O Espírito no Antigo Testamento



Espírito de Deus: A palavra usada para o Espírito de Deus no hebraico e no grego é altamente significativa. Ruach[1] em hebraico e Pneuma[2] em grego tem três significados principais: “vento”, “sopro” e “espírito”.

ü  O Espírito de Deus é o sopro doador de vida sem o qual o homem permanece espiritualmente inerte.   
ü  Ele é o misterioso vento de Deus, que o homem não pode receber sob o próprio comando, como Nicodemos foi lembrado por Jesus: “O vento [pneuma] sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito [pneuma]” (Jo 3.8).  
ü  Além de ser misterioso, o vento é poderoso. Foi através de um vento poderoso que Deus baixou as águas do dilúvio (Gn 8.1, “...Deus fez soprar um vento [Ruach] sobre a terra, e baixaram as águas”).
ü  Foi por meio de um vento que ele fez com que as águas se dividissem diante de Israel, no Êxodo (Êx 14.21, “...SENHOR, por um forte vento [Ruach]  oriental que soprou toda aquela noite”).

Estas noções semelhantes do poder e mistério caracterizam muito do ensino do Antigo e Novo Testamentos de forma idêntica, quando tratam do Espírito de Deus.
O Espírito de Deus, na Bíblia, não é uma qualidade natural do homem. Não está oculto no recesso de nossos corpos. Os hebreus tinham uma palavra perfeitamente adequada para descrever nossa vitalidade humana, a qualidade que distingue uma pessoa viva de uma morta, e esta era nephesh[3]. O termo significa a sede das emoções, intelecto e vontade; particularmente, é sempre aplicado ao impulso orientador na vida do homem (Pv 25.28; Sl 32.2; Nm 14.24). Nephesh é natural; ela pertence ao homem. Ruach é sobrenatural; ela pertence a Deus. Embora Ruach possa ser encontrada no homem, é sempre expressada assim por empréstimo, e não como uma possessão; um estrangeiro, não um nativo.
E justamente como o Espírito não pode ser comparado a alguma propriedade no homem, igualmente não pode ser considerado a substância da qual o mundo é criado, ou o princípio absoluto de vida que integra o universo, como os estoicos sustentavam. Um pensamento que, através da influência filosófica pagã, arrastou-se para dentro dos livros da Apócrifa. Não, o Antigo Testamento insiste que este Espírito poderoso, misterioso pertence a Deus e a Deus somente. Ele é essencialmente o Deus pessoal, Iavé, em ação. Ele é, portanto, para o ensino do Antigo Testamento sobre o Espírito do Senhor, o Ruach Adonai (GREEN. 2018. p. 22).

O Espírito Invasor

Talvez o primeiro fato que nos impressiona, quando nos deparamos com o Antigo Testamento, é a tremenda ênfase no Espírito de Deus como uma força violenta, invasora. Ele é como o vento que se deslocava violentamente pelo deserto ou assobiava através dos cedros, ou arremetia-se nos rios:

Uma voz diz: Clama; e alguém pergunta: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente (Is 40.6-8).   

Há inúmeros lugares onde nos é informado que a ação de Deus é como o vento, forte, tempestuoso, incontrolável. Ele envia o vento. Ele o controla. Ele o faz cessar (GREEN. 2018. p. 23).
Ao falar do “Espírito do Senhor”, os escritores do Antigo Testamento significativamente retêm esta ênfase na invasão violenta de Deus da perspectiva de nossa experiência; perturbadora e misteriosa, como o vento. É a forma de eles acentuarem que o Além manifestou-se em nosso meio. E não podemos classificá-lo, tampouco domesticá-lo. Isto acontece intensamente no livro de Juízes.

§  OTONIEL: O povo oprimido de Israel clama ao Senhor para enviar-lhes libertação. A resposta dele é “levantar um libertador para o povo, Otoniel. O Espírito do Senhor veio sobre ele, de modo que liderou Israel, e foi à guerra, e prevaleceu” (Jz 3.9,10, “Clamaram ao SENHOR os filhos de Israel, e o SENHOR lhes suscitou libertador, que os libertou: Otniel, filho de Quenaz, que era irmão de Calebe e mais novo do que ele. Veio sobre ele o Espírito do SENHOR, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e o SENHOR lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual ele prevaleceu”).  
 
§  GIDEÃO: Novamente, Gideão foi um homem bastante comum até que “o Espírito do Senhor apoderou-se dele” (Jz 6.34, “Então, o Espírito do SENHOR revestiu a Gideão, o qual tocou a rebate, e os abiezritas se ajuntaram após dele”). Então, tornou-se útil como sinal de libertação para seu país.


§  SANSÃO: Esta libertação foi mais notável no caso desse fabuloso homem forte, Sansão. Quando “o Espírito do Senhor apossou-se dele”, “ele rasgou o leão como se rasga um cabrito” (Jz 14.5,6, “Desceu, pois, com seu pai e sua mãe a Timna; e, chegando às vinhas de Timna, eis que um leão novo, bramando, lhe saiu ao encontro. Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que ele o rasgou como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão; todavia, nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que fizera”). Esta força, que o capacitava a fazer tanto pelo país quanto contra os suseranos filisteus, não era dele. Sansão foi enfaticamente lembrado disso, quando desobedeceu a Deus na incitação de Dalila, e acordou para verificar que “o Senhor o tinha deixado” (Jz 16.20, “...ele não sabia ainda que já o SENHOR se tinha retirado dele”).

§  EZEQUIEL: Às vezes, o poder violento do Espírito é visto quase que em termos físicos, como quando o Espírito do Senhor entrou em Ezequiel e o pôs de pé, ou o elevou, ou o levou a um vale (Ez 2.2; 3.12; 37.1, “Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava... Levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que, levantando-se do seu lugar, dizia: Bendita seja a glória do SENHOR... Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos”), (GREEN. 2018. p. 23).

Creio que precisamos considerar este aspecto do Espírito muito seriamente hoje. Nós nos acostumamos a esperar que o Espírito de Deus fale em um sussurro suave, não em um vento estrondoso. Nós o buscamos nos estímulos de nossos corações ou nas resoluções de nossas comissões. Estamos em perigo de esquecer que é sobre Deus que estamos falando. O Deus que nos criou, o Deus que nos sustenta e tem direitos soberanos sobre nós. Este Deus pode e intervém na vida humana, e , às vezes, ele o faz através do violento, do inesperado e do estranho. Foi este mesmo Espírito que:

JESUS, Igreja Primitiva e Filipe: Levou Jesus ao deserto para ser tentado depois do batismo, que desbravou o caminho para a missão da igreja primitiva, sempre de modos os mais bizarros, inesperados e “heterodoxos”; o Espírito que tomou um homem como Filipe, o removeu de uma florescente campanha evangelística em Samaria e o conduziu para o deserto, porque havia um homem que precisava da ajuda dele. Quando esta ajuda foi prestada, “o Espírito de Senhor arrebatou Filipe”, exatamente como Ezequiel, muito antes dele (At 8.26, 39, 40; “Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi... Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia”).         
O bispo Joe Fison expressa corretamente em seu livro Fire upon the Earth [Fogo sobre a terra] a respeito do Espírito:

É evidente que este ímpeto, o elementar e involuntário, esta “possessão” pelo Espírito não é tudo e não é o fim absoluto da evidência bíblica para a doutrina do Espírito Santo. Mas é o ponto de partida desta doutrina, e somente se estivermos preparados para começar onde a Bíblia começa estamos propensos a conhecer por experiência algo de alcance superior da obra do Espírito, Não podemos pular a fila (GREEN. 2018. p. 24).

Retirado do livro: GREEN. Michael. O Espírito Santo. Shedd. São Paulo: 2018 .  

[1] רוּחַ, ruwach: vento, hálito, mente, espírito 1a) hálito 1b) vento 1b1) dos céus 1b2) pontos cardeais ("rosa-dos-ventos"), lado 1b3) fôlego de ar 1b4) ar, gás 1b5) vão, coisa vazia 1c) espírito (quando se respira rapidamente em estado de animação ou agitação) 1c1) espírito, entusiasmo, vivacidade, vigor 1c2) coragem 1c3) temperamento, raiva 1c4) impaciência, paciência 1c5) espírito, disposição (como, por exemplo, de preocupação, amargura, descontentamento) 1c6) disposição (de vários tipos), impulso irresponsável ou incontrolável 1c7) espírito profético 1d) espírito (dos seres vivos, a respiração do ser humano e dos animias).
[2] πνεῦμα, pneuma; terceira pessoa da trindade, o Santo Espírito, co-igual, coeterno com o Pai e o Filho 1a) algumas vezes mencionado de um modo que enfatiza sua personalidade e caráter (o Santo Espírito) 1b) algumas vezes mencionado de um modo que enfatiza seu trabalho e poder (o Espírito da Verdade ) 1c) nunca mencionado como um força despersonalizada 2) o espírito, i.e., o princípio vital pelo qual o corpo é animado 2a) espírito racional, o poder pelo qual o ser humano sente, pensa, decide 2b) alma 3) um espírito.
[3] נָפַח, naphach; respirar, soprar, cheirar, ferver, entregar ou perder (a vida) 1a) (Qal) respirar, soprar 1b) (Pual) ser soprado 1c) (Hifil) fazer ofegar.



Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa





 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 

Banda Templo (ICor 3.17) de Fogo (Hb 12.29)

CD – O VIDENTE

Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente. Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).

https://www.youtube.com/channel/UC6Ssw2z7AFZrC8yFSevLtTg/featured   

Breve lançamento para 2018. Um CD temático que seguirá a linha teológica pré-milenismo histórico pós-tribulacionista. 

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