“Vós sois a
luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se
acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia
a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está
nos céus” (Mt 5.14-16).
Introdução
Acreditamos realmente que
cristãos fazem a diferença na Terra? Uma comunidade cristã pode viver de uma
maneira que suas vidas mudam uma cultura? Somos realmente a luz do mundo? O que
de fato Jesus estava nos ensinando, ao dizer que somos a luz do mundo?
O ensino de
Jesus é profundamente desafiador. Cristo olhou para os seus discípulos e disse
que eles eram a luz do mundo. Ser luz é ser a resposta que o mundo aguarda. Ser
luz é ser o indicador no caminho da verdade. Ser luz é ser um exemplo do justo
caminho aprovado por Deus. Ser luz é ser um representante de Cristo na Terra. As
trevas podem parecer fortes. O domínio do mal pode muitas vezes aparentemente
enganar. Entretanto, uma pequena luz, por mais insignificante que seja, é mais
poderosa que as densas trevas. A fala de Jesus é incitadora. Jesus não quer que
seus discípulos se escondam. Por isso a parte seguinte é um complemento da
realidade de quem são e do que portam; uma cidade edificada sobre um monte,
onde suas luzes ultrapassam as trevas da noite.
Seria impossível
esconder essa cidade. Não há como esconder a luz. Assim o Mestre tentava
explicar. Aqueles que foram chamados, são portadores da luz que representa a
verdade de Cristo. Essa luz, através dos seus discípulos, iluminam o mundo para
que as trevas sejam vencidas. O texto do nosso Senhor Jesus é desafiador,
incentivador e motivador para que carreguemos a luz da verdade e manifestemos
ao mundo. Observe duas frases para iniciarmos nosso estudo. Na primeira,
conforme diz Ravenhill, se quisermos
viver nesta Terra, temos de viver conforme cidadãos do Reino. Na segunda, Tozer comenta, como chegaremos ao Trono
do nosso poderoso Jesus, com tantas bênçãos concedidas a nós em vida, diante
disso, nos apresentaremos em falta. Oremos para que nossas mentes sejam
realmente convertidas ao entendimento daquilo que Cristo nos disse; Vós sois a
luz do mundo.
"Se não conseguirmos
viver como uma raça de pessoas diferentes nesta terra, não temos o direito de
viver aqui" (Leonard Ravenhill)
"Meu Deus, veja todas
as riquezas que estavam em Jesus Cristo, e eu venho ao trono do julgamento
quase paupérrimo" (A. W. Tozer)
A luz do
mundo
Comentei no
artigo anterior sobre “A luz e as trevas”
e o significado da luz no Novo Testamento. Colocarei novamente para que
possamos seguir no mesmo caminho. Quando a Bíblia retrata sobre a luz,
encontramos que essa luz é a glória de Deus. Deus é luz, habita nela e por ela
manifesta a Sua glória: “Ora, a mensagem
que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não
há nele treva nenhuma” (IJo 1.5). Em outro texto diz: “o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem
homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!”
(ITm 6.16).
Provavelmente a
luz que hoje vemos é apenas reflexo de quem Deus é. A luz que vemos é de alguma
maneira, uma pequena expressão da glória imensurável que está em Deus. A luz
que vemos é uma miúda noção da infinita notabilidade da natureza grandiosa de
Deus: “Então, já não haverá noite, nem
precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus
brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22.5)[1].
Quando
entendemos o que a Bíblia fala sobre a luz, entendemos que Cristo foi o
primeiro e exato representante desta luz. Cristo manifestou a luz da glória de
Deus, Ele era a luz que iluminava o mundo – Cristo é a luz do mundo. Vejamos
alguns textos:
De
novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não
andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (Jo 8.12).
Enquanto
estou no mundo, sou a luz do mundo (Jo 9.5)
Respondeu-lhes
Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz,
para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde
vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz.
Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles (Jo 12.35,36).
Eu
vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não
permaneça nas trevas (Jo 12.46).
Todos estes textos mostram o seguinte.
Jesus é a luz do mundo e quem o segue, encontra essa luz. Enquanto Ele estava
no mundo, a luz permanecia; depois que ascendeu aos céus (At 1.6-11), seus
discípulos eram a luz. Reconhecer essa luz em Cristo, crer n`Ele e seguir seu
caminho é estar longe das trevas. Cristo é o único que pode nos tirar das
trevas; “Pois, outrora, éreis trevas,
porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8).
Somos a luz
do mundo?
“Vós sois a luz do mundo...”
(Mt 5.14).
Como descrevi
anteriormente. A linguagem de Jesus é desafiadora. Ele está dizendo que a mesma
responsabilidade - em sermos representantes da luz aqui na Terra - agora está
conosco. Somos a luz de Deus. Fomos resgatados para essa luz, estamos nela e
somos agora seu conselho:
Vós,
porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade
exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas,
agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora,
alcançastes misericórdia (IPd 2.9,10).
Observe que o texto de Pedro diz que fomos tirados das trevas
para proclamarmos as virtudes do Senhor, pois agora, estamos na sua maravilhosa
luz. Somos povo de Deus e homens recebidos aos seus braços pela sua enorme
misericórdia; “As misericórdias do SENHOR
são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim”,
Lm 3.22). Para Carson sermos
representantes desta luz significa:
Luz
é um símbolo religioso universal. No Antigo Testamento, como no Novo
Testamento, ela simboliza mais frequentemente a pureza como oposta à
depravação; a verdade ou conhecimento como oposto ao erro ou ignorância; e a
revelação e presença divinas como opostas a reprovação e abandono por Deus
(CARSON. 2010. p.174)
Desta forma, entendemos que cristãos devem
agir mediante a verdade. Andarmos na pureza e lutarmos contra a depravação
cultural. Estarmos no conhecimento de Deus e livres da ignorância do pecado. Entretanto,
John Stott diz que “Sal e Luz” estão
ligados na mensagem do nosso Senhor indicando nossa missão: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do
mundo” (Mt 5.13,14). Essa é uma dupla responsabilidade, pois o sal e a luz
tem uma coisa em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que
acontece com qualquer tipo de religiosidade egocêntrica. Stott continua: a
função do sal é principalmente negativa: evitar a deterioração. A função da luz
é positiva: iluminar as trevas. Então conclui:
Assim,
Jesus chama os seus discípulos para exercerem uma influência dupla na
comunidade secular: uma influência negativa, de impedir a sua deterioração, e
uma influência positiva, de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a
propagação do mal é uma coisa; e promover a propagação da verdade, da beleza e
da bondade é outra (STOTT. 2008. p.56)
Temos de exercer nossa missão combatendo a
propagação do mal. Isso é ser radical. Porém, temos a luz de Deus e com isso
devemos impedir que o mal surja. A luz desmascara as trevas. A luz também
revela o meu caminho e por ela posso andar confiante que Deus está me guiando.
O Salmo 119:105, diz; “Lâmpada para os
meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos”. Neste texto notamos
que a palavra de Deus ilumina o meu próximo passo, pois se não houver luz,
posso tropeçar nas trevas. A palavra de Deus clareia o meu próximo passo e guia-me
ao caminho correto. Possivelmente hoje usamos lanternas para andar no escuro. A
lanterna nos ajuda a saber onde pisamos e também raia nossa direção. Naquele
tempo eles usavam uma candeia e enquanto ela queimava, eles tinham claridade no
caminho. Assim é a lei de Deus, ela nos guia pelas trevas: “Porque o mandamento é lâmpada, e a
instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida” (Pv
6.23). Bickle comenta:
Parte
de nossa identidade espiritual é ser sal e luz. Cada crente tem a
responsabilidade de usar seus recursos para parar o apodrecimento e trazer luz
para a sociedade nessa geração. Nossa confissão deve ser para viver como sal e
luz. Nós confessamos “Eu vou buscar mais intimidade na minha caminhada com
Jesus; eu vou tomar posição com a verdade, trabalhar duro, dar mais, resistir
ao pecado e servir outros como sal e luz”. Eu farei isso, mesmo na minha
fraqueza, pequenez e cansaço, porque eu sou sal e luz (BICKLE. 2010).
Não se
esconda
“Não se pode esconder a
cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la
debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na
casa” (Mt 5.14)
Quando Jesus diz
não, é não. Quando Jesus diz que você não conseguirá tal ato, pode ter certeza,
você não terá êxito. O texto indica que não se consegue esconder a luz de Deus
que nos salvou. Não há como acobertar a obra salvífica de Cristo em nós. Não há
como fugirmos. Não há como nos escondermos. Recordem o caso de Pedro. Ele
tentou se passar como mais um que queria matar Jesus. Pedro tentou se esconder
na multidão, mas não há como a luz se esconder nas trevas. Vamos notar nos
evangelho o relato do ocorrido com Pedro
Relato pelo livro de Mateus:
Ora,
estava Pedro assentado fora no pátio; e, aproximando-se uma criada, lhe disse:
Também tu estavas com Jesus, o galileu. Ele, porém, o negou diante de todos,
dizendo: Não sei o que dizes. E, saindo para o alpendre, foi ele visto por
outra criada, a qual disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o
Nazareno. E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. Logo
depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente,
és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia. Então, começou
ele a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem! E imediatamente cantou o
galo. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que o
galo cante, tu me negarás três vezes. E, saindo dali, chorou amargamente (Mt
26.69-75).
Relato pelo livro de Marcos:
Estando
Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote e, vendo a
Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o
Nazareno. Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes.
E saiu para o alpendre. [E o galo cantou.] E a criada, vendo-o, tornou a dizer
aos circunstantes: Este é um deles. Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois,
os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque
também tu és galileu. Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não
conheço esse homem de quem falais! E logo cantou o galo pela segunda vez.
Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes
cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar (Mc 14.66-72).
Relato pelo livro de Lucas:
Então,
prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia
de longe. E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram,
Pedro tomou lugar entre eles. Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto
do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. Mas Pedro negava,
dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também
tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. E, tendo passado
cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente,
estava com ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não
compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo.
Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da
palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de
cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente (Lc 22.54-62).
Relato pelo livro de João:
Lá
estava Simão Pedro, aquentando-se. Perguntaram-lhe, pois: És tu, porventura, um
dos discípulos dele? Ele negou e disse: Não sou. Um dos servos do sumo
sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, perguntou: Não
te vi eu no jardim com ele? De novo, Pedro o negou, e, no mesmo instante,
cantou o galo (Jo 18.25-27).
Em cada relato você terá alguns pontos
diferentes e de extrema importância. Em Mateus temos que o falar de Pedro o
denunciava. Ou seja, Pedro já não tinha o mesmo modo de se comportar como
antigamente. Agora, ele parecia com o seu Mestre. Em Marcos encontramos a
descrição que ele era um Galileu. Isso identifica Pedro com uma cultura local;
sendo assim, a forma de agir, de se vestir e de se comportar também o delatava.
Em Lucas a descrição é; “você é um dos
tais”. O termo sugere fazer parte de um grupo especifico. Já no livro de
João é mencionado a presença de Pedro no momento em que Cristo foi preso. Mas
Cristo foi preso no escuro, tanto que Judas precisou identificar o Mestre com
um beijo para que os guardas o prendessem (Mt 26.48; Mc 14.44; Lc 22.47). Neste
episódio de Pedro podemos concluir. Não havia como Pedro se esconder. A luz o
encontrara. Ele ainda não havia entendido. Depois que a luz encontra o filho de
Deus não há como se esconder mais nas trevas. Não há como voltar ao passado e
tentar fazer as mesmas coisas e achar que dará certo. As trevas não podem mais
receber aqueles que hoje estão marcados pela luz. Lloyd Jones comenta:
Se
somos crentes verdadeiros não nos podemos ocultar. Exprimindo essa ideia de
outra forma, o contraste entre nós e os incrédulos é algo que deveria ser
auto-evidente, perfeitamente óbvio. Nosso Senhor, não obstante, não abandona a
questão nesse ponto; Ele pressiona mais ainda o que queria salientar. Por assim
dizer, Ele pede-nos que imaginemos um homem ascendendo uma luz e em seguida
escondendo-a debaixo de um alqueire, de uma medida de cereais, ao invés de
colocar a luz sobre o velador...O que nosso Senhor procurava dizer é que esse
seria um modo de proceder contraditório e ridículo. Pois o propósito inteiro de
quem acende uma luz é que ela forneça iluminação. E se algum indivíduo
insensato cobrisse uma luz com qualquer coisa que impedisse de se manifestar
aquela qualidade, então isso seria, conforme todos concordariam prontamente, um
ato inteiramente ridículo...parece que Ele estava dizendo: “Tenho feito com que
você se torne algo parecido com uma luz, como uma cidade edificada sobre um
monte, a qual não pode passar despercebida (LLOYD JONES. 1999. p.161)
Um homem não precisa esforçar-se para ser um
homem. Uma mulher não precisa esforçar-se para ser uma mulher. A natureza de
ambos os faz serem quem são. O único esforço que precisam ter é aprimorar-se naquilo
que já são. Um cristão não precisa se esforçar para ser um cristão. Ele já tem
uma nova natureza e apenas precisa estimular sua nova natureza, para ser aquilo
que Deus já estabeleceu que fosse. Homens não regenerados que se esforçam para
serem crentes, são como trevas tentando parecer luz. Assim Paulo descreve os
falsos apóstolos:
Porque
os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em
apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma
em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se
transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras
(2Co 11.13-15).
Novamente Paulo fala de homens tentando
agir na luz, eles tem forma ou aparência de piedade, mas negam na realidade
aquele que os salvou e o poder que os transformou: “...tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder...” (2Tm
3.5). Deus nunca permitiu que seus filhos ficassem escondidos. Na realidade,
não há como seus filhos que hoje estão no reino da luz conseguirem esconder
essa nova natureza:
Ali,
entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do
SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido zeloso
pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua
aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu
fiquei só, e procuram tirar-me a vida. Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte
perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os
montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no
vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto;
depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do
fogo, um cicio tranqüilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu
manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe
disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo
SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança,
derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só,
e procuram tirar-me a vida. Disse-lhe o SENHOR: Vai, volta ao teu caminho para
o deserto de Damasco e, em chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. A Jeú,
filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de
Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. Quem escapar à espada de Hazael, Jeú
o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará. Também conservei em
Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o
não beijou (IRs 19.9-18).
Note nesse texto que a tendência de Elias
é se esconder. Obviamente esse seria o comportamento de qualquer homem sendo
caçado pela terrível Rainha Jezabel. Mesmo Elias tendo justificativas, a
pergunta do Senhor é; “O que você está
fazendo ai”? Deus não consola Elias. Deus não escuta Elias. Deus nem se
importa com a argumentação de Elias. Ele apenas diz: Saia e vá trabalhar. Saia
e vá brilhar. Saia e vá realizar aquilo que eu determinei. Saia e vá ser aquilo
que eu transformei você para ser. Uma luz para o mundo. Assim Deus fez com
Abrão:
Ora,
disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de
teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te
abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te
abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as
famílias da terra. Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló
foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã (Gn 12.1-4).
Observe que Deus desejava que através da
atitude de Abraão, outras famílias fossem abençoadas. A luz que está em nós
serve para iluminar mundo. A luz que nos salva deve ser direcionada para salvar
a outros. A benção que Deus nos entrega deve ser guiado para alcançar outros.
Note a primeira palavra de Deus: “Saia”.
Ou seja, ande! Siga para o mundo e brilhe! Testemunhe aquilo que farei com
você. Depois observe a atitude de Abraão: Ele segue para onde Deus o manda. A
luz obedece aquele que a acende. Deus acendeu a luz que brilha em nós, só Ele
pode apagar. Mas Ele não quer. Ele deseja direcionar a luz que há em nós para
que Seu nome seja exaltado.
Dispõe-te,
resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR nasce sobre ti. Porque
eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece
resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham
para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu (Is 60.1-3).
O mesmo brilho, o mesmo iluminar, o mesmo
foco que havia em Cristo, hoje está em nós. Devemos brilhar para que Cristo
brilhe através de nós. Segundo Wesley,
os cristãos são a luz do mundo, pois a santidade dos cristãos os torna tão
visíveis quanto o Sol no céu:
Assim
como não podemos sair do mundo, também não podemos ficar nele sem sermos
visíveis para toda a humanidade. Não podemos fugir dos homens. Enquanto
estivermos entre eles, é impossível escondermos a modéstia e a humildade. Não
podemos esconder o caráter cristão. Não podemos esconder a disposição pela qual
aspiramos a ser perfeitos como Deus no céu é perfeito. O amor não pode ser
escondido assim como a luz não pode ser ocultada. Acima de tudo, não pode ser
escondida quando brilha em ação. Quando nos exercitamos numa obra de amor,
qualquer que seja, somos observados (WESLEY. 2013. p.117,118)
Wesley menciona que não há como os
cristãos esconderem a luz de Deus que os iluminou para um novo estilo de vida,
ou seja, uma cultura santa. Estamos sendo observados quando exercitamos o amor.
Conforme a frase: “O cristão é a Bíblia
que o ímpio lê”.
Revele o
brilho que Deus te deu
“...Assim brilhe também a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está
nos céus” (Mt 5.16).
Imagine que um
homem desembarcasse em uma região de grande seca. Antes de aterrissar, os
moradores receberam um recado (um telegrama
vindo de Jesus) que este homem chegaria e com ele há muita água para
distribuir. O homem chega ao aeroporto e há milhares de pessoas com baldes
esperando. Mas o homem entra em desespero, porque olha para si e para as sua
bagagens e não vê nenhuma água para distribuir, pois trouxe apenas roupas.
Então se aproxima de alguém e pergunta:
- Por que essas pessoas estão aqui
esperando água de mim?
A resposta é gratificante:
- Ontem recebemos um telegrama de Deus e
nele falava que você traria a água que precisamos para sobreviver e viver.
O homem não entende e contesta a Deus em
seu íntimo.
- Senhor! Por que queres me envergonhar
assim? Por que me colocou numa situação tão constrangedora como essa? Tenho
sido zeloso ao Senhor, nunca vivi errado e sempre estive em sua presença. Por
que Senhor? Tu sabes que não tenho nenhuma água para dar a este povo! Tu sabes!
Então; uma resposta leve e franca vem ao
seu coração de forma suave e honesta:
- Exatamente! Você não tem nada para dar.
Você não tem água. Mas eu tenho. Abra a minha despensa.
Assim são os despenseiros! Eles não possuem aquilo que está na despensa do
Senhor. Eles apenas recebem a chave para abri-la e assim, distribuir aquilo que
o Senhor deseja:
Assim,
pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e
despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros
é que cada um deles seja encontrado fiel (ICo 4.1,2).
Servi
uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus (IPd 4.10).
A palavra despenseiros no grego é οικονομος, oikonomos; que significa um
administrador do lar, um gerente, um superintendente. O chefe da casa ou o
proprietário confiava a administração dos seus afazeres, o cuidado das receitas
e as despesas, também havia o dever de repartir a porção própria para cada
servo e até mesmo para as crianças pequenas. Há em nós a missão de passarmos
para as pessoas escolhidas aquilo que Deus determinou. Por isso Paulo fala que
somos despenseiros dos mistérios de Deus e que sejamos encontrados por Deus
como fiéis a isso. Naquele dia apresentaremos diante d`Ele nossa fidelidade no
cargo de despenseiros. O que fizemos com a despensa que Ele nos confiou para
administramos? Essa pergunta todos teremos de responder.
Quando a Bíblia
diz que “somos a luz do mundo”, isso
significa que temos a luz que ilumina o mundo. A luz não é nossa, mas Ele quis
que através de nós o mundo fosse iluminado. Dwight explica:
O
mundo em que vivemos é cego. Se todos os homens fossem cegos, os cegos não
desejariam nada além de sua cegueira. Mas porque vemos, criamos no cego o
desejo de ter aquilo que temos e ele não; então nos tornamos em luz do cego e
guiamo-lo àquele que é a Luz do mundo (DWIGHT. 1984. p.69)
Ele quis que através de um empresário
cristão, seus negócios iluminassem o ambiente que trabalha. Ele quis que
através de um trabalhador, sua função iluminasse o ramo que desenvolve. Ele
quis que através de um músico, sua harmonia iluminasse aqueles que ouvem. Ele
quis através de um médico, que suas habilidades iluminassem aqueles que são
atendidos. Assim Ele quis e assim Ele determinou. Que seus filhos iluminassem o
mundo. Agostinho comenta e vai mais fundo no texto:
O
Senhor não se contentou, pois, com dizer: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz
diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras”, mas acrescentou:
“para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos
céus”. Isto é, mesmo sendo agradável aos homens pelas boas obras, o cristão se
propõe outro fim: a glória de Deus. O motivo de agradar aos homens seja para
que eles glorifiquem a Deus (AGOSTINHO. 2017. p.42,43)
Os homens são servidos com nossas boas
obras. Assim veem. Mas não a recebem para que apenas nos vejam e o fim fique
nisso. De maneira alguma. Eles devem ser servidos para que através delas
glorifiquem a Deus. Esta é a forma que Agostinho explica. Terminamos com a
explanação do Lloyd Jones:
Assim,
pois, nosso Senhor exortou-nos a demonstrar o que Ele tem feito e está fazendo
de nós. Precisamos funcionar como homens e mulheres que receberam da parte dEle
a vida divina. Jesus lançou no ridículo a atitude oposta. Ele pôs diante dos
nossos olhos esse admirável quadro da possibilidade de nos tornarmos
semelhantes a Ele, ainda neste mundo. Quando homens e mulheres contemplavam a
Jesus Cristo, eram levados a pensar em Deus. Você já observou com que
frequência, após os milagres de Cristo, lemos que o povo dava “glória a Deus”?
Diziam: “Jamais vimos coisa assim” (Mc 2.12), e glorificavam o Pai. Pois bem,
você e eu devemos viver dessa maneira. Em outras palavras, cumpre-nos viver de
tal modo que, quando homens e mulheres olharem para nós, constituamos para eles
um problema. E então perguntarão entre si: “Que é isso? Por que esses crentes
são tão diferentes de nós, diferentes em sua conduta e comportamento, diferentes
em suas reações? Existe nestes crentes alguma coisa que não podemos
compreender, que não somos capazes de explicar”. Nós nos teremos feito
refletores de Cristo, cópias de Cristo. Da mesma forma que Ele é “a Luz do
mundo” – nos tornemos também a luz do mundo (LLOYD JONES. 1999 p.167)
Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.
@ze.ronaldo.templodefogo @osprofetas_ @lagrimasportuacausa @templodefogo @portuacasa
BIBLIOGRAFIA
CARSON. D.A. O Comentário de Mateus.
Shedd. São Paulo: 2010.
STOTT. John. O Sermão do Monte. ABU. São
Paulo: 2008.
BICKLE. Mike. As Bem-Aventuranças. 2010.
LLOYD JONES, Martin. Sermão do Monte. Fiel:
São Paulo, 1999
WESLEY. John. O Sermão do Monte. Vida. São
Paulo: 2013.
AGOSTINHO. O sermão da Montanha. Paulus.
São Paulo: 2017
DWIGHT. Pentecost. O Sermão do Monte. Vida
Cristã. MG: 1984
Artigo, a Luz e as Trevas: https://lagrimasportuacausa.blogspot.com/2019/06/a-luz-e-as-trevas.html
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