O Espírito de Profecia
Intimamente associada a esta ênfase na “distinção” do Espírito de Deus, é a
ênfase em todo o Antigo Testamento em sua inspiração nas profecias. Este é um
dos principais temas das Escrituras. Este Deus que está além de nós e invade
nosso mundo não o faz para aterrorizar, mas para comunicar. O vento ou o
Espírito do Senhor é poder de fato, mas é moralmente poder definido, designado
para comunicar a vontade de Deus e conduzir a criação para conformar-se com
ela. É por esta razão que penso haver uma ligação frequente na Bíblia entre “o Espírito do Senhor” e “a Palavra do Senhor”.
O sopro de Deus e a mensagem de Deus não podem estar separados. Sendo assim,
reiteradamente no paralelismo da poesia hebraica, dabar[1]
(palavra) e ruach (espírito) caminham
de mãos dadas. Deste modo:
Os céus por sua palavra [dabar] se fizeram, e, pelo sopro [ruach] de
sua boca, o exército deles (Sl 33.6)
O Espírito [ruach] do SENHOR fala [dabar] por meu intermédio, e a sua
palavra está na minha língua (2Sm 23.2).
Quando Saul desobedece a Deus e é rejeitado como rei de
Israel, lemos: “Você rejeitou a palavra
do Senhor”, e consequentemente, por julgamento, o “Espírito do Senhor se retirou de Saul”:
Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a
palavra do SENHOR, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel
(ISm 15.26).
Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um
espírito maligno o atormentava (ISm 16.14).
John Taylor, no livro comovente e
penetrante The Go-Between God [O Deus mediador] assinala a importância desta
ligação entre o Espírito, com todo o seu poder indeterminado, e a Palavra, com
toda a sua particularidade de significado. Ao distinguir muito enfaticamente
entre a palavra divina e o Espírito divino, a igreja perdeu a mais importante
perspectiva bíblica. Certamente que o elo é intenso e claro nas Escrituras do
Antigo Testamento. Quando o Espírito vem sobre um homem, ele comunica alguma
mensagem de Deus. Esta mensagem pode assumir formas estranhas, misteriosas.
·
Ela pode ocorrer através de
sonhos, como a José, que foi capaz de
recordar e interpretar os sonhos de Faraó por meio do Espírito de Deus dentro
dele: “O conselho foi agradável a Faraó e
a todos os seus oficiais. Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos,
porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó
a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio
como tu” (Gn 41.37-39).
·
Ela pode acontecer mediante visões. Homens como Abraão: “Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abrão, numa
visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será
sobremodo grande” (Gn 15.1).
·
Da mesma maneira com o homem Jacó: “Falou Deus a Israel em visões, de noite, e disse: Jacó! Jacó! Ele
respondeu: Eis-me aqui!” (Gn 46.2).
·
Com o profeta Ezequiel: “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando
eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive
visões de Deus” (Ez 1.1).
·
Da mesma forma, com Daniel: “Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em
toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e
sonhos... Tive um sonho, que me espantou; e, quando estava no meu leito, os
pensamentos e as visões da minha cabeça me turbaram... Depois disto, eu
continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível,
espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele
devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de
todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres” (Dn 1.17;
4.5; 7.7).
A mensagem pode vir também por meio de
dança. Quando o Espírito do Senhor veio sobre o rei Saul, ele dançou como um
daroês[2].
Mas até este meio não foi mera excitação, pois quando Deus intervinha do além e
o tomava, havia comunicação. Ele não apenas profetizava, mas tornava-se em um
sentido inespecífico “um homem diferente:
Quando estes sinais
te sucederem, faze o que a ocasião te pedir, porque Deus é contigo. Tu, porém,
descerás adiante de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar
holocausto e para apresentar ofertas pacíficas; sete dias esperarás, até que eu
venha ter contigo e te declare o que hás de fazer. Sucedeu, pois, que,
virando-se ele para despedir-se de Samuel, Deus lhe mudou o coração; e todos
esses sinais se deram naquele mesmo dia. Chegando eles a Gibeá, eis que um
grupo de profetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de Deus se apossou de Saul,
e ele profetizou no meio deles. Todos os que, dantes, o conheciam, vendo que
ele profetizava com os profetas, diziam uns aos outros: Que é isso que sucedeu
ao filho de Quis? Está também Saul entre os profetas? Então, um homem
respondeu: Pois quem é o pai deles? Pelo que se tornou em provérbio: Está
também Saul entre os profetas? E, tendo profetizado, seguiu para o alto (ISm
10.7-13).
Os últimos profetas conferiram menos ênfase
ao êxtase.
Amós protesta que ele não é profeta no sentido extático, como seria
verificado no serviço dos santuários do período dele:
Respondeu Amós e
disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e
colhedor de sicômoros. Mas o SENHOR me tirou de após o gado e o SENHOR me
disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. Ora, pois, ouve a palavra do
SENHOR. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de
Isaque” (Am. 7.14-16).
Não é o êxtase que distingue a profecia,
mas encontrar-se com Deus, de modo que Deus fala através do profeta. O próprio Amós expõe o assunto com simplicidade
impressionante:
Rugiu o leão, quem
não temerá? Falou o SENHOR Deus, quem não profetizará? (Am 3.8).
Um profeta antigo como Davi declara que ao pronunciar o oráculo nada menos que “O Espírito do Senhor fala”:
O Espírito do SENHOR
fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua” (2Sm 23.2).
No século 8 a.C., Oseias descreve o profeta como “o homem do Espírito”:
Chegaram os dias do
castigo, chegaram os dias da retribuição; Israel o saberá; o seu profeta é um
insensato, o homem de espírito é um louco, por causa da abundância da tua iniquidade,
ó Israel, e o muito do teu ódio (Os 9.7).
Miqueias expõe mais plenamente com a declaração contra os falsos profetas,
que não recebiam a palavra de Deus:
Eu, porém, estou
cheio do poder do Espírito do SENHOR, cheio de juízo e de força, para declarar
a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado (Mq 3.8).
Isaías da Babilônia, em uma época posterior, sabe que a mensagem dele é
verdadeira porque “o Soberano Senhor enviou-me, com o seu Espírito”:
Chegai-vos a mim e
ouvi isto: não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que isso
vem acontecendo, tenho estado lá. Agora, o SENHOR Deus me enviou a mim e o seu
Espírito (Is 48.16).
Zacarias, depois do retorno da Babilônia, não tem dúvida de que é através do
Espírito do Senhor que Deus enviou “a Lei e as palavras” por meio dos profetas:
Sim, fizeram o seu
coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o
SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos
precederam; daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos (Zc 7.12)
O fato não precisa de esforço para ser
provado. Quando um homem profetiza é porque o Espírito do Senhor vem sobre ele
e comunica uma mensagem por meio dele. Mas há diversos aspectos deste espírito
profético que são especialmente importantes, e eles são adotados do Novo
Testamento.
Retirado do livro: GREEN. Michael. O Espírito Santo. Shedd.
São Paulo: 2018 (p. 25-26).
[1] דָּבָר, dabar: discurso, palavra, fala,
coisa 1a) discurso 1b) dito, declaração 1c) palavra, palavras 1d) negócio,
ocupação, atos, assunto, caso, algo, maneira (por extensão).
[2] Religioso muçulmano, esp. o pertencente a
uma ordem ascética ou mendicante e que manifesta sua devoção ou estados
místicos por atos como danças, gritos, etc.: “grande cópia de daroeses ....,
os quais por insígnia do sacerdócio andam vestidos de roxo, com .... as cabeças
e barbas e sobrancelhas rapadas, e contas ao pescoço por onde rezam, mas não
pedem esmola” (Fernão Mendes Pinto, Peregrinação, III, p. 185). [Sin.: dervis e dervixe,
f. menos recomendadas, porém de maior uso, esp. a última.
Pl.: daroeses (ê).]
Ronaldo José Vicente. É casado com Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão. Desenvolve seus artigos no blog:www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br. É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua banda chamada Templo de Fogo.
Igreja PorTuaCasa. Localizada na Rua Almeria, 58 - Vila Granada - SP - CEP 03654-000 (Perto do metro Guilhermina - Esperança - Linha Vermelha).
Facebook: https://www.facebook.com/groups/374908422689555/
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente. Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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