Os apaixonados seguirão o Cordeiro por onde quer que vá! (Ap 14.4)



Introdução

"Se o Filho de Deus estiver sendo ministrado em poder e Sua beleza for revelada, as pessoas correrão para Ele[1]".

Mike Bickle

“Adonai, amo a casa onde habitas, o local onde tua glória permanece[2]
(Sl 26.8)

“Eu amo a Deus cujo nome é Zeloso! Os seus olhos são uma chama ardente, queimando tudo o que tenta competir com as afeições do meu coração. Aí, no santuário do meu coração, Ele não tolera nenhum rival. É nesse lugar que o santo amor de Deus se encontra com a minha santa resposta de nazireu. Aí, um santo ardor ocorre, e o supremo prazer da intimidade com Deus é vivenciado no altar do meu coração – uma experiência que é muito mais gratificante do que os prazeres seculares e efêmeros da concupiscência sexual e dos entretenimentos...Eu fui criado para queimar[3]

Lou Engle

“Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo” (Sl 27.4)

“O gozo de Deus é a única felicidade com a qual nossa alma pode satisfazer-se. Ir ao céu, desfrutar plenamente de Deus, é infinitamente melhor do que as mais agradáveis comodidades deste mundo. Pais e mães, maridos, mulheres, filhos ou a companhia de amigos terrenos são apenas sombras; mas, Deus é a substância. Eles são apenas raios de luz, Deus é o sol. Eles são as correntes de água, Deus é a fonte. Eles são gotas, Deus é oceano”[4].

Jonathan Edwards
  
“Durante todos aqueles anos [de rebelião], onde estava o meu livre-arbítrio? Qual era o lugar obscuro e secreto onde ele estava e do qual foi convocado num instante a fim de que me inclinasse ao teu jugo suave? Quão doce foi para mim estar liberto subitamente destes prazeres infrutíferos que um dia temia perder! Tu os afastastes de mim, tu que és a alegria soberana e verdadeira. Tu os afastastes de mim e tomavas seu lugar, tu que és mais doce do que qualquer prazer...tu que excedes em brilho toda luz...tu que sobrepujas qualquer honra...Ó Senhor, meu Deus, minha luz, minha Riqueza, e minha Salvação”[5].

Agostinho

“Num sentido, [a Perfeição Cristã] é a pureza de intenções, a entrega de toda a vida a Deus. É entregar a Deus todo o nosso coração; é ter um só desejo e um só desígnio a governar todos os nossos sentimentos. É consagrar não apenas uma parte, mas todo o nosso coração, corpo e substância a Deus. Num outro sentido, é ter toda a mente de
Cristo capacitando-nos a andar como Cristo andou. É a circuncisão do coração de toda a sujeira, toda a poluição tanto interna como externa. É a renovação do coração na inteira imagem de Deus, a plena semelhança dAquele que o criou. E ainda noutro sentido, é amar a Deus com todo o nosso coração, e ao próximo como a nós mesmos[6]”.

John Wesley


1. Seremos preparados pera vê-lO.


Podemos começar nosso texto com a seguinte ênfase nas bem-aventuranças:

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5.8).

Vamos pesquisar as palavras raízes usadas neste texto, o grego, para termos maior compreensão deste versículo.

ü  A primeira palavra usada é “bem-aventurados”, no grego é “μακαριος”, com a transliteração “makarios” que significa: “Feliz, abençoado (Lc 1.45). Alguém chamado de feliz, ato de declarar que alguém é bem-aventurado (Rm 4.6,9)”.
ü  A segunda palavra é “limpo”, no grego é “καθαρος”, com transliteração katharos que significa: “limpo, puro fisicamente. Purificado pelo fogo, numa comparação, como uma vinha limpa pela poda e bem preparado para carregar de frutas. Eticamente; livre de desejo corrupto, de pecado e culpa. Livre de qualquer mistura com o que é falso; genuíno, sincero, sem culpa, inocente. Limpar da lepra (Mt 8.2,3)”.
ü  A terceira palavra grega é “καρδία”, com transliteração “kardia” que significa: “denota o centro de toda a vida física e espiritual. O vigor e o sentido da vida física. O centro e lugar da vida espiritual, a alma ou a mente, como fonte e lugar dos pensamentos, paixões, desejos, apetites, afeições, propósitos, esforços do entendimento, a faculdade e o lugar da inteligência. Da vontade e do caráter da alma na medida em que é afetada de um modo ruim ou bom, ou da alma como o lugar das sensibilidades, afeições, emoções, desejos, apetites, paixões do meio ou da parte central ou interna de algo, ainda que seja inanimado”.
ü  A quarta palavra é “ὀπτάνομαι”, com transliteração “optanomai” que significa: “olhar para, ver, permitir-se ser visto, aparecer (At 1.3)”[7].

Com essas definições podemos esclarecer aquilo que o Senhor - pelo seu poder - libertou-nos da escravidão do pecado. O que escravizava nossa paixão para ser somente d’Ele; Cristo declara-nos livres e extremamente felizes, porque agora, podemos amar somente à Ele de todo o nosso coração:

E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado (Rm 4.6-8)   

A partir do momento que somos declarados novas criaturas (2Co 5.17), inicia-se um processo de penetrar um trabalho de santificação. Somos purificados pelo fogo da Sua santidade. Impactados pelo fogo da Sua paixão pelo Pai. Jesus é extremamente apaixonado pelo Pai e assim Ele deseja que nós sejamos. O mesmo amor que Cristo tem pelo Pai, teremos esse amor por Ele também:

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja (Jo 17.24-26).

Jesus penetrará no centro da nossa existência. Moldará com o fogo mais intenso as nossas emoções. Ele invadirá o centro e o lugar da nossa vida espiritual. Conquistará a nossa alma e a nossa mente. Será o primeiro e o único no lugar dos nossos pensamentos, nossas paixões, desejos, apetites, afeições, propósitos e esforços. Somente para Ele, estarão voltados nossas sensibilidades, afeições, emoções, desejos, apetites e paixões. Seremos totalmente d’Ele, para Ele e por Ele.  

No momento em que Cristo nos revela o coração de Deus, ou quando vemos o Altíssimo em uma dimensão maior, recebemos o amor do Pai pelo Filho. Imagine as formidáveis implicações disso. Nessa passagem, Jesus nos ensinou que a maneira como nos sentimos será afetada pelo que vemos. Em outras palavras, nossas emoções são transformadas e o amor nos é transmitido porque contemplamos o esplendor de Deus e encontramos o Seu nome. Cristo ainda intercede para que a Noiva o ame da mesma maneira que Deus O ama. Essa é uma oração extraordinária. Jesus revelará o Pai, e, com isso, o Pai cativará o nosso coração para o Filho.

Talvez a oração de Jesus seja assim:

Pai, és infinitamente belo, e Teu esplendor está além do entendimento deles. Eu quero fazer-Te conhecido e sei que cativarás o coração do Meu povo para Mim. Eles sentirão por Mim o mesmo que Tu sentes. Minha amada Noiva, eterna esposa, aquela que Tu ordenaste para reinar comigo como co-herdeira, amar-me-á assim como Me amas (BICKLE. 2016, p. 85)         

2. O Amado revelará a Sua Beleza.


Através deste caminho de santificação, entenderemos como os escolhidos poderão ver a beleza do Senhor. Eles conseguirão ver, porque o Amado permitirá ser visto, por aqueles que o amam de todo o coração. Seria como pensarmos numa mulher que está compromissada com seu amado. Antes do casamento, ela não permite que ele a veja despida. Sua beleza está em segredo, proibido para ele, pois espera o momento correto; quando há o firmar da aliança, haverá condições de vê-la totalmente. Após este firmar, a primeira ação desta mulher, agora esposa, é permitir-se ser vista pelo marido. Totalmente como ela é. A mulher permite ao amado vê-la, porque ela sente em seu coração que ele a ama verdadeiramente. Ela sabe que é única no coração do seu marido. Cristo permitirá que o vejamos porque será único em nosso coração. Nós o amaremos como Ele nos ama:

Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (IJo 4.19).

“...seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (IJo 3.2).

contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele” (Ap 22.4)

A compreensão desta aparição de Jesus será a repetição daquilo que Ele fez com seus discípulos. Quando Cristo ressuscitou. Ele apresentou-se aos seus. Cristo quis mostrar Sua beleza aos seus discípulos que tanto amava (Jo 13.1, “...tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”).  

A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus (At 1.3)  

“Os teus olhos verão o rei na sua formosura...” (Is 33.17)

Mike Bickle coloca doze expressões da beleza de Deus. Vamos observar:

ü  A Beleza da luz de Deus: A beleza do Senhor pode ser vista em Sua luz, a qual, literalmente, emana dEle – uma glória reluzente que irradia do Seu ser. O texto de Isaías 6 narra anjos e serafins de alto escalão prostrados, maravilhados enquanto o Criador lhes revela a Sua majestade. Eles cobrem os olhos porque se sentem aturdidos pelo que veem e clamam Santo, santo, santo! 
ü  A Beleza do corpo ressurreto de Jesus: A beleza do Senhor também se manifestará em Seu corpo ressurreto. Isaías profetizou que contemplar Jesus na Sua volta será atordoante. Seu corpo ressurreto é poderoso e glorioso ("Naquele dia, o Renovo do SENHOR será de beleza e de glória...” Is 4.2). O Senhor é belo, tanto que o salmista clama: “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens” (Sl 45.2). Cristo é mais formoso do que todos homens na História, mais do que qualquer ser humano que andou na Terra ou nas ruas de ouro celestiais.
ü  A Beleza da Música de Deus: O Trono do Senhor está cercado de musicalidade uma vez que Sua beleza é enaltecida por meio dos louvores. Sofonias profetizou que, quando Deus estiver em nosso meio, Ele se alegrará sobre o Seu povo com cânticos (“O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” Sf 3.17).  
ü  A Beleza do perfume de Cristo: No Salmo 45.8, lemos acerca das diversas fragrâncias com que as vestes do Senhor são perfumadas. A partir disso podemos imaginar como esses aromas maravilhosos serão usados no Céu, ou como atrairão a nossa atenção. Todas as facetas do caráter de Cristo são como uma infusão perfumada, liberada quando Ele demonstra a Sua personalidade em diferentes cenários. O Céu está cheio da fragrância de Deus.
ü  A Beleza do Trono de Deus: A beleza de Deus pode ser vista ao redor do Seu trono, que atrai luz, louvor, doces fragrâncias, esplendor, os serafins, santos, anciãos e toda a assembleia celestial diante dEle. O trono de Deus é o centro de tudo; de onde Ele governa o Universo. “Honra e majestade estão diante dele, Força e formosura no seu santuário” (Sl 96.6).
ü  A Beleza da cidade eterna de Deus: O Senhor elaborou a Cidade eterna cheia de beleza (Ap 21.2-22.5). A Nova Jerusalém, criada como extensão e expressão do Seu coração, é a herança dos santos. Desde as suas paisagens, seus rios e lagos, até a sua cor, música e fragrância, ela reunirá todas as facetas da personalidade do Senhor.
ü  A Beleza da personalidade de Deus: Moisés teve um vislumbre da natureza alegre de Deus quando registrou: “O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra e te beneficiará; porquanto o SENHOR tornará a exultar em ti, para te fazer bem, como exultou em teus pais” (Dt 30.9). A alegria e o regozijo do Senhor são a essência de tudo o que Ele faz. De fato, Ele se deleita nos Seus filhos e tem prazer neles (Sl 149.4).
ü  A Beleza do poder transcendente de Deus: A beleza do poder divino é absolutamente evidente. Bastaria que pensássemos em como cada floco de neve é único – não há dois deles exatamente iguais; ou olhássemos para a imensidão das montanhas, para como o Sol nasce e se põe a cada dia e para a energia extraordinária que ele nos fornece. Pense apenas na maneira pela qual Deus sincronizou as marés dos oceanos com a força gravitacional da Lua em uma harmonia perfeita, e você terá um pequeno vislumbre da Sua glória transcendente.
ü  A Beleza da liderança de Deus: Quando os santos estiverem diante do Senhor, tal qual descrito em Apocalipse 15.3, eles exclamarão: “Teus planos e Tua liderança nos deixam maravilhados!”.   
ü  A Beleza do ministério do Espírito Santo: A faceta mais excelente do ministério do Consolador é vista diante do trono de Deus, onde se encontram sete lâmpadas de fogo (Ap 4.5,6). As chamas que recobrem os serafins representam o poder do Espírito Santo.
ü  A Beleza da parceria de Deus: A beleza indescritível de Deus é vista em Seu desejo de compartilhar o Seu Reino  conosco para sempre.
ü  A Beleza da palavra de Deus: A noiva declara: “O seu falar é muitíssimo doce; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo, ó filhas de Jerusalém” (Ct 5.12). As palavras que saem da boca do Senhor são doces ao nosso espírito e nos alegrarão por toda a eternidade[8].       
 
3. Os escolhidos estarão apegados ao Cordeiro e o seguirão.


Podemos através disso relembrar o mesmo princípio trabalhoso do Senhor com o seu povo. Desde Abraão, Isaque e Jacó – YHVH – trabalha de maneira intensa para limpar o coração dos seus escolhidos para que o amem de todo o coração:

Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos... Então, eu vos disse: não vos espanteis, nem os temais. O SENHOR, vosso Deus, que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, segundo tudo o que fez conosco, diante de vossos olhos, no Egito, como também no deserto, onde vistes que o SENHOR, vosso Deus, nele vos levou, como um homem leva a seu filho, por todo o caminho pelo qual andastes, até chegardes a este lugar...Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito (Dt 8.2; 1.29-31; 7.6-8).

O Senhor assim fez e ainda faz. Pois, possui apenas um objetivo; Ele deseja intensamente que todos aqueles que Ele escolheu estejam definitivamente apegados a Ele; de forma intensa, constante e firme.  Todos vivendo exclusivamente para Ele – somente à Ele. A intensão de YHVH para com os filhos de Israel permanece atuante hoje sobre nós:  

Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome jurarás (Dt 10.20).   

A palavra “apegarás” no hebraico é דָּבַק com transliteração “dãbaq” que significa: “grudar-se, colar, permanecer junto, unir-se, manter-se próximo; juntar-se, permanecer, seguir de perto, alcançar, pegar, ser reunido, perseguir de perto e ser levado”. Para Kalland, há três definições com essa palavra que nos ajudarão a entender melhor a mensagem do Senhor.

ü  דָּבַק, dãbaq é usada com bastante frequência no AT para designar coisas físicas que se grudam uma às outras: Em especial as partes do corpo. Jó afirma que seus ossos apegam-se à sua pele (19.20) e que outrora a língua de homens importantes apegavam-se ao céu da boca quando ele estava presente (29.10). Em outras passagens a palavra é usada para indicar uma situação desafortunada:” Os meus ossos já se apegam à pele, por causa do meu dolorido gemer” (Sl 102.5) e “A língua da criança que mama fica pegada, pela sede, ao céu da boca” (Lm 4.4), uma figura também empregada ao Messias sofredor: “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca” (Sl 22.15). Conta-se que um dos valentes de Davi matou os filisteus “até lhe cansar a mão e ficar pegada à espada” (2 Sm 23.10).   
ü  Dãbaq também tem o sentido de apegar-se a alguém por afeto e lealdade: O homem deve apegar-se à sua esposa (Gn 2.24). Rute apegou-se a Noemi (Rt 1.14). Os homens de Judá apegaram-se ao seu rei, Davi, durante a revolta de Seba (2Sm 20.2). Siquém amou Diná e apegou-se a ela (Gn 34.3), e Salomão apegou-se às suas esposas por amor (IRs 11.2). Mas, mais importante do que isso, os israelitas deviam apegar-se ao Senhor por afeto e lealdade (Dt 10.20; 11.22; 13.4; 30.20; Js 22.5; 23.8), para que recebessem as bênçãos divinas.     
ü  Dãbaq também significa ficar perto de alguém: e não há dúvida de que este sentido esteja presente em passagens em que se admoesta o povo de Deus a apegar-se a ele. Boaz aconselha Rute a estar perto de suas servas: “...porém aqui ficarás com as minhas servas” (2.8), “...Com os meus servos ficarás, até que acabem toda a sega que tenho” (2.21), e assim ela fez (v. 23). Na forma causativa, dãbaq significa ficar no encalço de alguém ou mesmo alcançar tal pessoa, geralmente num sentido hostil. Labão alcança Jacó em Gileade (Gn 31.23), e Mica alcança os filhos de Dã (Jz 18.22), mas os israelitas seguiram “de perto” um grupo de benjamitas (Jz 20.45) e, posteriormente, os filisteus (I Sm 14.22). Os filisteus também cercaram Saul (I Sm 31.2; I Cr 10.2) (KALLAND. 1998, p. 291-292)[9].

Entendendo este princípio estabelecido, no qual o Senhor mantém e o conserva até a Sua volta, compreendemos, porque estes escolhidos – seguem o Cordeiro por onde quer que vá:

Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem a sua harpa. Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro; e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula (Ap 14.1-5)    

A palavra “seguir” no grego é “ακολουθεω” com transliteração “akoloutheo” que significa: “seguir a alguém que precede, juntar-se a ele como seu assistente, acompanhá-lo. Juntar-se a alguém como um discípulo, tornar-se ou ser seu discípulo”.

A ideia de “seguir” a Cristo é o cerne do discipulado nos Evangelhos (Mc 1.18; 8.34; setenta vezes nos Evangelhos), e João descreve Cristo como o bom pastor que “chama [suas ovelhas] pelo nome e as conduz para fora [...] e elas o seguem, pois conhecem a sua voz” (Jo 10.3,4). Aqui, “aonde quer que vá” implica imitatio Christi, discipulado que envolve sofrimento e morte (“tome sua cruz e siga-me”, Mc 8.34). Aune (1998a: 813) oferece um excelente panorama do pano de fundo. O ato de “seguir” significa tanto ser fiel às instruções de Jesus quanto promover sua causa, uma ênfase encontrada somente nos Evangelhos e em Apocalipse 14.4. A ideia de seguir Cristo até a morte também aparece em Mateus 10.38; Lucas 17.33; João 12.25,26; 13.36; IPedro 2.21; Apocalipse 12.11 (OSBORNE. 2014, p.593,594).    

“...por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11).       

Ladd comenta este seguir da seguinte forma:

São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro. Este grupo é casto e puro, mas este é seu traço negativo; o lado positivo do seu caráter é que eles são leais ao Cordeiro; eles o seguem, mesmo que seja para a morte. Isto é discipulado perfeito e sem hesitação. Assim como o caminho de submissão perfeita à vontade do Pai levou o Cordeiro à sua morte sacrificial na cruz, ser discípulo dele pode bem levar a compartilhar da sua cruz (Mt 10:38; Mc 8:34). Eles seguem o Cordeiro porque não pertencem a si mesmos; eles foram redimidos — comprados para Deus, às custas do sangue do Cordeiro (5:9) (LADD. 1992, p. 142)

Observando mais expressões dos escolhidos que desejam seguir o Cordeiro por onde quer que vá, nós temos:

"Todo cristão deve estar pronto para morrer, ou para pregar."


“Mais me aproveita morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra”
Inácio de Antioquia

“Se não conseguimos viver como uma raça de pessoas diferentes nesta terra, então não temos o direito de viver aqui”
Leonard Ravenhill

“Espere grandes coisas de Deus e faça grandes coisas para Deus”
William Carey

"É preferível se desgastar por Jesus Cristo a ficar enferrujado" - "Não pare até que você tenha terminado. O mundo está procurando a resposta que está dentro de você". 

Maria Woodworth-Etter (Livro, Generais de Deus, pag.55)

"O lema do Cristão deve ser: trabalhar muito, gastar pouco, dar muito e dedicar-se inteiramente a Cristo"

Anthony Groves (Revista Impacto Ano 15, edição 75, 2013. Dízimo ou mordomia Cristã, artigo de Gerson Lima)

"A vida missionária é simplesmente uma chance de morrer."

Amy Carmichael Wilson (16 de dezembro de 1867 - 18 de Janeiro de 1951) foi um Protestante Cristão missionário em Índia, Que abriu uma orfanato e fundaram uma missão na Dohnavur. Ela serviu na Índia durante cinquenta e cinco anos sem licença e autor de muitos livros sobre a obra missionária.

“Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo”. 

(14 De Janeiro e 3 de Julho de 1723. As setenta resoluções do Edwards, 63).


[1] BICKLE. Mike. Paixão por Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro: 2016, p.134.
[2] Tradução: Bíblia Judaica Completa. Vida. São Paulo: 2012.
[3] O DNA do Nazireu. Lou Engle, p. 20.
[4] Jonathan Edwards, “The Christian Pilgrim”, em Edwards Hickman (ed), The works of Jonathan Edwards, vol.2 (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1974), p. 244.
[5] Citado por John Piper, O legado da Alegria Soberana: A graça Triunfante de Deus na Vida de Agostinho, Lutero e Calvino (São Paulo: Shed, 2005), p.57-58.
[6] Deles Wesley derivou importantes elementos do seu conceito da natureza da perfeição, como por exemplo, a possibilidade real de praticar a pureza de intenções, a necessidade de imitar Cristo como modelo de vida santa, e o amor por Deus e pelo próximo como a “perfeição” definitiva e normativa. Esta citação vem da sua obra Uma Explicação Clara da Perfeição Cristã, e serve de Kempis, Taylor, e Law.
[7] MOULTON. K. Harold. Léxico Grego Analítico. Cultura Cristã. São Paulo: 2007 e dicionário Strong. 

[8] BICKLE. Mike. Paixão por Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro: 2016, p. 171-183. 

[9] Earl S. Kalland. Professor Emérito de Antigo Testamento e Ex-Deão do Conservative Baptist Seminary, Denver, Colorado, Estados Unidos. 


Bibliografia


BICKLE. Mike. Paixão por Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro: 2016.
MOULTON. K. Harold. Léxico Grego Analítico. Cultura Cristã. São Paulo: 2007.
Bíblia Judaica Completa. Vida. São Paulo: 2012
ENGLE. Lou. O DNA do Nazireu.
OSBORNE, Grant R. Comentário Exegético Apocalipse. Vida Nova: São Paulo, 2014.
LADD, George. Apocalipse, Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica: São Paulo, 1992.
KALLAND. Earl S. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 1998.


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa








 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 

Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)

CD – O VIDENTE

Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
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II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
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