Apocalipse. Ponto de vista - Dispensacionalista Clássico.
“O ponto de vista dispensacionalista defende que o
livro é principalmente profético, e não apocalíptico, e essa profecia bíblica
merece interpretação literal, da mesma maneira que fazem os outros gêneros
literários da Bíblia”.
“Um ponto de vista dispensacionalista do Apocalipse se
esforça pela objetividade, não dando importância ao pré-entendimento e
influência, de forma que o texto do livro pode falar por si mesmo. Isso é
interpretação gramatical-histórica historicamente interpretada”.
Esclarecimento
sobre o dispensacionalismo
por Robert L. Thomas
Em anos
recentes, algumas discussões sobre o dispensacionalismo procuraram distinguir
mudanças no sistema dispensacionalista de teologia, dividindo-o em categorias
como “Pré-milenarismo de Niagara” (1875-1909), “Scofieldismo” (1909-1965),
“Essencialista” (1965-1985) ou “Clássico” (aproximadamente 1800-1950) e
“Revisado” (cerca de 1950-1990)[1].
Essas categorias não são justificadas nessas diferenças de interpretação
dispensacionalista que, ao longo dos anos, resultaram de estritas aplicações do
método gramático-histórico de exegese, e que não resultam em mudanças no
sistema, mas são antes seus refinamentos ou desenvolvimentos.
De
outro lado, dispensacionalismo progressivo representa uma mudança significativa
nos princípios interpretativos, de forma que o nome “dispensacionalismo” não se
aplica a esse sistema. Outro nome sugerido para o dispensacionalismo tradicional
foi “dispensacionalismo normativo”, mas este ensaio usará simplesmente
“dispensacionalismo”, para se referir ao sistema como é historicamente
conhecido.
Áreas
selecionadas para realce da visão dispensacionalista
Sistema
hermenêutico
A abordagem hermenêutica
padrão da Bíblia, pelo menos desde a Reforma, foi gramático-histórica, algumas
vezes chamada de interpretação literal. Aplicado ao Apocalipse, ela resulta em
uma compreensão dispensacionalista do livro. Alguns recomendam diferentes
princípios interpretativos, devido ao do citado gênero apocalíptico do livro,
mas por sua própria reivindicação, o livro é uma profecia e merece
interpretação literal, assim como ocorre com outros livros proféticos.
Justificar uma abordagem espiritualizante na base dos muitos símbolos do livro
coloca de lado distinção significativa entre o modo que Deus deu a revelação a
João, e a maneira que os leitores deveriam interpretar essa revelação.
Em 1.1, onde
João escreve “para mostrar” (esemanen), alguns entenderam essa expressão como
justificativa para a interpretação simbólica ao longo do livro. Essas palavras,
porém, falam do meio que Deus usou para inspirar João a escrever; não fornecem
fundamento para a interpretação não-literal. Os interpretes deveriam entender a
revelação a João como fazem com o restante da Bíblia, embora Deus a tenha dado
de um modo simbólico incomum.
Continuidade
com Daniel 2
As palavras “o
que em breve há de acontecer” (ha dei genesthai), em 1.1, sintetizam o conteúdo
da revelação a João. Representam um tema de interesse há muito existente, que
traça suas raízes desde a versão grega de Daniel 2.28 (2.29, 45). Nessa
passagem, Daniel interpreta o sonho de Nabucodonosor sobre uma estátua que
representa quatro impérios mundiais sucessivos. Uma pedra, cortada de uma
montanha sem auxilio de mão humana, destrói aquela estátua e se torna um reino
sempiterno, que substituirá os primeiros quatro impérios. Usando o sonho do
rei, Daniel predisse o estabelecimento do reino de Deus na terra.
Jesus utilizou o
mesmo excerto de Daniel 2.28 no registro do Discurso do Monte das Oliveiras no
livro de Mateus: “é necessário que tais coisas aconteçam” (dei genesthai, Mt
24.6; Mc 13.7; Lc 21.9). As “coisas” preditas ainda estavam no futuro ao final
de seu primeiro advento. Não tiveram e não terão nenhum cumprimento desde o
período do Pentecostes até o arrebatamento da igreja. O programa de Deus para
Israel vai prosseguir apenas após os eventos da profecia das setenta semanas de
Daniel (Dn 9.24-27) começarem a se desdobrar.
Cerca de
sessenta anos após o Discurso do Monte das Oliveiras, João retoma a discussão
dessa tão aguardada série de eventos, e dedica a maior parte de seu livro a
desenvolvê-los com maior detalhamento. A mesma frase (ha dei genesthai)
interpõe parênteses na parte visionária do livro, aparecendo em Apocalipse 4.1,
no topo da seção, e em 22.6, em sua conclusão. Assim 4.1-22.5 incluem “o que em
breve há de acontecer”, isto é, a série de eventos que conduzem ao
estabelecimento do reino de Deus na terra, sobre o qual Daniel profetizou. Em
1.19, frase semelhante, “as que acontecerão” (ha mellei genesthai), aponta para
o mesmo corpo do assunto. Esse versículo fornece o perfil do livro e será o
foco da atenção a seguir.
Em dois dos
lugares onde João usa a expressão “o que em breve há de acontecer” (1.1 e
22.6), ele adiciona a antecipação de um cumprimento iminente pelo acréscimo de
(en tachei). Brevidade de tempo até que Cristo retorne, outra perspectiva
distintamente dispensacionalista, receberá posterior atenção a seguir, em
conexão à “dupla vinda de Cristo”.
Continuidade
com a aliança davídica
A posterior
indicação da reassunção do programa divino para Israel entra em vários versículos
ao longo do Apocalipse, que tratam de Jesus Cristo como o cumprimento da
aliança davídica. O primeiro deles é 1.5, em que os três títulos de Cristo “a
testemunha fiel”, “o primogênito dos mortos”, “o soberano dos reis da terra” –
recuam até o Salmo 89, uma exposição inspirada da aliança davídica de 2 Samuel
7.8-16. O uso dos títulos logo ao início do livro antecipa a futura ocupação do
trono de Davi por Cristo, tão logo o reino terrestre tenha início (Ap 20.1-10).
O AT é
específico ao colocar esse trono na terra; para governar sobre os reis da
terra, é necessário estar na terra (Sl 89.27). Dizer que seu trono divino é o
trono de Davi acrescenta ao texto um significado complementar não autorizado
pela exegese gramático-histórica.
A interpretação literal
de 3.21 também vê Cristo como o cumprimento da aliança davídica. Esse versículo
fala de dois tronos, o do Pai e o de Cristo. Ao longo do Apocalipse, o trono do
Pai está no céu (4.2) e Cristo está na terra (uma vez que nela está o trono de
Davi). Sua autoridade para conceder ou negar acesso ao reino de Davi (3.7,8) é
evidencia adicional disso.
Apocalipse 5.5 e
22.16 são outro lembrete da conexão do livro com as promessas do AT a Davi, de
que o seu descendente algum dia reinaria sobre seu trono. “O leão da tribo de
Judá, a raiz de Davi”, aparece na cena da sala do trono, apresentando o livro
selado com sete selos (5.5). Os títulos “leão da tribo de Judá” (Gn 49.9) e “a
raiz de Davi” (Is 11.1,10) indicam o poder e a supremacia de Cristo no reino
final de Davi. “A Raiz e o Descendente de Davi” (Ap 22.16) lançam Cristo tanto
em seu papel de ancestral quanto de descendente de Davi. Em seu estado
pré-encarnatório, ele começou a economia davídica, e em seu estado encarnado,
na Segunda Vinda, chegará ao apogeu. Cumprirá todas as promessas messiânicas associadas
à linhagem de Davi[2].
Futuridade
de Apocalipse 1.7
Outra marca
distintiva de abordagem literal do Apocalipse é seu tratamento do
versículo-tema do livro, 1.7. O versículo é uma combinação de Daniel 7.13 e
Zacarias 12.10. “Eis que ele vem com as nuvens” é extraído da visão de Daniel,
na qual ele viu a futura vinda do Filho do homem para governar o mundo em um
reino sempiterno (Dn 7.14,27). “Todo olho o verá, até mesmo aqueles que o
traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele”,
refere-se a Zacarias 12.10,12,14. O contexto de Zacarias descreve o futuro
arrependimento de Israel, no dia em que o Senhor restaurar Jerusalém e a nação
à sua prometida supremacia.
O uso da mesma
combinação de Mateus 24.30 por Jesus para descrever sua Segunda Vinda fornece
confirmação adicional da utilização pelo Apocalipse dessa fusão, para antecipar
os detalhes que envolve seu retorno à terra, a fim de estabelecer seu reino. Fala
de seu futuro advento e não de uma vinda que jaz no passado.
Interpretando
1.7 com o significado manifesto de falar da futura vinda de Cristo e dos
eventos que o cercam, ajustam-na à moldura dispensacionalista. Quando ele
retornar, todos o verão, especialmente aqueles de origem judaica cujos
ancestrais estiveram envolvidos com os eventos de sua crucificação. Isso
produzirá lágrimas de desespero na humanidade não remida, enquanto ele julga um
mundo não arrependido com severidade sem paralelo na história. Os capítulos
restantes de Apocalipse detalham essa punição.
A tríplice
divisão baseada em 1.19
Os
dispensacionalistas geralmente usam a interpretação literal de 1.19 como um
croqui do Apocalipse. “As coisas que você viu” referem-se naturalmente à visão
preliminar do João sobre o Cristo glorificado no capítulo 1. “As [coisas] que
acontecerão” referem-se naturalmente a 4.1-22.5, a seção emoldurada por ha dei
genesthai (“as que acontecerão”). Apocalipse 2 e 3 constitui “as coisas presentes”,
isto é, as condições prevalecentes como tipificadas para as sete igrejas da
Ásia. Em 1.19, João recebeu a ordem de escrever, baseado naquilo que aprendera
de Cristo em sua visão inicial (cap. 1), para as sete igrejas cujas condições
são típicas das igrejas ao longo das eras até o arrebatamento (caps. 2 e 3),
sobre futuros eventos terrestres ligados ao estabelecimento do reino de Cristo
(caps. 4-22).
A palavra
“acontecerão” em 1.19, traduz uma combinação dos vocábulos (mellei genesthai)
que sempre expressam iminência. A terceira divisão (4.1-22.5) pode começar a
qualquer momento, terminando o período de “as presentes” (caps. 2 e 3).
A dupla
vinda de Cristo em 3.10,11
Em Apocalipse
3.10,11 inclui referências a dois tipos de ação que Cristo realizará quando
retornar, e ilustra referências à sua vinda em outras seis mensagens. “Venho em
breve” passa encorajamento à igreja perseguida de Filadélfia. “Breve”(tachy,
que alguns erradamente associam à celeridade de sua vinda [isto é,
“depressa”]), diz respeito ao tempo de seu retorno. A velocidade de sua vinda
não proveria qualquer consolação aos leitores de João, mas o tempo “logo” o
faz. Apocalipse e o restante do NT ensinam uma atitude que espera iminentemente
o retorno de Jesus, isto é, a qualquer momento. “Iminência”, significa “prestes
a acontecer[3]”
ou, em um contexto bíblico, nenhuma profecia escriturística fica para ser
cumprida antes do evento predito. A própria perspectiva cristã aceita a
possibilidade de que o retorno de Jesus pode acontecer a qualquer momento. Essa
é a esperança encorajada em “venho em breve”, como saudação a uma igreja sob
severa perseguição, porque seu retorno significaria alivio do sofrimento.
Na base dessa
vinda para libertação, Jesus prometeu à igreja preservá-la em um lugar distante
da cena da “hora da provação”(3.10). Na combinação terese ek (“guardarei da”),
o verbo fala de preservação e a preposição fala de uma posição externa. Em
outras palavras, a promessa de Cristo equivale a um compromisso de proteção em
um lugar fora do período conhecido como “hora da provação”. Uma promessa para
preservar a igreja fiel enquanto ela vivenciava a hora da provação, não seria
de modo algum promessa. Embora eles permaneçam na terra e estejam imunes à ira
de Deus, não estariam livres das perseguições e do martírio nas mãos da besta
durante esse período. Os abusos posteriores também eram aspectos bem conhecidos
desse futuro período. Para eles, somente escapar de sua presente perseguição
apenas para cair presa de sofrimentos mais severos infligidos pela besta não
ofereceria incentivo algum para perseverar mais. Todavia, Cristo insiste com
elas para que perseverem por causa do iminente livramento de todo
sofrimento.
O outro aspecto
da vinda de Cristo aparece nas palavras “a hora da provação que está para vir
sobre todo o mundo” (3.10). Isso se refere à vinda de Cristo para punir um
mundo em rebelião contra Deus. “A hora da provação” tem “sobre todo o mundo”
como seu objeto, e se identifica com o período do julgamento sobre a terra
descrito nos capítulos 4-20. Essa é a profecia da 70a semana de
Daniel 9.24-27 e a fase de abertura do dia de Deus, e inclui como sua última
metade a grande tribulação. Os judeus conhecem esse período como o das
“aflições messiânicas”. É um tempo para testar o ímpio e esperançosamente
conduzi-lo ao arrependimento, mas, em caso contrário, castigá-lo por não se
arrepender.
Outras
referências à vinda de Cristo para livramento incluem 2.25 e 3.20 (3.10). Sua
promessa fornece alento para os fiéis das igrejas que enfrentam oposição de um
tipo ou de outro. Esses recebem a promessa de preservação em um lugar longe da
cena terrestre de “a hora da provação” (3.10). A igreja de Filadélfia
enfrentava severo sofrimento quando o Senhor lhes enviou essas palavras.
Prometer-lhes proteção no julgamento e, seguir, fazê-los passar pela
experiência da “hora da provação” seria ridículo, porque era sabido que os
santos que vivessem sob o regime da besta no últimos dias sofreriam mais do que
quaisquer outros antes deles, até mesmo o martírio (13.7). Para que a promessa
de Cristo em 3.10 tenha qualquer substância, tem de significar que ele os
levará para longe da cena antes que comece (3.11).
Uma
compreensão literal dos 144 000
Uma
interpretação literal dos 144 000 servos de Deus em Apocalipse 7.3-8 os vê como
Israel étnico, descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó. Os
dispensacionalistas e, provavelmente, os dispensacionalistas progressivos,
aceitam esse significado. A compreensão natural e o uso normal de “Israel” no
NT identificam-no como o Israel do AT, como descendentes físicos de Abraão,
Isaque e Jacó. Isso também explica sua divisão em doze tribos em 7.5-8,
distinções tribais perdidas desde há muito com registros humanos, mas ainda
gravados na mente divina. Isso também concorre para distingui-los do grupo
apresentado em 7.9, uma multidão inumerável de todas origens raciais. Certo
numero de possíveis objeções a essa posição é filosoficamente possível, mas se
desfazem sob o exame da revelação bíblica.
Israel não
perdeu e não perderá sua identidade nacional distintiva diante de Deus, a
despeito das proposições humanas em contrário. Esses 144 000 não são a
totalidade do fiel remanescente de Israel, mas um grupo encarregado da tarefa
especial de testemunhar Cristo durante a hora mais obscura do mundo.
Eventualmente sofrerão martírio por sua fidelidade a essa tarefa.
O templo
literal em Apocalipse 11.1ss.
Interpretações
figurativas do templo em 11.1 têm-no identificado como a igreja, porque o NT
algumas vezes chama a igreja de “templo de Deus” (ICo 3.16; 2 Co 6.16; Ef 2.21;
IPd 3.5). Se o templo é a igreja quem são os adoradores medidos com o santuário
e o altar? Esse entendimento requer uma combinação impossível de interpretação
não-literal com o que é claramente literal. Isso é inconsistente e
contraditório.
A única saída
para esse irremediável embaraço é reconhecer um templo literal em Jerusalém, a
ser reconstruído durante o período que antecede o retorno de Cristo,
considerando uma distinção entre o templo e seus adoradores. Isso se afina bem
com o futuro arrependimento de Israel e a reinstituição da vida nacional da
nação judaica, que são ensinados no contexto mais amplo do Apocalipse.
As instruções
para João medir o templo, o altar e os adoradores em 11.1, e não para mensurar
o pátio exterior em 11.2, conduzem à divulgação de informação sobre o
ministério das duas testemunhas na Jerusalém do futuro em 11.3-13. Uma
compreensão literal da passagem se ajusta ao ensino dispensacionalista da
futura restauração da nação judaica.
A
identidade da mulher de Apocalipse 12.ss.
Apocalipse 12.1
ilustra como a interpretação gramatical-histórica (ou literal) reconhece as
figuras de linguagem quando o autor pretendeu usar linguagem figurativa. O
texto fala de “uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma
coroa de doze estrelas sobre a cabeça”, como “um sinal extraordinário” no céu.
Com esse sinal, o intérprete começa a buscar chaves para os significados dos
símbolos, e não tenta forçar o significado de uma mulher literal.
As descrições descrições
da virgem Maria em Isaías 7.10,11,14, e Mateus 1.18,23, faz com que alguns se
inclinem para essa identificação da mulher, mas a linguagem simbólica, com
outros fatores, contradiz a interpretação “mariana”. Vários elementos do
simbolismo mostram uma conexão com Gênesis 37.9,10 em que o sol, no sonho de
José, representa Jacó; a lua, Raquel, e as onze estrelas os onze filhos de
Israel (José é contado como a estrela perdida, isto é, onze em lugar de doze).
As figuras de linguagem referentes a Israel como uma parturiente no AT
sustentam essa interpretação (Is 26.17,18; 66.7; Jr 4.31; 13.21; Mq 4.10; 5.3),
como também o faz a referência à arca da aliança de Israel no versículo
imediatamente antecedente a Apocalipse 12.1 (11.19). A “judaicidade” do
contexto encontra apoio adicional nas referências às doze tribos de Israel em
7.5-8 e 21.12, e para o templo e Jerusalém em 11.1-3. Todos esses detalhes
apontam para a identificação da mulher como símbolo do Israel nacional.
Acrescentar a esse
significado simbólico a ideia de que a mulher também representa o povo de Deus
no NT não é certo, porque membros do corpo de Cristo com descendentes físicos
de Abraão. Ninguém provou essa pretensa continuidade pela Escritura. De fato,
se ela existisse, contra diria a identidade étnica de Israel, que existe
claramente nas páginas do Apocalipse. Essa distinção de Israel já surgiu nas
discussões de 2.9; 3.9; 7.4-8. Além disso, seria impossível considerar o
Messias judeu de 12.5 como filho da comunidade cristã, pois ele é claramente
pertencente à comunidade judaica.
O capítulo 12
fala da contínua animosidade de Satanás contra Israel, em geral, e contra seu
Messias, em particular. A maior parte do capítulo antecipa a confrontação final
a ocorrer durante o cumprimento da profecia das setenta semanas de Daniel
(9.24-27), quando Satanás será expulso do céu e exercerá sua ira contra a
mulher e o “restante da sua semente” (provavelmente os 144 000). A narrativa se
refere à última metade dessa semana de diferentes modos, como “mil e duzentos e
sessenta dias” (12.6), “tempo, tempos e metade de um tempo” (12.4) e “quarenta
e dois meses” (13.5). O capítulo 13 prossegue na descrição desse conflito,
quando o dragão (Satanás) levanta a besta do mar e a besta da terra, para perseguir e
martirizar “o restante” da semente da mulher (13.7,15).
A besta de
13.1ss.
O ponto de vista
dispensacionalista característico do Apocalipse também identifica a besta que
sai do mar em 13.1, com a figura do futuro falso cristo, que instituirá um
governo mundial justamente antes do retorno de Cristo. A descrição da besta
presta-se para vê-la como um agregado de impérios mundiais, mas suas qualidades
pessoais unificadas determinam que é uma figura pessoal que comanda esse
império. Seu número é o de um homem (13.18). É identificado com uma de suas
cabeças feridas (13.3,6), e como travestido de Cordeiro morto. Os dois têm
seguidores com o nome de seu líder nas frontes (13.16,17; 14.1). Eles têm
chifres (5.6; 13.1). Ambos surgem para uma nova vida após estarem mortos
(13.3,8), e exercem autoridade sobre todo o mundo (1.5; 7.9; 13.7; 17.12).
Porque o capítulo 13 continua a descrição do capítulo 12, essa besta tem de ser
uma pessoa maligna que incorporará s forças satânicas no controle do ultimo
império mundial – provavelmente uma forma revivida do império romano do passado
– no papel de um falso cristo, o qual enganará os habitantes da terra.
Uma alternativa
a essa interpretação literal do simbolismo do texto apresenta o império romano
como a identidade da besta, um ponto de vista que comumente liga as sete
colinas de 17.9 ao império romano. Roma, naturalmente, foi a opressora imediata
no exílio de João em Patmos. Esse ponto de vista identifica a cabeça ferida
como Nero (13.3) e explica o número 666 em 13.18 como um número de seu nome. Um
problema com essa abordagem é que nenhuma fase do império romano do passado
pode satisfazer plenamente o critério textual com relação à besta. Mais
obviamente, a besta não é apenas um império, como a descrição de 13.3-8 exibe
claramente; antes, é uma criatura. Além disso, pertence ao futuro e não ao
passado.
Um entendimento
dispensacionalista da besta também admite as alusões do João a Daniel 7 em sua
descrição da besta. As sete cabeças representam sete impérios mundiais
sucessivos: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma e o império da
besta da qual as quatro bestas de Daniel incluem a Babilônia, Medo-Pérsia,
Grécia e Roma. Os sete reis em 17.10 representam estes impérios. Os dez chifres,
iguais a esses da quarta besta de Daniel (Dn 7.7,24), retratam os dez reis que
agirão como subgovernantes simultâneos sob a autoridade da besta (v.17.12).
Os preteristas e
os idealistas geralmente negam a futuridade da besta à tentativa de
explicações, relacionando-a ao passado ou ao presente.
O reino
milenar de Apocalipse 20.1-10
O
dispensacionalismo e o dispensacionalismo progressivo separam abruptamente os
caminhos das interpretações preteristas e idealistas do Apocalipse, a tratar
20.1-10. Os dois primeiros entendem que os versículos falam de um reino futuro
na terra, em contraste com os dois últimos, que preveem um cumprimento passado
ou presente do texto. Isso categoriza o anterior como pré-milenarista em sua
perspectiva e o posterior como pós-milenarista ou amilenar, por causa do
momento da Segunda Vinda de Cristo referente ao milênio em 20.1-10.
“Pré-milenar” significa que ele vem antes, “pós-milenar” significa depois de, e
“amilenar” significa que há ou não haverá período algum de mil anos específicos
como tal.
A exegese
gramatical-histórica do capítulo 20 declara que o reino retratado ali será
futuro. Várias considerações fornecem importância cumulativa a essa conclusão.
1) Os versículos constituem a quarta e a
quinta cenas do sétimo julgamento da taça (16.17) que é a última das sete
últimas pragas (15.1). O julgamento consiste em oito cenas, cada uma
introduzida por “e eu vi” (kai eidon): a Segunda Vinda de Cristo (19.11-16), a
convocação dos pássaros para um banquete humano (19.17,18), a matança dos
oponentes de Cristo (19.19-21), a prisão de Satanás (20.1-3), a soltura de
Satanás e a derrota final (20.4-10), o assentamento do grande trono branco
(20.11), a condenação ao lago de fogo (20.12-15), o esboço da nova Jerusalém
(21.1-8). Para esses serem o “último” nas séries dos últimos julgamentos de
Deus, todos devem ser futuros.
2) Uma dessas cenas de julgamento a vincula
à prisão de Satanás durante o milênio (20.1-3). Uma leitura cuidadosa das cenas
que revela estão organizadas cronologicamente, estabelecendo a ligação após a
Segunda Vinda de Cristo. Além disso, ao reter e ao prender Satanás o incapacita
completamente durante mil anos, e um cumprimento futuro é necessário. O único
modo possível para estabelecer sua prisão durante o presente é limitando-o em
suas atividades, mas a sua punição envolve mais do que isso. Não só ele está na
prisão, o abismo, mas essas correntes são necessárias para conter um ser
espiritual e mantê-lo sob controle absoluto. Suas atividades cessam
completamente. Essa cessação total e desconhecida na história até que Cristo
volte. Mas até mesmo se fosse detido durante a era até a volta de Cristo, o que
a sua soltura após os mil anos significaria (20.7)? Coincidiria com o retorno
de Cristo e não teria significado algum sob qualquer condição.
Retirado
do livro: As interpretações do Apocalipse. Vida Acadêmica. Organizado por C.
Marvin Pate. Resumo das paginas:186-238.
[1] Craig
Blaising e Darrel Bock, Progressive Dispensationalism, Wheaton: Victor, 1993,
p. 21-3; idem, orgs., Dispensationalism, Israel and the Church, Grand Rapids:
Zondervan, 1992, p. 13-34.
[2] Stephen J. Nichols, The dispensational view of davidic
kingdom: a response to progressive dispensationalism, The master’s seminary
journal 7/2 (Fall 1996), p. 213-39), documenta esse ponto de vista sobre o
trono e o reino davídico como a característica dominante do dispensacionalismo
tradicional.
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
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"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
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III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
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Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
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(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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