"Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que
conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é
a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que
acertam com ela” (Mt 7.13,14).
Introdução
A vida cristã é uma trajetória. A maturidade cristã, no sentido de
crescimento, pode ser comparado a uma carreira que percorremos. O autor de
Hebreus nos fala sobre isso: “...visto
que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de
todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a
carreira que nos está proposta” (12.1). A palavra carreira neste texto é o
termo grego αγων, agon; que quer dizer competição, arena do estádio, uma
batalha ou uma ação. O sentido nos ensina que estamos percorrendo a carreira
cristã como numa batalha. Não lutamos pela salvação, pois Cristo já venceu por
nós; “Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Entretanto,
pelejamos para o desenvolvimento daquilo que nos foi entregue; “...desenvolvei a vossa salvação com temor e
tremor” (Fp 2.12). Sendo assim, podemos compreender que a caminhada cristã
é o marchar na rua estreita. Caminho este, que nos leva dia a dia a aprender os
passos do nosso Senhor Jesus. A cada passo, uma nova etapa e a cada etapa – um
encarnar na verdadeira realidade que Cristo conquistou. Sermos como Ele é.
“Porquanto
aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E
aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.29,30).
1. A Porta estreita e o Caminho apertado
Quando notamos o texto de Jesus compreendemos que a palavra porta no
grego é πυλη, pule; tendo o significado de portão, do tipo mais largo, pode ser
no muro de uma cidade ou de um palácio. O sentido do que Cristo está se
referindo é que esta porta é uma entrada. Então podemos dizer; é uma entrada
para uma trajetória. O inicio de uma jornada. O principio de uma vida. O começo
de uma etapa. Esta entrada nos leva a um caminho. A palavra caminho é οδος,
hodos; que significa estrada, curso de conduta, modo de pensar ou modo de agir.
Sendo assim, podemos dizer que a entrada é uma decisão para um estilo de vida.
Em outras palavras, a escolha por essa entrada me permite seguir um rumo
proposto por Cristo.
Entretanto, não podemos pensar que a decisão pela entrada ou o prosseguir
pelo caminho, estão desconexos com a pessoa de Jesus. Os evangelhos não nos dão
suporte para isso. Na verdade, ao contrário: Cristo é a porta e Cristo é o
caminho.
Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em
verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes
de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou
a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e
achará pastagem (Jo 10.7-9).
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).
A entrada para seguir o caminho apertado é a decisão por Cristo. É
decretar em mim mesmo o desejo pela via da justiça. Motivar-me com todas as
forças seguir a estrada da vontade de Jesus. Conforme já trabalhamos em textos
anteriores das bem-aventuranças; elas não foram escritas no sentido de dar aos
homens opções. Entregar ao homem o tempo necessário para que reflita entre dois
caminhos e eventualmente decidir qual deseja. De maneira alguma. Cristo está
falando com seus filho e ordenando uma decisão pelo caminho justo da Sua
vontade: “Entrai pela porta estreita...”
(Mt 7.13). Podemos comparar com outras decisões:
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos
homens...” (Mt 6.1).
“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás
nos céus, santificado seja o teu nome...” (Mt 6.9).
“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a
terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt
6.19).
“...Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt
6.24).
“...não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao
que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de
vestir” (Mt 6.25).
“Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt
7.1).
“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante
os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se,
vos dilacerem” (Mt 7.6).
Todos estes textos estão no sentido de ordens. Cristo não está pedindo.
Cristo está ordenando. Como um Pai ordena aos seus filhos o caminho da justiça.
Cristo esta determinando que os cristãos sigam pelo caminho da vontade do Pai:
Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta
estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão (Lc
13.24)
Assim também era
a ordem para os pais no Antigo Testamento:
Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único
SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua
alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu
coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em
tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as
atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as
escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas (Dt 6.4-9).
Note que na fala de Deus não há opção. Deus está dizendo claramente que
Ele deve ser único. Da mesma forma, no ensino dos pais deve penetrar na mente
dos filhos apenas um caminho – a decisão por Deus ser o único Senhor. Então
quando entendemos que Cristo é a porta e Cristo é o caminho. Compreendemos que
decidimos por estar com Cristo. Viver com Ele e andar ao Seu lado. O caminho é
difícil, mas nunca estaremos sozinhos. O texto diz que a porta é estreita e o
caminho é apertado. O termos equivalem a uma vida de entrega e sofrimento.
Andar pelo caminho que Cristo determinou não é fácil. Haverá negação do “eu”. Não há como passarmos pela porta
estreita cheios de bagagem. Não há como decidirmos pelo caminho da renuncia,
ainda desejando as paixões da vida. Jesus explicou isso aos seus discípulos:
Grandes multidões o acompanhavam, e ele,
voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e
mãe", e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida,
não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim
não pode ser meu discípulo (Lc 14.25-27).
Observe que a fala de Jesus não esta carregada de um ar de decisão, ou
reflexão. Cristo está dizendo que é impossível passar pela porta estreita
carregados com bagagens - como ter no coração a própria família, ou o próprio
valor da vida. Jesus estava olhando uma multidão cheia de pertences e caprichos
pessoais e dizendo: - vocês precisam
abandonar isso, pois o coração de vocês amam essas inúmeras coisas que vocês
carregam. Para me seguir, vocês precisam abandonar seus deuses pessoais!
Wesley comenta:
O caminho da santidade universal é o caminho
estreito que leva à vida. É de fato estreito o caminho da pobreza em espírito.
Estreito é o caminho do choro santo. Estreito é o caminho da humildade.
Estreito é o caminho da fome de sede de justiça. Estreito é o caminho da
misericórdia e do amor não dissimulados. Assim é esse caminho da pureza de
coração, do que faz bem ao próximo. Estreito é o caminho daquele que de bom
grado sofre o mal, todo tipo de mal, por amor à justiça (WESLEY. 2013.
p.222).
Conforme Wesley diz; é estreito seguir e praticar os ensinamentos de
Cristo. É estreito ser pobre de espírito. É custoso andar em humildade. É
apertado termos fome e sede de justiça. Somos afunilados para seguirmos o
caminho da pureza de coração. Seremos comprimidos para ver se realmente amamos
a justiça. Ryle comenta:
Não devemos estranhar se descobrimos que somos
reputados como pessoas estranhas, esquisitas, fanáticas e de mente estreita.
Este é o "caminho apertado". Certamente é melhor alguém entrar na
vida eterna na companhia de uns poucos do que ir para a perdição em companhia
de muitos (RYLE. 2002. p.49).
2. Estamos no Caminho

Pense numa criança que vai crescendo em um lar, com rotinas normais de
uma família e com o exercício de uma relacionamento com os pais. É óbvio que
nesta criança, de maneira saudável, irá surgir o entendimento de pertencer a
este núcleo familiar. Em algum momento, essa criança terá capacidade de aceitar
pertencer a essa família. Essa criança não precisa ficar decidindo a todo
momento pertencer a esta família ou não. Se ela ficar nesse pensamento, terá
enormes problemas no seu desenvolvimento social. Futuramente tentará procurar
ser aceita em ambientes que nunca proporcionarão isso. Na verdade, todo filho
precisa entender. Eu nasci neste lar e sou aceito pelos meus pais. A função
deste filho, a partir deste entendimento é desenvolver seu relacionamento nesta
família. O filho não precisa lutar para ser filho. Ele já é filho. O filho precisa
lutar para desenvolver um comportamento de filho em uma família. Da mesma
forma, podemos entender nossa trajetória com Cristo. Em algum momento, teremos
entendimento que fomos salvos por Ele. A partir disso, devemos nos comportar
como Filhos de Deus e seguirmos por este caminho. Esse pensamento de aceitação
é um dos maiores problemas no ser humano. Todo homem deseja ser aceito.
Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais
moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes
repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando
tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus
bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele
país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se
agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a
guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos
comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos
trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei,
e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus
trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe,
quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E
o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de
ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a
melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei
também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu
filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a
regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao
aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e
perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou
matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não
queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a
seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e
nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo,
porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste
matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu
sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos
regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e
reviveu, estava perdido e foi achado (Lc 15.11-32).
A parábola dos dois filhos explicam
o mesmo sentido das bem-aventuranças. O sermão do monte está sendo ensinado aos
filhos de Deus. Ensinado para como se comportarem no reino de Deus. É como um Pai
ensinando seus filhos a portar-se dentro de casa. A estratégia das trevas sempre foi a mesma.
Causar duvidas na identidade dos filhos. O primeiro filho sai de casa porque
ele não se sente parte do lar. Ele está procurando algo fora, mas o que
realmente procura está onde ele foi gerado. Ele quer ser aceito. Ele quer ser
amado. Ele quer fazer parte de algo. Essa é a busca interminável do ser humano.
Não há logica nisso. O filho sai a procura de algo, mas volta entendendo que
aquilo que procurava sempre esteve no lar. Por outro lado, ao lado do seu pai. Esta
o outro filho. Ele está em crise pela volta do irmão e não entende que a
alegria do lar é a sua alegria também.
A caminhada com Cristo não é um entendimento de uma vida solitária,
longe da família e com pouco acesso a Jesus. Não! A estrada do caminho estreito
é o pertencimento a uma grande família de salvos ao lado de Cristo. É o
entendimento concreto que pertenço a alguém. Faço parte de um corpo. Estou
nele. Tenho um nome. Tenho uma origem. Tenho um Pai, um irmão (Cristo) mais
velho e muitos irmãos. Não preciso procurar um lar pois eu já tenho um lar. Lloyd
Jones declara:
O objetivo de Cristo, neste sermão, conforme temos
verificado, foi o de levar o povo evangélico a perceber, em primeiro lugar, a sua
natureza ou caráter como um povo, e, em seguida, mostrar-lhes como devem
manifestar essa natureza e esse caráter em sua vida diária (LLOYD JONES. 1999.
p.493).
Devemos entender, compreender e aceitar nossa natureza em Cristo. O
homem tem dificuldade em aceitar-se quem ele é em Deus. Em inúmeras passagens
encontramos Cristo afirmando seus discípulos - quem eles são em Cristo. Ou
seja, a partir da obra de nosso Senhor, os discípulos passaram a ser nova
criatura em Cristo:
Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o
agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o
que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos
pela palavra que vos tenho falado (Jo 15.1-3).
Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a
própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o
que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o
seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu
Pai vos tenho dado a conhecer (Jo 15.13-15).
Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo
contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e
deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai
em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não
sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos
odeia (Jo 15.16-19).
Todas essas palavras de Cristo são uma afirmação concreta de quem somos
nele. Cristo afirmava a verdade no coração dos discípulos. Eu escolhi vocês.
Vocês são meus amigos. Você foram limpos por mim. São meus filhos. Minhas
ovelhas. Não pertencem ao mundo. Agora vocês tem uma família, um nome e um
lugar. Assim é o sermão do monte. Caminhe pelo ambiente justo com seus irmãos
ao meu lado. Haja como filho e siga a trajetória da justiça. Encarne realmente
a obra que realizei em você.
Ele possui limites definidos por Deus. Para
caminhar neste caminho precisamos deixar para trás tudo que não está na vontade
de Deus (BICKLE. 2010).
3. Não há ponto neutro
Algo importantíssimo que precisamos combater são as inúmeras opções que
nossa cultura criou em todos os sentidos da vida. Comida, lazeres, pessoas,
lugares e até ensinos. O sermão do monte não oferece uma terceira opção. Estamos
caminhando na justiça e devemos agir como justos, ou então, estamos no caminho
da perdição. As escrituras não oferecem margem para ficarmos indecisos. Deus
odeia e não tolera indefinidos.
Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas
coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação"
de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses
frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto
de vomitar-te da minha boca (Ap 3.14-16).
Na carta para a igreja de Laodicéia existe uma pressão de Deus sobre
posicionamento. Note que o própria Deus está falando: Quem dera! O termo
poderia ser “tomara fosse”. O próprio
Senhor está combatendo uma postura indecisa. Pessoas indecisas não querem
escolher. Não querem assumir nada. Preferem ficar em pontos neutros, pois assim
assumem posturas de relacionamentos superficiais. Não se aprofundam. Deus odeia
isso. Deus é profundo e claro em sua decisões. Ele não esconde o que pensa e
deseja que seus filhos façam o mesmo. O próprio sermão do monte ensina isso:
Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O
que disto passar vem do maligno (Mt 5.37).
O sentido das palavras de Cristo é; você como meu Filho não pode ficar
indeciso. Decida se é sim ou não. A tendência do mundo é criar um
relacionamento superficial, onde decisões absolutas não ocorrem. Isso gera um
tipo de homem sem confiança. As pessoas vivem inseguras. Mulheres ficam
inseguras porque não sabem se os homens irão cumprir o que prometeram no altar.
Homens ficam inseguros porque não sabem se as mulheres da mesma forma, irão
cumprir o que prometeram. Deus é confiável. Suas promessas permanecem. Ele não
é motivado pelas falhas dos homens. Mesmo que os homens falhem, Ele continua
sendo fiel:
Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também
viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos,
ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de
maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo (2Tm 2.11-13).
Da mesma forma que Ele é justo, Ele é fiel. Ele mantem sua palavra. A
posição de Deus é clara. Ele não a esconde. Se Ele ama, ele realmente ama. Se
Ele odeia, Ele realmente odeia. Há coisas que Ele odeia e deixa claro. Há
coisas que Ele ama e deixa claro também. Assim Ele deseja que sejamos. John
Stott comenta:
Há apenas dois caminhos, o difícil e o fácil (não
existe um caminho do meio), nos quais se entra por duas portas, a larga e a
estreita (não existe outra porta), que terminam em dois destinos, a destruição
e a vida (não há uma terceira alternativa)...Todos se ressentem quando são
postos diante da necessidade de uma escolha. Mas Jesus não nos deixa escapar
dela (STOTT. 2008. p.207)
Devemos entender que estar convicto na natureza que Cristo nos
estabeleceu, nos leva a ser o que Cristo determinou. Se eu entendo que minha
única opção é aceitar a obra de Cristo – então, minha forma de andar está no
caminho justo da santidade. Devemos andar conforme Ele estabeleceu em nosso
coração.
Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo
por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 5.1,2)
Portanto, não sejais participantes com eles. Pois,
outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como
filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e
verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor (Ef 5.7-10).
A palavra andai no grego é περιπατεω, peripateo; que significa
progredir; fazer bom uso das oportunidades, viver, conduzir-se pela vida.
Devemos andar na vida que Cristo nos preparou que andássemos. Ande pelo caminho
da justiça. Caminhe pela via dolorosa dos caprichos da alma, mas gloriosa aos
olhos do Justo Senhor. Seja aplaudido pelas testemunhas invisíveis quando
choramos escondidos e humilhados pelos valores do mundo. Sejamos honrados pelas
lágrimas das dores da justiça que muitas vezes temos que negligenciar. Cristo
enxugara todas as nossas lagrimas, ou seja, tudo que passamos na caminha da
vida cristã não será em vão:
Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem
são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse:
São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as
alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus
e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono
estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão
sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se
encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da
vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 7.13-17).
Terminaremos
com as palavras do Lloyd Jones:
Ele não veio meramente para salvar-nos da punição e
do inferno; mas veio para tornar-nos santos, para “...purificar para si mesmo
um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Jesus Cristo veio
a este mundo a fim de preparar o caminho da santidade, e a Sua ambição e
objetivo, a nosso respeito, é que caminhemos por esse caminho seguindo os Seus
passos, nesse elevadíssimo chamamento, nessa vida gloriosa, para que vivamos
tal e qual Ele mesmo viveu, resistindo até ao sangue, se assim for necessário.
Assim se caracterizou a vida de Jesus Cristo, uma estrada apertada e espinhosa;
mas Ele continuou palmilhando pela mesma. E o meu e o seu privilégio é o de
sairmos do mundo e entrarmos nessa vida cristã, seguindo a Cristo ao longo de
todo o caminho por Ele traçado (LLOYD JONES. 1999. p.503).
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa
BIBLIOGRAFIA
WESLEY. John. O
Sermão do Monte. Vida. São Paulo: 2013.
RYLE. J.C.
Meditações do Evangelho de Mateus. Fiel. São Paulo: 2002.
LLOYD JONES,
Martin. Sermão do Monte. Fiel: São Paulo, 1999
BICKLE. Mike.
As Bem-Aventuranças. 2010.
STOTT. John. O
Sermão do Monte. ABU. São Paulo: 2008.
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