Os Puritanos e o viver em Cristo - A Santidade prática.
Introdução
Cristo Senhor [...] envia ao
nosso coração seu Espírito Santo, que é a causa eficiente de toda santidade e
santificação – despertando, iluminando, purificando a alma de seus santos.
John Owen[1]
Cristo chama e
ordena todos os pecadores que ouvem o evangelho a virem a ele, mas esse chamado
não é suficiente porque as pessoas são pecadoras por natureza. Por isso, Cristo
estende aos seus eleitos um chamado eficaz. Em vez de erguer uma barreira, a
eleição abre uma porta para que os seres humanos pecadores, eleitos por Deus,
cheguem a Cristo. Eles podem vir e de fato vêm a Cristo. Os puritanos ensinavam
que podemos ter a confiança de vir a Cristo se pela fé, mediante o poder do
Espírito Santo, somos levados a Cristo conforme ele é apresentado no evangelho.
Agora examinemos
o lado prático do vir a Cristo. Vir a Cristo não é uma decisão tomada uma única
vez. Nem é um ato volitivo[2]
momentâneo sem implicação alguma para o presente ou para o futuro. Pelo contrário,
conforme Thomas Boston (1676-1732) nos lembrou, vir a Cristo é o primeiro e
também o último passo que damos na direção de Cristo. Boston escreveu que
mediante a união e comunhão com Cristo o crente “se lança num oceano de fidelidade, é levado a um paraíso de prazeres e
tem interesse salvador no tesouro escondido na lavoura do evangelho, que são as
insondáveis riquezas de Cristo”[3].
Por isso, os santos precisam se esforçar o tempo todo por extrair “da fonte novos suprimentos de graça”,
que é Cristo, mediante a fé. Precisamos vir a Cristo não apenas uma única vez
para justificação da culpa do pecado, mas todos os dias da nossa vida para
santificação contínua, Cristo é não somente a porta; também é o caminho para o
céu; aliás, é a glória do próprio céu.
Muitas pessoas
põem a confiança em sua vinda inicial a Cristo, dizendo: “Eu vim a Cristo
quando era criança. Por que preciso vir de novo?”. Jesus não se importa se sua
vinda inicial a ele aconteceu há vinte anos ou semana passada. Ele está
interessado se você ainda está vindo a ele agora. Precisamos vir a ele
diariamente pela fé para crescermos na semelhança de Cristo, para cultivarmos a
santidade e para vivermos nele e com ele. A cada momento, devemos buscar a
glória de Cristo. Viver para Cristo é uma atividade para a vida inteira.
Viver em
Cristo pela fé
John Flavel
(1628-1691) escreveu: “A alma é a vida do
corpo, a fé é a vida da alma, e Cristo é a vida da fé”[4].
Atualmente, muitas pessoas se ocupam demais em olhar para sua fé lá no íntimo
em vez de olhar para fora, para o objeto de sua fé. A fé é apenas o meio de nos
trazer à união com Cristo, pois, conforme Flavel afirmou, “Cristo é a vida da fé”. Sem Cristo a fé não tem sentido; ele é o
alvo da fé. Por esse motivo, George Swinnock (c. 1627-1673) escreveu: “Primeiro, a fé precisa olhar externamente
para Cristo: em segundo, a fé precisa olhar para Cristo lá em cima para receber
graça; em terceiro, a fé precisa trazer Cristo até aqui embaixo, isto é,
receber Cristo e sua graça”[5].
Hebreus 12.1,2
nos ordena que eliminemos o pecado e corramos a corrida que está diante de nós,
“fixando os olhos em Jesus”. Fixar os
olhos em Jesus é o grande meio de graça no qual está a potencialidade de todos
os outros meios. Isaac Ambrose (1604-1664) afirmou que esse olhar fixo em Jesus
não é um mero conhecimento intelectual, mas um “olhar experiencial e interior
para Jesus, olhar que desperta inclinações no coração e provoca efeitos em
nossa vida [...] é uma experiência interior de conhecer, considerar, desejar,
ter esperança, crer, amar, alegrar-se, clamar a Jesus e ser conforme Jesus”[6].
Ambrose nos instou a olhar para Jesus em cada etapa de sua obra redentora:
eleição eterna: promessas históricas, encarnação, nascimento, ministério
terreno, morte, ressurreição, intercessão e vinda em glória.
John Owen
(1616-1683) nos lembrou que “um dos
maiores privilégios dos crentes, bem como um dos mais importantes passos no seu
crescimento, tanto neste mundo quanto na eternidade, é contemplar a glória de
Cristo”[7]. No
tempo presente eles fazem isso pela fé nas Escrituras. Owen escreveu: “Pois aqui nesta vida, contemplando a glória
de Cristo, são mudados ou transformados na semelhança dela (2Co 3.18)”. É a
partir de nossa visão espiritual da glória de Cristo que nossa fé é exercitada
“de forma vital e poderosa”, que
nosso amor por Cristo “nasce e brota” e que encontramos “descanso, prazer e
satisfação”.
Owen afirmou que
Cristo é “o tesouro de toda aquela bondade, graça, vida, luz, poder e
misericórdia” de que a nova criação precisa. O Espírito Santo habita em Cristo
“em toda plenitude” e “sem medida”, e Cristo “dá [esse mesmo Espírito] a todos
os crentes para neles habitar e também permanecer (Jo 14.14-20; ICo 6.17; Rm
8.9)”. Thomas Manton (1620-1677) afirmou: “A fé tem duas mãos, uma para se
segurar em Cristo e a outra para varrer o coração, que é a habitação de Cristo”[8].
A fé não apenas nos capacita a receber a Cristo e sua justiça para nossa justificação;
ela também nos instiga a lançar fora o pecado e nos purificar, para sermos
templos onde Cristo habite por seu Espírito. Isso mostra nossa necessidade de
santificação diária em Cristo. Viver exclusivamente de Cristo significa viver
pela fé, demonstrando os frutos da santificação.
Então, pra nós
pela fé em Cristo se destaca entre dez mil, é alvo e rosado e totalmente
desejável (Ct 5.10,16). Podemos dizer junto com a rainha de Sabá quando
contemplava a pessoa e os benefícios do Salomão mais magnífico: “Não me
contaram metade da grandeza da tua sabedoria. Tu ultrapassaste a fama que ouvi”
(2Cr 9.6). Com fé exclamamos: “Cristo [...] é tudo em todos” (Cl 3.11). Os
puritanos se alegravam em meditar sobre como Deus fez Cristo o “tudo em todos”
os crentes. Ralph Robinson (1614-1655) publicou uma série de meditações sobre
como Cristo é nossa vida, alimento, manto de justiça, protetor, médico, luz,
pastor, videira, trombeta de salvação, orvalho, pedra de esquina, sol da
justiça, unguento precioso, consolação, fonte, cordeiro, feixe de mirra,
caminho, verdade, glória, dádiva, autor e consumador de nossa fé, rocha,
espada, desejo, aliança, esperança, rio, poder, sabedoria, Santo, altar e
Páscoa. Swinnock acrescentou: “Convoque primeiro aquele comandante supremo,
pois em seguida todos os soldados, as demais graças, virão”. A fé está
apaixonada pela pessoa de Cristo. Viver em Cristo é viver de tal maneira que
Cristo se torne tudo.
A ideia
puritana de santificação
Atualmente, não
corremos o risco de errar por enfatizar demais a questão da santificação, pois
muitas pessoas querem a salvação de Cristo, mas não demonstram interesse algum
em seu chamado a buscar a santidade. Quer no tempo de Jesus, quer na época dos
puritanos, quer em nossos próprios dias, muitas almas estão cegas para a
necessidade de santificação. Apesar disso, as Escrituras declaram que sem
santidade “ninguém verá o Senhor” (Hb
12.14). Muitos pressupõe que a justificação pela fé em Cristo elimina a
necessidade de serem santificados. A definição puritana clássica de
santificação é apresentada no Catecismo Menor de Westminster: “A santificação é
a obra da graça gratuita de Deus mediante a qual somos renovados em todo nosso
ser segundo a imagem de Deus e somos cada vez mais capacitados a morrer para o
pecado e a viver para a justiça”. Em outras palavras, a santificação é um
processo contínuo de sermos transformados conforme a imagem de Cristo à medida
que a graça de Deus opera em nós.
Viver uma vida
de santidade nos ajuda cada vez mais a nos alegrar em Deus e desfrutar a paz
com ele. Esse viver nos dá confiança, alegria e perseverança. Como é consolador
saber que Deus determinou assim para que a santidade nos permita experimentar
esses benefícios. Para ter alegria em Cristo, paz com Deus e certeza do seu
amor, devemos buscar ativamente uma vida de santidade. Ao considerar a doutrina
puritana da santificação, precisamos ter em mente as seguintes verdades.
A
santificação está arraigada na natureza de Deus
Os puritanos
viam a santidade como o atributo supremo de Deus, atributo este que lança luz
sobre todos os seus outros atributos. Jonathan Edwards (1703-1758) afirmou que
“a santidade é, de uma maneira bem peculiar, a beleza da natureza divina [...]
isso torna gloriosos e atraentes todos os seus outros atributos. A santidade é
a glória da sabedoria de Deus, que é uma sabedoria santa, não uma sabedoria
maldosamente sagaz e ardilosa. O fato de ser uma majestade santa torna atraente
a sua majestade e não somente aterrorizante e assustadora”[9].
Na santidade de
Deus, vemos duas verdade importantes. Em primeiro lugar, Deus está separado de
sua criação e, em especial, do mal. Sua santidade o coloca acima de todas as
coisas. Ele é a fonte primeira e última de toda santidade. Em segundo, pelo
fato de Deus ser santo, sem a ajuda de sacrifício suas criaturas não conseguem,
em sua falta de santidade, se aproximar dele (Lv 17.11; Hb 9.22). No poder da
vida inculpável de Cristo e de seu sacrifício perfeito, os pecadores que
confiam nele podem agora se aproximar desse Deus santo. Conforme 2 Coríntios
5.21 afirma, “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para
que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Por meio do seu próprio sacrifício,
Cristo nos pega pela mão – por assim dizer – e nos leva à presença de seu Pai
(IPd 3.18).
A
santificação acentua a santidade de Deus
Aqueles que têm
uma ideia superficial da santidade de Deus tendem a moldar Deus de acordo com a
imagem deles. Precisamos voltar a ideia bíblica da santidade de Deus.
Precisamos nos lembrar da visão que Isaías teve de Deus em seu trono, cercado
de Serafins que clamavam uns aos outros “Santo,
Santo, Santo é o Senhor dos exércitos” (Is 6.3). Stephen Charnock
(1628-1680) escreveu: “A santidade é a vida de Deus; ela dura enquanto ele
viver. Ele tem necessariamente eterna repugnância pelo pecado, sua vida não
pode durar mais do que seu ódio e aversão pelo pecado”.
Embora os
crentes estejam num estado de santidade perfeita diante de Deus, ainda não
estão numa condição de santidade perfeita. Ainda são pecadores que lutam com
sua velha natureza. Paulo orou para que os Tessalonicenses fossem completamente
santificados, querendo com isso dizer que a santificação havia começado nos
tessalonicenses crentes, mas ainda precisava prosseguir até se completar (ITs
5.23). Não diga: “É que sou humano”. Deus criou o homem à sua imagem perfeita e
tem o propósito de renovar toda essa imagem. “Esforcemo-nos por ser
perfeitamente conforme a imagem de Deus” – Charnock afirmou. “Uma linha curta
pode ser tão reta quanto outra”, embora não tenha “o enorme comprimento” desta.
Somos chamados a ser “linhas curtas” tão retas quanto Deus, ainda que
infinitamente menores.
A
santificação é abrangente e moral
Todas as coisas
são destinadas a serem santificadas: ITm 4.4,5, “pois tudo que Deus criou é
bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de
Deus e pela oração, é santificado”. A santidade precisa ser visível em nossa
vida a sós com Deus, na intimidade de nosso lar, na competitividade do nosso
trabalho, nas alegrias da amizade e no empenho do nosso culto no dia do Senhor.
Todos os momentos e de todas as coisas (com exceção daquilo que é pecaminoso)
são destinados à santidade tanto no exterior quanto no interior. Conforme
afirmou Boston, “A santidade [...] é uma constelação de graças”. Watson
escreveu: “O arrependimento opera uma mudança no homem todo, assim como quando
se coloca vinho num copo com água, o vinho penetra por toda a água e muda sua
cor e sabor”.
A santificação
também é moral. A santificação impulsiona o crente na direção da excelência
moral e da justiça prática. Conforme mostra a pergunta 36 do Catecismo Menor,
os puritanos ressaltavam que não se pode esperar que o Espírito Santo de Deus
lhe dê uma segurança firme e alegre a menos que você se esforce diariamente por
viver uma vida santa.
A
santificação é uma batalha contínua
Os puritanos
viam esse esforço árduo pela santificação como uma batalha espiritual (Rm
7.14-25). William Gurnal (1616-1679) afirmou que o conflito entre os santos e
as forças de Satanás era uma guerra que fazia todas as batalhas sangrentas da
humanidade parecerem “esporte e brincadeira de criança”. Obedecer aos dez
mandamentos não é tão fácil como alguns pensam porque envolve tanto a atitude
interior quanto ao ato exterior.
A santificação é
o Espírito guerreando contra a carne. É uma necessidade espiritual para que o
pecado não mate o crente. Os puritanos afirmavam que em cada etapa da batalha
pela santidade precisamos lutar na força de Cristo, caso contrário
fracassaremos (Ef 6.10-12). Boston escreveu: “é uma luta difícil, mas, por mais
difícil que seja, a fé te ajudará nela [...] O sangue de Cristo tem valor
infinito, o Espírito de Cristo tem eficácia infinita, e a fé precisa depender
deles”. O crente não pode se dar ao luxo de ficar parado, afirmou Andrew Gray,
pois “é como o sol da manhã, que vai brilhando cada vez mais, até ficar
completamente claro (Pv 4.18). Ele cresce na graça até chegar ao apogeu na
glória eterna”.
A
santificação envolve tanto arrependimento quanto justiça
Arrependimento é
dar as costas ao pecado, os puritanos afirmavam. O catecismo Menor de
Westminster afirma: “O arrependimento
para a vida é uma graça salvadora mediante a qual o pecador está
verdadeiramente ciente do seu pecado e tem uma percepção da misericórdia de
Deus em Cristo, com tristeza e ódio pelo seu pecado dá as costas para ele e se
volta para Deus com o propósito absoluto de uma nova obediência e o empenho
para isso”. É um trabalho diário de fé (Is 1.16,17). No entanto, o
arrependimento é mais do que remorso. Embora o arrependimento verdadeiro possa
começar aí, o remorso por si só não mudará uma vida. O arrependimento é, em
essência, uma vida transformada. O arrependimento verdadeiro é mais do que
sentir pesar; é dar as costas ao pecado e voltar-se para a justiça.
Desviamo-nos da morte para a vida. Em Cristo e por meio dele nos desviamos das
obras más para as obras justas.
A
santificação precisa ser vista num contexto de aliança
Os puritanos
diziam que ser santificado é receber a benção pactual de um Deus de aliança que
nos fez nascer de novo para nos conduzir à glória. Depois de escrever que a
aliança da graça traz os benefícios tanto de ter Deus como nosso Deus quanto o
perdão dos pecados, Peter Bulkeley (1583-1659) escreveu: “O terceiro benefício
da aliança é a renovação e a santificação de nossa natureza pelas graças do
Espírito”. Ele descreveu o Senhor como alguém dizendo a seu povo da aliança: “Renovarei, transformarei e mudarei aquela
natureza pecaminosa e preserva que está em vós. Transformarei vosso coração em
um novo coração, de maneira que serei capacitados a fazer minha vontade e andar
em meus caminhos. Eu vos santificarei para que sejais um povo santo e precioso
para mim”.
A santificação
está arraigada na aliança de Deus com os crentes em Cristo. Assim, de acordo
com a promessa da aliança o crente é o objeto da obra santificadora de Deus em
Cristo por meio do Espírito Santo. Nosso relacionamento pactual com Deus
incluem tanto promessas feitas ao crente quanto obrigações impostas ao crente.
A obra do Espírito é nos regenerar, mas o nosso chamado é para produzir em
nossa vida os frutos da regeneração. No contexto da aliança da graça que Deus
estabelece com seu povo, precisa nos tornar conformes à imagem de Cristo.
A prática
puritana da santificação
Os puritanos
destacavam que a santificação em Cristo envolve deveres comuns na vida diária.
Diziam que andar cada dia pela fé em Cristo e com Cristo produz uma vida de
muita santidade. Por isso, convém examinar alguns elementos do enfoque puritano
de viver em Cristo pela fé.
Os crentes
precisam buscar uma semelhança
trinitária com o Deus triúno
Cada pessoa da
Trindade molda a vida de santidade do crente. Em primeiro lugar, mediante o
andar em amor, os crentes devem imitar o caráter de Deus Pai (Ef 5.1; IJo
4.16). Charnock afirmou: “Quando
almejamos conversar com Deus com um espírito puro e viver para ele ao viver
como ele, nós o glorificamos muito mais do que quando temos uma admiração
sublime por ele ou dizemos algo eloquente acerca dele ou lhe prestamos um culto
pomposo”.
Em segundo, os
crentes devem se amoldar à imagem de Cristo, vivendo com obediência à vontade
do Pai. Buscar ser como Cristo não é uma condição para a salvação, mas um fruto
dela. Em Cristo temos não apenas um exemplo perfeito de uma vida completa de
verdadeira santidade, mas ele também é a fonte de nossa santidade. Ele torna
santos os crentes. Nas palavras de Martinho Lutero: “Cristo em nós equivale a santificação”.
Em terceiro, os
crentes devem se submeter à mente do Espírito conforme revelada nas Escrituras,
pois é o Espírito que nos santificará. Os puritanos diziam que o Espírito
realiza isso mostrando-nos que precisamos de santidade, convencendo-nos do
pecado, implantando o desejo de santidade, operando em nossa inteira natureza
para que resista ao pecado e nos ajudando a preservar na santidade. Edwards
afirmou que o Espírito Santo é o princípio de nossa santidade que habita em
nós, pois o Espírito “se une à mente de um santo, apropria-se dele como seu
templo, atua nele e influencia-o como um princípio novo e sobrenatural de vida
e ação”. A santidade de Deus deve ser nosso motivo básico para cultivar um
viver santo.
Os crentes
devem praticar a santidade
em suas ocupações
diárias
A Reforma
devolveu aos cristãos a ideia da santidade de todo tipo de atividade. O
catolicismo medieval confinava a devoção em grande parte ao mosteiro; os
reformadores a libertaram para a esfera pública. Antes, a pureza sexual se
limitava ao celibato; os puritanos festejaram a pureza da sexualidade humana no
casamento. Os puritanos tinham o objetivo de levar a totalidade da vida para debaixo de todo conselho de Deus e,
desse modo, atribuíram importância espiritual a todos os esforços humanos. Para
eles, uma “vocação” não era apenas um
emprego, um meio de ganhar a vida; era um chamada da parte do Deus Criador.
Cada pessoa deve ser na colmeia da sociedade humana uma abelha operária ocupada
e não um zangão inútil. William Perkins (1558-1602) escreveu que cada um deve
ter uma vocação específica para se “tornar servo do seu irmão em todos os
deveres de amor” com toda diligência e contentamento.
Assim, a
santidade não significa abandonar o mundo atarefado em favor de uma vida de isolamento,
mas envolver-se em negócios deste mundo, tendo sabedoria cristã, diligência,
justiça, verdade, contentamento e constante devoção a Deus.
Os crentes
devem se lembrar de que Deus usa a santidade
para prepará-los para o céu
A santidade nos
prepara para encontrarmos Deus em justiça e paz, para que “no último dia nos apresentemos sem pavor perante o tribunal de Cristo”
(Ap 21.27, “Nela, nunca jamais penetrará
coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente
os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro”). Esse tipo de encontro é
impossível para aqueles que não produzem frutos de santidade, pois, conforme
Hebreus 12.14 afirma, devemos “procurar [...] a santificação, sem a qual
ninguém verá o Senhor”. Brooks escreveu: “O caminho da santidade que conduz à
felicidade é um caminho estreito. Aí só há espaço para um Deus santo e uma alma
santa caminharem juntos”. Se Deus tem tanto interesse na santidade e se nós
temos tanta necessidade dela, então, prezados amigos, vocês não se sentirão à
vontade num céu santo se não tiverem se esforçado pela santidade na terra.
Conforme lembrou Edwards, todo crente verdadeiro anseia por um “céu de
santidade”. Se vocês não demonstram nenhum interesse por uma vida santa agora,
não demonstrarão interesse algum por ela na vida vindoura.
Bibliografia
Teologia Puritana. Joel R. Beeke e Mark
Jones. Vida Nova. São Paulo: 2016. p. 749-764
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
[1] John
Owen, Of communion with God the Father, Son, and Holy Ghost, in: The Works of
John Owen (Edinburgh: Banner of Truth, 1965), 2:199. Trechos deste capítulo são
adaptação de dois capítulos que tratam da ideia puritana sobre a santificação
extraído de Joel R. Beeke, Living for God’s glory: an introduction to Calvinism
(Orlando: Reformation Trust, 2008).
[2]
Que determina a vontade.
[3] Thomas Boston, Human
nature in its fourfold state (reimpr., Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1964),
p. 285.
[4] John Flavel,
The method of grace, in: The works of JohnFlavel (Edinburgh: Banner of Truth Trust,
1968), 2:104.
[5] George
Swinnock, The Christian man`s calling, in: The works of George Swinnock (Edinburgh: Banner of
Truth Trust, 1992), 1:203.
[7] Owen, The
Glory of Christ, in: The works of John Owen (Edinburgh: Banner of Truth Trust,
1965), 1:286.
[8] Thomas Manton, The Works
of Thomas Manton (Reimpr., Vestavia Hils: Solid Ground Christian Books, 2009),
2:455.















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