perfeita promessa de aliança encontrado ao longo da Bíblia (Gn 17.7; Jr 31.33;
Rm 4.22; 2Cr 6.16). O pronunciamento de casamento divino ao trono proclama,
“Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com
os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo
estará com eles” (Ap 21.3). O casamento do Cordeiro com a nova Jerusalém
fornece comunhão íntima e permanente com Deus.
Conclusão
O cerne e a alma da abordagem idealista são aqueles que dizem que o
Apocalipse é um livro apocalíptico que apresenta preceitos espirituais por meio
de símbolos, em vez de um livro de profecia cumprida em eventos específicos ou
pessoas na história humana. O Apocalipse não prevê eventos históricos
específicos tanto quanto demonstra verdades infinitas relativas à batalha entre
o bem e o mal que continua no decorrer da era da igreja. Quando achamos um
evento, ou uma pessoa em que, a profecia é distintamente aplicável, podemos
considerá-la cumprida dessa maneira em um evento ou em uma pessoa – mas não
exaurida. Esta abordagem idealista não significa que um evento acontece repetidamente
ao longo da história, mas que a verdade espiritual é infinita, pois há vários
cumprimentos nesta dispensação.
Finalmente, a abordagem idealista evita as armadilhas que atormentaram
os intérpretes do Apocalipse durante séculos. A história da interpretação do
Apocalipse deveria ensinar uma lição: precaver-se de tentar correlatar a imagem
apocalíptica com eventos atuais na história humana. Bibliotecas religiosas
estão repletas de livros de autores cristãos dedicados que identificam o
anticristo e predizem a data do fim do mundo. O idealista porém, ciente de uma
longa história de discordância em cima do significado desse livro, caminha
intencionalmente para longe de um tempo-limite e perspectiva de
evento-orientado que, no passado, só provou confundir e dividir os cristãos.
Retirado do livro: Sam Hamstra Jr. O Ponto
de Vista Idealista. As Interpretações do Apocalipse. Vida. São Paulo: 2003, p.
99- 136
[1] Millard J. Erickson. Teologia Sistemática.
Vida Nova. São Paulo: 2015, p. 1102.
[2] Cornelius
Platinga Jr. Não era para ser assim: um resumo da dinâmica e natureza do
pecado, São Paulo: Cultura crista, 1998.
[4] O retrato pictórico é um gênero da pintura, com o
objetivo de representar a aparência visual do sujeito, em geral um ser humano,
embora também possam ser representados animais.
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
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Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
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