Espírito
de Deus: A palavra usada
para o Espírito de Deus no hebraico e no grego é altamente significativa. Ruach
em hebraico e Pneuma
em grego tem três significados principais: “vento”,
“sopro” e “espírito”.
ü O Espírito de Deus é o sopro doador de
vida sem o qual o homem permanece espiritualmente inerte.
ü Ele é o misterioso vento de Deus, que o
homem não pode receber sob o próprio comando, como Nicodemos foi lembrado por
Jesus: “O vento [pneuma] sopra onde quer,
ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que
é nascido do Espírito [pneuma]” (Jo 3.8).
ü Além de ser misterioso, o vento é
poderoso. Foi através de um vento poderoso que Deus baixou as águas do dilúvio
(Gn 8.1, “...Deus fez soprar um vento
[Ruach] sobre a terra, e baixaram as águas”).
ü Foi por meio de um vento que ele fez com
que as águas se dividissem diante de Israel, no Êxodo (Êx 14.21, “...SENHOR, por um forte vento [Ruach] oriental que soprou toda aquela noite”).
Estas noções
semelhantes do poder e mistério caracterizam muito do ensino do Antigo e Novo
Testamentos de forma idêntica, quando tratam do Espírito de Deus.
O Espírito de
Deus, na Bíblia, não é uma qualidade natural do homem. Não está oculto no
recesso de nossos corpos. Os hebreus tinham uma palavra perfeitamente adequada
para descrever nossa vitalidade humana, a qualidade que distingue uma pessoa
viva de uma morta, e esta era nephesh.
O termo significa a sede das emoções, intelecto e vontade; particularmente, é
sempre aplicado ao impulso orientador na vida do homem (Pv 25.28; Sl 32.2; Nm
14.24). Nephesh é natural; ela
pertence ao homem. Ruach é sobrenatural; ela pertence a Deus. Embora Ruach
possa ser encontrada no homem, é sempre expressada assim por empréstimo, e não
como uma possessão; um estrangeiro, não um nativo.
E justamente
como o Espírito não pode ser comparado a alguma propriedade no homem, igualmente
não pode ser considerado a substância da qual o mundo é criado, ou o princípio
absoluto de vida que integra o universo, como os estoicos sustentavam. Um
pensamento que, através da influência filosófica pagã, arrastou-se para dentro
dos livros da Apócrifa. Não, o Antigo Testamento insiste que este Espírito
poderoso, misterioso pertence a Deus e a Deus somente. Ele é essencialmente o
Deus pessoal, Iavé, em ação. Ele é, portanto, para o ensino do Antigo
Testamento sobre o Espírito do Senhor, o Ruach Adonai (GREEN. 2018. p. 22).
O Espírito
Invasor
Talvez o primeiro
fato que nos impressiona, quando nos deparamos com o Antigo Testamento, é a
tremenda ênfase no Espírito de Deus como uma força violenta, invasora. Ele é
como o vento que se deslocava violentamente pelo deserto ou assobiava através
dos cedros, ou arremetia-se nos rios:
Uma
voz diz: Clama; e alguém pergunta: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e
toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e caem as flores,
soprando nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva; seca-se a erva, e
cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente (Is
40.6-8).
Há inúmeros
lugares onde nos é informado que a ação de Deus é como o vento, forte,
tempestuoso, incontrolável. Ele envia o vento. Ele o controla. Ele o faz cessar
(GREEN. 2018. p. 23).
Ao falar do “Espírito do Senhor”, os escritores do
Antigo Testamento significativamente retêm esta ênfase na invasão violenta de
Deus da perspectiva de nossa experiência; perturbadora e misteriosa, como o
vento. É a forma de eles acentuarem que o Além manifestou-se em nosso meio. E
não podemos classificá-lo, tampouco domesticá-lo. Isto acontece intensamente no
livro de Juízes.
§
OTONIEL: O povo oprimido de Israel clama ao Senhor para
enviar-lhes libertação. A resposta dele é “levantar um libertador para o povo,
Otoniel. O Espírito do Senhor veio sobre ele, de modo que liderou Israel, e foi
à guerra, e prevaleceu” (Jz 3.9,10, “Clamaram
ao SENHOR os filhos de Israel, e o SENHOR lhes suscitou libertador, que os
libertou: Otniel, filho de Quenaz, que era irmão de Calebe e mais novo do que
ele. Veio sobre ele o Espírito do SENHOR, e ele julgou a Israel; saiu à peleja,
e o SENHOR lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o
qual ele prevaleceu”).
§
GIDEÃO: Novamente, Gideão foi um homem bastante comum até
que “o Espírito do Senhor apoderou-se
dele” (Jz 6.34, “Então, o Espírito do
SENHOR revestiu a Gideão, o qual tocou a rebate, e os abiezritas se ajuntaram
após dele”). Então, tornou-se útil como sinal de libertação para seu país.
§
SANSÃO: Esta libertação foi mais notável no caso desse
fabuloso homem forte, Sansão. Quando “o Espírito do Senhor apossou-se dele”, “ele rasgou o leão como se rasga um cabrito”
(Jz 14.5,6, “Desceu, pois, com seu pai e
sua mãe a Timna; e, chegando às vinhas de Timna, eis que um leão novo,
bramando, lhe saiu ao encontro. Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se
apossou dele, que ele o rasgou como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão;
todavia, nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que fizera”). Esta
força, que o capacitava a fazer tanto pelo país quanto contra os suseranos
filisteus, não era dele. Sansão foi enfaticamente lembrado disso, quando
desobedeceu a Deus na incitação de Dalila, e acordou para verificar que “o
Senhor o tinha deixado” (Jz 16.20, “...ele
não sabia ainda que já o SENHOR se tinha retirado dele”).
§
EZEQUIEL: Às vezes, o poder violento do Espírito é visto
quase que em termos físicos, como quando o Espírito do Senhor entrou em
Ezequiel e o pôs de pé, ou o elevou, ou o levou a um vale (Ez 2.2; 3.12; 37.1,
“Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi
o que me falava... Levantou-me o Espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de
grande estrondo, que, levantando-se do seu lugar, dizia: Bendita seja a glória
do SENHOR... Veio sobre mim a mão do SENHOR; ele me levou pelo Espírito do
SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos”), (GREEN.
2018. p. 23).
Creio que
precisamos considerar este aspecto do Espírito muito seriamente hoje. Nós nos
acostumamos a esperar que o Espírito de Deus fale em um sussurro suave, não em
um vento estrondoso. Nós o buscamos nos estímulos de nossos corações ou nas
resoluções de nossas comissões. Estamos em perigo de esquecer que é sobre Deus
que estamos falando. O Deus que nos criou, o Deus que nos sustenta e tem
direitos soberanos sobre nós. Este Deus pode e intervém na vida humana, e , às
vezes, ele o faz através do violento, do inesperado e do estranho. Foi este
mesmo Espírito que:
JESUS,
Igreja Primitiva e Filipe:
Levou Jesus ao deserto para ser tentado depois do batismo, que desbravou o
caminho para a missão da igreja primitiva, sempre de modos os mais bizarros,
inesperados e “heterodoxos”; o
Espírito que tomou um homem como Filipe, o removeu de uma florescente campanha
evangelística em Samaria e o conduziu para o deserto, porque havia um homem que
precisava da ajuda dele. Quando esta ajuda foi prestada, “o Espírito de Senhor arrebatou Filipe”, exatamente como Ezequiel,
muito antes dele (At 8.26, 39, 40; “Um
anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no
caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e
foi... Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, não o
vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. Mas
Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as
cidades até chegar a Cesaréia”).
O bispo Joe Fison expressa corretamente em seu
livro Fire upon the Earth [Fogo sobre a terra] a respeito do Espírito:
É
evidente que este ímpeto, o elementar e involuntário, esta “possessão” pelo
Espírito não é tudo e não é o fim absoluto da evidência bíblica para a doutrina
do Espírito Santo. Mas é o ponto de partida desta doutrina, e somente se
estivermos preparados para começar onde a Bíblia começa estamos propensos a
conhecer por experiência algo de alcance superior da obra do Espírito, Não
podemos pular a fila (GREEN. 2018. p. 24).
Retirado do livro: GREEN. Michael. O Espírito Santo. Shedd. São Paulo: 2018 .
Breve lançamento para 2018. Um CD temático que seguirá a linha teológica pré-milenismo histórico pós-tribulacionista.
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