Introdução
"Se o Filho de Deus
estiver sendo ministrado em poder e Sua beleza for revelada, as pessoas
correrão para Ele[1]".
Mike Bickle
“Adonai, amo a casa onde
habitas, o local onde tua glória permanece[2]”
(Sl 26.8)
“Eu amo a Deus cujo nome é
Zeloso! Os seus olhos são uma chama ardente, queimando tudo o que tenta
competir com as afeições do meu coração. Aí, no santuário do meu coração, Ele
não tolera nenhum rival. É nesse lugar que o santo amor de Deus se encontra com
a minha santa resposta de nazireu. Aí, um santo ardor ocorre, e o supremo
prazer da intimidade com Deus é vivenciado no altar do meu coração – uma
experiência que é muito mais gratificante do que os prazeres seculares e
efêmeros da concupiscência sexual e dos entretenimentos...Eu fui criado para
queimar[3]”
Lou Engle
“Uma coisa peço ao SENHOR, e
a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida,
para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo” (Sl 27.4)
“O gozo de Deus é a única
felicidade com a qual nossa alma pode satisfazer-se. Ir ao céu, desfrutar
plenamente de Deus, é infinitamente melhor do que as mais agradáveis
comodidades deste mundo. Pais e mães, maridos, mulheres, filhos ou a companhia
de amigos terrenos são apenas sombras; mas, Deus é a substância. Eles são
apenas raios de luz, Deus é o sol. Eles são as correntes de água, Deus é a
fonte. Eles são gotas, Deus é oceano”[4].
Jonathan
Edwards
“Durante todos aqueles anos
[de rebelião], onde estava o meu livre-arbítrio? Qual era o lugar obscuro e
secreto onde ele estava e do qual foi convocado num instante a fim de que me
inclinasse ao teu jugo suave? Quão doce foi para mim estar liberto subitamente
destes prazeres infrutíferos que um dia temia perder! Tu os afastastes de mim,
tu que és a alegria soberana e verdadeira. Tu os afastastes de mim e tomavas
seu lugar, tu que és mais doce do que qualquer prazer...tu que excedes em
brilho toda luz...tu que sobrepujas qualquer honra...Ó Senhor, meu Deus, minha
luz, minha Riqueza, e minha Salvação”[5].
Agostinho
“Num sentido, [a Perfeição
Cristã] é a pureza de intenções, a entrega de toda a vida a Deus. É entregar a
Deus todo o nosso coração; é ter um só desejo e um só desígnio a governar todos
os nossos sentimentos. É consagrar não apenas uma parte, mas todo o nosso
coração, corpo e substância a Deus. Num outro sentido, é ter toda a mente de
Cristo capacitando-nos a andar como Cristo andou. É a circuncisão do coração de
toda a sujeira, toda a poluição tanto interna como externa. É a renovação do
coração na inteira imagem de Deus, a plena semelhança dAquele que o criou. E
ainda noutro sentido, é amar a Deus com todo o nosso coração, e ao próximo como
a nós mesmos[6]”.
John Wesley
1. Seremos
preparados pera vê-lO.
Podemos começar
nosso texto com a seguinte ênfase nas bem-aventuranças:
“Bem-aventurados os limpos
de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5.8).
Vamos pesquisar
as palavras raízes usadas neste texto, o grego, para termos maior compreensão
deste versículo.
ü A primeira palavra usada é “bem-aventurados”, no grego é “μακαριος”, com a transliteração “makarios” que significa: “Feliz, abençoado (Lc 1.45). Alguém chamado
de feliz, ato de declarar que alguém é bem-aventurado (Rm 4.6,9)”.
ü A segunda palavra é “limpo”, no grego é “καθαρος”,
com transliteração katharos que significa: “limpo,
puro fisicamente. Purificado pelo fogo, numa comparação, como uma vinha limpa
pela poda e bem preparado para carregar de frutas. Eticamente; livre de desejo
corrupto, de pecado e culpa. Livre de qualquer mistura com o que é falso;
genuíno, sincero, sem culpa, inocente. Limpar da lepra (Mt 8.2,3)”.
ü A terceira palavra grega é “καρδία”, com transliteração “kardia” que significa: “denota o centro de toda a vida física e
espiritual. O vigor e o sentido da vida física. O centro e lugar da vida
espiritual, a alma ou a mente, como fonte e lugar dos pensamentos, paixões,
desejos, apetites, afeições, propósitos, esforços do entendimento, a faculdade
e o lugar da inteligência. Da vontade e do caráter da alma na medida em que é
afetada de um modo ruim ou bom, ou da alma como o lugar das sensibilidades,
afeições, emoções, desejos, apetites, paixões do meio ou da parte central ou
interna de algo, ainda que seja inanimado”.
ü A quarta palavra é “ὀπτάνομαι”, com transliteração “optanomai”
que significa: “olhar para, ver,
permitir-se ser visto, aparecer (At 1.3)”[7].
Com essas
definições podemos esclarecer aquilo que o Senhor - pelo seu poder - libertou-nos
da escravidão do pecado. O que escravizava nossa paixão para ser somente d’Ele;
Cristo declara-nos livres e extremamente felizes, porque agora, podemos amar
somente à Ele de todo o nosso coração:
E
é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui
justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades
são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o
Senhor jamais imputará pecado (Rm 4.6-8)
A partir do
momento que somos declarados novas criaturas (2Co 5.17), inicia-se um processo
de penetrar um trabalho de santificação. Somos purificados pelo fogo da Sua
santidade. Impactados pelo fogo da Sua paixão pelo Pai. Jesus é extremamente
apaixonado pelo Pai e assim Ele deseja que nós sejamos. O mesmo amor que Cristo
tem pelo Pai, teremos esse amor por Ele também:
Pai,
a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste,
para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da
fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu; eu, porém, te conheci, e
também estes compreenderam que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome
e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e
eu neles esteja (Jo 17.24-26).
Jesus penetrará
no centro da nossa existência. Moldará com o fogo mais intenso as nossas
emoções. Ele invadirá o centro e o lugar da nossa vida espiritual. Conquistará a
nossa alma e a nossa mente. Será o primeiro e o único no lugar dos nossos pensamentos,
nossas paixões, desejos, apetites, afeições, propósitos e esforços. Somente para
Ele, estarão voltados nossas sensibilidades, afeições, emoções, desejos,
apetites e paixões. Seremos totalmente d’Ele, para Ele e por Ele.
No
momento em que Cristo nos revela o coração de Deus, ou quando vemos o Altíssimo
em uma dimensão maior, recebemos o amor do Pai pelo Filho. Imagine as
formidáveis implicações disso. Nessa passagem, Jesus nos ensinou que a maneira
como nos sentimos será afetada pelo que vemos. Em outras palavras, nossas
emoções são transformadas e o amor nos é transmitido porque contemplamos o
esplendor de Deus e encontramos o Seu nome. Cristo ainda intercede para que a
Noiva o ame da mesma maneira que Deus O ama. Essa é uma oração extraordinária.
Jesus revelará o Pai, e, com isso, o Pai cativará o nosso coração para o Filho.
Talvez a oração de Jesus seja assim:
Pai,
és infinitamente belo, e Teu esplendor está além do entendimento deles. Eu
quero fazer-Te conhecido e sei que cativarás o coração do Meu povo para Mim.
Eles sentirão por Mim o mesmo que Tu sentes. Minha amada Noiva, eterna esposa,
aquela que Tu ordenaste para reinar comigo como co-herdeira, amar-me-á assim
como Me amas (BICKLE. 2016, p. 85)
2. O Amado
revelará a Sua Beleza.
Através deste
caminho de santificação, entenderemos como os escolhidos poderão ver a beleza
do Senhor. Eles conseguirão ver, porque o Amado permitirá ser visto, por
aqueles que o amam de todo o coração. Seria como pensarmos numa mulher que está
compromissada com seu amado. Antes do casamento, ela não permite que ele a veja
despida. Sua beleza está em segredo, proibido para ele, pois espera o momento
correto; quando há o firmar da aliança, haverá condições de vê-la totalmente. Após
este firmar, a primeira ação desta mulher, agora esposa, é permitir-se ser
vista pelo marido. Totalmente como ela é. A mulher permite ao amado vê-la,
porque ela sente em seu coração que ele a ama verdadeiramente. Ela sabe que é
única no coração do seu marido. Cristo permitirá que o vejamos porque será único
em nosso coração. Nós o amaremos como Ele nos ama:
“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”
(IJo 4.19).
“...seremos semelhantes a ele, porque haveremos
de vê-lo como ele é” (IJo 3.2).
“contemplarão a sua face, e na sua fronte
está o nome dele” (Ap 22.4)
A compreensão
desta aparição de Jesus será a repetição daquilo que Ele fez com seus discípulos.
Quando Cristo ressuscitou. Ele apresentou-se aos seus. Cristo quis mostrar Sua
beleza aos seus discípulos que tanto amava (Jo 13.1, “...tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim”).
A
estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas
incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas
concernentes ao reino de Deus (At 1.3)
“Os
teus olhos verão o rei na sua formosura...” (Is 33.17)
Mike Bickle coloca doze expressões da
beleza de Deus. Vamos observar:
ü A
Beleza da luz de Deus: A
beleza do Senhor pode ser vista em Sua luz, a qual, literalmente, emana dEle –
uma glória reluzente que irradia do Seu ser. O texto de Isaías 6 narra anjos e
serafins de alto escalão prostrados, maravilhados enquanto o Criador lhes
revela a Sua majestade. Eles cobrem os olhos porque se sentem aturdidos pelo
que veem e clamam Santo, santo, santo!
ü A
Beleza do corpo ressurreto de Jesus: A beleza do Senhor também se manifestará em Seu
corpo ressurreto. Isaías profetizou que contemplar Jesus na Sua volta será
atordoante. Seu corpo ressurreto é poderoso e glorioso ("Naquele dia, o Renovo do SENHOR será de
beleza e de glória...” Is 4.2). O Senhor é belo, tanto que o salmista
clama: “Tu és mais formoso do que os
filhos dos homens” (Sl 45.2). Cristo é mais formoso do que todos homens na
História, mais do que qualquer ser humano que andou na Terra ou nas ruas de
ouro celestiais.
ü A
Beleza da Música de Deus:
O Trono do Senhor está cercado de musicalidade uma vez que Sua beleza é
enaltecida por meio dos louvores. Sofonias profetizou que, quando Deus estiver
em nosso meio, Ele se alegrará sobre o Seu povo com cânticos (“O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti,
poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no
seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” Sf 3.17).
ü A
Beleza do perfume de Cristo:
No Salmo 45.8, lemos acerca das diversas fragrâncias com que as vestes do
Senhor são perfumadas. A partir disso podemos imaginar como esses aromas
maravilhosos serão usados no Céu, ou como atrairão a nossa atenção. Todas as
facetas do caráter de Cristo são como uma infusão perfumada, liberada quando
Ele demonstra a Sua personalidade em diferentes cenários. O Céu está cheio da
fragrância de Deus.
ü A
Beleza do Trono de Deus:
A beleza de Deus pode ser vista ao redor do Seu trono, que atrai luz, louvor,
doces fragrâncias, esplendor, os serafins, santos, anciãos e toda a assembleia
celestial diante dEle. O trono de Deus é o centro de tudo; de onde Ele governa
o Universo. “Honra e majestade estão
diante dele, Força e formosura no seu santuário” (Sl 96.6).
ü A
Beleza da cidade eterna de Deus: O Senhor elaborou a Cidade eterna cheia de beleza (Ap 21.2-22.5). A
Nova Jerusalém, criada como extensão e expressão do Seu coração, é a herança
dos santos. Desde as suas paisagens, seus rios e lagos, até a sua cor, música e
fragrância, ela reunirá todas as facetas da personalidade do Senhor.
ü A
Beleza da personalidade de Deus: Moisés teve um vislumbre da natureza alegre de Deus quando registrou: “O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em
toda obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no
fruto da tua terra e te beneficiará; porquanto o SENHOR tornará a exultar em
ti, para te fazer bem, como exultou em teus pais” (Dt 30.9). A alegria e o
regozijo do Senhor são a essência de tudo o que Ele faz. De fato, Ele se
deleita nos Seus filhos e tem prazer neles (Sl 149.4).
ü A
Beleza do poder transcendente de Deus: A beleza do poder divino é absolutamente evidente.
Bastaria que pensássemos em como cada floco de neve é único – não há dois deles
exatamente iguais; ou olhássemos para a imensidão das montanhas, para como o
Sol nasce e se põe a cada dia e para a energia extraordinária que ele nos
fornece. Pense apenas na maneira pela qual Deus sincronizou as marés dos
oceanos com a força gravitacional da Lua em uma harmonia perfeita, e você terá
um pequeno vislumbre da Sua glória transcendente.
ü A
Beleza da liderança de Deus: Quando os santos estiverem diante do Senhor, tal qual descrito em
Apocalipse 15.3, eles exclamarão: “Teus
planos e Tua liderança nos deixam maravilhados!”.
ü A
Beleza do ministério do Espírito Santo: A faceta mais excelente do ministério do Consolador
é vista diante do trono de Deus, onde se encontram sete lâmpadas de fogo (Ap
4.5,6). As chamas que recobrem os serafins representam o poder do Espírito
Santo.
ü A
Beleza da parceria de Deus:
A beleza indescritível de Deus é vista em Seu desejo de compartilhar o Seu
Reino conosco para sempre.
ü A
Beleza da palavra de Deus:
A noiva declara: “O seu falar é muitíssimo doce; sim, ele é totalmente
desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo, ó filhas de Jerusalém” (Ct
5.12). As palavras que saem da boca do Senhor são doces ao nosso espírito e nos
alegrarão por toda a eternidade.
3. Os
escolhidos estarão apegados ao Cordeiro e o seguirão.
Podemos através
disso relembrar o mesmo princípio trabalhoso do Senhor com o seu povo. Desde Abraão, Isaque e Jacó – YHVH – trabalha
de maneira intensa para limpar o coração dos seus escolhidos para que o amem de
todo o coração:
Recordar-te-ás
de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes
quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu
coração, se guardarias ou não os seus mandamentos... Então, eu vos disse: não
vos espanteis, nem os temais. O SENHOR, vosso Deus, que vai adiante de vós, ele
pelejará por vós, segundo tudo o que fez conosco, diante de vossos olhos, no
Egito, como também no deserto, onde vistes que o SENHOR, vosso Deus, nele vos
levou, como um homem leva a seu filho, por todo o caminho pelo qual andastes,
até chegardes a este lugar...Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o
SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos
os povos que há sobre a terra. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu
porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos
os povos, mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera
a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da
servidão, do poder de Faraó, rei do Egito (Dt 8.2; 1.29-31; 7.6-8).
O Senhor assim
fez e ainda faz. Pois, possui apenas um objetivo; Ele deseja intensamente que
todos aqueles que Ele escolheu estejam definitivamente apegados a Ele; de forma
intensa, constante e firme. Todos
vivendo exclusivamente para Ele – somente à Ele. A intensão de YHVH para com os
filhos de Israel permanece atuante hoje sobre nós:
Ao
Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome
jurarás (Dt 10.20).
A palavra “apegarás” no hebraico é דָּבַק com transliteração “dãbaq” que significa: “grudar-se,
colar, permanecer junto, unir-se, manter-se próximo; juntar-se, permanecer,
seguir de perto, alcançar, pegar, ser reunido, perseguir de perto e ser levado”.
Para Kalland, há três definições com essa palavra que nos ajudarão a entender
melhor a mensagem do Senhor.
ü דָּבַק, dãbaq é usada com bastante
frequência no AT para designar coisas físicas que se grudam uma às outras: Em especial as partes do corpo. Jó afirma
que seus ossos apegam-se à sua pele (19.20) e que outrora a língua de homens
importantes apegavam-se ao céu da boca quando ele estava presente (29.10). Em
outras passagens a palavra é usada para indicar uma situação desafortunada:” Os meus ossos já
se apegam à pele, por causa do meu dolorido gemer” (Sl 102.5) e “A língua da
criança que mama fica pegada, pela sede, ao céu da boca” (Lm 4.4), uma figura
também empregada ao Messias sofredor: “Secou-se o meu vigor, como um caco de
barro, e a língua se me apega ao céu da boca” (Sl 22.15). Conta-se que um dos
valentes de Davi matou os filisteus “até lhe cansar a mão e ficar pegada à
espada” (2 Sm 23.10).
ü Dãbaq
também tem o sentido de apegar-se a alguém por afeto e lealdade: O homem deve apegar-se à sua esposa (Gn
2.24). Rute apegou-se a Noemi (Rt 1.14). Os homens de Judá apegaram-se ao seu
rei, Davi, durante a revolta de Seba (2Sm 20.2). Siquém amou Diná e apegou-se a
ela (Gn 34.3), e Salomão apegou-se às suas esposas por amor (IRs 11.2). Mas,
mais importante do que isso, os israelitas deviam apegar-se ao Senhor por afeto
e lealdade (Dt 10.20; 11.22; 13.4; 30.20; Js 22.5; 23.8), para que recebessem
as bênçãos divinas.
ü Dãbaq
também significa ficar perto de alguém: e não há dúvida de que este sentido esteja presente
em passagens em que se admoesta o povo de Deus a apegar-se a ele. Boaz
aconselha Rute a estar perto de suas servas: “...porém aqui ficarás com as
minhas servas” (2.8), “...Com os meus servos ficarás, até que acabem toda a
sega que tenho” (2.21), e assim ela fez (v. 23). Na forma causativa, dãbaq
significa ficar no encalço de alguém ou mesmo alcançar tal pessoa, geralmente
num sentido hostil. Labão alcança Jacó em Gileade (Gn 31.23), e Mica alcança os
filhos de Dã (Jz 18.22), mas os israelitas seguiram “de perto” um grupo de
benjamitas (Jz 20.45) e, posteriormente, os filisteus (I Sm 14.22). Os
filisteus também cercaram Saul (I Sm 31.2; I Cr 10.2) (KALLAND. 1998, p.
291-292).
Entendendo este
princípio estabelecido, no qual o Senhor mantém e o conserva até a Sua volta,
compreendemos, porque estes escolhidos – seguem o Cordeiro por onde quer que
vá:
Olhei,
e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro
mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. Ouvi uma voz do
céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi
era como de harpistas quando tangem a sua harpa. Entoavam novo cântico diante
do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde
aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados
da terra. São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos.
São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram
redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro; e não se
achou mentira na sua boca; não têm mácula (Ap 14.1-5)
A palavra “seguir” no grego é “ακολουθεω” com transliteração “akoloutheo”
que significa: “seguir a alguém que
precede, juntar-se a ele como seu assistente, acompanhá-lo. Juntar-se a alguém
como um discípulo, tornar-se ou ser seu discípulo”.
A
ideia de “seguir” a Cristo é o cerne do discipulado nos Evangelhos (Mc 1.18;
8.34; setenta vezes nos Evangelhos), e João descreve Cristo como o bom pastor que
“chama [suas ovelhas] pelo nome e as conduz para fora [...] e elas o seguem,
pois conhecem a sua voz” (Jo 10.3,4). Aqui, “aonde quer que vá” implica
imitatio Christi, discipulado que envolve sofrimento e morte (“tome sua cruz e
siga-me”, Mc 8.34). Aune (1998a: 813) oferece um excelente panorama do pano de
fundo. O ato de “seguir” significa tanto ser fiel às instruções de Jesus quanto
promover sua causa, uma ênfase encontrada somente nos Evangelhos e em
Apocalipse 14.4. A ideia de seguir Cristo até a morte também aparece em Mateus
10.38; Lucas 17.33; João 12.25,26; 13.36; IPedro 2.21; Apocalipse 12.11
(OSBORNE. 2014, p.593,594).
“...por
causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram
a própria vida” (Ap 12.11).
Ladd comenta este seguir da seguinte
forma:
São
eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos
dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro. Este grupo é casto e
puro, mas este é seu traço negativo; o lado positivo do seu caráter é que eles
são leais ao Cordeiro; eles o seguem, mesmo que seja para a morte. Isto é
discipulado perfeito e sem hesitação. Assim como o caminho de submissão
perfeita à vontade do Pai levou o Cordeiro à sua morte sacrificial na cruz, ser
discípulo dele pode bem levar a compartilhar da sua cruz (Mt 10:38; Mc 8:34).
Eles seguem o Cordeiro porque não pertencem a si mesmos; eles foram redimidos —
comprados para Deus, às custas do sangue do Cordeiro (5:9) (LADD. 1992, p. 142)
Observando mais
expressões dos escolhidos que desejam seguir o Cordeiro por onde quer que vá,
nós temos:
"Todo cristão deve
estar pronto para morrer, ou para pregar."
“Mais me aproveita morrer em Cristo Jesus do que
imperar até os confins da terra”
Inácio de Antioquia
“Se não conseguimos viver como uma raça de pessoas
diferentes nesta terra, então não temos o direito de viver aqui”
Leonard Ravenhill
“Espere grandes coisas de Deus e faça grandes coisas
para Deus”
William Carey
"É preferível se desgastar por Jesus Cristo a
ficar enferrujado" - "Não pare até que você tenha terminado. O mundo
está procurando a resposta que está dentro de você".
Maria
Woodworth-Etter (Livro, Generais de Deus, pag.55)
"O
lema do Cristão deve ser: trabalhar muito, gastar pouco, dar muito e dedicar-se
inteiramente a Cristo"
Anthony Groves (Revista Impacto Ano
15, edição 75, 2013. Dízimo ou mordomia Cristã, artigo de Gerson Lima)
"A vida missionária é simplesmente uma chance de
morrer."
Amy Carmichael Wilson (16 de
dezembro de 1867 - 18 de Janeiro de 1951) foi um Protestante
Cristão
missionário
em Índia,
Que abriu uma orfanato
e fundaram uma missão na Dohnavur.
Ela serviu na Índia durante cinquenta e cinco anos sem licença
e autor de muitos livros sobre a obra missionária.
“Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste
mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã
perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre
brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo
essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu
resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me
esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o
único em meu tempo”.
(14
De Janeiro e 3 de Julho de 1723. As setenta resoluções do Edwards, 63).
BICKLE.
Mike. Paixão por Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro: 2016, p.134.
Jonathan
Edwards, “The Christian Pilgrim”, em Edwards Hickman (ed), The works of
Jonathan Edwards, vol.2 (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1974), p. 244.
Citado por
John Piper, O legado da Alegria Soberana: A graça Triunfante de Deus na Vida de
Agostinho, Lutero e Calvino (São Paulo: Shed, 2005), p.57-58.
MOULTON. K. Harold.
Léxico Grego Analítico. Cultura Cristã. São Paulo: 2007 e dicionário
Strong.
BICKLE. Mike. Paixão por
Jesus. Graça Editorial. Rio de Janeiro: 2016, p. 171-183.
Earl S. Kalland.
Professor Emérito de Antigo Testamento e Ex-Deão do Conservative Baptist
Seminary, Denver, Colorado, Estados Unidos.
Bibliografia
BICKLE. Mike. Paixão por Jesus. Graça
Editorial. Rio de Janeiro: 2016.
MOULTON. K. Harold. Léxico Grego
Analítico. Cultura Cristã. São Paulo: 2007.
Bíblia Judaica Completa. Vida. São Paulo:
2012
ENGLE. Lou. O DNA do Nazireu.
OSBORNE, Grant R. Comentário Exegético
Apocalipse. Vida Nova: São Paulo, 2014.
LADD, George. Apocalipse, Introdução e
Comentário. Série Cultura Bíblica: São Paulo, 1992.
KALLAND. Earl S. Dicionário Internacional
de Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 1998.
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