Apocalipse. Ponto de vista - Dispensacionalista Clássico.



“O ponto de vista dispensacionalista defende que o livro é principalmente profético, e não apocalíptico, e essa profecia bíblica merece interpretação literal, da mesma maneira que fazem os outros gêneros literários da Bíblia”.

“Um ponto de vista dispensacionalista do Apocalipse se esforça pela objetividade, não dando importância ao pré-entendimento e influência, de forma que o texto do livro pode falar por si mesmo. Isso é interpretação gramatical-histórica historicamente interpretada”.

Esclarecimento sobre o dispensacionalismo

por Robert L. Thomas

Em anos recentes, algumas discussões sobre o dispensacionalismo procuraram distinguir mudanças no sistema dispensacionalista de teologia, dividindo-o em categorias como “Pré-milenarismo de Niagara” (1875-1909), “Scofieldismo” (1909-1965), “Essencialista” (1965-1985) ou “Clássico” (aproximadamente 1800-1950) e “Revisado” (cerca de 1950-1990)[1]. Essas categorias não são justificadas nessas diferenças de interpretação dispensacionalista que, ao longo dos anos, resultaram de estritas aplicações do método gramático-histórico de exegese, e que não resultam em mudanças no sistema, mas são antes seus refinamentos ou desenvolvimentos.
            De outro lado, dispensacionalismo progressivo representa uma mudança significativa nos princípios interpretativos, de forma que o nome “dispensacionalismo” não se aplica a esse sistema. Outro nome sugerido para o dispensacionalismo tradicional foi “dispensacionalismo normativo”, mas este ensaio usará simplesmente “dispensacionalismo”, para se referir ao sistema como é historicamente conhecido.

Áreas selecionadas para realce da visão dispensacionalista


Sistema hermenêutico

A abordagem hermenêutica padrão da Bíblia, pelo menos desde a Reforma, foi gramático-histórica, algumas vezes chamada de interpretação literal. Aplicado ao Apocalipse, ela resulta em uma compreensão dispensacionalista do livro. Alguns recomendam diferentes princípios interpretativos, devido ao do citado gênero apocalíptico do livro, mas por sua própria reivindicação, o livro é uma profecia e merece interpretação literal, assim como ocorre com outros livros proféticos. Justificar uma abordagem espiritualizante na base dos muitos símbolos do livro coloca de lado distinção significativa entre o modo que Deus deu a revelação a João, e a maneira que os leitores deveriam interpretar essa revelação.
Em 1.1, onde João escreve “para mostrar” (esemanen), alguns entenderam essa expressão como justificativa para a interpretação simbólica ao longo do livro. Essas palavras, porém, falam do meio que Deus usou para inspirar João a escrever; não fornecem fundamento para a interpretação não-literal. Os interpretes deveriam entender a revelação a João como fazem com o restante da Bíblia, embora Deus a tenha dado de um modo simbólico incomum.

Continuidade com Daniel 2


As palavras “o que em breve há de acontecer” (ha dei genesthai), em 1.1, sintetizam o conteúdo da revelação a João. Representam um tema de interesse há muito existente, que traça suas raízes desde a versão grega de Daniel 2.28 (2.29, 45). Nessa passagem, Daniel interpreta o sonho de Nabucodonosor sobre uma estátua que representa quatro impérios mundiais sucessivos. Uma pedra, cortada de uma montanha sem auxilio de mão humana, destrói aquela estátua e se torna um reino sempiterno, que substituirá os primeiros quatro impérios. Usando o sonho do rei, Daniel predisse o estabelecimento do reino de Deus na terra.
Jesus utilizou o mesmo excerto de Daniel 2.28 no registro do Discurso do Monte das Oliveiras no livro de Mateus: “é necessário que tais coisas aconteçam” (dei genesthai, Mt 24.6; Mc 13.7; Lc 21.9). As “coisas” preditas ainda estavam no futuro ao final de seu primeiro advento. Não tiveram e não terão nenhum cumprimento desde o período do Pentecostes até o arrebatamento da igreja. O programa de Deus para Israel vai prosseguir apenas após os eventos da profecia das setenta semanas de Daniel (Dn 9.24-27) começarem a se desdobrar.
Cerca de sessenta anos após o Discurso do Monte das Oliveiras, João retoma a discussão dessa tão aguardada série de eventos, e dedica a maior parte de seu livro a desenvolvê-los com maior detalhamento. A mesma frase (ha dei genesthai) interpõe parênteses na parte visionária do livro, aparecendo em Apocalipse 4.1, no topo da seção, e em 22.6, em sua conclusão. Assim 4.1-22.5 incluem “o que em breve há de acontecer”, isto é, a série de eventos que conduzem ao estabelecimento do reino de Deus na terra, sobre o qual Daniel profetizou. Em 1.19, frase semelhante, “as que acontecerão” (ha mellei genesthai), aponta para o mesmo corpo do assunto. Esse versículo fornece o perfil do livro e será o foco da atenção a seguir.
Em dois dos lugares onde João usa a expressão “o que em breve há de acontecer” (1.1 e 22.6), ele adiciona a antecipação de um cumprimento iminente pelo acréscimo de (en tachei). Brevidade de tempo até que Cristo retorne, outra perspectiva distintamente dispensacionalista, receberá posterior atenção a seguir, em conexão à “dupla vinda de Cristo”.

Continuidade com a aliança davídica


A posterior indicação da reassunção do programa divino para Israel entra em vários versículos ao longo do Apocalipse, que tratam de Jesus Cristo como o cumprimento da aliança davídica. O primeiro deles é 1.5, em que os três títulos de Cristo “a testemunha fiel”, “o primogênito dos mortos”, “o soberano dos reis da terra” – recuam até o Salmo 89, uma exposição inspirada da aliança davídica de 2 Samuel 7.8-16. O uso dos títulos logo ao início do livro antecipa a futura ocupação do trono de Davi por Cristo, tão logo o reino terrestre tenha início (Ap 20.1-10).
O AT é específico ao colocar esse trono na terra; para governar sobre os reis da terra, é necessário estar na terra (Sl 89.27). Dizer que seu trono divino é o trono de Davi acrescenta ao texto um significado complementar não autorizado pela exegese gramático-histórica.
A interpretação literal de 3.21 também vê Cristo como o cumprimento da aliança davídica. Esse versículo fala de dois tronos, o do Pai e o de Cristo. Ao longo do Apocalipse, o trono do Pai está no céu (4.2) e Cristo está na terra (uma vez que nela está o trono de Davi). Sua autoridade para conceder ou negar acesso ao reino de Davi (3.7,8) é evidencia adicional disso.
Apocalipse 5.5 e 22.16 são outro lembrete da conexão do livro com as promessas do AT a Davi, de que o seu descendente algum dia reinaria sobre seu trono. “O leão da tribo de Judá, a raiz de Davi”, aparece na cena da sala do trono, apresentando o livro selado com sete selos (5.5). Os títulos “leão da tribo de Judá” (Gn 49.9) e “a raiz de Davi” (Is 11.1,10) indicam o poder e a supremacia de Cristo no reino final de Davi. “A Raiz e o Descendente de Davi” (Ap 22.16) lançam Cristo tanto em seu papel de ancestral quanto de descendente de Davi. Em seu estado pré-encarnatório, ele começou a economia davídica, e em seu estado encarnado, na Segunda Vinda, chegará ao apogeu. Cumprirá todas as promessas messiânicas associadas à linhagem de Davi[2].      

Futuridade de Apocalipse 1.7


Outra marca distintiva de abordagem literal do Apocalipse é seu tratamento do versículo-tema do livro, 1.7. O versículo é uma combinação de Daniel 7.13 e Zacarias 12.10. “Eis que ele vem com as nuvens” é extraído da visão de Daniel, na qual ele viu a futura vinda do Filho do homem para governar o mundo em um reino sempiterno (Dn 7.14,27). “Todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele”, refere-se a Zacarias 12.10,12,14. O contexto de Zacarias descreve o futuro arrependimento de Israel, no dia em que o Senhor restaurar Jerusalém e a nação à sua prometida supremacia.
O uso da mesma combinação de Mateus 24.30 por Jesus para descrever sua Segunda Vinda fornece confirmação adicional da utilização pelo Apocalipse dessa fusão, para antecipar os detalhes que envolve seu retorno à terra, a fim de estabelecer seu reino. Fala de seu futuro advento e não de uma vinda que jaz no passado.
Interpretando 1.7 com o significado manifesto de falar da futura vinda de Cristo e dos eventos que o cercam, ajustam-na à moldura dispensacionalista. Quando ele retornar, todos o verão, especialmente aqueles de origem judaica cujos ancestrais estiveram envolvidos com os eventos de sua crucificação. Isso produzirá lágrimas de desespero na humanidade não remida, enquanto ele julga um mundo não arrependido com severidade sem paralelo na história. Os capítulos restantes de Apocalipse detalham essa punição.

A tríplice divisão baseada em 1.19


Os dispensacionalistas geralmente usam a interpretação literal de 1.19 como um croqui do Apocalipse. “As coisas que você viu” referem-se naturalmente à visão preliminar do João sobre o Cristo glorificado no capítulo 1. “As [coisas] que acontecerão” referem-se naturalmente a 4.1-22.5, a seção emoldurada por ha dei genesthai (“as que acontecerão”). Apocalipse 2 e 3 constitui “as coisas presentes”, isto é, as condições prevalecentes como tipificadas para as sete igrejas da Ásia. Em 1.19, João recebeu a ordem de escrever, baseado naquilo que aprendera de Cristo em sua visão inicial (cap. 1), para as sete igrejas cujas condições são típicas das igrejas ao longo das eras até o arrebatamento (caps. 2 e 3), sobre futuros eventos terrestres ligados ao estabelecimento do reino de Cristo (caps. 4-22).
A palavra “acontecerão” em 1.19, traduz uma combinação dos vocábulos (mellei genesthai) que sempre expressam iminência. A terceira divisão (4.1-22.5) pode começar a qualquer momento, terminando o período de “as presentes” (caps. 2 e 3).

A dupla vinda de Cristo em 3.10,11


Em Apocalipse 3.10,11 inclui referências a dois tipos de ação que Cristo realizará quando retornar, e ilustra referências à sua vinda em outras seis mensagens. “Venho em breve” passa encorajamento à igreja perseguida de Filadélfia. “Breve”(tachy, que alguns erradamente associam à celeridade de sua vinda [isto é, “depressa”]), diz respeito ao tempo de seu retorno. A velocidade de sua vinda não proveria qualquer consolação aos leitores de João, mas o tempo “logo” o faz. Apocalipse e o restante do NT ensinam uma atitude que espera iminentemente o retorno de Jesus, isto é, a qualquer momento. “Iminência”, significa “prestes a acontecer[3]” ou, em um contexto bíblico, nenhuma profecia escriturística fica para ser cumprida antes do evento predito. A própria perspectiva cristã aceita a possibilidade de que o retorno de Jesus pode acontecer a qualquer momento. Essa é a esperança encorajada em “venho em breve”, como saudação a uma igreja sob severa perseguição, porque seu retorno significaria alivio do sofrimento.
Na base dessa vinda para libertação, Jesus prometeu à igreja preservá-la em um lugar distante da cena da “hora da provação”(3.10). Na combinação terese ek (“guardarei da”), o verbo fala de preservação e a preposição fala de uma posição externa. Em outras palavras, a promessa de Cristo equivale a um compromisso de proteção em um lugar fora do período conhecido como “hora da provação”. Uma promessa para preservar a igreja fiel enquanto ela vivenciava a hora da provação, não seria de modo algum promessa. Embora eles permaneçam na terra e estejam imunes à ira de Deus, não estariam livres das perseguições e do martírio nas mãos da besta durante esse período. Os abusos posteriores também eram aspectos bem conhecidos desse futuro período. Para eles, somente escapar de sua presente perseguição apenas para cair presa de sofrimentos mais severos infligidos pela besta não ofereceria incentivo algum para perseverar mais. Todavia, Cristo insiste com elas para que perseverem por causa do iminente livramento de todo sofrimento. 
O outro aspecto da vinda de Cristo aparece nas palavras “a hora da provação que está para vir sobre todo o mundo” (3.10). Isso se refere à vinda de Cristo para punir um mundo em rebelião contra Deus. “A hora da provação” tem “sobre todo o mundo” como seu objeto, e se identifica com o período do julgamento sobre a terra descrito nos capítulos 4-20. Essa é a profecia da 70a semana de Daniel 9.24-27 e a fase de abertura do dia de Deus, e inclui como sua última metade a grande tribulação. Os judeus conhecem esse período como o das “aflições messiânicas”. É um tempo para testar o ímpio e esperançosamente conduzi-lo ao arrependimento, mas, em caso contrário, castigá-lo por não se arrepender.
Outras referências à vinda de Cristo para livramento incluem 2.25 e 3.20 (3.10). Sua promessa fornece alento para os fiéis das igrejas que enfrentam oposição de um tipo ou de outro. Esses recebem a promessa de preservação em um lugar longe da cena terrestre de “a hora da provação” (3.10). A igreja de Filadélfia enfrentava severo sofrimento quando o Senhor lhes enviou essas palavras. Prometer-lhes proteção no julgamento e, seguir, fazê-los passar pela experiência da “hora da provação” seria ridículo, porque era sabido que os santos que vivessem sob o regime da besta no últimos dias sofreriam mais do que quaisquer outros antes deles, até mesmo o martírio (13.7). Para que a promessa de Cristo em 3.10 tenha qualquer substância, tem de significar que ele os levará para longe da cena antes que comece (3.11).

Uma compreensão literal dos 144 000


Uma interpretação literal dos 144 000 servos de Deus em Apocalipse 7.3-8 os vê como Israel étnico, descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó. Os dispensacionalistas e, provavelmente, os dispensacionalistas progressivos, aceitam esse significado. A compreensão natural e o uso normal de “Israel” no NT identificam-no como o Israel do AT, como descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó. Isso também explica sua divisão em doze tribos em 7.5-8, distinções tribais perdidas desde há muito com registros humanos, mas ainda gravados na mente divina. Isso também concorre para distingui-los do grupo apresentado em 7.9, uma multidão inumerável de todas origens raciais. Certo numero de possíveis objeções a essa posição é filosoficamente possível, mas se desfazem sob o exame da revelação bíblica.
Israel não perdeu e não perderá sua identidade nacional distintiva diante de Deus, a despeito das proposições humanas em contrário. Esses 144 000 não são a totalidade do fiel remanescente de Israel, mas um grupo encarregado da tarefa especial de testemunhar Cristo durante a hora mais obscura do mundo. Eventualmente sofrerão martírio por sua fidelidade a essa tarefa.

O templo literal em Apocalipse 11.1ss.


Interpretações figurativas do templo em 11.1 têm-no identificado como a igreja, porque o NT algumas vezes chama a igreja de “templo de Deus” (ICo 3.16; 2 Co 6.16; Ef 2.21; IPd 3.5). Se o templo é a igreja quem são os adoradores medidos com o santuário e o altar? Esse entendimento requer uma combinação impossível de interpretação não-literal com o que é claramente literal. Isso é inconsistente e contraditório.
A única saída para esse irremediável embaraço é reconhecer um templo literal em Jerusalém, a ser reconstruído durante o período que antecede o retorno de Cristo, considerando uma distinção entre o templo e seus adoradores. Isso se afina bem com o futuro arrependimento de Israel e a reinstituição da vida nacional da nação judaica, que são ensinados no contexto mais amplo do Apocalipse.
As instruções para João medir o templo, o altar e os adoradores em 11.1, e não para mensurar o pátio exterior em 11.2, conduzem à divulgação de informação sobre o ministério das duas testemunhas na Jerusalém do futuro em 11.3-13. Uma compreensão literal da passagem se ajusta ao ensino dispensacionalista da futura restauração da nação judaica.

A identidade da mulher de Apocalipse 12.ss.


Apocalipse 12.1 ilustra como a interpretação gramatical-histórica (ou literal) reconhece as figuras de linguagem quando o autor pretendeu usar linguagem figurativa. O texto fala de “uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça”, como “um sinal extraordinário” no céu. Com esse sinal, o intérprete começa a buscar chaves para os significados dos símbolos, e não tenta forçar o significado de uma mulher literal.
As descrições descrições da virgem Maria em Isaías 7.10,11,14, e Mateus 1.18,23, faz com que alguns se inclinem para essa identificação da mulher, mas a linguagem simbólica, com outros fatores, contradiz a interpretação “mariana”. Vários elementos do simbolismo mostram uma conexão com Gênesis 37.9,10 em que o sol, no sonho de José, representa Jacó; a lua, Raquel, e as onze estrelas os onze filhos de Israel (José é contado como a estrela perdida, isto é, onze em lugar de doze). As figuras de linguagem referentes a Israel como uma parturiente no AT sustentam essa interpretação (Is 26.17,18; 66.7; Jr 4.31; 13.21; Mq 4.10; 5.3), como também o faz a referência à arca da aliança de Israel no versículo imediatamente antecedente a Apocalipse 12.1 (11.19). A “judaicidade” do contexto encontra apoio adicional nas referências às doze tribos de Israel em 7.5-8 e 21.12, e para o templo e Jerusalém em 11.1-3. Todos esses detalhes apontam para a identificação da mulher como símbolo do Israel nacional.
Acrescentar a esse significado simbólico a ideia de que a mulher também representa o povo de Deus no NT não é certo, porque membros do corpo de Cristo com descendentes físicos de Abraão. Ninguém provou essa pretensa continuidade pela Escritura. De fato, se ela existisse, contra diria a identidade étnica de Israel, que existe claramente nas páginas do Apocalipse. Essa distinção de Israel já surgiu nas discussões de 2.9; 3.9; 7.4-8. Além disso, seria impossível considerar o Messias judeu de 12.5 como filho da comunidade cristã, pois ele é claramente pertencente à comunidade judaica.
O capítulo 12 fala da contínua animosidade de Satanás contra Israel, em geral, e contra seu Messias, em particular. A maior parte do capítulo antecipa a confrontação final a ocorrer durante o cumprimento da profecia das setenta semanas de Daniel (9.24-27), quando Satanás será expulso do céu e exercerá sua ira contra a mulher e o “restante da sua semente” (provavelmente os 144 000). A narrativa se refere à última metade dessa semana de diferentes modos, como “mil e duzentos e sessenta dias” (12.6), “tempo, tempos e metade de um tempo” (12.4) e “quarenta e dois meses” (13.5). O capítulo 13 prossegue na descrição desse conflito, quando o dragão (Satanás) levanta a besta do mar  e a besta da terra, para perseguir e martirizar “o restante” da semente da mulher (13.7,15). 

A besta de 13.1ss.


O ponto de vista dispensacionalista característico do Apocalipse também identifica a besta que sai do mar em 13.1, com a figura do futuro falso cristo, que instituirá um governo mundial justamente antes do retorno de Cristo. A descrição da besta presta-se para vê-la como um agregado de impérios mundiais, mas suas qualidades pessoais unificadas determinam que é uma figura pessoal que comanda esse império. Seu número é o de um homem (13.18). É identificado com uma de suas cabeças feridas (13.3,6), e como travestido de Cordeiro morto. Os dois têm seguidores com o nome de seu líder nas frontes (13.16,17; 14.1). Eles têm chifres (5.6; 13.1). Ambos surgem para uma nova vida após estarem mortos (13.3,8), e exercem autoridade sobre todo o mundo (1.5; 7.9; 13.7; 17.12). Porque o capítulo 13 continua a descrição do capítulo 12, essa besta tem de ser uma pessoa maligna que incorporará s forças satânicas no controle do ultimo império mundial – provavelmente uma forma revivida do império romano do passado – no papel de um falso cristo, o qual enganará os habitantes da terra.
Uma alternativa a essa interpretação literal do simbolismo do texto apresenta o império romano como a identidade da besta, um ponto de vista que comumente liga as sete colinas de 17.9 ao império romano. Roma, naturalmente, foi a opressora imediata no exílio de João em Patmos. Esse ponto de vista identifica a cabeça ferida como Nero (13.3) e explica o número 666 em 13.18 como um número de seu nome. Um problema com essa abordagem é que nenhuma fase do império romano do passado pode satisfazer plenamente o critério textual com relação à besta. Mais obviamente, a besta não é apenas um império, como a descrição de 13.3-8 exibe claramente; antes, é uma criatura. Além disso, pertence ao futuro e não ao passado.
Um entendimento dispensacionalista da besta também admite as alusões do João a Daniel 7 em sua descrição da besta. As sete cabeças representam sete impérios mundiais sucessivos: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma e o império da besta da qual as quatro bestas de Daniel incluem a Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma. Os sete reis em 17.10 representam estes impérios. Os dez chifres, iguais a esses da quarta besta de Daniel (Dn 7.7,24), retratam os dez reis que agirão como subgovernantes simultâneos sob a autoridade da besta (v.17.12).
Os preteristas e os idealistas geralmente negam a futuridade da besta à tentativa de explicações, relacionando-a ao passado ou ao presente.

O reino milenar de Apocalipse 20.1-10


O dispensacionalismo e o dispensacionalismo progressivo separam abruptamente os caminhos das interpretações preteristas e idealistas do Apocalipse, a tratar 20.1-10. Os dois primeiros entendem que os versículos falam de um reino futuro na terra, em contraste com os dois últimos, que preveem um cumprimento passado ou presente do texto. Isso categoriza o anterior como pré-milenarista em sua perspectiva e o posterior como pós-milenarista ou amilenar, por causa do momento da Segunda Vinda de Cristo referente ao milênio em 20.1-10. “Pré-milenar” significa que ele vem antes, “pós-milenar” significa depois de, e “amilenar” significa que há ou não haverá período algum de mil anos específicos como tal.
A exegese gramatical-histórica do capítulo 20 declara que o reino retratado ali será futuro. Várias considerações fornecem importância cumulativa a essa conclusão.

1) Os versículos constituem a quarta e a quinta cenas do sétimo julgamento da taça (16.17) que é a última das sete últimas pragas (15.1). O julgamento consiste em oito cenas, cada uma introduzida por “e eu vi” (kai eidon): a Segunda Vinda de Cristo (19.11-16), a convocação dos pássaros para um banquete humano (19.17,18), a matança dos oponentes de Cristo (19.19-21), a prisão de Satanás (20.1-3), a soltura de Satanás e a derrota final (20.4-10), o assentamento do grande trono branco (20.11), a condenação ao lago de fogo (20.12-15), o esboço da nova Jerusalém (21.1-8). Para esses serem o “último” nas séries dos últimos julgamentos de Deus, todos devem ser futuros.

2) Uma dessas cenas de julgamento a vincula à prisão de Satanás durante o milênio (20.1-3). Uma leitura cuidadosa das cenas que revela estão organizadas cronologicamente, estabelecendo a ligação após a Segunda Vinda de Cristo. Além disso, ao reter e ao prender Satanás o incapacita completamente durante mil anos, e um cumprimento futuro é necessário. O único modo possível para estabelecer sua prisão durante o presente é limitando-o em suas atividades, mas a sua punição envolve mais do que isso. Não só ele está na prisão, o abismo, mas essas correntes são necessárias para conter um ser espiritual e mantê-lo sob controle absoluto. Suas atividades cessam completamente. Essa cessação total e desconhecida na história até que Cristo volte. Mas até mesmo se fosse detido durante a era até a volta de Cristo, o que a sua soltura após os mil anos significaria (20.7)? Coincidiria com o retorno de Cristo e não teria significado algum sob qualquer condição.                                                                                                                                                                                            
Retirado do livro: As interpretações do Apocalipse. Vida Acadêmica. Organizado por C. Marvin Pate. Resumo das paginas:186-238.


[1] Craig Blaising e Darrel Bock, Progressive Dispensationalism, Wheaton: Victor, 1993, p. 21-3; idem, orgs., Dispensationalism, Israel and the Church, Grand Rapids: Zondervan, 1992, p. 13-34.    
[2] Stephen J. Nichols, The dispensational view of davidic kingdom: a response to progressive dispensationalism, The master’s seminary journal 7/2 (Fall 1996), p. 213-39), documenta esse ponto de vista sobre o trono e o reino davídico como a característica dominante do dispensacionalismo tradicional. 
[3] Merriam-Webster’s Collegiate Dictionary, 10 ed., Springfield, Mass.: 1993, p. 580. 





Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.




Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
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 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 


Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
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Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:

Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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Breve lançamento para 2018. Um CD temático que seguirá a linha teológica pré-milenismo histórico pós-tribulacionista. 


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