Os dois caminhos


"Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7.13,14).

Introdução

A vida cristã é uma trajetória. A maturidade cristã, no sentido de crescimento, pode ser comparado a uma carreira que percorremos. O autor de Hebreus nos fala sobre isso: “...visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta” (12.1). A palavra carreira neste texto é o termo grego αγων, agon; que quer dizer competição, arena do estádio, uma batalha ou uma ação. O sentido nos ensina que estamos percorrendo a carreira cristã como numa batalha. Não lutamos pela salvação, pois Cristo já venceu por nós; “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Entretanto, pelejamos para o desenvolvimento daquilo que nos foi entregue; “...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). Sendo assim, podemos compreender que a caminhada cristã é o marchar na rua estreita. Caminho este, que nos leva dia a dia a aprender os passos do nosso Senhor Jesus. A cada passo, uma nova etapa e a cada etapa – um encarnar na verdadeira realidade que Cristo conquistou. Sermos como Ele é.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.29,30).

1. A Porta estreita e o Caminho apertado


Quando notamos o texto de Jesus compreendemos que a palavra porta no grego é πυλη, pule; tendo o significado de portão, do tipo mais largo, pode ser no muro de uma cidade ou de um palácio. O sentido do que Cristo está se referindo é que esta porta é uma entrada. Então podemos dizer; é uma entrada para uma trajetória. O inicio de uma jornada. O principio de uma vida. O começo de uma etapa. Esta entrada nos leva a um caminho. A palavra caminho é οδος, hodos; que significa estrada, curso de conduta, modo de pensar ou modo de agir. Sendo assim, podemos dizer que a entrada é uma decisão para um estilo de vida. Em outras palavras, a escolha por essa entrada me permite seguir um rumo proposto por Cristo.  
Entretanto, não podemos pensar que a decisão pela entrada ou o prosseguir pelo caminho, estão desconexos com a pessoa de Jesus. Os evangelhos não nos dão suporte para isso. Na verdade, ao contrário: Cristo é a porta e Cristo é o caminho.

Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem (Jo 10.7-9).

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).

A entrada para seguir o caminho apertado é a decisão por Cristo. É decretar em mim mesmo o desejo pela via da justiça. Motivar-me com todas as forças seguir a estrada da vontade de Jesus. Conforme já trabalhamos em textos anteriores das bem-aventuranças; elas não foram escritas no sentido de dar aos homens opções. Entregar ao homem o tempo necessário para que reflita entre dois caminhos e eventualmente decidir qual deseja. De maneira alguma. Cristo está falando com seus filho e ordenando uma decisão pelo caminho justo da Sua vontade: “Entrai pela porta estreita...” (Mt 7.13). Podemos comparar com outras decisões:

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens...” (Mt 6.1).

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome...” (Mt 6.9).

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19).

“...Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

“...não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir” (Mt 6.25).

“Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1).

“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mt 7.6).

Todos estes textos estão no sentido de ordens. Cristo não está pedindo. Cristo está ordenando. Como um Pai ordena aos seus filhos o caminho da justiça. Cristo esta determinando que os cristãos sigam pelo caminho da vontade do Pai:

Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão (Lc 13.24)

Assim também era a ordem para os pais no Antigo Testamento:

Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas (Dt 6.4-9).  

Note que na fala de Deus não há opção. Deus está dizendo claramente que Ele deve ser único. Da mesma forma, no ensino dos pais deve penetrar na mente dos filhos apenas um caminho – a decisão por Deus ser o único Senhor. Então quando entendemos que Cristo é a porta e Cristo é o caminho. Compreendemos que decidimos por estar com Cristo. Viver com Ele e andar ao Seu lado. O caminho é difícil, mas nunca estaremos sozinhos. O texto diz que a porta é estreita e o caminho é apertado. O termos equivalem a uma vida de entrega e sofrimento. Andar pelo caminho que Cristo determinou não é fácil. Haverá negação do “eu”. Não há como passarmos pela porta estreita cheios de bagagem. Não há como decidirmos pelo caminho da renuncia, ainda desejando as paixões da vida. Jesus explicou isso aos seus discípulos:

Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe", e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo (Lc 14.25-27).  

Observe que a fala de Jesus não esta carregada de um ar de decisão, ou reflexão. Cristo está dizendo que é impossível passar pela porta estreita carregados com bagagens - como ter no coração a própria família, ou o próprio valor da vida. Jesus estava olhando uma multidão cheia de pertences e caprichos pessoais e dizendo: - vocês precisam abandonar isso, pois o coração de vocês amam essas inúmeras coisas que vocês carregam. Para me seguir, vocês precisam abandonar seus deuses pessoais! Wesley comenta:

O caminho da santidade universal é o caminho estreito que leva à vida. É de fato estreito o caminho da pobreza em espírito. Estreito é o caminho do choro santo. Estreito é o caminho da humildade. Estreito é o caminho da fome de sede de justiça. Estreito é o caminho da misericórdia e do amor não dissimulados. Assim é esse caminho da pureza de coração, do que faz bem ao próximo. Estreito é o caminho daquele que de bom grado sofre o mal, todo tipo de mal, por amor à justiça (WESLEY. 2013. p.222).       

Conforme Wesley diz; é estreito seguir e praticar os ensinamentos de Cristo. É estreito ser pobre de espírito. É custoso andar em humildade. É apertado termos fome e sede de justiça. Somos afunilados para seguirmos o caminho da pureza de coração. Seremos comprimidos para ver se realmente amamos a justiça. Ryle comenta:

Não devemos estranhar se descobrimos que somos reputados como pessoas estranhas, esquisitas, fanáticas e de mente estreita. Este é o "caminho apertado". Certamente é melhor alguém entrar na vida eterna na companhia de uns poucos do que ir para a perdição em companhia de muitos (RYLE. 2002. p.49). 
  
2. Estamos no Caminho


Pense numa criança que vai crescendo em um lar, com rotinas normais de uma família e com o exercício de uma relacionamento com os pais. É óbvio que nesta criança, de maneira saudável, irá surgir o entendimento de pertencer a este núcleo familiar. Em algum momento, essa criança terá capacidade de aceitar pertencer a essa família. Essa criança não precisa ficar decidindo a todo momento pertencer a esta família ou não. Se ela ficar nesse pensamento, terá enormes problemas no seu desenvolvimento social. Futuramente tentará procurar ser aceita em ambientes que nunca proporcionarão isso. Na verdade, todo filho precisa entender. Eu nasci neste lar e sou aceito pelos meus pais. A função deste filho, a partir deste entendimento é desenvolver seu relacionamento nesta família. O filho não precisa lutar para ser filho. Ele já é filho. O filho precisa lutar para desenvolver um comportamento de filho em uma família. Da mesma forma, podemos entender nossa trajetória com Cristo. Em algum momento, teremos entendimento que fomos salvos por Ele. A partir disso, devemos nos comportar como Filhos de Deus e seguirmos por este caminho. Esse pensamento de aceitação é um dos maiores problemas no ser humano. Todo homem deseja ser aceito.  

Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado (Lc 15.11-32).

            A parábola dos dois filhos explicam o mesmo sentido das bem-aventuranças. O sermão do monte está sendo ensinado aos filhos de Deus. Ensinado para como se comportarem no reino de Deus. É como um Pai ensinando seus filhos a portar-se dentro de casa.  A estratégia das trevas sempre foi a mesma. Causar duvidas na identidade dos filhos. O primeiro filho sai de casa porque ele não se sente parte do lar. Ele está procurando algo fora, mas o que realmente procura está onde ele foi gerado. Ele quer ser aceito. Ele quer ser amado. Ele quer fazer parte de algo. Essa é a busca interminável do ser humano. Não há logica nisso. O filho sai a procura de algo, mas volta entendendo que aquilo que procurava sempre esteve no lar. Por outro lado, ao lado do seu pai. Esta o outro filho. Ele está em crise pela volta do irmão e não entende que a alegria do lar é a sua alegria também.  
A caminhada com Cristo não é um entendimento de uma vida solitária, longe da família e com pouco acesso a Jesus. Não! A estrada do caminho estreito é o pertencimento a uma grande família de salvos ao lado de Cristo. É o entendimento concreto que pertenço a alguém. Faço parte de um corpo. Estou nele. Tenho um nome. Tenho uma origem. Tenho um Pai, um irmão (Cristo) mais velho e muitos irmãos. Não preciso procurar um lar pois eu já tenho um lar. Lloyd Jones declara:

O objetivo de Cristo, neste sermão, conforme temos verificado, foi o de levar o povo evangélico a perceber, em primeiro lugar, a sua natureza ou caráter como um povo, e, em seguida, mostrar-lhes como devem manifestar essa natureza e esse caráter em sua vida diária (LLOYD JONES. 1999. p.493).      

Devemos entender, compreender e aceitar nossa natureza em Cristo. O homem tem dificuldade em aceitar-se quem ele é em Deus. Em inúmeras passagens encontramos Cristo afirmando seus discípulos - quem eles são em Cristo. Ou seja, a partir da obra de nosso Senhor, os discípulos passaram a ser nova criatura em Cristo:

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado (Jo 15.1-3).

Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer (Jo 15.13-15).

Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia (Jo 15.16-19).  

Todas essas palavras de Cristo são uma afirmação concreta de quem somos nele. Cristo afirmava a verdade no coração dos discípulos. Eu escolhi vocês. Vocês são meus amigos. Você foram limpos por mim. São meus filhos. Minhas ovelhas. Não pertencem ao mundo. Agora vocês tem uma família, um nome e um lugar. Assim é o sermão do monte. Caminhe pelo ambiente justo com seus irmãos ao meu lado. Haja como filho e siga a trajetória da justiça. Encarne realmente a obra que realizei em você.

Ele possui limites definidos por Deus. Para caminhar neste caminho precisamos deixar para trás tudo que não está na vontade de Deus (BICKLE. 2010).

3. Não há ponto neutro


Algo importantíssimo que precisamos combater são as inúmeras opções que nossa cultura criou em todos os sentidos da vida. Comida, lazeres, pessoas, lugares e até ensinos. O sermão do monte não oferece uma terceira opção. Estamos caminhando na justiça e devemos agir como justos, ou então, estamos no caminho da perdição. As escrituras não oferecem margem para ficarmos indecisos. Deus odeia e não tolera indefinidos.

Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação" de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca (Ap 3.14-16).

Na carta para a igreja de Laodicéia existe uma pressão de Deus sobre posicionamento. Note que o própria Deus está falando: Quem dera! O termo poderia ser “tomara fosse”. O próprio Senhor está combatendo uma postura indecisa. Pessoas indecisas não querem escolher. Não querem assumir nada. Preferem ficar em pontos neutros, pois assim assumem posturas de relacionamentos superficiais. Não se aprofundam. Deus odeia isso. Deus é profundo e claro em sua decisões. Ele não esconde o que pensa e deseja que seus filhos façam o mesmo. O próprio sermão do monte ensina isso:

Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno (Mt 5.37).

O sentido das palavras de Cristo é; você como meu Filho não pode ficar indeciso. Decida se é sim ou não. A tendência do mundo é criar um relacionamento superficial, onde decisões absolutas não ocorrem. Isso gera um tipo de homem sem confiança. As pessoas vivem inseguras. Mulheres ficam inseguras porque não sabem se os homens irão cumprir o que prometeram no altar. Homens ficam inseguros porque não sabem se as mulheres da mesma forma, irão cumprir o que prometeram. Deus é confiável. Suas promessas permanecem. Ele não é motivado pelas falhas dos homens. Mesmo que os homens falhem, Ele continua sendo fiel:

Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo (2Tm 2.11-13).  

Da mesma forma que Ele é justo, Ele é fiel. Ele mantem sua palavra. A posição de Deus é clara. Ele não a esconde. Se Ele ama, ele realmente ama. Se Ele odeia, Ele realmente odeia. Há coisas que Ele odeia e deixa claro. Há coisas que Ele ama e deixa claro também. Assim Ele deseja que sejamos. John Stott comenta:

Há apenas dois caminhos, o difícil e o fácil (não existe um caminho do meio), nos quais se entra por duas portas, a larga e a estreita (não existe outra porta), que terminam em dois destinos, a destruição e a vida (não há uma terceira alternativa)...Todos se ressentem quando são postos diante da necessidade de uma escolha. Mas Jesus não nos deixa escapar dela (STOTT. 2008. p.207)

Devemos entender que estar convicto na natureza que Cristo nos estabeleceu, nos leva a ser o que Cristo determinou. Se eu entendo que minha única opção é aceitar a obra de Cristo – então, minha forma de andar está no caminho justo da santidade. Devemos andar conforme Ele estabeleceu em nosso coração.  

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 5.1,2)

Portanto, não sejais participantes com eles. Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor (Ef 5.7-10).

A palavra andai no grego é περιπατεω, peripateo; que significa progredir; fazer bom uso das oportunidades, viver, conduzir-se pela vida. Devemos andar na vida que Cristo nos preparou que andássemos. Ande pelo caminho da justiça. Caminhe pela via dolorosa dos caprichos da alma, mas gloriosa aos olhos do Justo Senhor. Seja aplaudido pelas testemunhas invisíveis quando choramos escondidos e humilhados pelos valores do mundo. Sejamos honrados pelas lágrimas das dores da justiça que muitas vezes temos que negligenciar. Cristo enxugara todas as nossas lagrimas, ou seja, tudo que passamos na caminha da vida cristã não será em vão:

Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 7.13-17).

Terminaremos com as palavras do Lloyd Jones:

Ele não veio meramente para salvar-nos da punição e do inferno; mas veio para tornar-nos santos, para “...purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Jesus Cristo veio a este mundo a fim de preparar o caminho da santidade, e a Sua ambição e objetivo, a nosso respeito, é que caminhemos por esse caminho seguindo os Seus passos, nesse elevadíssimo chamamento, nessa vida gloriosa, para que vivamos tal e qual Ele mesmo viveu, resistindo até ao sangue, se assim for necessário. Assim se caracterizou a vida de Jesus Cristo, uma estrada apertada e espinhosa; mas Ele continuou palmilhando pela mesma. E o meu e o seu privilégio é o de sairmos do mundo e entrarmos nessa vida cristã, seguindo a Cristo ao longo de todo o caminho por Ele traçado (LLOYD JONES. 1999. p.503).     


Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa


  
BIBLIOGRAFIA

WESLEY. John. O Sermão do Monte. Vida. São Paulo: 2013. 
RYLE. J.C. Meditações do Evangelho de Mateus. Fiel. São Paulo: 2002.
LLOYD JONES, Martin. Sermão do Monte. Fiel: São Paulo, 1999
BICKLE. Mike. As Bem-Aventuranças. 2010.
STOTT. John. O Sermão do Monte. ABU. São Paulo: 2008.






 "O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com)   - Adquira o livro clicando:  http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576 

Banda TEMPLO (ICor 3.17) de FOGO (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
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