Os Profetas do AT



1. A ocupação dos profetas

Através deste texto, tentarei humildemente definir os homens profetas do Antigo Testamento. Farei uma abordagem nas conclusões dos teólogos e nas suas explicações e ao mesmo tempo, encontrarei nas passagens bíblicas as instruções históricas e o posicionamento profético. Notaremos que o levante profético sempre seguiu um plano Divino para a nação de Israel e a vinda do Messias. Os profetas não falavam aleatoriamente, eles tinham uma correta direção no que profetizar e informações precisas que os colocavam numa posição social diferencial. Suas palavras não foram lançadas ao vento, mas eram focadas naqueles que possuíam autoridade para mover as nações. Por isso, os profetas estavam próximos dos reis e sacerdotes, figuras importantes e influentes na nação. Defini-los conclusivamente pode ser uma tarefa impossível. Entende-los pode também ser um árduo trabalho. Entretanto, num ponto podemos dar as mãos. Os profetas são a expressão de YHWH[1]. São seus pensamentos, amor, desejo pelo povo, ira e correção; transmitidos pela pronuncia dos seus servos. Por suas ações e pelo seus comportamentos. A sentença profética carrega a definição de YHWH. O Senhor permanece convicto no que estabelece como plano para a Sua glória. O desvirtuar humano não coopera para o perfeito plano que Deus precisa manter. Os profetas são agentes conservadores das exigências da aliança entre YHWH e seu povo. Daniel Juster comenta:

O profeta bíblico era, antes de tudo, um servo da aliança cujo objetivo principal era anunciar a palavra de Deus. Anunciar é mais fundamental do que predizer (JUSTER. 2018. p. 34).  

Os profetas são servos fieis as condições da aliança. O objetivo destes, é muito mais forte anunciando a importância da fidelidade com a aliança, do que predições do futuro. A mensagem dos profetas ecoava da Torá. Note como a historia dos reis de Israel é contada. Desde o primeiro rei, Saul (ISm 10), até o último rei no reino do Sul, Zedequias (2Rs 24). Em todas as descrições dos reis de Israel, o ponto importante era se este foi fiel a YHWH, segundo as exigências da aliança ou se foi infiel, entregando seu coração as proibições. Todos foram avaliados desta forma, fieis ou infiéis (IRs 15.3,14,34). Obedientes ou rebeldes. Aptos para voltarem do seu erro em arrependimento ou inclinados a descerem cada vez mais na ignorância dos seus pecados. Foram advertidos constantemente, receberam inúmeras chances (Os 14.1-8). Mas muitos estavam obstinados em manter-se no erro, afrontando a santidade de YHWH. Provocaram a ira do Senhor, negligenciando a própria historia da salvação feita pela mão de YHWH contra o Egito. Assim, todos os servos da aliança, os profetas conhecidos ou desconhecidos – foram vozes incansáveis. Dia e noite. Anunciando todas as exigências da aliança. Denunciando todas as infidelidades. Descrevendo cada erro cometido de forma convicta. Alertando as consequências de continuarem insistindo no caminho da rebeldia. Apregoando as chances de voltarem para renovar a aliança que foi descartada. Informando o paciente coração de YHWH que sempre esteve aberto para perdoar, ensinar e educar o seu povo. Porém, incansavelmente, eles persistiram serem injuriadores da santa aliança de YHWH.               
         
O SENHOR advertiu a Israel e a Judá por intermédio de todos os profetas e de todos os videntes, dizendo: Voltai-vos dos vossos maus caminhos e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, segundo toda a Lei que prescrevi a vossos pais e que vos enviei por intermédio dos meus servos, os profetas. Porém não deram ouvidos; antes, se tornaram obstinados, de dura cerviz como seus pais, que não creram no SENHOR, seu Deus. Rejeitaram os estatutos e a aliança que fizera com seus pais, como também as suas advertências com que protestara contra eles; seguiram os ídolos, e se tornaram vãos, e seguiram as nações que estavam em derredor deles, das quais o SENHOR lhes havia ordenado que não as imitassem. Desprezaram todos os mandamentos do SENHOR, seu Deus, e fizeram para si imagens de fundição, dois bezerros; fizeram um poste-ídolo, e adoraram todo o exército do céu, e serviram a Baal. Também queimaram a seus filhos e a suas filhas como sacrifício, deram-se à prática de adivinhações e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocarem à ira. Pelo que o SENHOR muito se indignou contra Israel e o afastou da sua presença; e nada mais ficou, senão a tribo de Judá. Também Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos costumes que Israel introduziu. Pelo que o SENHOR rejeitou a toda a descendência de Israel, e os afligiu, e os entregou nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença. Pois, quando ele rasgou a Israel da casa de Davi, e eles fizeram rei a Jeroboão, filho de Nebate, Jeroboão apartou a Israel de seguir o SENHOR e o fez cometer grande pecado. Assim, andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha cometido; nunca se apartaram deles, até que o SENHOR afastou a Israel da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas; assim, foi Israel transportado da sua terra para a Assíria, onde permanece até ao dia de hoje (2Rs 17.11-24).  

Este texto é a descrição da queda do reino do Norte em 722[2]. Note que nele há uma correta descrição de todo investimento de YHWH para que o povo volte e seja fiel. Mas nele temos sua total rejeição as motivações dos profetas. Não respeitaram a aliança que seus pais fizeram. Então, houve uma grande indignação por parte do Senhor; “Os versículos 13-17 recapitulam o procedimento do Senhor com Israel. O escritor mostra como Deus, em Sua fidelidade, suplementou as proibições da Lei com advertências diretas dos profetas, exortando o povo de Israel a se afastar de sua idolatria” (PFEIFFER. p.48).       
Como barreira persistente de suas ações deploráveis, estão os profetas anunciando e relembrando incansavelmente a obrigação de um povo que tem união a YHWH. A autoridade destes profetas é explicada por Brueggemann como “indivíduos específicos e sem credenciais que fizeram pronunciamentos fora do ordinário, neles havia uma conexão peculiarmente intima com Javé, o que os tornava em canais efetivos de comunicação entre Javé e Israel” (2014. p.806). Neste ponto citamos aquilo que o profeta Amós diz: “Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). A palavra segredo no hebraico é סוֹד – cowd, a mesma usada para Jeremias descrevendo um ambiente onde os profetas são convocados para saber sobre os planos de YHWH: “Porque quem esteve no conselho (סוֹד – cowd) do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra? Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu?” (Jr 23.18). Só os verdadeiros profetas podem estar na sala real de YHWH. Estes homens escolhidos por Deus, estão aptos para ouvir os segredos do Rei. Smith comenta:

Amós está revelando o plano de ação de Deus que foi decidido no conselho divino. Esses planos não foram mantidos em segredo, mas pela graça são comunicados ao povo com um propósito (SMITH. 2008. 165).  

O plano de Deus é decidido em um conselho (Ef 1.11). Os verdadeiros profetas participam e por meio deste canal frutífero, podem argumentar a reta história que vem detalhada segundo as perfeitas obras de YHWH. Os autênticos profetas não erram naquilo que pronunciam, pois anunciam as determinações de YHWH do conselho celestial. Por isso Wilson comenta que os profetas são figuras cruciais na história de Israel:

Foram as primeiras pessoas em quem a divina centelha de verdadeiro conhecimento se tornou consciente por força do espírito de Deus. Por esta razão, eles serviram de modelo das altitudes espirituais, que todas as pessoas poderiam um dia alcançar (WILSON. 2006. p.19).

Desta forma, podemos vê-los como indivíduos escolhidos, funcionando ativamente como reformadores de todos os aspectos da sociedade humana. Ele são agentes primários, primeiramente fieis as normas pré-estabelecidas da aliança. São ágeis no cumprimento imediato, rompendo qualquer que  sejam as culturas contrarias. Sem mantem no plano original de sentinelas zelosos, observando o curso social, direcionando-o para que sempre o povo mantenha-se fiel a vontade de YHWH.
  
2. Agentes culturais proféticos


Os profetas podem ser descritos como agentes de mudança social[3]. Eles não são o principio de uma cultura santa estabelecida, através de um zelo familiar e aprovado por YHWH. São adeptos requisitados pela graça divina, alcançados pelo favor imerecido, escolhidos desde o ventre (Jr1.5) para entenderem o coração do Santo de Israel e amarem a Sua santidade. Precisamos compreender que ao salvar o povo, YHWH não os deixou independentes para organizarem uma nação cujo meios sociais, fossem livres para optarem serem fieis ou não. O regime Soberano de Deus que envolvia questões desde a adoração até as refeições, fora elaborado para que fosse uma nação cujos meios de vivencia fossem lembrando em detalhes a glória de YHWH. A Lei é perfeita e santa como YHWH é Perfeito e Santo. A Lei apenas reflete o Autor. A Lei dirige o povo a viver de uma maneira que suas ações do dia a dia refletem a glória magnifica do Soberano que os libertou do Egito.

Porém vós que permanecestes fiéis ao SENHOR, vosso Deus, todos, hoje, estais vivos. Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos. Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos (Dt 4.4-10).

Note toda orientação de YHWH ao povo. Serem fiéis ao Senhor de todo o coração. Essa fidelidade os faria sábios diante de outras nações. Não deveriam se esquecer de ensinar os filhos. O Senhor os lembra do dia no monte Horebe (Ex 19.1-25) e quando Suas palavras foram ensinadas. Deveria haver temor por isso. Um temor sobre os pais sendo passados aos filhos. Daniel Block explica que o livro de Deuteronômio especificamente não é apenas um livros de leis. Ele é pregação profética na sua melhor forma. A palavra תּוֹרָה – Torá, não deve ser compreendida principalmente como lei, mas como instrução. Isso significa ser um Livro de instrução. Essa expressão é a maneira aplicada a aspectos específicos da vontade de YHWH revelada a Israel anteriormente (BLOCK. 2017. p.32).

Então, disse o SENHOR a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá; dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares (Ex 24.12).  

YHWH escreveu as leis. YHWH falou o decálogo[4] a todo o povo; “Então, falou Deus todas estas palavras...(Ex 20.1). Toda a instrução é detalhista. Ela abrange todos os aspectos da vida social de Israel. O decálogo fala de adoração e fidelidade a um único Deus – YHWH (Ex 20.1-7). A instrução fala também para guardar um dia exclusivamente para YHWH. Seria um descanso que incluía toda a família, os animais e até os trabalhadores (Ex 20.8-11). A instrução orientava honrar os pais, exigindo respeito familiar (Ex 20.12). Por fim, orientava o respeito ao próximo como não assassinar, não roubar, não falar mentiras dos outros e respeitar os servos e suas propriedades (Ex 20.13-17). A lei continua abrangente em inúmeros aspectos sociais. Haveria um lugar fixo de adoração para que houvesse um modelo e unidade no espirito das pessoas (Ex 20.22-26). Ela também orientava sobre os escravos, dando a eles segurança sobre o tempo de trabalho, liberdade, opção de eventualmente desejar permanecer e proteção (Ex 21.1-11).

Na verdade, sempre que este documento é identificado pelo título, ele sempre é aludido como “as Dez Palavras” (Ex 34.28; Dt 4.13), nunca “os Dez Mandamentos”. A essa altura, faremos bem em seguir a Septuaginta, referindo-nos a esse documento como o Decálogo (literalmente, Dez Palavras), ou, uma vez que a palavra hebraica דָּבַר é suscetível a uma grande faixa de significados, “os Dez Princípios” do relacionamento pactual. Que este documento é compreendido como o registro escrito fundamental da aliança de YHWH com Israel é demonstrado não apenas no fato de que duas cópias (uma para cada parte) somente deste documento foram guardadas na “arca da aliança de YHWH” (Dt 10.1-5), mas também pela referencia explicita de Moisés a este documento como “sua aliança” (Dt 4.13) (BLOCK. 2017. p.33).       

Devemos ler o pentateuco e ver os detalhes da תּוֹרָה – Torá. YHWH demonstrou seu amor, seu cuidado, seu zelo, seu carinho paterno aos seus filhos expressados na Sua Lei (orientação). Podemos dizer que era uma carta zelosa, escrita com cuidado paterno para seus filhos libertos da tirania de Faraó, mas agora resgatados pelo Autor da vida.              

E tomou o Livro da Aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras. E subiram Moisés, e Arão, e Nadabe, e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel. E viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia uma como pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade. Ele não estendeu a mão sobre os escolhidos dos filhos de Israel; porém eles viram a Deus, e comeram, e beberam (Ex 24.7-11). 

O Livro da Aliança é entregue e após isso Moisés o sela com sangue. Era o sangue da aliança que o SENHOR fez com o povo a respeito de todas as palavras mencionadas. Após isso eles sobem ao monte e veem o Senhor sob cujos pés havia uma como pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade. Eles viram o Senhor e depois comeram e beberam na Sua presença. Eles viram algo. Não sabemos ao certo se aquilo que eles viram foi a exata forma e essência de Deus. Mas a descrição do texto mostra que algo foi presenciado. As Escrituras relatam vários atributos de Deus. Entretanto, Sua santidade é algo que se nota de forma evidente. No livro de Levíticos essa expressão é usada constantemente:  

YHWH é Santo:

Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo... Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus... Ele vos será santo, pois eu, o SENHOR que vos santifico, sou santo (Lv 19.2; 20.26; 21.8).

é YHWH que santifica Israel:

Eu sou o SENHOR, que vos santifico... Portanto, o consagrarás, porque oferece o pão do teu Deus. Ele vos será santo, pois eu, o SENHOR que vos santifico, sou santo... E não profanará a sua descendência entre o seu povo, porque eu sou o SENHOR, que o santifico...Porém até ao véu não entrará, nem se chegará ao altar, porque tem defeito, para que não profane os meus santuários, porque eu sou o SENHOR, que os santifico... Guardarão, pois, a obrigação que têm para comigo, para que, por isso, não levem sobre si pecado e morram, havendo-o profanado. Eu sou o SENHOR, que os santifico... pois assim os fariam levar sobre si a culpa da iniqüidade, comendo as coisas sagradas; porque eu sou o SENHOR, que os santifico... Não profanareis o meu santo nome, mas serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o SENHOR, que vos santifico (Lv 20.8; 21.8,15,23; 22.9,16,32).

Israel é desafiado a se santificar e ser um povo santo:

Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo... Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus... Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus... Santos serão a seu Deus (Lv 19.2; 20.7,26; 21.6).

Alimentos, convocações, tempo e lugar são santos a YHWH:

Porém, no quarto ano, todo o seu fruto será santo, será oferta de louvores ao SENHOR... Comerá o pão do seu Deus, tanto do santíssimo como do santo... E serão de Arão e de seus filhos, os quais os comerão no lugar santo, porque são coisa santíssima para eles, das ofertas queimadas ao SENHOR, como estatuto perpétuo... Ninguém da descendência de Arão que for leproso ou tiver fluxo comerá das coisas sagradas, até que seja limpo; como também o que tocar alguma coisa imunda por causa de um morto ou aquele com quem se der a emissão do sêmen; ou qualquer que tocar algum réptil, com o que se faz imundo, ou a algum homem, com o que se faz imundo, seja qual for a sua imundícia. O homem que o tocar será imundo até à tarde e não comerá das coisas sagradas sem primeiro banhar o seu corpo em água... Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas. Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas. São estas as festas fixas do SENHOR, as santas convocações, que proclamareis no seu tempo determinado... Porque é jubileu, santo será para vós outros; o produto do campo comereis. Neste Ano do Jubileu, tornareis cada um à sua possessão (Lv 19.24; 21.22; 24.9; 22.4-6; 23.2-4; 24.9; 25.12).    

Todos estes versículos reforçam o que estamos trabalhando. YHWH é Santo. Ele santifica o povo e toda a cultura que inclui alimentos, lugares e convocações. Da mesma forma que YHWH é Santo, Ele deseja que todo o povo seja santo e mantenha o ambiente social santo. Pois tudo em Israel deveria refletir a santidade de YHWH. Os profetas são cativados por essa santidade. São zelosos e estão em alerta, caso o povo não viva desta maneira. Bruce Waltke comenta que os profetas são assim por terem experimentado uma realidade Divina. Uma experiência assustadora com esse poder, o que os leva ao abandono radical de tudo o que até então consideravam bom para eles (2015. p.904). Waltke cita Eichrodt:

Não há um deles que não tenha recebido essa nova natureza acerca de Deus, de tal maneira que todo o seu modo de vida anterior – os pensamentos e planos com que até agora vinha ajustando seu relacionamento com o mundo – foi esmigalhado e substituído por um poderoso imperativo divino que o forçou a lançar-se a algo que até então não havia nem mesmo considerado como possibilidade [...]. Suas predições ameaçadoras sobre o fim da nação e do povo [...] originam-se todas na mesma convicção dominante de que o irrompimento de um poder hostil está ameaçando as bases da ordem presente[5].      

Desta forma lembramos da citação do próprio Davi que diz: “Tornei-me estranho a meus irmãos e desconhecido aos filhos de minha mãe. Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias dos que te ultrajam caem sobre mim” (Sl 69.8,9). Este mesmo zelo santo que fazia dos profetas agentes dispostos a lutar diariamente contra aqueles que esnobavam a fé em YHWH. É citado também em outro Salmo: “O meu zelo me consome, porque os meus adversários se esquecem da tua palavra” (119.139).   
  
3. Zelosos pelo ciúmes de YHWH


Ao relembrarmos o primeiro mandamento, notamos a exigência de exclusividade somente a YHWH (יְהוָֹה).  

Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso (qanna - קַנָּא), que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Ex 20.1-6).

Observamos também que Deus não esconde ser ciumento. A palavra zeloso é “qanna” (קַנָּא), indicando um sentido de emoção muito intensa onde o sujeito deseja alguma qualidade ou a posse do objeto. Note como Davi usa o verbo para mostrar um sentimento consumidor em seu coração: “Pois o zelo da tua casa me consumiu...” (Sl 69.9). O ciúmes de YHWH (יְהוָֹה) requer que os homens sejam fiéis a aliança feita no Sinai (Ciynay, סִינַי[6]). Os dez mandamentos são chamados nas Escrituras de; “As Dez Palavras, e eles estão no cerne do código da Aliança. Na sua raiz, Dez Palavras podem ser vistos como fazer Adonai o ponto fundamental de referência, o absoluto” (OLIVEIRA. 2012 p.70). Oliveira prossegue: “Sempre verifique que Adonay D`US é seu absoluto final, o eixo em torno do qual tudo gira, a raiz de todos os seus valores e decisões”. O propósito da Lei é que o Senhor desejava que seu povo tivesse uma relação mais íntima com ele. O real motivo de cumprir a Lei deveria ser motivado pelo o amor e a gratidão a Deus, por havê-los redimido e feito filhos seus (HOFF. 2007. p.130).            
A traição por outros deuses despertaria a ira, pois Deus é descrito como marido de Israel. Encontramos um episódio no Pentateuco[7] ocorrido com o sacerdote Finéias. Israel estava se prostituindo com as filhas dos moabitas. Eles estavam participando dos sacrifícios à outros deuses, comendo dos rituais e se curvando a eles. A ira de um Deus ciumento se acende contra Israel. A ordem é enforcar os líderes para que a ira se retire do arraial. Então Moisés ordena: “...Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor” (Nm 25.5). Porém, enquanto Moisés e toda a congregação chorava diante do Senhor sobre a infidelidade do povo, um príncipe (Nm 25.14) desafia a todos trazendo uma midianita para praticar imoralidade junto com seus irmãos diante de YHWH (יְהוָֹה). Neste momento, um homem chamado Finéias pega uma lança e mata os dois no leito da perversão. Note atentamente o que o texto diz:

Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois estava animado (“qanna”, קַנָּא) com o meu zelo (“qanna”, קַנָּא) entre eles; de sorte que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel (Nm 25.11).  

A Escritura diz que Finéias estava enciumado igual ao ciúmes de Deus em relação a infidelidade do povo. Este homem desempenhou o papel do cônjuge fiel ao matar o casal que profanava a aliança. Bois comenta que de modo ágil, avaliando o grau de seriedade da situação, o sacerdote o resolveu: “por causa da sua agilidade, zelo (ciúmes), perspicácia espiritual e pronta intervenção a favor de Israel, Deus recompensou Finéias com o concerto do sacerdócio perpétuo” (BOIS. 2005, p.381). O sacerdócio de Finéias é entregue porque ele teve ciúmes igual a Deus:“...porquanto teve ciúmes (“qanna”, קַנָּא), pelo seu Deus e fez expiação pelos filhos de Israel” (Nm 25.13). Observe o que Lou Engle diz sobre nosso Deus Zeloso e como devemos queimar de paixão por Ele:    

Ó, Eu amo o Deus cujo nome é Zeloso! Os seus olhos são uma chama ardente, queimando tudo o que tenta competir com as afeições do meu coração. Aí, no santuário do meu coração, Ele não tolera nenhum rival. É nesse lugar que o santo amor de Deus se encontra com a minha santa resposta de nazireu. Aí, um santo ardor ocorre, e o supremo prazer da intimidade com Deus é vivenciado no altar do meu coração – uma experiência que é muito mais gratificante do que os prazeres seculares e efêmeros da concupiscência sexual e dos entretenimentos. Eu fui criado para queimar (ENGLE. p.20)

Da mesma forma um homem chamado João Batista, queimava por Ele através de sua mensagem: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Este homem estava ardendo em fidelidade diante de uma geração infiel: “Ele era a lâmpada que ardia e alumiava...” (Jo 5.35). A palavra arder no grego é “kaio” (καίω) que significa “queimar, consumir com fogo”; e a palavra “alumiava” é “phaino” (φαίνω), que significa “brilhar, tornar visível”. João queimou incessantemente para que a mensagem sobre a vinda do Messias fosse iluminada. Todos os cristãos devem almejar uma vida totalmente entregue ao Senhor Jesus. Não deveríamos amar incondicionalmente um sucesso profissional, ou uma felicidade familiar, ou até uma gratificação honrosa de reconhecimento por algum trabalho. Nada pode tomar nosso tempo e dedicação que devem ser exclusivamente ao nosso Deus. Deseje ser o mais apaixonado nesta geração. Observe Edwards:

Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo (EDWARDS. 14 De Janeiro e 3 de Julho de 1723. Resolução 63).  

Podemos definir que devemos alcançar o nível de amar somente à Deus. Podemos também entender que não há como amar somente à Deus se ainda estivermos flertando com outros deuses. Assim Josué relembra o povo:

Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados. Se deixardes o SENHOR e servirdes a deuses estranhos, então, se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem. Então, disse o povo a Josué: Não; antes, serviremos ao SENHOR (Js 24.19-21).    

Para Coppes, Deus espera que o homem retribua o Seu amor. Pois, amar a Deus é obedecer-lhe. O zelo apaixonado e ardente por Deus, resulta em fazer a sua vontade e defender a sua honra em face dos atos ímpios (COPPES. 2012. p.1350). Note como Davi expõe este sentido: “O meu zelo me consome, porque os meus adversários se esquecem da tua palavra” (Sl 119.139). YHWH (יְהוָֹה) tem zelo pelo seu nome: “...terei zelo pelo meu santo nome” (Ez 39.25), por isso, vindica respeito para que assim observem sua Lei no coração: “ninguém que, ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu íntimo, dizendo: Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice. O SENHOR não lhe quererá perdoar; antes, fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo sobre tal homem...” (Dt 29.19,20).

Deus é descrito como “marido” de Israel. Ele é um Deus zeloso (Ex 20.5). Josué reafirmou de que Deus é um Deus zeloso (ciumento) que não toleraria a idolatria e o povo se colocou debaixo do governo de Deus (Js 24.19) (OLIVEIRA. 2017. p.11).

YHWH disse que exterminaria a casa de Acabe (IRs 21.19), e para isso, um homem chamado Jeú[8] foi levantado. Na cidade de Jezreel, setenta filhos de Acabe são mortos e suas cabeças colocadas em cestos na entrada da cidade (IIRs 10.1-17). Ao continuar sua perseguição contra os filhos de Acabe, Jeú encontra-se com Jonadabe[9], convida-o e diz o porquê está fazendo isso: “...Vem comigo e verás o meu zelo (qin'ah, קִנְאָה) para com o SENHOR...” (IIRs 10.16).   
Carson comenta que o Zelo de Deus visava ao bem do povo. Pois, se Deus dissesse: “Vocês podem fazer o que quiserem”, eles simplesmente cairiam em incessante autojustificação, amor próprio e egoísmo. Consequentemente, ofereceriam seus filhos ao deus Moloque. Ele continua: “A insistência na centralidade em Deus visava o bem dos israelitas. Era um ato de amor e de grande generosidade” (CARSON. 2013. p.85). Para finalizarmos este ponto, vamos atentar para um relato de Edwards onde expõe como este grande Deus é extremamente melhor do que qualquer criação sua.             

O gozo de Deus é a única felicidade com a qual nossa alma pode satisfazer-se. Ir ao céu, desfrutar plenamente de Deus, é infinitamente melhor do que as mais agradáveis comodidades deste mundo. Pais e mães, maridos, mulheres, filhos ou a companhia de amigos terrenos são apenas sombras; mas, Deus é a substância. Eles são apenas raios de luz, Deus é o sol. Eles são as correntes de água, Deus é a fonte. Eles são gotas, Deus é oceano[10].

Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós? (Tg 4.5).
  
4. A explosão profética

“Por meio dos profetas, o Deus invisível torna-se audível”
(WALTKE. 2015, p.899).



O Egito era a nação mais poderosa do mundo na época em que os hebreus foram escravos. Para libertar o povo, YHWH enviou Moisés e Arão a enfrentarem Faraó. Na conversa entre eles, o Senhor diz que seria com a boca de Moisés; “Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; eu serei com a tua boca e com a dele e vos ensinarei o que deveis fazer. Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus. Toma, pois, este bordão na mão, com o qual hás de fazer os sinais” (Ex 4.15-17). Em outra conversa, YHWH diz que Moisés seria como um Deus para Faraó e Arão como seu profeta: “Vê que te constituí como Deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta” (Ex 7.1). Isso nos leva a entender que um verdadeiro profeta é o meio certo que Deus fala. Em outras palavras, como diz Bruce Waltke; “um profeta é a boca humana de Deus” (2015, p.900). Mesmo outras nações tendo seus profetas e adivinhos, o nível era totalmente inigualável. Ninguém estava a altura dos profetas bíblicos. O próprio YHWH os desafia:

Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR; alegai as vossas razões, diz o Rei de Jacó. Trazei e anunciai-nos as coisas que hão de acontecer; relatai-nos as profecias anteriores, para que atentemos para elas e saibamos se se cumpriram; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses; fazei bem ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente o veremos. Eis que sois menos do que nada, e menos do que nada é o que fazeis; abominação é quem vos escolhe. Do Norte suscito a um, e ele vem, a um desde o nascimento do sol, e ele invocará o meu nome; pisará magistrados como lodo e como o oleiro pisa o barro. Quem anunciou isto desde o princípio, a fim que o possamos saber, antecipadamente, para que digamos: É isso mesmo? Mas não há quem anuncie, nem tampouco quem manifeste, nem ainda quem ouça as vossas palavras. Eu sou o que primeiro disse a Sião: Eis! Ei-los aí! E a Jerusalém dou um mensageiro de boas-novas. Quando eu olho, não há ninguém; nem mesmo entre eles há conselheiro a quem eu pergunte, e me responda. Eis que todos são nada; as suas obras são coisa nenhuma; as suas imagens de fundição, vento e vácuo (Is 41.21-29).  

Note que este texto é desafiador. YHWH está dizendo para todos os falsos profetas, tanto em Israel como em outros povos para trazerem suas profecias. Ele os instiga para mostrar o futuro. Então, YHWH os humilha dizendo que na verdade não são nada e sim homens abominadores. Precisamos entender que os profetas Bíblicos do Senhor são únicos. Jeremias predisse a queda de Jerusalém mesmo estando em tempos de paz. Foi desafiado pelo profeta Hananias. Um falso profeta que no tempo era reconhecido pelo rei e pelo povo como um profeta verdadeiro. Jeremias apanha deste homem em publico por causa da mensagem de YHWH. Mesmo assim, permanece firme (Jr 28.1-17). Após isso, o profeta profetiza a morte de Hananias e isso realmente ocorre (28.16,17). Outros relatos dos profetas podem ser observados. Vamos notar o comentário do Paul Imschoot:

A especialidade e o cumprimento notáveis dessas profecias e, quando vistas em sequência, sua magnifica e abrangente compreensão da história são de uma glória incomparável com qualquer outra literatura. Em termos claros e precisos, predizem, de um lado, a queda de Samaria diante de Nínive e de Jerusalém diante da Babilônia e, de outro, a queda de Nínive e da Babilônia e a reconstrução de Jerusalém. Com frequência, suas profecias de condenação são apresentadas no momento em que a nação se encontra no auge do seu poder, e suas profecias de salvação, quando a situação parece mais desesperadora. Por exemplo, contra todas as probabilidades, Miquéias e Isaias predisseram a derrota miraculosa do exercito de Senaqueribe às portas de Jerusalém quando seu exercito havia inundado o Oriente Próximo como um dilúvio (Mq 2.12,13; Is 37.21-38). Para além desse futuro mais imediato, os dois profetas, que eram contemporâneos, predisseram o nascimento de Cristo em Belém, sua morte expiatória, ressurreição, ascensão e glorificação (Mq 5.2; Is 7.14; 52.13-53.12) (IMSCHOOT. 1965.p.169).  

Assim podemos descrever os profetas; Homens com grande conhecimento, adquiridos de informações que fonte humana nenhuma poderia saber. Pois, os profetas, tinham apenas uma fonte de saber – YHWH. O profeta Eliseu tinha conhecimento do que o rei da Síria tramava em sua câmara de dormir:

O rei da Síria fez guerra a Israel e, em conselho com os seus oficiais, disse: Em tal e tal lugar, estará o meu acampamento. Mas o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passares por tal lugar, porque os siros estão descendo para ali. O rei de Israel enviou tropas ao lugar de que o homem de Deus lhe falara e de que o tinha avisado, e, assim, se salvou, não uma nem duas vezes. Então, tendo-se turbado com este incidente o coração do rei da Síria, chamou ele os seus servos e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel? Respondeu um dos seus servos: Ninguém, ó rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir (2Rs 6.8-12).  

Naquele tempo não havia escutas, telefone ou informações rápidas como hoje. Não havia um espião na Síria e mesmo que houvesse, a passagem da informação seria muito lenta. O profeta Eliseu tinha noticias rápidas para avisar o rei de Israel sobre as armadilhas do exercito da Síria. Champlin comenta que “os poderes de Eliseu eram tão grandes que até aquilo que Ben-Hadade falava em seu dormitório era conhecido por ele” (2001. p.1491). Charles Pfeiffer comenta: “O Senhor contava a Eliseu. E os sírios souberam por intermédio de seus próprios espias que Eliseu tinha esta excepcional capacidade de prever o futuro” (Comentário Moody). Da mesma forma podemos lembrar do profeta Natã. O Rei Davi havia adulterado com Bate-Seba e para esconder sua gravidez, tentou manipular seu fiel soldado Urias. Vendo que não haveria sucesso, escreveu uma carta ao seu general Joabe para colocá-lo em frente a batalha e deixa-lo sozinho. Urias morreu abandonado em uma batalha. Davi acreditou que isso ficaria encoberto, mas apenas dois versículos mostram como os profetas de YHWH são realmente Sua boca:

Porém isto que Davi fizera foi mau aos olhos do SENHOR... O SENHOR enviou Natã a Davi (2Sm 11.27; 12.1).  

Na verdade YHWH estava vindo até o rei Davi através dos seus profetas. Ele sempre esteve corrigindo os reis de Israel. Os profetas foram homens incansáveis divulgando, repreendendo, corrigindo, alertando, encorajando, direcionando segundo os planos do Senhor. O rei Davi reconhece seu erro e se submete a correção de YHWH. Por que agiu assim? Davi sabia que não estava sendo repreendido por um profeta que se simpatizava com Urias ou com o povo que estava indignado por aquilo que fizera. Davi sabia que não estava sendo repreendido por um homem que apenas desejava impedi-lo de causar uma certa difamação com o nome de Israel. Na verdade, Davi entendia que aquele profeta expressava o sentimento de YHWH. Ele compreendeu que havia magoado o coração do Seu Senhor que tanto amava. Note a resposta de Davi:

...Pequei contra o SENHOR... (2Sm 12.13).  

Da mesma forma, podemos lembrar do episódio em que a rainha Jezabel trama um meio de matar Nabote com testemunhas malignas, que levantam mentiras. Ao ter êxito, Acabe consegue tomar posse da vinha: “Tendo Acabe ouvido que Nabote era morto, levantou-se para descer para a vinha de Nabote, o jezreelita, para tomar posse dela” (IRs 21.16). Na mente do rei tudo estava bem. Acreditava estar fazendo o certo como rei tomando posse daquilo que desejava, sem se preocupar com o que é justo aos olhos de YHWH. Entretanto, o Senhor da justiça não ficaria em silêncio. Novamente seu profeta é enviado com informações corretas da situação e com uma palavra definitiva ao rei de Israel:

Então, veio a palavra do SENHOR a Elias, o tesbita, dizendo: Dispõe-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que habita em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde desceu para tomar posse dela. Falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Mataste e, ainda por cima, tomaste a herança? Dir-lhe-ás mais: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo. Perguntou Acabe a Elias: Já me achaste, inimigo meu? Respondeu ele: Achei-te, porquanto já te vendeste para fazeres o que é mau perante o SENHOR. Eis que trarei o mal sobre ti, arrancarei a tua posteridade e exterminarei de Acabe a todo do sexo masculino, quer escravo quer livre, em Israel. Farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías, por causa da provocação com que me irritaste e fizeste pecar a Israel. Também de Jezabel falou o SENHOR: Os cães devorarão Jezabel dentro dos muros de Jezreel. Quem morrer de Acabe na cidade, os cães o comerão, e quem morrer no campo, as aves do céu o comerão. Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o SENHOR, porque Jezabel, sua mulher, o instigava; que fez grandes abominações, seguindo os ídolos, segundo tudo o que fizeram os amorreus, os quais o SENHOR lançou de diante dos filhos de Israel (IRs 21.17-26).  

Waltke comente: “representando EU SOU e sua aliança, Elias confronta Acabe com a presença de que os cães comerão os cadáveres dos parentes de Acabe” (2015.p.809). O silêncio de YHWH só ocorre quando Sua palavra já foi ordenada e Ele apenas espera um tempo para ver se as nações reconheceram aquilo que foi estabelecido. O silêncio de YHWH é preocupante e a pior forma de Juízo:

Observe o que YHWH diz através do seu profeta Amós: 

Eis que vêm dias, diz o SENHOR Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. Andarão de mar a mar e do Norte até ao Oriente; correrão por toda parte, procurando a palavra do SENHOR, e não a acharão. Naquele dia, as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede, os que, agora, juram pelo ídolo de Samaria e dizem: Como é certo viver o teu deus, ó Dã! E: Como é certo viver o culto de Berseba! Esses mesmos cairão e não se levantarão jamais (Am 8.11-14).

Veja o que YHWH diz através do seu profeta Ezequiel: 

Vem a destruição; eles buscarão paz, mas não há nenhuma. Virá miséria sobre miséria, e se levantará rumor sobre rumor; buscarão visões de profetas; mas do sacerdote perecerá a lei, e dos anciãos, o conselho (Ez 7.25,26).  

Os profetas sabem que o silencio de YHWH é preocupante. Passaram-se inúmeros reis em Israel. Alguns cometeram pecados piores que Acabe. Em alguns casos, o Senhor os corrigiu para mostrar Sua vontade, relembrar a aliança com a Santidade e servir de exemplos a outros reis. Sempre YHWH agia desta forma usando seus profetas. Mas a história mostra que os reis e o povo, ignoraram todas as investidas do Santo de Israel. Mesmo assim, seus profetas eram agentes incessantes e incansáveis, revelando a autoridade Suprema de YHWH. Assim são eles:

A palavra do profeta é um grito na noite. Enquanto o mundo dorme despreocupado, o profeta sente o golpe vindo do céu (HESCHEL. 1969. p.906).  

O autor continua dizendo que na mente dos profetas fica implícito que EU SOU nos céus está inseparavelmente ligado à história humana na terra. Os profetas não conseguem isolar os dois mundos. A realidade de YHWH passada aos profetas os leva a ver isso em primeiro lugar, algo inegociável. A tarefa é viver compatível com sua presença. Para os profetas viver é um desafio e uma exigência incessante. YHWH é compaixão e não concessão; justiça, embora não inclemência (HESCHEL. 1969. p.905).

Os profetas não são de maneira alguma apáticos.

O tipo de crime e até mesmo o nível de delinquência que deixam atônicos os profetas de Israel não são mais graves que aquilo que consideramos ingredientes normais e típicos da dinâmica social. Para nós, um ato isolado de injustiça – desonestidade nos negócios, exploração dos pobres – é insignificante; para os profetas, é uma catástrofe. Para nós, a injustiça prejudica o bem-estar dos pobres; para os profetas, um desastre mortal na existência: para nós, um incidente; para eles, uma catástrofe, uma ameaça ao mundo [...]. O tempo todo somos testemunhas de injustiças, manifestações de hipocrisia, falsidade, ofensas, situações de penúria, porém raramente isso nos deixa indignados ou afeta de modo significativo nossas emoções (HESCHEL. 1969. p.906).

Ao lermos a citação de Heschel percebemos que os profetas são a representação Santa de YHWH na terra. Enquanto conseguimos dormir crendo que tal erro não é tão grave assim, os profetas calculam a gravidade segundo o padrão Santo daquele que está assentado no Trono. Isso os leva a sentir como o mínimo pecado é altamente perigoso. Então entendemos como os profetas explodem em ira e zelo pela aliança a YHWH.

Vós que imaginais estar longe o dia mau e fazeis chegar o trono da violência; que dormis em camas de marfim, e vos espreguiçais sobre o vosso leito, e comeis os cordeiros do rebanho e os bezerros do cevadouro; que cantais à toa ao som da lira e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos; que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de José (Am 6.3-6).  

Os profetas captam o pecado. Assim como os odores são percebidos apenas por aquele que não está acostumado a eles, os profetas, que tem experiência com a santidade de Deus, percebem o pecado. Os profetas dão importância as pequenas coisas. Nada é tão digno de consideração quanto as dificuldades do órfão, da viúva e do estrangeiro (WALTKE. 2015, p.906).

Os profetas questionam a justiça dissimulada:

Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança. Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que projeto mal contra esta família, do qual não tirareis a vossa cerviz; e não andareis altivamente, porque o tempo será mau. Naquele dia, se criará contra vós outros um provérbio, se levantará pranto lastimoso e se dirá: Estamos inteiramente desolados! A porção do meu povo, Deus a troca! Como me despoja! Reparte os nossos campos aos rebeldes! Portanto, não terás, na congregação do SENHOR, quem, pela sorte, lançando o cordel, meça possessões (Mq 2.1-5).

Os profetas questionam a conversação enganosa:

Porque os ricos da cidade estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras, e a língua deles é enganosa na sua boca (Mq 6.12)

Os profetas questionam os valores distorcidos:

Diz ainda mais o SENHOR: Visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes, andam a passos curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés, o Senhor fará tinhosa a cabeça das filhas de Sião, o SENHOR porá a descoberto as suas vergonhas. Naquele dia, tirará o Senhor o enfeite dos anéis dos tornozelos, e as toucas, e os ornamentos em forma de meia-lua; os pendentes, e os braceletes, e os véus esvoaçantes; os turbantes, as cadeiazinhas para os passos, as cintas, as caixinhas de perfumes e os amuletos; os sinetes e as jóias pendentes do nariz; os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas; os espelhos, as camisas finíssimas, os atavios de cabeça e os véus grandes. Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura. Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes, na guerra. As suas portas chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará em terra (Is 3.16-26).

Os profetas questionam a sexualidade pervertida:

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel e por quatro, não sustarei o castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. Suspiram pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome. E se deitam ao pé de qualquer altar sobre roupas empenhadas e, na casa do seu deus, bebem o vinho dos que foram multados (Am 2.6-8).

Os profetas questionam a religião falsa:

Os seus cabeças dão as sentenças por suborno, os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao SENHOR, dizendo: Não está o SENHOR no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá. Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de ruínas, e o monte do templo, numa colina coberta de mato (Mq 3.11,12).  

Assim expressam os profetas na forma do seu linguajar. De forma radiante e explosiva. São caracterizados por um espírito agitado, aflito e de não aceitação. Seu linguajar é imaginativo, concreto e direto. Trovões e relâmpagos pairam sobre suas palavras, e só às vezes as nuvens se afastam para mostrar a eternidade de amor pronta a ajudar em momentos de aflição. Em suma, a retórica dos profetas é inspirada (WALTKE. 2015, p.907). Heschel comenta:

O linguajar é radiante e explosivo, firme e contingente, duro e compassivo, uma fusão de apostos. [O profeta] faz mais que traduzir a realidade numa chave poética: é um pregador cujo propósito não é se expressar ou “purificar as emoções”, e sim comunicar. As imagens que emprega não devem brilhar: devem arder (1969 p.907).      

O profeta sabe que em seus ombros cai a responsabilidade do sangue das pessoas. O profeta sabe que em seus ombros pousa o destino das pessoas. O profeta sabe, em outras palavras, que não possui a opção de não falar:

Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, fala aos filhos de teu povo e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus limites, e o constituir por seu atalaia; e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo; se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o abater, o seu sangue será sobre a sua cabeça. Ele ouviu o som da trombeta e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida. Mas, se o atalaia vir que vem a espada e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e abater uma vida dentre eles, este foi abatido na sua iniqüidade, mas o seu sangue demandarei do atalaia. A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca e lhe darás aviso da minha parte (Ez 33.1-7).

O verdadeiro profeta é movido pela a vontade Divina. Miqueias tinha zelo pela Lei de YHWH e isso o consumia:  

Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do SENHOR, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel, o seu pecado (Mq 3.8).

Os profetas não são apenas megafones de YHWH e sim pessoas cheias do poder, santidade, amor, compaixão e zelo pelo Senhor. Miqueias entrega suas mensagens com um zelo sincero (Mq 6.1-8). Amós prega de maneira apaixonada contra a injustiça, e Oseias, com um coração amoroso. Até mesmo suas profecias de juízo, proferidas com os relâmpagos e os trovões dos céus, devem ser consideradas dádivas do EU SOU ao seu povo.

O profeta não é enviado apenas para repreender, mas também para “fortalecer” as mãos fracas e [firmar] os joelhos vacilantes (Is 35.3). Com a censura e a crítica, quase todos os profetas apresentam alguma consolação, promessa ou esperança de reconciliação. Ele começa com uma mensagem de condenação e termina com uma mensagem de esperança (HESCHEL. 1969. p.908). 

Nenhum profeta parece fascinado em ser profeta ou orgulhoso de suas realizações. O mundo odeia os que denunciam o seu pecado e a sua incredulidade. Depois que o publico de Miqueias o rejeitou (Mq 6.6-11) sua voz esteve quase solitária, entretanto, ainda ousada.

“Maldito seja o dia em que nasci...Por que ele não me matou no ventre materno? Assim o ventre de minha mãe teria sido a minha sepultura”(Jr 20.14,17). Na vida de um profeta havia palavras inscritas de forma invisível: “Abandonai toda lisonja vós que entrais aqui”. Ser um profeta era ao mesmo tempo uma distinção e uma aflição. A missão que realiza é desagradável para ele e repulsiva para os outros; nenhuma recompensa lhe é prometida e nenhuma recompensa poderia atenuar sua amargura. O profeta suportava zombaria e desprezo. Seus contemporâneos o estigmatizavam como louco, e alguns estudiosos modernos, como anormal. O dever do profeta era falar ao povo, quer ouvissem, quer se recusassem a ouvir (HESCHEL. 1969. p.908).

Mesmo assim são considerados santos do Senhor. Constituem propriedade divina, e tocar neles expõe à ira de YHWH:  

Ferirás a casa de Acabe, teu senhor, para que eu vingue da mão de Jezabel o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do SENHOR (2Rs 9.7).

São desprezados, reconhecem isso, mas continuam fieis:

Levar-te-ei com os teus inimigos para a terra que não conheces; porque o fogo se acendeu em minha ira e sobre vós arderá. Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, ampara-me e vinga-me dos meus perseguidores; não me deixes ser arrebatado, por causa da tua longanimidade; sabe que por amor de ti tenho sofrido afrontas. Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó SENHOR, Deus dos Exércitos (Jr 15.14-16).     

A palavra de YHWH explode em seus corações, não há como retê-la:  

Ah! Meu coração! Meu coração! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra (Jr 4.19)

Por fim, os profetas são vencidos pelo próprio YHWH:

Persuadiste-me, ó SENHOR, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim. Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais (Jr 20.7-9).
           
“Por meio dos profetas, o Deus invisível torna-se audível".

  

Pr. Ronaldo José Vicente. Formado em Teologia pela faculdade Mackenzie. Autor do livro “O profeta em Israel e a Justiça Social”. Faz parte de uma banda chamada “Templo de Fogo”, autor de diversas músicas sobre os profetas. Atualmente exerce o pastorado na Igreja “PorTuaCasa” localizada em São Paulo/Tatuapé. Autor de vários artigos sendo disponibilizados sempre no site “Lagrimasportuacausa”.

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BIBLIOGRAFIA

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BLOCK. Daniel. O Evangelho segundo Moisés. Cultura Cristã. São Paulo: 2017.
BOIS. Lauriston J. Du. Comentário Bíblico Beacon. CPAD. Rj: 2005  
BRUEGGEMANN. Walter. Teologia do Antigo Testamento. Paulus. São Paulo: 2014.
CARSON. D.A. O Deus presente. Fiel. São Paulo: 2013.
COPPES. Leonard. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 2012.
EDWARDS. Jonathan. Setenta Resoluções. 1722-1723.
ENGLE. Lou. O DNA do Nazireu. Curutiba: 2012.  
HESCHEL. Abraham. The prophets. Harper e Row. New York: 1969. 
HOFF. Paul. O Pentateuco. Vida Acadêmica. São Paulo: 2007. 
IMSCHOOT. Paulo Van. Theology of the Old Testament. Fidelis Buck. New York: 1965.
JUSTER. Daniel. Raízes Judaicas. Impacto. São Paulo: 2018. 
OLIVEIRA. Marcelo. A Fascinante Cultura Judaica. 2012.
OLIVEIRA. Marcelo. 31 Nomes desconhecidos de Deus no Hebraico. Kavod. 2017. 
PFEIFFER. Charles. F. Comentário Moody.  
SCHULTZ. Samuel. A História de Israel. Vida Nova. São Paulo: 2007.
SMITH. Gary. Amós. Cultura Cristã. São Paulo: 2008.   
WALTKE. Bruce. Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 2015.
WILSON. Robert. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. Paulus. São Paulo: 2006.


[1] YHWH – יְהוָֹה – JAVÉ. O nome próprio do único Deus verdadeiro. Nome impronunciável.
[2] Os três mais significativos acontecimentos dessa era do reino dividido, são os seguintes: A) 931 – divisão do reino. B) 722 – a queda de Samaria (reino do norte). C) 586 – A queda de Jerusalém (reino do Sul). SCHULTZ. Samuel. 2007. p. 154
[3] WILSON. Robert. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. Paulus. São Paulo: 2006. p.19. 

[4] Dez Mandamentos ou Decálogo ("dez palavras"), é o nome dado ao conjunto de leis que, segundo a Bíblia, foram escritas diretamente por Javé e entregues a Moisés, o libertador e legislador de Israel, no contexto da Antiga Aliança, em duas ocasiões, a primeira, descrita no Livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 1 a 17, a segunda, no Livro de Deuteronômio, capítulo 5, versículos 6 a 21, com o mesmo teor, em essência. Essa apresentação das Tábuas da Lei, nas duas ocasiões, deu-se após a libertação por Moisés do povo de Israel da escravidão no Egito, que havia durado cerca de 430 anos. Segundo Êxodo, capítulo 32Moisés recebera "as primeiras Tábuas da Lei", mas avisado por Javé Deus, voltou ao povo, viu a idolatria, e as quebrou. A entrega original das Tábuas da Lei, em "primeira edição", deu-se segundo está relatado no Livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 1 a 17.

[5] Citado por Bruce Waltke no livro Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova. São Paulo: 2015. p.905. Walther Eichrodt. Theology of the Old Testament. Vol 1. p.345.  
[6] A montanha onde Moisés recebeu a lei de Javé; localizada no extremo sul da península do Sinai, entre as pontas do mar Vermelho; localização exata desconhecida.
[7] O nome Pentateuco vem da versão grega que remonta ao século III antes de Cristo. Significa “O livro em cinco volumes”. Os judeus lhe chamavam “A lei” ou “A lei de Moisés”, porque a legislação de Moisés constitui parte importante do Pentateuco (HOFF. 2007. p.15,16).  
[8] יֵהוּא. Sig. Javé é Ele. O monarca do reino do norte, Israel, que destronou a dinastia de Onri.
[9] יְהוֹנָדָב. Sig. Javé está disposto. Um filho de Recabe, líder dos recabitas, na época de Jeú e Acabe.
[10] Jonathan Edwards, “The Christian Pilgrim”, em Edwards Hickman (ed), The works of Jonathan Edwards, vol.2 (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1974), p. 244.




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Banda TEMPLO (ICor 3.17) de FOGO (Hb 12.29)


CD – O VIDENTE


Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!

I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente. Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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