IGREJA. Sua definição nas Confissões: Westminster, Helvética, Heidelberg, Belga, Galicana e Augsburgo.
Westminster (1643-1649
Inglaterra)
CAPÍTULO XXV - DA IGREJA
I.
A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos
eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só
corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que
cumpre tudo em todas as coisas.
Ef. 1: 10, 2223; Col. 1: 18.
II.
A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo
restrita a uma nação, como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que pelo
mundo inteiro professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos; é o
Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há
possibilidade ordinária de salvação.
I Cor. 1:2, e 12:1213,; Sal .2:8; I Cor. 7 :14;
At. 2:39; Gen. 17:7; Rom. 9:16; Mat. 13:3 Col. 1:13; Ef. 2:19, e 3:15; Mat.
10:3233; At. 2:47.
III.
A esta Igreja Católica Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e as
ordenanças de Deus, para congregamento e aperfeiçoamento dos santos nesta vida,
até o fim do mundo, e pela sua própria presença e pelo seu Espírito, os torna
eficazes para esse fim, segundo a sua promessa.
Ef. 4:1113; Isa. 59:21; Mat. 28:1920.
IV.
Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos visível. As igrejas
particulares, que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é,
com mais ou menos pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as
ordenanças e celebrado o culto público.
Rom. 11:34; At. 2:4142; I Cor. 5:67.
V.
AS igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro;
algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas
sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para
adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo.
I Cor. 1:2, e 13:12; Mat. 13:2430, 47; Rom.
11.20 22; Apoc. 2:9; Mat. 16:18.
VI.
Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum
pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele
homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e
contra tudo o que se chama Deus[1].
Col. 1:18; Ef. 1:22; Mat. 23:810; I Ped. 5:24;
II Tess. 2:34.
Confissão Helvética
(1562 Suiça)
Da Igreja de Deus, santa e católica, e do único Cabeça da Igreja.
A Igreja sempre existiu e sempre existirá.
Visto que Deus desde o princípio quis salvar os homens e trazê-los ao
conhecimento da verdade (I Tim 2.4), é absolutamente necessário que a Igreja
tenha existido no passado, exista agora e continue até o fim do mundo.
Que é a Igreja.
A Igreja é a assembléia dos fiéis convocada ou reunida do mundo: é, direi, a
comunhão de todos santos, isto é, dos que verdadeiramente conhecem, adoram
corretamente e servem o verdadeiro Deus em Cristo, o Salvador, pela palavra e
pelo Espírito Santo, e que, finalmente, participam, pela fé, de todos os
benefícios gratuitamente oferecidos mediante Cristo. Cidadãos de uma
comunidade. São todos eles cidadãos de uma só cidade, vivem sob o mesmo Senhor,
sob as mesmas leis, e na mesma participação de todos os benefícios. O apóstolo os
chamou “concidadãos dos santos, e... da família de Deus” (Ef 2.19), denominando
“santos” os fiéis na terra (I Co 4.1), que são santificados pelo sangue do
filho de Deus. Deve ser entendido inteiramente com relação a estes santos o
artigo do Credo: “Creio na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos”.
Uma só Igreja em todos os tempos.
E, visto que há sempre um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens,
Jesus o Messias, e um só Pastor de todo o rebanho, uma só Cabeça deste corpo,
enfim, um só Espírito, uma só salvação, uma só fé, um só testamento ou aliança,
segue-se, necessariamente, que existe uma só Igreja. A Igreja Católica. Por
isso chamamos “católica” e essa Igreja, porque é universal, e se espalha por
todas as partes do mundo, estende-se por todos os tempos e não é limitada pelo
tempo ou pelo espaço. Condenamos, portanto, os donatistas, que confinavam a
Igreja a não sei que cantos da África, e não aprovamos o clero romano, que vive
a propalar que só a Igreja de Roma é Católica.
Partes ou formas da Igreja.
A Igreja divide-se em diferentes partes ou formas, não por estar dividida ou
rasgada em si mesma, mas por ser distinta pela diversidade dos seus membros.
Militante e triunfante. Uma é chamada a Igreja Militante e a outra a Igreja
Triunfante. A primeira ainda milita na terra e luta contra a carne, o mundo e o
Diabo, que é o príncipe deste mundo, e contra o pecado e a morte. A outra, já
deu baixa e triunfa no céu depois de ter vencido esses inimigos, e exulta
diante do Senhor. Entretanto, essas duas igrejas têm comunhão e união uma com a
outra.
A Igreja particular.
A Igreja Militante na terra tem tido, sempre, muitas igrejas particulares.
Contudo, todas estas devem ser referidas à unidade da Igreja católica. Esta
Igreja (Militante) foi estabelecida de um modo antes da Lei, entre os
patriarcas, de outro modo diferente sob Moisés, pela Lei; e de modo diferente
por Cristo, por meio do Evangelho.
Os dois povos.
Em geral se mencionam dois povos: os israelitas e os gentios, ou aqueles que
foram congregados de entre judeus e gentios na Igreja. Há, também, dois
Testamentos, o Velho e o Novo. A mesma Igreja para o velho e o novo povo. No
entanto, de todos esses povos foi e ainda é só uma a comunidade, uma só a
salvação num só Messias, em quem, como membros de um só corpo, sob um só
Cabeça, todos estão unidos na mesma fé, participando também do mesmo alimento e
da mesma bebida espiritual. Aqui, porém, reconhecemos uma diversidade de tempos
e uma diversidade nos sinais do Messias prometido e manifestado; agora,
abolidas as cerimônias, a luz brilha sobre nós de maneira mais clara, e bênçãos
nos são dadas mais abundantemente, e uma liberdade mais completa.
A Igreja, casa do Deus vivo.
Esta santa Igreja de Deus é chamada a casa do Deus vivo, construída de pedras
vivas e espirituais e fundada sobre uma rocha firme, sobre fundamento que
ninguém tem o direito de substituir por um outro, e é, assim chamada “coluna e baluarte da verdade” (I Tim
3.15). A Igreja não erra. Ela não erra, enquanto se apóia sobre a rocha,
Cristo, e sobre o fundamento dos profetas e apóstolos. E não é de admirar se
ela errar, todas as vezes que abandonar aquele que, só, é a verdade. A Igreja
noiva e virgem. A Igreja é também chamada virgem e a noiva de Cristo e, em
verdade, única e dileta. O apóstolo diz: “Tenho-vos
preparado para vos apresentar como virgem pura a um esposo” (II Co II.2). A
Igreja, rebanho de ovelhas. A Igreja é chamada rebanho sob um só pastor,
Cristo, segundo Ez, cap. 34, e João, cap. 10. A Igreja corpo de Cristo. É chamada
também corpo de Cristo, porque os fiéis são os membros vivos de Cristo, sob
Cristo, o Cabeça.
Cristo o único cabeça da Igreja.
É a cabeça que tem a preeminência no corpo, e dela o corpo todo recebe vida;
pelo seu espírito o corpo é em tudo governado; dela, ainda, o corpo recebe
incremento e crescimento. Mais ainda, há uma só cabeça do corpo a qual com ele
se ajusta. Por isso a Igreja não pode ter nenhuma outra cabeça além de Cristo.
Como a Igreja é um corpo espiritual, ela precisa ter também uma cabeça
espiritual em harmonia consigo mesma. Não pode ser governada por outro espírito
que não seja o Espírito de Cristo. Por conseguinte, São Paulo diz: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o
princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a
primazia” (Col 1.18). E em outro lugar: “Cristo é o cabeça da igreja, sendo
este mesmo salvador do corpo” (Ef 5.23). E novamente: Ele é “o cabeça sobre
todas as cousas, e o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele
que a tudo enche em todas as cousas” (Ef 1.22 ss). Também: “Cresçamos em tudo naquele que é o cabeça,
Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado... efetua o seu
próprio aumento” (Ef 4.15 ss). Por isso não aprovamos a doutrina do clero
romano, que faz do seu Pontífice Romano o pastor universal, o cabeça supremo da
Igreja Militante aqui na terra, e assim o próprio vigário de Jesus Cristo, que
tem, como eles dizem, toda a plenitude de poder e soberana autoridade na
Igreja. Cristo o único pastor da Igreja. Ensinamos que Cristo, nosso Senhor, é
e continua a ser o único pastor universal e sumo Pontífice diante de Deus seu
Pai, e que na Igreja ele mesmo realiza todas as funções de um pontífice ou
pastor, até o fim do mundo; [VIGÁRIO] e, conseqüentemente, não necessita de
vigário, que é substituto de quem está ausente. Mas Cristo está presente com
sua Igreja e é sua cabeça vivificadora. Nenhum primado na Igreja. Ele proibiu,
com toda a severidade, aos seus apóstolos e sucessores qualquer veleidade de
primado e domínio na Igreja. Portanto, todos os que resistem, opondo-se a essa
verdade transparente, e introduzem outro governo na Igreja de Cristo devem ser
ligados àqueles, a respeito de quem profetizam os apóstolos de Cristo, São
Pedro e São Paulo, em II Ped cap. 2, e Act 20.2, II Co 11.2, II Tes, cap. 2,
assim como em outros passos.
Nenhuma confusão na Igreja.
Contudo, repudiando o cabeça romano, não introduzimos na Igreja de Cristo
nenhuma confusão ou perturbação, pois ensinamos que o governo da Igreja,
estabelecido pelos apóstolos, nos é suficiente para conservar a Igreja na
devida ordem. No princípio, quando a Igreja não tinha esse chefe romano, que
hoje, como se diz, a conserva em ordem, não estava em confusão ou desordenada.
O chefe romano preserva, na verdade, a sua tirania e a corrupção que foi
introduzido na Igreja; e, ao mesmo tempo, ele impede, resiste e, com todas as
suas forças, arruína a conveniente reforma da Igreja.
Dissentimento e luta na Igreja.
Objetam-nos que tem havido várias lutas e dissenssões em nossas Igrejas desde
que se separaram da Igreja Romana, e que por isso elas não podem ser igrejas
verdadeiras. Como se nunca tivesse havido seitas na Igreja Romana, nem
dissenssões e lutas a respeito de religião, e na verdade presentes não tanto
nas escolas como nos púlpitos no meio do povo. Sabemos, certamente, que o
apóstolo disse: “Deus não é de confusão; e, sim, de paz” (I Co 14.33). E:
“porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois
carnais?” Contudo, não podemos negar que Deus estava na Igreja apostólica e que
a Igreja apostólica era Igreja verdadeira, não obstante a existência de
combates e dissensões nela. O apóstolo São Paulo repreendeu o apóstolo São
Pedro (Gal 2.11 ss), e Barnabé divergiu de Paulo. Grande luta surgiu na Igreja
de Antioquia entre os que pregavam o único Cristo, como Lucas registra nos Atos
dos Apóstolos, cap. 15. E tem havido, em todos os tempos, graves lutas na
Igreja, e os mais eminentes doutores da Igreja divergiram de opinião entre si
acerca de importantes assuntos, sem, no entanto, a Igreja deixar de ser aquilo
que ela era, por causa de tais contendas. Pois, dessa forma, é do agrado de
Deus usar as dissensões que surgem na Igreja para a glória do seu nome, para
elucidar a verdade e para que os que são aprovados sejam manifestados (I Co
11.19).
Marcas ou sinais da verdadeira Igreja.
Ademais, visto que não reconhecemos nenhum outro chefe da Igreja a não ser
Cristo, de igual modo não reconhecemos como a verdadeira Igreja qualquer Igreja
que se vangloria de o ser; ensinamos, no entanto, que a verdadeira Igreja é
aquela em que se encontram as marcas ou sinais da verdadeira Igreja,
principalmente a legítima e sincera pregação da palavra de Deus como nos foi
deixada nos escritos dos profetas e apóstolos, que nos conduzem todos nós a
Cristo, que no Evangelho disse: “As
minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou
a vida eterna... De modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele porque
não conhecem a voz dos estranhos” (João 10.5, 27, 28).
E aqueles que são assim na
Igreja de Deus têm uma fé e um espírito; e por isso adoram o único Deus e só a
ele cultuam em espírito e verdade, só a ele amando de todo o coração e de todas
as suas forças, só a ele orando por meio de Jesus Cristo, o único Mediador e
Intercessor; e não buscam nenhuma justiça e vida fora de Cristo e da fé nele.
Pelo fato de reconhecerem a Cristo como o único chefe e fundamento de sua
Igreja, apoiando-se nele, renovam-se diariamente pelo arrependimento e, com
paciência, carregam a cruz imposta a eles. Além disso, congregados juntos com
todos os membros de Cristo por um amor não fingido, revelam que são discípulos
de Cristo perseverando no vínculo da paz e da santa unidade. Ao mesmo tempo
participam dos sacramentos instituídos por Cristo e a nós entregues pelos seus
apóstolos, não os usando de nenhuma outra maneira a não ser como os receberam
do próprio Senhor. Aquela palavra do apóstolo São Paulo é bem conhecida de
todos: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (I Co 11.23 ss).
Por causa disso, condenamos como alienadas da verdadeira Igreja de Cristo todas
aquelas igrejas que não são como ouvimos que devem ser, a despeito do muito que
se jactam de uma sucessão de bispos, de unidade e de antiguidade. Além do mais,
temos a advertência dos apóstolos de Cristo, para que fujamos da idolatria e de
Babilônia (I Co 10.14; I João 5.21), e não tenhamos parte com ela se não
queremos ser participantes das pragas de Deus (Apoc 18.4; II Co 6.17).
Fora da Igreja de Deus não há salvação.
Consideramos a comunhão com a verdadeira Igreja de Cristo coisa tão elevada que
negamos que possa viver perante Deus aqueles que não estiverem em comunhão com
a verdadeira Igreja de Deus, mas dela se separam. Pois, como não havia salvação
fora da arca de Noé, quando o mundo perecia no dilúvio, igualmente cremos que
não há salvação certa e segura fora de Cristo, que se oferece para o bem dos
eleitos na Igreja; e por isso ensinamos que os que querem viver não podem
separar-se da Igreja de Cristo.
A Igreja não está limitada aos seus sinais.
Entretanto, pelos sinais acima mencionados, não restringimos a Igreja ao ponto
de ensinarmos que estão fora dela todos aqueles que ou não participam dos
sacramentos, pelo menos não voluntariamente ou por desprezo, mas antes,
forçados pela necessidade, involuntariamente se abstêm deles ou deles são
privados, ou em quem a fé algumas vezes falha, embora não seja inteiramente
extinta e não cesse de todo; ou em quem se encontram as imperfeições e erros
devidos à fraqueza. Sabemos que Deus teve alguns amigos no mundo fora da
comunidade de Israel. Sabemos do que aconteceu ao povo de Deus no cativeiro da
Babilônia, onde foram privados dos seus sacrifícios por setenta anos. Sabemos o
que aconteceu a São Pedro, que negou o Mestre, e o que costuma acontecer
diariamente aos eleitos de Deus e às pessoas fiéis que se desviam e são fracas.
Sabemos, mais, que tipo de igrejas eram as existentes na Galácia e em Corinto
nos dias dos apóstolos, nas quais o apóstolo encontrou muitos e sérios pecados;
apesar disso ele as chama santas igrejas de Cristo (I Co 1.2; Gal 1.2).
A Igreja às vezes parece estar extinta.
Sim, muitas vezes acontece que Deus, em seu justo juízo, permite que a verdade
da sua Palavra, a fé católica e o culto verdadeiro de Deus sejam de tal forma
obscurecidos e deformados, que a Igreja parece quase extinta e não mais
existir, como vemos ter acontecido nos dias de Elias (I Reis 19.10, 14), e em
outras ocasiões. Não obstante, Deus tem, neste mundo e nestas trevas, os seus
verdadeiros adoradores, que não são poucos, chegando mesmo a sete mil e mais (I
Reis 19.18, Apoc 7.4, 9). Pois o apóstolo exclama: “O firme fundamento de Deus
permanece, tendo este selo, ‘O Senhor conhece os que lhe pertencem’”, etc. (II
Tim 2.19). Vem daí que pode a Igreja de Deus ser designada invisível; não que
os homens dos quais ela é formada sejam invisíveis, mas porque, estando oculta
de nossos olhos e sendo conhecida só de Deus, ela às vezes secretamente foge ao
juízo humano.
Nem todos os que estão na Igreja são da Igreja.
Por outro lado, nem todos os que são contados no número da Igreja são santos ou
membros vivos e verdadeiros da Igreja. Pois há muitos hipócritas que
externamente ouvem a palavra de Deus e publicamente recebem os sacramentos, e
parecem invocar a Deus somente por meio de Cristo, confessar que Cristo é a sua
única justiça, e adorar a Deus e exercer os deveres de caridade e por algum
tempo suportar com paciência as desgraças. E, não obstante, interiormente,
estão completamente destituídos da verdadeira iluminação do Espírito, de fé e
de sinceridade de coração, e de perseverança até o fim. Mas finalmente o
caráter destes homens, em sua maior parte, será manifestado. O apóstolo São
João diz: “Eles saíram de nosso meio, mas não eram dos nossos; porque, se
tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco” (I João 2.19). Todavia,
conquanto simulem piedade, não são da Igreja, ainda que sejam considerados
estarem na Igreja, exatamente como os traidores numa república estão incluídos
no número de seus cidadãos, antes que sejam descobertos; e, como o joio e a
palha se encontram no trigo, e como inchaços e tumores se acham no corpo sadio,
quando ao contrário são doenças e deformidades e não genuínos membros do corpo.
E assim a Igreja de Deus é muito adequadamente comparada a uma rede que retira
peixes de todas as espécies, e a um campo no qual se encontram joio e trigo
(Mat 13.24 ss, 47 ss).
Não devemos julgar irrefletida e prematuramente.
Conseqüentemente, devemos ser muito cuidadosos, não julgando antes da hora, nem
tentando excluir e rejeitar ou separar aqueles aos quais o Senhor não quer
excluídos nem rejeitados, e nem aqueles que não podemos eliminar sem prejuízo
para a Igreja. Por outro lado, devemos estar vigilantes para que, enquanto os
piedosos ressonam, os ímpios não ganhem terreno e causem mal à Igreja.
A unidade da Igreja não consiste em ritos
externos. Além disso, diligentemente ensinamos que se
deve tomar grande cuidado naquilo em que consistem de modo especial a verdade e
a unidade da Igreja, para não provocarmos nem alimentarmos cismas na Igreja,
irrefletidamente. A unidade não consiste em cerimônias e ritos externos, mas
antes na verdade e unidade da fé católica. A fé católica não nos é transmitida
pelas leis humanas, mas pelas Santas Escrituras, das quais é um resumo o Credo
Apostólico. E, assim, lemos nos escritores antigos que havia grande diversidade
de cerimônias, mas que eram livres e ninguém jamais pensava que a unidade da
Igreja era, desse modo, dissolvida. Assim, ensinamos que a verdadeira harmonia
da Igreja consiste em doutrinas e na verdadeira e unânime pregação do Evangelho
de Cristo, nos ritos que foram expressamente transmitidos pelo Senhor. E aqui
insistimos na palavra do apóstolo: “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos
este sentimento; e, se porventura pensais doutro modo, também isto Deus vos
esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos” (Fil 3.11 ss)[2].
Confissão de Heidelberg (1563
Alemã)
O que você crê sobre "a santa
igreja universal de Cristo"?
R.
Creio que o Filho de Deus (1) reúne, protege e conserva (2), dentre todo o
gênero humano (3), sua comunidade (4) eleita para a vida eterna (5). Isto Ele
fez por seu Espírito e sua Palavra (6), na unidade da verdadeira fe (7), desde
o princípio do mundo até o fim (8). Creio que sou membro vivo (9) dessa igreja,
agora e para sempre (10).
(1) Jo 10:11; Ef 4:11‐13; Ef 5:25,26. (2) Sl 129:4,5; Mt 16:18; Jo
10:16,28. (3) Gn 26:4; Is 49:6; Rm 10:12,13; Ap 5:9. (4) Sl 111:1; At 20:28; Hb
12:22,23. (5) Rm 8:29,30; Ef 1:10‐14;
1Pe 2:9. (6) Is 59:21; Rm 1:16; Rm 10:14‐17;
Ef 5:26. (7) Jo 17:21; At 2:42; Ef 4:3‐
6; 1Tm 3:15. (8) Is 59:21; 1Cor 11:26 (9) Rm 8:10; 1Jo 3:14,19‐21. (10) Sl 23:6; Jo 10:28; Rm 8:35‐39; 1Co 1:8,9; 1Pe 1:5; 1Jo 2:19[3].
Confissão de Fé Valdense (1544)
Cremos que há somente uma
igreja santa, que compreende a assembléia dos eleitos e fiéis que existiram
desde o principio do mundo e que existirão até o fim. O Senhor Jesus Cristo é o
cabeça dessa igreja – ela é governada por Sua Palavra e guiada pelo Espírito
Santo. Na igreja é necessário que os cristãos tenham comunhão. Cristo intercede
por Ela sem cessar, e Sua oração por ela é a mais aceitável diante de Deus, sem
a qual de fato não haveria possibilidade de salvação[4].
Instrução João Calvino (1537)
Creio a santa Igreja universal, a comunhão dos santos
Vimos já a
fonte de onde brota a Igreja que nos é aqui proposto crer para que fiquemos
seguros de que todos os eleitos estão unidos, pelo elo da fé, numa Igreja, numa
comunidade, num povo de Deus do qual Jesus, nosso Senhor, é o guia, o príncipe
e o chefe, como de um corpo único. É, com efeito, em Cristo que os crentes
foram eleitos antes da criação do mundo a fim de serem todos reunidos no Reino
de Deus.
Uma tal
sociedade é católica, isto é, universal, pois não há duas ou três. Todos
os eleitos de Deus estão unidos e ligados em Cristo de tal maneira que dependem
de um só Chefe, crescem como um só corpo, e estão ligados uns aos outros
mediante uma disposição semelhante à dos membros de um mesmo corpo. Foram
verdadeiramente feitos um, porque tendo uma mesma fé, uma mesma
esperança, um mesmo amor, vivem de um mesmo Espírito de Deus e são chamados à
mesma herança: a vida eterna.
Uma tal
sociedade é santa também, pois todos aqueles que são elei- tos pela
eterna providência de Deus para serem acolhidos como mem- bros da Igreja são
todos santificados pelo Senhor e regenerados espi- ritualmente.
As palavras comunhão
dos santos explicam ainda mais claramente o que é a Igreja: a comunhão dos
fiéis é tal que quando um deles recebe de Deus um qualquer dom, todos são feitos
participantes desse dom, ainda que, pela dispensação de Deus, esse dom seja
mais particular- mente dado a um do que aos outros, assim como os membros de um
mesmo corpo, na sua unidade, participam entre eles em todas as coi- sas que
têm, ainda que cada um tenha os seus dons particulares e as suas funções sejam
diversas. Porque — repito-o — todos os eleitos são juntos e reunidos em um só
corpo.
Cremos que a
Igreja é santa, bem como a sua comunhão, de tal modo que — seguros por uma fé
firme em Cristo — temos também a segurança de ser dela membros[5].
Confissão Belga (1561, Bélgica)
A IGREJA CATÓLICA OU
UNIVERSAL
Cremos e confessamos uma só
igreja católica ou universal. Ela é uma santa congregação e assembléia dos
verdadeiros crentes em Cristo, que esperam toda a sua salvação de Jesus Cristo,
lavados pelo sangue dEle, santificados e selados pelo Espírito Santo.
Esta igreja existe desde o
princípio do mundo e existirá até o fim. Pois, Cristo é um Rei eterno, que não
pode estar sem súditos. Esta santa igreja é mantida por Deus contra o furor do
mundo inteiro, mesmo que ela, às vezes, por algum tempo, seja muito pequena e
na opinião dos homens, quase desaparecida. Assim, Deus guardou para si, na
perigosa época de Acabe, sete mil homens, que não tinham dobrado os joelhos a
Baal.
Esta santa igreja também
não está situada, fixada ou limitada em certo lugar, ou ligada a certas
pessoas, mas ela está espalhada e dispersa pelo mundo inteiro. Contudo, está
integrada e unida, de coração e vontade, no mesmo Espírito, pelo poder da fé.
1
Gn 22:18; Is 49:6; Ef 2:1719. 2 Sl 111:1; Jo 10:14,16; Ef 4:36; Hb 12:22,23.
3 Jl 2: 32; At 2:21. 4 Ef 1:13; Ef 4:30. 5 2Sm 7:16; Sl 89:36; Sl 110:4; Mt
28:18,20; Lc 1:32. 6 Sl 46:5; Mt 16:18. 7 Is 1:9; 1Pe 3:20; Ap 11:7. 8 1Rs
19:18; Rm 11:4. 9 Mt 23:8; Jo 4:2123; Rm 10:12,13. 10 Sl 119:63; At 4:32; Ef
4:4[6].
Confissão
Galicana ou de La Rochelle (1559, Francesa)
A IGREJA E SUA NATUREZA
O ministério da pregação e dos Sacramentos
Porque nós conhecemos Jesus Cristo e todas as suas
graças somente pelo Evangelho, nós cremos que a ordem da Igreja, a qual foi
estabelecida por Cristo, deve ser sagrada e inviolável, e que, por conseguinte,
a Igreja não pode se manter sem que haja pastores encarregados de ensina-la.
Nós cremos que os pastores, quando eles são devidamente chamados e exercem
fielmente seu ofício, devem ser honrados e ouvidos com respeito, não que Deus
dependa de ajuda ou meios inferiores, mas porque lhe agrada nos manter em um
único corpo por meio deste ofício e de sua disciplina. Consequentemente, nós
reprovamos os espíritos enganosos que gostariam, tanto quanto pudessem, de
aniquilar o ministério de pregação da Palavra de Deus e dos Sacramentos. Mt
10.27; Rm 1.16,17; 10.17; Mt 18.20; Ef 1.22,23; Mt 10.40; Jo 13.20; Lc 10.16;
Rm 10.14,15; Ef 4.11,12. 26.
A unidade da
Igreja
Nós cremos, portanto, que ninguém deve se separar e
se contentar consigo mesmo, mas todos juntos devem guardar e manter a unidade
da Igreja, se submetendo ao ensinamento comum e ao jugo de Jesus Cristo, onde
quer que seja o lugar que Deus queira estabelecer uma ordem eclesiástica
verdadeira, ainda que o poder público e as leis se oponham. Nós cremos que
todos aqueles que não se submetem a esta ordem, ou se separam, contrariam a
ordenança de Deus. Sl 5.8; 22.23; 42.5; Ef 4.12; Hb 2.12; At 4.17,19,20; Hb
10.25.
A Igreja
verdadeira
Nós cremos, entretanto, que convém discernir
cuidadosamente e com clarividência qual é a Igreja verdadeira, porque há muito
abuso nesta questão. Segundo a Palavra de Deus, nós então dizemos que a Igreja
verdadeira é a comunidade dos fiéis que, de comum acordo, querem seguir esta
Palavra e a pura religião que dela depende, que dela fazem proveito ao longo de
toda sua vida, crescendo e se fortificando sem cessar no temor de Deus, segundo
o que lhes é necessário progredir e andar sempre mais adiante. Ainda mais,
qualquer que seja seus esforços, lhes convém recorrer incessantemente ao perdão
de seus pecados. Entretanto, não negamos que entre os fiéis não haja hipócritas
e reprovados, cuja malignidade não pode, no entanto, privar a Igreja de seu
legítimo nome. Mt 3.8-10; 7.22,24; 1 Co 3.10,11; Mq 2.10-12; Ef 2.19,20;
4.11,12; 1 Tm 3.15; Dt 31.12; Rm 3; Mt 13; 2 Tm 2.18-20.
As falsas
Igrejas
Fundamentados sobre esta definição da Igreja
verdadeira, nós afirmamos que onde a Palavra de Deus não é recebida e onde não
se lamenta a insubmissão, e onde não é feito nenhum uso autêntico dos
Sacramentos, não se pode considerar que haja alguma Igreja.
O Papado
Por isso nós condenamos as assembléias do Papado,
porque tendo sido banida a verdade pura de Deus, os Sacramentos foram
corrompidos, alterados, falsificados ou totalmente aniquilados, e toda a sorte
de superstições e idolatrias nela estão presentes. Nós estimamos que todos
aqueles que se reúnem e participam de tais atos se separam e se retiram do
Corpo de Cristo. Entretanto, porque ainda resta um pequeno vestígio de Igreja
no Papado, e que a realidade essencial do Batismo nela subsistiu – ligado ao
fato que a eficácia do Batismo não depende daquele que o administra – nós
confessamos que aqueles que foram nela batizados, não necessitam de um segundo
batismo. Entretanto, por causa das corrupções que nela existem, não se pode,
sem se contaminar, apresentar as crianças para o batismo. Mt 10.14,15; Jo 10; 1
Co 3.10-13; Ef 2.19-21;2 Co 6.14-16; 1 Co 6.15; Mt 3.11; 28.19; Mc 1.8; At 1.5;
11.15-17; 19.4-5; 1 Co 1.13. VI.
GOVERNO DA
IGREJA
Os ministérios
Quanto à Igreja verdadeira, nós cremos que ela deve
ser governada segundo a ordem estabelecida por nosso Senhor Jesus Cristo, a
saber, que nela haja pastores, presbíteros e diáconos, a fim de que a pureza da
doutrina nela seja mantida, que os desvios sejam corrigidos e reprimidos, que
os pobres e aflitos sejam socorridos em suas necessidades, que as assembléias
se reúnam em nome de Deus e que os adultos nela sejam edificados, como também
as crianças. At 6.3,4; Ef 4.11; 1 Tm 3.1-13; Tt 1.5-9; 1 Co 12.
A igualdade dos
pastores
Nós cremos que todos os verdadeiros pastores, em
qualquer lugar que seja, têm a mesma autoridade e igual poder sob um único
Cabeça, um único Soberano e único Bispo universal: Jesus Cristo.
A igualdade das
Igrejas
Por esta razão, nós cremos que nenhuma Igreja pode
pretender exercer domínio ou soberania sobre outra Igreja qualquer que seja. Mt
20.20-28; 1 Co 3.4-9; Ef 1.22; Cl 1.18,19.
As vocações
Nós cremos que ninguém pode pretender um cargo
eclesiástico baseado em sua própria autoridade, mas que isto deve ser feito por
eleição, tanto quanto for possível e Deus permita. Nós acrescentamos esta
restrição em particular, porque às vezes tem sido necessário – pois mesmo em
nosso tempo a Igreja verdadeira havia deixado de existir – que Deus levante
homens de uma maneira extraordinária para dirigir novamente a Igreja que tenha
caído em ruína e desolação.
A Vocação
Interior
Mas, em qualquer situação, nós cremos que é preciso
sempre se conformar à regra que todos, pastores, presbíteros e diáconos,
estejam seguros de terem sido chamados (por Deus) a seu ofício. Mt 28.19; Mc
16.15; Jo 15.16; At 1.21; 6.1-3; Rm 10.15; Tt 1.5; Gl 1.15; 2 Tm 3.710,15.
A comunhão entre
as Igrejas
Nós cremos também que é bom e útil que aqueles que
forem escolhidos para ser líderes, procurem juntos os meios a serem empregados
para dirigir e administrar todo o corpo da Igreja. Entretanto, que eles não se
desviem em nada do que nosso Senhor Jesus Cristo nos ordenou sobre este ponto.
Os costumes
locais
Isto não impede que haja alguns regulamentos
particulares de cada lugar, segundo a exigência do momento. At 15.6,7,25,28; Rm
12.6-8, 1 Co 14.40; 1 Pe 5.1-3.
Leis e
regulamentos eclesiásticos
Entretanto, nós rejeitamos todas as invenções
humanas e todas as leis que quiseram introduzir sob pretexto de servir a Deus e
pelas quais se deseja submeter as consciências. Nós não aprovamos, exceto o que
contribua a estabelecer a concórdia e seja apropriado em promovê-la e manter
cada um – do primeiro ao último - em obediência.
A excomunhão
Nós devemos seguir o que nosso Senhor declarou
quanto à excomunhão, o que nós aprovamos e confessamos ser necessário com todas
as suas consequências. Rm 16.17,18; 1 Co 3.11; Gl 5.1; Cl 2.8; Mt 18.17; 1 Co
5.45; 1 Tm 1.20[7].
Confissão de Augsburgo (Luterana, 1530)
DA IGREJA
Ensinase também que sempre
haverá e permanecerá uma única santa igreja23 cristã, que é a congregação de
todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos
sacramentos são administrados de acordo com o evangelho.
Porque para a verdadeira
unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente
de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em
conformidade com a palavra de Deus. E para a verdadeira unidade da igreja
cristã não é necessário que em toda a parte se observem cerimônias uniformes
instituídas pelos homens. É como diz Paulo em Efésios 4: "Há somente um
corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa
vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo."
QUE É A IGREJA
Além disso, ainda que a
igreja cristã, propriamente falando, outra coisa não é senão a congregação de
todos os crentes e santos, todavia, já que nesta vida continuam entre os
piedosos muitos falsos cristãos e hipócritas, também, pecadores manifestos, os
sacramentos nada obstante são eficazes, embora os sacerdotes que os administram
não sejam piedosos. Conforme o próprio Cristo indica: "Na cadeira de
Moisés estão sentados os fariseus, etc."
[1]
Confissão de Fé Westminster, Capítulo XXV, Da
Igreja, pg. 35,36 - A Confissão de Fé de Westminster é a principal declaração
doutrinária adotada oficialmente pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Ela foi
um dos documentos aprovados pela Assembléia de Westminster (1643-1649),
convocada pelo Parlamento inglês para elaborar novos padrões doutrinários,
litúrgicos e administrativos para a Igreja da Inglaterra. Para se entender as
circunstâncias da formulação desse importante documento, é preciso relembrar a
história da Reforma Inglesa.
[2]
Confissão Helvética, pg.28 - Esse
importantíssimo documento foi escrito pelo reformador suíço Johann Heinrich
Bullinger (1504-1575). Convertido à causa evangélica em 1522, no ano seguinte
ele conheceu Ulrico Zuínglio, o fundador da tradição reformada, do qual se
tornou grande amigo, sucedendo-o em 1531 na liderança da Reforma suíça. Nessa
função, procurou unir os protestantes suíços e alemães. Com vários colegas de
diferentes cidades, escreveu a Primeira Confissão Helvética (1536), que
se tornou a primeira declaração da fé reformada com autoridade nacional. A Segunda
Confissão Helvética mantém a mesma estrutura, mas foi inteiramente redigida
por Bullinger. Foi composta inicialmente após um parecer favorável do
reformador Martin Bucer (1561), sendo reescrita durante uma epidemia na qual
Bullinger julgou que iria morrer (1562). Ele anexou a confissão ao seu
testamento como uma dádiva final à cidade de Zurique.
[3]
Confissão de Heidelberg, 54. Pg.13 - Em janeiro
de 1561, uma conferência de príncipes realizada em Naumburg separou luteranos e
calvinistas de modo ainda mais dramático, e o eleitor passou a promover o
calvinismo nos seus domínios. Na realidade, tratava-se de um calvinismo marcado
por um espírito melanchtoniano. Frederico precisava de teólogos que pudessem
trabalhar juntos. Ele encontrou uma dupla notável em Zacarias Ursino e Gaspar
Oleviano, talentosos teólogos de orientação suíça, ambos com menos de 30 anos.
Ursino foi nomeado professor de teologia – ele havia iniciado os seus estudos
teológicos com Melanchton, mas também estudara pessoalmente com Calvino.
Oleviano era um protestante reformado francês que também havia estudado com
Calvino e apreciava os escritos de Melanchton. Ele tornou-se o pastor da
principal igreja de Heidelberg. Noll observa que “juntos eles formaram uma
equipe de rara compatibilidade... Ambos estavam ansiosos em trabalharem juntos
a fim de apresentarem uma frente protestante comum. E ambos tinham o dom de
discernimento pastoral”. Seus nomes ficariam permanentemente associados ao produto
mais influente do movimento reformado alemão – o Catecismo de Heidelberg,
publicado no dia 19 de janeiro de 1563.
[4]
Confissão de Fé Valdense, pg.1 - Sínodo nos Vales Valdenses, os representantes se reuniram em 12 de outubro de 1532. Dois anos antes,
a Confissão de Augsburgo foi dada ao mundo, marcando o ponto culminante da
Reforma alemã. O sínodo durou seis dias consecutivos. Todos os pontos
levantados durante as comunicações recebidas das Igrejas protestantes foram
livremente discutidos pelos pastores e anciãos. Seus resultados foram
incorporados em uma "Curta confissão da Fé", o qual Monastier diz que
"pode ser considerada como um suplemento para a antiga Confissão de Fé do
ano de 1120, que não se contradiz em qualquer ponto" [Hist. de Vaud., p.
146.]. Consiste de dezessete artigos, ** a principal é a incapacidade moral do
homem; eleição para a vida eterna, a vontade de Deus, como se fez conhecido na
Bíblia, uma única regra de direito, bem como a doutrina de dois sacramentos
apenas, o Batismo e a Ceia do Senhor. [Trata-se de direito, diz Leger,
"Uma Breve confissão de fé feita pelos pastores e chefes das famílias dos
Vales do Piemonte. "é preservado", acrescenta ele, "com outros
documentos na Biblioteca da Universidade de Cambridge." (Hist. des Vaud.,
Livr. I., p. 95)].
[5]
Instrução de Fé de João Calvino, pg. 62 - No
início da sua estada em Genebra, João Calvino produziu dois importantes
documentos para a cidade, uma confissão de fé a ser subscrita pelos residentes
e um catecismo para a instrução religiosa das crianças. Esses dois textos
tinham grande afinidade entre si e com a obra que o reformador havia publicado
alguns meses antes, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas.
Os catecismos protestantes representaram um novo gênero de literatura cristã. A
palavra “catecismo” vem do grego katechein, que significa “instruir” (1
Co 14.19). O método da catequese foi amplamente utilizado na igreja antiga como
preparação para o batismo (catecumenato), conforme descrito na obra Tradição
Apostólica (c. 215), de Hipólito. O primeiro texto desse gênero no contexto
da Reforma foi o Pequeno Catecismo de Lutero (1529). Entre os
reformados, os primeiros a escreverem catecismos foram Leo Jud (Zurique) bem
como Wolfgang Capito e Martin Bucer (Estrasburgo). Todos esses documentos foram
eclipsados pelo catecismo de Calvino, também conhecido como “catecismo
anterior” ou Catecismo de Genebra.
[6]
Confissão Belga, pg. 20 - Esse valioso documento
foi escrito numa época em que os protestantes dos Países Baixos sofriam intensa
repressão da Espanha católica que dominava a região. Seu autor foi o pastor
reformado Guido de Brès ou Guy de Bray (c. 1522- 1567), que, após passar alguns
anos na Inglaterra como refugiado (1548-1552), retornou à Bélgica, foi pastor
em Tournay e pregou em toda a região, tendo de fugir novamente em 1561, ano em
que escreveu A Confissão. Ele deplorava as tendências anárquicas de muitos
correligionários e insistia na importância de obedecer aos magistrados, tendo
trabalhado com Guilherme de Orange, o futuro libertador dos Países Baixos.
Durante o cerco de Valenciennes, não conseguiu convencer os radicais a se
renderem e foi executado por rebelião.
[7]
Confissão Galicana ou França Rochelle - A Confissão de Fé
Francesa ou Confissão de Fé gaulesa ou Confissão de La
Rochelle (1559) é uma confissão de fé reformada. Sua história começa com a
declaração de fé enviadas pelas Igrejas Reformadas da França para João Calvino em
1557 durante um período de perseguição. A partir daí, e provavelmente com a
ajuda de Theodore Beza e Viret Pierre, Calvino
e seu aluno de Saint-Pierre-de-Chandieu escreveu
uma confissão para eles sob a forma de trinta e cinco artigos. Quando a
perseguição cessou, vinte delegados representando setenta e duas igrejas se
reuniam secretamente em Paris de 23 a 27 maio 1559. Com François de Morel como
moderador, os irmãos produziram uma Constituição Eclesiástica de Disciplina e
uma confissão de fé: Calvino fez trinta e cinco artigos que foram todos
utilizados na confissão, além das duas primeiras que foram expandidos em seis.
Assim, a Confissão gaulesa tinha quarenta e um artigos. Em 1560, a confissão
foi apresentado Francis II, com um prefácio solicitando que a perseguição deve
cessar. A confissão foi confirmada na sétima sínodo nacional das igrejas
francesas em La Rochelle,
em 1571, e reconhecido por sínodos alemão em Wesel em 1568 e Emden, em 1571.
Estudiosos sugeriram que as revisões dos delegados na primeira parte apresenta
a teologia natural em declarações Reformada credo porque o artigo II fala de
Deus, revelando-se em primeiro lugar na criação e em segundo lugar através da
Bíblia.
[8]
O donatismo foi o movimento doutrinado criado por Donato, o grande, que era
presbítero-supervisor de Cartago por volta de 332. O donatismo é um sistema
dogmático eclesiológico, o que causou a chamada controvérsia donatista do
quarto século. O donatismo é considerado um dos primeiros grandes movimentos
cismático da igreja, esse movimento iniciou-se no período de perseguição do
imperador romano Diocleciano. Os donatistas eram radicais em sua posição,
achando-se a única igreja verdadeira tanto é que, eles não aceitavam o batismo
realizado pelas demais igrejas. Os donatistas diziam que os verdadeiros
obreiros eram inatacáveis em sua maneira de viver e que se eles não fossem
íntegros em tudo, o que eles fizessem não teria validade alguma, seja batismo,
celebração da ceia ate mesmo no ato de ordenar oficias eclesiásticos. Portanto
se um oficial da igreja fosse considerado indigno da posição, os donatistas não
o consideravam obreiro de verdade, e se ele ordenou alguém para o presbitério
ou diaconato tais ordenações não teriam valor algum.
[9]
Confissão de Augsburgo, pg. 8 - No dia 21 de
janeiro de 1530, o Imperador Carlos V convocou uma dieta imperial a reunirse
em abril seguinte, em Augsburgo, Alemanha. De acordo com o convite, o Eleitor
da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato
sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra. Uma vez que uma exposição
de doutrinas, conhecida com o nome de Artigos de Schwabach, tinha sido preparada
no verão de 1529, tal exposição foi, por isso, preparada por teólogos de
Wittenberg e, visto que foi aprovada num encontro em Torgau, no fim de março de
1530, é chamada comumente de Artigos de Torgau. Juntamente com outros
documentos, os Artigos de Schwabach e Torgau foram levados para
Augsburgo. Lá foi decidido fazer uma declaração luterana conjunta em vez de uma
simples declaração saxônica, a explanação a ser apresentada ao Imperador.
Circunstâncias também exigiram que se deixasse claro na declaração que os
luteranos não fossem reunidos ao acaso com os demais oponentes de Roma. Outras
considerações indicaram que seria desejável enfatizar mais a harmonia com Roma
do que as diferenças. Todos estes fatores contribuiram para determinar as características
do documento que estava sendo preparado por Felipe Melanchthon. Os Artigos
de Schwabach tornaramse a base para a primeira parte do que veio a ser
chamado de Confissão de Augsburgo, e os Artigos de Torgau tornaramse
a sua segunda parte. Lutero, que não estava presente em Augsburgo, foi
consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram sendo
feitas até a véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de junho de
1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades
livres, a Confissão imediatamente adquiriu importância peculiar como uma
declaração pública de fé.
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
https://www.youtube.com/channel/UC6Ssw2z7AFZrC8yFSevLtTg/featured














Só mentiras contra a verdadeira Igreja. Disso vivem há 5 séculos os protestantes. Na égide da mentira, da calunia e do pecado. Foram condenados a se dividirem, dividirem em tudo, inclusive na interpretação bíblica. Esse é o resultado do vosso pecado.
ResponderExcluir