Os profetas e os reis
1. O inicio
da divisão
o rei Roboão e o profeta
Semaías.
Vamos estudar
sobre os reis de Israel e trabalhar um pouco com a atuação dos profetas diante
das atitudes destes reis. Falaremos do rei Jeroboão[1].
Este é o primeiro rei do Norte. Israel está dividido. Após a morte de Salomão,
seu filho Roboão inicia o reino e precisa ser reconhecido diante das doze
tribos de Israel; “Foi Roboão a Siquém,
porque todo o Israel se reuniu lá, para o fazer rei” (IRs 12.1). A cidade
de Siquém[2]
se localizava no território da tribo de Manassés. Era uma região de extrema
importância histórica para as tribos que ficavam na região do Norte de Israel.
Vejamos:
Foi nessa cidade que YHWH aparece pela
primeira vez para Abrão e neste lugar, edifica o primeiro altar:
Atravessou
Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus
habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e lhe disse: Darei à tua
descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao SENHOR, que lhe
aparecera (Gn 12.6,7).
Seu neto Jacó, após sair da casa do seu
sogro Labão, onde permaneceu por 20 anos (Gn 29-31). Passa pelo vale de Jaboque[3]
onde luta com um anjo de YHWH. O lugar passa a se chamar Peniel (Gn 32.22-32).
Após isso, Jacó arma sua tenda na cidade de Siquém e levanta também um altar a
YHWH:
Voltando
de Padã-Arã, chegou Jacó são e salvo à cidade de Siquém, que está na terra de
Canaã; e armou a sua tenda junto da cidade. A parte do campo, onde armara a sua
tenda, ele a comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.
E levantou ali um altar e lhe chamou Deus, o Deus de Israel (Gn 33.18-20).
Foi nessa cidade também que Josué ao
conquistar a terra prometida, relembra toda a história, desde Abraão, e como
YHWH o chamou, lhe prometeu um povo e uma terra. Os filhos de Israel foram
libertos do Egito e no discurso de Josué – há uma renovação nesta aliança:
Depois,
reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém e chamou os anciãos de Israel,
os seus cabeças, os seus juízes e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante
de Deus... Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com
fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do
Eufrates e no Egito e servi ao SENHOR. Porém, se vos parece mal servir ao
SENHOR, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos
pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra
habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. Então, respondeu o povo e
disse: Longe de nós o abandonarmos o SENHOR para servirmos a outros deuses;
porque o SENHOR é o nosso Deus; ele é quem nos fez subir, a nós e a nossos
pais, da terra do Egito, da casa da servidão, quem fez estes grandes sinais aos
nossos olhos e nos guardou por todo o caminho em que andamos e entre todos os povos
pelo meio dos quais passamos. O SENHOR expulsou de diante de nós todas estas
gentes, até o amorreu, morador da terra; portanto, nós também serviremos ao
SENHOR, pois ele é o nosso Deus. Então, Josué disse ao povo: Não podereis
servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa
transgressão nem os vossos pecados. Se deixardes o SENHOR e servirdes a deuses
estranhos, então, se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos
ter feito bem. Então, disse o povo a Josué: Não; antes, serviremos ao SENHOR.
Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes o
SENHOR para o servir. E disseram: Nós o somos. Agora, pois, deitai fora os
deuses estranhos que há no meio de vós e inclinai o coração ao SENHOR, Deus de
Israel. Disse o povo a Josué: Ao SENHOR, nosso Deus, serviremos e obedeceremos
à sua voz. Assim, naquele dia, fez Josué aliança com o povo e lha pôs por
estatuto e direito em Siquém (Js 24.1,14-25).
Então, é muito
importante que o novo rei Roboão consiga ser reconhecido nesta influente
cidade. Siquém tinha poder. Nesta cidade reuniam-se os lideres mais
importantes. Força financeira, poder militar, organização e um maior número de
pessoas (2Sm 19.43). Vaux comenta:
Em
Siquém, as doze tribos israelitas estabeleceram um pacto que selou sua unidade
religiosa, Js 24...As doze tribos tem consciência dos laços que as unem, compartilham o mesmo nome, são
“todo o Israel”. Reconhecem um mesmo Deus, Iahvé, Js 24.18,21,24, e celebram
suas festas no mesmo santuário, o da arca que simboliza a presença de Iahvé no
meio delas. Têm um estatuto e um direito comum, Js 24.25, e se reúnem para
condenar as transgressões contra esse direito consuetudinário ou escrito, Js
24.26, as “infâmias”, as coisas “que não se fazem em Israel” Jz 19.30; 20.6,10;
2Sm 13.12 (VAUX. 2004. p.119).
Entretanto,
percebemos que o reino de Israel, identificado após a divisão como reino do norte,
estão fechados para continuar a apoiar a casa de Davi. O rompimento ocorre
depois que o rei Roboão não cede as exigências dos lideres do norte. Essas
exigências denunciavam um governo tirano do seu Pai Salomão; “Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora,
pois, alivia tu a dura servidão de teu pai e o seu pesado jugo que nos impôs, e
nós te serviremos” (IRs 12.4). A resposta do rei sugere um caminho de força
no qual as tribos do norte jamais se submeteriam; “Vendo, pois, todo o Israel que o rei não lhe dava ouvidos, reagiu,
dizendo: Que parte temos nós com Davi? Não há para nós herança no filho de
Jessé! Às vossas tendas, ó Israel! Cuida, agora, da tua casa, ó Davi! Então,
Israel se foi às suas tendas” (IRs 12.16).
Se
Roboão houvesse cedido, é possível que o Estado tivesse sido salvo. Mas ele
desconhecia ou desprezava completamente os verdadeiros sentimentos de seus
súditos. Desprezando o conselho de pessoas mais prudentes e agindo de acordo
com os conselhos do jovens que como ele nasceram em um “berço de ouro”, Roboão
rejeitou com insolência as reivindicações. Então, os representantes de Israel,
irritados, anunciaram a secessão do Estado. O chefe de corveia de Roboão, que
foi enviado por ele provavelmente para chamar os rebeldes à ordem por meio de
açoites, foi linchado, e o próprio Roboão teve de fugir ignominiosamente.
Então, as tribos do norte elegeram Jeroboão, que nesse ínterim voltara do
Egito, como seu rei (BRIGHT. 2016. p.283).
Após isso o rei
Roboão tenta reaver seu poder sobre as tribos rebeldes. O rei convoca sua tribo
que é Judá e consegue apoio da tribo de Benjamim, para subirem em guerra contra
as tribos que não se submetiam mais ao seu domínio. Cento e oitenta mil
soldados estão preparados para ir a guerra e restituir o reino a Roboão.
Nota-se que o rei não está entendendo aquilo que YHWH disse através do profetas
Aías:
Mas
da mão de seu filho tomarei o reino, a saber, as dez tribos, e tas darei a ti.
E a seu filho darei uma tribo; para que Davi, meu servo, tenha sempre uma
lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para pôr ali o meu
nome. Tomar-te-ei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei
sobre Israel (IRs 11.35-37).
Podemos pensar
que o rei Roboão não estava entendendo realmente todo este acontecimento. Ou,
podemos compreender que o rei do Sul, não havia acreditado na profecia vinda
deste profeta que não circulava no palácio real. Talvez a imaturidade e os maus
conselhos que recebeu, não lhe deram sabedoria para lidar com uma rebelião que
já vinha desde a época do seu avô Davi. Na época, o rei Davi, soube manter as
doze tribos unidas sobre seu comando (2Sm 13-20). O rei Roboão decidiu ir pelo
caminho da tirania. Waltke comenta:
Ao
longo do AT, a expressão “jugo pesado” é uma designação característica da
opressão dos israelitas por governantes estrangeiros (Lv 26.13; Dt 28.48; Is
9.4; 10.27; 14.25; Jr 27.8,11; Ez 34.27). O emprego do termo associado a
Salomão é uma acusação contra esse rei pelo fato de ele impor trabalhos pesados
ao seu povo. Roboão ameaça com opressão ainda maior: ele se assemelha a um
faraó redivivo...EU SOU condena Roboão por rejeitar o conselho judicioso dos
anciãos – servir o povo com justiça – e, em vez disso, agir com insensatez,
dando ouvido aos seus jovens conselheiros e assim cumprindo a palavra divina
modeladora da história (1Rs 12.15; 11.31,35,37; Ex 4.21; 7.3,4,13). As tribos
do norte rompem os laços com a autoridade cruel de Roboão. É irônico que mais
uma vez EU SOU faça uso da insensatez humana para cumprir sua palavra e mostrar
que governa Israel (WALTKE . 2015 p.799).
Roboão segue o
caminho insensato e colhe as consequências. Entretanto, o rei de Judá não é
totalmente insubmisso as ordens de YHWH. Roboão poderia estar ignorante sobre
aquilo que YHWH tinha definido em consequência aos pecados de Salomão. Essa foi
a palavra que veio através do profeta Aías. Um profeta da tribo de Efraim (IRs
11.26), cuja raízes vinha dos profetas Efraimitas que percorriam o mesmo
caminho que o profeta Samuel (ISm 1.1). Mas o rei da casa de Davi também possuia
profetas de YHWH ao seu lado: “Quanto aos
mais atos de Roboão, tanto os primeiros como os últimos, porventura, não estão
escritos no Livro da História de Semaías, o profeta, e no de Ido, o vidente, no
registro das genealogias?” (2Cr 12.15). Este coração um tanto controverso
do rei de Judá é em partes tirano e inconsequente, e, em outros momentos,
submisso a ordem de YHWH. Após o exercito estar todo preparado para a batalha e
o rei Roboão totalmente decidido a atacar o norte. YHWH envia seu profeta
Semaías para declarar Sua vontade:
Porém
veio a palavra de Deus a Semaías[4],
homem de Deus, dizendo: Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda
a casa de Judá, e a Benjamim, e ao resto do povo, dizendo: Assim diz o SENHOR:
Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, os filhos de Israel; cada um
volte para a sua casa, porque eu é que fiz isto. E, obedecendo eles à palavra
do SENHOR, voltaram como este lhes ordenara (IR 12.22-24).
Note que o texto
diz; “...obedecendo eles à palavra do
Senhor, voltaram...”. Não são os soldados que assumem posição do que fazer
numa batalha. Eles obedecem ao rei. Se o exercito desistiu e voltou para casa,
foi porque o rei Roboão se submeteu a palavra de YHWH vinda através do seu
profeta Semaías. Obviamente podemos concluir que este profeta está junto com o
rei do Sul no governo. É um profeta que circula no palácio real. Wilson
comenta:
Uma
tradição judaíta, preservada em Crônicas, apresenta Semeías profetizando na
corte real de Jerusalém e condenando o povo por abandonar Iahweh. Quando o povo
se arrepende, o profeta lhe dá oráculo qualificado de perdão. Além das
atividades proféticas de Semeías, diz-se também que foi o autor de crônica do
reinado de Roboão (2Cr 12.5-15). O cronista sugere assim que Semeías era membro
da instituição religiosa central de Jerusalém (WILSON. 2006.p.227).
Então podemos
reconhecer que havia autoridade neste profeta. Apenas este homem conseguiu
parar a fúria obstinada do rei Roboão. Os anciãos não conseguiram convencer o
rei do Sul a ser paciente e misericordioso. Porém, o profeta de YHWH, através
de sua autoridade, acalma o rei para que volte para casa e se submeta ao EU
SOU. De outra forma, podemos ainda admitir a atividade profética se Semaías nos
momentos difíceis que o rei Roboão passou. Após a divisão, o rei do Egito
Sisaque[5],
atacou o reino do Sul, causando enormes problemas para Roboão. Este é o mesmo
rei que deu lugar para guardar Jeroboão na época de Salomão: “Pelo que Salomão procurou matar a Jeroboão;
este, porém, se dispôs e fugiu para o Egito, a ter com Sisaque, rei do Egito; e
ali permaneceu até à morte de Salomão” (IRs 11.40).
O rei do Egito
tinha interesse na divisão do reino de Israel. Enfraquecendo-o, via vantagem
para atacá-lo, por isso recebe o futuro líder do norte e após a divisão, ataca
o reino do Sul. Tudo aquilo que foi conquistado e mantido pelo rei Davi e
depois por Salomão, é perdido em poucos anos.
Depois
de esperar até que as consequentes lutas civis entre Judá e Israel enfraquecessem
e exaurissem os reinos israelitas, Chichac desencadeou uma grande invasão com
todas as forças ao seu dispor, em 924 a.C. Não se destinava a reconquistar a
ponte terrestre palestina, um objetivo que faraó parece ter julgado ainda além
das suas capacidades. O seu proposito era enfraquecer o seu poderoso vizinho do
Norte. Um Israel forte e unido constituía uma barreira ao renovado desejo
egípcio de expansão política e econômica para o norte (GICHON. 2014.
p.127)
Este foi um duro
tempo que ocorreu no reinado de Roboão. Porém, da mesma forma que YHWH estava
punindo seu pai Salomão pelos pecados que cometera no fim de seu reinado (IRs
11.14-25). Seu filho Roboão, também passava por todo este tempo difícil, pelo
fato do seu reinado estar totalmente imerso no pecado. Ao lermos
detalhadamente, ficamos até surpresos com tamanha agressividade e afronta a
Santidade de YHWH. O texto diz que eles provocaram o zelo do Senhor. Cometeram
pecados mais graves que seus pais. Havia postes ídolos em todos os altos de
Israel e inúmeros altares debaixo de árvores:
Fez
Judá o que era mau perante o SENHOR; e, com os pecados que cometeu, o provocou
a zelo, mais do que fizeram os seus pais. Porque também os de Judá edificaram
altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros
e debaixo de todas as árvores verdes (IRs 14.22,23).
Wiseman comenta:
Os
empreendimentos pagãos incluíam lugares altos (v. 3.3) e pedras sagradas (NEB
‘pilares sagrados’). O heb. massêbôt (plural) denota pedras que representam
divindades, algumas com símbolos divinos cravados sobre elas (2Rs 3.2). Estas
eram erigidas junto aos altares, uma prática proibida há muito quando associada
com ‘outros deuses’ (Êx 23.24; Dt 16.21-22), mas não quando erigidas em memória
do próprio Deus (Gn 28.18; 31.45; Êx 24.4). A referência a todo alto monte e a
toda árvore verde podem surgir a partir da idéia de que estas estavam
associadas às divindades locais e aos símbolos de fertilidade naturais contidas
nelas (v. Dt 12.2; Os 4.13; Jr2.20) (2011. p.135).
Para piorar, o
rei Roboão permitiu que a cultura abominável das outras nações fossem
permitidas no seio de Israel. A habitação deste rei era onde descansava a arca
da aliança. O local geográfico do seu reinado, era onde o Templo estava
erguido. Neste local, havia prostitutos cultuais, praticando abominação no
lugar Santo estabelecido por YHWH:
Havia
também na terra prostitutos-cultuais; fizeram segundo todas as coisas
abomináveis das nações que o SENHOR expulsara de diante dos filhos de Israel
(IRs 14.24).
Estes prostitutos
cultuais eram aparentemente normais nos povos antigos. Eram homens ou mulheres,
que permaneciam nos templos e ofereciam seus corpos como oferta aos deuses.
Estes sacerdotes do inferno, praticavam relações entre si e muitas vezes, a
espera de alguém. O ato sexual era uma oferta aos deuses, na verdade, aos demônios.
YHWH havia proibido isso diretamente: “Das
filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos
filhos de Israel haverá quem o faça” (Dt 23.17).
Charles Pfeiffer comenta:
Havia
também na terra prostitutos-cultuais. Assim, todo o horrível quadro da
idolatria se completou. Prostitutos. Homens reservados para propósitos sexuais
em relação com os cultos religiosos. Como na terra de Canaã, os israelitas
falharam em exterminar esta prática idólatra. Agora se transformou em uma
cilada e armadilha para eles (p.49).
Neste ponto Champlin também comenta:
Prostitutos de ambos os
sexos serviam nos templos pagãos, ganhando dinheiro e servindo de outras
maneiras aos deuses que honravam. Essa era uma prática comum em muitas nações
orientais, e não somente entre os cananeus.
Tipos de Prostitutos
Sagrados:
1. Os qadishtu,
prostitutos do sexo masculino que ficavam nos templos e prestavam toda forma de
serviço, mas especialmente dedicavam o que ganhavam ao bem da comunidade dos
sacerdotes.
2. As ishtaritus,
prostitutas que trabalhavam nos templos e tinham uma conexão especial com o
culto de Istar, derivando dela seu nome. Esses dois tipos de prostituição eram
uma praga antes do exílio.
3. Além disso, havia os
freelancers, homens ou mulheres que trabalhavam em qualquer lugar por certo
preço e não se identificavam com algum deus ou deusa particular.
O homossexualismo era
punido com a morte (Lev. 18.22,29 e 20.13). “O primeiro efeito do contato de
Judá com os cananeus foi a perda da referência. A santidade da vida foi
esquecida. Quando um povo começa a deixar de olhar para cima, para as coisas
sagradas lá do alto, começa a olhar para baixo. (Ralph W. Sockman). Esse
terrível olhar para baixo levou Judá a voltar-se para algo tão vil quanto a
prostituição sagrada. Uma das razões pelas quais Yahweh tinha expelido as sete
nações da Palestina (através das vitórias de Israel sobre elas) foi essa
prostituição sagrada e, naturalmente, outras práticas idólatras das quais elas
se ocupavam (Êx.33.2; Dt. 7.1; Lv 18) (CHAMPLIN. 2001. p.1421).
Por todas essas
razões, a ira de YHWH caiu sobre o reinado de Roboão. Permitindo o ataque feito
pelo Egito e chegando a decadência de ver que os tesouros da Casa do Senhor e
os escudos de ouro que Salomão havia feito foram saqueados. Todo tesouro que
Davi guardou, depois Salomão, foram levados por Sisaque, rei do Egito. Em menos
de cinquenta anos, toda glória vivida por Davi estava se esvaindo por causa dos
pecados de seu filho Salomão e seu neto Roboão. O próprio texto diz sobre o
coração de Roboão:
Fez
ele o que era mau, porquanto não dispôs o coração para buscar ao SENHOR (2Cr
12.14).
Entretanto, YHWH
tinha planos e de alguma maneira, desejou manter o reino do Sul a salvo por um
tempo maior. No inicio do reino de Jeroboão, uma catástrofe cultural abominável
se levanta. Iremos trabalhar também sobre este rei. Mas a principio, quando
começa a reinar e praticar seu horror, todos os fieis a YHWH que estavam
espalhados entre as doze tribos de Israel, preferem vir até o Sul e permanecer
com Roboão – no mais entender, ficar no Templo de YHWH:
Também
os sacerdotes e os levitas que havia em todo o Israel recorreram a Roboão de
todos os seus limites, porque os levitas deixaram os arredores das suas cidades
e as suas possessões e vieram para Judá e para Jerusalém, porque Jeroboão e
seus filhos os lançaram fora, para que não ministrassem ao SENHOR. Jeroboão
constituiu os seus próprios sacerdotes, para os altos, para os sátiros e para
os bezerros que fizera. Além destes, também de todas as tribos de Israel os que
de coração resolveram buscar o SENHOR, Deus de Israel, foram a Jerusalém, para
oferecerem sacrifícios ao SENHOR, Deus de seus pais. Assim, fortaleceram o
reino de Judá e corroboraram com Roboão, filho de Salomão, por três anos;
porque três anos andaram no caminho de Davi e Salomão (2Cr 11.13-17).
Observe que o
texto descreve pessoas que de coração resolveram buscar ao Senhor. Vieram para
Jerusalém e assim fortaleceram o reino de Judá. Com certeza estes homens foram
de grande importância para o manter da palavra do Senhor e prosseguindo com as
promessas de YHWH. Pratt comenta que
essa passagem se divide em três partes. Por primeiro a deserção dos nortistas
com os sacerdotes e levitas (11.13-15), e seu exemplo foi rapidamente seguido
por outros que se uniram a Roboão (11.16). Foi um grande custo que esses
sacerdotes e levitas se mudaram para Jerusalém. Mas a razão é explicada. Os
sacerdotes e levitas foram destituídos de seus serviços no norte quando Jeroboão
e seus filhos os lançaram fora (11.14). Jeroboão constituiu seus próprios
sacerdotes (11.15). O autor continua:
O
cronista não estimou o número dos sacerdotes e levitas que recorreram a Roboão,
mas mencionou que eles vieram de todos os seus limites (11.13). A NIV obscurece
o hebraico deste versículo. A linguagem original traz: “sacerdotes e levitas em
todo o Israel” passaram para o lado de Roboão. O cronista usou o termo “todo o
Israel” para dar ideia de que esses desertores levíticos representavam todas as
tribos do norte. Desde os tempos mosaicos, as famílias levíticas viviam sem um
território tribal distinto, porém receberam porções de terra junto com as
outras tribos. O cronista observou o nível de compromisso desses desertores
mencionando que eles deixaram os arredores de suas cidades e suas possessões
para se reunirem a Roboão (11.14) (PRATT. 2008.p.379).
Por certo YHWH
permanecia fiel a palavra mencionada através do profeta Aías: “E a seu filho darei uma tribo; para que
Davi, meu servo, tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade
que escolhi para pôr ali o meu nome” (IRs 11.36). A lâmpada jamais se
apagaria no reino de Judá. YHWH havia escolhido aquela cidade. Seu nome
permaneceria independente da calamidade dos rei Roboão. Prosseguindo neste
sentido, notamos a influencia do profeta Semaías, advertindo, corrigindo,
alertando e livrando o povo do Sul. YHWH ainda estava falando. O livro de
crônicas sugere o seguinte modelo na historia de Roboão.
Em primeiro lugar
seu reinado passa pelo tempo da divisão. O reino é enfraquecido, mas precisa se
organizar novamente, pois não poderia mais depender dos mantimentos do norte e
nem da força militar. Com a vinda dos levitas e sacerdotes, pessoas tementes a
Deus, o reino do Sul consegue se organizar e ter força novamente. Infelizmente,
Roboão revela seu coração pecaminoso e neste momento, abandona a Lei do Senhor.
Neste momento, YHWH está irado e então envia as forças do Egito para o
castigarem:
Tendo
Roboão confirmado o reino e havendo-se fortalecido, deixou a lei do SENHOR, e,
com ele, todo o Israel. No ano quinto do rei Roboão, Sisaque, rei do Egito,
subiu contra Jerusalém (porque tinham transgredido contra o SENHOR), com mil e
duzentos carros e sessenta mil cavaleiros; era inumerável a gente que vinha com
ele do Egito, de líbios, suquitas e etíopes. Tomou as cidades fortificadas que
pertenciam a Judá e veio a Jerusalém (2Cr 12.1-4).
Em segundo lugar temos
a fidelidade de YHWH segundo a Sua palavra. Ele manteria o reino por causa da
promessa a Davi. Então, encontramos a atuação profética de Semaías. A palavra é
explosiva e direta - Vocês estão sendo
entregues nas mãos do tirano faraó porque me deixaram! É surpreendente como
YHWH realmente quer tratar do povo. Pois eles foram libertos da escravidão do
Egito, arrancados de lá pela mão forte de YHWH. Agora, por causa da
infidelidade, o próprio Senhor está trazendo o Egito até eles para os consumir.
Mas há arrependimento. Tanto Roboão como os lideres de Judá se arrependem de
seus atos. YHWH é conquistado pela humilhação deles. Mesmo sendo tocado em Seu
coração misericordioso, YHWH não os deixa serem destruídos, entretanto, ainda
permite que sejam servos do faraó e que ele faça investidas no Templo saqueando
os tesouros:
Então,
veio Semaías, o profeta, a Roboão e aos príncipes de Judá, que, por causa de
Sisaque, se ajuntaram em Jerusalém, e disse-lhes: Assim diz o SENHOR: Vós me
deixastes a mim, pelo que eu também vos deixei em poder de Sisaque. Então, se
humilharam os príncipes de Israel e o rei e disseram: O SENHOR é justo. Vendo,
pois, o SENHOR que se humilharam, veio a palavra do SENHOR a Semaías, dizendo:
Humilharam-se, não os destruirei; antes, em breve lhes darei socorro, para que
o meu furor não se derrame sobre Jerusalém, por intermédio de Sisaque. Porém
serão seus servos, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a
servidão dos reinos da terra. Subiu, pois, Sisaque, rei do Egito, contra
Jerusalém e tomou os tesouros da Casa do SENHOR e os tesouros da casa do rei;
tomou tudo. Também levou todos os escudos de ouro que Salomão tinha feito (2Cr
12.5-9).
O profeta Semaías
é ousado em momentos específicos no reinado de Roboão. Ele está presente no
primeiro e trágico acontecimento que foi o inicio da divisão e a guerra que viria,
mas graças a palavra profética dirigida, a guerra não ocorreu. Outro
acontecimento relatado é sobre este segundo episódio em que o Egito ataca a
cidade. Semaías está atento e alerta o rei, os príncipes e o povo sobre o
porquê estão passando por essa situação. Entretanto, ao compararmos a ação
deste profeta com outros profetas anteriores de Judá, concluímos um certo
declínio de ousadia e barreira profética mediante ao pecado cultural. Davi é
repreendido pelo profeta Natã quando tenta esconder seu pecado com Bate-Seba e
a morte de Urias (2Sm 12.1-4). Quando quer transportar a arca de Deus de
maneira errada, um dos seus homens, Uzá, é morto pela ira de Deus (2Sm 6.1-11).
Ao levantar o censo de Israel e Judá, novamente a ira de YHWH é derramada sobre
seu reino e mesmo o Senhor o perdoando, o castigo é transmitido pelo profeta
Gade:
Ao
levantar-se Davi pela manhã, veio a palavra do SENHOR ao profeta Gade, vidente
de Davi, dizendo: Vai e dize a Davi: Assim diz o SENHOR: Três coisas te
ofereço; escolhe uma delas, para que ta faça. Veio, pois, Gade a Davi e lho fez
saber, dizendo: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra? Ou que, por
três meses, fujas diante de teus inimigos, e eles te persigam? Ou que, por três
dias, haja peste na tua terra? Delibera, agora, e vê que resposta hei de dar ao
que me enviou. Então, disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém
caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas, nas
mãos dos homens, não caia eu (2Sm 24.11-14).
Os profetas de Judá
eram dinâmicos, ousados, autênticos, fortes e incansáveis. Mesmo diante do
maior rei que Israel já teve. Mesmo estando servindo ao rei mais temível e
glorioso que o reino já teve; os profetas do Sul nunca se permitiram calar-se
diante dos erros de Davi. Eles estavam junto com o rei quando mantinha-se no
centro da vontade de YHWH. Eles também estavam contra o rei, quando este,
desejava seguir ser coração esquecendo-se do coração puro de YHWH. Estes
profetas são um marco no reino de Davi e no reino de Israel. Porém, na passagem
do reino para seu filho Salomão, percebe-se que a atuação profética não está
mais tão presente em suas decisões. Salomão adquire glória e sabedoria para
administrar o reino. Mas seus inúmeros pecados o levam ao afastamento da vontade
divina. Vejamos o fim de Salomão:
Ora, além da filha de
Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas,
sidônias e hetéias, mulheres das nações de que havia o SENHOR dito aos filhos
de Israel: Não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam
o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor.
Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres
lhe perverteram o coração. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o
coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para
com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai. Salomão seguiu a
Astarote, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas. Assim, fez
Salomão o que era mau perante o SENHOR e não perseverou em seguir ao SENHOR,
como Davi, seu pai. Nesse tempo, edificou Salomão um santuário a Quemos,
abominação de Moabe, sobre o monte fronteiro a Jerusalém, e a Moloque,
abominação dos filhos de Amom. Assim fez para com todas as suas mulheres
estrangeiras, as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses. Pelo que
o SENHOR se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do SENHOR,
Deus de Israel, que duas vezes lhe aparecera. E acerca disso lhe tinha ordenado
que não seguisse a outros deuses. Ele, porém, não guardou o que o SENHOR lhe
ordenara. Por isso, disse o SENHOR a Salomão: Visto que assim procedeste e não
guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti
este reino e o darei a teu servo. Contudo, não o farei nos teus dias, por amor
de Davi, teu pai; da mão de teu filho o tirarei. Todavia, não tirarei o reino
todo; darei uma tribo a teu filho, por amor de Davi, meu servo, e por amor de
Jerusalém, que escolhi (IRs 11.1-13).
O texto diz que
as inúmeras mulheres conseguiram convencer Salomão. Ele cedeu e seu coração se
perverteu contra o Senhor. O rei entregou o seu coração a essas mulheres, sendo
escravo dos seus desejos pecaminosos. Salomão fez dois santuários aos deuses;
ele fez para “Quemos” e para “Moloque”. Ou seja, o rei que viu ao
Senhor por duas vezes, esteve na glória e fidelidade com seu pai, construiu o
Templo do Senhor, agora está mergulhado em um pecado cultural abominável. Mesmo
assim, YHWH fala novamente a Salomão e lhe comunica a consequência:
Contudo,
não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o
tirarei. Todavia, não tirarei o reino todo; darei uma tribo a teu filho, por
amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, que escolhi (vs.12,13).
O que devemos
pensar é onde estavam os profetas? Os mesmos que mantinham-se como barreira no
reino de Davi e não permitiam o continuar de coisas abomináveis. Obviamente os
profetas de Davi já estavam mortos no tempo da caída de Salomão. Passou-se
muito tempo. O que nos favorece pensar é que realmente houve um declínio
profético neste tempo no palácio real, onde fez com que Salomão mantivesse seu
caminho cada vez mais profundo no pecado. Assim, podemos sustentar mais este
ponto e ver que a força profética neste tempo não esta mais no palácio real,
mas fora dele. Note que a palavra do profeta Aías é a mesma palavra que YHWH
havia falado a Salomão – entretanto, desta vez a palavra é direcionada a
Jeroboão:
Porém
não tomarei da sua mão o reino todo; pelo contrário, fá-lo-ei príncipe todos os
dias da sua vida, por amor de Davi, meu servo, a quem elegi, porque guardou os
meus mandamentos e os meus estatutos. Mas da mão de seu filho tomarei o reino,
a saber, as dez tribos, e tas darei a ti. E a seu filho darei uma tribo; para
que Davi, meu servo, tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a
cidade que escolhi para pôr ali o meu nome (IRs 11.34-36).
Schultz comenta
que o capitulo final do reinado de Salomão é trágico (IRs 11). Por qual razão o
rei de Israel, que chegou ao zênite do sucesso nos campos da sabedoria, da
riqueza, da fama e da aclamação internacional sob a benção divina, teria
terminado seu reinado de quarenta anos sob augúrios de fracasso, é algo que
realmente nos deixa perplexos. A verdade da questão é que Salomão, que
desempenhou o liderante papel de consagrar o templo, afastou-se de uma total
dedicação a Deus. O autor continua dizendo que no auge do seu sucesso, Salomão
obteve esposas entre os moabitas, amonitas, edomitas, sidônios e hititas. Além
disso, adquiriu um harém de setecentas esposas e princesas, além de trezentas
concubinas. Salomão permitiu a multiplicidade de esposas para sua própria
ruina, permitindo que seu coração se desviasse de Deus. Salomão não apenas tolerou
a idolatria, mas ele mesmo prestou honrarias a Astarote, a deusa fenícia da
fertilidade, que era conhecida pelo nome de Astarte entre os gregos e Istar
entre os babilônios. Para veneração de Milcom ou Moloque, o deus dos amonitas,
e de Camos, o deus dos moabitas. Salomão erigiu um lugar elevado em um monte a
lesta de Jerusalém. Este lugar alto não foi removido durante três séculos e
meio, mas continuou sendo uma abominação nas proximidades do templo de
Jerusalém até os dias de Josias (2Rs 23.13). Salomão também erigiu altares a
outras divindades estrangeiras que não são mencionadas por nome (IRs 11.8).
Schultz encerra:
A
idolatria, que era uma violação das palavras iniciais do decálogo (Ex 20), não
podia ser tolerada. A repreensão divina (IRs 11.9-13) provavelmente foi feita a
Salomão por intermédio do profeta Aías. A dinastia davídica continuaria
governando sobre uma parte do reino, por amor a Davi, com quem Deus
estabelecera um pacto, e por causa de Jerusalém, que Deus escolhera. Por amor a
Davi, o reino não seria dividido durante os dias de Salomão, embora viessem a
levantar-se adversários que ameaçariam a paz e a segurança, antes do termino do
reinado (2007.p.148)
A partir deste
ponto, inicia a história do primeiro rei do norte, Jeroboão filho de Nebate.
Era um homem muito capaz e se mostrou um verdadeiro fator de perturbação em
Israel. Vamos prosseguir com nosso estudo.
2. O inicio
do reino no Norte
O rei Jeroboão e o profeta Aías.
O Homem de YHWH e o velho profeta.
O primeiro rei
do norte foi Jeroboão e tudo sugere que seu inicio foi sua aproximação com o
rei Salomão. Ele tinha um cargo essencial, importante e de confiança. Fora
responsabilizado pela unidade de trabalho forçado que reparava as muralhas de
Jerusalém e edificou Milo. Esta função de alguma maneira o favorece. É um
oportunidade para sua própria vantagem política e conseguir um bom numero de
apoiadores. O coração de Jeroboão se revela após o recebimento de uma mensagem
profética vinda de Aías. Sua fuga pode ser entendida como o escape de um
rebelde. Lasor comenta que o profeta
Aías profetizou que Jeroboão, um efraimita muito capaz a quem Salomão destacara
para supervisionar os grupos de trabalho provenientes do norte de Jerusalém
(11.28), levaria as tribos no norte à independência. O oráculo evidentemente tornou
pública a rebelião de Jeroboão, de modo que ele fugiu para o Egito a fim de
escapar da ira de Salomão, retomando após sua morte (2012. p.214).
O mesmo que
ocorreu com Davi ocorria com Jeroboão, mas podemos identificar claramente que o
coração de ambos era totalmente diferente. As histórias se parecem, mas o
coração de Davi é inigualável. O primeiro rei Saul após ser escolhido por YHWH
comete crimes que desagradam totalmente o coração do Senhor. Saul não espera
por Samuel para fazer sacrifícios ao Senhor. Ao tomar a frente, se mostra
independente e desobediente: “Trazei-me
aqui o holocausto e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. Mal acabara ele
de oferecer o holocausto, eis que chega Samuel” (ISm 13.9). Desde este
acontecimento, Saul é reprovado por YHWH. Quando o profeta Samuel chega, a
palavra profética vinda do Senhor é entregue a Saul sem misericórdia:
Então,
disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o
SENHOR, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu
reino sobre Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR
buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre
o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou (ISm 13.13,14).
Vamos entender um
pouco mais desta história e ver como existem semelhanças sobre o que ocorreu
com Davi e depois com Jeroboão. Samuel é um profeta da tribo de Efraim (ISm
1.1) e Saul é um homem da tribo de Benjamim (ISm 9.1). As duas tribos estão
próximas. O Tabernáculo de Moisés repousa na cidade de Siló que está na tribo
de Efraim. A arca de YHWH permanece neste local e o Senhor está presente. Há
uma relação forte entre Deus e o seu profeta Samuel. Sua palavra permanece
mantida e Sua presença reconhecida: “Crescia
Samuel, e o SENHOR era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair
em terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava
confirmado como profeta do SENHOR. Continuou o SENHOR a aparecer em Siló,
enquanto por sua palavra o SENHOR se manifestava ali a Samuel” (ISm
3.19-21). Este é um profeta diferencial. A partir dele houve uma sucessão de
influencia profética na nação de Israel. Antes do inicio dos reis em Israel, é o
profeta Samuel que percorre as doze tribos para ensinar a Lei do Senhor e
manter as tribos segundo as ordenanças da aliança:
E
julgou Samuel todos os dias de sua vida a Israel. De ano em ano, fazia uma
volta, passando por Betel, Gilgal e Mispa; e julgava a Israel em todos esses
lugares. Porém voltava a Ramá, porque sua casa estava ali, onde julgava a
Israel e onde edificou um altar ao SENHOR (ISm 7.15-17).
Irei usar agora um breve texto do
comentarista Geerhardus que explica de maneira mais exemplar a relação dos
profetas e os reis de Israel:
Durante o primeiro
período dessa nova época na história do profetismo, que data desde Samuel, a
diferença para o que existia antes está em dois pontos. Por um lado, o ofício
obteve um pano de fundo teocrático público maior para a sua atividade no reino
recém-estabelecido. Por outro, o número de profetas apresenta um grande
aumento, especialmente se contarmos os grupos coletivos de profetas associados
a homens como Samuel. O profetismo, enquanto ligado ao reino, não perdeu sua
independência por causa disso. Os eventos em sucessão nos reinos de Saul e de
Davi, apoiados e restringidos pelos líderes proféticos da época, são uma prova
suficiente disso. O autor continua dizendo que o profetismo jamais foi um mero
apêndice religioso do reino. No decurso do tempo, à medida que os ocupantes do
trono degeneraram, o profetismo se tornou a oposição desse, uma instituição que
contrabalançava e reprovava, ou até mesmo rejeitava. Porém, no todo, durante o
seu primeiro período de desenvolvi mento, a atitude dos profetas com relação
ao reino era amigável, favorável e protetora. Esse era o caso especialmente na
linhagem de sucessão davídica. Entretanto, a medida que a apostasia se
levantava, tanto entre os reis como na nação, o relacionamento foi alterado.
Profetas e reis se posicionaram em oposição uns aos outros. Como a ideia
central da profecia havia se tornado a da queda, os reis, que criam
naturalmente na conservação que existia, consideravam os profetas com suspeita
e antagonismo. Os profetas, em sua opinião, não eram patriotas; na verdade,
eram considerados como traidores. Essa mudança de bases em ambos os lados é
seguida pela invasão da apostasia nas fileiras dos próprios profetas (VOS.
2010. p.244)
Então, o
exercício profético de Samuel cria uma certa tradição na influencia do reis. Este
é o seguimento que ocorre com a rejeição de Saul. Uma palavra profética é
liberada e um novo rei é designado para o trono. Em sua ultima deficiência, o
primeiro rei é ordenado para destruir Amaleque por aquilo que havia feito com
Israel, sendo opositor enquanto iam para a terra prometida. A ordem de YHWH é
extremamente radical: “Vai, pois, agora,
e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes;
porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas,
camelos e jumentos” (ISm 15.3). Mas a história mostra que o rei Saul não os
destruiu totalmente. Aproveitou-se das coisas boas e ainda poupou o rei: “E Saul e o povo pouparam Agague, e o melhor
das ovelhas e dos bois, e os animais gordos, e os cordeiros, e o melhor que
havia e não os quiseram destruir totalmente; porém toda coisa vil e desprezível
destruíram” (15.9). Neste momento, YHWH já havia declarado a sentença para
o seu profeta Samuel a respeito do reinado de Saul:
Veio, pois, Samuel a
Saul, e este lhe disse: Bendito sejas tu do SENHOR; executei as palavras do
SENHOR. Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus
ouvidos e o mugido de bois que ouço? Respondeu Saul: De Amaleque os trouxeram;
porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao
SENHOR, teu Deus; o resto, porém, destruímos totalmente. Então, disse Samuel a
Saul: Espera, e te declararei o que o SENHOR me disse esta noite. Respondeu-lhe
Saul: Fala. Prosseguiu Samuel: Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não
foste por cabeça das tribos de Israel, e não te ungiu o SENHOR rei sobre ele?
Enviou-te o SENHOR a este caminho e disse: Vai, e destrói totalmente estes
pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até exterminá-los. Por que,
pois, não atentaste à voz do SENHOR, mas te lançaste ao despojo e fizeste o que
era mau aos olhos do SENHOR? Então, disse Saul a Samuel: Pelo contrário, dei
ouvidos à voz do SENHOR e segui o caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e
trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas, os destruí totalmente; mas
o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do designado à destruição para
oferecer ao SENHOR, teu Deus, em Gilgal. Porém Samuel disse: Tem, porventura, o
SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua
palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor
do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria,
e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste
a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as
tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz. Agora, pois, te
rogo, perdoa-me o meu pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR. Porém
Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a palavra do
SENHOR, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel. Virando-se
Samuel para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. Então,
Samuel lhe disse: O SENHOR rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu
próximo, que é melhor do que tu. Também a Glória de Israel não mente, nem se
arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa. Então, disse Saul:
Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de
Israel; e volta comigo, para que adore o SENHOR, teu Deus. Então, Samuel seguiu
a Saul, e este adorou o SENHOR (ISm 15.13-31).
Minha proposta é
chamar sua atenção para um ponto específico nesta profecia, que nos levará a
lembrar da mesma ocorrência com a profecia de Aías a Jeoboão. Como já falamos,
tanto Samuel como Aías pertencem a tribo de Efraim. No momento da entrega da
palavra profética de Samuel ocorre um incidente que sela aquilo que YHWH
desejava transmitir: “Virando-se Samuel
para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. Então, Samuel
lhe disse: O SENHOR rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu
próximo, que é melhor do que tu” (15.27). A diferença entre este
acontecimento e o ocorrido com o profeta Aías é que: com Samuel foi o próprio
Saul que pegou em suas vestes e acabou rasgando-a. Com o profeta Aías, ele
mesmo pegou as vestes de Jeroboão e as rasgou: “Aías pegou na capa nova que tinha sobre si, rasgou-a em doze pedaços e
disse a Jeroboão: Toma dez pedaços, porque assim diz o SENHOR, Deus de Israel:
Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei dez tribos” (IRs
11.30). É obvio que YHWH está novamente tentando salvar seu povo. Trazendo
novas chances e um recomeço. Samuel foi direcionado para um novo rei, este foi
Davi, um homem segundo o coração de Deus e que trouxe a presença do Senhor para
Israel. Novamente, a história poderia se repetir. Aías declara a palavra
profética rejeitando o reinado de Salomão. Encontra-se com outro homem que está
fora da linhagem real. Este tem todas as chances de receber as mesmas promessas
que Davi recebeu. Observe:
Tomar-te-ei,
e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel. Se
ouvires tudo o que eu te ordenar, e andares nos meus caminhos, e fizeres o que
é reto perante mim, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez
Davi, meu servo, eu serei contigo, e te edificarei uma casa estável, como
edifiquei a Davi, e te darei Israel (IRs 11.37,38).
Jeroboão recebe a
orientação de seguir os passos de Davi. Se ele se manter fiel, direcionar o
reino do norte para a vontade de YHWH, ele será um rei apoiado por EU SOU e
terá uma casa estável. Ou seja, YHWH manterá sua linhagem. Era uma oportunidade
de ouro. Era uma chance extraordinária. Jeroboão estava recebendo em mãos algo
esplendido. Com certeza, o profeta Aías vem de uma tradição efraimita e o mesmo
caminho que percorreu seu ancestral Samuel, é o caminho que agora YHWH o manda
trilhar. G. Von Rad comenta:
Os
profetas não foram escolhidos primariamente por causa de seus sinais de
piedade. Eles se tornaram piedosos acima da média como um resultado do
exercício de sua função direcionada para Deus...Os profetas falam com a
consciência de serem reorganizadores e reconstrucionistas. Eles sabem que algo
melhor virá e deve vir, mas não estão cientes ainda de até que ponto, quando
vier, ele engolirá o passado (2006. p.232).
Mas esta
investida foi um desastre. Samuel encontrou um homem segundo o coração de YHWH.
Aías encontrou um homem segundo o seu próprio coração. Pois essa é a primeira
descrição que inicia a ruina do reino do norte através do ímpio Jeroboão:
Disse
Jeroboão consigo: Agora, tornará o reino para a casa de Davi. (IRs 12.26).
Note a diferença entre Jeroboão e Davi:
Consultou
Davi ao SENHOR, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus? Respondeu o SENHOR
a Davi: Vai, e ferirás os filisteus, e livrarás Queila. Porém os homens de Davi
lhe disseram: Temos medo aqui em Judá, quanto mais indo a Queila contra as
tropas dos filisteus. Então, Davi tornou a consultar o SENHOR, e o SENHOR lhe
respondeu e disse: Dispõe-te, desce a Queila, porque te dou os filisteus nas
tuas mãos. Partiu Davi com seus homens a Queila, e pelejou contra os filisteus,
e levou todo o gado, e fez grande morticínio entre eles; assim, Davi salvou os
moradores de Queila. (ISm 23.2-5).
Disse
Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque: Traze-me aqui a estola
sacerdotal. E Abiatar a trouxe a Davi. Então, consultou Davi ao SENHOR,
dizendo: Perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei? Respondeu-lhe o SENHOR:
Persegue-o, porque, de fato, o alcançarás e tudo libertarás. (ISm 30.7,8).
Depois
disto, consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judá?
Respondeu-lhe o SENHOR: Sobe. Perguntou Davi: Para onde subirei? Respondeu o
SENHOR: Para Hebrom (2Sm 2.1)
Davi
consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas
mãos? Respondeu-lhe o SENHOR: Sobe, porque, certamente, entregarei os filisteus
nas tuas mãos. Então, veio Davi a Baal-Perazim e os derrotou ali; e disse:
Rompeu o SENHOR as fileiras inimigas diante de mim, como quem rompe águas. Por
isso, chamou o nome daquele lugar Baal-Perazim. Os filisteus deixaram lá os
seus ídolos; e Davi e os seus homens os levaram. Os filisteus tornaram a subir
e se estenderam pelo vale dos Refains. Davi consultou ao SENHOR, e este lhe
respondeu: Não subirás; rodeia por detrás deles e ataca-os por defronte das
amoreiras (2Sm 5.19-23).
Houve,
em dias de Davi, uma fome de três anos consecutivos. Davi consultou ao SENHOR,
e o SENHOR lhe disse: Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque
ele matou os gibeonitas (2Sm 21.1).
Os textos mostram
como Davi não consultava seu próprio coração e sim o coração de YHWH. Em contra
partida, Jeroboão ao iniciar seu reino, busca orientação em seus próprios
desejos. A partir deste ponto, tudo a seguir é uma sucessão de eventos
catastróficos culturalmente. Jeroboão teme que o povo volte o coração para
Roboão e então arranja uma forma das dez tribos do norte não irem mais para
adorar a YHWH em Jerusalém:
Disse
Jeroboão consigo: Agora, tornará o reino para a casa de Davi. Se este povo
subir para fazer sacrifícios na Casa do SENHOR, em Jerusalém, o coração dele se
tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judá; e me matarão e tornarão a ele, ao
rei de Judá. Pelo que o rei, tendo tomado conselhos, fez dois bezerros de ouro;
e disse ao povo: Basta de subirdes a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel,
que te fizeram subir da terra do Egito! Pôs um em Betel e o outro, em Dã. E
isso se tornou em pecado, pois que o povo ia até Dã, cada um para adorar o
bezerro. Jeroboão fez também santuários nos altos e, dentre o povo, constituiu
sacerdotes que não eram dos filhos de Levi. Fez uma festa no oitavo mês, no dia
décimo quinto do mês, igual à festa que se fazia em Judá, e sacrificou no
altar; semelhantemente fez em Betel e ofereceu sacrifícios aos bezerros que
fizera; também em Betel estabeleceu sacerdotes dos altos que levantara. No
décimo quinto dia do oitavo mês, escolhido a seu bel-prazer, subiu ele ao altar
que fizera em Betel e ordenou uma festa para os filhos de Israel; subiu para
queimar incenso (IRs 12.25-33).
Waltke comenta
que o pecado do rei ocasiona uma reviravolta, tanto nas profecias de Aías de
Siló que passam de favoráveis a desfavoráveis. Os conselheiros ímpios de
Jeroboão recomendam que ele estabeleça uma liturgia alternativa no norte. Em
outras palavras, Jeroboão não teme a Deus, e sim ao povo de Deus, e acredita em
conselheiros humanos mais que na orientação divina. Jeroboão rejeita a visão
profética de Jerusalém como o centro de adoração de todo o Israel, pois essa
visão frustra sua ambição de estabelecer uma dinastia. Além do mais, ele não
tem a fé para acreditar que, se aceitar sem reservas a ideia dos profetas, ele
próprio sobreviverá. O autor continua dizendo que a fabricação do bezerro de
ouro por Israel após o Êxodo, é um prenuncio da apostasia de Jeroboão, ocorrida
após as tribos do norte serem libertadas da tirania de Roboão (2015.
p.800).
Independente da
divisão entres o norte e o sul não há justificativas que aceitem a quebra na ordenança
na aliança. As tribos estão sujeitas à aliança mosaica e precisam estar em
Jerusalém para adorar YHWH. A existência de mais um santuário pode dar a
entender que existe mais de um Deus. As ações de Jeroboão revelam o que estava
escondido em seu coração. Sua ida ao Egito lhe favoreceu ideias malignas para
provocar a ira de YHWH. Por isso vemos a construção dos bezerros de ouro. O rei
Jeroboão é extremamente inteligente e sagaz. Ele sabe que precisa manter o
poder sobre a força dos homens, mas também sabe, que precisa capturar a fé das
pessoas. Algo que precisamos compreender é que Israel, mesmo em momentos de
enorme declínio não deixaram de adorar a YHWH. O problema de Israel foi sempre
querer adorar YHWH e aos outros deuses. Havia este enorme sincretismo. Essa
mistura “sagrada” que levava o povo a
um caminho de perdição. Este sempre foi o mal em Israel e um ponto que YHWH
sempre condenou através dos seus profetas. Desde o tempo em que ocorre o chamado
de Abraão e o Senhor o convida para andar em Sua presença e ser perfeito (Gn
17.1). Depois, vemos Jacó ter que reunir toda a sua própria família e exigir
que lancem os deuses fora (Gn 35.1-4). No tempo de Elias era a mesma situação.
Por isso o profeta os confronta no monte Carmelo para que decidam: “Então, Elias se chegou a todo o povo e
disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus,
segui-o; se é Baal, segui-o” (IRs 18.21). Note a conclusão descrita após a
destruição do reino do norte e como o império Assírio, misturou-se até na linhagem
de Israel:
Porém cada nação fez
ainda os seus próprios deuses nas cidades em que habitava, e os puseram nos
santuários dos altos que os samaritanos tinham feito. Os de Babilônia fizeram
Sucote-Benote; os de Cuta fizeram Nergal; os de Hamate fizeram Asima; os aveus
fizeram Nibaz e Tartaque; e os sefarvitas queimavam seus filhos a Adrameleque e
a Anameleque, deuses de Sefarvaim. Mas temiam também ao SENHOR; dentre os do
povo constituíram sacerdotes dos lugares altos, os quais oficiavam a favor deles
nos santuários dos altos. De maneira que temiam o SENHOR e, ao mesmo tempo,
serviam aos seus próprios deuses, segundo o costume das nações dentre as quais
tinham sido transportados. Até ao dia de hoje fazem segundo os antigos
costumes; não temem o SENHOR, não fazem segundo os seus estatutos e juízos, nem
segundo a lei e o mandamento que o SENHOR prescreveu aos filhos de Jacó, a quem
deu o nome de Israel. Ora, o SENHOR tinha feito aliança com eles e lhes
ordenara, dizendo: Não temereis outros deuses, nem vos prostrareis diante
deles, nem os servireis, nem lhes oferecereis sacrifícios; mas ao SENHOR, que
vos fez subir da terra do Egito com grande poder e com braço estendido, a ele
temereis, e a ele vos prostrareis, e a ele oferecereis sacrifícios. Os estatutos
e os juízos, a lei e o mandamento que ele vos escreveu, tereis cuidado de os
observar todos os dias; não temereis outros deuses. Da aliança que fiz convosco
não vos esquecereis; nem temereis outros deuses. Mas ao SENHOR, vosso Deus,
temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos. Porém eles
não deram ouvidos a isso; antes, procederam segundo o seu antigo costume.
Assim, estas nações temiam o SENHOR e serviam as suas próprias imagens de
escultura; como fizeram seus pais, assim fazem também seus filhos e os filhos
de seus filhos, até ao dia de hoje (2Rs 17.29-41).
Então Jeroboão
apenas continua o fluxo cultural misto normal naqueles dias. Normal para as
nações e extremamente irritante para YHWH e seu povo. O Senhor queria um povo
puro e santo como Ele é. Mas o rei faz
os bezerros e mistura a adoração. Jeroboão tenta estabelecer uma religião
sincretista que satisfaça o povo por meio da adoração em nome de EU SOU e ao
mesmo tempo, pelo simbolismo da lascívia, agrade os adoradores que anelam pela
fertilidade, não pela justiça (WALTKE 2015. p.800). Walton comenta que os deuses-touros que Jeroboão ergueu nos templos
de Dã e Betel não tinham o objetivo original de representar ídolos de culto
religioso estrangeiro. As reformas religiosas de Jeroboão foram criadas para
conquistar a lealdade dos seguidores de Javé no reino do norte e, assim,
impedi-los de fazer as três peregrinações anuais ao templo em Jerusalém,
controlado pelo reino do Sul. Então o autor prossegue:
Acredita-se
que os bezerros de Jeroboão deviam, de alguma forma, representar Javé, talvez
como pedestais para seu trono ou tribunas para sua presença. Desta forma, os
touros, como a fortificação em Siquém e as cidades fronteiriças próximas a
Judá, eram estratégia política usada por Jeroboão para consolidar seu poder e
autoridade em Israel. Independente das razões iniciais de Jeroboão, é evidente
que os bezerros de ouro se tornaram símbolo de ideologia e prática religiosa
bem diferentes do Javismo (WALTON 2012. p.264).
3. O rei do
norte - Jeroboão.
O homem de YHWH e o velho profeta.
Ao consolidar
seu reino, percebemos que Jeroboão caminha igualmente aos reis pagãos daquela
época. Ele está na cidade de Betel para fazer sacrifícios no altar que erguera
aos bezerros de ouro. Em Israel isso era proibido. O rei Saul perde seu mandato
por causa dessa rebeldia. Outros reis também são prejudicados por isso. Mas
Jeroboão não se submete as regras da aliança de YHWH. Ele mesmo faz suas regras
e se estabelece como um sacerdote. Porém, quando esta no meio do seu ritual, um
homem de YHWH aparece. Por ordem do Senhor este homem saí da tribo de Judá.
Recordem comigo! Essa tribo pertence ao reino do Sul, pois agora existe a
divisão. Então, um profeta é enviado da tribo de Judá para combater as afrontas
no reino do norte. Sacrifícios abomináveis estão sendo realizados na cidade de
Betel. Esta é a mesma cidade onde Jacó teve a visão da escada, onde anjos
subiam e desciam e no alto estava o Senhor; “Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de
Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o
SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás
deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência” (Gn 28.10-22). Porém, não
iremos conseguir definir este profeta de Judá. O relato bíblico não nos dá
detalhes de quem seja. Mas este profeta é extremamente poderoso por ordem de
YHWH. Tanto no poder que expressa e na palavra profética que menciona. Wilson
comenta:
O
homem de Deus vindo de Judá aparece como intermediário periférico que vai ao
santuário central do norte com o fito de reformá-lo. Nada se diz da localização
social desta figura, podendo ter sido, na versão mais antiga da história,
representante do culto central de Jerusalém. Contudo, na presente narrativa
representa um ponto de vista deuteronomista e detém características de profetas
efraimitas. A palavra que pronuncia contra o altar (IRs 13.2) vem, por fim, a
verificar-se (2Rs 23.16), e o sinal que prediz acontece logo em seguida (IRs
13.3,5). Além disso, passa a Deus o pedido do rei por cura e tem sucesso em
restaurar sua mão ressequida (IRs 13.4,6). O homem de Deus é, pois, verdadeiro
profeta deuteronomista que serve de canal pelo qual a palavra de Deus vem ao povo
e pelo qual os pedidos do povo são passados a Deus (WILSON 2006. p.229).
O texto segue e
nos dá uma especifica palavra vinda deste profeta. Algo extraordinário. O homem
é ousado para interromper o ritual de um rei tirano. Se o profeta não tivesse
aval de YHWH e poder, seria morto na hora. Mas este homem representa o EU SOU e
a sua palavra é poderosa. Ao ponto de
profetizar contra o altar e anunciar o nome de um rei que viria trezentos anos
depois. Isso é algo espetacular. É uma profecia revelando o nome de um rei de
viria três séculos depois. O profeta dá detalhes de como este rei destruiria o
altar abominável de Jeroboão. Iremos comparar a profecia e o ato deste futuro rei
Josias e tentar aproximar as datas:
A profecia entregue pelo homem de Deus
data aproximadamente entre 930 a 909 a.C. – período do reinado do rei Jeroboão:
Clamou
o profeta contra o altar, por ordem do SENHOR, e disse: Altar, altar! Assim diz
o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o
qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso,
e ossos humanos se queimarão sobre ti. Deu, naquele mesmo dia, um sinal,
dizendo: Este é o sinal de que o SENHOR falou: Eis que o altar se fenderá, e se
derramará a cinza que há sobre ele (IRs 13.2,3).
O cumprimento da profecia com o rei
Josias. Ele é um rei do Sul, pois o reino do norte já foi destruído em 722 a.C.
O profeta que vem de Judá, profetiza que se levantaria um rei de Judá e isso se
cumpre aproximadamente entre 640 a 609 a.C. Pois este foi o período do reinado
de Josias. Então temos ai aproximadamente 300 anos. Vejamos:
Também
o altar que estava em Betel e o alto que fez Jeroboão, filho de Nebate, que
tinha feito pecar a Israel, esse altar junto com o alto o rei derribou;
destruiu o alto, reduziu a pó o seu altar e queimou o poste-ídolo. Olhando
Josias ao seu redor, viu as sepulturas que estavam ali no monte; mandou tirar
delas os ossos, e os queimou sobre o altar, e assim o profanou, segundo a palavra
do SENHOR, que apregoara o homem de Deus que havia anunciado estas coisas.
Então, perguntou: Que monumento é este que vejo? Responderam-lhe os homens da
cidade: É a sepultura do homem de Deus que veio de Judá e apregoou estas coisas
que fizeste contra o altar de Betel. Josias disse: Deixai-o estar; ninguém mexa
nos seus ossos. Assim, deixaram estar os seus ossos com os ossos do profeta que
viera de Samaria. Também tirou Josias todos os santuários dos altos que havia
nas cidades de Samaria e que os reis de Israel tinham feito para provocarem o
SENHOR à ira; e lhes fez segundo todos os atos que tinha praticado em Betel. E
matou todos os sacerdotes dos altos que havia ali, sobre os altares, e queimou
ossos humanos sobre eles; depois, voltou para Jerusalém (2Rs 23.15-20).
A profecia se
cumpre. Aquilo que o homem de YHWH havia mencionado acaba ocorrendo. Os
profetas de YHWH não erram. Esse oráculo é uma prova realmente maravilhosa de
que, de acordo com suas alianças, O EU SOU modela e governa a história de
Israel. Após isso, o homem de YHWH confirma sua palavra através de um sinal.
Nesta história, temos uma forte palavra sendo entregue, que revela um futuro que
ocorrerá após três séculos. Teremos também, uma forte manifestação de poder. O
altar é fendido e a mão do rei Jeroboão é ressequida.
Tendo
o rei ouvido as palavras do homem de Deus, que clamara contra o altar de Betel,
Jeroboão estendeu a mão de sobre o altar, dizendo: Prendei-o! Mas a mão que
estendera contra o homem de Deus secou, e não a podia recolher. O altar se
fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus
apontara por ordem do SENHOR. Então, disse o rei ao homem de Deus: Implora o
favor do SENHOR, teu Deus, e ora por mim, para que eu possa recolher a mão.
Então, o homem de Deus implorou o favor do SENHOR, e a mão do rei se lhe
recolheu e ficou como dantes (IRs 13.4-6).
Henry comenta que
ao falar do altar, o profeta ameaça o seu fundador e os seus adoradores, pois o
culto idólatra não continuaria; porém, a palavra de YHWH permaneceria para
sempre. A profecia afirma claramente que a família de Davi continuaria, e
apoiaria a verdadeira religião, quando as dez tribos já não fossem capazes de
resisti-los. Se YHWH, com justiça, endurece o coração dos pecadores, para que
não possam retirar arrependidos a mão que estenderam ao pecado, este é um juízo
espiritual, representado por esta situação e muito mais espantoso (2004. p.20).
Outra profecia e um milagre também confirmam o poder da profecia. Em Betel, um
profeta idoso prediz que o profeta de Judá, pelo fato de desobedecer a Deus e
ficar para comer e beber, será dilacerado e morto por um leão. O cumprimento da
profecia vem acompanhado de um milagre: em vez do Leão atacar o jumento ou
mesmo tocar no cadáver e em vez de o jumento fugir, as pessoas encontram o Leão
ao lado do corpo e do jumento. Apesar disso, o profeta idoso confirma a
autenticidade do profeta de Judá e expressa o desejo de que seu corpo seja
sepultado com seu “irmão” (WALTKE 2015. p.801).
“Os profetas eram indivíduos
específicos e sem credenciais que fizeram pronunciamentos “fora do ordinário”,
reconhecia-se que eles tinham uma conexão peculiarmente íntima com Javé, o que
os tornava em canais efetivos de comunicação entre Javé e Israel”.
(BRUEGGEMANN, Walter, p.806)
“Os profetas proferem ou
proclamam a mensagem da divindade e interpretam a palavra divina para pessoas
que buscam oráculos” (WILSON, Robert, p.41)
“Os profetas são figuras
cruciais na história da religião israelita. Eles foram as primeiras pessoas em
quem a divina centelha de verdadeiro conhecimento se tornou consciente por
força do espírito de Deus. Por esta razão, eles serviram de modelo das
altitudes espirituais, que todas as pessoas poderiam um dia alcançar”. (WILSON,
Robert, p.19)
“Os profetas interpretavam a
história do povo escolhido segundo a visão de YAWEH”. (Ronaldo José Vicente)
“Os profetas funcionaram
como indivíduos que tinham sido divinamente escolhidos para reformar todos os
aspectos da sociedade humana”. (WILSON, Robert, p.19)
“O profeta usava vários
títulos: Homem de Deus: denota o profeta como devoto, piedoso e dedicado” (Dt
33.1; 1Sm 9.6; 2Rs 8.11). (WALTKE, Bruce, p.900)
“O profeta é um Guarda:
Alguém que anuncia uma condenação ou uma benção eminente” (Is 21.11; Os 9.8).
(WALTKE, Bruce, p.900)
“O profeta é um
Escravo/Servo do EU SOU: Alguém que tem uma missão dada por Deus, não uma que
ele próprio inventou” (2Rs 21.10; 24.2; Jr 25.4; 26.5; Am 3.7). (WALTKE, Bruce,
p.900)
“O profeta é um Mensageiro
(hebr., mal’ak = gr. angelos) designa o profeta como um plenipotenciário da
parte de EU SOU nos céus e uma pessoa na terra” (Is 42.19; Ml 3.1). (WALTKE,
Bruce, p.900)
“O profeta faz o papel de um
“anjo” (hebr., mal’ak); anjos e profetas são emissários que levam a mensagem de
Deus aos seres mortais, mas, ao contrário dos anjos, os profetas também são
seres mortais. Numa visão, porém, Isaías se vê no meio de Serafins, na corte
celeste, e se oferece para substituí-los como emissário de Deus a Jerusalém”
(Is 6.1-8). (WALTKE, Bruce, p.900)
“Os profetas são agentes
incansáveis de uma mudança social e cultural – embora suas contribuições
principais tenham sido de ordem moral, ética e teológica”. (R WILSON, Robert,
p.20)
“Os profetas-Videntes
(hõzeh, ICr 26.28), caminhavam na clarividência. Eram observadores da esfera
divina – estes homens não viam o mundo espiritual estando à parte da realidade
divina – eles estavam no mundo de YAWEH, observando-o através dos Seus olhos a
miséria humana. Podemos dizer: - o Senhor emprestava Seus olhos por um pequeno
momento aos seus videntes”. (Ronaldo José Vicente)
“O profeta (nãbî) é alguém
chamado e nomeado por Deus para ser Seu porta-voz (2Rs 9.1; 2Cr 12.5; Jr 1.5).
Em outras palavras, um profeta é a boca humana de Deus”. (WALTKE, Bruce, p.900)
“No poder da imaginação
poética, seus pronunciamentos não são evidentes por si mesmos quanto à sua
relevância, mas eles falam em imagens e metáforas que visam perturbar,
desestabilizar e convidar a percepções alternativas da realidade”. (BRUEGGEMANN,
Walter, p.809)
“Os profetas falam usando
figuras chocantes e extremas porque desejam perturbar as construções “seguras”
da realidade, as quais são patrocinadas e defendidas pelos formadores de
opinião dominantes”. (BRUEGGEMANN, Walter, p.806)
“Por meio dos profetas, o
Deus invisível torna-se audível”. (WALTKE, Bruce, p.899)
Ronaldo José Vicente. É casado com
Clarissa Alster Vicente e tem uma filha chamada Esther Alster Vicente. É Pastor
da Igreja PorTuaCasa, localizada em São Paulo. É teólogo formado pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atualmente, faz mestrado em Antigo
Testamento pelo Andrew Jumper. Escritor, lançou um livro que se chama: “O
Profeta em Israel e a Justiça Social”, lançado pela Editora Reflexão.
Desenvolve seus artigos no blog: www.lagrimasportuacausa.blogspot.com.br.
É músico (baterista), autor de várias composições. Exerce seu trabalho com sua
banda chamada Templo de Fogo.
BIBLIOGRAFIA
BRUEGGEMANN, Walter. Teologia do Antigo
Testamento. São Paulo: Paulus, 2014.
CHAMPLIN. R.N. O Antigo Testamento
Interpretado. Hagnos. São Paulo: 2001.
BRIGHT. John. História de Israel. Paulus.
São Paulo: 2016
GICHON. Mordechai. Batalhas da Bíblia. BV
filmes. Rio de Janeiro: 2014
HENRY. Comentário Bíblico. CPAD. Rio de
Janeiro: 2004
PFEIFFER. Charles. F. Comentário
Moody.
PRATT. Richard. Comentário I e II
Crônicas. Cultura cristã. São Paulo: 2008
RAD. G. Von. Teologia do Antigo
Testamento. Aste. São Paulo: 2006.
SCHULTZ. Samuel. A História de Israel.
Vida Nova. São Paulo: 2007.
VAUX. Roland. Instituições de Israel. Vida
Nova. São Paulo: 2004
VOS. Geerhardus. Teologia Bíblica Antigo
Testamento. Cultura cristã. São Paulo: 2010
WALTKE. Bruce. Teologia do Antigo Testamento.
Vida Nova. São Paulo: 2015.
WALTON. J.H. Panorama do Antigo
Testamento. Vida. São Paulo: 2012
WILSON. Robert. Profecia e Sociedade no
Antigo Israel. Paulus. São Paulo: 2006.
WISEMAN. Donald. I e II Reis, Introdução e
Comentário. Vida Nova. São Paulo: 2011.
"O Profeta em Israel e a Justiça Social", lançado pela editora Reflexão. Pr. Ronaldo José Vicente. (ronjvicente@gmail.com) - Adquira o livro clicando: http://www.editorareflexao.com.br/o-profeta-em-israel-e-a-justica-social/p/576
Banda TEMPLO (ICor 3.17) de FOGO (Hb 12.29)
CD – O VIDENTE
Este CD tem como característica fundamental a vida e a mensagem dos profetas do AT. Todas as músicas estão baseadas em textos das Escrituras. A música “o Vidente” baseia-se em uma linha de profetas do Antigo Israel chamados de Nabiy’, Chozeh e Ra’ah, Is 6.1-3; ISm 9.9; 16.1-13; Dn 7.1-8; Zc 3.1-10. (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-o-…). A música “Terra Especial” e “Alguém” conta a trajetória de Moisés com o povo de Israel rumo a Terra prometida (Ex 12.1-51; 14.1-31). A música “Jeremias 7” baseia-se nas advertências do profeta contra as perversidades dos religiosos (Jr 7.1-34). “Oséias, o profeta do amor” é poetizado com o intenso amor de Javé pelo seu povo (Os 1.2,9; 2.1; 11.1; 14.1,4). A música “Elias”, retratará o episódio no monte Carmelo, onde Javé responde com fogo no desafio entre Elias e os profetas de Baal (IRs 18.1-40). A música “Teu Querer” é uma balada baseada na doutrina da Eleição Incondicional – homens como (Paulo) e outros, impactados pela escolha soberana de Deus (At 9.3; Rm 8.29,30). A música “Confiar nos profetas” baseia-se neste texto das Escrituras: “...Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis...” – A música relata o contexto deste pronunciamento contando a história do Rei Josafá (2Cr 20.20). Por fim, temos a música do profeta “Joel”, especificamente com uma mensagem sobre “O Dia do Senhor”. Essa música fecha o CD com a profecia da volta de JESUS!
I. Você pode adquirir o CD no valor de 20,00 + custo de correios 8,00, total = 28,00
Você também pode adquirir o livro “o Profeta em Israel e a Justiça Social”. Este livro é do Pr Ronaldo José Vicente, baterista da banda. O livro foi a ideia inicial para o trabalho que se desenvolveu no CD (ver: http://lagrimasportuacausa.blogspot.com.br/…/o-profeta-e-pr…)
II. Você pode adquirir o livro no valor de 30,00 + custo de correios 8,00, total = 38,00
III. Você pode adquirir o livro e + CD no valor de 50,00 + custo de correios 8,00, total = 58,00
Transferindo ou fazendo o depósito nas contas:
Banco Itaú. Ag 1664 Conta Corrente 28767-7 /Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente. Banco Santander: Ag 0201 Conta Corrente 01062968-1/ Ronaldo José Vicente ou Clarissa Alster Vicente.
(envie o comprovante em in box para enviarmos o pedido).
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LANÇAMENTO
ACESSE EM TODAS AS PLATAFORMAS:
após a morte
de Salomão e as dez tribos separaram-se de Judá e Benjamim e do reino sob o
filho de Salomão, Reoboão; a idolatria foi introduzida no início do seu
reinado.
[2] uma cidade
em Manassés; localizada em um vale entre o monte Ebal e monte Gerizim, 54 km
(34 milhas) ao norte de Jerusalém e 10,5 km (7 milhas) (10.5 km) a sudeste de
Samaria.
[3] Um ribeiro
que cruza a cadeia de montanhas de Gileade, e deságua no lado leste do Jordão,
aproximadamente a meio caminho entre o mar da Galiléia e o mar Morto.
[5] שִׁישַׁק –
Shiyshaq - rei do Egito, Sesonque I, 1o. rei da 22a. dinastia; governou o Egito
durante os reinados de Salomão e Roboão e atacou o reino do sul sob Roboão e,
ao que parece, o fez tributário.







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